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POR UMA CIDADANIA CONSCIENTE E SUSTENTÁVEL: PATRIMÔNIO NAS
TRILHAS URBANAS DE JUAZEIRO DO NORTE (REGIÃO METROPOLITANA
DO CARIRI, CEARÁ)1
Regivania Rodrigues de Almeida
Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional Sustentável, Universidade
Federal do Cariri, Ceará, Brasil
regivaniadealmeida@gmail.com
Marcelo Martins de Moura-
Departamento de Geociências da Universidade Regional do Cariri, Ceará, Brasil
marcelo.mourafe@urca.br
Mônica Virna de Aguiar Pinheiro
Secretaria da Educação do Estado do Ceará, Brasil
monica.pinheiro@prof.ce.gov.br
RESUMO
Juazeiro do Norte é conhecida por uma intensa diversidade cultural, num contexto em que
mestres, mestras e coletividades, são portadoras de importantes referenciais da cultura local.
Posto isso, o objetivo é produzir reflexões que possam contribuir para construção de ações de
valorização e preservação do patrimônio cultural na cidade de Juazeiro do Norte. O estudo tem
uma abordagem qualitativa, fundamentado nos conceitos de patrimônio, educação patrimonial,
cidadania e desenvolvimento sustentável, relacionando patrimônio e os Objetivos do
Desenvolvimento Sustentável, compondo-se de uma revisão de literatura e pesquisa
documental e de campo, analisando os dados de forma integrada. Com os resultados, espera-se
contribuir para a valorização e preservação do patrimônio cultural, fortalecendo a cultura como
dimensão da sustentabilidade.
Palavras-chave: Educação Patrimonial. Cidadania. Objetivos do Desenvolvimento
Sustentável (ODS).
POR UNA CIUDADANÍA CONSCIENTE Y SOSTENIBLE: PATRIMONIO EN LOS
SENDEROS URBANOS DE JUAZEIRO DO NORTE (RMCARIRI, CEARÁ)
RESUMEN
Juazeiro do Norte es conocido por su intensa diversidad cultural, en un contexto en el que
maestros y colectivos son portadores de importantes referentes de la cultura local. Dicho esto,
el objetivo es producir reflexiones que puedan contribuir a la construcción de acciones para
valorar y preservar el patrimonio cultural de la ciudad de Juazeiro do Norte. El estudio tiene un
enfoque cualitativo, basado en los conceptos de patrimonio, educación patrimonial, ciudadanía
y desarrollo sostenible, relacionando patrimonio y los Objetivos de Desarrollo Sostenible
(ODS), consistente en una revisión bibliográfica y una investigación documental y de campo,
analizando los datos de forma integrada. Con los resultados se espera contribuir a la
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Essa pesquisa foi financiada pela CAPES.
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valorización y preservación del patrimonio cultural, fortaleciendo la cultura como dimensión
de la sostenibilidad.
Palabras clave: Educación Patrimonial. Ciudadanía. Objetivos de Desarrollo Sostenible
(ODS).
FOR CONSCIOUS AND SUSTAINABLE CITIZENSHIP: HERITAGE ON THE
URBAN TRAILS OF JUAZEIRO DO NORTE (RMCARIRI, CEARÁ)
ABSTRACT
Juazeiro do Norte is known for its intense cultural diversity, in a context in which masters,
mistresses and collectives are bearers of important references of local culture. Therefore, the
objective is to produce reflections that can contribute to the construction of actions to value and
preserve cultural heritage in the city of Juazeiro do Norte. The study has a qualitative approach,
based on the concepts of heritage, heritage education, citizenship and sustainable development,
relating heritage and the Sustainable Development Goals, consisting of a literature review and
documentary and field research, analyzing the data in an integrated manner. With the results, it
is expected to contribute to the value and preservation of cultural heritage, strengthening culture
as a dimension of sustainability.
Keywords: Heritage Education. Citizenship. Sustainable Development Goals (ODS).
POUR UNE CITOYENNETÉ CONSCIENTE ET DURABLE: PATRIMOINE SUR
LES SENTIERS URBAINS DE JUAZEIRO DO NORTE (RMCARIRI, CEARÁ)
RÉSUMÉ
Juazeiro do Norte est connue pour son intense diversité culturelle, dans un contexte dans lequel
maîtres et collectifs sont porteurs de références importantes de la culture locale. Cela dit,
l'objectif est de produire des réflexions pouvant contribuer à la construction d'actions de
valorisation et de préservation du patrimoine culturel dans la ville de Juazeiro do Norte. L'étude
a une approche qualitative, basée sur les concepts de patrimoine, d'éducation au patrimoine, de
citoyenneté et de développement durable, reliant le patrimoine et les objectifs de
développement durable, consistant en une revue de la littérature et une recherche documentaire
et de terrain, analysant les données de manière intégrée. Grâce à ses résultats, il devrait
contribuer à l'appréciation et à la préservation du patrimoine culturel, en renforçant la culture
en tant que dimension de la durabilité.
Mots-clés: Éducation au patrimoine. Citoyenneté. Objectifs de Développement Durable
(ODD).
INTRODUÇÃO
A Primeira Década Internacional para o Desenvolvimento das Nações Unidas (1988-
1997) ofertou um balanço que evidenciou os limites de um desenvolvimento pautado quase que
exclusivamente no crescimento econômico, e jogou luz na necessidade de adotar um conceito
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de desenvolvimento mais humano e sustentável, que garantisse o respeito ao meio ambiente, às
diversidades culturais e às aspirações humanas por um futuro próspero, pacífico e harmonioso
(Kovács, 2020). Em meio a essas discussões, as últimas décadas do culo XX, consolidaram
o paradigma do desenvolvimento sustentável amparado em três pilares: a economia, o meio
ambiente e a inclusão social. Considerando essa visão, são esses três conceitos que nos definem
como humanos, paradoxalmente potencializados para a construção de um desenvolvimento que
possa beneficiar o presente e o futuro (Brudtland, 1987; Pascual, 2020).
