Resumo
Assim como dizemos que a cena não é representação da realidade, Novarina compreende a personagem não como uma figura dada, e sim como estados, aberturas no espaço tempo. Nesta perspectiva, o ator não irá criar a representação de outro ser humano, mas sim experimentar as pluralidades de seres humanos que o habitam para gerenciar estados e atualizar em ficção: ficcionalizar. Ficção não é o oposto de realidade, ela é realidade virtual em imanência sendo atualizada naquilo que Novarina chama de Corpo com Órgãos (CcO). O “personagem ficção” está ligado ao tempo. Ele dura o tempo da atuação. Depois volta a ser virtualização até que seja atualizado novamente. É presentificação momentânea das possibilidades de vir a ser. Nos processos de atualização do/ no CcO, atualizar é ficcionalizar: um processo de não-construção da personagem ou de desconstrução do ator.
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