documento e sua comunicação. Cury (2005) sintetiza a musealização como um conjunto de
ações aplicadas aos objetos, abrangendo aquisição, pesquisa, conservação, documentação e
comunicação. Loureiro e Loureiro (2013) concebem a musealização como uma estratégia de
preservação, que deve ser entendida de forma ampla, incluindo tanto a preservação física quanto
a das informações, garantindo o acesso, além de ser um processo inerentemente seletivo, pois
musealizar implica selecionar. Os processos seletivos de escolha, ordenação e classificação de
elementos, quando reunidos em um sistema coerente, representarão uma realidade maior e mais
complexa, sendo o museu um espaço privilegiado para sua realização, embora não exclusivo
(Loureiro, 2012).
Os museus exercem um papel fundamental nesse processo, visto que sua missão
principal é pesquisar, colecionar, conservar, interpretar e expor o patrimônio material e
imaterial a serviço da sociedade. Devem atuar como espaços acessíveis e inclusivos,
promovendo a diversidade e a sustentabilidade, além de buscar a participação das comunidades
para comunicar de forma ética e profissional, proporcionando experiências variadas de
educação, fruição, reflexão e partilha de conhecimentos (ICOM, 2022). Para Ulpiano Menezes,
"o museu é o lugar do sonho, devaneio, informação de todo tipo, deleite estético, expansão da
afetividade, da memória e da identidade, mas é também o lugar do conhecimento, da
consciência e da inteligibilidade" (2006, p. 75). Chagas complementa essa visão ao afirmar que
os museus são pontes, portas e janelas que conectam e desconectam mundos, tempos, culturas
e pessoas diferentes (Chagas, 2006).
Assim, entendendo a importância da musealização e dos museus, destacamos o Museu
Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Localizado na porção leste da região amazônica, o MPEG é
uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil, é a
instituição, do seu gênero, mais antiga do norte do país e a segunda mais antiga do Brasil,
fundada em 1866. Ao longo de seus 158 anos de existência, o MPEG se consolidou como uma
grande referência sobre a Amazônia. A instituição produz e compartilha conhecimentos,
resultado de pesquisas no campo das Ciências Humanas e das Ciências Naturais, sobre sistemas,
processos e fenômenos relacionados à Amazônia e suas interações com os biomas limítrofes,
assim como preserva acervos relacionados à região (Sanjad, 2008a; Albernaz, 2019; MPEG,
2025).
Com três bases operacionais, o MPEG desempenha um papel estratégico na produção e
disseminação do conhecimento, conciliando conservação e acesso, seja por meio de exposições