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DOCUMENTO
ANÁLISE DOS PORCELANATOS EM INTERVENÇÕES NO PATRIMÔNIO
ARQUITETÔNICO
Arthur Montenegro de Oliveira
Universidade do Porto, Portugal
arthurrmontenegro@hotmail.com
Alexandre Máximo Silva Loureiro
Universidade Federal do Pará, Brasil
loureiro1@ufpa.br
RESUMO
A seleção de critérios na atuação, bem como o uso adequado de materiais e técnicas
apropriadas, são decisivos para a conservação do patrimônio arquitetônico. As tecnologias
construtivas e os materiais de construção utilizados nas edificações históricas devem ser
considerados em qualquer decisão, o que envolve diferentes critérios na hora da intervenção:
estético, construtivo, histórico, físico, químico, entre outros. Por meio disso, é possível
minimizar a incompatibilidade entre materiais tradicionais e contemporâneos empregados no
patrimônio edificado. Intervir em edifícios históricos é uma tarefa extremamente complexa,
pois, para reunir os conceitos teóricos, técnicas construtivas antigas e o uso de materiais em
voga adequados, é necessário um conhecimento multidisciplinar que envolve diferentes áreas
do saber. Com isso, almeja-se contribuir na investigação do uso apropriado dos pisos cerâmicos
do tipo porcelanato mais compatíveis e disponíveis no mercado para serem aplicados em
intervenções frente a contextos preexistentes, junto aos exemplos bem e mal sucedidos
aplicados na cidade de Belém. Assim, se encontrará as possibilidades de ações de preservação
mais adequadas ao patrimônio arquitetônico, ampliando seu uso/função por mais anos pelos
usuários e, consequentemente, trazer ressignificação à edificação no espaço urbano, instruindo
futuras adequações sem a aplicação do contraste radical ao falso histórico e o entendimento
técnico e material na aplicação correta no âmbito das escolhas dos porcelanatos para
revestimentos nas especificações dos pisos.
Palavras-chave: Porcelanato; Patrimônio Arquitetônico; Intervenção.
INTRODUÇÃO
A Carta de Veneza (1964, p.3) orienta que “os elementos destinados a substituir as partes
faltantes devem integrar-se harmoniosamente ao conjunto, distinguindo-se, todavia, das partes
originais a fim de que a restauração não falsifique o documento de arte de história”. A depender
do estado de conservação do edifício que passará por uma intervenção, é necessário tomar
decisões coerentes no que diz respeito ao que vai permanecer e ao que será renovado, passando
por uma série de análises e critérios que envolvem o monumento. Em algumas situações, é
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possível manter os materiais originais por meio de estratégias de conservação ou de restauração,
o que é desejável em grande parte das intervenções.
Nem sempre é possível restaurar um material antigo e, neste caso, é necessário o
emprego de materiais em voga para substituir ou complementar o que se perdeu ao longo do
tempo. Isso é uma tarefa difícil que pode resultar em intervenções positivas ou negativas para
o patrimônio cultural. Nesse contexto, os pisos de edificações históricas podem ser perdidos,
seja pelo uso intenso (desgaste, uso inadequado, falta de manutenção e cuidados) ao longo da
sua trajetória, por alguma causa fortuita (incêndio, desabamento ou ações da natureza) ou até
mesmo processos de alterações (perda de resistência mecânica, colonização biológica, insetos
xilófagos, agentes químicos, entre outros).
Debates sobre o processo projetual da intervenção em um patrimônio arquitetônico se
fazem necessários, viabilizando estimular a reflexão dos profissionais e colaborar com atitudes
criativo-conscientes, almejando resultados positivos às cidades (Forte; Sanjad, 2015).
Principalmente em casos nos quais é necessário substituir ou complementar o que foi perdido
ao longo do tempo por desgastes, incêndios, desabamentos, ações da natureza, entre outros tipos
de sinistros, em que a escolha do material deve ser o mais compatível possível com a estética e
funcionalidade do elemento perdido do edifício histórico.
Por isso, almeja-se contribuir na investigação do uso apropriado dos pisos de
porcelanatos mais compatíveis e disponíveis no mercado para serem aplicados em intervenções
frente a contextos preexistentes, junto aos exemplos bem e mal sucedidos da aplicação. Assim,
se encontram as possibilidades de ações mais adequadas ao patrimônio arquitetônico,
objetivando ampliar seu uso/função por mais anos pelos usuários e, consequentemente, trazer
ressignificação à edificação no espaço urbano.
Vale ressaltar que o porcelanato pode ser interessante nas intervenções arquitetônicas
que demandam um piso com características resistentes, ao alto tráfego de pessoas, pois,
patrimônios culturais são alvos de grandes visitações. O mercado cerâmico apresenta o
porcelanato com as seguintes características: I) baixa porosidade, resistência à mancha d’água
e a outros produtos manchantes; II) o preço pode ser um fator atrativo pela diversidade de
fábricas no Brasil; III) a composição material que se diz empregada, garante maior qualidade
técnica em durabilidade na abrasão (parte vitrificada mais resistente) e a testes mecânicos
(suporta altas cargas); IV) apresenta variedades diversas das formas, tamanhos, texturas e
acabamentos das superfícies (madeira, marmorizado, placas cimentícias, pedras rústicas e
nobres, imitação dos ladrilhos, azulejos, etc.), podendo resultar em harmonia com o antigo, pela
variedade de produtos dentro do universo, sendo capaz de ser inserido em uso nas diversas área
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do patrimônio arquitetônico de forma adequada e, às vezes, agressivo pela falta de harmonia na
especificação coerente com a preexistência.
