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BOAS PRÁTICAS DE TRANSCRIÇÃO DE DOCUMENTOS HISTÓRICO-
BIBLIOGRÁFICOS EM FORMATO DIGITAL
Diana Rocha da Silva
Centro de Ciências Sociais, Universidade Federal do Maranhão, Brasil
dr.silva@ufma.br
Cesar Augusto Castro
Centro de Ciências Sociais, Universidade Federal do Maranhão, Brasil
cesar.castro@ufma.br
Anna Júlia Aires Mendes
Centro de Ciências Sociais, Universidade Federal do Maranhão, Brasil
anna.aires@discente.ufma.br
RESUMO
A transcrição de documentos disponibilizados em ambientes digitais tem se mostrado útil para
discentes e profissionais da informação, como bibliotecários, arquivistas e historiadores,
impactando na preservação de informações históricas. Este trabalho propõe apresentar as boas
práticas de transcrição documental para o campo histórico-bibliográfico a partir das revistas
pedagógicas publicadas no culo XIX. Caracteriza-se como uma pesquisa descritiva e
explicativa, com enfoque qualitativo feito por meio de levantamento bibliográfico sobre a
temática; levantamento de transcrições das revistas pedagógicas Pará e Maranhão entre 1900 e
1930; descrição dos desafios que, durante a transcrição, demandaram esforços adicionais.
Mapearam-se normas da NTTEDM para auxiliar no processo de transcrição e orientações
positivas destinadas à preservação e disseminação de informações.
Palavras-chave: transcrição de documentos. história da educação. revista pedagógica.
BUENAS PRÁCTICAS PARA LA TRANSCRIPCIÓN DE DOCUMENTOS
HISTÓRICO-BIBLIOGRÁFICOS EN FORMATO DIGITAL
RESUMEN
La transcripción de documentos disponibles en entornos digitales ha demostrado ser útil para
estudiantes y profesionales de la información, como bibliotecarios, archiveros e historiadores,
lo que repercute en la preservación de la información histórica. Este trabajo se propone
presentar buenas prácticas de transcripción de documentos para el campo histórico-
bibliográfico, a partir de revistas pedagógicas publicadas en el siglo XIX. Se caracteriza por ser
una investigación descriptiva y explicativa, con enfoque cualitativo realizada a través de un
levantamiento bibliográfico sobre el tema; estudio de transcripciones de revistas pedagógicas
Pará y Maranhão entre 1900 y 1930; descripción de los desafíos que requirieron esfuerzos
adicionales durante la transcripción. Se mapearon estándares NTTEDM para ayudar en el
proceso de transcripción, lineamientos positivos en la preservación y difusión de la
información.
Palabras clave: transcripción de documentos. historia de la educación. revista pedagógica.
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GOOD PRACTICES FOR TRANSCRIPTING HISTORICAL-BIBLIOGRAPHICS
DOCUMENTS IN DIGITAL FORMAT
ABSTRACT
The transcription of documents made available in digital environments has proven useful for
students and information professionals, such as librarians, archivists and historians, impacting
the preservation of historical information. This work proposes to present good document
transcription practices for the historical-bibliographic field, based on pedagogical magazines
published in the 19th century. It is characterized as descriptive and explanatory research, with
a qualitative focus carried out through a bibliographical survey on the topic; survey of
transcriptions of pedagogical magazines Pa and Maranhão between 1900 and 1930;
description of the challenges that required additional efforts during transcription. NTTEDM
standards were mapped to assist in the transcription process, positive guidelines in the
preservation and dissemination of information.
Keywords: document transcription. history of education. pedagogical magazine.
BONNES PRATIQUES POUR LA TRANSCRIPTION DE DOCUMENTS
HISTORIQUES-BIBLIOGRAPHIQUES AU FORMAT NUMÉRIQUE
RÉSUMÉ
La transcription de documents mis à disposition dans des environnements numériques s'est
avérée utile pour les étudiants et les professionnels de l'information, tels que les bibliothécaires,
les archivistes et les historiens, ayant un impact sur la préservation des informations historiques.
Ce travail propose de présenter les bonnes pratiques de transcription de documents pour le
domaine historico-bibliographique, à partir de revues pédagogiques publiées au XIXe siècle. Il
s'agit d'une recherche descriptive et explicative, avec une orientation qualitative réalisée à
travers une enquête bibliographique sur le sujet ; enquête sur les transcriptions des revues
pédagogiques Pará et Maranhão entre 1900 et 1930 ; description des défis qui ont nécessité des
efforts supplémentaires lors de la transcription. Les normes NTTEDM ont été cartographiées
pour faciliter le processus de transcription, des lignes directrices positives pour la préservation
et la diffusion de l'information.
Mots-clés: transcription de documents. histoire de l'éducation. revue pédagogique.
INTRODUÇÃO
Adaptar-se à nova realidade. Essa é uma das frases mais comuns de se ouvir nos últimos
anos. Sabemos, no entanto, que o ser humano sempre teve a necessidade de evoluir para
sobreviver, e isso não é uma prática apenas do contexto atual. O certo é que, com o avanço ou
evolução tecnológica, a sociedade precisou aprender a lidar com as novas demandas, as quais
surgiram ao longo do tempo, em todas as esferas da vida social. O modo de fazer, as técnicas e
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os métodos mudam, especializam-se e aprimoram-se em função do tempo de execução de uma
atividade técnico-científica e da qualidade dos resultados.
A Era de Gutenberg impulsionou mudanças significativas no processo de produção e
distribuição tipográfica. O volume crescente e impactante dos produtos editoriais ao longo dos
séculos, acima de tudo nos últimos 20 anos, intensificou o problema do controle documental,
relacionados à identificação, classificação, tratamento da fonte e, principalmente, à sua
conservação, tornando-se um dos desafios para pesquisadores de diferentes áreas.
A documentação, conceituada em sua complexidade como “todo indício, concreto ou
simbólico, conservado ou registrado, com a finalidade de representar, reconstituir ou provar um
fenômeno físico ou intelectual” (Cain, 2016, p. 1), aponta um problema não tão difícil de se
detectar. Nesse sentido, documentalistas, bibliotecários, historiadores, arquivistas e demais
profissionais da informação
1
, em particular aqueles que trabalham diretamente com a categoria
Patrimônio Histórico Bibliográfico Educativo, sentem a dificuldade de classificar, indexar,
recuperar informações e disponibilizá-las ao público interessado.
