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INVENTÁRIO PARTICIPATIVO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO-EDUCATIVO:
UMA AVENTURA SOCIOMUSEOLÓGICA DESCOLONIAL NO ARQUIVO
HISTÓRICO DA EE DR. ALMEIDA VERGUEIRO - ESPÍRITO SANTO DO
PINHAL, SP, BRASIL
Gisele de Cássia Morgão
CIVILIS/FE/UNICAMP, Brasil
giselemorgao@gmail.com
Maria Cristina Menezes
CIVILIS/FE/UNICAMP, Brasil
mcris@unicamp.br
RESUMO
O texto aborda o uso do inventário participativo articulado à metodologia sociomuseológica,
no âmbito dos estudos da nova museologia, em projeto desenvolvido em uma escola pública
centenária, Escola Estadual Dr. Almeida Vergueiro, em Espírito Santo do Pinhal, SP. A
participação da comunidade escolar na identificação e registro de artefatos significativos,
conectando memórias individuais e coletivas ao patrimônio histórico-educativo da instituição,
abriu veredas ao desenvolvimento de novas práticas escolares. O projeto possibilitou o
enriquecimento do arquivo histórico escolar em narrativas plurais com o intuito de ressignificar
e valorizar laços identitários e afetivos, com o fortalecimento do senso de pertencimento em
prática discursiva crítica descolonial.
Palavras-chave: Inventário participativo; sociomuseologia; perspectiva descolonial.
INVENTARIO PARTICIPATIVO DEL PATRIMONIO HISTÓRICO-EDUCATIVO:
UNA AVENTURA SOCIOMUSEOLÓGICA DECOLONIAL EN EL ARCHIVO
HISTÓRICO DE LA EE DR. ALMEIDA VERGUEIRO - ESPÍRITO SANTO DO
PINHAL, SP - BRASIL
RESUMEN
El texto aborda el uso del inventario participativo articulado con la metodología
sociomuseológica, en el contexto de los estudios de la nueva museología, en un proyecto
desarrollado en una escuela pública centenaria, la Escuela Estadual Dr. Almeida Vergueiro, en
Espírito Santo do Pinhal, São Paulo - Brasil. La participación de la comunidad escolar en la
identificación y registro de artefactos significativos, conectando las memorias individuales y
colectivas con el patrimonio histórico-educativo de la institución, abrió caminos para el
desarrollo de nuevas prácticas escolares. El proyecto permitió enriquecer el archivo histórico
escolar en narrativas plurales con el fin de resignificar y valorar la identidad y los vínculos
afectivos, con el fortalecimiento del sentido de pertenencia en la práctica discursiva crítica
decolonial.
Palabras clave: Inventario participativo; sociomuseología; perspectiva decolonial.
PARTICIPATORY INVENTORY OF THE HISTORICAL-EDUCATIONAL
HERITAGE: A DECOLONIAL SOCIOMUSEOLOGICAL ADVENTURE IN THE
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HISTORICAL ARCHIVE OF THE EE DR. ALMEIDA VERGUEIRO - ESPÍRITO
SANTO DO PINHAL, SP - BRAZIL
ABSTRACT
The text addresses the use of the participatory inventory articulated with the sociomuseological
methodology, in the context of the studies of the new museology, in a project developed in a
centennial public school, Dr. Almeida Vergueiro State School, in Espírito Santo do Pinhal, SP
- Brazil. The participation of the school community in the identification and recording of
significant artifacts, connecting individual and collective memories to the institution's
historical-educational heritage opened paths to the development of new school practices. The
project made it possible to enrich the school historical archive in plural narratives in order to
resignify and value identity and affective ties, with the strengthening of the sense of belonging
in decolonial critical discursive practice.
Keywords: Participatory inventory, sociomuseology; decolonial perspective.
