Esta área inclui o Mercado de Ferro (também conhecido como Mercado de Peixe),
o Mercado de Carne (ou Mercado Francisco Bolonha), as praças do Pescador e do
Relógio, o Solar da Beira, a Pedra do Peixe, a Feira aberta, a Feira do Açaí, além de outros
equipamentos comerciais, como boxes e barracas, onde pode-se encontrar uma grande
variedade de produtos locais, desde peixes frescos até artesanato regional.
Libânia descalça, mas sempre no seu andar de bem calçada, fazia umas
comprinhas sem tanta necessidade, as raízes da madrinha-mãe, um
vasinho para planta, a bilha, se possível, encomendada pelo padrinho.
Levava Alfredo para aquele haver de criaturas que desembarcavam,
crianças e bichos, baús, redes, sacos, comedorias pelos toldos e proas.
Vendedores farejavam tios-bimbas para impingir a sua droga - extrato,
talco, pulseira, brinco, trancelim, lencinho com letra, chapéus usados,
‘ouros’ de mil quilates e colares de pouca ilusão. As frutas, as carroças,
os portugueses praguejando, os bêbados nos paralelepípedos. Aquela
criancinha aos berros, a mãe acudiu com uma palmada e um ralho
estridente, o pirralho bem obrando ao pé da cesta de baunilha. (Jurandir,
2004, p. 453).
Cada um desses elementos contribui para a complexidade da atmosfera do Ver-o-
Peso, de modo que permitiu que nesta paisagem urbana viva e mutável, de frente para o
rio, coexista com a imaterialidade da cultura ribeirinha e interiorana. Neste sentido, a
leitura da paisagem urbana do Complexo do Ver-o-Peso permite o diálogo entre a figura
do personagem Alfredo chegando da Ilha do Marajó e a capital moderna e decadente.
Importante considerar no Ver-o-Peso as formas tradicionais, os costumes, dos
rituais e até uso de artefatos que foram transmitidos por gerações anteriores (Leitão,
2016). É uma herança que está arraigada na cultura de uma parte da sociedade de Belém,
principalmente a que corresponde este lado do CHB.
O patrimônio histórico edificado do Ver-o-Peso dá abrigo às diferentes
nuances da cultura amazônica, seja nos produtos comercializados, nos
seus modos de fazer e conhecimentos tradicionais expressos no
manuseio das ervas curativas e nas receitas e preparos culinários, em
seus diferentes ofícios (barqueiros, peixeiros, carregadores,
balanceiros, etc.); em gestos, linguagens, ritos, que se produzem e
reproduzem, atravessando gerações ao longo dos seus mais de 300 anos.
(Cruz; Mesquita; Sarquis, 2015, p. 24).
Em BGP, o narrador é sutil ao construir uma atmosfera para o Ver-o-Peso que não
seja complexa em sua compreensão e de fácil reconhecimento. Jurandir (2004) o faz de
maneira que este não seja apenas um cenário para o enredo, mas sim um elemento
estruturador narrativa e ganhando uma certa animação: