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ENTRE NAÇÕES E PAPÉIS: PERCURSOS METODOLÓGICOS PARA O ESTUDO
DOS LIVROS DIDÁTICOS ITALIANOS PARA AS ESCOLAS ITALIANAS NO
EXTERIOR
Renata Brião de Castro
Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, Brasil
renatab.castro@gmail.com
RESUMO
Este artigo busca discutir o percurso metodológico de uma pesquisa dedicada ao estudo dos
livros didáticos italianos destinados às escolas italianas no exterior, com ênfase no Brasil entre
as décadas de 1920 e 1940. A investigação foi realizada, sobretudo, a partir do trabalho em
arquivos físicos, considerando a materialidade dos documentos como elemento central.
Discutem-se os desafios de acesso, as estratégias de localização das fontes e as ausências
documentais, bem como as potencialidades dos acervos escolares, religiosos e particulares. O
artigo propõe uma reflexão sobre a importância de analisar os livros didáticos em articulação
com um conjunto documental mais amplo, a fim de compreender seus processos de produção,
circulação e uso em contextos transnacionais e de migração.
Palavras-chave: Livros didáticos italianos. Arquivos escolares. Escolas italianas no exterior.
ENTRE NACIONES Y PAPELES: RECORRIDOS METODOLÓGICOS PARA EL
ESTUDIO DE LOS LIBROS DE TEXTO ITALIANOS EN LAS ESCUELAS
ITALIANAS EN EL EXTRANJERO
RESUMEN
Este artículo busca discutir el recorrido metodológico de una investigación dedicada al estudio
de los libros de texto italianos destinados a las escuelas italianas en el extranjero, con énfasis
en el contexto brasileño entre las décadas de 1920 y 1940. La investigación se llevó a cabo,
principalmente, a partir del trabajo en archivos físicos, considerando la materialidad de los
documentos como elemento central. Se discuten los desafíos de acceso, las estrategias de
localización de las fuentes y las ausencias documentales, así como las potencialidades de los
acervos escolares, religiosos y particulares. El artículo propone una reflexión sobre la
importancia de analizar los libros de texto en articulación con un conjunto documental más
amplio, con el fin de comprender sus procesos de producción, circulación y uso en contextos
transnacionales y migratorios.
Palabras clave: Libros de texto italianos. Archivos escolares. Escuelas italianas en el
extranjero.
BETWEEN NATIONS AND PAPERS: METHODOLOGICAL APPROACHES TO
THE STUDY OF ITALIAN TEXTBOOKS FOR ITALIAN SCHOOLS ABROAD
ABSTRACT
This article discusses the methodological path of a research project focused on the study of
Italian textbooks intended for Italian schools abroad, with particular emphasis on Brazil
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between the 1920s and 1940s. The investigation was carried out primarily through work in
physical archives, considering the materiality of documents as a central element. It addresses
the challenges of access, strategies for locating sources, and documentary absences, as well as
the potential of school, religious, and private collections. The article reflects on the importance
of analyzing textbooks in connection with a broader documentary set, in order to understand
their production, circulation, and use in transnational and migratory contexts.
Keywords: Italian textbooks. School archives. Italian schools abroad.
ENTRE NATIONS ET PAPIERS : PARCOURS MÉTHODOLOGIQUES POUR
L’ÉTUDE DES MANUELS SCOLAIRES ITALIENS DANS LES ÉCOLES
ITALIENNES À L’ÉTRANGER
RÉSUMÉ
Cet article vise à discuter du parcours méthodologique d’une recherche consacrée à l’étude des
manuels scolaires italiens destinés aux écoles italiennes à l’étranger, avec un accent particulier
sur le Brésil entre les années 1920 et 1940. L’enquête a été menée principalement à partir du
travail dans des archives physiques, en considérant la matérialité des documents comme un
élément central. L’article aborde les défis liés à l’accès, les stratégies de localisation des sources
et les absences documentaires, ainsi que le potentiel des fonds scolaires, religieux et privés. Il
propose une réflexion sur l’importance d’analyser les manuels scolaires en articulation avec un
ensemble documentaire plus large, afin de comprendre leurs processus de production, de
circulation et d’usage dans des contextes transnationaux et migratoires.
Mots-clés : Manuels scolaires italiens. Archives scolaires. Écoles italiennes à l’étranger.
INTRODUÇÃO
Manusear arquivos não é apenas buscar dados frios; é sentir a materialidade
do passado, penetrar no murmúrio das vozes apagadas que ainda ressoam nos
papéis guardados. É perceber o rastro das histórias que ficaram por contar e
que se revelam nas dobras desses documentos. (Farge, 2009, p. 14).
O estudo, desenvolvido neste artigo, é fruto de um percurso empírico tecido na busca e
no aprofundamento da pesquisa sobre os livros didáticos destinados às escolas italianas no
exterior. De um certo modo, este texto foi inspirado pelo clássico da historiadora francesa
Arlette Farge, O Sabor do Arquivo. Sem nenhuma pretensão de equiparação com o livro da
autora, que é uma obra de arte, mas inspirada pelo seu modo de escrever sobre seu percurso
metodológico de pesquisa nos arquivos franceses, esta reflexão ganhou contornos importantes
e significativos.
