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NARRATIVAS CONSTRUÍDAS SOBRE O PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL
E SEU IMPACTO NAS MEMÓRIAS DE VISITANTES: O CASO DO MUSEU
HISTÓRICO NACIONAL, RIO DE JANEIRO
Juliane Barros da Silva
Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, Brasil
juliane.barros@usp.br
Luisa Massarani
Casa de Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz,
Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia, Brasil
luisa.massarani@fiocruz.br
Alice Ribeiro
Casa de Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz,
Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia, Brasil
alice.ribeiro.geo@gmail.com
Juliana Magalhães de Araújo
Casa de Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz,
Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia, Brasil
dearaujojm@gmail.com
RESUMO
Este estudo analisou as lembranças espontâneas de cinco adultos que visitaram o Museu
Histórico Nacional, Rio de Janeiro, oito meses após a visita com suas famílias. A pesquisa
utilizou uma abordagem de análise estrutural e de conteúdo dos enunciados produzidos,
empregando códigos de gatilhos para experiências memoráveis em museus e teorias
decoloniais. As memórias evidenciaram aspectos episódicos (cronologia de eventos passados)
e semânticos (conceitos e conteúdos). Três participantes mantiveram uma postura acrítica,
enquanto dois adotaram uma perspectiva reflexiva. As lembranças destacaram figuras de poder
na história e em segundo plano os povos subalternizados no processo de colonização,
alinhando-se à abordagem do museu, que enfatiza heróis históricos em sua narrativa.
Palavras-chave: Memórias de longo prazo. Decolonialidade. Educação em museus.
NARRATIVAS CONSTRUIDAS SOBRE EL PATRIMONIO HISTÓRICO
CULTURAL Y SU IMPACTO EN LA MEMORIA DE LOS VISITANTES: EL CASO
DEL MUSEO HISTÓRICO NACIONAL, RÍO DE JANEIRO
RESUMEN
Este estudio analizó los recuerdos espontáneos de cinco adultos que visitaron el Museo
Histórico Nacional de Río de Janeiro, ocho meses después de la visita con sus familias. La
investigación utilizó un enfoque de análisis estructural y de contenido para las declaraciones
producidas, empleando códigos de activación para experiencias memorables en museos y
teorías decoloniales. Los recuerdos destacaron aspectos episódicos (cronología de eventos
pasados) y aspectos semánticos (conceptos y contenidos). Tres participantes mantuvieron una
postura acrítica, mientras que dos adoptaron una perspectiva reflexiva. Los recuerdos
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destacaron figuras de poder en la historia y en el fondo los pueblos subordinados en el proceso
de colonización, en línea con el enfoque del museo, que enfatiza los héroes históricos en su
narrativa.
Palabras clave: Recuerdos a largo plazo. Descolonialidad. Educación en los museos.
NARRATIVES CONSTRUCTED ABOUT CULTURAL HISTORICAL HERITAGE
AND THEIR IMPACT ON VISITORS’ MEMORIES: THE CASE OF THE
NATIONAL HISTORICAL MUSEUM, RIO DE JANEIRO
ABSTRACT
This study analyzed the spontaneous memories of five adults who visited the Museu Histórico
Nacional, Rio de Janeiro, eight months after the visit with their families. The research used a
structural and content analysis approach to the statements produced, employing trigger codes
for memorable experiences in museums and decolonial theories. The memories highlighted
episodic aspects (chronology of past events) and semantic aspects (concepts and contents).
Three participants maintained an uncritical stance, while two adopted a reflective perspective.
The memories highlighted figures of power in history and in the background the peoples
subordinated in the colonization process, in line with the museum's approach, which
emphasizes historical heroes in its narrative.
Keywords: Long-term memories. Decoloniality. Museum education.
RÉCITS CONSTRUITS SUR LE PATRIMOINE HISTORIQUE CULTUREL ET
LEUR IMPACT SUR LA MÉMOIRE DES VISITEURS: LE CAS DU MUSÉE
HISTORIQUE NATIONAL DE RIO DE JANEIRO
RÉSUMÉ
Cette étude a analysé les memoire spontanés de cinq adultes qui ont visité le Musée historique
national de Rio de Janeiro, huit mois après la visite avec leurs familles. La recherche a utili
une approche d’analyse structurelle et de contenu des déclarations produites, en utilisant des
codes clencheurs pour des expériences mémorables dans les musées et des théories
décoloniales. Les memoire ont mis en évidence les aspects épisodiques (chronologie des
événements passés) et sémantiques (concepts et contenus). Trois participants ont maintenu une
position non critique, tandis que deux ont adopté une perspective réflexive. Les memoire
mettent en valeur des figures de pouvoir dans l'histoire et en arrière-plan les peuples soumis au
processus de colonisation, conformément à l'approche du musée qui met l'accent sur les héros
historiques dans son récit.
Mots-clés: Memoire à long terme. Décolonialité. Éducation muséale.
INTRODUÇÃO
Os museus de história desempenham um papel fundamental para a construção e a
reconstrução da cultura de uma sociedade. A memória ligada ao patrimônio cultural é formada
pela relação desempenhada entre os sujeitos sociais, objetos e espaços expositivos. Esses locais
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contribuem para a formação da identidade humana à medida em que estabelecem conexões
entre o tempo e a história, tendo sua parcela de participação na formação da memória coletiva
de uma sociedade (Carlan, 2015).
O processo de seleção, coleta, preservação, exibição dos acervos e de suas narrativas
não se desenvolve de maneira neutra e livre de intencionalidades. Para Black (2011), a história
do próprio museu se reflete em suas escolhas expositivas e na definição do que é ou não história.
Esses espaços possuem autoridade relativa para definir objetos representativos de culturas que
devem ser valorizadas, lembradas e transmitidas ao público.
Ainda para o autor, os museus contemporâneos enfrentam uma dualidade de premissas.
Ao mesmo tempo em que mantém a prática de preservação de uma memória histórica
autorizada, vinculada a uma elite social, buscam também se adaptar às novas demandas sociais,
agindo como locais de pluralismo e inclusão, promovendo a escuta de povos historicamente
oprimidos e culturas silenciadas.
Atualmente se reconhece que a inclusão de grupos minoritários na construção das
memórias coletivas presentes nos espaços museológicos é elemento essencial para o sentimento
de pertencimento e identificação dos sujeitos e das comunidades na história humana (Black,
2011). Nesse sentido, as memórias individuais e de grupos tornam-se partes essenciais da
memória coletiva.
Vale ressaltar ainda que, ao adentrar nesses espaços, cada pessoa vivencia a exposição
realizando sua própria seleção do que é significativo para si e para seu grupo. No contato com
o acervo, o envolvimento emocional e intelectual dos visitantes com as coleções dita a
construção de seus próprios significados, estabelecendo associações com conhecimentos
prévios, determinando sua própria compreensão da história e tecendo novas interpretações
(Faria; Pascotto, 2022).
Qualificar os efeitos que as visitas aos museus desempenham sobre seus visitantes e
suas contribuições sociais tem sido o objetivo de diversos estudos de público, que atuam sob
diferentes perspectivas. O estudo de lembranças e memórias de visitantes tem sido uma
importante estratégia utilizada para compreender o impacto de longo prazo da experiência em
museus.
A expressão “impacto de longo prazo” está associada às investigações das memórias de
longo prazo dos sujeitos. Elas são definidas como lembranças que se mantêm estáveis por
muitas horas, dias, anos e até cadas após o evento gerador (Cammarota; Bevilaqua; Izquierdo,
2015).