O conhecimento a ser adquirido sobre a placa de porcelanato, da discussão sobre o
pensamento e a prática contemporânea da intervenção sobre o patrimônio edificado, articulado
no campo disciplinar do restauro arquitetônico, instruirá de alguma forma, futuras adequações
sem a aplicação do contraste radical ao falso histórico e o entendimento técnico e material na
aplicação correta no âmbito das escolhas dos porcelanatos para revestimentos nas
especificações dos pisos. Por isso, a pesquisa objetiva investigar o uso dos revestimentos em
porcelanato para pisos nas intervenções contemporâneas do patrimônio arquitetônico, com base
na avaliação da compatibilidade compositiva e no conhecimento das características técnicas do
material aplicado em exemplares selecionados em Belém do Pará.
MÉTODOS
O processo de pesquisa foi realizado em duas etapas: a primeira, utilizando material
teórico e documental, e a segunda, sendo uma pesquisa de campo in loco do porcelanato e seu
uso em intervenções realizadas no patrimônio arquitetônico em Belém-PA.
O foco deste artigo foi nos dados coletados em campo, que serviram como alicerces ao
desenvolvimento do processo de análise de dano, cor, brilho e mineralógico de algumas
seleções de intervenções contemporâneas existentes em Belém, e comparados com as
variedades de pisos históricos do Palacete Bolonha, que é um patrimônio arquitetônico do início
do século XX da capital paraense, com tombamento na esfera estadual no Pará, pelos quais,
foram analisados para identificação do seu estado de conservação.
Foram escolhidas quatro edificações históricas: o Hotel Atrium Quinta de Pedras, o
Centro Cultural e Turismo SESC Ver-o-Peso, o Tribunal de Justiça do Pará e a Estação das
Docas, como demonstrado na Tabela 1.
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TABELA 1 Levantamento de intervenções em edificações históricas com uso do
porcelanato
Fachada da Edificação
Descrição da Edificação
Hotel Atrium Quinta de Pedras
► Datado: 1794
►Localização: R. Dr. Assis, 834 - Cidade Velha em
frente à Praça Carneiro da Rocha (Arsenal)
► Características Arquitetônica: colonial
►Uso inicial: orfanato, escola e abrigo de religiosos
► Função atual: hotelaria
► Ano da intervenção: entre 2004 e 2015
► Autor da intervenção: M2p - Arquiteto Aurélio Meira
Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso
► Datado: Final do século XIX ao início do XX
►Localização: Boulevard Castilhos França – Centro
histórico
Características Arquitetônica: eclético
► Uso inicial: Misto (comercial e residencial)
►Uso atual: complexo cultural e de turismo
►Ano da intervenção: entre 2002 e 2010 (Primeiro
prédio da esquerda), (2015-2021) Anexo da direita.
►Autor da Intervenção: Escala Três Arquitetos Ltda.
Tribunal de Justiça do Estado do Pa
► Datado: 1872
►Localização: Av. Almirante Barroso
► Características Arquitetônica: eclético
► Uso inicial: Escola
►Uso atual: Órgão Público
► Ano da intervenção: entre 2003 e 2006
►Autor da Intervenção: DPJ- Arquitetos Associados
Ltda.
Estação das Docas
► Datado: 1909
►Localização: Boulevard Castilhos França Centro
histórico
► Características Arquitetônica: Arquitetura do ferro
► Uso inicial: Porto de Belém
►Uso atual: complexo turístico e cultural
► Ano da intervenção: entre 1992 e 2000
►Autor da Intervenção: Arquitetos Paulo Chaves
Fernando e Rosária Lima /SECULT
Fonte: Autores (2022).
Para um primeiro estudo, foi realizado um levantamento fotográfico dos porcelanatos
existentes e a quantificação dos que estavam danificados para definir o quadro geral de danos
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do espaço, analisando o estado de conservação dos porcelanatos levantados na intervenção e
sintetizando os dados em gráficos com quantitativos de danos.
Para a análise de cor, foram selecionadas in loco algumas peças de porcelanatos com
menos e mais desgastes de cada obra do estudo, usados para serem feitos testes com colorímetro
portátil CS-10, obtendo os valores médios de luminosidade e definindo a cor do material dentro
do Diagrama de Espaço de Cor CIELab. Em cada piso escolhido, realizou-se a leitura três vezes
em três pontos diferentes das peças (em cima, no meio e abaixo) para se obter um valor final
resultante das médias. Estes levantamentos foram realizados dentro das edificações
selecionadas, sem a remoção dos pisos das suas respectivas áreas.
Os mesmos pontos escolhidos para a leitura de cor foram utilizados para obter os dados
de brilho com o medidor de brilho digital portátil- HP-300- TIME, verificando o índice de
reflexão da luz de cada peça. Os equipamentos para verificar a cor e o brilho dos objetos de
estudo são de domínio do Laboratório de Conservação, Restauro e Reabilitação (LACORE) -
UFPA.
