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CENTROS DE MEMÓRIA NO CENTRO PAULA SOUZA: 25 ANOS DE UMA
PARCERIA ENTRE INSTITUIÇÃO E UNIVERSIDADE PÚBLICAS
Maria Lucia Mendes de Carvalho
Centro Paula Souza/Cetec, Brasil
maria.mendes@cps.sp.gov.br
Carmen Sylvia Vidigal Moraes
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Brasil
moraes@usp.br
RESUMO
Este artigo apresenta prospecção, origem e evolução de uma parceria entre o Centro de
Memória da Educação da Faculdade de Educação da USP (CMEFEUSP) e a Coordenadoria de
Ensino Médio e Técnico (CETEC) do Centro Paula Souza (CPS), objetivando a produção de
instrumentos de pesquisa para a escrita da história da educação profissional. Essa parceria
surgiu em momento que se discutia no CPS, a necessidade de estruturar a instituição para evitar
perdas de massa documental de arquivos escolares, considerando a transferência das escolas
técnicas entre secretarias estaduais. Um projeto de pesquisa proposto por equipe do
CMEFEUSP e do CPS, com apoio da FAPESP, implantando os oito primeiros centros de
memória, entre 1998 e 2001, se consolidou, e propiciou a ampliação dos centros de memória.
Palavras-chave: Educação Profissional e Tecnológica. História da Educação. Centro de
Memória.
CENTROS DE MEMORIA EN CENTRO PAULA SOUZA: 25 AÑOS DE
ASOCIACIÓN ENTRE INSTITUCIONES PÚBLICAS Y UNIVERSIDADES
RESUMEN
Este artículo presenta la prospección, el origen y la evolución de una asociación entre el Centro
de Memoria de la Facultad de Educación de la USP (CMEFEUSP) y la Coordinación de
Enseñanza Media y Técnica (CETEC) del Centro Paula Souza (CPS), con el objetivo de
producción de instrumentos de investigación para escribir la historia de la educación
profesional. Esta alianza surgió en un momento en que el CPS discutía la necesidad de
estructurar la institución para evitar la pérdida de masa documental de los archivos escolares,
considerando la transferencia de escuelas técnicas entre secretarías de estado. Un proyecto de
investigación propuesto por un equipo de CMEFEUSP y CPS, con el apoyo de la FAPESP,
implantando los primeros ocho centros de memoria, entre 1998 y 2001, se consolidó y condujo
a la ampliación de los centros de memoria.
Palabras clave: Educación Profesional y Tecnológica. Historia de la Educación. Patrimonio
Histórico-Educativo.
MEMORY CENTERS AT CENTRO PAULA SOUZA: 25 YEARS OF A
PARTNERSHIP BETWEEN PUBLIC INSTITUTIONS AND UNIVERSITIES
ABSTRACT
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This article presents the prospection, origin and evolution of a partnership between the
Education Memory Center of the Faculty of Education of USP (CMEFEUSP) and the
Coordination of Secondary and Technical Education (CETEC) of the Centro Paula Souza
(CPS), aiming the production of research instruments for writing the history of professional
education. This partnership emerged at a time when the CPS was discussing the need to
structure the institution to avoid the loss of documental mass of school archives, considering
the transfer of technical schools between state secretariats. A research project proposed by a
team from CMEFEUSP and CPS, with support from FAPESP, implementing the first eight
memory centers, between 1998 and 2001, has been consolidated and led to the expansion of
memory centers.
Keywords: Professional and Technological Education. History of Education. Historical-
Educational Heritage
CENTRES DE MÉMOIRE AU CENTRO PAULA SOUZA: 25 ANS DE
PARTENARIAT ENTRE INSTITUTIONS PUBLIQUES ET UNIVERSITÉS
RÉSUMÉ
Cet article présente la prospection, l'origine et l'évolution d'un partenariat entre le Centre de
Mémoire de l'Éducation de la Faculté d'Éducation de USP (CMEFEUSP) et la Coordination de
l'Enseignement Secondaire et Technique (CETEC) du Centro Paula Souza (CPS), visant à
production d'instruments de recherche pour l'écriture de l'histoire de l’ educatión professionnel.