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Falk e Dierking são pioneiros no estudo da experiência do visitante em museus, tendo
se debruçado sobre o aprendizado e as lembranças decorrentes de visitas a exposições. Os
pesquisadores têm estudado, desde a década de 1980, as dimensões emocionais e sociais da
experiência de visita a museus e como esses fatores influenciam suas lembranças.
Os autores demonstraram que as memórias dos visitantes são importantes arquivos da
construção de significados decorrentes da experiência em museus. Elas persistem por longos
períodos de tempo e são influenciadas pelo tempo gasto no museu, o modo de apresentação, o
meio social e físico e as experiências e conhecimentos prévios do visitante (Falk, 1988; 2013;
Falk; Dierking, 1995; 2016).
Falk (2009; 2022) desenvolveu um modelo preditivo da experiência do visitante com
base em suas motivações e identidade pessoal. Para o autor, o perfil do visitante afeta a forma
como ele desfruta da experiência e a ressignifica ao longo do tempo. Mais recentemente, Falk
(2022) qualifica os benefícios criados pelas experiências museais para o público, como o bem-
estar pessoal, intelectual, social e físico. Para o autor, esses podem ser evidenciados pelas
memórias quase indeléveis que as experiências museais geram.
Hooper-Greenhill (2013; 2020) também se dedica a estudar as lembranças de visitantes
decorrentes de museus, concentrando sua pesquisa na relação entre museus, memória e
identidade e explorando como as lembranças pessoais se entrelaçam com as narrativas exibidas
nos museus. No campo da psicologia, Bitgood (1994; 2016) estuda as características pessoais
dos visitantes e como aspectos das exposições afetam a experiência geral do público e suas
lembranças. Hein (2002) e Black & Hein (2003), por sua vez, aplicam a teoria construtivista à
experiência de visitantes em museus de arte e analisam suas contribuições para as lembranças
e compreensão de exposições.
Stevenson (1991, 1993) e Anderson (2003) descreveram a natureza das memórias em
museus como episódicas e semânticas. A memória episódica se refere à memória consciente de
eventos passados e engloba a precisão de fatos. Já a memória semântica está ligada às palavras,
aos conteúdos e aos conceitos, que permitem introspecção do interlocutor a partir da situação
vivenciada.
Anderson, Storksdieck e Spock (2007) revisaram estudos sobre o impacto de longo
prazo de exposições em museus de 1980 a 2006. Eles destacaram as características e limitações
das técnicas relacionadas, como o fato de que as memórias refletem um retrato temporal de um
processo dinâmico e os autorrelatos representam a realidade atual do visitante e não
necessariamente sua percepção no momento da visita. Também enfatizaram que interesses,
valores, conhecimentos e motivações dos visitantes afetam as memórias.
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Outros pesquisadores têm estudado a relação da lembrança de visitantes com o design
em exposições, tanto aquelas em ambientes físicos como as virtuais, e têm buscado formas mais
eficientes de melhorá-las (Skydsgaard; Møller Andersen; King, 2016; Morse et al., 2023).
Morse e colaboradores (2023) conduziram um estudo em que investigaram os gatilhos ou
estímulos que contribuem para a formação de experiências memoráveis em museu, descrevendo
23 gatilhos, sua distribuição e suas combinações para gerar experiências significativas no
contexto de museus.
Silva e Massarani (2023) realizaram um estudo com visitantes do Museu da Natureza
(Piauí), dois anos após a visita e os resultados demonstraram que a maneira como as
informações estão distribuídas no museu, os recursos presentes e o grau do envolvimento dos
visitantes com eles são capazes de suscitar memórias de natureza episódica ou semântica,
possibilitando a fruição e o interesse pelo patrimônio e ainda reflexões e projeções dos temas
tratados para o contexto do visitante.
Apesar dos avanços, ainda lacunas no conhecimento acerca de como a experiência
em museus contribui na formação de memórias de visitantes. Compreender como as lembranças
de visita a museus são retidas, esquecidas ou transformadas após um período longo de tempo
pode revelar informações valiosas sobre o impacto duradouro das experiências nos museus.
Além disso, entender como as lembranças dos visitantes se alinham ou o com as narrativas
históricas e culturais promovidas pelos museus pode fornecer informações sobre como as
instituições moldam a percepção e a memória coletiva.
Hutchinson, Loveday e Eardley (2020) acreditam que as memórias museais partilham
padrões semelhantes em termos de estrutura. Todas as memórias são construídas a partir de um
pequeno número de elementos básicos, como os conhecimentos adquiridos na visita,
enunciados sobre o contexto/tempo, lugar, interações pessoal/social, acontecimentos durante o
evento, experiências sensoriais-perceptivas, emoções e cognições. As variações, segundo os
autores, se dão em termos de especificidade e conteúdo emocional relacionada à memória
autobiográfica dos indivíduos. Para os autores, o ponto chave para compreender o impacto da
visita a museus está na análise do tipo de conteúdo das recordações e na forma como se
desenvolvem.
Nesse sentido, em uma das linhas de pesquisa, nosso grupo se dedica a estudar as
lembranças de visitantes decorrentes da experiência em museus de diferentes tipologias.
Buscamos compreender a percepção, assimilação e construção de significados por parte dos
visitantes adultos ao longo do tempo, estudando a natureza e o conteúdo dos enunciados
produzidos.
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UMA PROPOSTA PARA A ANÁLISE DAS MEMÓRIAS ESPONTÂNEAS DE
VISITANTES EM MUSEUS
Nosso objetivo neste estudo foi investigar as lembranças e as reconstruções de
significados produzidos por visitantes adultos do Museu Histórico Nacional (MHN), no Rio de
Janeiro, oito meses após a visita. O estudo foi desenvolvido no escopo do Instituto Nacional de
Comunicação Pública da Ciência, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do
Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).
O estudo integra uma pesquisa de natureza mais abrangente, em que investigamos a
experiência de famílias em museus de ciência. Para a inclusão na pesquisa, as famílias deveriam
consistir de até cinco indivíduos, compreendendo, ao menos, um adulto e uma criança com
idade entre 6 e 12 anos, estabelecendo-se uma relação de responsabilidade ou cuidado entre o
adulto e a criança, conforme conceituam Briseño-Garzón e Anderson (2012).
Foram recrutados dez grupos familiares durante sua visita à exposição de longa duração
no Museu Histórico Nacional (MHN), em 16 de abril de 2022. Uma criança de cada grupo foi
designada a portar uma câmera GoPro, com o objetivo de registrar as interações da família
durante um percurso previamente estabelecido no museu, que se estendeu da sala “Jenny
Dreyfus” até a sala “A Construção do Estado Nacional”. A análise desses dados integra o artigo
elencado em Massarani et al. (2023).
Oito meses após o contato inicial, os visitantes foram convidados a participar do
presente estudo, que consistiu em uma entrevista semiestruturada com um adulto de cada grupo
familiar. Seis famílias mostraram interesse em colaborar, havendo uma desistência posterior.
Portanto, este estudo incluiu a participação de cinco adultos, que se apresentaram de forma
espontânea para a realização da entrevista em data pré-estabelecida. Não se alinha com o
propósito desta investigação a extrapolação dos dados para os demais visitantes do museu,
devido ao caráter qualitativo da pesquisa e o número reduzido de participantes. Ainda assim, o
estudo traz informações relevantes para a compreensão do fenômeno de formação de memórias
decorrentes da visita ao museu em questão.
A coleta de dados ocorreu de forma virtual utilizando a plataforma de videoconferência
Jitsi Meet, entre os dias 8 e 20 de dezembro de 2022. A entrevista semiestruturada seguiu um
roteiro adaptado de Silva e Massarani (2023), sendo composta por duas etapas. Na primeira
etapa, descrita no presente artigo, investigamos as memórias espontâneas dos visitantes. Na
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segunda etapa, investigamos a lembrança estimulada dos visitantes e os resultados foram
reunidos em um outro artigo (Silva; Massarani; Araujo; Ribeiro, 2024).