Para se ter um comparativo entre a edificação antiga e as novas intervenções, realizou-
se o mesmo processo de coleta de dados no Palacete Bolonha, escolhendo-se 12 pisos históricos
do primeiro pavimento, em que, pela análise deles foi determinado um limite mínimo e máximo
de luminosidade, uma predominância de cor dentro do Diagrama de Espaço e cor no CIELab,
e um parâmetro médio de brilho encontrado na edificação, para conferir se as soluções de piso
escolhidas nas obras estudadas seguem o mesmo padrão.
Por fim, houve a identificação dos minerais que compõem os porcelanatos de apenas
duas obras arquitetônicas estudadas, de onde foram recolhidas amostras (Porcelanato Natural
da Estação das Docas - PNED-01 e o Porcelanato Natural do Tribunal de Justiça do Pará -
PNTJPA-02), que passaram pela pulverização no gral de ágata, para assim, saber sua
composição na Difração de Raios-X (DRX). Ressalta-se que não foi possível analisar os
porcelanatos empregados nas outras duas obras estudadas, pela falta de peças sobressalentes ou
pelo fato de ser proibida a retirada de pequenas amostras do piso. O aparelho da marca Bruker
modelo S2 Ranger, usado para encontrar os materiais da composição das amostras dos
porcelanatos é de domínio do Laboratório de Mineralogia, Geoquímica e Aplicações
(LAMIGA) UFPA.
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DIFRAÇÃO DE RAIO-X DAS AMOSTRAS DOS PORCELANATOS DA ESTAÇÃO
DAS DOCAS E DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARÁ
As Figuras 1 e 2 representam os difratogramas de raios-x obtidos respectivamente das
amostras das massas dos porcelanatos da Estação das Docas e do Tribunal de Justiça do Pará.
FIGURA 1 Difratograma de Raio-X da composição da amostra do Porcelanato Natural da
Estação das Docas (PNED-01)
Fonte: Autores (2023).
FIGURA 2 Difratograma de Raio-X da composição da amostra do Porcelanato Natural do
Tribunal de Justiça do Pará (PNTJPA-02)
Fonte: Autores (2023).
As duas amostras de porcelanatos, seja o Porcelanato Natural da Estação das Docas
(PNED-01) ou o Porcelanato Natural do Tribunal de Justiça do Pará (PNTJPA-02),
apresentaram nos resultados do DRX minerais como quartzo e mulita. É recorrente ser visto a
presença de quartzo na fabricação dos revestimentos cerâmicos, por oferecer um elevado ponto
de fusão, que garante integridade estrutural da peça na passagem pela queima (conservar-se em
sua maioria inalterado), e também usado como o principal regulador do coeficiente de variação
térmica (Zauberas; Riella, 2001). Além disso, o quartzo ocupa uma alta categoria de dureza na
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escala de Mohs, na posição 7, implicando que mais próximo do 10, esse mineral oferece mais
resistência ao risco, evitando remoção de partículas de sua superfície.
Assim como as argilas, o caulim confere plasticidade e resistência mecânica, sendo
necessário, do ponto de vista composicional, para aumentar o teor de alumina e auxiliar na
brancura do produto (Rodriguez et al., 2004). Porcelanatos que recebem queimas entre 1190
°C e 1210 °C, e que possuem mulita em sua composição mineralógica, indicam que esta foi
proveniente do caulim presente na mistura de partida, formando, assim, esse novo mineral
(Sanchez et al., 2001). A mulita é obtida por transformações mineralógicas a partir de um
tratamento térmico de temperatura crescente. É empregada como material refratário em
decorrência do seu elevado ponto de fusão de 1840 °C, tem um efeito tanto nas propriedades
mecânicas como nas físicas, aumentando a resistência mecânica e a resistência ao choque
térmico (Saint-Gobain, 2022).
A maior qualidade dos fundentes na formulação de massas cerâmicas em escala
industrial é, contudo, diminuir as temperaturas de queima, agilizando a etapa de sinterização
(ganho de resistência mecânica), permitindo significativas reduções no custo de fabricação
(Lengler; Vicenzi; Bergmann, 2009). Os feldspatos exercem o papel de fundentes, pois
proporcionam as primeiras fases líquidas que aparecem durante a queima, sendo os
responsáveis iniciais pelo processo de densificação (torna mais denso) que mais contribuem à
diminuição da porosidade das peças do porcelanato (Rodriguez et al., 2004). O feldspato do
tipo albita, encontrado apenas na amostra do PNTJPA-02, indica que pode ter sido usado como
um elemento fundente para sua composição, almejando um material menos poroso e com
resistência ao desgaste.
HOTEL ATRIUM QUINTA DE PEDRAS
Para a composição do piso na intervenção, o arquiteto especificou placas de porcelanato
esmaltado, medindo aproximadamente, 43,5 x 43,5 cm, com características técnicas
denominadas por fábrica de natural e textura que se assemelham entre o couro e a pedra rústica,
sem uniformidade de cores, apresentando tons terrosos mesclados em suas faces. A
configuração da paginação do piso se divide em peças inteiras de fábrica e em peças recortadas
nas dimensões 14 x 14 cm do mesmo material da peça inteira, conforme pode ser visualizado
na Figura 3.
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FIGURA 3 Visualização das peças e danos encontrados na paginação de piso dos
porcelanatos
Legenda: a) Presença de perda do material no meio e acima da placa; b) Peças mais danificadas
encontradas no local com perda do material; c) Perda do material nas pontas da peça; d) Peça
fissurada. Fonte: Autores (2022).