INVENTAIRE PARTICIPATIF DU PATRIMOINE HISTORIQUE-ÉDUCATIF: UNE
AVENTURE SOCIOMUSÉOLOGIQUE DÉCOLONIALE DANS LES ARCHIVES
HISTORIQUES DE EE DR. ALMEIDA VERGUEIRO - ESPÍRITO SANTO DO
PINHAL, SP - BRÉSIL
RÉSUMÉ
Le texte aborde l’utilisation de l’inventaire participatif articulé avec la méthodologie
sociomuséologique, dans le cadre des études de la nouvelle muséologie, dans un projet
développé dans une école publique centenaire, l’école publique Dr. Almeida Vergueiro, à
Espírito Santo do Pinhal, SP - Brésil. La participation de la communauté scolaire à
l’identification et à l’enregistrement d’artefacts significatifs, reliant les mémoires individuelles
et collectives au patrimoine historique-éducatif de l’institution, a ouvert la voie au
développement de nouvelles pratiques scolaires. Le projet a permis d’enrichir l’archive
historique de l’école en récits pluriels afin de resignifier et de valoriser l’identité et les liens
affectifs, avec le renforcement du sentiment d’appartenance dans la pratique discursive critique
décoloniale.
Mots-clés: Inventaire participatif ; sociomuséologie ; perspective décoloniale.
INTRODUÇÃO
O patrimônio histórico-educativo tem ganhado destaque como um campo fundamental
para a preservação de memórias e identidades escolares em contexto no qual práticas educativas
inovadoras são cada vez mais demandadas. Contudo, as abordagens usualmente utilizadas, na
preservação dos artefatos históricos educativos, por vezes secundarizam o papel ativo que as
comunidades escolares podem desempenhar na construção e manutenção dos acervos históricos
que compõem o patrimônio educativo guardado em instituições escolares. Esse estudo buscou
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dialogar com o patrimônio escolar em seu contexto de origem em prática compartilhada entre
sujeitos escolares.
Nesse texto objetiva-se recuperar aspectos de um percurso pelos meandros do Memorial
Escolar, também chamado de Arquivo Escolar, Museu, Sala Museu, enfim, espaço de vozes
plurais, incertas, que aos poucos vão ganhando rumo em direção a novos saberes e
entendimentos em encontro com a cultura material escolar interrogada. Um percurso de
ressignificação dos acervos escolares abordados em suas instituições de origem.
Práticas inclusivas permitem que o patrimônio seja abordado para além de repositório
de objetos antigos, mas como um campo dinâmico que reflete experiências, identidades e
histórias vividas por sujeitos que integraram e integram as instituições escolares.
Nesse contexto, a opção pela prática do inventário participativo, visando a preservação
e o estudo dos acervos, contidos no Arquivo Histórico da escola supracitada, mostrou-se
desafiadora e apresentou inovações aos olhos daqueles que a prescrutaram. Essa abordagem do
patrimônio, aliada aos princípios da sociomuseologia, agrega estratégias educacionais que
podem promover uma educação patrimonial para além da simples preservação dos objetos. O
objetivo se prolifera, são objetivos, não se trata de apenas proteger o passado, mas de fomentar
a construção contínua de novos saberes, de estimular o diálogo, problematizar.
A problematização nesse campo, diante de artefatos históricos carregados de histórias,
memórias de sujeitos e vestígios de práticas, remete ao aporte de outras possibilidades para o
entendimento da situação policrônica que se apresenta.
Primeiramente, o encontro, a apresentação dos sujeitos envolvidos no projeto e a forma
de abordagem da cultura material escolar. Após trazer as ações propostas no interior da
instituição escolar e a preocupação com a conservação dos objetos não como prática isolada,
mas vivenciada de forma participativa no âmbito de uma nova museologia. Em seguida, faz-se
necessária a discussão do que se entende como nova museologia, bem como a problematização
que se foi sentindo necessária a partir da consideração, no desdobrar das ações, dos estudos
descoloniais.
O ENCONTRO - SUJEITOS ENVOLVIDOS – AÇÕES PROPOSTAS
No Arquivo Histórico da Escola Estadual Dr. Almeida Vergueiro, instituição inaugurada
em 1897 como Grupo Escolar na cidade de Espírito Santo do Pinhal, SP, a proposta de
inventário participativo foi aplicada como uma estratégia educativa e sociomuseológica. Como
parte das atividades, os alunos matriculados no quinto ano do ensino fundamental anos iniciais
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- participaram de um exercício reflexivo por meio de um questionário que abordava questões
centrais sobre memória e patrimônio. O objetivo era explorar suas concepções iniciais sobre
temas relevantes para o processo de musealização e a valorização do patrimônio histórico-
educativo.
Um questionário, de sondagem inicial, convidou os alunos a refletirem e responderem
as seguintes questões: O que é memória? O que são lugares de memória? O que é
musealização? Qual a importância de um museu?
