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OS DESAFIOS NA MUSEALIZAÇÃO DE UM ACERVO DIDÁTICO NA
AMAZÔNIA: ANÁLISE DA COLEÇÃO DIDÁTICA EMÍLIA SNETHLAGE DO
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
1
Neuza Araujo Fontes Freire
Museu Paraense Emílio Goeldi, Brasil
neuzaraujofontes@gmail.com
Rayana Alexandra Sousa da Silva
Museu Paraense Emílio Goeldi, Brasil
Rayanaalexandra02@gmail.com
Bianca Cristina Ribeiro Vicente
Universidade Federal do Pará, Brasil
biancacristinarv@gmail.com
Doriene Monteiro Trindade
Universidade Federal do Pará, Brasil
dorieneluna@gmail.com
RESUMO
O artigo analisa os desafios na musealização da Coleção Didática Emília Snethlage (CDES) do
Museu Paraense Emílio Goeldi, abordando aquisição, pesquisa, conservação, documentação e
comunicação. A pesquisa qualitativa, exploratória e analítica, aplicada por meio de pesquisa-
ação, evidencia problemas como infraestrutura inadequada, perda de registros e danos
biológicos. Destaca-se a necessidade de políticas de aquisição, padronização de documentação
e conservação. Sugere-se a continuidade dos processos de inventariação e melhoria da gestão
para consolidar o uso educativo e científico da CDES.
Palavras-chave: Museu Paraense Emílio Goeldi. Coleções museológicas. Museologia.
LOS DESAFÍOS EN LA MUSEALIZACIÓN DE UNA COLECCIÓN DIDÁCTICA EN
LA AMAZONIA: ANÁLISIS DE LA COLECCIÓN DIDÁCTICA EMÍLIA
SNETHLAGE DEL MUSEO PARAENSE EMÍLIO GOELDI
RESUMEN
El trabajo analiza los desafíos en la musealización de la Colección Didáctica Emília Snethlage
(CDES) del Museo Paraense Emílio Goeldi (Pará, Brasil), abordando adquisición,
investigación, conservación, documentación y comunicación. La investigación cualitativa,
exploratoria y analítica, aplicada mediante investigación-acción, evidencia problemas como
infraestructura inadecuada, pérdida de registros y daños biológicos. Se destaca la necesidad de
políticas de adquisición, estandarización de la documentación y conservación. Se sugiere la
1
Agradecemos ao Museu Paraense Emílio Goeldi e ao MCTI/CNPq através do projeto institucional (400139/2024-
3) que concedeu, no âmbito do Programa de Capacitação Institucional, as bolsas de pesquisa às autoras
(301050/2024-4; 301044/2024-4).
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continuidad de los procesos de inventario y la mejora de la gestión para consolidar el uso
educativo y científico de la CDES.
Palabras clave: Museo Paraense Emílio Goeldi. Colecciones museológicas. Museología.
THE CHALLENGES IN THE MUSEALIZATION OF A DIDACTIC COLLECTION
IN THE AMAZON: ANALYSIS OF THE EMÍLIA SNETHLAGE DIDACTIC
COLLECTION OF THE MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ABSTRACT
The article analyzes the challenges in the musealization of the Emília Snethlage Didactic
Collection (CDES) at the Emílio Goeldi Museum (Pará, Brazil), addressing acquisition,
research, conservation, documentation, and communication. The qualitative, exploratory, and
analytical research, applied through action research, highlights issues such as inadequate
infrastructure, loss of records, and biological damage. The need for acquisition policies,
standardization of documentation, and conservation is emphasized. The continuity of inventory
processes and improvement of management are suggested to strengthen the educational and
scientific use of the CDES.
Keywords: Emílio Goeldi Paraense Museum. Museological collections. Museology.