Ainda que nos últimos anos tenha crescido o debate em torno da História Digital
(Lucchesi, 2014; Brasil e Nascimento, 2020), História Digital da Educação (Ruyskensvelde,
2014; Vidal, 2022; Boto, 2023) e uso da inteligência artificial para auxílio com documentos
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históricos (2025) das possibilidades oferecidas pelos acervos online, adicionalmente, muitas
instituições que preservam fontes, as disponibilizam (em partes) online, o trabalho do
historiador, e aqui do historiador da educação se faz, em um primeiro momento, dentro dos
arquivos, das bibliotecas e dos centros de documentação e memória. O contato direto com os
documentos físicos continua insubstituível, especialmente quando se pretende compreender a
materialidade, as marcas de uso e os gestos pedagógicos inscritos nos objetos escolares. Nesse
sentido, é necessário destacar que a pesquisa que embasa este estudo se deu exclusivamente a
partir do trabalho com arquivos físicos. O foco central da investigação é a produção, a
circulação e o uso dos livros didáticos italianos destinados às chamadas escolas italianas no
exterior
1
, com especial atenção às instituições situadas no Brasil entre as décadas de 1920 e
1940, período marcado, por um lado, pelas políticas do governo de Benito Mussolini na Itália,
e, por outro lado, no Brasil, pelo governo de GetúlioVargas, políticas essas que entraram em
conflito com as medidas nacionalizadoras do Estado Novo. Nesse sentido, a reflexão
metodológica apresentada ao longo deste artigo dialoga diretamente com um corpus concreto
de livros didáticos italianos encontrados durante a pesquisa empírica. O contato com coleções
como Cuor lontano, a série Scuole Italiane all’estero, além de manuais de autores como
Giuseppe Fanciulli, permitiu observar de perto as materialidades, marcas de circulação e
intervenções presentes nesses impressos. A presença desses exemplos contribui para
demonstrar o percurso metodológico a partir de um objeto de estudos intrinsecamente articulado
ao exame de fontes específicas preservadas em diferentes arquivos e bibliotecas.
A partir de fontes diversas, tais como: livros e manuais escolares, anuários, relatórios
consulares, documentos de congregações religiosas e documentos de editoras, buscou-se
compreender o papel dos manuais escolares como instrumentos de italianidade e identidade
cultural nas comunidades imigrantes italianas em contextos sul-americanos, especialmente o
brasileiro e o argentino. Nesta direção, este artigo foi concebido como um esforço de
reconstrução do caminho metodológico que sustentou a pesquisa acima mencionada. Em vez
de apresentar apenas os resultados, busca-se explicitar as estratégias de busca, os critérios de
seleção e as mediações necessárias para acessar os acervos, valorizando a dimensão empírica
fazer historiográfico da educação. A experiência nos arquivos revelou-se artesanal, exigindo
1
As escolas italianas no exterior (Scuole Italiane all’Estero) foram instituições fundadas, financiadas ou
reconhecidas pelo governo italiano com o objetivo de atender aos filhos de emigrantes italianos e promover a
língua e a cultura italiana em comunidades estrangeiras (Salvetti, 2002). Funcionaram sob diferentes
modalidades públicas, paritárias, privadas ou ligadas a associações culturais e religiosas e foram
especialmente incentivadas a partir do início do século XX, em particular durante o período fascista, como
instrumento de italianização das comunidades migrantes (Castro, 2025).
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tempo, uma proximidade física com os documentos, tal como aponta Farge (2009): “o sabor do
arquivo passa por esse gesto artesão, lento e pouco rentável, em que se copiam textos, pedaço
por pedaço, sem transformar sua forma, sua ortografia, ou mesmo sua pontuação. Sem pensar
muito nisso. E pensando o tempo todo” (p. 23). Esse gesto descrito por Farge, de copiar pedaço
por pedaço, transforma-se, no contexto desta pesquisa, no ato de digitalizar cuidadosamente
cada página, capa ou fragmento encontrado. Mesmo mediado por uma tecnologia, o processo
mantém sua dimensão artesanal: exige tempo, atenção aos detalhes dos vestígios materiais. Essa
sensação descrita por Farge, “sem pensar muito nisso. E pensando o tempo todo”, traduz bem
o ritmo da pesquisa em arquivos: enquanto se realizam tarefas repetitivas e, talvez, mecânicas,
como fotografar ou digitalizar documentos, a mente permanece atenta, conectando
informações, formulando hipóteses e refletindo sobre o que está sendo encontrado, uma
primeira análise se faz dentro do espaço do arquivo.
Quando se fala em analisar os livros e manuais didáticos e paradidáticos que circularam
no contexto das escolas italianas no exterior, as primeiras perguntas que nos colocamos é quais
livros, como compreender quais os tulos, onde circularam e, por fim, em qual (is) acervos e
arquivos encontrá-los. A resposta a essas questões é que nos levaram a escrever a presente
contribuição. É válido mencionar que alguns estudos, sobretudo brasileiros e italianos, que
abordam, de algum modo, a temática dos livros didáticos, não aqui espaço para nos
debruçarmos sobre cada um desses textos, nos limitamos a indicar o artigo escrito por Castro
(2025) que mostra um mapa dessa produção no contexto brasileiro.
Este trabalho, portanto, insere-se no campo do patrimônio histórico-educativo, cuja
consolidação tem sido acompanhada por um esforço crescente de valorização da cultura
material escolar, especialmente a partir dos estudos de Julia (2001), que propõem a
consideração desses objetos como fontes legítimas e relevantes para a pesquisa histórica. Como
destacam Escolano Benito (2022) e Viñao Frago (2002), os livros escolares devem ser
compreendidos como artefatos culturais que condensam projetos pedagógicos, políticas
educativas e valores simbólicos.
Essa abordagem pressupõe o exame de um conjunto documental amplo, que inclui
regulamentos, correspondências, catálogos editoriais e registros escolares, a fim de
compreender os processos de produção, circulação e uso dos livros didáticos. Como ressalta
Choppin (2004), o manual escolar faz parte de um “sistema documental” mais complexo, que
envolve múltiplos atores e práticas institucionais. No caso das escolas italianas no exterior, essa
perspectiva se aprofunda, pois permite captar as articulações entre as diretrizes do Estado
italiano e as estratégias de italianização cultural implementadas nas comunidades migrantes.
