UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
XIX ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE DA UNICAMP
15 A 17 DE SETEMBRO
MATERIAIS E MATERIALIDADE
EDITAL
1. Tema: Materiais e Materialidade
Texto de Apresentação
Ao dizer a um observador externo que os materiais só recentemente ganharam protagonismo na produção em História da Arte, é provável que a reação fosse: " mas coisas, objetos, construções — não é o que vocês sempre estudaram?" . Afinal, somos ou não aqueles que investigam quadros, desenhos, gravuras, esculturas, relevos, vitrais, edificações, jardins, móveis, cerâmicas, vestimentas, acessórios, fotografias, filmes, instalações, ready-mades? Evidente que também são do nosso escopo as pessoas que criam as obras, os textos que estabelecem critérios que orientam ou tensionam a criação, os projetos e os esboços para que tal produção aconteça, os modos pelos quais se constituem coleções, mercados, instituições, entre outros aspectos. A percepção da história da arte como uma área de investigação de objetos e coisas é muito comum entre aqueles que a olham de fora. Para quem a adentra, ao contrário, muitas vezes é quase impossível se desvincular da preocupação principal com a ideia, a representação, o símbolo, o projeto intelectual do artista. Talvez por conta desta ambivalência é que as discussões e desafios metodológicos advindos dos estudos de cultura material tenham florescido em muitos outros campos das Humanidades antes de seu impacto na História da arte ser considerável. Poderíamos evocar as raízes desse distanciamento da materialidade da obra de arte nas próprias origens míticas da disciplina. Em Vidas de Artistas (1550/1568), Giorgio Vasari apresenta sua defesa do designo como ponto de partida da criação artística, determinando que este “procede do intelecto”, restando à mão apenas a habilidade para torná-lo visível. Diversos processos teóricos correlatos contribuíram para que isso se estabelecesse como uma linha de compreensão sobre a obra de arte que permaneceu. Um exemplo é o longo esforço de diferenciação entre arte e artesanato, permeado pela preocupação em evitar que a natureza ordinária dos objetos cotidianos maculasse o campo da História da arte, supostamente comprometido com a discussão mais elevada sobre a imagem e seus significados.
Nomes fundamentais tocaram a questão em outros momentos. A materialidade foi mobilizada pelo pensamento de autores tão diversos como Riegl, Benjamin, Baxandall, Latour, entre outros. No entanto, o chamado material turn propõe nos últimos anos mudanças significativas. Mobilizamos para a identidade visual do XIX Encontro o Perseu de Cellini (feito entre 1545 e 1554), referência à abordagem do material no trabalho de Michael Cole, e portanto dessas possibilidades metodológicas nos estudos do Renascimento, um dos espaços mais tradicionalmente vinculados à importância da ideia e dos significados que transcendem a matéria da obra de arte. Não só as características físicas e sensoriais da obra de arte, mas os materiais e sua possível agência no criar tem ganhado destaque como possibilidade metodológica na História da Arte. Também a presença de sujeitos não humanos (animais, vegetais e minerais) nas produções artísticas passou a ser apreendida de outra forma. São marcos importantes deste processo trabalhos como o de Jules Prown, que destaca a necessidade da experiência sensorial direta com o objeto de estudo, ou o de Tim Ingold, que rejeita a ideia de que a matéria é algo inerte que simplesmente recebe a forma concebida pela mente. Para esse autor, a forma emerge da interação contínua entre o ser humano e os materiais, que são vivos e ativos. Do ponto de vista do método, as proposições de Ingold dão um passo além, indicando que sem conhecer os materiais através da prática com eles e no fluxo do tempo é impossível entender a obra de arte, já que se simplifica e congela algo que é complexo, dinâmico e mutável.
É no sentido de abordar os desafios e caminhos permitidos por este debate que o XIX EHA tem como eixo orientador de suas discussões o tema Materiais e Materialidade.