Ce partenariat est apparu à un moment le CPS discutait de la nécessité de structurer
l'institution pour éviter la perte de la masse documentaire des archives scolaires, compte tenu
du transfert des écoles techniques entre secrétariats d'Etat. Un projet de recherche proposé par
une équipe du CMEFEUSP et du CPS, avec l'appui de la FAPESP, mettant en place les huit
premiers centres mémoire, entre 1998 et 2001, s'est consolidé et a conduit à l'extension des
centres mémoire.
Mots-clés: Éducation Professionnel et Technologique. Histoire de l'Éducation. Patrimoine
Historique et Éducatif.
INTRODUÇÃO
O Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS) é uma autarquia
do Governo do Estado de São Paulo, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, e
administra 224 Escolas Técnicas, oferecendo 224 cursos, e 75 Faculdades de Tecnologia, com
85 cursos de graduação tecnológica, em diversas áreas do setor produtivo. Recentemente,
reconhecido como Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), uma organização sem fins lucrativos
de administrações públicas ou privadas, que têm como principal objetivo a criação e o incentivo
a pesquisas científicas e tecnológicas (SÃO PAULO, 2023).
Essa instituição cinquentenária, na “Aula Inaugural”, proferida pelo governador Roberto
de A. Sodré, em 3 de agosto de 1970, oferece o “Ensino Técnico Superior”, propondo-se a
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incluir o “ensino técnico de segundo ciclo” para atender a formação profissional da comunidade
trabalhadora. As doze primeiras escolas técnicas estaduais, vieram em 1982, mas a maioria
continuou vinculada à Secretaria da Educação até 1994, quando 84 escolas técnicas foram
incorporadas ao CPS (CARVALHO, 2019).
Em junho de 1992, foi criado o Centro de Memória da Educação da Faculdade de
Educação da Universidade de São Paulo (CMEFEUSP), objetivando a produção de
instrumentos de pesquisa para a escrita da história da educação brasileira, a partir do
mapeamento e referenciação de arquivos, acervos bibliográficos e museológicos espalhados
pelo Estado de São Paulo (MORAES; SANTOS, 2021).
Nesse mesmo ano, no Centro Paula Souza (CPS) se discutia, internamente, a necessidade
de estruturar a instituição para evitar perdas de massa documental de arquivos escolares,
considerando a transferência das escolas técnicas entre as secretarias estaduais, o que contribuiu
para a parceria do CMEFEUSP com a Coordenadoria de Ensino Médio e Técnico (CETEC) do
CPS. Foram cinco anos de prospecção, avaliando a situação dos arquivos escolares das escolas
técnicas mais antigas do estado de São Paulo, um ano de diagnóstico, a partir de um projeto
institucional envolvendo 11 escolas técnicas, e em seguida, um projeto de pesquisa proposto
por equipe do CMEFEUSP e do CPS, com apoio da FAPESP, implantando os oito primeiros
centros de memória, entre 1998 e 2001.
No CPS o projeto de pesquisa iniciado de uma parceria, se consolidou, e propiciou a
ampliação dos centros de memória, a partir da criação do Grupo de Estudos e Pesquisas em
Memórias e História da Educação Profissional (GEPEMHEP), em 2008, e da atuação articulada
das pesquisadoras, desde o trabalho conjunto com o CMEFEUSP, até a participação no comitê
editorial da RIDPHE_R, Revista Iberoamericana do Patrimônio Histórico-
Educativo/Universidade Estadual de Campinas. Tal colaboração é emblemática dos alcances
possíveis em nossa atividade de preservação da memória e revitalização da história da educação
profissional, para o avanço do conhecimento no campo da história e historiografia da educação
(apesar das limitações da ação governamental, das políticas públicas, no campo da preservação
documental).
Para comemorar o jubileu de prata dos centros de memória no CPS, este trabalho propõe
a refletir sobre as ações educativas, de estudos e de difusão dos arquivos escolares para a
pesquisa em história da educação, contando com a resistência de professores-pesquisadores nas
instituições de ensino, e destacando os desafios teóricos e metodológicos para problematizar a
cultura material e imaterial nesses lugares de memória.
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PROSPECÇÃO DOS ARQUIVOS ESCOLARES NAS ESCOLAS TÉCNICAS MAIS
ANTIGAS NO ESTADO DE SÃO PAULO
Em 1992, a professora Dra. Carmen Sylvia Vidigal de Moraes do CMEFEUSP procurou
o CPS e solicitou o apoio do professor Almério Melquíades de Araújo, coordenador do ensino
técnico, para contribuir com o desenvolvimento do projeto “Material Escolar e Documentos
Institucionais”, que tinha auxílio do CNPq, e que seria realizado pela bolsista Rita de Cássia
Bonádio Inácio da FEUSP, sob a sua orientação (ALVES; INÁCIO, 1997, p. 59).