Embora muitos dos recursos informacionais estejam disponíveis de forma impressa,
manuscrita ou ambos em formato digitalizado
2
, alguns desafios ainda se impõem como urgentes
e necessários: não é raro encontrar em alguns centros de documentação registros da ação
humana em mau acondicionamento, resultando em perda da informação e, por conseguinte, em
problemas na preservação e conservação dos artefatos históricos, capazes de servir para
demonstração de acontecimentos pretéritos.
Dentre os recursos que auxiliam pesquisadores e profissionais da informação, destaca-
se a transcrição de documentos em seus diferentes formatos
3
, como os já citados. Esse recurso
é um importante aliado na modernização e preservação de documentos históricos, desgastados
e disponibilizados para consulta. No entanto, esses profissionais ainda se ressentem da falta de
1
Segundo Mason (1990), são profissionais que desempenham um papel crucial no gerenciamento de recursos de
informação em vários campos, utilizando seu conhecimento especializado para atender às necessidades dos
clientes de forma eficaz. Seu trabalho é essencial para garantir que as informações sejam acessíveis, relevantes e
valiosas. Para esta breve apresentação, damos destaque aos profissionais da informação mencionados, mas, para
além destes, podemos destacar os: conservadores e restauradores, paleógrafos, curadores de coleções históricas,
especialistas em digitalização e preservação digital, e, até mesmo, pesquisadores que utilizam os documentos
históricos como objeto de estudos e praticam a transcrição.
2
A contextualização do trabalho enfoca nesses quatro formatos. o relato de experiências, baseado na prática,
utiliza apenas o formato impresso e o formato impresso digitalizado.
3
Todos os materiais foram transcritos da mesma forma, pois, embora o documento impresso digitalizado seja mais
acessível em relação ao manuscrito físico ou digitalizado, ele ainda apresenta danos que comprometem sua
legibilidade. Mesmo em formato digital, marcas de deterioração, manchas e desbotamento muitas vezes dificultam
a leitura direta. Assim, a transcrição é necessária para garantir o acesso a um texto legível, permitindo que o
conteúdo seja preservado e consultado de forma confiável.
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políticas públicas que favoreçam a preservação em longo prazo dos suportes informacionais,
apesar das mudanças e evoluções tecnológicas, especialmente no que se refere ao tratamento
da informação.
A transcrição de documentos manuscritos e impressos em formatos físicos ou
digitalizados possui um papel relevante ao tornar entendível a informação para o seu acesso.
Em grande parte dos casos, alguns documentos podem se mostrar ilegíveis, o que destaca ainda
mais a carência desse serviço dentro das unidades de informações, de modo a tornar os recursos
acessíveis e pesquisáveis. Preservar e conservar essas informações é garantir a possibilidade de
relacionar pistas, sinais, marcas, rastros e estabelecer relações que permitam aproximar-se dos
acontecimentos sociais e, no nosso caso, do campo histórico educativo, levando em
consideração os cenários socioculturais e políticos de um dado lugar, um tempo e espaço
definido, além de compreender o comportamento da coletividade através de diferentes
perspectivas.
Logo, é possível ter acesso a esses vestígios do passado por meio dos registros
disponíveis em diferentes formatos como mencionado acima, desde que preservados. Falamos
aqui não apenas dos registros oficiais, que deveriam ser adotados no campo educativo, mas
compreendemos que os documentos não oficiais, como cadernos de alunos e professores,
manuscritos que registram o dia a dia da escola
4
, comentários e rabiscos de alunos nos cadernos
escolares, registro de compra ou recusa de materiais, para citar alguns exemplos, são recursos
que ajudam a entender a dinâmica escolar, as permissões e censuras, além das intrigas e
intencionalidades que motivaram ações e mudanças na escola
5
.
Ao ter consciência dessa importância, os profissionais da informação, como já citados,
conseguem assegurar a qualidade de seu trabalho na informação impressa, manuscrita e digital
a partir da extração de dados ou informações das fontes consultadas, apresentando-as em
diferentes instrumentos de pesquisa, como guias, manuais, catálogos, inventários, dentre outros,
4
Entre os manuscritos que registravam o cotidiano escolar, podemos mencionar os diários escolares, atas de
reuniões, relatórios escolares, correspondências, programas e calendários escolares.
5
A preservação e transcrição das intervenções humanas, como anotações, rabiscos e marcas de leitura em
documentos escolares, são fundamentais para recuperar aspectos do cotidiano escolar e compreender as interações
e dinâmicas educacionais de épocas passadas. Durante o processo de transcrição, enfrentam-se desafios como a
legibilidade das caligrafias antigas e a interpretação de símbolos e abreviações, muitas vezes sem contexto claro.
Decisões cuidadosas são tomadas para preservar o sentido original dessas marcas, registrando-as da forma mais
fiel possível, mesmo que sua compreensão exata permaneça incerta. Tais transcrições, embora não substituam a
consulta aos originais, ampliam o entendimento histórico ao revelarem detalhes sobre permissões, censuras,
intrigas ou intenções que moldaram a experiência escolar, contribuindo para as pesquisas nas áreas de História e
Humanidades Digitais.
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produtos que, consequentemente, facilitam a sua disseminação e preservação (pelo menos
teoricamente).
Sob esse ponto de vista, inicialmente, a transcrição era vista apenas sob o olhar da
preservação e conservação, mas, atualmente, ela se mostra como um recurso potencial para
estudos e investigações em diferentes áreas. Com isso, torna-se notória a parceria entre os
serviços de conservação, preservação, tratamento e disponibilização de documentos históricos.
Sabemos que essa é uma tarefa desafiadora. Entendemos e defendemos que, durante os cursos
de formação de bibliotecários, arquivistas, documentalistas e historiadores, dentre outros, é
preciso ter contato com os recursos informacionais históricos e envolver-se ativamente com os
conhecimentos básicos para tratar a informação, a fim de torná-la acessível a públicos de
diferentes áreas. Portanto, o presente estudo baseia-se no seguinte questionamento: em que
medida a não adoção de normas específicas para o de transcrição de documentos históricos tem
ocasionado transtorno ao processo de preservação e acessibilidade de materiais em formato
manuscrito, impresso e/ou manuscritos e impressos em formato digital?
