O conceito atual de museu é resultado de um processo de colaboração de vários
profissionais que, ao longo dos anos, tem atualizado do ponto de vista institucional, como
produção e difusão de conhecimento, e social, como espaços acolhedores fomentando a
diversidade e a sustentabilidade. Se caracterizam por serem lugares permanentes, sem fins
lucrativos, de diálogo democrático com participação coletiva ou individual e que ambos estejam
contemplados nos discursos decisivos das ações oferecidos pela casa dos saberes, das artes e
das ciências. De acordo com “[..]. Os museus devem ser renovados e transformados em casas
da humanidade, já que dialogam diferentes temporalidades, passado, presente e futuro, num só
lugar” (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2007).
Desse modo, os museus assumem um papel essencial para comunicar, refletir, pesquisar,
conservar e apresentar o patrimônio material, imaterial e natural a partir de diferentes
linguagens, mas especialmente a partir da linguagem expositiva. Segundo Marandino (2003),
as exposições museológicas vêm sendo objeto de estudo crescente em diferentes áreas do
conhecimento, ou seja, a interdisciplinaridade é essencial no processo de criação expográfica,
tanto no que se refere ao trabalho das equipes de profissionais, quanto à estruturação e
elaboração do discurso expositivo, fundamentais à análise da eficácia do processo comunicativo
entre exposição e público.
De acordo com Farias (2012), as exposições museológicas são ações que permitem
diferentes formas de concepção e organização dos objetos no ambiente do museu, local que
apresenta as principais fontes de informação que desperta no indivíduo a curiosidade, a reflexão,
o debate e principalmente a socialização e democratização.
Vale ressaltar que nem todos são contemplados ao visitar os museus, uma vez que há
desafios a serem vencidos quanto a acessibilidade. As condições são determinadas pela
possibilidade de utilização de produtos, serviços e espaços edificados especializados para
atender a necessidades diversas, respeitando as individualidades da população. Nesse sentido,
a inclusão social possibilita que pessoas com deficiência (PCD), especialmente pessoas com
deficiência visual (PCDV) ou baixa visão (BV), participem inteiramente da sociedade
(CARDOSO & NAMO, 2008 apud CARVALHO, 2013, pg. 50).
Uma vez alterada a barreira do acesso às instalações físicas de uma exposição, é
necessário ocupar-se do acesso ao acervo, razão de ser de uma instituição museal. Ocorre que,
numa exposição, a linguagem por ter muita influência de uma cultura ocidental, mesmo que o
indivíduo seja dotado dos outros sentidos, se percebe a exploração excessiva da linguagem
visual (SARRAF, 2015). Portanto, é imensa a dificuldade de uma PCDV poder usufruir do
patrimônio exposto nos museus (PERICHI, 1997).