Entre 1992 e 1996, iniciaram uma prospecção para essa pesquisa em arquivos escolares
das oito primeiras escolas profissionais oficiais do Estado de São Paulo, constatando a precária
situação em que se encontravam esses arquivos escolares: “dispersão, deterioração e perda de
documentos e a necessidade de providências urgentes do CEETEPS para a preservação da
memória institucional” (ALVES, 1998, p. 32). É importante destacar que,
O Centro de Memória da Educação da Faculdade de Educação da
Universidade de São Paulo foi criado por deliberação da Congregação dessa
Faculdade, que, em sessão realizada em junho de 1992, aprovou proposta
encaminhada por um grupo de professores interessado em institucionalizar
instâncias interdepartamentais que favorecessem a produção em equipe da
pesquisa em história e historiografia da educação2. Sua criação deve ser
compreendida em um duplo contexto. [...] Por outro lado, na Faculdade de
Educação, a constituição da Área Temática de História da Educação e
Historiografia no Programa de Pós-Graduação em Educação, em dezembro de
1992, deu maior visibilidade à tal demanda, reforçando a importância da
institucionalização de um Centro capaz de amparar e subsidiar a pesquisa no
campo da História da Educação. (MORAES; SANTOS, 2021, p. 2-3).
Em 2014, quando o CPS comemorava 45 anos, fez-se uma entrevista de história oral de
vida com Júlia Falivene Alves sobre sua trajetória pessoal como educadora e coordenadora de
projetos, e esta relatou sobre a origem do projeto de Historiografia, como sendo uma articulação
entre a professora Carmen Sylvia Vidigal de Moraes, pesquisadora no CMFEUSP, e o professor
Almério Melquiades de Araújo:
A Historiografia das Escolas Técnicas Mais Antigas, e em 1997, ela foi até o
Almério, que ela conhecia e propôs que se fizesse um projeto com os
documentos importantes que às vezes ficam jogados. [...] Como arquivo
morto. E foi falar comigo e eu também me interessei. Foi assim, a Carmen e
o Almério eles se conheciam e tinham muito afeto, e eles propuseram esse
projeto para a FAPESP com esse nome imenso “Projeto Pesquisa sobre o
Ensino Público Profissional no Estado de São Paulo: memória institucional e
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transformações histórico-espaciais”. Ele foi aprovado, e a FAPESP fez a
mesma coisa que a Vitae, que era equipar. Ela deu os armários deslizantes, ela
deu material para trabalhar fotografias. Tudo que se relacionasse com equipar
bem para que o arquivo histórico fosse seguro, não se deteriorasse, que fosse
e a escola tem ligação com a cidade, e que estudaram aqui, e tal e tal. E a coisa
andou, e quantas escolas. [...] Foram quatro no início e estão dando certo, e
ainda entrevistando pessoas que tinham trabalhado ou estudado lá. Enfim,
a ideia era essa: - Conscientizar o pessoal que o arquivo é para o pesquisador
e historiador, a mesma coisa que as ruínas são para os arqueólogos. (ALVES,
2014, p. 16).
Assim, um diagnóstico institucional sobre a situação dos arquivos escolares foi realizado
pela CETECCPS, em 1997, envolvendo os diretores das escolas técnicas mais antigas no estado
de São Paulo, que indicaram professores para participarem do projeto “Historiografia das Mais
Antigas Escolas Técnicas Estaduais do Estado de São Paulo”
1
. O Quadro 1 apresenta as escolas
técnicas e os docentes participantes nesse projeto coletivo, com 12 horas semanais oferecidas
pela CETECCPS, a fim de desenvolverem atividades específicas para a localização dos
documentos históricos e a organização dos acervos escolares (arquivístico, bibliográfico e
museológico).