FIGURA 1 – Questionário inicial para levantamento prévio sobre os saberes que envolvem
musealização e espaços de memória.
Fonte: acervo pessoal.
FIGURA 2 – Questionário inicial para levantamento prévio sobre os saberes que envolvem
musealização e espaços de memória.
Fonte: acervo pessoal.
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As respostas evidenciaram uma diversidade de percepções, revelando as experiências e
os entendimentos que os alunos traziam de seus contextos pessoais e escolares. Muitos
associaram memória às recordações de momentos importantes, enquanto os lugares de memória
foram descritos como espaços onde essas recordações são preservadas e compartilhadas.
Ao discutir musealização, foi possível abordar reflexão sobre o ato de transformar
objetos e histórias em testemunhos culturais, destacando o ato de organizar e compartilhar
conhecimentos. Sobre a importância de um museu, emergiram ideias ligadas à preservação da
história, ao aprendizado coletivo e à criação de um senso de pertencimento à comunidade.
A aplicação do questionário permitiu que os estudantes conectassem conceitos teóricos
à prática vivenciada no projeto, estimulando uma compreensão mais profunda sobre os
processos de memória e patrimonialização, promovendo um diálogo crítico articulado às
percepções individuais e ampliando o entendimento coletivo sobre o papel da memória e dos
museus na sociedade.
Além da proposição inicial, cada aluno foi convidado a selecionar um artefato que
considerasse significativo à sua trajetória escolar. Os participantes foram convidados a
identificar objetos e documentos que considerassem significativos, articulando memórias
pessoais e coletivas. Esse processo ampliou as narrativas patrimoniais, incorporando histórias
e perspectivas antes secundarizadas no desenvolvimento do acervo. Esse momento envolveu
reflexões sobre os objetos que carregam memórias, afetos e histórias vividas no ambiente
escolar, proporcionando uma conexão mais profunda com o patrimônio histórico-educativo.
Após a escolha do artefato, cada aluno preencheu uma ficha catalográfica simples.
Nessa ficha, foram registradas as características intrínsecas e extrínsecas do objeto. Entre as
informações extrínsecas, os alunos descreveram elementos como material, cor, dimensões e
estado de conservação. Nas características intrínsecas, destacaram o contexto de uso, a função
do artefato no ambiente escolar e as memórias pessoais associadas a ele.
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FIGURA 3 – Ficha catalográfica preenchida após a escolha do objeto para a composição do
novo acervo colaborativo.
Fonte: acervo pessoal.
FIGURA 4 – Ficha catalográfica preenchida após a escolha do objeto para a composição do
novo acervo colaborativo.
Fonte: acervo pessoal.
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Posteriormente, os dados reunidos na ficha catalográfica foram sintetizados em um
pequeno documento, similar a uma etiqueta museológica. Essa etiqueta, anexada ao artefato,
apresentava um resumo das informações mais relevantes, como tipologia e motivações para a
escolha daquele objeto. Esse processo não apenas deu visibilidade ao objeto escolhido, mas
também promoveu a valorização do significado agregado à trajetória escolar de cada aluno.
Após o processo de escolha e catalogação dos artefatos, juntamente com as reflexões
promovidas pelo questionário, os objetos selecionados pelos alunos passaram a integrar acervos
ressignificados. Acervos compostos por itens representativos das trajetórias escolares,
memórias afetivas e histórias compartilhadas, evidenciando a pluralidade e a riqueza do
patrimônio escolar em seu aspecto material e imaterial.
Os artefatos foram expostos em um espaço reservado ao arquivo histórico da escola, que
recebeu o nome de Sala Museu. Esse ambiente foi pensado para ser um lugar de salvaguarda
de toda materialidade histórica-educativa da escola centenária, como também um local de
memória viva, onde os objetos, acompanhados de suas etiquetas descritivas, contarão novas
histórias e instigarão novas reflexões e representatividades.
Esse espaço, colaborativamente constituído, passou a simbolizar um compromisso
contínuo com a valorização das vivências escolares, tornando-se um local de aprendizagem,
pertencimento e diálogo intergeracional.
FIGURAS 5 e 6 – Objeto/Artefato selecionado para composição do acervo e sua etiqueta de
identificação.
Fonte: acervo pessoal.
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FIGURAS 7 e 8 – Objeto/Artefato selecionado para composição do acervo e sua etiqueta de
identificação.
Fonte: acervo pessoal.