Na etapa da lembrança espontânea, foco do presente artigo, foram realizadas perguntas
de cunho geral, que buscavam trazer à tona as memórias espontâneas de visitantes, a fim de
romper barreiras iniciais e despertar a memória de longo prazo.
As entrevistas foram transcritas com o auxílio do aplicativo de mensagens instantâneas
Telegram, com a ferramenta Transcriber Bot, com ajustes manuais no texto realizados por uma
das pesquisadoras.
Os resultados e a discussão relacionada foram divididos em duas partes. A primeira
parte se dedica a trazer aspectos da estrutura das lembranças apresentadas pelos visitantes. Para
isso, foi utilizado o protocolo de codificação desenvolvido por Morse e colaboradores (2023),
que descreveram 23 gatilhos que levam a experiências memoráveis em museus. Cada gatilho
descrito aceita relatos de valência positiva ou negativa, visto que as experiências museológicas
podem ser memoráveis por motivos positivos/agradáveis ou negativos/desagradáveis. O
protocolo de codificação desenvolvido pelos autores permite a sobreposição de códigos de
gatilho para um mesmo enunciado, visto que as experiências memoráveis em museus costumam
combinar diferentes gatilhos de forma simultânea. As categorias de análise utilizadas
encontram-se no Quadro 1.
QUADRO 1- Categorias de análise para os aspectos da estrutura das lembranças.
Categorias de gatilhos para a formação de memórias - Morse et al. (2023)
Acesso
Estética
Antecipação
Atmosfera
Autenticidade
Conexão
Contribuição
Curadoria
Descoberta
Carinho
Formação
Gratidão
Inspiração
Introspecção
Aprendizagem
Brincar
Propensão
Provocação
Responsabilidade
Espiritualidade
União
Trauma
VIP
Fonte: Adaptado de Morse et al. (2023).
A segunda parte da análise foca em aspectos sobre o conteúdo dos enunciados
produzidos e suas relações com a expografia apresentada pelo museu. Nesse caso, foram
utilizados referenciais teóricos dos estudos decoloniais. A Figura 1 traz o quadro de análise
desenvolvido a partir das lembranças espontâneas dos visitantes.
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FIGURA 1 - Análise dos dados sob a perspectiva da estrutura e do conteúdo das lembranças.
Eixos analisados e referenciais teóricos utilizados.
Fonte: as autoras (2024).
O PERFIL DOS PARTICIPANTES E O HÁBITO DE VISITAR MUSEUS
Participaram da pesquisa quatro visitantes do sexo feminino e um do sexo masculino,
com idade entre 30 e 57 anos. Todos os visitantes residem no município do Rio de Janeiro (RJ),
em bairros diversos. Os dados sobre o perfil dos participantes estão organizados no Quadro 2.
QUADRO 2 - Perfil dos sujeitos participantes da pesquisa.
ID
Idade
Nível de
escolaridade
Ocupação
Bairro de
residência
E1
30
Ensino médio
completo
Técnica de
laboratório
Pavuna
E2
42
Pós-graduação*
Arquiteta e urbanista
Freguesia
E3
40
Pós-graduação*
Analista de sistemas
Rio Comprido
E4
57
Pós-graduação*
Professor de Artes
cênicas
Copacabana
E5
33
Ensino Superior
Completo
Doula
Vila Isabel
*Não foi especificado o tipo de pós-graduação, se lato sensu ou stricto sensu.
Fonte: as autoras (2024).
Buscando caracterizar o hábito de visita a museus, uma das questões direcionadas aos
visitantes foi se eles já conheciam o Museu Histórico Nacional antes da visita de abril de 2022.
Três visitantes disseram que não (E1, E2, E4) e dois afirmaram já conhecer o Museu (E3 e E5).
Nenhum dos visitantes disse ter voltado ao Museu Histórico Nacional após aquela visita,
embora todos demonstrem o desejo de retornar um dia.
Os entrevistados também foram perguntados sobre a visita a outros espaços expositivos
e museais após abril de 2022. A visitante E1, que relatou ter feito sua primeira visita ao museu
na ocasião da pesquisa, foi a única que afirmou não ter visitado outros museus após a visita ao
Museu Histórico Nacional, indicando não possuir esse hábito cultural.
Os demais visitantes (E2, E3, E4 e E5) afirmaram que sim, visitaram outros espaços
museais, todos localizados na região do centro da cidade do Rio de Janeiro. A visitante E2 cita
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o Museu de Arte do Rio como visita posterior. Já os visitantes E3, E4 e E5 indicaram terem ido
ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB - RJ). O visitante E4 também relata uma visita ao
Museu do Amanhã - RJ. Assim, na presente pesquisa tratamos de acepções de visitantes com
alto grau de escolaridade e em sua maioria com experiências, vivências e hábitos culturais de
visita a museus.
O perfil dos visitantes foi analisado segundo o modelo preditivo da experiência do
visitante desenvolvido por Falk (2009). O modelo elaborado abrange cinco diferentes perfis
que constam no Quadro 3.
QUADRO 3 - Perfis de visitantes em museus.
Explorador: Um visitante motivado por curiosidade ou interesse geral.
Facilitador: Um visitante motivado pelo desejo de satisfazer alguém de quem gosta, ou seja, um
pai/mãe/responsável.
Buscador de experiência: Um visitante motivado por lugares ou objetos que são “imperdíveis”.
Profissional/amador: visitante motivado por conteúdo específico do museu ou área de especializão
que possui.
Recarregador: Um visitante que vai ao museu para rejuvenescer/relaxar semelhante a uma
experiência espiritual.
Fonte: Adaptado de Falk (2009).
Partimos do entendimento de que os adultos acompanhados por crianças em museus se
enquadram no perfil de facilitadores, pois buscaram no momento da visita, satisfazer a
curiosidade e interesse de terceiros, envolvendo um aspecto social implícito de educar outras
pessoas do grupo, no caso, as crianças.
O MUSEU HISTÓRICO NACIONAL (RIO DE JANEIRO)
Localizado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), o atualmente chamado Museu Histórico
Nacional (MHN) foi formado em sua origem por três edifícios do período colonial: Fortaleza
de Santiago, Casa do Trem e Arsenal de Guerra. As instâncias dispunham de funções militares
e também escravistas, que perduraram durante o período do Império e início da República
(Brasil, 2023a).
Foi somente a partir da década de 1920 que ocorreram mudanças estruturais e nas
funções da instituição. Em 1922, por meio do Decreto nº 15.596, o Presidente Epitácio Pessoa
criou o Museu Histórico Nacional (MHN) a fim de receber a Exposição Internacional
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Comemorativa do Centenário da Independência, realizada em 1922. A partir disso, o objetivo
do espaço passou a ser narrar e reunir elementos da história nacional (Brasil, 2023b).
Atualmente, o Museu é composto por dois andares visitáveis. No primeiro andar
encontra-se a recepção e três espaços expositivos compostos pelas mostras de longa duração
“Do Móvel ao Automóvel", “Hall dos Arcazes” e um espaço para exposições temporárias. Os
visitantes podem ainda conhecer o Pátio da Minerva, Pátio dos Canhões e a Casa do Trem.
Além disso, há um auditório, uma loja e a reserva técnica.
No andar superior, encontra-se a exposição de longa duração que foi foco de nosso
estudo, que versa sobre a história do Brasil disposta em módulos temático-cronológicos. São
eles as salas Jenny Dreyfus, Oreretama, Portugueses no Brasil, Farmácia Teixeira Novaes, A
Construção do Estado Nacional, A Cidadania em Construção, além de uma galeria
independente presente no segundo andar da Casa do Trem chamada de As Moedas Contam a
História. O Quadro 4 traz um resumo dos módulos da exposição de longa duração do Museu
Histórico Nacional analisadas neste estudo e os principais elementos que a compõem.
QUADRO 4 - Módulos da exposição de longa duração do Museu Histórico Nacional
analisados no estudo.
Módulo expositivo
Narrativa e objetos apresentados
Jenny Dreyfus
A sala é nomeada em homenagem a uma proeminente profissional formada
no antigo Curso de Museus do MHN. Possui teto decorado com pinturas de
Carlos Oswald, encomendadas em 1920 pela Revista do Supremo Tribunal
Federal, que ocupava o espaço na ocasião. A sala abriga exposições
temporárias.
Oreretama
Módulo com três espaços expositivos representando populações primitivas
brasileiras de 12.000 anos atrás. Seu nome em tupi-guarani significa "nossa
terra, nossa morada". A primeira sala simula cavernas da Serra da Capivara-
PI e pinturas rupestres. A segunda sala mostra ferramentas líticas, linha do
tempo da ocupação humana no Brasil e crânio de Luzia. A terceira sala
exibe elementos da cultura de grupos indígenas, incluindo objetos para
transporte, guerra, rituais e da vida cotidiana.
Portugueses no
Mundo/Brasil
O módulo aborda a história colonial no Brasil, enfocando na expansão
mercantilista, escravização africana, e expansão do catolicismo. Inclui
quatro salas, sendo a primeira voltada para as navegações e escravização.
A segunda aborda as guerras internas e internacionais e a economia
colonial. A terceira trata da expansão do cristianismo e período barroco. A
quarta sala aborda aspectos das trocas culturais e hierarquia racial
predominante no período colonial.
Farmácia Teixeira
Novaes
Compreende uma "pausa" na narrativa histórica. Trata-se da recriação da
farmácia Gonçalves Dias, ativa de 1847 a 1983 no Rio de Janeiro. Exibe
mobiliário em madeira, frascos e instrumentos de preparação medicinal.
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A Construção do
Estado Nacional
Aborda a construção do Estado Nacional Brasileiro desde 1822, destacando
ações política, militares e o papel dos monarcas. Inclui o Estado Imperial e
suas contradições, crises internas e a Proclamação da República. Exibe
bandeira imperial, estátuas, objetos de D. Pedro I e D. Pedro II, trono real,
quadros e armamentos.
Fonte: adaptado de Brasil (2023b).
A ESTRUTURA DAS LEMBRANÇAS DOS VISITANTES
Considerando nosso objetivo de captar as memórias espontâneas dos visitantes sobre a
experiência no Museu Histórico Nacional, perguntamos aos visitantes sobre as lembranças mais
marcantes daquele espaço. A categoria predominante que emergiu nas memórias dos
entrevistados foi a de objetos presentes na exposição. Todos os cinco visitantes mencionaram
algum objeto que mais os marcou. São citadas as coleções de moedas (duas pessoas), espadas
(duas), carruagens (duas), pinturas (uma), maquetes de engenho (uma), instrumentos de tortura
e aprisionamento de pessoas escravizadas (uma) e televisões antigas (uma). Os visitantes
citaram também aspectos da narrativa do museu dos quais recordaram, como a história do
Brasil, o processo de colonização, o Brasil República e alguns fatos relativos à história da
escravização de povos africanos no Brasil.
Relacionando nossos resultados à proposta de análise formulada por Morse et al. (2023),
que investigaram os gatilhos que contribuem para a formação de experiências memoráveis em
museu, podemos perceber que entre as 23 categorias de gatilhos caracterizadas pelos autores,
sete foram identificadas nos enunciados dos participantes (Quadro 5).
Vale ressaltar que no modelo formulado cada gatilho pode apresentar valências
positivas ou negativas e que as experiências em museus tendem a combinar diversos gatilhos
de forma simultânea, que se retroalimentam e se reforçam para desencadear experiências
memoráveis em museus (Morse et al., 2023).
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QUADRO 5 - Gatilhos de memórias identificados nos enunciados produzidos pelos visitantes do Museu Histórico Nacional, segundo a grade
proposta por Morse et al. (2023).
Enunciado produzido pelos visitantes
Gatilhos de memórias e
valências
Ai, eu lembro muito da coleção de moedas antigas, né!? Que tem [no museu]. Eu li que... acho que é a maior que tem, não sei
se é no Brasil. Ah... em número, né!? De moeda nesse museu e o que me vem é a história do descobrimento, né!? Que logo
de início foi muito forte, né!? O início da colonização, né!? Dos portugueses. Ah... os itens que eles têm, né!? Me vem muito
essa história do descobrimento e logo o processo da república, né!? Do Brasil. (...) eles têm uma coleção de objetos antigos,
né? Dos anos noventa, anos oitenta, como eram feitos, né? Elaborados. Eu achei bem interessante. TVs antigas… (Visitante
E1).
Estética +
Autenticidade +
A gente gostou muito do fato de... De ter um... Um histórico mostrando a história do Brasil, né!? Da parte de Dom Pedro, as
referências que tem lá, as pinturas, a dimensão, né!? Das pinturas, das telas, eram grandiosas! Então isso ficou bem marcado
na nossa cabeça (Visitante E2).
Estética +
Autenticidade +
Da exposição, tem alguns momentos da exposição que são bem bacanas [trecho inaudível], tipo Ziraldo e é... Do prédio, eu
acho o prédio belíssimo! E a parte da evolução das carruagens e essas coisas (Visitante 5).
Estética +
Autenticidade +
Verem coisas mais antigas, admirar assim alguma coisa que não é comum no dia de hoje, né!? E talvez identificar alguns
personagens do Ziraldo, né!? Porque foram duas partes da... Da visita, né!? A parte histórica mesmo que é a... A recorrente,
né!? A exposição recorrente e uma parte de miniaturas também que eu acho que foi uma reprodução de uma de uma maquete,
né? Do... Do interior do Nordeste, também tem uma parte assim, né!? É interessante eles (as crianças) verem as coisinhas em
miniatura, tem uma parte que funciona, né!? Isso tem um movimentozinho ali. Isso também foi interessante. (...) Olha a parte
que não é no pedaço principal, mas assim afastado tem as charretes, né!? As carruagens. É interessante, né!? Porque tem umas
pinturas, tem uns detalhes, né!? Não é simplesmente uma... Uma coisa lisa, ele tem um detalhamento naquele trabalho assim,
nas carruagens. Não era só transportar as pessoas assim, também tinha um trabalho da decoração deles né!? Isso aí eu sempre
acho interessante, legal (Visitante E3).
União +
Estética +
Autenticidade +
Curadoria +
Aquela última visita foi assim a parte mesmo do Ziraldo. Porque a outra a gente já conhecia, né!? Mas teve a questão dos
meninos conhecerem. Ah, me veio muito assim… A gente estando ali, aquelas questões do povo escravizado, do... é... isso
pra ser sincero foi o que mais me impactou com relação... Pensando até nessa minha relação com o museu, ela parte desse
princípio assim, da empatia, né!? Pensando aqui agora junto contigo. A minha relação com o Museu parte dessa coisa da
empatia, e aí, ver aqueles instrumentos... Aqueles... Instrumentos, né!? De aprisionamento, de tortura [trecho inaudível] (...)
Da questão do povo escravizado, né!? Do povo escravizado, né!? É... também de moedas, de espadas é... tem símbolos, né!?