Para a professora responsável pelo projeto na CETECCPS, Júlia Falivene Alves
2
(1998),
O projeto Historiografia está voltado para a produção de conhecimentos sobre
a história da educação profissionalizante, a construção de um acervo
documental permanente, com banco de dados informatizado nas Unidades e
na administração central, abertos ao público, o estímulo a postura de respeito
ao patrimônio histórico e cultural, o desenvolvimento de hábitos e ações de
cidadania voltadas para a preservação de documentos significativos à
construção de uma memória. O projeto tem uma coordenação geral na
Coordenadoria de Ensino Técnico (CETEC) do CEETEPS e coordenadores
nas Unidades integrantes. Recebe assessoria de pesquisadores do Centro de
Memória da Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São
Paulo (USP) [...]. (ALVES, 1998, p. 31).
Esse projeto de Historiografia propiciou a organização e difusão de uma exposição no
final do ano, que aconteceu na Galeria do Edifício Paula Souza e no Saguão da Faculdade de
Educação da USP (ALVES, 1998, p. 32-36). A partir desse diagnóstico a Dra. Carmen Sylvia
Vidigal de Moraes, com a participação da professora Júlia Falivene Alves, propuseram o projeto
“Pesquisa sobre o ensino público no Estado de São Paulo: memória institucional e
1
Consultar audiovisual que apresenta situação inicial dos arquivos escolares no CPS entre 1992 e 1996:
https://www.youtube.com/watch?v=qZPGKHfvvA8. Acesso em: 21 fev. 2023.
2
Formada em Ciências Políticas e Sociais pela PUC Campinas (1966), iniciou sua carreira como professora de
História em escolas da Secretaria do Estado da Educação, ingressou no CPS em 1992 (ALVES, 2017).
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transformações histórico-espaciais" à Fundação de Apoio a Pesquisa no Estado de São Paulo
(FAPESP), que foi aprovado e iniciado em julho de 1998.
Quadro 1 Escolas Técnicas Estaduais e Docentes no projeto de Historiografia, em 1997
Nome da Escola Técnica Estadual
Município
Docentes participantes
do projeto
01
ETE Carlos de Campos
São Paulo
Jamir Cândido
Nogueira
02
ETE Getúlio Vargas
São Paulo
Márcia Dias
03
ETE Dr. Domingos Minicucci Filho
Botucatu
Haroldo Ramanzini
Neusa Bento Spera
04
ETE Júlio de Mesquita
Santo André
Deonildo Rorato
05
ETE Bento Quirino
Campinas
Américo Baptista
Villela
06
ETE João Belarmino
Amparo
Paulo Roberto A
Pereira
Claudio Matarazo
07
ETE Armando Bayeux da Silva
Rio Claro
Elenísia M. L. P.
Carazi
08
ETE Fernando Prestes
Sorocaba
Stella Maris Cano
Ronzani
09
ETE Aristóteles Ferreira
Santos
Dulcinéia de Oliveira
Gomes
10
ETE Joaquim Ferreira do Amaral
Jaú
Maria da Glória
Galvão Castro
11
ETE Salles Gomes
Tatuí
Nilce Leite de
Camargo
Fonte: Alves e Inácio, 1997.
Segundo Moraes e Santos (2021),
A importância desse projeto deve ser enfatizada, pois possui o mérito de
aglutinar diversas iniciativas de fomento à pesquisa no CME [...] Uma
proposta de construção e preservação da memória”, coordenado pela Profª
Dra. Carmen Sylvia Vidigal Moraes, que inaugura as atividades do CME
destinadas à preservação/organização de arquivos escolares e constituição de
Centros de Memória em instituições de ensino. O trabalho no campo da
arquivística gerou a criação de uma linha de pesquisa, Arquivos Escolares,
junto à área de "História e Historiografia da Educação", na Pós-Graduação da
FEUSP. (MORAES; SANTOS, 2021, p. 5).
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A CRIAÇÃO DE CENTROS DE MEMÓRIA NO CENTRO PAULA SOUZA
Com o apoio financeiro da FAPESP, o projeto pioneiro “Pesquisa sobre o ensino público
no Estado de São Paulo: memória institucional e transformações histórico-espaciais”,
possibilitou a criação dos primeiros oito Centros de Memória em escolas técnicas do CPS.
As Figuras 1, 2 e 3 indicam o envolvimento do professor Almério Melquíades de Araújo
participando das primeiras visitas técnicas com as coordenadoras desse projeto aos centros de
memória do Centro Paula Souza.
