O caçador e o fogo: Luís Otávio Burnier

Resumo

Eugenio Barba telefonou-me, numa manhã de fevereiro, com a inacreditável, espantosa notícia: Luís tinha morrido. Estupidamente, repentinamente, em um hospital ou uma clínica de São Paulo. Sem dúvida em decorrência de um erro médico. Incontinente me vieram à cabeça imagens vivas. Desde então elas não me deixaram e me voltam quando tenho a necessidade de me aproximar dos mortos que amei. Celebrá-los alimenta o meu entusiasmo - εν θεοσ: o próprio Deus - e me recordam o preço e a fragilidade da vida. Imagens de seu rosto sorridente, de seus olhos que denunciavam seu fogo interior, de seu grande corpo em movimento, de sua crina de cabelos, de seu riso e de sua voz forte; imagens dos seus - Denise sua mulher, e seu filho que me havia emprestado seu quarto para dormir. Tudo isto, como um sol que gira não à maneira das lembranças nostálgicas, mas ao contrário, como as centelhas de uma existência que não se apagou. A morte agride a vida com uma violência tanto maior quanto esta pareceu triunfante. Luís Otávio corria na vida, incrivelmente viva, ardente, aberta, atenta. Excessiva. Excessivamente viva.

PDF
Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2012 Revista Ilinx

Downloads

Download data is not yet available.