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A análise dos livros didáticos, nesse sentido, possibilita múltiplas abordagens. Para
Maciel e Frade (2006), o estudo dos livros didáticos compreende desde a investigação de sua
produção editorial e materialidade ao uso desses materiais como fontes e objetos de pesquisa
histórica. A metodologia de análise, segundo os autores, deve articular a leitura dos livros com
o exame de outros documentos escolares e administrativos. Também Margarida Felgueiras
(2005) amplia essa visão ao enfatizar que a cultura material escolar é composta por um conjunto
diversificado de objetos, cartilhas, carteiras, livros didáticos, atas, fichas de matrícula,
mobiliário, entre outros, sendo os livros didáticos um dos componentes centrais para
compreender o cotidiano e as práticas educativas.
Além da análise textual, a atenção à materialidade é fundamental. Como observa Roger
Chartier (1990, 2003), o texto o existe independentemente de seu suporte: as formas,
estruturas e meios de circulação afetam profundamente os usos e as interpretações possíveis
dos escritos escolares. Estudar os livros didáticos implica, portanto, considerar tanto seu
conteúdo quanto suas características físicas, formato, encadernação, marcas de uso, como
dimensões essenciais para a interpretação histórica. Essa sensibilidade para a dimensão material
e simbólica dos livros escolares é reforçada por Rosa Fátima Corrêa (2000), que salienta a
importância de reconhecer os manuais como fontes capazes de revelar representações sociais,
valores dominantes e projetos de formação social em diferentes períodos históricos. Desvendar
esses objetos exige tratá-los ao lado de outras fontes escritas, orais e iconográficas, permitindo
rediscutir intenções e estratégias educativas.
Por fim, Munakata (2003) lembra que o livro didático não é apenas um repositório de
conteúdos ideológicos, mas um objeto pedagógico que, ao ser manipulado segundo protocolos
específicos de uso escolar, participa ativamente das práticas educativas. Assim, o estudo dos
livros didáticos italianos para as escolas no exterior requer uma abordagem atenta tanto à
materialidade desses objetos quanto às práticas de circulação, apropriação e uso nos diferentes
contextos migratórios.
Deste modo, este artigo pretende contribuir para esse debate, propondo uma reflexão
metodológica sobre os caminhos percorridos para localizar, acessar e analisar os livros didáticos
italianos em circulação nas escolas do exterior. Para contemplar as discussões propostas, a
estrutura do artigo está dividida em cinco seções, desde esta introdução. Na sequência, a
segunda seção apresenta o enquadramento teórico-metodológico sobre arquivos, acervos e
patrimônio histórico-educativo. A terceira descreverá os itinerários da pesquisa, com foco nas
instituições consultadas e nas estratégias de acesso às fontes. A quarta seção é dedicada à análise
da materialidade, circulação e uso dos manuais escolares. Por fim, a quinta e última parte, por
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sua vez, desenvolve algumas considerações finais e sugere desdobramentos futuros para o
campo da história da educação.
Ao integrar esse debate, este artigo pretende contribuir para uma abordagem que
considera os livros didáticos como parte do patrimônio histórico-educativo das comunidades
italianas no exterior, reconhecendo neles uma dimensão identitária e política que extrapola os
limites da escola. A presença desses materiais em arquivos e coleções revela não apenas um
legado pedagógico, mas também memórias de migração, estratégias de italianização e
resistências culturais.
Para além da discussão metodológica, este artigo dialoga com a identificação de um
conjunto de livros didáticos italianos localizados em acervos brasileiros, argentinos e italianos.
A referência a esse material tem a finalidade de ilustrar, ainda que de forma introdutória, como
o percurso metodológico adotado se articula com a materialidade dos impressos encontrados,
indicando possibilidades de análise sobre coleções, autores, práticas editoriais e marcas de uso.
Ao aproximar metodologia e objeto, busca-se reconhecer que o trabalho em arquivos físicos é
fundamental não apenas para localizar as fontes, mas também para compreender, em linhas
gerais, seus sentidos históricos nos contextos migratórios e transnacionais em que circularam.
Para além da discussão metodológica, este artigo dialoga com a identificação de um
conjunto de livros didáticos italianos localizados em acervos brasileiros, argentinos e italianos.
A referência a esse material tem a finalidade de ilustrar, ainda que de forma introdutória, como
o percurso metodológico adotado se articula com a materialidade dos impressos encontrados,
indicando possibilidades de análise sobre coleções, autores, práticas editoriais e marcas de uso.
Ao aproximar metodologia e objeto, busca-se reconhecer que o trabalho em arquivos físicos é
fundamental não apenas para localizar as fontes, mas também para compreender, em linhas
gerais, seus sentidos históricos nos contextos migratórios e transnacionais em que circularam.
ARQUIVOS, ACERVOS E O PATRIMÔNIO HISTÓRICO-EDUCATIVO
A pesquisa em história da educação, especialmente quando voltada à cultura material
escolar, tem se debruçado com crescente atenção sobre o papel dos arquivos e acervos na
constituição de um patrimônio histórico-educativo. Autores como Escolano Benito (2022),
Viñao Frago (2002), Julia (2001), Chervel (1990), Goodson (2007), Magalhães (1999) e Meda
(2022; 2024) têm destacado a importância dos objetos, documentos e práticas escolares como
fontes essenciais para compreender a educação como fenômeno cultural e social. Nesse campo,
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o livro didático ocupa lugar privilegiado, não apenas como instrumento pedagógico, mas
também como artefato de memória e identidade coletiva, tal como explica Sani:
Per giungere poi alla più recente storia della cultura materiale della scuola,
che ha posto al centro dell'indagine aspetti e strumenti quali: l 'editoria
specializzata e i libri di testo, la stampa periodica per gli insegnanti, i quaderni
di scuola, le Biblioteche di classe e d 'istituto, gli archivi scolastici, i laboratori
e gabinetti scientifici, le suppellettili, fino alla strumentazione scientifica, alle
carte geografie, ai cartelloni murali e ai numerosi altri ausili e supporti
didattici per l 'insegnamento. (Sani, 2023, p. 09).
Essa ampliação do olhar sobre os objetos escolares reforça a compreensão do livro
didático como parte de um sistema mais amplo de cultura material, no qual cada elemento
contribui para a formação das práticas pedagógicas e das identidades escolares. Esse campo,
consolidado nas últimas décadas, é atravessado por um esforço de preservação e valorização de
objetos, práticas e documentos que testemunham as experiências escolares em diferentes
contextos históricos e em diferentes instituições que os preservam. Pensar o patrimônio escolar
é reconhecer que a escola deixou marcas para além dos currículos e das pedagogias: ela
produziu objetos, arquiteturas, documentos e memórias que hoje constituem fontes
fundamentais para compreendermos a educação como fenômeno cultural (Escolano Benito
2022; Viñao Frago, 2002)
Os arquivos, portanto, não são apenas depósitos de fontes primárias: são também
espaços de construção de uma memória coletiva e de disputas em torno do que merece ser
preservado (Derrida, 2001). No caso dos livros escolares, essa dimensão patrimonial se revela
de um modo particularmente sensível: o livro didático é, ao mesmo tempo, instrumento
pedagógico e artefato ideológico; carrega marcas de políticas educacionais, de linguagens
editoriais, de projetos culturais e, muitas vezes, de intenções nacionalistas (Bittencourt, 1997).
Neste sentido, compreender os livros escolares como parte do patrimônio histórico-
educativo significa também interrogar os próprios processos de constituição dos acervos: por
que determinados materiais foram guardados e outros descartados? Que critérios orientaram,
ou ainda orientam, as políticas de preservação? Como os livros didáticos italianos destinados
às escolas no exterior se inserem nesse processo, especialmente quando circulam entre países,
idiomas e sistemas educacionais distintos? Essas perguntas ajudam a tensionar a noção de
arquivo como lugar neutro, revelando-o como território de seleção, exclusão e silenciamento
(Farge, 2009; Derrida, 2001). Os arquivos, portanto, não são apenas depósitos de fontes
primárias: são também espaços de construção de uma memória coletiva e de disputas em torno
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do que merece ser preservado. O texto de Alain Choppin (2004) pode ser considerado um ponto
de partida importante dentro dessa discussão, ao propor uma abordagem dos manuais escolares
que reconhece sua inserção em sistemas documentais mais amplos e ressalta a necessidade de
contextualizar sua análise em meio às práticas institucionais e sociais que definem sua
produção, circulação e conservação. Como destaca Choppin (2004), essa disputa se estende
também à definição do próprio objeto de estudo, que os livros didáticos e outros materiais
escolares carregam funções múltiplas, referencial, instrumental, ideológica e documental, e
estão profundamente marcados por contextos sociais, culturais e políticos que influenciam tanto
sua produção quanto sua preservação e uso como fonte histórica.
O percurso investigativo proposto neste trabalho se insere, assim, em um esforço mais
amplo de valorização dos documentos escolares como patrimônio cultural, procurando não
apenas analisar os conteúdos dos livros didáticos italianos, mas também compreender seus
trajetos, suas materialidades e os contextos arquivísticos que tornaram possível seu acesso e
estudo. A noção de patrimônio histórico-educativo, segundo autores como Julia (2001) e
Chervel (1990), não se limita à preservação de grandes sistemas escolares ou às políticas
educacionais formais, ela inclui também os traços cotidianos da vida escolar, como: os cadernos
de alunos, os móveis escolares, os quadros de parede, os instrumentos pedagógicos e, com
destaque especial, os livros didáticos. Estes são elementos-chave para a reconstrução da
“materialidade da escola” e da denominada cultura material escolar. Nessa perspectiva, a
valorização dos livros escolares não se restringe à sua função instrucional, mas considera sua
forma gráfica, seus modos de circulação, os dispositivos ideológicos que neles se inscrevem e
os usos sociais que lhes são atribuídos.
É nesse quadro que a pesquisa sobre os livros didáticos italianos nas escolas no exterior
se insere. Esses materiais, muitas vezes mantidos em diversos acervos em diversos países
revelam um conjunto de práticas de italianidade que atravessaram fronteiras e se adaptaram a
realidades locais. A dificuldade de localizar tais livros e de compreender os motivos de sua
preservação (ou desaparecimento), assim como os seus modos de circulação, os seus usos e
apropriações ou não por parte das comunidades migrantes italianas exige do pesquisador um
olhar atento não apenas ao conteúdo textual, mas também à lógica arquivística que molda o que
é acessível e a percorres as diversas instituições.
Um aspecto fundamental a ser considerado na pesquisa sobre livros didáticos italianos
destinados às escolas no exterior diz respeito à localização e à preservação desses materiais. A
maior parte dos exemplares disponíveis hoje encontra-se em acervos e bibliotecas na própria
Itália, o que se explica pelo fato de terem sido produzidos e distribuídos por editoras italianas,
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geralmente com o apoio do governo central ou de instituições religiosas. Nos países de destino,
contudo, a situação é bastante diversa. No caso do Brasil, por exemplo, a escassez de livros
didáticos italianos preservados em arquivos públicos e escolares está diretamente relacionada
ao contexto político local, especialmente durante o governo de Getúlio Vargas. A partir da
década de 1930, políticas nacionalistas passaram a proibir o uso de materiais didáticos em
idiomas estrangeiros, o que levou ao descarte, à ocultação ou à substituição dos livros utilizados
nas escolas mantidas por comunidades de imigrantes. Essa política de nacionalização do ensino
contribuiu para a fragilidade da memória documental dessas instituições e para o silenciamento
de parte significativa da história educacional das populações de origem italiana no país. Essas
diferenças evidenciam que o estudo dos livros didáticos italianos nas escolas do exterior não
pode ser dissociado dos contextos políticos e culturais locais, que influenciaram diretamente as
práticas de ensino, a permanência das nguas de origem e, sobretudo, as políticas de
preservação ou descarte da cultura material escolar. Ao mesmo tempo, elas reforçam a
importância do olhar comparativo e transnacional, capaz de iluminar tanto as convergências
quanto as particularidades nos processos de escolarização de comunidades migrantes.