Figura 1 Almério M. de Araújo, coordenador de ensino médio e técnico, as coordenadoras
e os professores participantes do projeto de Historiografia são recepcionados pela diretora
Leila T. Rolin de Almeida, no Centro de Memória da Etec Fernando Prestes, em Sorocaba,
em 1998.
Fonte: Arquivo pessoal Júlia Falivene Alves. Acervo do Centro de Memória da Educação
Profissional e Tecnológica, em 2023.
Figura 2 Júlia Falivene Alves e os professores participantes do projeto de Historiografia no
Centro de Memória da Etec Fernando Prestes, em Sorocaba, em 1998.
Fonte: Arquivo pessoal Júlia Falivene Alves. Acervo do Centro de Memória da Educação
Profissional e Tecnológica, em 2023.
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Figura 3 Almério M. de Araújo e Carmen Sylvia V. de Moraes dialogando com os
professores do projeto de Historiografia durante visita ao Centro de Memória da Etec
Fernando Prestes, em 1998
Fonte: Arquivo pessoal Júlia Falivene Alves. Acervo do Centro de Memória da Educação
Profissional e Tecnológica, em 2023.
Quanto à importância e o desenvolvimento desse projeto para o CMEFEUSP, as
professoras Moraes e Santos (2021) relatam que:
[...] O primeiro projeto, "Pesquisa sobre o ensino público no Estado de São
Paulo: memória institucional e transformações histórico espaciais", foi
desenvolvido em parceria com o Centro Estadual de Educação Tecnológica
Paula Souza (CEETEPS) entre 1998 e 2002, financiado pela FAPESP,
coordenado pela profa. Dra. Carmen Sylvia Vidigal Moraes e a profa. Julia
Falivene Alves (CEETEPS); e com a assessoria técnica da Professora Heloisa
Belloto na catalogação e elaboração do inventário de fontes; além da
colaboração das arquivistas Iomar B. Zaia e Maria Cristina Vendrameto,
pesquisadoras do CME, na época, alunas do curso de pós-graduação da
FEUSP, para a capacitação dos professores das escolas em atividades
arquivísticas. Com o objetivo de promover o encontro entre pesquisa e
atividade pedagógica, por meio da integração dos diferentes agentes das
práticas escolares na produção do conhecimento histórico, a pesquisa
consistiu no levantamento, acondicionamento e referenciação de fontes
documentais produzidas e/ou acumuladas por nove escolas técnicas oficiais
escolhidas entre a mais antigas do Estado de São Paulo - duas, na capital, e
sete, no interior (Amparo, Campinas, Franca, Jacareí, 2 em Santos, Sorocaba).
O projeto objetivou organizar, em cada instituição, o arquivo
permanente/histórico, capacitar professores e alunos das escolas em técnicas
de conservação preventiva e acesso à informação, organizar encontros com
todas as escolas envolvidas para socialização das experiências. Além disso,
foi criado, em cada escola, um Centro de Documentação e Memória Escolar,
destinado a reunir, em um mesmo espaço, documentos do arquivo
permanente/histórico, peças museológicas, acervo bibliográfico e as bases de
dados referenciais significativas para o desenvolvimento de atividades
pedagógicas e de pesquisa. [...] (MORAES; SANTOS, 2021, p. 8).
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Sobre o processo de implantação desses centros de memória em escolas técnicas do CPS,
Moraes e Zaia (2013) publicaram um capítulo em livro relacionado a arquivos escolares e
pesquisa histórica, citando os produtos gerados e apresentados nas Figuras 4 e 5, cujas
publicações trazem as equipes participantes nessa parceria entre o CMEFEUSP e o CPS
(MORAES; ALVES, 2002a, 2002b).
Figuras 4 e 5 Publicações institucionais produzidas durante a implantação de oito centros
de memórias nas escolas técnicas mais antigas do Estado de São Paulo, de 1998 a 2002
Fonte: https://www.memorias.cpscetec.com.br/.
Com a finalização do projeto e o propósito de dar continuidade à preservação e
alimentação permanente nos acervos dos centros de memória, a Dra. Carmen Silvia Vidigal
orientou a pesquisa de mestrado de Maria Cristina Vendrameto, no programa de s-graduação
da FEUSP, a fim de “definir critérios de avaliação e descarte de documentos e viabilizar a
comunicação entre os arquivos correntes (secretaria das escolas) e os permanentes ou
históricos” (MORAES; SANTOS, 2021, p. 9).
