A primeira categoria nomeada foi a natureza, o meio ambiente e os recursos naturais; a segunda
categoria de elementos engloba conhecimento, técnicas de saber e saber fazer; o terceiro
contempla o resultado dos dois anteriores em conjunto, o meio ambiente e o saber fazer juntos.
No segundo capítulo, ele abordou a importância de observar a relação entre meio
ambiente, o saber e o artefato; entre o artefato e o homem; entre o homem e a natureza. Lemos
cita o que são os artefatos e põe em discussão sua durabilidade, utilidade e função, assim como
aborda a “evolução” dos artefatos. De maneira geral, fica destacado que os artefatos das casas
acabam por se adaptar aos novos tempos, levando à degradação dos espaços residenciais e, com
isso, à degradação de um patrimônio, dos registros materiais de formas de ser e estar nestes
espaços cotidianos, seguido enfim pelo abandono e demolição dos próprios imóveis, para serem
reconstruídos como construções, de acordo com tendências de época, ao gosto das especulações
imobiliárias.
Na terceira parte da obra foi abordada a problemática “por que preservar?”, buscando
destacar a necessidade da preservação cultural a partir de uma crítica à forma que a preservação
pode assumir, sobretudo, ao visar a preservação e a adoração de objetos específicos,
pertencentes a grandes figuras e a grandes atos, seguindo práticas de uma concepção de história
já criticada “há décadas”, tal como anuncia na obra o autor, e criticada por pesquisadores, uma
história oficial. São como espaços para explorar a crendice popular, disse Lemos, que
aproveitou a oportunidade e relatou que somente “agora”, naquele momento, então começavam
a ser observados traços históricos e hábitos de povos já desaparecidos. Para o autor, manter
livre de corrupção, esse é o significado de preservar, e é isso que compreende a preservação
patrimonial, ou seja, preservar é manter viva a história e o país, preservar o saber brasileiro e
fazê-lo ser valorizado no exterior.
Neste sentido, Lemos descreveu a necessidade de uma reflexão a partir da
realidade brasileira e desenvolveu crítica à invasão de tendências estrangeiras, que acusou de
materialista. Mesmo sendo um grande desafio, a luta pela sobrevivência da cultura brasileira
deve ser uma bandeira a se defender, pois são poucas as pessoas que se interessam pela
preservação do patrimônio nacional. O autor ponderou sobre o fato de o desafio da preservação
patrimonial ser transpassado pela desigualdade de classes e pelos interesses pessoais, uma
preocupação em preservar o que lhe convém, como no caso do turismo, uma fonte valiosa de
renda, mas que também conduz à descaracterização e à degradação.
A partir do quarto capítulo, Lemos busca se debruçar sobre “O que preservar”,
demonstrando grande preocupação em torno da preservação patrimonial, que até então era
relativamente recente na realidade social brasileira. Para o autor, de maneira geral, vigorava o