FIGURAS 9 e 10 – Objeto Artefato selecionado para composição do acervo e sua etiqueta de
identificação.
Fonte: acervo pessoal.
O impacto dessa prática foi além da ampliação dos acervos ao promover a valorização
das identidades locais, incentivando uma reflexão crítica sobre o papel do patrimônio na
formação dos sujeitos. Ao escolherem os objetos, para a composição do inventário, os
participantes não apenas resgataram o passado, mas também ressignificaram seu vínculo com
a escola e com a comunidade. Essa relação afetiva de compartilhamento de saberes e
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descobertas fortalece o senso de pertencimento e estimula uma postura mais ativa na
preservação e valorização das memórias articuladas às histórias escolares.
INVENTÁRIO PARTICIPATIVO, NOVA MUSEOLOGIA E PERSPECTIVA
DESCOLONIAL: AMPLIAÇÃO DE VOZES E PLURALIDADE DE NARRATIVAS
O inventário participativo ao abrir diálogo à problematização do passado, a partir do
presente, sem, entretanto, se descuidar à tentação anacrônica, suscita a perspectiva descolonial
ao desafiar as hierarquias e exclusões que tradicionalmente caracterizam as práticas
patrimoniais educacionais em países colonizados, nos quais a colonialidade persiste
culturalmente em processo de subjetivação dos sujeitos. Ele reconhece e valoriza as vozes dos
sujeitos escolares, promovendo uma narrativa plural e inclusiva. Essa abordagem reflete um
compromisso com a justiça social e a diversidade cultural, alinhando-se aos princípios da
sociomuseologia.
A Sociomuseologia objetiva visibilidade para esses grupos historicamente
subalternizados, não apenas na vida social, mas também nas instituições de
memórias, nos museus comunitários, nos museus de Arte, de Ciências, de
História, entre outros. Não importa a tipologia nem o espaço físico do museu,
mas, sim, a intencionalidade que respalda a sua relação com a sociedade. “Esta
Sociomuseologia expressa uma prática museológica multifacetada, onde
coexistem conceitos que expressam desafios e objetivos que ganharam forma
em tempos diferentes, e deram voz a diferentes estratos sociais e diferentes
projetos societais”. (Pasqualucci et al., 2022, p.332-333).
A educação patrimonial aliada à crítica do currículo escolar eurocêntrico incrustado aos
artefatos históricos educativos abrigados em instituições centenárias, como no caso do projeto
vivenciado na EE Dr. Almeida Vergueiro”, a partir de uma perspectiva descolonial, contesta
uma visão hegemônica eurocêntrica e elitista das relações entre patrimônio e sociedade. No
caso do patrimônio histórico-educativo, essa perspectiva desafia estruturas hegemônicas e
eurocêntricas que, historicamente, moldaram a gestão desse patrimônio cultural. Essa
abordagem valoriza as experiências, os saberes e as memórias de grupos marginalizados ou
silenciados nas narrativas oficiais.
A aplicação do inventário participativo, alicerçada pela perspectiva descolonial, não
apenas reconhece a existência de memórias dormentes nos objetos escolares, mas também cria
espaço para novas narrativas, construídas de forma coletiva e dialógica. O envolvimento dos
sujeitos escolares, em especial alunos e professores, expande os sentidos atribuídos ao
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patrimônio guardado que clama pela descoberta e libertação de suas potencialidades ao se
aproximar das experiências contemporâneas. É o inventário participativo presente como
ferramenta ponte à democratização do acesso ao patrimônio, enfatizando a importância de
múltiplas visões e interpretações sobre os bens culturais.
Esse movimento, alinhado às reflexões de pensadores como Paulo Freire (2021) e
Aníbal Quijano (2005), expõe a colonialidade presente nos processos de educação e gestão
patrimonial. Ele reconhece que as práticas de preservação não podem ser dissociadas das
dinâmicas de poder e das hierarquias que historicamente excluíram saberes e identidades não
hegemônicas. Nesse sentido, o inventário participativo contribui para uma educação
patrimonial comprometida com a construção de uma memória coletiva, que se quer inclusiva e
representativa de vozes que encontram espaço para serem ouvidas e valorizadas.