O interesse em transcrever esses impressos e manuscritos em formatos físico ou
digitalizado reflete as atividades realizadas no Núcleo de Estudos e Documentação em História
e Práticas Leitoras no Maranhão (NEDHEL), onde foi possível participar da pesquisa
“Circulação de ideias pedagógicas na Amazônia brasileira: uma análise da imprensa
educacional (MA, PA, AM) de 1900 a 1930”, que incluía a leitura e transcrição de revistas e
jornais históricos. Essa prática possibilitou compreender a importância que esse tema possui no
meio acadêmico e as áreas que estão ligadas ao acesso à informação e ao conhecimento baseado
nas revistas pedagógicas
6
que representam a preservação da memória educacional, concretizada
como Patrimônio Histórico Bibliográfico Educativo.
A área de preservação da memória educacional busca desvelar cenários, métodos
defendidos ou censurados, registros do dia a dia escolar, regulamentos, legislações, indicação
de livros, cartilhas, revistas, dentre outros recursos que permitam o entendimento sobre como
se deu a configuração das escolas em determinado tempo e lugar, além das intencionalidades
presentes nas entrelinhas desses documentos, os quais foram escritos por sujeitos envolvidos
6
Classificamos as Revistas pedagógicas produzidas e colocadas em circulação durante a segunda metade do século
XIX e primeira metade do século XX como Patrimônio histórico bibliográfico educativo por entender que estes
produtos editoriais fazem parte do conjunto de bens culturais existentes no país, cuja guarda e conservação seja
de interesse coletivo. Neste caso, o valor é dado pelo interesse de uma rede de pesquisadores do campo da
História da educação. As revistas pedagógicas apresentam elementos importantes para a compreensão daquilo
que se pensou para a escola, a exemplo dos métodos de ensino, livros a serem adotados, procedimentos didáticos
recomendados dentre outros aspectos.
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direta ou indiretamente nas decisões sobre os rumos que deveriam ser tomados no campo
educativo. Essas decisões também tinham correspondência com a formação de professores,
métodos pedagógicos, abertura de escola, mobiliários, indicação de livros, requisitos para atuar
como professores, informação sobre o tempo escolar, dentre outros assuntos da cultura material
escolar indicada e adotada nas escolas do início do século XX no Maranhão e Pará.
Durante a atividade de pesquisa com as revistas pedagógicas físicas e digitalizadas
surgiram algumas dificuldades. Muitos documentos estavam rasurados ou desgastados devido
à ão do tempo e de agentes biológicos nocivos ao suporte documental. Além disso, a
transcrição foi realizada com pouco conhecimento prévio, resultando em transcrições livres,
apesar da existência de normas. Inicialmente, a transcrição era feita com base em deduções
quando se tratava de periódicos danificados, como no caso a seguir.
IMAGEM 1 Exemplo de texto ilegível
Fonte: Revista Maranhense (1911).
IMAGEM 2 Transcrição do texto ilegível
Fonte: Elaborado pela autora (2023).
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No exemplo ilustrado na Figura 1, que mostra a página 61 do Anno I, n. 4, de 12 de
março de 1911 da Revista Maranhense, impressa na Tipografia J. Pires & Comp. e gerenciada
por João Vicente de Abreu, podemos visualizar que as palavras ‘escarnio’ e ‘estes’ não estão
completas; algumas letras nessas palavras estão ilegíveis. Na palavra ‘escarnio’, por exemplo,
a letra ‘epôde ser identificada ao se analisar a frase na qual ela se encontra - “alvos do [...]”
-, percebendo-se que faz sentido no contexto. O mesmo ocorre com a palavra ‘estes’, na qual o
primeiro ‘s’ está ilegível a ponto de se parecer com outra letra, como um ‘a’. No entanto, ao ler
a frase 'correr até que [...] senhores nos detivessem', fica claro que o termo 'estes' faz sentido ao
acompanhar a palavra 'senhores', formando 'estes senhores'. É válido ressaltar que, por se tratar
apenas de uma dedução, podem ocorrer falhas nesse processo. Ainda assim, para aqueles que
não conhecem normas específicas de transcrição, essa abordagem pode ser uma opção viável,
sendo importante que sejam utilizadas sinalizações para indicar possíveis falhas no documento,
o que permite ao leitor maior atenção ao longo da leitura.
Para lidar com páginas rasgadas ou incompletas, adotamos uma abordagem cuidadosa
que incluía a análise e o preenchimento de lacunas com base no contexto, sempre sinalizando
as deduções para não comprometer a integridade da informação. Ao longo do processo,
percebendo a necessidade de garantir precisão na recuperação da informação, buscamos apoio
na disciplina de Paleografia, ofertada pelo curso de História da Universidade Federal do
Maranhão. Essa experiência destacou a fragilidade metodológica do curso de Biblioteconomia
em relação ao assunto e possibilitou uma colaboração interdisciplinar, unindo as áreas de
História e Biblioteconomia, as quais, apesar de relacionadas, costumam parecer distantes.
Diante desse contexto, este trabalho tenciona apresentar as boas práticas de transcrição
documental indicadas para as transcrições de documentos do campo histórico bibliográfico,
neste caso, as revistas pedagógicas publicadas no século XIX nas províncias do Pará e
Maranhão. No Pará, destacamos sete revistas: A Escola, Boletim Official da Instrução,
Ephemeris, O Rio Negro, O Tupy, Revista do Ensino; e, no Maranhão, duas: A Escola e Revista
Maranhense.
De forma transversal, sinalizamos como objetivos específicos: identificar e sistematizar
as boas práticas de transcrição documental histórico-bibliográfica aplicáveis ao contexto
educacional; expor os desafios encontrados na transcrição de periódicos pedagógicos antigos e
as soluções adotadas; mapear as partes das Normas Técnicas para Transcrição e Edição de
Documentos Manuscritos - NTTEDM, que possam auxiliar e padronizar o processo de
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transcrição para preservar a integridade das informações em todos os tipos de materiais
abordados neste estudo.