Dessa forma, o estudo dos livros didáticos italianos no exterior, ao ser conduzido por
meio do contato com acervos e arquivos, insere-se em uma tradição investigativa que valoriza
os vestígios escolares como elementos-chave do patrimônio histórico-educativo. Mais do que
fontes ilustrativas, esses materiais constituem peças centrais para compreender as dinâmicas
culturais e políticas da educação transnacional, especialmente nos contextos de migração e
colonização. Nesse sentido, o tópico seguinte descreve o percurso metodológico empreendido
para localizar e acessar tais fontes, revelando os itinerários, obstáculos e estratégias envolvidos
na investigação.
ITINERÁRIOS DA PESQUISA: PERCURSOS METODOLÓGICOS E
INSTITUIÇÕES CONSULTADAS
Para além da reflexão teórica, essa abordagem metodológica se materializou em
decisões e práticas investigativas específicas, que estruturaram todo o trabalho empírico da
pesquisa. A seguir, descreve-se como esse percurso se organizou em etapas complementares de
identificação, localização e análise dos livros didáticos italianos, articulando diferentes fontes
e instituições, tanto na Itália quanto na América do Sul.
O processo de construção do corpus documental analisado neste estudo foi marcado por
uma intensa busca em acervos dispersos, localizados em diferentes tipos de instituições no
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Brasil, na Argentina e, sobretudo, na Itália. O objetivo principal foi localizar exemplares de
livros didáticos italianos destinados às escolas italianas no exterior, com foco especial no
período entre as décadas de 1920 e 1940, período do fascismo italiano com as políticas do
governo de Benito Mussolini a fim de compreender os ideais desse governo por meio dos livros
e manuais escolares a partir de uma perspectiva transnacional.
Neste sentido, para contemplar os objetivos da presente pesquisa, em desenvolvimento,
foi necessário, como é característico das pesquisas histórico-educativas, mapear e localizar as
fontes de pesquisa, relembrando o texto clássico de Lopes e Galvão (2001), as autoras salientam
que uma pesquisa histórica educacional não se faz sem as fontes disponíveis para o estudo.
Salvaguardadas por vezes em diferentes instituições de memória, arquivos, bibliotecas, museus,
acervos privados, o trabalho de “garimpagem das fontes se torna uma das primeiras tarefas do
historiador da educação”. Nessa conjuntura, a primeira etapa consistiu na elaboração de um
mapeamento preliminar das instituições potencialmente detentoras de materiais escolares
italianos, uma primeira etapa foi possível realizar com base nos anuários das escolas italianas
no exterior e no livro produzido pelo historiador italiano Luatti (2022).
A partir desse primeiro mapeamento, uma questão central permaneceu em aberto: como
identificar, com maior precisão, quais livros didáticos circularam e em quais contextos
específicos, especialmente em quais países e instituições atuaram? Pois o fato de os livros terem
sido produzidos com a finalidade de atender às escolas italianas no exterior não significa, por
si só, que tenham efetivamente circulado ou sido utilizados no Brasil, por exemplo. Diante
disso, tornou-se necessário aprofundar a investigação por meio de uma ampla coleta
documental em diferentes tipos de acervos. Foram consultados arquivos escolares históricos,
bibliotecas públicas e universitárias, arquivos de congregações religiosas, museus da educação
e coleções particulares. Essa diversidade de instituições permitiu não apenas localizar
exemplares físicos dos livros, mas também reconstruir, ainda que parcialmente, os caminhos
que esses materiais percorreram, revelando tanto os esforços de distribuição oficial quanto as
formas locais de apropriação, uso e conservação.
Dito isso, o trabalho empírico estruturou-se em dois grandes blocos distintos, mas
complementares e profundamente interligados: o primeiro compreender quais livros foram
produzidos e em quais contextos, pois o fato de terem sido produzidos para uso nas escolas
italianas no exterior, não significa necessariamente que circularam e/ou foram utilizados no
Brasil ou nos países da América do Sul; o segundo passo, com os títulos dos manuais em mãos,
foi o de buscar esses manuais nas diversas instituições de guarda e preservação. Nesse caminho,
um passo importante foi aquele oferecido pelo Online Public Access Catalogue del Servizio
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Bibliotecario Nazionale (OPAC SBN), um sistema integrado que permite, em um lugar,
consultar livros nas mais diversas instituições italianas e, a partir disso, acessar os catálogos
específicos das bibliotecas que compõem o sistema.
O primeiro passo, referente ao conhecimento dos títulos dos livros e dos autores, foi/é
realizado inteiramente em instituições arquivísticas, com material que mostram o
funcionamento das escolas italianas, locais onde os livros escolares funcionaram, assim como
os documentos que mostram o envio desses livros pelas diferentes editoras e as notas do envio
desse material que era de responsabilidade do Ministero degli Affari Esteri italiano. Entre essas
fontes, destacam-se os anuários escolares, os relatórios de inspetores consulares, os inventários
de material didático enviados da Itália para as escolas do exterior, os documentos
administrativos das instituições escolares, bem como as correspondências entre escolas,
consulados e editoras. Uma fonte particularmente significativa nesse conjunto são as chamadas
bustas do Arquivo Histórico Diplomático do Ministero degli Affari esteri (Farnesina), que
reúnem a documentação administrativa referente à ação cultural e escolar do Estado italiano
junto às comunidades emigradas. Essas bustas contêm ofícios, relatórios consulares,
memorandos internos, listas de remessa de livros didáticos e materiais pedagógicos, além de
correspondências trocadas entre o Ministério das Relações Exteriores e os consulados, escolas
e associações italianas espalhadas pelo mundo. Por meio desses documentos, é possível
reconstituir as diretrizes oficiais para a seleção dos livros enviados, os critérios adotados para
sua distribuição, as estratégias de controle ideológico sobre o conteúdo escolar e as iniciativas
de padronização do ensino da língua e da cultura italiana no exterior. Além de oferecer a
possibilidade de organizar e listar os títulos dos livros produzidos para serem enviados ao
exterior e aos livros enviados para as escolas, essas fontes evidenciam as políticas ativas que
conduziam a um sentimento de italianidade (Luchese, 2012) conduzidas pelo governo,
especialmente durante o regime fascista, buscando garantir a formação de uma identidade
nacional entre os descendentes de italianos nas comunidades migrantes. Em muitos casos,
também revelam conflitos locais, dificuldades logísticas no envio dos materiais e negociações
entre diferentes atores envolvidos no processo, o que permite uma leitura mais densa das
práticas de circulação e uso dos livros didáticos em contextos transnacionais. Essa primeira
etapa da pesquisa permitiu traçar um panorama mais amplo da presença dos livros didáticos
italianos em determinadas regiões, cidades e instituições, fornecendo dados fundamentais para
a composição de um corpus documental representativo, assim como compreender, para além
dos títulos dos livros, quais foram os modos de envio e de recepção nos países além-mar. É
válido mencionar que para entender os usos, ou não, dos manuais nas escolas italianas ainda é
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necessário analisar uma rie de materiais que vão desde os documentos internos dessas
instituições escolares até, por exemplo, cadernos e exercícios escolares.