LES DÉFIS DE LA MUSÉALISATION D'UNE COLLECTION DIDACTIQUE EN
AMAZONIE: ANALYSE DE LA COLLECTION DIDACTIQUE EMÍLIA
SNETHLAGE DU MUSÉE PARAENSE EMÍLIO GOELDI
RÉSUMÉ
L'article analyse les défis de la muséalisation de la Collection Didactique Emília Snethlage
(CDES) du Musée Paraense Emílio Goeldi (Pará, Brésil), en abordant l'acquisition, la
recherche, la conservation, la documentation et la communication. La recherche qualitative,
exploratoire et analytique, appliquée par la recherche-action, met en évidence des problèmes
tels qu'une infrastructure inadéquate, la perte de registres et des dommages biologiques. La
nécessité de politiques d'acquisition, de normalisation de la documentation et de conservation
est soulignée. La poursuite des processus d'inventaire et l'amélioration de la gestion sont
suggérées pour renforcer l'utilisation éducative et scientifique de la CDES.
Mots-clés: Musée du Pará Emílio Goeldi. Collections muséales. Muséologie.
INTRODUÇÃO
A musealização pode ser compreendida como um processo de valorização de bens
culturais, que pode ocorrer tanto em seu contexto original (in situ) quanto por meio da
transferência do objeto para o museu (ex situ) (Cury, 2005). Esse processo tem início com o
"olhar museológico" sobre as coisas materiais e prossegue com a transformação do objeto em
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documento e sua comunicação. Cury (2005) sintetiza a musealização como um conjunto de
ações aplicadas aos objetos, abrangendo aquisição, pesquisa, conservação, documentação e
comunicação. Loureiro e Loureiro (2013) concebem a musealização como uma estratégia de
preservação, que deve ser entendida de forma ampla, incluindo tanto a preservação física quanto
a das informações, garantindo o acesso, além de ser um processo inerentemente seletivo, pois
musealizar implica selecionar. Os processos seletivos de escolha, ordenação e classificação de
elementos, quando reunidos em um sistema coerente, representarão uma realidade maior e mais
complexa, sendo o museu um espaço privilegiado para sua realização, embora não exclusivo
(Loureiro, 2012).
Os museus exercem um papel fundamental nesse processo, visto que sua missão
principal é pesquisar, colecionar, conservar, interpretar e expor o patrimônio material e
imaterial a serviço da sociedade. Devem atuar como espaços acessíveis e inclusivos,
promovendo a diversidade e a sustentabilidade, além de buscar a participação das comunidades
para comunicar de forma ética e profissional, proporcionando experiências variadas de
educação, fruição, reflexão e partilha de conhecimentos (ICOM, 2022). Para Ulpiano Menezes,
"o museu é o lugar do sonho, devaneio, informação de todo tipo, deleite estético, expansão da
afetividade, da memória e da identidade, mas é também o lugar do conhecimento, da
consciência e da inteligibilidade" (2006, p. 75). Chagas complementa essa visão ao afirmar que
os museus são pontes, portas e janelas que conectam e desconectam mundos, tempos, culturas
e pessoas diferentes (Chagas, 2006).
Assim, entendendo a importância da musealização e dos museus, destacamos o Museu
Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Localizado na porção leste da região amazônica, o MPEG é
uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil, é a
instituição, do seu gênero, mais antiga do norte do país e a segunda mais antiga do Brasil,
fundada em 1866. Ao longo de seus 158 anos de existência, o MPEG se consolidou como uma
grande referência sobre a Amazônia. A instituição produz e compartilha conhecimentos,
resultado de pesquisas no campo das Ciências Humanas e das Ciências Naturais, sobre sistemas,
processos e fenômenos relacionados à Amazônia e suas interações com os biomas limítrofes,
assim como preserva acervos relacionados à região (Sanjad, 2008a; Albernaz, 2019; MPEG,
2025).
Com três bases operacionais, o MPEG desempenha um papel estratégico na produção e
disseminação do conhecimento, conciliando conservação e acesso, seja por meio de exposições
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no Parque Zoobotânico, pesquisas realizadas na Estação Científica Ferreira Penna, em
Caxiuanã, município de Melgaço, Pará ou pelo trabalho com suas amplas coleções científicas
no campo das Ciências Humanas, Zoologia, Botânica e Geociências. Contudo, dado os valores
históricos, de raridade, originalidade, cultural e científico atribuídos às coleções e a necessidade
de preservação, boa parte do acervo do MPEG fica restrito ao público nas reservas técnicas
localizadas no campus de pesquisa
2
.