2. Cronograma
Etapa 1:
Inscrições de propostas de comunicação: 12/06/2025 a 04/07/2025
Etapa 2:
Divulgação dos trabalhos aprovados: 16/07/2025
Etapa 3:
Pagamento da taxa de participação para aprovados: 16/07/2025 a 20/07/2025
Etapa 4:
Divulgação da programação de palestras: 22/08/2025
Etapa 5:
Início da inscrição de ouvintes: 23/08/2025
Etapa 6:
Divulgação da programação das mesas de comunicação: 22/08/2025
Etapa 7:
Realização do evento: 15/09/2025 a 17/09/2025
Etapa 8: Data provisória para entrega do texto para publicação: 30/12/2025
3.1. Comunicação Oral:
3.1.1. Proponentes de Comunicação:
Profissionais ligados ao campo da História da Arte, História Cultural e do Patrimônio, Midialogia, Comunicação, Cinema, Cultura Visual e demais áreas afins, incluindo professores e alunos de cursos de graduação e pós-graduação, pesquisadores, profissionais de museus, arquivos, bibliotecas, serviços de patrimônio, centros culturais e outras instituições.
Salientamos que as comunicações não precisam necessariamente ser sobre o tema do evento. As propostas podem ser relacionadas a todas as questões da História da Arte. Os eixos temáticos das mesas de comunicação serão definidos depois, de acordo com as comunicações aprovadas.
3.1.2. Inscrição de Comunicação:
Os interessados em apresentar trabalho nas mesas de comunicação devem preencher o Formulário Google (a ser divulgado no site e nas redes sociais do evento), a fim de serem avaliados pela comissão organizadora, observando o período de inscrição. Levar em consideração que, caso a proposta seja aceita, deve-se efetuar o pagamento, conforme indicado no item 3.1.3, e apresentar o trabalho no evento segundo o item 3.1.4.
É permitido o envio de até uma proposta de comunicação. Trabalhos em coautoria são permitidos desde que correspondam à efetiva participação das partes.
3.1.3. Pagamento da taxa de participação:
Será cobrada uma taxa de participação de R$75,00 por autor. O valor a pagar por trabalhos em coautoria corresponde ao número de autores envolvidos. Sugerimos que o valor a ser pago por coautores seja realizado individualmente, a fim de que todos os nomes envolvidos estejam registrados.
O pagamento da inscrição para todos os interessados em comunicar deve ser realizado exclusivamente via o Even3 do evento e somente após a divulgação dos trabalhos aprovados.
Não é necessário confirmar o pagamento por e-mail, apenas preencher os dados pessoais no Even3 de acordo com os dados da inscrição.
3.1.4. Normas para Apresentações:
As apresentações serão realizadas presencialmente.
Cada participante terá 15 minutos para a sua comunicação.
Cada participante é responsável pelo seu arquivo de apresentação, que aconselhamos estar salvo tanto em formato .ppt como .pdf. Recomendamos aos comunicadores a realização de um slide de apresentação com no mínimo uma página (capa/folha de rosto), contendo as seguintes informações de identificação: título da comunicação, autoria, titulação e instituição, orientação e agência de fomento (se houver), e-mail para contato.
Solicitamos que os participantes cheguem com pelo menos 10 minutos de antecedência ao início da mesa. Após a apresentação dos comunicadores haverá um debate dirigido pela mediação.
3.1.5. Publicação nas Atas
As informações para publicação nas atas do Encontro podem ser acessadas no site do evento: https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/eha/about/submissions
3.2. Ouvinte
3.2.1. Inscrição de Ouvinte:
Os interessados em assistir às mesas e conferências devem se inscrever pelo Even3 do evento, observando o período de inscrição. A inscrição para ouvintes é gratuita.
3.2.2. Certificado de participação de Ouvinte:
O evento conferirá certificado de participação a todos que tiverem ao menos 75% de participação nas atividades. A presença será contabilizada por meio de formulários para cada rodada de comunicações e mesas de conferencistas.
4. Considerações Finais
Os casos omissos no Edital serão resolvidos pela comissão, que comunicará os participantes com a devida antecedência.
Eventuais dúvidas poderão ser encaminhadas para o e-mail eha@unicamp.br.
5. Comissão de Organização do XIX Encontro de História da Arte da UNICAMP
Amanda Müller Guadiz
Anita Limulja
Juliana Uenojo
Juliana Ferrari Guide
Karen Faria Arantes
Laura Manganote
Sarah Dume