O resultado da composição com inserção do material novo e a edificação histórica
resulta em uma harmonia sem haver descaracterização ou contraste radical entre ambos. O
porcelanato foi aplicado em quase sua totalidade nas diversas áreas do prédio antigo, sendo
analisado apenas o revestimento de maior área de abrangência no ato restaurativo, apresentando
estado de conservação boa em sua totalidade, sem a presença de danificações visíveis, como
perda do esmalte e/ou fissuras.
ANÁLISE DE DANOS: FRATURA, FISSURA, PERDA DE MATERIAL E
MATERIAL EXTEMPORÂNEO
Na edificação foram escolhidos para o estudo, os porcelanatos utilizados no espaço do
pátio central do térreo, vistos na delimitação da figura 4, sendo possível encontrar duas
dimensões dos pisos demonstradas na figura 5. Através das contagens e análise a olho nu,
podemos definir a quantidade total, sendo 1084 peças de porcelanato do tipo 1 e 976 do tipo 2.
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FIGURA 4 Planta do pátio central do Hotel Atrium Quinta de Pedras, com delimitação em
vermelho da área de estudo
Fonte: Autores (2022).
FIGURA 5 Diferentes dimensões dos porcelanatos
1
no Hotel Atrium Quinta de Pedras
Fonte: Autores (2022).
Sabendo a totalidade, verificou-se quantas peças estavam danificadas e os tipos de danos
encontrados no local, resumindo-se nos dados nas figuras 6 e 7. Os gráficos deram um resultado
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O tipo 1 é referente às placas de porcelanato de dimensão 14 x 14 cm e o tipo 2 equivale às placas de porcelanato
de dimensões 43,5 x 43,5 cm.
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positivo, pois a quantidade de porcelanatos danificados equivale a menos de 2% do valor total,
sendo, em sua maioria, pequenas as perdas do material.
FIGURA 6 Quantidade de placas de porcelanatos danificados
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no Hotel Atrium Quinta de
Pedras
Fonte: Autores (2022).
FIGURA 7 Classes de danos encontrados no Hotel Atrium Quinta de Pedras: tipo 1 (14 x
14 cm) é referente ao menor porcelanato e tipo 2 (43,5 x 43,5 cm) equivale ao porcelanato
maior
Fonte: Autores (2022).
ANÁLISE DE COR EM PLACAS DE PORCELANATO DA EDIFICAÇÃO DO
HOTEL ATRIUM QUINTA DE PEDRAS
O levantamento teve como objetivo determinar os parâmetros de cor no sistema CIELab
do porcelanato do Hotel Atrium Quinta de Pedras. O material testado estava nas dimensões 43,5
x 43,5 cm. Foram escolhidas in loco quatro peças do porcelanato principal, sendo dois claros e
dois escuros, pois há variação de tons da linha fabril do produto (Figuras 8 e 9).
2
O tipo 1 (14 x 14 cm) é referente ao menor porcelanato, que possui 1084 peças no total, e tipo 2 (43,5 x 43,5 cm)
equivale ao porcelanato maior, possuindo 976 peças.
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FIGURA 8 Porcelanato escolhidos para o teste
Legenda: a) localização dos porcelanatos no espaço; b) foco nos porcelanatos escuros: A e B; c) foco
nos porcelanatos claros: C e D. Fonte: Autores (2023).
FIGURA 9 Local de teste com o colorímetro portátil CS-10
Legenda: a) Pontos de verificação porcelanato A; b) Porcelanato B; c) Porcelanato C; d) Porcelanato
D. Fonte: Autores (2023).
Durante a leitura do equipamento, encontrou-se como médias dos pontos os resultados
demonstrados na tabela 2, para cada porcelanato escolhido do edifício. Sendo os valores
identificados, foram usados no Diagrama do Espaço de Cor CIELab, para assim, saber em que
espectro de cor mais próximo do real estão as peças.
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TABELA 2 Resultados do levantamento de cor nos porcelanatos do Hotel Atrium Quinta
de Pedras
Dados do Colorímetro portátil CS-10
Coordenadas
de cor
Porcelanato A
Porcelanato C
Porcelanato D
L*
41,66
51,44
65,05
a*
7,35
7,14
-1,90
b*
14,22
20,40
10,79
Fonte: Autores (2023).
Com base nos resultados, para os porcelanatos A e B, constata-se que nos parâmetros
de luminosidade (L*), a cor se mantém em nível um pouco abaixo da média, tendendo para o
preto (mais escuro). A coordenada cromática de a* apresenta variação mais entre os tons
vermelhos e b* mostra variação mais entre os tons amarelos (Figura 10).
FIGURA 10 Diagrama do Espaço de Cor CIELab (adaptado): Porcelanatos A e B
Fonte: https://www.ctborracha.com/colorimetria/. Acesso em: 30 mai. 2025.
FIGURA 11 Diagrama do Espaço de Cor CIELab (adaptado): Porcelanato C e D
Fonte: https://www.ctborracha.com/colorimetria/. Acesso em: 30 mai. 2025.
Com relação ao porcelanato C, constata-se que nos parâmetros de luminosidade (L*), a
cor se mantém em nível mediano, tendo um equilíbrio entre o preto e branco. A coordenada
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cromática de a* apresenta variação mais entre os tons vermelho-escuros e b* apresenta variação
mais entre os tons amarelos. No porcelanato D, nos parâmetros de luminosidade (L*) a cor se
mantém acima da média, tendendo para a cor branca. A coordenada cromática de a* apresenta
variação mais entre os tons verdes e b* mostra variação mais entre os tons amarelos (Figura
11).