PROJETOS COLETIVOS NA CETECCPS PARA DAR CONTINUIDADE ÀS
ATIVIDADES NOS CENTROS DE MEMÓRIA
A professora Julia Falivene Alves propôs projetos coletivos de horas atividades
específicas (HAE) na CETECCPS, para dar continuidade às atividades desenvolvidas nos
Centros de Memória, a fim de que os professores continuassem com a organização e a difusão
dos arquivos escolares; assim como, envolveu funcionárias de Secretarias Acadêmicas e/ou de
Diretorias de Serviços de escolas técnicas para participarem de capacitações e da elaboração de
classificação de documentos e da tabela de temporalidade institucional. Em 2003, docentes e
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funcionários do CPS envolvidos nesses projetos coletivos participaram de cursos promovidos
pela Associação de Arquivistas e realizados no Arquivo Público do Estado de São Paulo, a
partir de uma parceria entre instituições.
Para desenvolver esses projetos contou com a arquivista Maria Cristina Vendrameto,
entre 2003 e 2004, primeiro, como assessora, e a partir de 2005, como professora responsável
por projetos na CETECCPS.
Julia Falivene Alves (2002), colocou entre as situações problema para justificar o projeto
coletivo “Vitalização e Dinamização dos Centros de Memória”, que:
Se não for providenciada a adequação do sistema de organização dos
documentos do Arquivo Corrente de modo a facilitar a sua passagem e
incorporação ao Arquivo Permanente (Arquivo Histórico) e ao Banco de Dados,
quando chegar o momento dessa passagem ocorrerá aquilo que ocasionou o
desenvolvimento o Projeto Historiografia, ou seja, a precariedade dos acervos
documentais das escolas técnicas, com documentação dispersa, sem qualquer
acondicionamento, deteriorando-se e sendo perdida. (ALVES, 2002, p. 5).
Os Quadros 2 e 3 indicam as titulações dos projetos coletivos de HAE propostos e
realizados, sob a coordenação da professora Julia Falivene Alves na CETECCPS, entre 2002 e
2005. Enquanto, o Quadro 4 apresenta os funcionários envolvidos na capacitação em Arquivos
Escolares e a Figura 6 indica os professores que atuaram no projeto “Vitalização e Dinamização
dos Centros de Memória”, entre 2002 e 2003.
Em 2004, como resultados do projeto para institucionalização dos centros de memória, a
professora Júlia Falivene Alves organizou para a CETECCPS os documentos
3
a seguir, mas
que não foram publicados:
- Manual de Orientações e Procedimentos para Gestão do Acervo e Atendimento aos
Usuários;
- Regimento dos Centros de Memória;
- Estatuto da Associação dos Amigos do Centro de Memória.
No CPS, desde 2006, o regimento comum das escolas técnicas
4
, foi incluso um artigo
referente à memória e a história da educação e da instituição descrito a seguir:
Artigo 108 - Os documentos produzidos, recebidos e acumulados no exercício
das funções e atividades públicas das ETEs serão preservados, selecionados, e,
conservados, segundo normas e procedimentos técnicos, atendida a legislação,
3
Consultar: http://www.memorias.cpscetec.com.br/arquivos/2004ManualGCentrodeMJuliaFAlves.pdf.
4
Consultar: http://www.memorias.cpscetec.com.br/publicacoes/legislacao/regimentoceeteps2006.pdf.
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com objetivos de: I - assegurar e facilitar o acesso à informação para a
comunidade interna e externa; II - promover maior eficiência da administração
e melhor atendimento ao público; e III - constituir e preservar a memória e a
história da educação e da instituição.
Quadro 2 Projetos de HAE propostos por Júlia Falivene Alves, envolvendo professores em
centros de memória, entre 2002 e 2005
Projetos de HAE na CETECCPS
Nº ETE
Nº HAE
Vitalização e Dinaminzação dos Centros de Memória
8
Váriável
(Figura
6)
Memória do Trabalho, da Técnica e do Ensino
Profissional (Fase de institucionalização dos Centros
de Memória)
9
8
Fonte: Arquivo pessoal Julia Falivene Alves no CMEPTCPS, em 2023.