Refletir sobre narrativas patrimoniais e currículo e buscar contribuições para
os debates sobre algumas disputas de poder que configuram construções de
conhecimentos, de memórias e de identidades implica confrontar
conhecimentos instituídos. Este confronto, que revela a complexidade das
relações e a perplexidade dos acontecimentos, capaz de transgredir, mas talvez
insuficiente para superar em curto prazo o domínio das epistemologias do
Norte carrega consigo memórias do futuro para a construção de
conhecimentos prospectivos que, por sua vez, podem afirmar as
epistemologias do Sul, e, nessa perspectiva, refundar criticamente práticas
patrimoniais e curriculares. (Pasqualucci; Saul, 2022, p. 42).
O conceito de colonialidade traz a ideia da Modernidade e do seu lado mais escuro,
trata-se da colonialidade que surgiu com a história das invasões europeias, com a formação das
Américas, do Caribe e do tráfico de africanos escravizados. A colonialidade é constitutiva da
Modernidade, que não existe sem a colonialidade. A América foi inventada, mapeada,
apropriada e explorada sob a bandeira da missão cristã. A América não se encontrava à espera
para ser “descoberta” (Mignolo, 2017).
A educação patrimonial, quando abordada a partir de perspectiva descolonial, revela-se
uma estratégia poderosa para uma outra concepção do patrimônio e sua materialidade. Ela
revela uma leitura do patrimônio cultural que valoriza a diversidade de narrativas, incentivando
reflexões sobre a história e as identidades coletivas da comunidade escolar. Nesse sentido, o
inventário participativo assume um papel central na articulação entre memória, identidade e
educação.
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SOCIOMUSEOLOGIA E EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: NOVAS POSSIBILIDADES
AO ESTUDO DO PATRIMÔNIO ESCOLAR
A sociomuseologia, desenvolvida a partir das reflexões da Nova Museologia, inaugura
uma abordagem transformadora no campo do patrimônio cultural. Distanciando-se de práticas
tradicionais, que priorizam a preservação material e a visão tecnocrática, a sociomuseologia
coloca em evidência as relações sócio-históricas, políticas e culturais que envolvem os bens
patrimoniais. Ao adotar um olhar mais inclusivo e engajado, a sociomuseologia reconhece o
patrimônio como um espaço de diálogo e construção de saberes compartilhados.
A sociomuseologia, como abordagem mais ampla e inclusiva, redefine o papel dos
museus e arquivos escolares, integrando as dimensões sociais, políticas e culturais de suas
práticas. Na América Latina, ela foi apropriada pelos movimentos sociais e pela pedagogia
crítica de Paulo Freire, enfatizando a educação dialógica e emancipadora. Nesse cenário, o
inventário participativo se destaca como ferramenta pedagógica com possibilidade de promover
a construção coletiva de memórias e saberes, em contraponto a práticas verticalizadas.
A Sociomuseologia não é uma nova forma de denominar a Nova museologia,
mas antes deve ser compreendida como uma abordagem multidisciplinar do
fazer e do pensar da museologia, entendida como recurso para o
desenvolvimento sustentável da humanidade, assente na igualdade de
oportunidades e na inclusão social e econômica, tendo por base a
interdisciplinaridade com as demais áreas do conhecimento. (Primo;
Moutinho, 2020, p. 25).
No contexto da sociomuseologia, o inventário participativo não se limita à catalogação
de objetos. Ele promove um exercício de cidadania, incentivando a apropriação social do
patrimônio e a construção de narrativas compartilhadas. Essa abordagem contribui para a
valorização de memórias plurais, fortalecendo os vínculos entre a comunidade e seu acervo
histórico, enquanto desafia hierarquias de poder associadas à gestão vertical do patrimônio.
O inventário participativo, aplicado ao patrimônio histórico-educativo guardado na
instituição escolar, desafia a lógica convencional de salvaguarda ao valorizar a participação dos
sujeitos escolares na seleção, interpretação e preservação de seus acervos. Essa prática estimula
o reconhecimento do arquivo escolar como um espaço dinâmico de construção de identidades
e significados, superando o conceito estático de "memória oficial". Além disso, possibilita a
integração de novos objetos e narrativas, enriquecendo o acervo com perspectivas múltiplas e
representativas.
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No ambiente escolar, esses princípios ganham vida ao estabelecer conexões
significativas entre os acervos e os sujeitos escolares. A leitura crítica do patrimônio estimula a
reflexão sobre sua relevância histórica, cultural e identitária. Além disso, a educação
patrimonial incorpora a dimensão afetiva, fortalecendo os laços entre a comunidade e o seu
acervo.