ANÁLISE DE BRILHO EM PLACAS DE PORCELANATO DA EDIFICAÇÃO DO
HOTEL ATRIUM QUINTA DE PEDRAS
O levantamento teve como objetivo determinar o brilho dos porcelanatos do Hotel
Atrium Quinta de Pedras. Os materiais testados foram as mesmas peças escolhidas para o teste
de cor, utilizando quatro peças do porcelanato principal, sendo dois claros e dois escuros (tabela
3).
TABELA 3 Resultados do levantamento de brilho nos porcelanatos do Hotel Atrium
Quinta de Pedra
Dados do Medidor de Brilho Digital Portátil -HP- 300- TIME
ANGLE
Porcelanato A
Porcelanato C
Porcelanato D
GLOSS
GLOSS
GLOSS
20°
1,72
1,81
1,59
60°
13,77
14,31
13,17
85°
35,51
30,13
33,03
Fonte: Autores (2023).
Com base nos resultados, constata-se que o parâmetro de brilho, independentemente do
ângulo de incidência, manteve-se bem abaixo do nível mediano que, no caso, seria 50°,
significando que possuem superfície que tende ao mate. Sendo assim, não ofusca os outros
materiais ao seu redor.
CENTRO DE CULTURA E TURISMO SESC VER-O-PESO
Na composição do piso da primeira intervenção do Sesc Ver-o-Peso foi utilizado um
porcelanato 45x45 cm aproximadamente, com características técnicas acetinada e textura que
se assemelha a uma pedra desgastada, sem uniformidade de cores, e apresentando tons terrosos
mesclados em suas faces. A configuração do assentamento distribuído por todos os níveis da
edificação se desenvolveu em peças, posicionada na diagonal, quebrando a monotonia no
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resultado final, mas oferecendo a composição harmônica e que conversa com a pré-existência
dos ambientes.
O prédio anexo que foi restaurado posteriormente teve a aplicação do porcelanato com
dimensões 1,20 x 0,60 m aproximadamente, com características cnicas acetinadas e textura
que se assemelha ao couro e ao aço oxidado, possuindo a tonalidade com baixa uniformidade.
O assentamento foi distribuído por algumas áreas da edificação com uma paginação de
transpasse entre peças, destacando o piso por sua imponência do seu formato, mas que não
deixa de manter uma boa harmonia com a edificação histórica e sua ambientação dentro do
espaço.
Nessa edificação, não foi possível fazer as análises técnicas de brilho e cor devido a não
autorização do órgão durante a solicitação. Sendo feito apenas um levantamento fotográfico do
espaço, identificando os danos encontrados, principalmente na edificação antiga, com o
porcelanato de 45x45, na composição do anexo de 1,20 x 0,60, por ser uma intervenção nova,
não apresentou dano ao longo do estudo (Figura 12).
FIGURA 12 Placas de porcelanato do edifício principal e anexo do SESC Ver-o-Peso
Legenda: a) Vista do piso danificado com fratura na edificação principal; b) Detalhe de placas de
porcelanato com fratura; c) Porcelanato da edificação anexo; d) Contraste entre o porcelanato da
edificação da primeira intervenção com o piso do anexo. Fonte: Autores (2022).
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ - TJPA
Na composição do piso do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, foi aplicado placa de
porcelanato de dimensões 39,5 x 39,5 cm, aproximadamente, com características cnicas
divididas em acetinado no pavimento térreo e polido no pavimento superior. A textura em tom
bege-claro e aspecto neutro apresenta uniformidade de cores e com composição retilíneo-
uniforme em todos os ambientes aplicados no assentamento, contrastando com o piso em
assoalho de madeira escura existente em algumas áreas.
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O efeito da composição com inserção do material contemporâneo na edificação histórica
resulta em duas observações: deduz-se que o porcelanato polido, por apresentar textura
brilhante e reflexiva, passe a ideia de sofisticação ditada pelo mercado, e sua aplicação no andar
superior se justificaria por ser uma área de reuniões e julgamentos importantes no segmento da
justiça no estado, tendo sido especificado para trazer tal requinte. A textura do material se
apresenta em estado de conservação regular, apresentando, em sua grande maioria, riscos em
seu polimento, comprometendo a leitura uniforme e evidenciando desgastes pelo uso.
O porcelanato acetinado abrange grandes áreas de circulações e salas de uso pela parte
administrativa e afins do seguimento, contrastando em alguns recintos que usam a madeira de
coloração escura. Apresenta estado de conservação boa em sua totalidade, com presença de
poucas danificações visíveis, como perda do esmalte e/ou fissuras, episódios que não foram
encontrados no levantamento in loco.
ANÁLISE DE DANOS: FRATURA FISSURA, PERDA DE MATERIAL E
MATERIAL EXTEMPORÂNEO
Ao longo da visita in loco, encontramos poucos danos nos pisos da edificação,
demonstrando sua durabilidade, tendo como destaque fraturas e perda de partes faltantes do
material nas bordas do porcelanato, com dimensões pequenas, como demonstrado na Figura 13.
Não houve permissão por parte do TJPA para fazer levantamentos mais detalhados de danos,
dificultando a contabilização de porcelanatos danificados.