Quadro 3 Projetos de HAE propostos por Júlia Falivene Alves, envolvendo funcionários
das Secretarias Acadêmica e/ou Diretorias de Serviços, entre 2003 e 2005
Projetos de HAE para Secretarias Acadêmicas e Diretoria de
Serviços
Ano
Nº ETE
Capacitação de ATDs de Secretarias na Organização e
Administração de Arquivos Correntes e Gestão da Informação
(parceria APESP)
2003
9
Organização dos Arquivos Correntes e Gestão da Informação
(Piloto)
2004
9
Capacitação em Arquivos Institucionais
2005
8
Fonte: Arquivo pessoal Julia Falivene Alves no CMEPTCPS, em 2023.
Quadro 4 Funcionários de Secretarias Acadêmicas e/ou Diretorias de Serviços de Escolas
Técnicas em capacitação sobre Arquivos Escolares na CETECSP, em 2005
Escola Técnica Estadual (Município)
Nome de funcionários envolvidos
Etec Dr. Júlio Cardoso (Franca)
Maria Ângela Nascimento Nobile
Maria Alamar G. da Costa
Etec Cônego José Bento (Jacareí)
Sérgio Maurilio de Freitas
Antônio Tadeu de Oliveira
Etec Bento Quirino (Campinas)
Maria das Dores S. Caresia
Marcia Regina do Nascimento
Etec Carlos de Campos (São Paulo)
Elaine Leite
Geane Pereira da Silva
Etec Getúlio Vargas (São Paulo)
Rodrigo Galhardo Coelho
Noemia Miyuki Sakai Iwase
Etec São Paulo (São Paulo)
Regina Ferreira F. Pereira
Sandra Regina Fernandes Soga
Etec Horácio Augusto da Silveira (São Paulo)
José Aparecido dos Santos
José S. de Oliveira
Adelina Maria Lucio
Etec João Belarmino (Amparo)
Cecília Aparecida Pinto Gabriel
Andrea Fernanda Barbosa
Fonte: Alves, 2005.
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 9 p. 1-24, e023003, 2023.
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Figura 6 Quadro Demonstrativo de Participantes e HAE no projeto de Vitalização e
Dinamização dos Centros de Memória das ETES em 2002 e 2003
Fonte: Alves, 2003.
A CONTRIBUIÇÃO DO GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM MEMÓRIAS E
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
Em 2008, o professor Almério Melquíades de Araújo questionou a professora Maria
Lucia Mendes de Carvalho sobre a situação dos centros de memória instalados nas escolas
técnicas dez anos, então esta decidiu organizar “I Encontro de Memórias e História da
Educação Profissional”
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, que aconteceu em 13 de novembro, na Etec Parque da Juventude, em
São Paulo, a fim de revitalizar os Centros de Memória, tendo a comunidade escolar como
protagonista. Os professores participantes nesse evento decidiram criar o Grupo de Estudos e
Pesquisas em Memórias e História da Educação Profissional e Tecnológica (GEPEMHEP) e, a
partir desse ano, o projeto recebeu nova denominação “Memórias e História da Educação
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Consultar: http://www.memorias.cpscetec.com.br/memorias2008.php.
ISSN 2447-746X
DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v9i00.17623
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 9 p. 1-24, e023003, 2023.
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Profissional”. No ano seguinte, a professora Maria Lucia propôs capacitações como formação
continuada de professores que atuavam em centros de memória, que denominou “Clubes de
Memórias”, propondo-se a realizar três eventos anuais, e encontros temáticos, a cada dois anos.
Nesses Clubes de Memórias são desenvolvidas competências para a gestão documental
em arquivologia, biblioteconomia e museologia, enfatizando a organização de ações educativas
em centros de memória, e empregando como categoria de investigação a cultura escolar
(JULIA, 2001), e como metodologia de pesquisa, a história oral
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(CARVALHO; RIBEIRO,
2013), a fim de salvaguardar e preservar o patrimônio histórico-educativo e cultural da ciência
e tecnologia (CARVALHO; RIBEIRO, 2021).