Nesse cenário, a Coleção Didática Emília Snethlage (CDES) se destaca como um
recurso pedagógico fundamental dentro do MPEG. Este acervo está localizado no Parque
Zoobotânico (base que recebe visitantes) e é majoritariamente utilizado nas atividades de ensino
e divulgação científica. Essa coleção reúne mais de 3.000 (três mil) exemplares
3
das principais
áreas de pesquisa do Museu Goeldi. Seu potencial pedagógico se manifesta na realização de
empréstimos, exposições e atividades educativas diversas, contribuindo para a formação de
estudantes e professores, além de incentivar a popularização da ciência. Ao integrar pesquisa,
ensino e extensão, a CDES reforça a missão do museu de promover o conhecimento científico
e estimular reflexões sobre a conservação da fauna e flora da região.
No entanto, a CDES vem sofrendo perdas irreparáveis em seu acervo devido ao desgaste
natural das peças, ataques biológicos por fungos, cupins e intempéries (goteiras e infiltrações
no prédio), falta de espaço adequado e recursos financeiros para compra de material e
equipamentos, e principalmente de recursos humanos para atuar na gestão da coleção. Assim,
esta pesquisa objetiva apresentar e analisar os desafios encontrados na gestão das etapas de
musealização da CDES, sendo elas: aquisição, pesquisa, conservação, documentação e
comunicação (Cury, 2005).
METODOLOGIA
Para alcançar os objetivos propostos, esta pesquisa adota uma metodologia de caráter
interdisciplinar, fundamentada em uma abordagem qualitativa, exploratória e analítica. A
investigação foi desenvolvida a partir da atuação das autoras como bolsistas do Programa de
Capacitação Institucional (PCI) no Museu Paraense Emílio Goeldi, o que possibilitou
2
Atualmente cerca de 300 objetos das coleções científicas estão em exibição na exposição de longa duração
“Diversidades Amazônicas” e em exposições de curta duração no Centro de Exposições Eduardo Galvão.
3
Informação retirada de Secco (1991). No entanto, não há dados atualizados deste total. O inventário do acervo
encontra-se em andamento.
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acompanhar de forma direta e contínua os processos de musealização da Coleção Didática
Emília Snethlage (CDES).
Em termos operacionais, realizamos a análise documental dos treze livros de registro
atualmente disponíveis, testemunhos da trajetória histórica da coleção e de seus usos educativos
ao longo do tempo. No âmbito da conservação, os problemas identificados foram examinados
à luz dos agentes de risco definidos pela Cartilha de Gestão de Riscos em Museus (IBRAM,
2017), considerando tanto os aspectos materiais dos objetos quanto o contexto estrutural do
espaço onde se localiza a CDES.
Além disso, adotamos a pesquisa-ação conforme definida por Tripp (2005), que exige
não apenas a intervenção na prática, mas também a avaliação sistemática dos efeitos produzidos
pelas ações realizadas. Nesse sentido, as atividades desenvolvidas, como, por exemplo, a
recuperação e análise dos livros de registro, a reorganização espacial dos acervos, a elaboração
de novos sistemas de numeração, a higienização e a produção de recursos didáticos, foram
acompanhadas de uma etapa avaliativa contínua. Esta avaliação teve como objetivo identificar
as mudanças que aconteceram após as intervenções, como o aumento do acesso às informações,
a melhora nas condições de conservação, a maior eficiência nos empréstimos e o potencial
pedagógico ampliado da coleção, evidenciando transformações concretas na “cadeia operatória
de procedimentos de salvaguarda e comunicação” (Bruno, 2013).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Histórico e contexto institucional da criação da CDES
A criação da Coleção Didática Emília Snethlage (CDES)
4
está inserida em um contexto
institucional e educacional marcado por transformações significativas no Museu Paraense
Emílio Goeldi (MPEG) ao longo da década de 1980, quando o Museu passou a contar com uma
equipe dedicada exclusivamente às ações educativas (Sanjad, 2008b), consolidando o Setor de
Museologia e instituindo a Divisão de Educação e Extensão Cultural (DEC), responsável pelos
projetos educativos da instituição (Monaco; Marandino, 2015). A alteração de vinculação
4
Para informações mais aprofundadas sobre o histórico institucional da CDES, recomenda-se a consulta ao artigo
“40 anos da Coleção Didática Emília Snethlage: da implementação à musealização”, de autoria de Freire e
Nogueira, que trata especificamente do tema e encontra-se, no momento, em avaliação por periódico científico.
