mídia a interpretavam como uma abordagem sensata e astuta para lidar com uma questão que
ia além da educação, abrangendo também uma significativa dimensão política e religiosa:
A solução do caso [escolas estrangeiras], que é melindroso e que, por
conseguinte, exige mais ponderação do que modos de irritá-lo, tem de ser
entregue, em maior parte, à ação do tempo, não excluindo, por certo, os
correspondentes métodos escolares [...]. Aliás esta é a maneira por que
encaram a questão certas individualidades menos extremadas no nativismo e
mais refletidas, alheias a prevenções e não suscetíveis de exaltações. Porque
é mister meditar muito, pesar os prós e os contras, ir ao fundo da matéria,
estudar causas e efeitos com a necessária moderação, até mesmo com espírito
de imparcialidade, se não de justiça, para não incorrer em erros e recriminar a
esmo (Correio do Povo, 16/3/1938, p. 5).
Quanto à carta do estudante Alberto Bandeira, intitulada Uma carta ao interventor, esse
solicitava apoio para matricular-se num ginásio na Capital. A abordagem argumentativa
utilizada apela para que a autoridade preste atenção ao jovem pobre e órfão de mãe – “Sou orfão
de mãe e meu pai é muito pobre, embora trabalhe muito” –, e, por meio de uma relação de
afinidade – “eu já sou vosso amigo, um amigo coloninho, um amigo pequeno” -, projeta uma
expectativa positiva em relação a si, pois “hei de prestar para alguma cousa que aumente o valor
do meu Brasil” (Nacionalização, 1942, p. 30). Não foi possível localizar possíveis decorrências
da solicitação do estudante.
Em relação aos elementos gráficos, são 36 fotografias em preto e branco e duas imagens
coloridas. Das duas imagens, a primeira destaca Getúlio Vargas sendo recepcionado por quatro
jovens – duas meninas e dois meninos –, e a segunda ilustra a Chama da Pátria, guarnecida por
dois jovens, trajando uniforme esportivo e portando a Bandeira Nacional. As fotografias são da
Bandeira Nacional, colorizada; do interventor federal e de sua esposa recepcionando os
estudantes; da turma desses visitando pontos turísticos da capital – praça Marechal Deodoro,
Palácio do Governo, Instituto de Educação –; e do desfile comemorativo ao dia 7 de setembro
de 1941.
As fotografias do desfile, expressam uma grandiosidade ímpar. Pode-se inferir que
milhares de pessoas participaram, seja diretamente envolvidos, seja como assistentes. Cinco
fotografias destacam o desfile militar, enquanto outras vinte mostram o desfile de escolares.
Sobressaem-se os uniformes, o alinhamento, ciclistas, crianças, jovens e expressiva presença
feminina. Algumas são tomadas panorâmicas, enquanto outras salientam detalhes, em especial
de crianças. Há ênfase aos símbolos nacionais, em particular à Bandeira: “Sôbre a imensa nação
brasileira, nos momentos de festa ou de dor, paira sempre a sagrada bandeira, pavilhão da justiça