Mas isso tudo pertencente a uma outra... a uma outra [inaudível] de energia, de vida né!? É... menos com certeza, né!? Total,
né!? Menos e sofrida, é... menos é... menos sofrida mesmo (Visitante 4).
União +
Trauma -
Introspecção +
Provocação -
Conexão +
Responsabilidade +
Fonte: as autoras (2024).
ISSN 2447-746X
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As categorias mais frequentes foram a estética, relacionada às impressões da aparência,
detalhes e/ou artesanato de um objeto ou ambiente; e a categoria de autenticidade, que se refere
à apreciação da autenticidade (ou inautenticidade) de um objeto ou ambiente com base em
fatores como tangibilidade, tradição, valor histórico ou qualidade artesanal (Morse et al., 2023).
As categorias de estética e autenticidade foram apresentadas de forma concomitante nos
enunciados dos visitantes E1, E2, E3 e E5, o que corrobora com os dados apresentados por
Morse e colaboradores (2023), de que determinadas categorias costumam aparecer nos
enunciados em conjunto. A valência apresentada para essas categorias foi sempre positiva.
Outros gatilhos identificados no enunciado da visitante E3 foram a união e a curadoria,
também apresentando valência positiva para ambas as categorias. A união diz respeito a
experiências sociais com amigos, familiares ou outras pessoas. Já a curadoria está relacionada
a experiências relativas ao design de exposições ou outros elementos curatoriais do museu
(Morse et al., 2023).
No enunciado produzido pelo visitante E4 foram observados os gatilhos de trauma,
introspecção, provocação e conexão. O trauma é definido como experiências dolorosas ou
traumáticas relacionadas a sentimento de culpa, vergonha, constrangimento ou repulsa, ou uma
sensação de resolução de trauma e/ou catarse. A provocação está ligada a assuntos
polarizadores, subversivos ou enervantes que instigam um senso de ironia, sátira ou
contradição. Para essas duas categorias a valência apresentada foi negativa.
No entanto, podemos perceber a partir da fala do visitante que a lembrança do museu e
de sua narrativa também despertaram sua empatia para a dor do outro, o que demonstra uma
valência positiva ligada à categoria de conexão. A conexão está ligada à compaixão com as
pessoas ao longo da história e/ou da condição humana.
Outras categorias observadas no enunciado do visitante E4 foram a responsabilidade,
que está ligada a conflitos morais, ou reflexões sobre prática moral/ética ou comportamento
correto; e a introspecção, que se refere a experiências introspectivas, auto-reflexivas, filosóficas
ou contemplativas (Morse et al., 2023). Para essas categorias a valência apresentada foi sempre
positiva.
Observando outro trecho do enunciado produzido pelo visitante, a categoria de conexão
pode ser melhor evidenciada pelas reflexões e o estabelecimento de relações entre o passado
histórico e a sociedade contemporânea.
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E assim, não tem como o traçar um paralelo com o que a gente vive hoje,
né!? Entendeu!? É... transpondo pra contemporaneidade, pra o que existe
hoje no Brasil. É… mudou de uma de alguma maneira, mas numa percepção
mais aguçada ou numa percepção mais ampla, a gente diria que mudou, mas
continua a mesma, né!? [risos]. Nas relações sociais, nas relações culturais,
é... Porque a gente tem é... se a gente olhar né!? Os quadros de Debret, a
gente encontra os quadros de Debret hoje na rua, né!? Se você pega pra
fotografar, né!? A população ali no centro da cidade, em alguns lugares ali que
tem específicos, por exemplo na Lapa, né!? Você vai ver majoritariamente o
povo escravizado daquela época, né!? É... os instrumentos de tortura é... talvez
hoje... Hoje não são aqueles, mas eles foram substituídos pelo capitão do mato
que é a polícia militar, né!? A gente vai fazendo associações e... dentro da
minha compreensão, do meu devaneio, né!? Obviamente. Mas eu não
consigo... Isso pra mim é muito claro, né!? Que de alguma maneira a gente
avançou obviamente, eu acho que assim é inegável, né!? É... mas a questão
social ela persiste, né!? A desigualdade do trabalho escravo que foi
substituído, entre aspas, né!? Por uma jornada de trabalho massacrante em que
as pessoas, é... A tua tortura é não ver a tua família, é você ficar preso no caixa
de supermercado sete dias na semana, tendo uma folga onde você a sua
vida se esvaindo, né!? Ou nem tem essa percepção na verdade, né!? Porque
você às vezes não tem a percepção daquela realidade em si, né!? É... então
assim eu tendo a ver sempre essas coisas sob um olhar é... Filosófico é...
Antropológico... Então assim é bacana, eu vejo muita coisa ali interessante,
né!? Naquela exposição, né!? Nesses objetos. É... mas eu não consigo
diferenciá-los do que foi aquela realidade e do que aquela realidade se
transformou hoje, né!? É... que ponto aquela realidade avançou em termos de
direitos, em termos de melhoria e compreensão do ser humano como sendo
igual. Enfim, é um pouco esse meu... O meu viés de entendimento de
raciocínio em cima dali daquela exposição, né!? (Visitante E4).
O enunciado produzido pelo visitante E4, além de trazer aspectos da introspecção,
responsabilidade, provocação e conexão, indica que foram feitas projeções do visitante para o
seu próprio cotidiano.
O conjunto de dados obtidos evidenciou que a experiência no Museu Histórico Nacional
foi capaz de gerar nos visitantes memórias de natureza episódica, ligada à cronologia de eventos
passados, e semântica, ligada a conceitos e conteúdos apresentados. Ambas puderam ser
aferidas na etapa de lembrança espontânea.
Sobre o perfil dos participantes e a produção de sentidos produzidos ao longo do tempo,
podemos trazer para a discussão os perfis de visitantes de museus descritos por Falk (2009;
2022). Em nosso estudo, assumimos que todos os visitantes se enquadravam nesse perfil, visto
que se tratou de uma visita realizada em grupo familiar, com crianças de idade entre 6 e 12
anos.
Morse e colaboradores (2023) analisaram as memórias de longo prazo de grupos de
visitantes, relacionando-as a diversos parâmetros, dentre eles o perfil do participante no
momento da visita, de acordo com o estabelecido por Falk (2009; 2022). Os resultados de
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Morse e colaboradores (2023) inferem que os visitantes com o perfil de facilitadores tendem a
acessar pouco os aspectos ligados à introspecção (experiências introspectivas positivas ou
negativas, auto-reflexivas, filosóficas ou contemplativas), responsabilidade (conflitos morais
ou reflexões sobre prática moral/ética ou comportamento correto), espiritualidade (experiências
ou crises religiosas, espirituais ou metafísicas) e VIP (acesso especial, experiência
personalizada e/ou status de celebridade, ou sensação de indesejável e/ou desvalorização).
Além disso, aspectos relacionados a aprendizado e descobertas para si mesmos são pouco
frequentes, visto que realizam a experiência voltados a satisfazer os outros componentes do
grupo.
No entanto, como pode ser observado nos resultados acima demonstrados, mesmo com
um número reduzido de sujeitos de pesquisa, neste caso cinco participantes com perfil de
facilitadores, segundo os critérios de Falk (2009; 2022), pelo menos um dos participantes
expressou gatilhos de memórias relacionados a aspectos introspectivos, reflexivos e ligados a
moral e responsabilidade. Nossa hipótese é de que o visitante conseguiu estabelecer uma forte
conexão com a expografia e com o tema tratado, o que gerou gatilhos diferentes dos mais usuais
para o seu perfil de visita, segundo Morse e colaboradores (2023), permitindo ao visitante tecer
reflexões e assumir uma postura diferenciada dos demais participantes.
