marcaram a chegada de engenheiros e arquitetos. Esses fatores ajudaram a cidade a se distinguir
das demais do Oeste brasileiro, contribuindo para a formação de sua arquitetura moderna.
Segundo Trubiliano (2012), Campo Grande foi profundamente impactada por esses
vetores de desenvolvimento, consolidando-se como um elo fundamental na rede urbana da
fronteira Oeste. Embora sua origem remonte a 1872, como um ponto de parada para boiadeiros,
a cidade experimentou um rápido crescimento impulsionado pela chegada da estrada de ferro.
Com o trem, vieram o progresso e a modernização, reduzindo a distância em relação a São
Paulo. A conexão ferroviária, via Bauru, no estado de São Paulo, facilitou a importação de
mercadorias e atraiu imigrantes, que não apenas participaram das obras da ferrovia, mas
também se estabeleceram na cidade em busca de novas oportunidades de trabalho.
À medida que as obras avançavam, uma parcela significativa dos trabalhadores
envolvidos na construção permaneceu na região, contribuindo para o crescimento da população
local. Vindos de países vizinhos, do complexo cafeeiro paulista e de diversos estados
brasileiros, muitos desses operários encontraram novas oportunidades de trabalho diretamente
na companhia ferroviária, em suas subestações ou em outros setores da economia. Acreditavam
que a zona da ferrovia oferecia perspectivas mais promissoras, visto que o sul de Mato Grosso
era amplamente reconhecido como a “Terra das Oportunidades”. Essa visão se consolidou no
conceito de “Canaã do Oeste”, termo utilizado por José de Mello e Silva em 1947 para descrever
a região, sugerindo que cabia aos migrantes ocuparem e desenvolver esse vasto território ainda
pouco explorado (Weingärtner, 1995).
Em 1905, o engenheiro Emilio Schenoor e sua equipe chegaram para definir o traçado
da ferrovia da Companhia de Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (CEFNB). O contrato entre
o governo federal e a CEFNB permitia à companhia influenciar a estruturação urbana, criando
um planejamento que regulava a ocupação e introduzia medidas de higiene e saúde pública,
evidenciando um esforço federal para modernizar os centros urbanos com a influência do
capital estrangeiro (Weingärtner, 1995). Em 1905, quando as obras ferroviárias começaram, a
cidade contava com cerca de 2 mil habitantes e aproximadamente 200 edificações. Com a
chegada da ferrovia em 1914, a população urbana saltou para 11.800 moradores, com 345
construções registradas. Esse crescimento continuou acelerado nas décadas seguintes: em 1920,
Campo Grande já abrigava 21 mil habitantes, número que subiu para 40 mil em 1935 e alcançou
49.629 pessoas em 1942 (IBGE, 1996).
Esse planejamento resultou em um traçado urbano em estilo xadrez, reordenando e
prevendo a expansão das cidades ao longo da ferrovia. Em Campo Grande, a NOB influenciou
a configuração urbana, estabelecendo um centro com comércio, residências, órgãos públicos e