constituição de sociedades científicas ou redes nacionais e
internacionais, ou na promoção de encontros, seminários, reuniões
técnicas e congressos científicos nacionais e internacionais (Martinez,
2015, p. 89).
As experiências desenvolvidas pelo CME-FEUSP também situam a memória
educacional na confluência entre a escola pública e a universidade. Sua equipe é constituída,
atualmente, por um funcionário técnico administrativo com graduação em história, professoras
(es) universitárias (os) e professoras da educação básica, inseridas na Pós-Graduação e em
programa pós-doutoral na FEUSP. Monique Pessoa, doutoranda do PPGE da FEUSP e
professora da Escola Técnica (ETEC) Guaracy Silveira foi quem materializou a “ponte” entre
o CME e as/os estudantes de ensino médio. Não é demais mencionar novamente a longa
experiência desenvolvida pelo CME com as memórias das Escolas Técnicas do Centro Paula
Souza, rede estadual de ensino de São Paulo.
Antes mesmo de formalizarmos a submissão dos pedidos de bolsas de Pré-Iniciação
Científica ao Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), a sala do CME, no início do segundo
semestre de 2024, já se viu povoada por um grupo entusiasmado de jovens impactados pela
atmosfera que os envolvia. Estudantes de escola pública, filhos e filhas da classe trabalhadora,
passaram a habitar, alguns pela primeira vez, o espaço da universidade pública, experiência que
carrega seu peso simbólico.
Ao contato com os objetos museológicos, parte do acervo do Centro, como carteiras
antigas, material de laboratório do início do século XX, tinteiros de pena, ou as temíveis
palmatórias que ainda habitam o imaginário social, embora poucos de nós já tenhamos visto
uma de perto, acrescentou-se o manuseio da documentação em papel, retirada das caixas após
o ritual de paramentação com luvas e máscaras. Era possível perceber o fascínio que essa
materialidade despertava no grupo.
Em O sabor do arquivo, Arlete Farge nos remete para além das questões teóricas e
técnicas que interpelam os e as trabalhadores (as) da história ao expressar de forma poética suas
sensações e sentimentos emergentes na relação com esses lugares de memória. É exatamente
entre a euforia, um pouco ingênua, mas mobilizadora da descoberta, e o cansaço, um pouco
físico, da construção de sentido que a autora situa a experiência com o arquivo.
Ele produz no leitor a sensação de, finalmente, captar o real e não mais
de examiná-lo através do relato sobre, do discurso de. [...] Nasce assim
o sentimento ingênuo, porém profundo, de romper o véu, atravessar a
opacidade do saber e chegar, como depois de uma longa viagem incerta,