O CONTEÚDO DAS LEMBRANÇAS DOS VISITANTES
Os visitantes foram perguntados sobre a ideia central transmitida pela exposição. Todos
os visitantes souberam descrever de forma adequada as características da narrativa apresentada
pelo museu. Foram citados como elementos centrais a história do Brasil, o reinado de Dom
Pedro I, o período colonial, o Império e elementos de culturas indígenas. O Quadro 6 traz uma
relação dos enunciados produzidos pelos visitantes sobre a ideia central da exposição de longa
duração do Museu Histórico Nacional.
QUADRO 6 - Narrativa apresentada pela exposição de longa duração do Museu Histórico
Nacional na percepção dos visitantes.
Então, no dia que eu fui, estava... Estava tendo também uma exposição do Ziraldo, né!? Mas eu acho
que a ideia central dali é a história mesmo do Brasil, né!? Do início de tudo, do descobrimento até os
dias atuais (Visitante E1).
Ah, do tempo histórico, né!? Da... Da parte histórica, que ela foi... Ela é bem retratada na... na... Nas
épocas ali do... Do… Dom Pedro I, da colonização, dos índios. Então isso fica bem retratado com as
partes... Com as peças, demonstrado nas telas. Então isso fica bem, bem claro pra gente. O contar
história, né!? A... A linha do tempo né!? Fica bem retratado (Visitante E2).
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A exposição permanente, ela é... Tem itens de época, do Império, né? Acho que... Mas só que não só
isso, tem coisas assim indígenas, mas eu acho que o principal, mais forte, é... são itens da época do
Império (Visitante E3).
É, eu acho que assim, é... O principal é que assim, é... Houve um... A gente como sociedade, é...
Obviamente a gente avançou, né!? É... em certo sentido, é... A humanidade aí aumentando, né!? É...
essa... Nesse grau, né!? A gente, a humanidade, né!? A gente avançou, mas é... É impressionante
porque o homem continua sendo homem, né!? E embora mudem as épocas é... As relações são... Se
modifiquem um pouco, ah... Em essência, em essência é muito difícil a mudança, né!? É isso que fica
muito assim... Nessa narrativa da exposição é... fazendo essa... Essa analogia com, né!? A partir da
minha percepção é... Eu acho que é um pouco isso sabe? Porque assim, a dificuldade e o desafio que
é mudar uma sociedade, mas eu, é... Mas ao mesmo tempo, é... Essa narrativa também me uma
consciência e a certeza de que é através da, é... Da consciência da história, né!? Entendimento da
história e de todos os seus é... De todos as suas forças, né!? É... é... Da história, não aquela história
que está lá, é... cristalizada, né!? Mas uma história que é viva. Né!? Sim. É... através desse
conhecimento que a gente tem a oportunidade de promover é... essas mudanças, sabe? É... então assim
pra mim isso é claro que essa narrativa, é... Serviu, sabe!? Pra me dizer assim, poxa, eu gostaria que
o Rio de Janeiro… ou pelo menos assim, eu sou professor, né!? Na rede municipal. Eu gostaria de
que todos os meus alunos passassem por aqui. E que depois daqui, ou que aqui mesmo, o professor
de história contextualizasse e dissesse pra eles onde eles estavam, onde eles estariam nesses objetos
ou nesses... E a partir disso criar uma nova perspectiva, entendeu!? Pra que eles participassem de uma
nova perspectiva pra eles. Eu acho que é por aí (Visitante E4).
Era sobre a obra do Ziraldo, né!? (...) a gente só passou aqui no prédio que tinha alguma coisa nova
pra além da... Da... Do... Da, né!? Da vida cotidiana básica do... Da família imperial... eu não lembro
(Visitante E5).
Fonte: as autoras (2024).
Ao longo da entrevista, a maior parte dos visitantes citou como memoráveis as
lembranças sobre objetos e narrativas que destacaram elementos históricos símbolos de poder,
como as coleções de moedas e insígnias da monarquia e do período do Império, espadas,
charretes, a narrativa do “descobrimento” do Brasil e figuras de poder, como Dom Pedro I e II
e a “família Imperial”. Os povos indígenas aparecem de forma tímida nos enunciados e a
temática da escravização é mencionada por dois visitantes ao longo da entrevista, indicando
que na lembrança espontânea dos visitantes os elementos de destaque foram as figuras de poder
da história e em segundo plano foram mencionados os povos subalternizados e subjugados no
processo da colonização.
Esse resultado não se ao acaso, mas é fruto de um projeto nacionalista de produção
de memórias e sacralização do passado, que segundo Oriá (2014) fomenta o culto cívico e
coloca em evidência figuras históricas, elevando determinados nomes à condição de heróis da
nação. Exemplo disso são as construções de panteões distribuídos pela cidade, monumentos
dedicados à consagração de certos personagens memoráveis, dignos de registro à posteridade,
em detrimento de outros esquecíveis.
Para Oriá (2014), setores do governo e da sociedade civil que ao longo do tempo
histórico vem legitimando esse projeto nacionalista, e para esses, a eleição de heróis da nação
confere um sentimento de pertencimento e identidade. Funcionam como instrumento de
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afirmação da cidadania e de valorização de uma identidade nacional forjada, que contribui para
exclusão de populações não contempladas neste plano de sociedade.
Como um museu de origem militar, o Museu Histórico Nacional por muitas décadas
teve seu acervo atreladas à história militar, exibindo coleções de moedas e insígnias militares
como símbolo do poder da Monarquia e do Império. Os esforços de remodelação das narrativas
e do acervo vem sendo feitos desde a década de 1980, em momentos políticos favoráveis, mas,
segundo Magalhães (2022), as iniciativas pontuais para ampliar a abordagem da experiência
afrodiaspórica não resultaram, até o momento de sua análise, em maior visibilidade da história
das populações negras e indígenas, o que se reflete nas lembranças e reflexões produzidas pelos
visitantes na presente pesquisa.
Cunha (2017) ressalta que o ato de selecionar e preservar algo, em detrimento de outro,
é precedido de uma ação subjetiva e fruto de escolhas. O autor ressalta que ao longo da história
as memórias afro-brasileiras foram manipuladas e propositalmente esquecidas, dando lugar a
uma narrativa eurocêntrica e de embranquecimento, que produziu imagens simplórias e
reducionistas da cultura africana, colocando a população negra em um lugar de subserviência e
pouco contributiva para o desenvolvimento social.
Zarbato (2021) destaca que as histórias ocultadas e invisibilidades também falam dentro
do museu. As presenças são sentidas, assim como as ausências. Nesse sentido, Oliveira (2013)
aponta para a necessidade de problematização dos parâmetros de construção da história
nacional e reflexão sobre memórias e representações, pelas quais os sujeitos se reconhecem e
com os quais aprenderam a se identificar.
Ainda tecendo constatações sobre os dados produzidos no presente estudo, o visitante
E4 comenta sobre a triste fase da escravização de povos africanos na história brasileira em
alguns momentos da entrevista, inclusive traçando paralelos entre o passado e o presente. Já a
visitante E1 comenta sobre a escravização dos povos africanos e sobre o racismo decorrente em
outro momento da entrevista, quando perguntada sobre a relevância do museu.
Esse conjunto de enunciados demonstrou que para uma parcela dos participantes, os
eventos relacionados à escravização dos povos africanos, principalmente, se mostraram de
grande impacto, enquanto que outra parcela dos visitantes não revelou, neste momento de
lembrança espontânea, enunciados relacionados.