[...]os processos educativos devem ser construídos de forma coletiva e
dialógica, democrática e horizontalmente, na perspectiva de que o patrimônio
cultural não pode ser imposto ou outorgado ao outro, de cima para baixo, na
mesma medida em que “ensinar não é transferir conhecimento” (Freire, 1996,
p.22). [...] o patrimônio cultural deve ser apropriado socialmente, respeitando
os diferentes olhares, saberes e cosmovisões das pessoas com quem lidamos.
assim podemos conseguir o reconhecimento, valorização e preservação de
suas referências culturais mais importantes, que estão atreladas à formação
das identidades e memórias coletivas de distintos grupos sociais. (Tolentino,
2022, p. 108).
A prática de inventário, que se buscou participativo, desenvolvida no arquivo histórico
da Escola Estadual Dr. Almeida Vergueiro antigo grupo escolar - reflete a tentativa de criar
laços mais profundos entre os sujeitos escolares e o patrimônio histórico existente. Ao se fugir
da mera transmissão de conhecimento, como colocado por Paulo Freire [...], apostou-se pelo
compartilhamento de saberes entre os sujeitos, em operação na qual se almeja transformar a
relação entre os sujeitos e o patrimônio, reconhecendo a importância da participação ativa na
construção das memórias escolares.
Reconhecer a escola como patrimônio cultural, além de valorizar os bens
materiais e imateriais que são próprios da comunidade escolar e da unidade
territorial pertencente, é algo paralelo ao processo de valorização do
patrimônio humano e afetivo que lhe é próprio. Estamos especificamente
falando da comunidade escolar composta por estudantes, seus responsáveis,
professores, gestores, atores locais e outros profissionais da educação e das
relações sociais, afetivas e profissionais estabelecidas entre eles que
potencializam o processo de ensino- -aprendizagem na escola. (Brasil, 2022,
p. 24).
São a sociomuseologia e a educação patrimonial redefinições da forma como
entendemos o patrimônio histórico-educativo. Elas abrem caminho para práticas mais
inclusivas e dialógicas, que apostam na possibilidade das práticas e sujeitos preservam o
passado, mas também conectam memórias e identidades ao presente e ao futuro da comunidade
escolar.
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IDENTIDADES, NARRATIVAS E A CONSTRUÇÃO DO PATRIMÔNIO ESCOLAR
NO INVENTÁRIO PARTICIPATIVO
O inventário participativo, como metodologia, representa uma ruptura significativa com
os paradigmas tradicionais de preservação. Ele desloca o protagonismo dos especialistas para a
comunidade, envolvendo diretamente os sujeitos no processo de identificação, seleção e
registro dos bens patrimoniais. No contexto escolar, essa abordagem é particularmente
poderosa, pois permite que alunos, professores e outros agentes educativos se tornem coautores
na construção das memórias institucionais.
O Inventário Participativo constitui-se, portanto, numa ferramenta de
Educação Patrimonial com objetivos principais de fomentar no leitor a
discussão sobre patrimônio cultural, assim como estimular que a própria
comunidade busque identificar e valorizar as suas referências culturais, numa
construção dialógica do conhecimento acerca de seu patrimônio cultural. [...]
A ferramenta apresenta-se, antes de tudo, como um exercício de cidadania e
participação social, de forma que os seus resultados possam contribuir para o
aprimoramento do papel do Estado na preservação e na valorização das
referências culturais brasileiras, assim como servir de fonte de estudos e
experiências no contínuo processo de aprendizado. (Brasil, 2022, p. 52-53).
O caso do Arquivo Histórico da Escola Estadual Dr. Almeida Vergueiro, foi palco
privilegiado desse diálogo entre a sociomuseologia e a educação patrimonial. O arquivo foi aos
poucos deixando cair o invólucro de uma existência estática e glamourosa distantes dos sujeitos
comuns nas práticas ordinárias escolares, em que se pode ver, sem precisar entender e vangloriar
sem problematizar, para então se transformar em território dinâmico de diálogo e aprendizado.
O envolvimento da comunidade escolar nesse processo não apenas enriqueceu o acervo, mas
também possibilitou uma maior identificação dos sujeitos com as histórias ali contidas. Essa
transformação reforça a importância de práticas patrimoniais que valorizem as vozes locais,
promovendo um senso de pertencimento e responsabilidade coletiva.