Em termos metodológicos, este estudo possui abordagem qualitativa, mas sem a
intenção de provar ou generalizar os resultados, e sim apresentar uma das possibilidades de
transcrição de documento a partir das orientações de Chartier (1990), que trata da exumação do
objeto na sua materialidade para posterior análise, interpretação e disponibilização. Desta
forma, destacamos a seguir os passos percorridos nesta pesquisa:
a) Levantamento e estudo bibliográfico de artigos relacionados à transcrição de
documentos históricos e ao papel dos profissionais da informação nessa prática;
b) Levantamento de transcrições das revistas pedagógicas entre os anos de 1900 e 1930,
já realizadas até o momento no NEDHEL;
c) Descrição dos desafios que, no decorrer da transcrição, demandaram esforços
adicionais para a leitura, com exemplificação de casos específicos durante a prática.
Ao longo do trabalho, será possível entender de que forma a adoção das boas práticas
de transcrição de documentos digitais contribui para a mediação e preservação da informação.
Sobre isso, Silva e Krüger (2022, p. 1) enfatizam que “percebe-se a importância da transcrição
de textos manuscritos no sentido de contribuir com a literatura que investiga ou pesquisa sobre
o assunto em vários períodos históricos, revelando informações importantes”.
No caso das revistas pedagógicas impressas ou digitalizadas, enquanto Patrimônio
Histórico Bibliográfico Educativo, estas abrangem informações potenciais que podem ser
levadas a atravessar gerações a partir da aproximação entre presente e passado, desde que seja
preservada, além de ser essencial para garantir a acessibilidade, ou seja, a compreensão do
conteúdo dos documentos ilegíveis ou rasurados. Ademais, a transcrição de documentos
viabiliza a recuperação e a disponibilização de informações preciosas contidas em documentos
históricos, já que “[...] o que acesso à informação contida nos documentos é o entendimento
do mesmo, sua leitura e transcrição” (Silva; Krüger, 2022, p. 1). Portanto, apontar as falhas no
documento (rasuras, cortes, páginas deterioradas, textos desbotados que o tornam ilegível, erro
tipográfico e documentos manuscritos em que dificuldade para decifrar a caligrafia) leva o
pesquisador a ter uma cautela ao analisá-lo. Tal vigilância o obriga a buscar outras fontes para
suprir aquilo que se apresenta como lacuna.
Faz-se, então, urgente chamar a atenção da transcrição não apenas para a
durabilidade das informações, seja ela no formato impresso e manuscrito, seja os dois em
formato digitalizado, mas também para o auxílio a pesquisadores em futuras investigações,
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coleta e organização dos dados que apontam novas interpretações, o que contribui para o
fortalecimento e reconhecimento do estudo acerca dos acontecimentos anteriores que fazem
parte da identidade cultural coletiva. No entanto, para que isso se concretize, é fundamental
investir em estudos e recursos tecnológicos que assegurem a preservação digital
7
, pois constata-
se que muitos documentos são removidos do ambiente on-line devido ao fato de não integrarem
uma rede de preservação digital.
nos arquivos tradicionais, essa mesma dificuldade é assinalada por Silva, Castro e
Castellanos (2021), que destacam que muitos desses arquivos encontram-se perdidos, mal
acondicionados e deteriorando-se, decorrente da negligência do Estado, que falha em cumprir
sua obrigação legal de preservar e manter a sustentabilidade desse patrimônio, conforme
estabelecido na Constituição.
Por essa perspectiva, é essencial adotar uma visão sustentável e de longo prazo sobre o
destino desses recursos, considerando os desafios na preservação da documentação histórica. A
transcrição documental, nesse contexto, surge como uma solução indispensável, sendo uma das
responsabilidades dos profissionais da informação, em especial dos bibliotecários e arquivistas.
Entre suas funções, esses profissionais têm o compromisso de garantir que essas informações
sejam não apenas preservadas, mas também acessíveis ao público.
Dessa forma, a relação entre a transcrição e a formação em Biblioteconomia, que
capacita bibliotecários e arquivistas, representa mais do que uma aliança funcional; trata-se de
uma estratégia fundamental para a construção do conhecimento coletivo e para a valorização
do patrimônio histórico, como será abordado no próximo tópico.
TRANSCRIÇÃO DOCUMENTAL E BIBLIOTECONOMIA: UMA ALIANÇA
ESSENCIAL
A transcrição documental e a Biblioteconomia são dois pilares que não apenas
coexistem como se complementam na construção da modernização dentro do universo
informacional, pois, ao unirem-se, é possível obter preservação e disponibilização de recurso
informacional dentro de bibliotecas. Esse procedimento é capaz de fornecer conteúdos valiosos
7
Segundo Najar e Wani (2018), a preservação digital é uma abordagem abrangente que visa garantir o
armazenamento de informações digitais em longo prazo e sem erros.
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para a construção de conhecimento sobre identidade cultural da sociedade, e que, em alguns
casos, estão ilegíveis por conta da degradação do tempo
8
.
Nesse cenário, a Biblioteconomia é uma área do conhecimento que se dedica à
organização, gestão e disseminação da informação, desempenhando um papel crucial na
recuperação de documentos históricos e na facilitação do acesso ao conhecimento acumulado
ao longo dos anos. Essa inter-relação entre a transcrição e a Biblioteconomia não apenas
potencializa a preservação de acervos, mas também democratiza o acesso à informação,
permitindo que um público mais amplo possa explorar e aprender com os recursos disponíveis.
Esse processo é fundamental para a formação de uma sociedade mais informada e consciente
de suas raízes culturais, pois promove um senso de identidade e pertencimento entre as
gerações.
A Biblioteconomia também desempenha um papel essencial na capacitação de
profissionais que lidam com a transcrição e a conservação desses documentos. Bibliotecários,
arquivistas e outros especialistas da informação não apenas preservam esses materiais, mas
também promovem sua acessibilidade ao público, garantindo que o conhecimento permaneça
vivo e acessível em um mundo em constante evolução. Silva e Krüger (2022, p. 3)
complementam:
É fundamental e necessário para bibliotecas, arquivos, museus e centros
de documentação que tenham esses acervos em seu poder. Seu foco
hoje não se limita apenas aos escritos antigos, pois muitos documentos
contemporâneos também necessitam dessa técnica de transcrição [...].
