A prática de enterramento de corpos remonta a cerca de 100 mil anos antes da nossa era,
mas apenas por volta de 10 mil anos a.C. surgiram registros de sepulturas agrupadas, fato
essencial para o surgimento dos primeiros cemitérios (Almeida; Macedo, 2005).
Apesar de inevitável, a morte e os cemitérios ainda são temas rodeados de tabus e
preconceitos. Muitas pessoas demonstram pouco interesse por esses assuntos, embora sejam
parte intrínseca da existência de todos os seres vivos (Costa; Custódio, 2014).
Reis (1991) destaca que, durante muito tempo, as igrejas — consideradas os edifícios
mais belos das cidades — eram vistas como a casa do Senhor, abrigando santos, anjos e também
os mortos, que aguardavam a ressurreição prometida no fim dos tempos. Os sacerdotes
pregavam que as igrejas representavam a entrada para o Paraíso, e o hábito de enterrar os mortos
no interior dos templos reforçava os laços entre vivos e falecidos. Essa prática mantinha a
memória dos entes queridos viva nas orações e promovia a sensação de que os mortos ainda
participavam das decisões da comunidade, uma vez que, por muito tempo, as igrejas também
funcionaram como tribunais, recintos eleitorais, salas de aula e locais para debates políticos.
Naquele período, todo católico tinha o direito de escolher em qual igreja seria sepultado.
Qualquer tentativa de influência por parte de religiosos para direcionar essa escolha era
severamente punida pela congregação. As viúvas, por exemplo, eram comumente enterradas
junto aos seus maridos, respeitando a tradição da unidade familiar (Reis, 1991).
A partir do século XVIII, no entanto, os sepultamentos passaram a ser realizados fora
dos templos religiosos e hospitais, ocorrendo em locais específicos, ao ar livre, e geralmente
distantes dos centros urbanos. Para economizar, muitos municípios optaram por instalar
cemitérios em áreas de baixo valor comercial (Felicioni, 2007).
Campos (2007) explica que a palavra "cemitério" tem origem no grego Koumeteriane e
no latim Coemeteriun, ambos significando "dormitório", ou seja, o lugar onde se repousa.
Outras expressões sinônimas incluem necrópole, sepulcrário, campo-santo, cidade dos pés
juntos e última morada. Foi o cristianismo que popularizou o termo como sinônimo de um
espaço de descanso após a morte.
Nas cidades históricas mineiras, os primeiros cemitérios surgiram dentro das igrejas, no
final do século XVII e início do século XVIII. Em algumas delas, como a Igreja de Nossa
Senhora do Carmo, em Sabará, ainda hoje é possível observar números no piso que indicavam
a localização das sepulturas utilizadas na época, como mostrado na Figura 1.
O enterro dentro das igrejas era uma prática obrigatória, regulada por tradições antigas
e critérios de civilidade. No entanto, o local de sepultamento deveria ser digno, oferecendo
conforto às famílias e alívio às almas dos falecidos. Com o tempo, questões sanitárias exigiram