Um dos objetivos do Inventário Participativo é fortalecer o sentimento de
pertencimento e tornar claro que somos produto de pluralidades culturais que
convivem no mesmo espaço em diferentes tempos. Portanto, a construção
consciente de narrativas, a gestão coletiva e a comunicação dialógica são
conceitos indissociáveis em meio às ações norteadores desta iniciativa.
(Primo; Araujo, 2018, p. 15).
Outro aspecto relevante é a dimensão educativa do inventário participativo. Ao envolver
os sujeitos escolares em atividades práticas e reflexivas, a metodologia promove o
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desenvolvimento de discussões críticas, como a capacidade de análise histórica e a interpretação
cultural. Esses aprendizados transcendem o espaço do arquivo e impactam positivamente o
currículo escolar, conectando o patrimônio à formação mais ampla dos alunos.
Ao engajar os alunos e professores no processo de inventário participativo, a proposta
estabelece uma conexão entre as práticas escolares e os princípios da sociomuseologia. Os
objetos selecionados pelos participantes deixam de ser meras materialidades e passam a ser
entendidos como portadores de historicidades significativas, refletindo as memórias e
experiências da comunidade escolar.
O ser dos objetos existe na relação com o ser dos outros objetos e o ser
humano. Falar sobre objetos é falar necessariamente acerca de nossa própria
historicidade. O trabalho pedagógico com o objeto gerador sugere que,
inicialmente, sejam exploradas as múltiplas relações entre o objeto e quem o
escolheu. Mais cedo ou mais tarde, isso desemboca em outros atos criativos:
a relação entre objetos do presente e do passado e o próprio questionamento
sobre as divisões entre pretérito e o mundo atual. Tais exercícios vão, pouco a
pouco, constituindo base para um relacionamento mais crítico com as
exposições museológicas. Mas isso acontece porque há, antes de tudo, uma
abertura de visibilidade, o alargamento da percepção. (Ramos, 2004, p. 62).
A escolha do inventário participativo na construção do arquivo histórico escolar
evidencia o potencial das práticas patrimoniais para transformar o ambiente educativo. Mais do
que um exercício cnico, a metodologia propõe um diálogo entre as memórias oficiais e
aquelas que emergem das vivências cotidianas dos sujeitos escolares. Essa relação dialógica
possibilita a ressignificação dos espaços escolares como lugares de memória, conforme
conceitos de Pierre Nora (1993).
Essa diretiva abre a possibilidade de múltiplas leituras no presente e no futuro
sobre a escola, por parte de investigadores, mas também por parte da própria
comunidade escolar. Não serve apenas a uma escrita sobre a escola (no bojo
de pesquisas historiográficas ou não), mas atende aos interesses de construção
de vínculos entre os fazeres atuais e pretéritos no interior da escola, por parte
dos professores, professoras, alunos e alunas, de maneira a construir o arquivo
escolar, como defende Nora (1993), em um lugar de memória. Integrada à vida
da escola, o arquivo pode fornecer-lhe elementos para a reflexão sobre o
passado da instituição, das pessoas que a frequentaram ou frequentam, das
práticas que nela se produziram e, mesmo, sobre as relações que estabeleceu
e estabelecem com seu entorno (a cidade e a região na qual se insere). (Vidal,
2005, p. 23-24).
O reconhecimento do patrimônio histórico-educativo como um elemento dinâmico e
relacional é essencial para a construção de novas formas de pertencimento e identidade. Ao
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considerar as vozes da comunidade escolar na construção do acervo, o inventário participativo
rompe com práticas hegemônicas e promove uma relação mais inclusiva e transformadora com
o patrimônio cultural.
Além disso, a prática do inventário participativo possibilita a construção de uma
narrativa mais ampla e representativa do passado e do presente escolar. Essa abordagem
ressignifica a função do arquivo histórico, que passa a ser um espaço de diálogo entre diferentes
temporalidades, identidades e memórias, enriquecendo o ambiente educativo como um todo.
No caso específico do arquivo histórico da Escola Estadual Dr. Almeida Vergueiro, a
aplicação do inventário participativo recuperou não apenas objetos e documentos, mas também
histórias e experiências que refletem a diversidade cultural e social da comunidade escolar. Esse
processo promoveu uma valorização do patrimônio imaterial, contribuindo para uma
compreensão mais ampla e integrada das dinâmicas escolares.