FIGURA 13 Porcelanatos danificados com fratura, perda das partes do material e uso de
material extemporâneo no Tribunal de Justiça do Pará
Legenda: a) Presença de material extemporâneo no meio do porcelanato; b) Presença de perda de
material nas bordas e meio da placa de porcelanato; c) Fratura na borda da placa de porcelanato; d)
Perda de material na borda da placa de porcelanato; e) Perda de material no meio da placa de
porcelanato. Fonte: Autores (2022).
ISSN 2447-746X
DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
16
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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ANÁLISE DE COR EM PLACAS DE PORCELANATO DA EDIFICAÇÃO DO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARÁ
O levantamento determinou os parâmetros de cor no sistema CIELab do porcelanato do
Tribunal de Justiça do Pará. O material testado estava nas dimensões 39,5 x 39,5 cm. Foram
escolhidas in loco quatro peças do porcelanato principal, sendo dois com acabamento natural e
dois polidos (Figura 14). Os resultados obtidos da leitura com o colorímetro foram
demonstrados na tabela 4.
FIGURA 14 Testes com o calorímetro nos porcelanatos do TJPA
Legenda: a) Porcelanato polido 01, b) Porcelanato polido 02, c) Porcelanato natural 01, d)
Porcelanato natural 02. Fonte: Autores (2023).
TABELA 4 Resultados do levantamento de cor nos porcelanatos do Tribunal de Justiça do
Pará
Dados do Colorímetro portátil CS-10
Coordenadas
de cor
Porcelanato
Natural 01
Porcelanato
Polido 01
Porcelanato Polido
02
L*
68
79,87
73,70
a*
-1,87
-0,28
-0,97
b*
10,30
10,24
11,38
Fonte: Autores (2023).
Observou-se que o porcelanato natural 01 apresentou parâmetros de luminosidade (L*)
em que a cor se mantém em nível acima da média, tendendo para o branco. A coordenada
cromática de a* apresenta variação mais entre os tons verdes e b* apresenta variação mais entre
os tons amarelos. Para o porcelanato natural 02, nos parâmetros de luminosidade (L*), a cor se
mantém em nível abaixo da média, tendendo ao preto. A coordenada cromática de a* apresenta
variação mais entre os tons verdes e b* apresenta variação mais entre os tons vermelhos (Figura
15).
ISSN 2447-746X
DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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FIGURA 15 Diagrama do Espaço de Cor CIELab (adaptado): Porcelanatos Natural 01 e 02
Fonte: https://www.ctborracha.com/colorimetria/. Acesso em: 08 fev. 2025.
Em relação aos porcelanatos polidos 01 e 02, nos parâmetros de luminosidade (L*), a
cor se manteve em nível mais acima da média, tendendo ao branco. As coordenadas cromáticas
de a*, apresentam maior variação entre os tons verdes e b* apresentam variação mais entre os
tons amarelos (Figura 16).
FIGURA 16 Diagrama do Espaço de Cor CIELab (adaptado): Porcelanatos Polido
01 e 02
Fonte: https://www.ctborracha.com/colorimetria/. Acesso em: 08 fev. 2025.
ANÁLISE DE BRILHO NAS PLACAS DE PORCELANATO DA EDIFICAÇÃO DO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
O levantamento determinou o brilho dos porcelanatos do Tribunal de Justiça do Estado
do Pará. Os materiais testados foram as mesmas peças escolhidas para o teste de cor, sendo
quatro peças do porcelanato principal, sendo dois naturais e dois e polidos, pois há variação de
acabamento da linha fabril do produto. O medidor de brilho fez análises em diferentes ângulos
de incidência, 20°, 60° e 85°, encontrando os resultados demonstrados na tabela 5.
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TABELA 5 Resultados do levantamento de brilho nos porcelanatos do Tribunal de Justiça
do Pará
Dados do Medidor de Brilho Digital Portátil -HP- 300- TIME
ANGLE
Porcelanato
Natural 01
Porcelanato
Polido 01
Porcelanato Polido
02
GLOSS
GLOSS
GLOSS
20°
3,21
24,34
2,27
60°
19,60
46,62
10,51
85°
35,53
82,27
36,56
Fonte: Autores (2023).
Com base nos resultados, constata-se que o parâmetro de brilho, de maneira
independente do ângulo de incidência nos porcelanatos naturais, manteve-se bem abaixo do
nível mediano, significando que tende a ser mais mate do que brilhoso.
Porém, entre os porcelanatos polidos, o número 01 está muito acima da média quando
na maior angulação. Diferente do porcelanato polido 02, que se manteve abaixo da média, sendo
o oposto do primeiro, podendo ser um sinal maior de desgaste da peça.
ESTAÇÃO DAS DOCAS
Na paginação do piso da Estação das Docas foi utilizado porcelanatos 40x40 cm
aproximadamente, com características técnicas chamada de natural e textura em tons terrosos:
marrom-claro avermelhado e marrom-escuro, evidenciando um aspecto neutro, apresenta
uniformidade de cores e com composição retilíneo-uniforme em todos os ambientes aplicados
no assentamento. Contudo, os testes se detiveram na peça de maior quantidade (marrom-claro
meio avermelhado).
