Editorial - Arte de ator: o problema da transferência

Resumo

A arte de ator, tão fácil de ser compreendida por quem está por ela envolvido ou pelo menos pelos que lidam com teatro, é de bastante difícil compreensão por quem está fora - às vezes até por quem vê as artes cênicas a partir da perspectiva do diretor. Já porque 'interpretar' é entendido, recorrentemente, como correspondendo ao uso de artifícios recolhidos de diferentes lugares, espectros, para preencher clareiras de sentimentos, de emoções das personagens ou figuras interpretadas. Um dos artifícios pode ser a palavra. Esta se presta como artifício, ainda que possa ser instrumento. Depende de como for usada. Quando constitui um pré-texto, assume tal poder sobre o ator e a cena, que pode dificultar a livre expansão do ator, prendendo-o. Esta prisão decorre do aspecto racionalizante com que o texto pode ser investido. Pelo raciocínio, o ator fantasiará relações, fará associações que não estão impressas no corpo, mas só na mente. Mas o artifício pode ser criado através de estratégias que podem parecer verdadeiramente cênicas, teatrais. Sendo um artifício, nem por serem elementos não verbais vão estar privados de artificialismo, se tiverem partido de abstrações e racionalizações. 

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