Nesse mesmo período e nos anos seguintes, a ideia de incorporar a contribuição da
cultura para o desenvolvimento sustentável foi ganhando força e em 2004 foi adotada no
Primeiro Fórum Universal das Culturas, a Agenda 21 da Cultura, uma ferramenta para integrá-
la como um pilar de desenvolvimento sustentável a nível local (Martinell; Haro; Vasquez,
2020). Pensada como o quarto pilar da sustentabilidade, a cultura questiona o paradigma
triangular do desenvolvimento e torna-se essencial, pois integra os valores que constituem a
sociedade, base sobre a qual todo o restante se constrói. Essa compreensão permite um melhor
entendimento do mundo e se torna chave para uma transformação eficaz, que consente o
desenvolvimento como liberdade, apoiando escolhas e oportunidades. Essa visão reconhece a
criatividade e as capacidades humanas, para a indução e condução das mudanças
protagonizadas pelos agentes sociais (Furtado, 1984; Sen, 2000; Hawkes, 2001; Nussbaum,
2010; Pascual, 2020).
Nesse contexto, as diversas discussões sobre as contribuições da cultura e do patrimônio
no contexto do desenvolvimento sustentável (Dupin, 2020; Baltà; Pascual, 2020; Maraña;
Roldán, 2020; Martinell, 2020; Gama, 2021; Luderer, 2021), evidenciam que o alcance dos
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela Agenda 2030 (UNESCO,
2015) encontram apoio no amplo escopo de cultura e humanidades (Martinell; Haro; Vasquez,
2020).
A Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural, versa que “a
cultura se encontra no centro dos debates contemporâneos sobre a identidade, a coesão social e
o desenvolvimento de uma economia fundada no saber” (UNESCO, 2001, p. 01). A
versatilidade na adaptação às questões individuais e coletivas que lhe são projetadas, tornam o
patrimônio cultural um poderoso recurso para a nossa existência, que pode e deve contribuir
para o desenvolvimento humano, sustentável e pacífico que a humanidade busca tempos
(Revert, 2019).
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O patrimônio imaterial situa-se no âmago da vida cultural e do desenvolvimento
comunitário, onde a falta de consciência de seu valor provoca baixa visibilidade, sendo
necessário encontrar formas e meios para promover seu desenvolvimento (Varine, 2012). O
reconhecimento das referências culturais por parte de um grupo social, acontece quando as
pessoas se sentem parte integrante de suas comunidade ou cidades. Essas referências são bens
culturais, que podem ser de natureza material, como paisagens, edificações, objetos,
documentos etc., ou imaterial, que estão relacionadas aos saberes, habilidades, práticas e aos
modos de vida das pessoas (IPHAN, 2007).
O patrimônio não se constitui somente por objetos do passado, reconhecidos
oficialmente, mas sobretudo, por aqueles que remetem às identidades. O conceito integral de
patrimônio dimensiona todo o território e seus habitantes, onde a qualidade de vida configura-
se como consequência do desenvolvimento sustentável, cuja gestão integra os recursos
patrimoniais a partir de estratégias territoriais locais (Nunez, 2016). O patrimônio cultural, per
si, é resultado das relações sociais e dos significados a ele atribuídos pelos sujeitos sociais, e
sua apropriação, deve se dar a partir da construção coletiva e democrática do conhecimento,
considerando a efetiva participação dos diferentes grupos sociais, numa perspectiva da ecologia
de saberes (Santos, 2009; Tolentino, 2018).
Nesse sentido, o objetivo desse trabalho é produzir reflexões que possam contribuir para
a construção de ações de valorização e preservação do patrimônio cultural na cidade de Juazeiro
do Norte, correlacionando educação patrimonial, cidadania, desenvolvimento sustentável e os
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, buscando propor o patrimônio cultural como vetor
de desenvolvimento regional sustentável.
Em termos teórico-metodológicos, o estudo se fundamentou nos conceitos de
patrimônio e educação patrimonial, cidadania e desenvolvimento sustentável, relacionando
patrimônio e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), compondo-se de uma
revisão de literatura e pesquisa documental e de campo, seguidas de uma análise integrada dos
dados, que possa contribuir para a valorização e preservação do patrimônio cultural, a partir da
ação educativa e fortalecer a cultura como dimensão da sustentabilidade.
No escopo deste trabalho, patrimônio será abordado como um processo ativo que agrupa
bens e práticas culturais selecionadas como reflexo do presente, cujos valores associados se
deseja levar para o futuro (Harrison, 2015), e educação como o processo de desenvolvimento
da personalidade social e do caráter, considerando as visões de mundo, os ideais, valores, modos
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de agir, caracterizando princípios ideológicos, morais, políticos e ação ativa no enfrentamento
à realidade e seus desafios práticos (Libâneo, 2013).
A Educação Patrimonial deve considerar a construção do conhecimento de forma
coletiva e democrática, a partir da relação dialógica entre os agentes culturais e sociais, com a
legítima participação das comunidades que detêm e produzem as referências culturais, nas quais
convivem diversas noções de Patrimônio Cultural (Florêncio et al., 2014). A educação
patrimonial deve ser abordada como estratégia para a instrumentalização da comunidade em
seus enfrentamentos e problemáticas cotidianas, para que se tenha desenvolvimento pessoal e
coletivo, justiça social e equidade, que conforme Sachs (2008), são questões fundamentais no
escopo da sustentabilidade.
A problematização se deu a partir das concepções de patrimônio e ação educativa,
abordando o contexto da educação para a cidadania e para o desenvolvimento sustentável, cuja
análise dos dados foi feita de forma integrada, considerando também os levantamentos de
campo. O levantamento cartográfico utilizou informações e bases disponíveis nos acervos de
órgãos públicos, as quais foram trabalhadas em escala de detalhe (quando possível), visando
espacializar a proposta de abordagem do patrimônio cultural em trilhas urbanas em Juazeiro do
Norte, constituído a partir dos dados de campo.