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institucional possibilitou melhores condições financeiras, como a contratação de bolsistas, o
que ampliou as atividades educativas e de pesquisa voltadas ao desenvolvimento da Amazônia
(Santos et al., 2024). Nesse cenário, surge em 1983 o “Projeto de Melhoria de Ensino de
Ciências e Matemática do Estado do Pará”, conhecido como “Projeto de Apoio ao Ensino” ou
“Laboratório Pedagógico de Ciências e Matemática”, que exerceu papel central na formação da
equipe educativa do Museu, fortalecendo a compreensão sobre o papel da educação museal e
abrindo espaço para iniciativas próprias, entre elas a Coleção Didática Emília Snethlage,
idealizada pela então estagiária Maria Filomena Faguri Videira Secco (Quadros, 2000).
Foi nesse contexto que, em 1985, Maria Filomena, bolsista do Projeto de Melhoria de
Ensino e ex-estagiária do Departamento de Zoologia do Museu, identificou uma lacuna
importante: o acervo científico do MPEG era voltado majoritariamente à pesquisa acadêmica,
dificultando o acesso de professores e estudantes do ensino básico. Inspirada pelos objetivos do
Projeto e pela sua experiência nas áreas de Zoologia e educação, propôs a criação de uma
coleção didática voltada a esse público, favorecendo o manuseio dos objetos, a
complementaridade das atividades escolares e a valorização do conhecimento amazônico e da
cultura regional. Filomena acreditava que a aprendizagem se tornava mais significativa quando
os estudantes podiam tocar e manipular os objetos de estudo. O grande impulso para a
consolidação da coleção ocorreu em 1989, com a aprovação e financiamento do “Projeto
Educação em Ciências” pela Fundação Ford (Museu Paraense Emílio Goeldi, 1989), que
permitiu a expansão das atividades, a aquisição de novos materiais e a criação de um espaço
físico exclusivo, estabelecendo uma estrutura mais sólida dentro da instituição.
O percurso da CDES ao longo de cerca de 35 anos foi marcado por dedicação e
resistência diante das dificuldades estruturais e institucionais, como infiltrações, limitações de
espaço e falta de recursos, mas, como afirma Filomena, “a coleção nunca parou”. A relevância
da iniciativa pode ser observada nas diversas entrevistas e reportagens em jornais e televisão,
como na Revista Sala de Aula (1989) e no programa Globo Ciência (1988), bem como no
reconhecimento obtido com o prêmio de Menção Honrosa no III Encontro Latino-Americano
de Educadores Ambientais, em 1995, com o trabalho “Coleção Didática do Museu Paraense
Emílio Goeldi: uma experiência educativa para estudantes do 1º e 2º graus”.
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5
Informações extraídas da mesma referência citada na nota de rodapé 3.
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Entretanto, a CDES enfrenta desafios significativos, especialmente relacionados à
gestão e conservação do acervo. A falta de recursos humanos tornou-se um problema crítico
desde a aposentadoria da servidora Filomena Secco em 2019, então responsável pela coleção.