A segunda etapa da pesquisa foi/é justamente a de se concentrar especificamente nos
livros e manuais escolares. É necessário mencionar que, do ponto de vista temporal, não
classificamos as duas etapas como primeira e/ou segunda, elas aconteceram/acontecem de
maneira concomitante dentro de um mesmo espaço geográfico, somente as separamos neste
artigo para fins de clareza e organização textual. Esse segundo movimento requer a consulta
direta a arquivos, bibliotecas públicas ou privadas, acervos de congregações religiosas e
coleções particulares, com o objetivo de localizar os volumes mencionados nos documentos ou
outros que tenham efetivamente chegado às salas de aula.
Esse processo investigativo, que articula documentos institucionais e exemplares
físicos, demanda uma atenção tanto às prescrições oficiais quanto às práticas cotidianas de
ensino. É justamente nesse entrecruzamento que a pesquisa ganha densidade contornos
significativos.
Para tanto, a fim de contemplar as duas etapas da pesquisa empírica escritas acima, a
constituição do corpus documental analisado nesta pesquisa envolveu a consulta a uma
diversidade de instituições arquivísticas e bibliográficas, tanto na Itália quanto na América do
Sul. Na Itália, foram fundamentais os acervos oficiais e especializados, como o Archivio
Centrale dello Stato e o Archivio Storico Diplomatico del Ministero degli Affari Esteri e della
Cooperazione Internazionale, ambos localizados em Roma, que forneceram importantes
documentos administrativos e consulares relativos à política educativa italiana para o exterior.
Ainda em Roma, a Biblioteca Centrale Nazionale e a Biblioteca di Storia Moderna e
Contemporanea permitiram o acesso a obras e periódicos especializados, assim como o Museo
della Scuola e dell’Educazione “Mauro Laeng”, vinculado à Università degli Studi Roma Tre,
que abriga um acervo significativo sobre a cultura escolar italiana. Destaca-se também o
trabalho realizado no Centro di Documentazione e Ricerca sulla Storia del Libro Scolastico e
della Letteratura per l’Infanzia, sediado na Università degli Studi di Macerata, cuja coleção foi
essencial para o levantamento de manuais escolares utilizados em escolas italianas no exterior.
Além desses, destacam-se também as pesquisas realizadas na Biblioteca Nazionale Centrale di
Firenze, na Biblioteca Sormani em Milão e em bibliotecas públicas e universitárias na cidade
de Turim, que contribuíram para ampliar a diversidade regional dos acervos consultados e
permitiram identificar variações locais na produção e na circulação dos livros escolares. Na
América do Sul, foram consultadas instituições que preservam a memória da presença italiana
em comunidades migrantes. No Brasil, a pesquisa envolveu o Centro de Memória do Colégio
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Dante Alighieri, o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo e o Laboratório de Ensino de
História da Universidade Federal de Pelotas, que disponibilizaram materiais relacionados ao
cotidiano escolar das escolas italianas. Na Argentina, destacam-se a Biblioteca de los Maestros,
com seu acervo voltado à história da educação no país, e o Instituto Italiano de Cultura de
Buenos Aires, que ofereceu documentos sobre as ações educativas promovidas pela Itália junto
às comunidades emigradas. Essa ampla rede de instituições consultadas permitiu uma
reconstrução abrangente das práticas de circulação, uso e conservação dos livros didáticos
italianos destinados às escolas no exterior, articulando diferentes contextos nacionais e
experiências migratórias.
Esses espaços de guarda revelaram realidades muito distintas entre si. Enquanto alguns
acervos se apresentavam relativamente organizados, com sistemas de catalogação acessíveis e
profissionais disponíveis para mediação com os pesquisadores, outros exigiam uma postura
investigativa mais exploratória. A metodologia adotada, portanto, combinou a pesquisa em
catálogos formais, integrada a busca nos próprios acervos. A identificação desses traços
materiais permitiu estabelecer relações entre os livros encontrados e o contexto histórico mais
amplo da emigração italiana, bem como refletir sobre as formas de recepção, apropriação e
resistência em torno desses objetos escolares, em consonância com os estudos sobre cultura
material escolar desenvolvidos por autores como Viñao Frago (2022), Choppin (2004) e
Magalhães (1999).
Ao descrever esse percurso, o artigo pretende não apenas oferecer uma contribuição de
natureza metodológica, mas também refletir sobre os limites e as possibilidades do trabalho
com fontes escolares em contextos transnacionais. A reconstrução do processo de busca,
seleção e leitura dos livros didáticos italianos contribui para uma compreensão mais ampla do
papel dessas fontes na história da educação, reconhecendo-os como elementos do patrimônio
histórico-educativo.