Ao promover uma relação dialógica e horizontal com o patrimônio, a metodologia do
inventário participativo desafia estruturas hierárquicas e autoritárias no campo da museologia
e da educação. Esse processo enfatiza a importância da participação ativa da comunidade
escolar na definição do que deve ser preservado e valorizado.
[...] a memória não é um produto meramente individual, mas coletivo, pois as
pessoas recebem influência não apenas da escola e das mídias, mas também
das instituições de memória, como os museus. Assim sendo, considera-se que
os locais e as instituições que guardam e reproduzem a memória pública são
objetos de reconhecimento, nos quais as imagens e as narrativas apresentadas
são lembradas e incorporadas como parte da memória social. Entretanto, não
podemos esquecer que há escolhas em relação ao que é preservado e ao que é
destruído e critérios nos processos de gerar ou não visibilidade a algo
(objeto, patrimônio, monumento, obra de arte, documento). A seleção desses
objetos de lembrança é sempre intencional e carregada de sentido, cujos
processos seletivos são, de um modo ou de outro, politizados e sobre os quais
divergências e disputas que vão além de mero jogo de oposição entre
“memória” ou “esquecimento” e “exibição” ou “silenciamento” (Canclini,
1994). (Pasqualucci, 2022, p. 332).
Esse modelo evidencia a importância de uma abordagem descolonial e dialógica na
gestão do patrimônio histórico-educativo, reafirmando o papel da escola como um espaço
privilegiado de memória e identidade. A continuidade dessa prática depende, contudo, de
esforços institucionais para sua integração nos currículos e políticas educacionais.
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CONSIDERAÇÕES QUE NÃO SE ESGOTAM
O inventário participativo, aplicado ao Arquivo Histórico da Escola Estadual Dr.
Almeida Vergueiro, revelou-se prática transformadora no campo do patrimônio histórico-
educativo. Ao integrar os princípios da sociomuseologia e da educação patrimonial, essa
metodologia promoveu uma relação mais inclusiva e dialógica entre a comunidade escolar e os
acervos históricos escolares. Ela redefine o papel do patrimônio, não como um depósito estático
de memórias, mas como um espaço dinâmico de construção coletiva de saberes e identidades.
Além disso, o inventário participativo contribui para a formação de um currículo
descolonial, que valoriza a diversidade e desafia as hierarquias históricas. Essa prática reafirma
o compromisso da escola com uma educação mais crítica e inclusiva, que reconhece as
múltiplas vozes e experiências que compõem sua história.
Ao conectar memórias passadas às vivências do presente, o inventário participativo
fortalece os laços comunitários e promove uma compreensão mais ampla e democrática do
patrimônio histórico-educativo. Ele transforma o arquivo escolar em um espaço vivo de
aprendizado e cidadania, reafirmando seu papel como guardião de memórias e promotor de
reflexões críticas.
Em suma, o inventário participativo revela-se uma ferramenta poderosa para aproximar
a comunidade escolar de seu patrimônio histórico, fortalecendo laços identitários e promovendo
uma educação mais crítica e participativa. Ao reconhecer e valorizar as múltiplas vozes que
compõem a história da escola, essa prática reflete um compromisso com a justiça social e a
diversidade cultural, essenciais para o desenvolvimento de uma sociedade mais inclusiva e
democrática.
Assim, o inventário participativo transforma o arquivo histórico em um espaço vivo de
construção de identidades e saberes, conectando as materialidades do passado às dinâmicas do
presente. Ele revela as potencialidades do patrimônio histórico-educativo como uma ferramenta
poderosa para a formação da cidadania ao valorizar e preservar trajetórias, histórias e memórias.
Conclui-se que o inventário participativo, enquanto prática sociomuseológica e
descolonial, aparece como via privilegiada para repensar o papel do patrimônio histórico-
educativo na formação de identidades escolares críticas. Essa metodologia transforma o arquivo
escolar em um espaço vivo de construção de memórias e saberes, em sintonia com as demandas
contemporâneas por inclusão e diversidade.
Portanto, a experiência do inventário participativo, na Escola Estadual Dr. Almeida
Vergueiro, sinalizou para o potencial da sociomuseologia ao integrar as vozes da comunidade
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escolar na organização de acervos históricos educativos interrogados no local originário de suas
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Recebido em: 30 de outubro de 2024
Aceito em: 30 de dezembro de 2024