A partir disso, torna-se evidente o modo como essa prática deve ser adotada pelas
instituições de memória a partir do papel fundamental que ela possui: ofertar serviços e produtos
para a comunidade de usuários. Contudo, nota-se que, atualmente, essas cnicas têm deixado
a desejar, seja por falta de atenção, devido a outras demandas, seja, em alguns casos, pela
ausência de iniciativa e aptidão do próprio profissional da informação, em específico o
bibliotecário e arquivista. Além disso, a falta de visão acerca da importância do material
enquanto Patrimônio Histórico Bibliográfico Educativo resulta em informações que não
chegam aos usuários com a qualidade precisa, comprometendo a precisão e a acessibilidade dos
dados.
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Podemos mencionar outros fatores como manuseio inadequado, ação de micro-organismos, falta de políticas
públicas, tintas desbotadas, condições de armazenamentos ou até mesmo por conta de desastres naturais.
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Diante do exposto, é válido refletir sobre o ensino de técnicas de transcrição dentro da
disciplina de Arquivística
9
(a qual deve incluir frequentemente a atividade de transcrição em
favor da preservação, conservação e acessibilidade), destinado à formação de bibliotecários
mais aptos a lidar com esses documentos históricos e a realizar transcrições precisas e
eficientes. Além disso, também é fundamental a autoconscientização dos bibliotecários, que
devem ser proativos e buscar o aperfeiçoamento de técnicas que possam contribuir para a sua
formação. Como explica Mateus (2016), conhecer seus fundamentos, métodos e técnicas são
cruciais para a apresentação de uma transcrição de qualidade, pois a imperícia de muitos
transcritores acarreta erros que comprometem a produção do conhecimento científico.
Portanto, a transcrição de documentos históricos e a Biblioteconomia desempenham um
papel essencial na disponibilização, acessibilidade e preservação de informações presentes no
Patrimônio Histórico Bibliográfico Educativo. Mesmo que o documento original esteja em
estado precário, as informações nele contidas ainda podem ser resgatadas e valorizadas. Nesse
contexto, a atuação do bibliotecário no processo de transcrição é indispensável, pois esses
profissionais aplicam técnicas que garantem a fidelidade e a acessibilidade das informações
transcritas.
No próximo tópico será explorado o papel do bibliotecário nesse processo, com
destaque para as suas habilidades e contribuições destinadas à transcrição e conservação de
documentos.
A ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO NO PROCESSO DE TRANSCRIÇÃO DE
DOCUMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO
Trabalhar com documentação histórica é uma prática do Núcleo de Estudo em História
da Educação e das Práticas Leitoras (NEDHEL), que tem o objetivo de desenvolver estudos,
recuperar informações e organizar documentos históricos de cunho pedagógico, facilitando o
acesso ao conhecimento nas áreas de História do livro, leitura e biblioteca; História da
educação, ensino e instrução. O Núcleo desempenha um papel importante ao disponibilizar os
resultados das pesquisas realizadas em formato de monografia, dissertações, teses, livros e
capítulos de livros, artigos, relatórios.
9
Disciplina que é ministrada no período do curso de Biblioteconomia na Universidade Federal do Maranhão
tendo como foco os aspectos teóricos e práticos a gestão, organização, preservação, acesso a documentos e
arquivos tendo como objeto a informação orgânica nos documentos arquivísticos.
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O trabalho de documentação envolve diferentes dispositivos culturais, como jornais,
relatórios de Presidente de Província, diário do Estado, códices, Relatórios da Inspetoria da
instrução pública, manuscritos de professores e demais agentes responsáveis pelos registros do
dia a dia da instrução pública no Pará e, atualmente, no Maranhão. A experiência prática de
transcrever documentos (impressos e manuscritos em formato digital) utilizando,
especificamente, revistas pedagógicas é árdua. Durante esse período, foi possível aprender, por
meio dos diversos desafios enfrentados, valiosas lições que contribuíram para a futura carreira
acadêmica.
Como já dito no início deste artigo, a inspiração para o seu desenvolvimento surgiu da
contribuição ao projeto de pesquisa “Circulação de Ideias Pedagógicas na Amazônia Brasileira:
uma análise da imprensa de ensino (MA, PA, AM) no período de 1900 a 1930
10
”. O objetivo
deste projeto é entender o comportamento da imprensa escolar e do ensino na Amazônia
brasileira por meio das revistas pedagógicas da região. Uma das atividades propostas dentro da
pesquisa é a transcrição das informações das revistas presentes no acervo digital da Biblioteca
Pública Benedito Leite, Biblioteca Arthur Viana e Biblioteca Nacional, que abrangem o período
e local pré-definidos, como forma de melhor analisar os dados transcritos. O projeto levou em
consideração as muitas revistas da época que já estão ilegíveis ou rasuradas e que são fontes de
informação importantes acerca da educação dessas regiões.
Esses dispositivos culturais possuem um papel relevante na pesquisa, visto que
apresentam uma herança cultural que influi na reflexão sobre o desenvolvimento educacional
na região da Amazônia brasileira no período da Primeira República e na busca por melhorias,
pois possuem memórias das ações de indivíduos que lutaram por uma educação, tidas à época,
de qualidade. Essas publicações refletem os pensamentos e situações de determinado contexto,
destacando a importância de sua preservação como um bem social e cultural.
Para a execução da pesquisa, todo o processo teve início com a coleta das revistas que,
de fato, são pedagógicas
11
, ou apresentam artigos sobre instrução nos estados do Maranhão,
Pará e Amazonas entre 1900 e 1930. Além disso, a organização dessa documentação foi feita
10
Projeto vinculado ao Centro de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão, financiado pelo
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e Fundação de Amparo à Pesquisa e ao
Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão - FAPEMA; coordenado pelo Prof. Dr. César Augusto
Castro, do Departamento de Biblioteconomia, com apoio do NEDHEL e três bolsistas de Iniciação Científica que
compõem o Núcleo, entre elas Anna Júlia Aires Mendes. A pesquisa foi desenvolvida entre os anos de 2022 e
2024.
11
Segundo Magalhães (2021, p. 31), as revistas pedagógicas dizem respeito àquelas que apresentam “assuntos
relativos à docência, natureza, estatuto, formação e exercício da profissão docente”.
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em uma planilha no Excel. Vale ressaltar que, por meio da transcrição, foi possível até mesmo
registrar outros dados presentes nas revistas, como mostra o quadro a seguir.
IMAGEM 3 Modelo de planilha para transcrição
Fonte: Elaborado pela autora (2022).