Com uma estimativa populacional em 2024 de 303.004 habitantes, Juazeiro do Norte é
o município com maior densidade demográfica da Região Metropolitana do Cariri (RMCariri)
e o terceiro do Ceará (IBGE, 2024). Conhecido também pela pluralidade das expressões
culturais, o município vivencia importantes ciclos de tradição, como o Ciclo de Reis, reunindo
dezenas de grupos entre reisados, guerreiros e lapinhas, durante as festividades do período
natalino, se estendendo até o dia 06 de janeiro. Os ciclos e as manifestações a eles vinculadas,
assim como as expressões, celebrações, os saberes e fazeres, se constituem como bens culturais,
agregando o intangível e também a materialidade, num contexto em que mestres, mestras e
coletividades, são portadoras de importantes referenciais da cultura local.
PATRIMÔNIO, AÇÃO EDUCATIVA E SUSTENTABILIDADE: PRESERVAR O
QUÊ E PARA QUEM?
Em seu âmago, a ideia de desenvolvimento sustentável enuncia que as futuras gerações
merecem tanta atenção quanto as atuais (Veiga, 2015). Por sua vez, o patrimônio, ao comunicar
heranças e valores construídos no passado e no presente, se conecta diretamente ao futuro,
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assegurando às próximas gerações o direito de usufruir dos bens culturais. Nesse sentido,
Varine (2012) enfatiza a importância do patrimônio como recurso para o desenvolvimento
local, que tratando-se de uma herança, é constantemente enriquecida, transformada e
transmitida.
No sentido político, o patrimônio é um capital real para o desenvolvimento, um fator de
consciência coletiva. É um capital que para viver, produzir e transformar, para permanecer útil,
necessita de reconhecimento e ação de comunidade (Varine, 2012). Reconhecer a pluralidade
de sistemas de conhecimento é crucial para as sociedades sustentáveis (Pascual, 2012). Além
de um lugar de memória, o patrimônio é também um espaço de exercício das nossas
capacidades. Nesse sentido, torna-se importante reconhecer o passado e os discursos a ele
associados, extrair conhecimentos e posicioná-los na configuração das identidades e da
pertença, o que promove consciência de continuidade enquanto pessoas, através do tempo
(Silva, 2000; Revert, 2019).
A conscientização se dá, sobretudo, quando o indivíduo supera a condição passiva e
assume uma posição crítica diante do mundo, potencializando o poder de escolha e construção
de si mesmo como pessoa, transformando a realidade, uma vez que se percebe como agente da
história (Freire, 2011).
Os conhecimentos culturais sobre a história e o ambiente constituem importantes
riquezas e valores humanos que muito podem colaborar para o desenvolvimento endógeno e
sustentável (Varine, 2012; Fachini; Carvalho, 2018). O patrimônio, sob suas diferentes formas,
é o húmus para o desenvolvimento local que se faz com participação efetiva, ativa e
consciente da comunidade que o detém. O desenvolvimento realmente sustentável se faz em
harmonia com esse patrimônio, que pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida
(Varine, 2012).
Valorizar o patrimônio cultural significa interagir com o meio em que se vive. Falar de
conservação do patrimônio até meados do século XX, era entendido apenas como conservação
física dos monumentos, museus ou lugares históricos. A Educação Patrimonial surgiu como
esforço de profissionais dos lugares de memória para criar uma proposta mais abrangente, que
também envolvesse a comunidade. O conhecimento crítico e a apropriação consciente pelas
comunidades do seu patrimônio são elementos indispensáveis no processo de preservação
sustentável desses bens, assim como no fortalecimento dos sentimentos de identidade e
cidadania (Cogan, 2017).
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A concepção de Educação Patrimonial, comumente disseminada, está assentada na
proposta metodológica criada pela equipe do Museu Imperial, na década de 1980, a partir das
experiências pedagógicas na área museológica desenvolvidas na Inglaterra, tendo como
referência o Heritage Educacion, que intencionava o uso dos museus e monumentos históricos
para fins educacionais. No Brasil, essa prática foi sistematizada no Guia Básico de Educação
Patrimonial. No entanto, a educação patrimonial fazia parte, de forma recorrente, das ações
dos museus desde o século XIX, ainda que sem essa denominação (Horta; Grunberg; Monteiro,
1999; Scifoni, 2012; Chagas, 2013; Tolentino, 2018).
Essa proposta pedagógica de educação patrimonial regula-se pelo viés instrutivista da
educação (Libâneo, 2013), seguindo um processo verticalizado que configura o patrimônio
cultural descontextualizado do indivíduo, que não tem participação nos objetivos, habilidades
e conhecimentos que irá adquirir, na contramão de uma apropriação impregnada de conflitos,
consensos e discordâncias entre os sujeitos sociais (Demarchi, 2018; Tolentino, 2018).
Pensada inicialmente no âmbito dos museus, a educação patrimonial extrapolou essa
fronteira e como área específica de políticas públicas para o patrimônio cultural, assumiu um
campo mais vasto de atuação e superou as ações focadas nos acervos e edificações isoladas,
compreendendo a cidade como credencial da história e da cultura, apta a leituras e
interpretações, pela via de múltiplas abordagens educativas (Florêncio, 2012; Scifoni, 2012).
A prática preservacionista no Brasil seguiu os passos europeus, estreitamente associada
à ideia de formação e afirmação do Estado-nação, ganhando força com a intenção de pertencer
à civilização ocidental, supostamente forjando o processo de invenção de um patrimônio
nacional brasileiro (Chuva, 2003; Tolentino, 2018). Em contraponto, a preservação do
patrimônio deve estar vinculada à transmissão, difusão e apropriação dos sentidos e valores,
que os grupos sociais atribuem aos bens culturais. Sem essa perspectiva, os dispositivos legais
de proteção, assumem lugar de atos declaratórios de valor, do qual, possíveis aplicações na
restrição de direitos de uso aos bens protegidos, podem ter avaliações e impactos negativos,
onde a preservação do patrimônio pode ser percebida por setores da sociedade, como limitação
à liberdade individual e obstáculo ao desenvolvimento. Ao centrar o foco somente na proteção
legal e nos atos que a constituem, a preservação reduz o alcance das políticas de patrimônio,
atingindo grupos familiarizados com a matéria, ao tempo em que provoca distanciamento da
intenção a que se destina o interesse público (Londres, 2012).