Para Oliveira (2013), nos espaços museais mesclam-se atitudes do público que vão
desde a contemplação de objetos e imagens, que seriam por si capazes de reproduzir um
passado histórico e seu contexto, até atitudes críticas indignadas sobre o acervo. A justificativa
se pelo fato de que nem todos os segmentos e classes julgam-se ali contemplados, o que
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aviva as discrepâncias entre experiências, expectativas nutridas sobre os museus, e
representações lá projetadas” (Oliveira, 2013, p. 105).
Pereira e Silva (2022) tem uma compreensão similar deste fenômeno quando se trata
dos discursos museológicos. Para alguns grupos e instituições, a escravização de povos é
retratada apenas como um fato histórico. Para outros, no entanto, são tratados como crimes
contra a humanidade e compreendidos como períodos traumáticos que resultaram nas relações
de preconceito e racismo presentes na sociedade contemporânea.
Nesse sentido, é necessária a revisão da história sacralizada a partir do conceito de
“dever de memória” descrito por Ricoeur (2007). Para o autor, a memória social envolve
escolhas hegemônicas que refletem seu contexto histórico e social e que possuem implicações
na construção de identidades e seus significados sociais. O dever de memória está relacionado
a revisão ética de memórias historicamente construídas, que carregam em si traumas e injustiças
(Ricoeur, 2007).
Para Roza (2014), o dever de memória se refere a um conjunto de ações reparatórias e
de reconhecimento do Estado e da sociedade a fim de garantir a grupos vitimados por
acontecimentos e processos opressivos e traumáticos ocorridos em algum momento, na
sociedade ou país, que suas memórias e histórias particulares não sejam esquecidas, mas que
sejam constitutivas das histórias nacionais.
A partir da implementação das noções de dever de memória (ainda que de forma
heterogênea nas diversas esferas sociais, como no campo cultural), Roza (2014) explica que
duas linhas de ações foram colocadas em prática. A primeira delas foi a adoção de estratégias
de lutas políticas no campo simbólico, a partir da conscientização da sociedade sobre os
processos de opressão ocorridos na história; e a segunda envolve o campo prático, com adoção
de ações reparatórias nos campos político, histórico, jurídico, financeiro, educacional e cultural.
Voltando aos dados coletados no estudo, o visitante E4 também teceu ponderações a
respeito do que se mantém na sociedade ao longo do tempo histórico, a dificuldade e os desafios
de promover mudanças sociais e também o quanto o Museu pode colaborar com essas mudanças
a partir da formação de uma sociedade mais informada. Para ele, embora o Museu seja
composto de peças e objetos, a história ali representada não é algo “cristalizado”, e sim vivo e
dinâmico. Como professor, o visitante discorre sobre a importância de apresentar esse acervo
para os estudantes, porém acredita que essa apresentação deve vir acompanhada de uma
problematização e de uma visão crítica do acervo.
Para Black (2011), museus que abordam contextos dolorosos do passado, como a
escravização de povos e subalternização de culturas afro diaspóricas, estão incumbidos de
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enfrentar essas questões em sua narrativa por meio de uma linguagem crítica, trazendo
concepções dos direitos humanos. As violações dos direitos devem ser comunicadas e trazidas
para o debate a fim de conscientizar e impedir que novas violações voltem a acontecer.
Para Kilomba (2019), práticas de representação dos horrores da escravização sem que
se trate das dimensões éticas que lhe competem, como a promoção de práticas educativas
antirracistas, podem acabar apenas por reencenar o passado traumático, perpetuando
representações que causam sofrimento e constrangimento, no entanto, sem gerar empatia e
contribuição para a promoção de igualdade e dignidade dos povos.
Ampliando ainda mais a discussão, Roza (2014) problematiza as limitações de
narrativas atreladas aos povos africanos em espaços culturais. Para a autora, muitos museus
tendem a retratar a história afro-brasileira de forma limitada, encapsulada e estereotipada,
envolvida apenas com o contexto da escravização. A cultura, a religião e as mais diversas
nuances que fazem parte da constituição da história das populações afro-brasileiras e a sua
participação para a constituição da sociedade contemporânea ainda é pouco situada nos espaços
culturais.
Para Cunha (2017), é parte da responsabilidade dos museus a ação de preservação
voltada para a pluralidade de identidades e que sensibilize seus públicos para novos olhares
com relação à memória e ao patrimônio, valorizando a participação africana para a cultura do
país, demonstrando sua força e resistência.
Zarbato (2021) reforça a necessidade de ampliação do olhar sobre os objetos, acervos e
coleções a partir de diferentes leituras de mundo dos sujeitos que adentram os espaços museais,
possibilitando a fruição e os sentimentos de pertencimento em relação ao patrimônio. Para
Oliveira (2013, p. 117),
Trata-se de refletir sobre a complexidade de um ambiente que, ao mesmo
tempo, mediatiza e confere tangibilidade ao universo contraditório e
multifacetado de representações por meio das quais os sujeitos históricos
constroem sua vida no presente, estabelecem relações com o tempo, projetam
interpretações sobre seu próprio percurso, sobre a trajetória da sociedade à
qual pertencem e sobre os elementos materiais e simbólicos que a compõem,
constituindo o que se convencionou denominar patrimônio cultural
coletivamente compartilhado. (Oliveira, 2013, p. 117).
RELEVÂNCIA E VALORAÇÃO DO MUSEU
Por fim, os visitantes também foram perguntados sobre como avaliavam sua experiência
no Museu Histórico Nacional. Todos os entrevistados consideraram a experiência positiva,
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afirmando que recomendam a visita para conhecidos e que sentem o desejo de voltar para olhar
mais tranquilamente algum detalhe específico ou conhecer alguma exposição temporária
diferente.
Para E2, a relevância do MHN para a sociedade decorre do engrandecimento
proporcionado pelo conteúdo que a exposição de longa duração apresenta, afirmando ter ficado
encantada e satisfeita com a visita. Já a visitante E3 acredita que o espaço permite a constatação
real de objetos da história, permitindo aquisição de conhecimentos para além do encontrado
nos livros de história, permitindo ver, ler e olhar com um ângulo diferente”. Além disso, ainda
segundo a visitante E3, apesar da exposição ser permanente” (de longa duração), sempre
detalhes a serem vistos, descobertos e redescobertos pelos visitantes, além de que muitas
pessoas, adultas e crianças, que ainda não conhecem o espaço, podem conhecer uma parte da
história por meio da exposição.
A visitante E5 acredita também na relevância do Museu Histórico Nacional para a
sociedade. Ela acrescenta à sua fala que o prédio chama muita atenção e sugere que o espaço
traga mais informações sobre a sua própria edificação, pois foi algo que instigou a imaginação
de crianças do grupo.
A visitante E1 acredita que a importância do MHN está relacionada à preservação da
história e à lembrança para a sociedade dos erros do passado, a fim de superá-los. A visitante
relembra ainda o incêndio ocorrido no Museu Nacional, localizado no Parque da Quinta da Boa
Vista (Rio de Janeiro/RJ), em 2 de setembro de 2018, e a grande perda para o patrimônio que
este episódio representou.
É, eu acho que ao menos uma vez na vida a gente tem que visitar, né!? O
Museu. Igual o... Aquele Museu da Quinta da Boa Vista, né!? Minha filha
chegou a ir, mas quando nós íamos [juntas], pegou fogo, né!? Foram perdidas
muitas partes, né!? Da história. E foi uma perda inestimável, né!? Pra coleção
que tem aqui no Brasil, né!? Então com isso você apaga um pouco da história,
né!? Só restam as fotos, né!? Que o arquivista lá guardou em outro local, né!?
