coleções. Em geral, são chamados de “Museu da escola x” ou “Memorial do Colégio Y”; em
algumas situações, também foram denominados por “Centro de Memória”, “Centro de
Documentação” ou “Núcleo de Estudos”. São raros os espaços que levam a tipologia, a
disciplina ou a temática na sua designação, como o Museu de Etnologia Indígena e de História
Natural da Academia Colégio Cristo Redentor (Juiz de Fora, MG) ou o Museu de História da
Tecnologia Harald Alberto Bauer (Taquara, RS).
Contudo, muitos desses museus tiveram seu aparecimento vinculado à memória da
instituição escolar (Possamai e Witt, 2016; Alves, 2016) e suas coleções se configuraram no
amplo espectro do que se convencionou chamar patrimônio histórico-educativo (Viñao Frago,
2010; Felgueiras, 2011; Meda, 2013; Menezes, 2016; Domínguez, 2018). São museus criados
principalmente nas últimas décadas do século XX ou no início do século XXI, que acompanham
o movimento em prol da preservação dos patrimônios em nível nacional e internacional (Poulot,
1997; Choay, 2001; Chuva, 2009).
As iniciativas de determinados agentes da escola constituem a base dos procedimentos
de reunião, guarda e conservação da cultura material, da iconografia e dos registros escritos da
instituição. Imbuídos de um dever de memória (Ricoeur, 2001), essas pessoas zelam e fazem
crescer esses acervos paulatinamente, configurando-os formalmente como museus, memoriais
ou centros de documentação, a exemplo do Museu do Colégio Municipal Pelotense (Amaral,
2014), anteriormente mencionado. Nesse processo, importantes coleções são formadas e se
tornam objetos de investigações acadêmicas, especialmente no campo da História da Educação,
que vislumbra o potencial de conhecimento aportado pela cultura escolar (Faria Filho;
Gonçalves; Vidal; Paulilo, 2004), composta, por sua vez, pela cultura material (Silva; Souza;
Castro, 2018; Escolano Benito, 2020) e pela cultura visual (Knauss, 2006). Pode-se afirmar que
a pesquisa em História da Educação, além de investigar os repertórios documentais reunidos,
também estimula e apoia a preservação deles por meio dos museus, dos arquivos e de outras
configurações no contexto das instituições escolares.
Ultrapassando a contribuição das coleções preservadas para a história da educação, é
importante ressaltar o papel desses espaços para o conhecimento da história local, pois muitas
dessas escolas e seus museus se localizam em edificações históricas, muitas vezes tombadas
como patrimônio nas instâncias municipais, estaduais ou mesmo nacional. Dar a ver as
transformações urbanas pelas quais passou o espaço onde está inserida a escola e sua edificação
passa a ser também um importante papel para esses museus, seja na aplicação dos conteúdos
curriculares das séries iniciais, seja na variedade de projetos de educação patrimonial (Horta,
2000; Gil; Possamai, 2014; Derreti, 2020). A título de exemplo, pode ser citado o estudo do