É importante reconhecer que a construção do patrimônio não se através de uma
participação igualitária, cujo processo acaba por deixar de lado da memória, determinados
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grupos, criando uma imagem social restrita, que não contempla a representação do todo e onde
alguns se sobressaem aos demais, provocando a não identificação de segmentos da população
com o que é reconhecido oficialmente. -se com isso, a ideia de um patrimônio permeado por
fazendas, engenhos e casas de câmara e cadeia, ocupadas por uma elite política, militar e
econômica, que forjaram a memória nacional, numa prática muito bem replicada desde os
grandes centros urbanos às pequenas localidades (Canclini, 1994; Scifoni, 2012; Florêncio,
2012).
Nesse âmbito, é desafiador para as políticas públicas criarem e garantirem mecanismos
de articulação e participação social, através de uma via de construção coletiva de um patrimônio
cultural, que certifique proteção à memória e apropriação social, (re)inserindo esses
patrimônios no ambiente coletivo (Scifoni, 2012).
Os processos educacionais, cujo foco é o patrimônio, devem acontecer de forma a
produzir sentidos e percepção nas práticas cotidianas (Londres, 2012), considerando que para a
valorização do patrimônio numa perspectiva libertadora (Freire, 1996), faz-se importante
apontar, além dos valores estéticos e formais, os laços afetivos, sociais e simbólicos (Scifoni,
2012). Nesse contexto, é condicional para a ação educativa, assegurar a participação da
comunidade na formulação, implementação e execução das atividades propostas. O que se
almeja é a construção coletiva do conhecimento, identificando a comunidade como produtora
de saberes, que reconhece suas referências culturais, inseridas em contextos de significados,
associados à memória social do local (Florêncio et al., 2014).
O desenvolvimento sustentável não pode ser definido sem ênfase naquilo que é
entendido como equidade intergeracional (Veiga, 2015). Produto de uma seleção consciente, o
patrimônio é uma comunicação produzida no presente para dialogar com o futuro (Silva, 2000;
Revert, 2019), no intuito de também favorecer a equidade intergeracional abordada por Veiga
(2015). Nesse sentido, a Educação Patrimonial é tanto uma importante metodologia de
transmissão, como uma política que baliza ações de gestão nas diversas áreas e âmbitos de um
município ou região, por agregar, a partir da ação educativa, “o conhecimento, a preservação e
a valorização local, promovendo ainda, inovação e desenvolvimento” (Padoin, 2021, p. 68).
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QUE FUTURO QUEREMOS? EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA, PARA O
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E OS ODS
Num mundo marcado pela diversidade e pluralidade, a cultura assume um papel
fundamental no processo de aprendizagem para a formação do indivíduo crítico, participativo,
conhecedor de sua origem, preocupado com seu ambiente e com a sociedade, e que possa
expressar-se de forma criativa e autônoma para propor transformações em sua própria trajetória
de vida e em seu entorno (Freire, 2011; Dupin, 2020). A Declaração Universal sobre a
Diversidade Cultural relata que as tradições culturais são as matrizes de onde se originam todas
as criações. Com isso, o patrimônio em todas as suas dimensões, deve ser valorizado,
preservado e repassado às futuras gerações como testemunho das vivências e anseios humanos,
nutrindo a criatividade em toda a sua diversidade, estabelecendo um legítimo diálogo entre as
culturas (UNESCO, 2001).
As definições em torno do patrimônio cultural, seus significados e suas razões, se
transformaram consideravelmente ao longo do século XX e início do XXI. Atualmente, as
abordagens são mais complexas e identificam o território como um ponto de encontro dos
grupos sociais com seu patrimônio. Para essas abordagens, sem uma valorização cultural do
território que ponha em evidência as singularidades de seus recursos e estimule a confiança da
comunidade em si mesma e em sua capacidade criativa, torna-se difícil propor e iniciar um
processo de desenvolvimento, pensando o patrimônio como “o resultado da dialética entre a
humanidade e o meio, entre a comunidade e o território” (Nunez, 2016, p. 196).
A preservação dos bens culturais configura-se como uma prática social, posto que as
comunidades devem ser as protagonistas na escolha do que caracteriza suas identidades e na
proteção de seus valores culturais. Nesse sentido, os bens culturais se constituem como estrutura
dinâmica para a construção coletiva do conhecimento, que para ser efetiva, é imprescindível
considerar e integrar as necessidades e expectativas das comunidades envolvidas, fazendo uso
de múltiplas estratégias e situações de aprendizagem, construídas de forma dialógica,
considerando as especificidades locais (Florêncio, 2012; Tolentino, 2012).
Nesse contexto, a educação patrimonial tem uma função estratégica e decisiva no
processo de valorização e preservação do patrimônio cultural, não reduzindo-se à promoção e
difusão de conhecimentos acumulados no campo técnico da preservação, colocando-se
sobretudo, para além da divulgação do patrimônio (Florêncio, 2012). Importante colocar que a
educação aqui é pensada como processo (Freire, 1987) e ainda, como uma prática para a
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cidadania, ao tempo em que viabiliza a formação crítica, criativa e autônoma dos indivíduos,
desenvolvendo a capacidade de agir em seu meio e transformá-lo (Cabral, 2012).
A educação patrimonial se fortalece no princípio da educação para a liberdade, com os
processos educativos primando pela construção coletiva e democrática do conhecimento,
permeado pelo diálogo constante e percepção crítica da realidade e da efetiva participação dos
agentes sociais possuidores das referências culturais. Com isso, convém estar atento à ideia de
que é preciso conhecer para preservar, pois essa afirmativa não se sustenta por si só, na garantia
da preservação dos bens culturais, fazendo-se necessário ir além desse limite em busca de
posicionar-se criticamente para a transformação da realidade (Freire, 1996; Freire, 2011;
Tolentino, 2016).
