prescinde da aprendizagem de um conjunto de regras, convenções e procedimentos” (Costa e
Santos; Souza, 2005, p. 292).
No que tange ao conceito, para Fernandes (2008, p. 51), “a palavra caderno ou quaderno
significava quatro ou cinco folhas de papel cosidas umas com as outras”. Afirma o autor, ainda,
que “essas folhas andavam reunidas numa pasta, em maços diferenciados, formando o que se
chamava ‘badameco’ (vade-mécum). O portfólio teria a ver, provavelmente, com esses maços
de papéis relacionáveis com as diferentes matérias de estudo”.
Gvirtz (1999, p. 30), baseada em dicionários da língua espanhola, diz que:
La palabra "cuaderno" remite en los diccionarios a un conjunto de hojas de
papel, cosidas, pegadas o plegadas unas con otras y que poseen una cobertura
o tapa de cuero, cartón o algún otro material (Moliner, 1982). En el caso de
las lenguas latinas, tanto en francés como en castellano o portugués, la palabra
"cuarderno" tiene un mesmo origen. En la obra de Corominas, este término es
derivado del latin "quaternus", que es a su vez un derivado de "quattor",
palabra latina que significa cuatro. Desde el punto de vista etimológico, la
palavra "cuaderno" se relaciona con el número de cuatro pliegos de hojas que
tradicionalmente conformaban a este objeto (Corominas, 1976). (Gvirtz,
1999, p. 30).
Viñao Frago (2008, p. 19) caracteriza caderno escolar, do ponto de vista de um conceito
estrito, nos seguintes termos: “um conjunto de folhas encadernadas ou costuradas de antemão
em forma de livro que formam uma unidade ou volume e que são utilizados com fins escolares
(esse mesmo caderno pode ser utilizado com outros fins; por exemplo, como caderno de contas
ou diário pessoal)”.
Diferentes autores definem caderno escolar de forma variada. Sintetizando, pode-se
dizer que Hébrard (2001) denomina o caderno de suporte da escrita; Chartier (2002) caracteriza-
o como dispositivo escritural; Mignot, entre outras conceituações, designa-o de objeto-memória
(2008); Viñao Frago entende os cadernos como uma produção infantil, um espaço gráfico e um
produto da cultura escolar (2008); e, para Gvirtz, trata-se de um dispositivo escolar e, portanto,
“el cuaderno es considerado como un conjunto de prácticas discursivas escolares que se
articulan de un determinado modo produciendo un efecto” (Gvirtz, 1999, p. 14).
A última autora supracitada, a argentina Silvina Gvirtz, destaca a relevância do uso do
caderno como fonte privilegiada do registro do ensino e da aprendizagem escolar, embora,
obviamente, haja um limite na (e da) própria fonte. Para ela, contudo, o caderno não é mero
suporte físico, pelo contrário, é um dispositivo que gera efeitos na dinâmica da sala de aula, por
meio da interação entre alunos e professores na realização da tarefa escolar, além de um
instrumento fortemente normatizado e ritualizado, que contempla, em sua estrutura, o ensinado,