desenvolvimento de discussões críticas, como a capacidade de análise histórica e a interpretação
cultural. Esses aprendizados transcendem o espaço do arquivo e impactam positivamente o
currículo escolar, conectando o patrimônio à formação mais ampla dos alunos.
Ao engajar os alunos e professores no processo de inventário participativo, a proposta
estabelece uma conexão entre as práticas escolares e os princípios da sociomuseologia. Os
objetos selecionados pelos participantes deixam de ser meras materialidades e passam a ser
entendidos como portadores de historicidades significativas, refletindo as memórias e
experiências da comunidade escolar.
O ser dos objetos existe na relação com o ser dos outros objetos e o ser
humano. Falar sobre objetos é falar necessariamente acerca de nossa própria
historicidade. O trabalho pedagógico com o objeto gerador sugere que,
inicialmente, sejam exploradas as múltiplas relações entre o objeto e quem o
escolheu. Mais cedo ou mais tarde, isso desemboca em outros atos criativos:
a relação entre objetos do presente e do passado e o próprio questionamento
sobre as divisões entre pretérito e o mundo atual. Tais exercícios vão, pouco a
pouco, constituindo base para um relacionamento mais crítico com as
exposições museológicas. Mas isso só acontece porque há, antes de tudo, uma
abertura de visibilidade, o alargamento da percepção. (Ramos, 2004, p. 62).
A escolha do inventário participativo na construção do arquivo histórico escolar
evidencia o potencial das práticas patrimoniais para transformar o ambiente educativo. Mais do
que um exercício técnico, a metodologia propõe um diálogo entre as memórias oficiais e
aquelas que emergem das vivências cotidianas dos sujeitos escolares. Essa relação dialógica
possibilita a ressignificação dos espaços escolares como lugares de memória, conforme
conceitos de Pierre Nora (1993).
Essa diretiva abre a possibilidade de múltiplas leituras no presente e no futuro
sobre a escola, por parte de investigadores, mas também por parte da própria
comunidade escolar. Não serve apenas a uma escrita sobre a escola (no bojo
de pesquisas historiográficas ou não), mas atende aos interesses de construção
de vínculos entre os fazeres atuais e pretéritos no interior da escola, por parte
dos professores, professoras, alunos e alunas, de maneira a construir o arquivo
escolar, como defende Nora (1993), em um lugar de memória. Integrada à vida
da escola, o arquivo pode fornecer-lhe elementos para a reflexão sobre o
passado da instituição, das pessoas que a frequentaram ou frequentam, das
práticas que nela se produziram e, mesmo, sobre as relações que estabeleceu
e estabelecem com seu entorno (a cidade e a região na qual se insere). (Vidal,
2005, p. 23-24).
O reconhecimento do patrimônio histórico-educativo como um elemento dinâmico e
relacional é essencial para a construção de novas formas de pertencimento e identidade. Ao