A seguir, as competências que são desenvolvidas nos clubes de memórias:
- Promover e facilitar o acesso às políticas públicas para a preservação do
patrimônio histórico-educativo e do patrimônio cultural e tecnológico na rede
de escolas técnicas e faculdades de tecnologia;
- Mobilizar a comunidade escolar na salvaguarda do patrimônio histórico
educativo para fins didáticos e de pesquisa, orientando sobre promoção de
ações educativas para a preservação, sensibilização, valorização e divulgação
do patrimônio cultural institucional;
- Fornecer subsídios para classificação e inventários de objetos museológicos,
arquivísticos e bibliográficos em centros de memória e acervos escolares;
- Fornecer subsídios para organizar arquivos pessoais de docentes,
inventariando e classificando objetos ou artefatos museológicos, arquivísticos
e bibliográficos de Centros de Memória ou Acervos Escolares do Centro Paula
Souza. (CARVALHO; RIBEIRO, 2021, p. 8).
O programa de “capacitação continuada em serviço” por meio dos Clubes de Memórias,
propostos como ações educativas, ampliaram a participação de professores em projetos de
estudos e pesquisas sobre “Memórias e História da Educação Profissional” na CETECCPS,
contribuindo com a criação de novos centros de memória; e a parceria com a Unidade de Pós-
graduação possibilitou o registro do GEPEMHEP, no CNPq, em 2014, cujas linhas de pesquisa
são:
- Cultura, saberes e práticas escolares e pedagógicas na educação profissional
e tecnológica;
- Currículos e história das disciplinas de cursos da educação profissional e
tecnológica;
- Instituições escolares técnica e tecnológica, enfatizando o público da escola, as
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Desde 2013, o GEPEMHEP desenvolve um “Programa de História Oral em Educação” difundido no link
“Percurso Histórico” no site de memórias institucional. Consultar:
http://www.memorias.cpscetec.com.br/percurso.php.
ISSN 2447-746X
DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v9i00.17623
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modalidades de ensino e as apropriações de espaço;
- Memórias e história da educação profissional e tecnológica no campo da
alimentação e nutrição; e
- História da profissão docente na educação profissional e tecnológica.
Desde a criação do GEPEMHEP, a decisão foi priorizar estudos e pesquisas nos arquivos
escolares, envolvendo professores-pesquisadores e considerados curadores dos centros de
memória, a fim de difundir práticas escolares e pedagógicas do passado, e relacionadas com a
proposta inicial do projeto de Historiografia. Para Moraes e Alves (2002a),
Os arquivos escolares portam os mesmos desafios: gerar condições materiais
de sobrevivência da documentação, higienizando e acondicionando
apropriadamente os documentos; evitar o esquecimento das ações passadas,
referenciando adequadamente a massa documental e elaborando instrumentos
de pesquisa, com este repertório; e dar sentido (intelectual e afetivo) ao
presente, constituindo práticas que permitam a percepção de sua semelhança
e diferença ao ontem. (MORAES; ALVES, 2002a, p. 35).
Quanto aos professores que atuam nos centros de memória de escolas técnicas, esses
podem propor anualmente projetos de horas atividades específicas, a partir do acesso aos
acervos documentais (textual, iconográfico e tridimensional) empregando-os como fontes de
pesquisa. Segundo Arlete Farge (2017),
O arquivo é uma brecha no tecido dos dias, a visão retraída de um fato
inesperado. Nele, tudo se focaliza em alguns instantes de vida de personagens
comuns, raramente visitados pela história, a não ser que um dia decidam se
unir em massa e construir aquilo que mais se chamará história. O arquivo não
descreve páginas de história. Descreve com as palavras do dia a dia, e no
mesmo tom, o irrisório e o trágico, onde o importante para a administração é
saber quem são os responsáveis e como puni-los. [...] O arquivo age como um
desnudamento; encolhidos em algumas linhas, aparecem não apenas o
inacessível como também ao vivo Fragmentos de verdade até então retidos
saltam à vista: ofuscantes de nitidez e de credibilidade. Sem dúvida, a
descoberta do arquivo é um maná que se oferece, justificando plenamente seu
nome. (FARGE, 2017, p. 14-15).
As temáticas de pesquisas propostas no GEPEMHEP têm propiciado a participação de
outras instituições nas jornadas e nos encontros promovidos pela CETECCPS, e estimulado
parcerias interinstitucionais, com publicações anuais (Figuras 7 a 15).
Em 2015, é importante destacar que a professora Lucília Guerra, diretora da
CETECCAPACITAÇÕES, propôs a inclusão no plano de metas anual da CETECPS, no
objetivo “Pesquisa e Desenvolvimento”, grupo “Difusão de conhecimentos e práticas