Foram levantadas todas as revistas necessárias à pesquisa de forma organizada.
Posteriormente, as informações dos documentos foram extraídas e sistematizadas na planilha
elaborada para descrição dos periódicos. Os tópicos contidos na planilha incluem: link da
revista, nome da revista, responsáveis, endereço das revistas, valor das assinaturas, sumário ou
sessões que compõem a revista, descrição, observações, categoria (temáticas de cunho
pedagógico apresentadas na revista) e, por fim, transcrição das mensagens
12
. Alguns desafios
foram encontrados no decorrer da visualização do texto para a transcrição, o que demandou
tempo e exigiu não apenas uma análise minuciosa, mas também o apoio de normas técnicas
para facilitar essa prática. Esse foi o caso da Revista Maranhense, apresentada a seguir.
IMAGEM 4 Exemplo de documentos rasurados para a transcrição
Fonte: Revista Maranhense (1911).
Nesse exemplo, apresenta-se a capa do Anno I, n. 4, de 12 de março de 1911 da Revista
Maranhense, impressa na Tipografia J. Pires & Comp. e gerenciada por João Vicente de Abreu.
12
Ao final, como resultado, obteve-se 76 transcrições de artigos dos periódicos referentes à instrução.
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A descrição do sumário exigiu análise e a aplicação de normas que ainda serão discutidas neste
trabalho e que são uma convenção. Como a folha apresenta rasura, foi necessário inserir uma
observação específica para aquele trecho: "[corroídas ± 19 linhas]". Vale ressaltar que mesmo
com a linguagem técnica adotada, é importante que haja uma transformação na linguagem
natural, com o intuito de tornar acessível essa informação ao usuário, pois a linguagem adotada
pelo transcritor pode dificultar a compreensão. Nesse contexto, durante a transcrição, incluiu-
se uma observação explicativa sobre não ser possível a transcrição da informação devido à
rasura.
Por fim, das experiências vivenciadas, emergiu a evidência da utilidade dessa atividade,
muitas vezes subestimada, pelos bibliotecários e discentes. Tais vivências proporcionaram
valiosas lições, ressaltando a importância de cada informação transcrita para diferentes grupos
de pesquisadores. No caso da pesquisa com as revistas pedagógicas do MA e PA, a transcrição
desempenhou um papel crucial ao permitir a utilização dos textos sobre instrução para uma
compreensão mais profunda acerca da importância da revista enquanto dispositivo cultural e
das ideias pedagógicas da época. Assim, com base nos conhecimentos adquiridos ao longo da
prática, serão apresentadas as regras essenciais para a realização das atividades a seguir.
APLICAÇÃO DAS NORMAS PARA TRANSCRIÇÃO DE DOCUMENTOS
HISTÓRICOS: EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS NO NEDHEL
Ao se falar sobre as técnicas de transcrição em documentos históricos, é essencial
ressaltar que não se trata apenas de uma mera digitação, pois essa é uma das etapas do processo
de transcrição. Existem diversos outros processos envolvidos, como os seguintes:
1. Localização do documento por meio dos critérios preestabelecidos. Nesse contexto,
refere-se ao levantamento dos periódicos sobre a instrução pública no Maranhão e Pará
entre 1900 e 1930, além do uso de palavras-chave como estratégias de busca (“ensino”,
“educação”, “escola primária”, “instrucção”, “escola”, “Maranhão”, “pedagogico”,
“Pará” e “alumno”) e filtros (região, ano ou assunto).
2. Tratamento da informação que se refere à preparação de elementos dos documentos
históricos, a fim de torná-los acessíveis e reapropriáveis (Simões; Lima, 2020, p. 43).
Para isso, o tratamento da informação é feito a partir de duas dimensões: dimensão
temática (análise temática) ou dimensão descritiva (catalogação).
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2.1. A Análise Temática se ocupa do conteúdo de um documento, com foco em atividades
que recuperam as ideias nele trabalhadas, como a indexação de assunto. De acordo com
Lancaster (2004), essa indexação ocorre em duas etapas: análise conceitual, que
identifica o tema do documento, e, com base nos conceitos analisados, são atribuídos
termos de indexação que representam o documento. No cenário que envolve a prática
da discente, os termos atribuídos eram apresentados como categorias retiradas dos
periódicos referentes à instrução.
2.2. A catalogação é o processo de organizar, descrever e classificar documentos para
facilitar sua localização e recuperação. Segundo Mey e Silveira (2009), ela envolve
etapas como: descrição das características físicas, representação do registro e criação de
instrumentos para acesso público. No contexto da bolsista do NEDHEL, a catalogação
foi realizada por meio de uma planilha descritiva (Imagem 1), que visa a uma maior
eficiência na organização das informações dos periódicos e transcrições.
3. Revisão necessária para garantir a eficácia do trabalho. A revisão inclui a verificação da
precisão dos dados catalogados, bem como a atualização de informações que possam
ter mudado desde a sua inclusão inicial, assegurando que os usuários tenham acesso a
conteúdos relevantes e atualizados. Esse processo de revisão é fundamental para manter
a integridade e a confiabilidade dos registros, permitindo que os pesquisadores e
interessados tenham uma base sólida sobre a qual devem fundamentar as suas análises
e estudos.
4. Formatação de acordo com as preferências do transcritor, que pode incluir ajustes na
apresentação visual dos dados, como o uso de estilos de fonte, tamanhos e espaçamentos
específicos, facilitando a leitura e compreensão das informações.