Democracia e participação são aspectos fundamentais, vinculados diretamente à
consolidação da cidadania. Conforme Cabral (2012), como direito, a educação vai inclusive
permitir e orientar as pessoas para o usufruto de outros direitos conquistados pela sociedade.
A dimensão política da educação patrimonial, compreende que tanto a memória quanto
o esquecimento são produtos sociais (Florêncio, 2012) e o patrimônio cultural concebido como
elemento social, requer identificar as tensões presentes no processo de seleção e apropriação,
envolvendo conflitos e divergências na luta constante entre memória e esquecimento
(Tolentino, 2016). Com isso, torna-se essencial aprender a reconhecer o passado, projetar nele
discursos e adesões, extrair saberes, posicioná-lo na configuração das identidades e, sobretudo,
empregá-lo individual e coletivamente, para apropriar-se, equilibrando sua dimensão
transcendente, seu valor simbólico e a multifuncionalidade que o constitui, para usufruir a favor
do que queremos ser e fazer na vida (Revert, 2019).
Para que o patrimônio se torne herança (Bruno, 1998; Horta; Grunberg; Monteiro, 1999;
Silva, 2000; Varine, 2012; Revert, 2019; Padoin, 2021) é necessário que haja apropriação crítica
por parte dos que detém esse patrimônio. Nesse sentido, diferentes abordagens educativas
podem dialogar para o reconhecimento dos patrimônios culturais, sua valorização e
preservação.
A Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) foi articulada
para dar ênfase ao papel central da educação na busca comum pelo desenvolvimento
sustentável. A Educação para o Desenvolvimento Sustentável se propôs a estimular mudanças
de atitude e comportamento na sociedade mundial, considerando que as capacidades
intelectuais, morais e culturais impõem responsabilidades para com todos os seres vivos e para
com a natureza como um todo (UNESCO, 2009).
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A proposta da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) pretende contribuir
para mudar o pensamento e a ação das pessoas para alcançarmos um futuro sustentável,
buscando diminuir o impacto do modo de vida atual, para as futuras gerações e para o
planeta (UNESCO, 2009). Nesse contexto, é mais do que pertinente, considerar a
dimensão cultural do ser humano e das comunidades locais para o alcance de qualquer
objetivo que proponha um desenvolvimento sustentável para todos os seres (Maraña; Roldán,
2020). A proposta da EDS coloca em evidência a interdependência entre meio ambiente,
economia, sociedade e diversidade cultural, no âmbito local e global, considerando o passado,
o presente e o futuro, incluindo questões-chave sobre o desenvolvimento sustentável no
ensino e na aprendizagem (UNESCO, 2009).
A ação cultural realizada por meio da educação, dispõe e potencializa a consciência das
pessoas envolvidas, para que estas possam se encontrar e se organizar em derredor aos
elementos originais de sua própria cultura (Brandão, 2018). Em contraponto à ausência da
cultura no texto da Agenda 2030 (UNESCO, 2015), assim como em outras iniciativas que a
precederam, muitas são as contribuições sobre o papel da cultura e do patrimônio cultural para
o desenvolvimento sustentável (Revert, 2019; Dupin, 2020; Baltà; Pascual, 2020; Maraña;
Roldán, 2020; Martinell, 2020; Haro; Vasquez, 2020; Gama, 2021; Luderer, 2021).
Em setembro de 2022 foi realizado na cidade do México, a Conferência Mundial da
Unesco de Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável Mondiacult 2022 (UNESCO,
2022), quarenta anos após o primeiro Mondiacult, também realizado no México (1982) e vinte
e quatro anos após a Conferência Mundial sobre Políticas Culturais para o Desenvolvimento,
que aconteceu em Estocolmo, na Suécia (1998).
Na última década de ação para a implementação dos ODS, é necessário refletir sobre as
políticas culturais no enfrentamento aos desafios globais, traçando prioridades imediatas e
futuras. O Mondiacult 2022, buscou ancorar a cultura como bem público global na agenda
internacional pós-2030, em vista de assegurar um desenvolvimento, que seja inclusivo e
sustentável. O documento final da conferência afirmando a cultura como bem público global,
foi assinada por 150 países. “A presente Declaração integra as nossas prioridades comuns e
estabelece um programa para o futuro que aproveita plenamente o efeito transformador da
cultura para o desenvolvimento sustentável” (UNESCO, 2022, p. 01).
A interpretação e divulgação do patrimônio cultural baseado nos direitos humanos e
compreendido como manifestações de gerações anteriores, tanto oportuniza a empatia
emocional com os diferentes grupos com os quais convivemos, quanto possibilita esclarecer
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para nós mesmos, as heranças das “conquistas de liberdades, superação da pobreza e
redistribuição de renda, resolução pacífica de conflitos e desenvolvimento humano” (Revert,
2019, p. 327), abrindo o campo de possibilidades para a aproximação e articulação do amplo
escopo do patrimônio cultural com a Agenda 2030 e os ODS.
No texto Patrimonio cultural y desarrollo: una mirada a la Agenda 2030 y el rol del
patrimônio, Maraña; Roldán (2020) apresentam uma interessante discussão, analisando a
presença e a ausência do patrimônio nos ODS, propostos pela Agenda 2030. Focando o
patrimônio numa perspectiva de direitos, os autores identificam dezesseis possibilidades, entre
os 17 ODS, que podem cooperar para a implementação dos objetivos de desenvolvimento,
integrados na Agenda 2030.
Os bens culturais, materiais ou imateriais, são veículos de transmissão de ideias e
conteúdos (FONSECA, 2005). Posto isso, considera-se algumas articulações entre patrimônio
cultural e os ODS na Figura 1.
FIGURA 1 Infográfico abordando o Patrimônio cultural e os ODS
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Elaboração: Autores (2023). Fonte: Maraña; Roldán (2020).