Encerrar o percurso metodológico que fundamenta esta pesquisa é também reconhecer
que o trabalho com livros didáticos italianos em contextos de migração ultrapassa a mera
identificação de títulos ou a reconstrução de listas bibliográficas. Trata-se de um esforço
interpretativo que exige integrar diferentes camadas documentais e compreender os sentidos
históricos atribuídos a esses objetos em distintos tempos e espaços. A combinação entre
arquivos oficiais, acervos escolares e fontes orais permite delinear não apenas o trajeto físico
dos livros, mas também os movimentos simbólicos de pertencimento, identidade e resistência
que os envolveram. Assim, a pesquisa se constitui como um exercício de reconstrução, atento
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aos discursos que permanecem nas páginas dos livros, nos registros administrativos e nas
memórias escolares.
A partir dessa reconstrução metodológica, que integra diferentes camadas de fontes e
contextos, torna-se possível avançar para uma análise mais aprofundada dos próprios livros
localizados: suas características materiais, suas formas de circulação e os usos que deles fizeram
as comunidades escolares. Nessa direção, a próxima seção é dedicada justamente a essa
dimensão, focalizando a materialidade, circulação e uso dos livros didáticos italianos
preservados. Trata-se de examinar não apenas o conteúdo impresso, mas os sinais de leitura,
apropriação e reutilização desses objetos pedagógicos em contextos marcados pela mobilidade,
pelo controle institucional e pelas práticas escolares locais.
MATERIALIDADE, CIRCULAÇÃO E USO
Um ponto importante da discussão, após o debate da produção e da preservação dos
livros, diz respeito à compreensão das camadas de significado que envolvem a circulação e o
uso desses manuais didáticos. Mais do que veículos de conteúdo, os livros são objetos que
carregam intenções políticas, valores culturais e marcas do cotidiano escolar. A forma como
esses livros foram recebidos, apropriados ou mesmo modificados nos diferentes contextos das
escolas italianas no exterior pode indicar práticas pedagógicas que foram, muitas vezes,
tensionadas entre diretrizes oficiais e adaptações locais, como é o caso do Brasil e do período
das políticas do Estado Novo e das medidas de nacionalização do governo de Getúlio Vargas.
Assim, o estudo da circulação e do uso ultrapassa a análise editorial e institucional, abrindo
espaço para interrogar as experiências vividas com o livro no cotidiano escolar, discussões essas
ainda em aberto e que merecerão atenção ao longo da investigação.
A identificação do corpus localizado ao longo da pesquisa permitiu reconhecer um
conjunto diversificado de livros didáticos italianos destinados às escolas da diáspora, ainda que
sua análise aqui seja apresentada de forma introdutória. Entre os materiais encontrados,
destacam-se coleções de leitura graduada, manuais de língua italiana, textos de formação moral
e cívica e séries preparadas para crianças italianas residentes fora da península, produzidos por
editoras como Bemporad, SEI e Mondadori. Esses primeiros levantamentos ajudam a situar a
variedade de impressos que circularam nas instituições italianas no exterior durante o período
fascista.
Um dos exemplos identificados é a coleção Cuor lontano, concebida com o intuito de
fortalecer o vínculo linguístico e afetivo entre as crianças italianas e a pátria distante. Os
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exemplares consultados mostram elementos que sugerem esse propósito, como narrativas
moralizantes, referências à memória nacional e ilustrações que remetem ao imaginário
patriótico da época. Algumas marcas materiais observadas, anotações, carimbos institucionais
ou pequenos reforços nas lombadas, permitem entrever indícios de uso escolar, ainda que sua
análise detalhada demande investigações posteriores.
Também merecem atenção obras de Giuseppe Fanciulli, amplamente difundidas nas
décadas de 1920 e 1930. Seus livros combinam conteúdos morais e religiosos com elementos
alinhados ao discurso nacionalista, sobretudo nas edições mais tardias. De forma preliminar,
foi possível observar em alguns exemplares características gráficas que reforçam esse
enquadramento, como capas sóbrias, iconografia patriótica e tipografias padronizadas, as quais
se articulam às intenções educativas do período.
Outro material localizado corresponde à rie Scuole italiane all’estero, destinada
explicitamente às crianças italianas residentes fora da península. Esses volumes reúnem
exercícios gramaticais, lições de leitura e conteúdos históricos que buscam fortalecer o
pertencimento nacional. Documentação consultada no Arquivo Histórico Diplomático da
Farnesina confirma que materiais desse tipo foram enviados regularmente a instituições na
América do Sul. A materialidade mais simples desses exemplares, papel leve, encadernações
econômicas e poucos recursos gráficos, sugere sua circulação em tiragens amplas.
As primeiras observações realizadas em acervos brasileiros e argentinos também indicam
processos de adaptação e apropriação desses materiais nos diferentes contextos de recepção.
Traduções manuscritas, intervenções pontuais feitas por professoras e fichas de leitura
acrescentadas posteriormente constituem indícios importantes dessas práticas, ainda que sua
análise sistemática extrapole os limites deste artigo. Esses vestígios, mesmo em sua apreciação
inicial, evidenciam que os livros didáticos italianos foram reinterpretados conforme as
realidades pedagógicas e linguísticas locais.
De modo geral, essas evidências reforçam que a materialidade dos exemplares
preservados, suas marcas de uso e seus diferentes estados de conservação constituem pistas
relevantes para compreender os modos de circulação e apropriação dos livros didáticos italianos
no exterior. As observações aqui apresentadas ainda são preliminares, mas apontam para a
relevância de estudos futuros que aprofundem a análise desses objetos em sua trajetória
transnacional.