Mas é uma perda bem triste. Já tem parte da história que não são muito legais,
né!? Como a escravidão, né!? A forma que os negros eram tratados, hoje em
dia não... Mudou, porém o preconceito ainda existe, né!? Mas só... Enfim,
acho que é isso. Sempre é importante relembrar os erros, né!? Pra a gente
também não cometer. E o Museu também, serve pra isso, né!? Pra mostrar os
erros do passado. Por mais que as pessoas continuem errando, mesmo tendo
né!? A... a... A verdade ali na frente, documentada, né!? E falam que não teve
certas coisas, né!? É importante documentar tudo certinho pra mudar a história
[trecho inaudível]. (Visitante E1).
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Nesse sentido, Roza (2014) esclarece que em sua essência, os museus de história
carregam o imperativo da ação do lembrar, do não esquecimento público como andoto para
questões do tempo presente e prospecção problematizadora para o futuro.
O visitante E4 acredita que a relevância deste museu se deve às possibilidades
educativas da experiência, tanto para moradores da cidade, quanto para visitantes turistas. O
foco de seu enunciado, no entanto, se na importância do Museu para a educação de
estudantes, refletindo sobre a importância de uma política de visitação sistemática do público
escolar ao espaço, pensando em uma formação crítica para a futura geração de cidadãos.
Então, eu não tenho dúvida, é... Quanto à relevância que o Museu Histórico
Nacional tem pra sociedade, né!? É... eu acho que a sociedade deveria, né!?
É... Através de todo o seu corpo, é... Político, educacional, né!? Até, é...
estar mais presente aí no Museu Histórico, né!? Porque a vivência que a gente
tem, é... visitando o Museu, ela pode ser, é... Bastante agregadora,
transformadora, é... Acho, tenho certeza, né!? Que ele tem um papel
fundamental, é... Junto à educação do... Não só, né!? Do... Do povo carioca,
né!? Das... Das pessoas que vivem no Rio de Janeiro, mas de todas as pessoas
inclusive do nosso país, né!? Que tiverem acesso, que puderem, é... Ter acesso
a esse… a tudo, todo o acervo que está lá. Eu acho de extrema importância,
relevância. Eu saí engrandecido de lá. Eu não tenho dúvida alguma. É... fico
realmente pensando, assim, nos meus alunos, é... Se tivesse uma sistemática,
né!? Se os seiscentos e cinquenta mil alunos que a rede municipal de educação
tem tivessem a oportunidade de passar com seus professores de história, é...
Por esse Museu, é... Eu não tenho dúvida que isso seria de grande, grande
contribuição e valia pra todos esses cidadãos, futuros, né!? cidadãos, mas,
né!? É... futuros, é... Profissionais, a futura sociedade, né!? É... enfim né!?
Acho de extrema importância e relevância sim, tá!? (Visitante E4).
Os dados nos conferem pistas sobre os benefícios de longo prazo da visita, utilizando
as definições de bem-estar descritas por Falk (2022). Segundo os visitantes, a importância deste
museu está principalmente relacionada à aquisição de conhecimentos, ou seja, às possibilidades
educativas e de (re)descobertas da história proporcionadas pelo acervo.
Uma das participantes da pesquisa cita ainda a relevância da preservação dos objetos
históricos desempenhada pelo espaço e a conscientização do público quanto aos erros do
passado, para que não se repitam. Embora estejam majoritariamente relacionados ao bem-estar
intelectual, conceituada por Falk (2022) como a compreensão e entendimento da realidade
apresentada, podemos identificar outros aspectos de bem-estar nos enunciados produzidos pelos
visitantes ao longo da entrevista. O bem-estar pessoal (Falk, 2022), por exemplo, foi
identificado na conexão de elementos da exposição com a identidade pessoal do visitante. O
bem-estar social também foi um ganho, pois a experiência evidenciou o sentimento de
pertencimento a família ou grupo, conferindo um grau de status e respeito perante o grupo.
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Para além dos benefícios pessoais, segundo Roza (2014) os benefícios de museus de
história permeiam o progresso da sociedade a partir da compreensão da historicidade, da
compreensão das posições dos sujeitos no passado e de suas ações no campo material e
simbólico. Essas noções, em tese, possibilitam mudança de atitudes e o caminhar da sociedade
para perspectivas antirracistas e de integração social.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No presente artigo tivemos como objetivo investigar as lembranças e recordações de
cinco visitantes adultos a respeito de sua visita em família ao Museu Histórico Nacional (Rio
de Janeiro/Brasil), oito meses após a experiência, buscando captar as reconstruções de
significados por eles produzidas.
A análise da estrutura das lembranças produzidas pelos visitantes trouxe evidências de
que a visita ao Museu Histórico Nacional foi capaz de gerar memórias de natureza episódica e
semântica nos visitantes. Foram despertadas recordações sobre elementos do acervo e sobre a
experiência em grupo no espaço, e, além disso, a recordação da visita foi capaz de gerar
reflexões e projeções que associaram a narrativa da exposição à vida cotidiana dos participantes.
Os resultados evidenciaram que, embora tenhamos assumido que os participantes
desempenharam um papel de facilitadores do conhecimento para seu grupo na ocasião da visita,
ao longo do tempo, revisitando suas memórias, o visitante, quando se identifica e se envolve
com a temática tratada na exposição, pode assumir uma postura introspectiva e reflexiva.
Na sequência, uma abordagem sobre o conteúdo dos enunciados mostrou que na
lembrança espontânea dos visitantes os elementos de destaque foram as figuras de poder da
história e em segundo plano foram mencionados os povos subalternizados e subjugados no
processo da colonização. Uma parcela dos visitantes cita esse evento da história sob uma
perspectiva crítica, enquanto outra não aborda espontaneamente a questão, se referindo a outros
elementos da história, como objetos da Monarquia e Império, o que pode ser resultado da
própria abordagem que o museu faz da história e da cultura africana e afro-brasileira.
Todos os participantes avaliaram a exposição presente no Museu Histórico Nacional
como relevante para a sociedade, atrelando a ela principalmente características que se
relacionaram com o bem-estar intelectual, como a aquisição de conhecimentos, possibilidades
educativas, descobertas e redescobertas da história. Além disso, uma visitante cita a relevância
do trabalho de preservação do patrimônio histórico que o museu desempenha e também de
conscientização sobre processos históricos, impactando em atitudes sociais.
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Embora nosso estudo envolva um número limitado de participantes e não se possa
extrapolar nossos resultados para outros indivíduos, acreditamos que os dados foram capazes
de evidenciar a dinamicidade e complexidade da produção de significados pelos visitantes.
Observamos a potencialidade de uma exposição histórica gerar reflexões ao longo do tempo,
sobretudo se o visitante consegue conectar sua identidade pessoal à narrativa apresentada pelo
museu. Dessa forma, mostra-se necessária uma continuidade dos esforços do Museu para
contemplar uma pluralidade de identidades para que sensibilize seus públicos para novos
olhares com relação à memória e ao patrimônio.
AGRADECIMENTOS
Este estudo foi realizado no escopo do Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência
e Tecnologia, com apoio financeiro das agências de fomento Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, 465658/2014-8) e Fundação Carlos Chagas
Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ, E-26/200.89972018). O
estudo também se insere no projeto apoiado pelo Edital Universal 2018 do CNPq
(405249/2018-7), liderado por Luisa Massarani. A autora Luisa Massarani agradece à Bolsa de
Produtividade 1B do CNPq e à Faperj pela bolsa Cientista do Nosso Estado. Agradecemos à
Jéssica Valente e à equipe do Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro, Brasil) pelo apoio à
realização da pesquisa e às famílias por gentilmente aceitarem participar.
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Recebido em: 02 de fevereiro de 2024
Aceito em: 13 de novembro de 2024