Essa compreensão pode nos ajudar a ativar uma forma de impactar nossa sociedade,
para alcançar níveis melhores de justiça social global. Para a expansão de uma cidadania global
ativa com capacidade de gerar impacto social e político, o passado assume uma grande
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importância para o desenvolvimento humano, numa abordagem a partir do patrimônio cultural
(Revert, 2019). Nesse sentido a educação patrimonial precisa ser dialógica e democrática,
considerando legítimo o conhecimento produzido pelo outro e permitindo às pessoas, agirem e
serem sujeitos conscientes de suas capacidades para promover as mudanças necessárias em sua
realidade (Freire, 2011; Florêncio, 2012; Cabral, 2012; Tolentino et al., 2012; Demarchi, 2016).
O PATRIMÔNIO CULTURAL E A CIDADE: TRILHAS URBANAS EM JUAZEIRO
DO NORTE
Historicamente constituída e transformando-se ao longo do tempo, a noção de
patrimônio cultural como herança coletiva, se apresenta como processo simbólico, legitimado
social e culturalmente, construído mediante as relações entre os seres humanos e o meio, inter-
relacionando os aspectos culturais, naturais, paisagísticos e arqueológicos (Prats, 1998;
Pelegrini, 2006; Chuva, 2012).
Concebido como tema transversal e interdisciplinar, o patrimônio cultural potencializa
no processo educativo, o uso do espaço público e do território como espaços educativos,
atrelados à experiência cotidiana e aos referenciais identitários e culturais das pessoas,
incentivando a participação das instituições que atuam nos processos educacionais, formais e
não formais, no campo da Educação Patrimonial (Florêncio, 2012; Lima, 2012; Tolentino,
2016).
O trabalho com o patrimônio não deve se propor simplesmente a acumular
conhecimentos, de outro modo, deve se ater a objetivos mais estimulantes, como incentivar os
estudantes a fazer escolhas através de reflexões críticas e apropriar-se do território em que
vivem (ICHER, 2008). Nesse sentido, Londres (2012) coloca que a busca deve ser pautada pelo
despertar do educando para a curiosidade e a vontade em conhecer e conviver com os bens
culturais, na perspectiva da coletividade, de forma a se apropriar desses bens, como contributo
ao desenvolvimento pessoal e cidadão, interrelacionado com os demais e com o mundo, o que
reflete positivamente em sua qualidade de vida. A autora reforça ainda, que desse processo é
que se forma o compromisso com a preservação do patrimônio.
Uma multiplicidade de estratégias pode ser pensada e desenvolvida no campo da
educação patrimonial, sem perder de vista a adaptação ao contexto e objetivos específicos. Na
educação formal, o educador pode envolver os estudantes e a comunidade, considerando os
bairros, os modos de viver e a cultura local, numa proposta democrática e emancipatória, onde
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professores e alunos juntos, constroem um caminho a percorrer (Scifoni, 2012; Tolentino,
2012). Esse tipo de ação alarga o entendimento dos vários aspectos constitutivos do patrimônio
e sua relação com a formação da cidadania, identidade, memória e muitos outros elementos que
integram o dia-a-dia e não são percebidos em termos de valores (Tolentino, 2013).
Nesse sentido, as trilhas urbanas são compreendidas como percursos que possibilitam
experiências, através de atividades práticas que permitem descobrir outros significados,
estimulando um olhar autônomo no processo de construção de novas percepções do espaço
urbano e suas diversas produções culturais, se constituindo como uma importante ferramenta
para a apropriação do patrimônio cultural e histórico-educativo nas cidades (Matos, 2019).
A ecologia dos saberes (Santos, 2009) abordada no âmbito da educação patrimonial,
favorece a construção coletiva e democrática do conhecimento com a legítima participação dos
diferentes atores nos processos de apropriação do patrimônio cultural (Tolentino, 2018).
Baseada no reconhecimento da pluralidade e da diversidade epistemológica do mundo, a
ecologia dos saberes propõe interações dinâmicas através de diálogos horizontais e
democráticos (Santos, 2009).
Considerando o passado configurado na forma de patrimônio, forjamos leituras e
entendimentos que cooperam para compreender a dimensão global da nossa cidadania, a partir
da perspectiva local (Revert, 2019).
Desde os últimos anos do século XIX e a primeira década do XX, constantes migrações
chegaram ao Juazeiro, vindas de vários estados do Nordeste brasileiro, instigadas pelos
acontecimentos do milagre da hóstia (1889), protagonizado pelo padre Cícero Romão Batista e
a beata Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo. Esse movimento alterou o cotidiano da
cidade constituindo uma diversidade de culturas e práticas, constituindo o modo como esses
grupos se relacionavam com a natureza e o sagrado (Melo, 2010; Almeida et al., 2021).
Atualmente, Juazeiro do Norte possui um mercado diversificado, que consta de centros
comerciais e shoppings, polos gastronômicos e educacionais, com variadas instituições de
ensino superior, tanto públicas como privadas, além de área médica especializada e boas
oportunidades no setor da construção civil, dispondo de um aeroporto regional, cuja atuação
alcança outras cidades do Ceará, se ampliando ainda, até os estados da Paraíba, Pernambuco,
Piauí e Rio Grande do Norte (Juazeiro do Norte, 2020).
Instituída pela Lei Complementar 78/2009, com o objetivo maior de integrar a
organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum, a Região
Metropolitana do Cariri (RMCariri) está localizada no sul do Ceará e é composta pelas cidades
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de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, que formam o núcleo urbano conhecido como
CRAJUBAR, com elevado potencial de desenvolvimento econômico, além de Caririaçu, Farias
Brito, Jardim, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri (Ceará, 2009).
No contexto da região metropolitana do Cariri, Juazeiro do Norte assume um lugar de
influência regional, desempenhando o papel de cidade polo, por suas características
econômicas, culturais e sociais, tornando-se uma referência de articulação e desenvolvimento,
não somente para o Cariri, mas também para o Nordeste do Brasil (Juazeiro do Norte, 2020).