Isso torna a tarefa um desafio adicional para quem a transcreve, especialmente ao lidar
com documentos históricos que, muitas vezes, estão deteriorados ou ilegíveis devido ao tempo
e à falta de políticas públicas para a sua manutenção. Portanto, é fundamental que o
bibliotecário que atua como transcritor esteja preparado para essas circunstâncias, a fim de
realizar a transcrição de forma eficiente. Essas etapas anteriores à transcrição consistem em
práticas bibliotecárias que proporcionam uma oportunidade valiosa de aprendizagem para os
discentes e bibliotecários formados, pois incluem uma análise minuciosa dos materiais a serem
transcritos (Manzini, 2020).
para executar a transcrição de forma correta, existem diversas técnicas que podem
auxiliar os discentes e profissionais da informação ao longo dessa atividade. A seguir, serão
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apresentadas as Normas Técnicas para Transcrição e Edição de Documentos Manuscritos
NTTEDM (Brasil, 2000)
13
. Embora o objetivo da norma seja exclusivamente a transcrição de
manuscritos, neste caso, serão utilizadas as partes aplicáveis também para a transcrição de
documentos impressos e outros materiais abordados ao longo do estudo.
a) Grafia
Ao abordar a grafia na transcrição, as orientações englobam a correta separação de
palavras e sílabas, a manutenção da grafia convencional das letras, a transcrição de letras com
cauda duplas e simples
14
, e a reprodução fiel de algarismos romanos. Além disso, são discutidas
maneiras de sinalizar erros e omissões com a palavra [sic
15
], como desenvolver abreviaturas
não usuais, lidar com símbolos especiais e monogramas, e transcrever sinais de taquigrafia
16
e
notas tironianas
17
. Também são descritos procedimentos para preservar aspectos como a
nasalização, acentuação, pontuação, uso de maiúsculas e minúsculas, seguindo a ortografia
original sem realizar alterações gramaticais.
QUADRO 1 Normas referentes à grafia durante a transcrição
NORMA
EXEMPLO
Separação de palavras unidas indevidamente
Sem pre → Sempre
Manutenção da grafia usual das letras
Pharmacia → Farmácia
Transcrição do "R" e "S" maiúsculos com som de "rr" e "ss",
respectivamente
Rosa (mantém-se)
Manutenção das letras b, v, u, i, j como no manuscrito
original
uossa → vossa
13
Justifica-se a escolha da norma pela sua relevância e precisão ao orientar a transcrição dos materiais aqui
estudados (mesmo que esse não seja seu foco original) de forma detalhada e à sua ampla aplicação no processo de
transcrição documental. Embora a norma tenha sido criada com o objetivo específico de transcrever manuscritos,
muitas de suas diretrizes oferecem procedimentos metodológicos rigorosos e padronizados que também se aplicam
à transcrição de documentos impressos e outros tipos de materiais. Dessa forma, a utilização dessa norma
proporciona uma uniformidade e confiabilidade nas transcrições, contribuindo para a precisão e acessibilidade dos
conteúdos históricos e culturais analisados neste estudo.
14
Refere-se às letras que possuem traços ou curvas na parte inferior. A distinção entre cauda simples e dupla é
uma característica tipográfica. Por exemplo, a letra "g" com uma única curva é uma cauda simples, enquanto a
letra "y" pode ter uma cauda dupla, com duas curvas ou traços.
15
Segundo a ABNT (2023), o termo [sic] é utilizado para indicar que a citação foi transcrita exatamente como
aparece no texto original, incluindo erros ou particularidades do autor.
16
É um sistema de escrita rápida, usado para registrar discursos ou falas de forma abreviada, permitindo transcrever
grandes volumes de informação de maneira eficiente.
17
São um conjunto de símbolos abreviados criados por Tiro, um escrivão romano, que serve para transcrever
rapidamente palavras ou partes delas. O objetivo é facilitar o registro de discursos. Essas notas eram usadas para
representar palavras comuns, como preposições e conjunções, e eram uma forma de escrita rápida na Roma antiga.
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Reprodução dos números romanos conforme a forma da
época
MDCCXLVIII (mantém-se)
Uso da palavra [sic] entre colchetes para indicar erros
profissoe → profissoe [sic]
Desenvolvimento das abreviaturas não comuns
C. S → Câmara das sessões
Manutenção das abreviaturas usuais
Ex. (mantém-se)
Desdobramento de sinais especiais
&rª → etc.
Transcrição de sinais de taquigrafia
Ilegível
Manutenção do sinal de nasalização ou til, quando com
valor de "m" ou "n"
cõquista → conquista
Inclusão de uma interrogação entre colchetes
coisa (ilegivel) → coisa [?]
Fonte: Elaborado pela autora (2024)
18
.
A Imagem 1 apresenta um documento com erros de grafia, os quais foram inicialmente
deduzidos para transcrição, como já explicado. No entanto, após o conhecimento da norma, foi
possível aplicar a transcrição da forma correta, conforme mostrado abaixo.
IMAGEM 5 Transcrição da página 61 com erro de grafia no n. 2 da Revista Maranhense
Fonte: Elaborado pela autora (2024).
Como observado na imagem acima, ocorre um erro de grafia no termo 'viade', que foi
deduzido inicialmente como 'vinde', com base no contexto do texto. Assim, foi acrescentado
[sic] após a transcrição da palavra para indicar que a grafia original está incorreta, mas que foi
mantida como no documento. É importante ressaltar que o uso de [sic] é uma prática comum
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Quadros elaborados pelos autores, com base nas Normas Técnicas para Transcrição e Edição de Documentos
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em trabalhos acadêmicos e editoriais, pois sinaliza ao leitor que a citação foi reproduzida
exatamente como aparece na fonte, mesmo que contenha erros.
b) Convenções
As diretrizes apresentadas no Quadro 2 demonstram como lidar com a situação em que
os documentos se apresentam ilegíveis e necessitam de técnicas para manter a clareza e
fidelidade ao texto original.
QUADRO 2 Normas referentes a convenções durante a transcrição
NORMA
EXEMPLO
Palavras ilegíveis reconstituídas
[palavra ilegível]
Palavras complementares ilegíveis
[ilegível]
Palavras ou linhas danificadas
[corroídas ± 6 linhas]
Elementos textuais interlineares
<elemento textual adicional>
Notas marginais
à margem direita ou à margem esquerda
Notas de mão alheia em rodapé
Nota de rodapé: nota escrita por pessoa
Fonte: elaborado pela autora (2024)
19
.
Ainda na Imagem 1, o texto do documento também apresenta casos de ilegibilidade, os
quais foram inicialmente deduzidos para transcrição, como explicado. Após
compreendermos as normas referentes às convenções feitas durante a transcrição, foi possível
fazer ajustes que garantem a clareza e a precisão dos dados, o que ainda permite uma análise
mais confiável das informações contidas no documento.
IMAGEM 6 Transcrição da página 61 com ilegibilidade no n. 2 da Revista Maranhense
Fonte: Elaborado pela autora (2024).
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Quadros elaborados pelos autores, com base nas Normas Técnicas para Transcrição e Edição de Documentos
Manuscritos NTTEDM.