O efeito da composição com a inserção do piso na edificação histórica resulta em uma
integração sem haver descaracterização ou contraste radical entre ambos, sendo um elemento
até discreto, passando despercebido pelos usuários, valorizando mais a estrutura patrimonial
existente. O porcelanato aplicado em sua totalidade nas diversas áreas apresenta estado de
conservação regular, com a presença de danificações visíveis: rachaduras, tricas e perda de
material em algumas partes encontradas no levantamento in loco (Figura 17).
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FIGURA 17 Danos encontrados em placas de porcelanato da Estação das Docas
Legenda: a) Porcelanato com perda de material; b) Porcelanato com material extemporâneo;
c) Porcelanato com fissura; d) Porcelanatos com fratura; e) Porcelanatos com fratura e fissura.
Fonte: Autores (2022).
ANÁLISE DE DANOS: FRATURA, FISSURAS, PERDA DE MATERIAL E
MATERIAL EXTEMPORÂNEO
Diferente das outras edificações, na Estação das Docas, encontrou-se variados tipos de
danos e uma maior quantidade de peças danificadas, o que pode ser justificado pelo tipo de uso
do galpão escolhido, tendo muito fluxo de pessoas e mobiliários diversos para os eventos
realizados (Figura 18). A quantidade total de porcelanatos é de 6.468 peças, entre elas, 711
encontram-se danificadas, equivalendo a 11% do valor total (Figura 19), sendo em sua maioria
perda de material (Figura 20).
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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Figura 18 Planta Baixa com demarcação de danos encontrados no galpão de eventos da
Estação das Docas
Fonte: Autores (2022).
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DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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FIGURA 19 Quantidade de placas de porcelanato danificadas na Estação das Docas
Fonte: Autores (2022).
FIGURA 20 Tipos de danos encontrados na Estação das Docas
Fonte: Autores (2022).
ANÁLISE DE COR EM PLACAS DE PORCELANATO DA EDIFICAÇÃO DA
ESTAÇÃO DAS DOCAS
O presente levantamento teve como objetivo determinar os parâmetros de cor no sistema
CIELab da amostra do porcelanato da Estação das Docas. O material testado estava nas
dimensões fabril 40x40 cm e 0,6 cm de espessura (Figura 21). Com o uso do colorímetro nos
três pontos de teste, foram retiradas médias, resultando na tabela 6.
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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FIGURA 21 Testes com Colorímetro portátil CS-10
Legenda: a) ponto 1. b) ponto 2. c) ponto 3. Fonte: Autores (2023).
TABELA 6 Resultados do levantamento de cor na Estação das Docas
Dados do Colorímetro portátil CS-10
Coordenadas de cor
Porcelanato 01
L*
57,09
a*
5,19
b*
12,52
Fonte: Autores (2023).
Nos resultados, constata-se que para os parâmetros de luminosidade (L*), a cor se
mantém em nível médio no quesito entre o preto e o branco (nem tão escuro, nem tão claro). A
coordenada cromática de a* apresenta variação mais entre os tons vermelhos e b* apresenta
variação mais entre os tons amarelos (Figura 22).
FIGURA 22 Diagrama do Espaço de Cor CIELAB (adaptado)
Fonte: https://www.ctborracha.com/colorimetria/. Acesso em: 05 abr. 2025.
ISSN 2447-746X
DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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ANÁLISE DE BRILHO EM PLACAS DE PORCELANATO DA EDIFICAÇÃO DA
ESTAÇÃO DAS DOCAS
O levantamento teve como objetivo determinar o brilho do porcelanato da Estação das
Docas. O material testado foi o mesmo para o teste de cor, sendo uma peça do porcelanato
principal. O medidor de brilho fez em diferentes ângulos de incidência, 20°, 60° e 85°, e seus
resultados foram descritos na tabela 7.
TABELA 07 Resultados do levantamento de brilho na Estação das Docas
Dados do Medidor de Brilho Digital Portátil -HP- 300- TIME
ANGLE
GLOSS
20°
3,27
60°
15,58
85°
40,03
Fonte: Autores (2023).
Constatou-se que o parâmetro de brilho independentemente do ângulo de incidência,
manteve-se bem abaixo do nível mediano, significando que tende a ser mais mate do que
brilhoso. Sendo assim, não ofusca os outros materiais ao seu redor.
COMPARATIVO ENTRE O PISO EM PORCELANATO E OS PISOS HISTÓRICOS
DO INÍCIO DO SÉCULO XX
ANÁLISE DE COR DOS PISOS DO PALACETE BOLONHA COM AS PLACAS DE
PORCELANATO DAS OBRAS ESTUDADAS
O Palacete Bolonha foi construído na primeira década do século XX, localizado em
Belém do Pará, no entorno do centro histórico. Sua fachada reflete o requinte dos palacetes
europeus ecléticos, com uma a forte influência das técnicas das exposições industriais
europeias, demonstrando um apelo decorativo entre o neoclássico, barroco e o rococó.
O Palacete foi escolhido na pesquisa para determinar parâmetro de cor e brilho nos pisos
antigos e serem comparados com os utilizados nas edificações que tiveram intervenções
recentes com o uso do porcelanato (piso contemporâneo), os mesmo que são objetos de estudo
neste trabalho. Foram escolhidos in loco, doze pisos diferentes do primeiro pavimento do
palacete, os quais passaram pela análise de cor (Figura 23), encontrando-se os resultados
demonstrados nas Tabelas 8, 9, 10, 11 e 12, abaixo, para cada porcelanato escolhido do edifício.