A cidade é um grande tecido, cuja trama acomoda as diversas narrativas sobre a vida
humana em sociedade, as técnicas e os modos de produção, tornando-se decorrência de uma
acumulação de diferentes tempos. Ao considerar a cidade para as múltiplas estratégias e ações
educativas, é importante pensar o patrimônio no contexto dos processos sociais, tornando o
espaço urbano apto a interpretações (Santos, 2008; Scifoni, 2012).
Considerando as discussões acima apresentadas, seguem no Quadro 1, alguns exemplos
de roteiros para a construção de trilhas urbanas em Juazeiro do Norte, que podem e devem ser
discutidas e reelaboradas de acordo com o objetivo e o contexto a ser trabalhado, com vistas a
integrar os diferentes indivíduos, suas identidades e as diversidades locais.
QUADRO 1 Exemplos de roteiros para a construção de trilhas urbanas
ROTEIROS
LOCAL
REFERENCIAIS
Caminhos da
Praça Beata Maria
de Araújo (Bairro
Centro)
Área do antigo sítio Joaseiro, a partir do qual,
a cidade se expandiu, e onde também foi
construída a primeira capela de Nossa Senhora
das Dores. O lugar faz menção à beata Maria
de Araújo, mulher negra que foi protagonista
do milagre envolvendo também o padre Cícero
Romão Batista.
Rio Salgadinho
(Bairro do Socorro)
Identificado como rio Jordão no imaginário
local, constituído pelas narrativas criadas pelos
beatos.
Casa dos Milagres
(Bairro do Socorro)
Espaço onde os romeiros expressam através da
materialidade, a gratidão pela graça alcançada,
depositando ex-votos, fotografias, imagens
etc.
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Casa da Mãe Dodô
(Rua do Horto)
Casa de reza construída de forma colaborativa,
sob a iniciativa da rezadeira Maria das Dores
dos Santos, conhecida por Mãe Dodô.
Capela de São
Gonçalo
(Rua do Horto)
Capela onde grupos de cultura locais
vivenciam a dança de São Gonçalo em
celebração ao santo.
Colina do Horto
(Geossítio Colina
do Horto)
Antiga serra do Catolé, o espaço é composto
pelo museu vivo, estátua do padre Cícero, a
igreja do Bom Jesus do Horto, com destaque
para o caminho sagrado do santo sepulcro, com
pequenas capelas construídas pelos beatos. É
também um geossítio integrante do Geoparque
Araripe.
Em cada
quintal, uma
oficina
Oficina do mestre
Geraldo Freire
(Franciscanos)
Mestre relojoeiro e sineiro, um dos últimos
mestres desse ofício, em todo o estado do
Ceará.
Coluna da Hora
(Bairro Centro)
Edificação construída na década de 1930 para
acomodar o relógio mecânico, com marcação
das horas e fases da lua, construído pelo mestre
Pelúsio Correia de Macedo.
Casa do mestre
Chico
(Bairro Santa
Teresa)
Residência e oficina do mestre Chico da banda
cabaçal Santo Antônio, construtor de
zabumbas artesanais.
Mulheres da Palha
(Rua do Horto)
Sede do grupo das Mulheres da Palha, onde as
integrantes fazem a guarda da matéria-prima
para a produção e se organizam para a
confecção e finalização dos produtos. É
também espaço de reuniões e vivências do
grupo com os visitantes.
Centro de Arte e
Cultura Mestre
Noza (Bairro
Centro)
Espaço que integra oficina, exposição e
comercialização de obras de arte, com
variações estéticas, tipológicas e grande
produção de imagens sacras, remetendo ao
ofício dos antigos imaginários.
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Lira Nordestina
(Bairro Centro)
Espaço de produção e comercialização de
xilogravuras, agregando também o antigo
maquinário que remete à Tipografia São
Francisco, uma das maiores produtoras de
cordel do Brasil, no século XX; possuindo
ainda um dos mais importantes acervos de
clichês (zincogravuras) do país.
Reinado
Popular
Terreiros dos
mestres e mestras
brincantes da
cultura
(Bairros Romeirão,
João Cabral, Frei
Damião,
Franciscanos,
Timbaúba e Pirajá)
Espaços de convivência entre os brincantes da
cultura e as comunidades, através da prática
das brincadeiras, em vários bairros da cidade.
Museu orgânico do
Mestre Nena
(João Cabral)
Casa-museu do mestre Nena, líder do grupo
Bacamarteiros da Paz. O espaço possui
fotografias, vestimentas, objetos e painéis,
com textos abordando a história e a trajetória
do grupo e do mestre, nas expressões da
cultura.
Elaboração: Autores (2023). Fonte: Baseado nos dados coletados na pesquisa de campo (2022).
Conforme Tolentino (2016), é importante e necessário considerar os usos sociais do
tecido urbano e os significados atribuídos pelos sujeitos sociais aos bens culturais. A Figura 3
mostra a espacialidade de abordagem do patrimônio cultural numa proposta de trilhas urbanas
em Juazeiro do Norte a partir de três roteiros, um mais ao norte, vinculado a locais de devoção,
outro centralizado, vinculado aos saberes e ofícios, e um terceiro, ao sul da cidade, vinculado
às formas de expressão.
Em outas perspectivas, a cartografia participativa, considerada como a representação
dos referenciais e territorialidades pelas comunidades locais (Sombra; Rodrigues; Pinho, 2022),
oferece amplas possibilidades para a construção de ações educativas no âmbito da educação
formal e não-formal, pela possibilidade de integrar a comunidade e sua visão de mundo, abrindo
espaço para outras formas de ver o patrimônio e o contexto social que ele ocupa, além de
ampliar as possibilidades de representação do ambiente mapeado.