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No caso apresentado acima, observa-se que o termo 'escarneo' foi deduzido, pois a letra
após o 'e' é ilegível. Para indicar essa ilegibilidade, utilizou-se o símbolo [?], resultando em
'e[?]carnio'. O mesmo ocorre no exemplo a seguir, mas com uma dificuldade adicional, pois,
nesse caso, o termo completo é ilegível, sendo representado por [?]. Nota-se que a análise dos
textos se torna um desafio, exigindo uma interpretação cuidadosa para preencher as lacunas e
compreender o significado pretendido pelo autor.
c) Assinatura, sinais públicos e documentos mistos
Os sinais e assinaturas presentes nos documentos merecem atenção, pois, muitas vezes,
passam despercebidos. No entanto, por serem úteis a pesquisas acadêmicas, as assinaturas,
sinais públicos e aspectos presentes nos documentos mistos merecem atenção para a exatidão
durante a transcrição. Portanto, a norma explica que as assinaturas rasas ou rubricas devem ser
destacadas em negrito no decorrer da transcrição; já os sinais públicos devem ser apresentados
como [sinal público]. Além disso, dentro dos documentos mistos, os caracteres especiais, como
carimbos, siglas e outros elementos, devem ser transcritos em estilos diferentes, com a garantia
de sua identificação e clareza diante do conteúdo original.
d) Selos, estampilhas, etc.
Em relação aos selos e estampilhas, é importante verificar corretamente dentro dos
documentos tanto os selos, como sinetes, lacres, chancelas, estampilhas, papéis selados e
desenhos, destacando-os como [estampilha]. Da mesma forma ocorre com a adição de valores
a essas estampilhas, como, por exemplo, [estampilhas, 200 rs].
e) Apresentação gráfica e referências
Para as referências, é recomendável adotar um resumo de cada texto que for transcrito,
levando em conta a descrição temática, além de um meio de recuperação dessa transcrição,
como, por exemplo, o cabeçalho que facilita a localização no acervo da instituição tanto do
documento transcrito quanto do original. Já para a apresentação virtual, a transcrição ocorre de
maneira fiel ao impresso que possui o texto original, sempre indicando as alterações que
ocorrem em cada página. Tecnicamente, a descrição para uma página do anverso [fl. 3] e
reverso [fl. 3v] é feita conforme as imagens a seguir. Caso não esteja paginado, é de
responsabilidade do transcritor realizar a paginação, ou se se estiver em branco, indica-se [fl.
13, em branco].
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IMAGEM 7 nº. 2da Revista do Ensino para transcrição (anverso)
Fonte: Revista do Ensino (1911).
IMAGEM 8 nº. 2 da Revista do Ensino para transcrição (reverso)
Fonte: Revista do Ensino (1911).
A partir das imagens apresentadas, considerando as normas para transcrição no anverso
e reverso de uma folha, neste caso, conforme as páginas 65 e 66 do número 2 da Revista
Maranhense, de março de 1911, tem-se a seguinte transcrição:
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IMAGEM 9 Transcrição da página anversa e reversa do nº. 2 da Revista do Ensino
Fonte: Elaborado pela autora (2024).
A partir desse caso, podemos identificar que, ao adicionarmos o termo [fl. 65],
indicamos que a transcrição foi feita no anverso da folha, mais especificamente na página 65,
conforme orientado pela norma. Isso facilita a localização exata do conteúdo. O mesmo ocorre
no segundo caso, quando se usa [fl. 66v], indicando que o texto transcrito está no verso da folha
66, conforme representado pela letra 'v'. Essa prática facilita a consulta e a referência ao
documento original, garantindo maior precisão na análise dos conteúdos apresentados.
Portanto, o profissional deve ter atenção e cautela durante a análise, de modo que a
transcrição seja fiel ao documento original. Como esses documentos são únicos, é importante
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observar características específicas, como grafia, rasuras e partes deterioradas. Assim, símbolos
como [?] para trechos ilegíveis, [sic] para erros de grafia ou, até mesmo, [fl. v] para especificar
de que lado da folha estão as informações a serem transcritas, devem ser usados para preservar
as desvantagens do texto. Esses cuidados garantem a precisão da transcrição e asseguram a
confiabilidade das informações para consultas futuras.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para concluir este trabalho, é importante destacar a relevância da transcrição nas
unidades informacionais e a necessidade de discussão a respeito da temática no âmbito
acadêmico. Através do trabalho realizado, é possível perceber a necessidade de capacitação dos
discentes que irão ingressar no mercado de trabalho, assim como também dos profissionais já
formados, pois estes possuem participação ativa na preservação de documentos.
Vale ressaltar a necessidade de que os futuros profissionais também se familiarizem
com a temática por meio da inclusão do ensino das técnicas dentro da disciplina de Arquivística,
de modo a incluir o assunto na grade curricular dos cursos de Biblioteconomia. O foco é formar
bibliotecários já capacitados e prontos para lidar com a transcrição, pois a digitalização, por si
só, não resolve, sendo necessário que o profissional responsável pelo tratamento da informação
saiba as técnicas de transcrição.
Pela análise feita no decorrer do trabalho foi possível perceber que as bibliotecas e a
transcrição possuem um objetivo em comum, que é a preservação de documentos. Com isso, a
conversão de textos para o formato digital é uma garantia de longevidade das informações, as
quais, por meio da acessibilidade, servirão como fonte histórica para pesquisas atuais e futuras.
Além disso, essa conversão favorece a preservação da memória cultural por meio desse bem e
dos valores passados que moldaram a história da sociedade como forma de torná-la viva. Essa
ação possibilita a relembrança das histórias e a promoção da identidade cultural.
Por fim, esta atividade apresenta às bibliotecas uma oportunidade de trazer longevidade
e salvaguarda do patrimônio. Atualmente, é perceptível a falta de estudos que interligam a
prática da transcrição à área da Biblioteconomia e a desvalorização governamental em relação
à preservação, o que dificulta ainda mais a conscientização dos profissionais e discentes sobre
a transcendência que a transcrição pode oferecer à área. Portanto, é fundamental a criação de
novas pesquisas que envolvam o treinamento dos profissionais a essa técnica: a preservação
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digital e a transcrição, entre outros meios que possam colaborar para o desenvolvimento da
atividade dentro da área.
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