A análise dos livros didáticos italianos localizados em arquivos brasileiros e italianos
revelou não apenas o conteúdo textual dessas obras, mas sobretudo a materialidade que os
constitui como objetos históricos. O estudo atento das capas, editoras, formatos, encadernações,
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marcas de uso e intervenções feitas nos livros oferece pistas valiosas sobre os percursos desses
materiais, suas apropriações e as intencionalidades que os moldaram (Castro, 2025). Como
destaca Roger Chartier (1990), é na articulação entre o objeto material, seu conteúdo e seus
usos sociais que se pode compreender o verdadeiro papel do livro na cultura escolar.
A circulação desses materiais entre Itália e Brasil (assim como em outros países), e
dentro do próprio território brasileiro, aponta para redes complexas de mobilidade cultural e
editorial. Essas redes envolveram consulados, associações italianas, congregações religiosas,
editoras e famílias de imigrantes.
Assim, compreender a circulação dos livros didáticos italianos em contextos de
emigração exige um olhar atento às marcas materiais e simbólicas inscritas nos próprios objetos,
mas também sensível às suas lacunas. Os livros, enquanto objetos móveis e portadores de
múltiplos sentidos, evidenciam os esforços de construção identitária operados por diferentes
agentes, Estado, Igreja, famílias, no interior das comunidades migrantes. Essa consciência
metodológica é essencial para reconhecer os limites do arquivo e, ao mesmo tempo, ampliar as
possibilidades interpretativas a partir das fontes de pesquisa.
Por fim, ao valorizar o percurso investigativo nos arquivos físicos, este trabalho
pretende contribuir para o reconhecimento do percurso empírico, físico, presencial para a
pesquisa histórico-educativa. Ainda, esse percurso reafirma a importância dos acervos escolares
como patrimônio educativo e cultural em constante construção.
A forma como esses livros foram recebidos, apropriados ou mesmo modificados nos
diferentes contextos das escolas italianas no exterior indica o estudo da circulação e do uso em
contextos transnacionais. A análise da circulação também permite mapear os fluxos
institucionais e informais que levaram esses livros de uma editora italiana até uma sala de aula
no Brasil ou em outro país latino-americano. Relatórios consulares, listas de remessa de
material escolar e correspondências entre escolas e autoridades educacionais italianas ajudam
a compor esse percurso, demonstrando o papel ativo do Estado italiano, especialmente durante
o regime fascista, na difusão desses manuais.
Ao considerar os livros didáticos como artefatos e mediadores culturais (Chartier, 1997)
em trânsito, esta pesquisa busca abordar a dimensão complexa desses objetos. A investigação
da sua materialidade, das rotas de circulação e dos modos de uso contribui para enriquecer o
campo da história da educação com olhares sensíveis à presença do impresso na formação
escolar e identitária de comunidades migrantes. O estudo desses vestígios permite, ainda, dar
visibilidade a práticas escolares pouco documentadas e lançar luz sobre experiências educativas
transnacionais.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo procurou lançar luz sobre os caminhos metodológicos percorridos durante a
investigação dos livros didáticos italianos destinados às escolas italianas no exterior, com
ênfase no contexto brasileiro entre as décadas de 1920 e 1940. A proposta não se limitou à
apresentação dos resultados da pesquisa, mas concentrou-se em delinear o próprio percurso
investigativo, seus impasses, descobertas, decisões e interlocuções, como forma de valorizar o
trabalho historiográfico com fontes escolares em arquivos físicos.
Ao reunir e refletir sobre experiências em diferentes tipos de acervos, buscou-se não
apenas descrever um conjunto de práticas investigativas, mas contribuir para um debate mais
amplo sobre as potencialidades do arquivo como espaço vivo de produção de conhecimento.
As dificuldades de acesso, a fragmentação dos materiais revela dinâmicas sociais, institucionais
e afetivas que moldam a constituição e a permanência do patrimônio escolar.
Nesse sentido, a reconstrução dos itinerários de pesquisa permite afirmar a centralidade
dos arquivos físicos na história da educação, sobretudo quando se trata de fontes raras, pouco
sistematizadas ou ligadas a contextos de mobilidade transnacional. Os livros didáticos italianos,
quando observados em sua materialidade e circulação, emergem como documentos
privilegiados para compreender as articulações entre Estado, escola, família e identidade
nacional (italianidade, esse caso). E, ao mesmo tempo, como vestígios sensíveis de práticas
culturais que desafiam as fronteiras da historiografia escolar tradicional.
Além disso, ao considerar a trajetória desses livros como objetos em trânsito entre
nações, instituições e experiências educativas, o artigo reforça a importância de uma história da
educação atenta a discutir a articulação entre os documentos institucionais, políticas educativas,
listas de envio e os livros efetivamente encontrados e usados, reafirmando, assim, o valor da
pesquisa em arquivos como via para compreender a distância entre o projeto e a prática
educativa. Essa dimensão metodológica, que aqui se quis evidenciar, permite recuperar a
experiência escolar como fenômeno vivido, interpretado e transformado nos múltiplos níveis
da cultura escolar. A incorporação do corpus documental ao percurso metodológico reforça que
o estudo dos livros didáticos italianos exige a análise conjunta de suas materialidades, trajetórias
e marcas de apropriação. A articulação entre fontes administrativas, documentação consular e
os próprios exemplares preservados permite compreender tanto as intenções políticas de sua
produção quanto as formas diversas de circulação e uso nos países de destino. Essa integração
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entre metodologia e objeto evidencia que o trabalho em arquivos físicos não apenas orienta a
pesquisa, mas revela dimensões históricas que dificilmente emergiriam sem a observação direta
dos livros preservados.
Por fim, espera-se que este trabalho possa inspirar outros pesquisadores a
compartilharem os bastidores de suas investigações, tornando visíveis os gestos, os percursos e
as escolhas que compõem a escrita da história. Ao explicitar a dimensão processual e situada
da pesquisa em arquivos, reafirma-se não apenas o valor dos livros escolares como fontes, mas
também o papel do historiador como aquele que busca, interroga, interpreta e, muitas vezes,
descobre, no silêncio do arquivo, histórias que ainda esperam para ser contadas.
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