Importante apontar que as trilhas urbanas aqui propostas se configuram a partir do aporte
metodológico da educação patrimonial, cujas ações são pensadas com as comunidades e não
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para as comunidades, caracterizando as trilhas como processos que se constituem em diálogo
com os grupos envolvidos, onde os roteiros apresentados no mapa oferecem pontos de partidas,
para que as comunidades possam formatar variadas trilhas, considerando os objetivos, as
atividades e os grupos envolvidos.
FIGURA 3 Patrimônio e trilhas urbanas em Juazeiro do Norte
Elaboração: Autores (2023). Fonte: Baseado nos dados coletados na pesquisa de campo (2022).
Ao observar a Figura 3, é possível perceber que o patrimônio cultural cria a sua própria
extensão espacial, estendendo-se por 12 (doze) bairros da cidade, configurando áreas de
ocupação bastante específicas, de acordo com as propostas de roteiros apresentadas. Enquanto,
o roteiro “cada quintal, uma oficina” estende-se numa área mais central, possibilitando melhor
acesso e maior visibilidade, o roteiro “reinado popular” concentra-se sobretudo, em áreas mais
distantes. Essa espacialidade pode também chamar atenção para a ausência de políticas públicas
de cultura, uma vez que quase a totalidade das formas de expressão, como os reisados,
guerreiros, grupos de coco, entre outros, ocupam áreas distantes de periferias, necessitando de
ações articuladas, que possam viabilizar o conhecimento, a valorização e a apropriação dessas
expressões, não por parte de suas comunidades imediatas, mas também, pela população de
outras localidades da cidade.
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Importante ressaltar, que cada proposta educativa, considerando a abordagem, os
objetivos e o público envolvido, irá configurar novas espacialidades e amplas possibilidades de
perceber, apropriar-se e usufruir do patrimônio cultural e histórico-educativo. A Figura 4, em
específico, refere-se à bens culturais da cidade.
FIGURA 4 Bens culturais da cidade de Juazeiro do Norte
Fotos: (a) Augusto Pessoa (2019); (b) Junú (2019); (c) Samuel Macedo (2020). Legenda: (a) Ex-
votos expostos na Casa dos milagres. (b) Mestre Geraldo Freire e o relógio mecânico. (c) Terreiro do
Mestre Antônio do Reisado Discípulos do Mestre Pedro.
No mundo atual, não nada tão revolucionário e contracultural do que a valorização
do endógeno. O patrimônio de um território se opõe à pasteurização do mundo promovida por
um modelo de consumo de falsas identidades (Padoin, 2021, p. 14). A educação pelo
patrimônio é um processo construído coletivamente (Almeida; Ribeiro; Santana, 2021), não
sendo pertinente um enquadramento limitante, por apresentar amplas possibilidades
metodológicas (Saba, 2021), carecendo de estratégias que permitam a análise crítica para a
apropriação do patrimônio local, bem como, contribuir para o exercício de uma cidadania
consciente e para o desenvolvimento regional sustentável.
CONCLUSÕES
Pensar sobre sustentabilidade requer um posicionamento diferente do habitual,
incorporando uma nova mentalidade que possa traçar ações e políticas públicas para esse
desafio global. Conforme Maraña; Roldán (2020), uma visão abrangente do patrimônio natural
e cultural, deixaria evidente as sinergias entre a sustentabilidade ambiental e a resiliência das
comunidades.
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Ao promover apropriação dos aspectos culturais e ambientais, por parte dos sujeitos
sociais, o patrimônio adquire força para tornar-se um ativo social e político. Em adição, Sen
(2000), concebe o desenvolvimento como um processo de expansão das liberdades que as
pessoas dispõem, sendo esta a condição que ampara o sujeito como o principal motor do
desenvolvimento.
Abordar a educação como processo, significa assumir um posicionamento reflexivo que
aporte em uma ação transformadora dos indivíduos e que não se ocupa em reproduzir
informações, numa via única, considerando as pessoas envolvidas no processo como receptoras
de informações. Em contraponto, é necessário criar programas educacionais comprometidos em
abordar a experiência educativa como dispositivo de desenvolvimento e fortalecimento da
cidadania, com investimentos para a diminuição das desigualdades sociais, culturais e
econômicas, em busca de justiça social e equidade.
O trabalho educativo pela via do patrimônio deve se pautar pela construção dialógica de
ações e roteiros educativos, cuja mediação esteja comprometida com as diversidades locais e
suas comunidades.
Dessa forma, constata-se que a educação e suas diversas abordagens conceituais e
metodológicas, oferecem um interessante aporte para a construção de um planejamento eficaz,
que considere as múltiplas necessidades e potencialidades dos diversos grupos sociais, para de
forma interdisciplinar, criar ambientes e situações de discussão, que possam subsidiar uma
visão transformadora para um mundo mais sustentável, que contemple as gerações atuais e
futuras.
Com a discussão proposta, percebe-se a função primordial da educação, na
conscientização das pessoas e na busca por uma mudança global, atuando para a cidadania e
para o desenvolvimento que seja de fato, sustentável. Diante disso, o patrimônio cultural torna-
se um mecanismo de ação que cria processos de atuação para o passado, no presente, com os
olhos postos no futuro, abrindo caminho para a valorização dos diferentes tempos e grupos
sociais. Nesse contexto, a valorização e a preservação do patrimônio cultural, se dá no âmbito
da tomada de consciência, que em Freire (2011) se constitui como uma atitude ativa e crítica
diante do mundo em busca de transformar, conceber e agir em favor da própria realidade.
Por fim, os caminhos para a mudança global são muitos, os alinhados e os controversos,
carecendo de estratégias capazes de promover e incentivar mudanças de comportamento para
que o presente e o futuro sejam mais sustentáveis, considerando a perspectiva do endógeno.
-se então, que o patrimônio cultural é um importante vetor para o desenvolvimento regional
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sustentável, configurando a cultura como uma dimensão essencial para o desenvolvimento
sustentável. Nesse contexto, muitas outras discussões são possíveis e podem ser articuladas e
como nos provoca Revert (2019), pense, construa e conte aos outros.
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Recebido em: 19 de setembro de 2024.
Aceito em: 03 de dezembro de 2024.