Todos nós, ao rememorar o tempo escolar, encontramos marcas e memórias desse
tempo, que podem ter deixado algo de bom ou, talvez, nem tanto. Mas são percursos riquíssimos
que podem, de forma marcante, por meio dos museus, arquivar memórias em diferentes épocas
e trajetórias de uma comunidade que viveu, estudou, trabalhou e produziu nos espaços
escolares.
Segundo Possamai (2018, p. 35), no “âmbito específico dos estudos históricos, a
inserção das questões relacionadas à memória, à cultura e ao patrimônio nos currículos de
formação dos futuros historiadores certamente configurou aspecto que veio a incrementar a
relação acadêmica com esse campo”.
Para Nora (1993, p. 13), o imperativo de preservar o patrimônio nasce da necessidade
da criação de espaços de memória que o autor chama de “os marcos testemunhas de outra era”,
que guardam a memória e, ao mesmo tempo, mantêm sua salvaguarda. Esses lugares são criados
e mantidos pelas instituições, como os Museus, Arquivos, Monumentos, entre outros lugares
de memória que “nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea, que é preciso
criar arquivos, [...]” (Nora, 1993, p. 13).
Em relação à construção dos museus escolares, podemos dizer que a história das
instituições escolares também acontece quando investigamos o processo de criação, instalação
e evolução dessas instituições, sejam locais ou regionais, reconhecendo a dinâmica da ação
educativa do homem e sua relação com a diversidade de elementos históricos enraizados na
sociedade. Dessa forma,
[...] a história de uma instituição educativa constrói-se a partir de uma
investigação coerente e sob um grau de complexificação crescente, pelo que,
à triangulação entre os historiais anteriores, a memória e ao arquivo, se haverá
de contrapor uma representação sintética, orgânica e funcional da instituição
– o seu modelo pedagógico. São múltiplas as virtualidades deste esforço de
síntese, desta construção orgânica, compreensiva e explicativa, que permite
reavaliar a análise historiográfica anterior, incluindo o seu sentido
hermenêutico, e preparar, de forma estruturada, a síntese final – a história da
instituição educativa. (Magalhães, 1999, p. 70).
Portanto, há um perfeito casamento, conforme Nora (1993, p. 24), entre “a memória que
dita e a história que escreve”. Na perspectiva do referido autor e dos demais autores trazidos
para este estudo, em especial Saviani (2008) e Possamai (2018), trazemos alguns elementos
encontrados no Colégio Estadual Dom Alano Marie Du Noday, tais como livros de atas,
fotografias, relatórios e diários de classe, que podem ser considerados documentos que, em
alguma medida, podem contribuir não apenas para a constituição do Museu Pedagógico da
escola, mas para a reconstrução histórica da instituição e de seus sujeitos.