Com sua saída, a coleção passou a contar apenas com dois bolsistas, um do ensino médio e
outro de graduação, responsáveis basicamente pelos empréstimos para escolas e pela reposição
de álcool nos espécimes conservados em meio líquido. Em março de 2020, antes da pandemia
atingir a capital paraense, a equipe recebeu uma bolsista bióloga (doutora), que viria a se tornar
bolsista do Programa de Capacitação Institucional (PCI), e no ano seguinte, mais três bolsistas
PCI, museólogas, que permaneceram à frente das atividades cotidianas de 2020 até meados de
2023. Desde então, e até o presente momento, a CDES ainda não conta com um gestor ou
curador servidor responsável exclusivamente pela coleção. A Coleção Didática permanece sob
responsabilidade do Serviço de Educação (SEEDU), que, no organograma institucional, integra
a Coordenação de Museologia. Dessa forma, embora as atividades cotidianas estejam sob
responsabilidade da bolsista PCI bióloga, todas as ações, propostas e encaminhamentos
relacionados à coleção são acompanhados e validados pela chefia do SEEDU, em consonância
com o planejamento anual e os serviços educativos ofertados pelo setor. Destaca-se, ainda, a
importância da presença de um profissional museólogo. Essa atuação conjunta tem fortalecido
a interdisciplinaridade entre educação e Museologia, gerando transformações significativas nas
práticas cotidianas da coleção e contribuindo para uma abordagem mais integrada dos processos
de musealização. Foi nesse contexto de reorganização gradual e de fortalecimento da
interdisciplinaridade que os processos de musealização passaram a ser analisados de maneira
mais sistemática.
Panorama atual da Coleção Didática Emília Snethlage
O acervo da CDES é composto por objetos e espécimes representativos da região
amazônica, abrangendo as principais áreas de pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi:
Zoologia, Botânica, Antropologia e Geociências (Figura 1). O acervo de Zoologia inclui
invertebrados e vertebrados preservados em meio líquido, animais taxidermizados preparados
de forma artística e científica, além de penas, ninhos, peles e uma coleção osteológica. Na
Botânica, encontram-se exsicatas, amostras de madeira, sementes e ouriços. O acervo de
Geociências, representando as Ciências da Terra, conta com rochas, minerais e fósseis, tanto
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originais quanto réplicas. Já o acervo de Antropologia abriga artefatos indígenas, cerâmicas e
objetos da cultura popular.
FIGURA 1- Fotografias representativas das quatro coleções presentes da CDES: A)
Antropologia; B) Botânica; C) Geociências; D) Zoologia.
Fonte: Janine Valente (2022).
A CDES desempenha um papel essencial em diversas atividades educativas e
científicas. Seus objetos e espécimes são amplamente utilizados em empréstimos para escolas,
universidades e cursos de instrução militar, além de serem apresentados em eventos externos,
como os Encontros da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Semana
Nacional de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI),
entre outros. Nas atividades internas do MPEG, a coleção é fundamental para eventos de
divulgação científica como o Museu de Portas Abertas, as Olimpíadas de Caxiuanã e o projeto
Domingo é Dia de Ciência, assim como em dinâmicas do Clube do Pesquisador Mirim,
fortalecendo as ações de divulgação científica e educação patrimonial da instituição (Figura 2).
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FIGURA 2 - Dinamizações da CDES no ano de 2023. A) Apresentação da CDES no evento
Semana Nacional de Museus; B) Empréstimo da CDES para militares; C) Exposição da
Biodiversidade (ExpoBio) na UFPA, em parceria com a Coleção do Patrimônio Natural da
UFPA; D) Ação de Educação Ambiental realizada em canteiro de obras do BRT
metropolitano, em Ananindeua, região metropolitana de Belém, no âmbito do Dia Mundial do
Meio Ambiente.
Fonte: Neuza Freire (2023).
No que se refere à documentação e protocolos de gestão, o primeiro esforço foi
direcionado à obtenção de informações quantitativas e qualitativas da coleção. No entanto, o
coordenador da época informou que os dados foram perdidos devido às chuvas que destruíram
os arquivos físicos, e os arquivos digitalizados foram corrompidos. Em um primeiro momento,
foram encontrados apenas inventários avulsos, como folhas preenchidas à mão.
Um problema ainda mais grave foi a ausência dos livros de registro da coleção, que
permaneceram trancados em uma sala por muitos anos e só foram recuperados dois anos após
o início dos trabalhos de reorganização. Além disso, não havia protocolos de gestão