ISSN 2447-746X
DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
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FIGURA 23 Pisos escolhidos do Palacete Bolonha
Legenda: a) Piso americano em porcelana hexagonal - tons de azul-escuro (1), bege (2) e azul-claro
(3); b) Piso americano em porcelana hexagonal - tons de vermelho (4) e amarelo (5); c) Piso de
madeira acapu e pau-amarelo d) Piso em mármore preto e branco; e) Piso em leque com flores e sem
flores; f) Piso em vidro. Fonte: Autores (2023).
Com base nos resultados entre os porcelanatos de piso americano em porcelana
hexagonal, constata-se que nos parâmetros de luminosidade (L*), a cor se mantém em nível
bem acima da média, tendendo ao branco. As coordenadas cromáticas de a* para o porcelanato
de piso americano hexagonal 01, 02 e 03 apresenta variação mais entre os tons verdes, cores
frias, e os porcelanatos 04 e 05 possuem variação entre os tons vermelhos, que são cores
quentes. Em relação à coordenada b*, o porcelanato 01 foi o único que apresentou uma
tendência aos tons de azul, enquanto as outras peças apresentam variação mais entre os tons
amarelos (tabela 8).
TABELA 8 Resultados do levantamento de cor do piso do Palacete Bolonha- Pisos
americanos em porcelana Hexagonais
Dados do Colorímetro portátil CS-10
Coordenadas de
cor
Hexagonal 01
Hexagonal 02
Hexagonal 03
Hexagonal 04
Hexagonal 05
L*
49,72
80,45
60,01
61,00
64,34
a*
-4,52
-1,53
-4,77
11,25
4,42
b*
-20,76
7,44
-4,11
13,81
25,69
Fonte: Autores (2023).
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Com relação aos pisos feitos de madeira, constata-se que nos parâmetros de
luminosidade (L*), a cor se mantém em nível abaixo da média para o piso feito de madeira
acapu, sendo mais escuro, e em um nível bem acima da média para o piso de madeira pau-
amarelo, sendo mais claro. Para as coordenadas cromáticas de a* e b*, o piso de madeira acapu
apresenta variação mais entre os tons de azul e verde, por ter seus resultados negativos, e o piso
de madeira pau-amarelo apresenta variação mais entre os tons amarelos e vermelhos (tabela 9).
TABELA 9 Resultados do levantamento de cor nos pisos do Palacete Bolonha-
Pisos em madeira
Dados do Colorímetro portátil CS-10
Coordenadas
de cor
Piso Madeira Acapu
Piso Madeira Pau-amarelo
L*
29,75
59,90
a*
-0,33
13,83
b*
- 3,27
34,87
Fonte: Autores (2023).
Para os pisos de mármore encontrados na edificação, constata-se que nos parâmetros de
luminosidade (L*), o piso de mármore preto se mantém abaixo da média, tendendo para a cor
preta. As coordenadas cromáticas de a* apresentam variação mais entre os tons verdes e b*
apresenta variação mais entre os tons amarelos. Em relação aos parâmetros de luminosidade
(L*) o piso de mármore branco se mantém acima da média, tendendo para a cor branca. As
coordenadas cromáticas de a* apresentam variação mais entre os tons verdes e b* apresenta
variação mais entre os tons amarelos (tabela 10).
TABELA 10 Resultados do levantamento de cor nos pisos do Palacete Bolonha- Pisos em
mármore
Dados do Colorímetro portátil CS-10
Coordenadas
de cor
Mármore Preto
Mármore Branco
L*
32,67
61,05
a*
-5,53
-4,32
b*
1,44
7,78
Fonte: Autores (2023).
Para os pisos em leque encontrados na edificação, constata-se que nos parâmetros de
luminosidade (L*), o piso leque decorado com flores mantém-se acima da média, tendendo para
a cor branca. As coordenadas cromáticas de a* apresentam variação maior entre os tons verdes
e b* apresenta variação tendendo para os tons amarelos. Em relação aos parâmetros de
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DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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luminosidade (L*) para o piso leque sem flores, este se mantém acima da média, tendendo para
a cor branca. As coordenadas cromáticas de a* apresentam variação maior entre os tons verdes
e b* apresenta variação mais entre os tons amarelos (tabela 11).
TABELA 11 Resultados do levantamento de cor nos pisos do Palacete Bolonha- Pisos em
porcelana leque
Dados do Colorímetro portátil CS-10
Coordenadas
de cor
Piso em Leque com Flores
Piso em Leque sem Flores
L*
63,95
68,74
a*
-2,19
-1,35
b*
9,61
11,43
Fonte: Autores (2023).
Por fim, encontramos piso de vidro na edificação que, para os parâmetros de
luminosidade (L*), mantém-se abaixo da média, tendendo para a cor preta. As coordenadas
cromáticas de a* apresentam variação entre os tons verdes e b* apresenta variação entre os tons
amarelos (tabela 12).
TABELA 12 Resultados do levantamento de cor nos pisos do Palacete Bolonha- Pisos em
Vidro- Claraboia ao térreo
Dados do colorímetro portátil CS-10
Coordenadas
de cor
Piso em Vidro
L*
28,59
a*
-4,82
b*
1,62
Fonte: Autores (2023).
FIGURA 24 Diagrama do Espaço de Cor CIELAB (adaptado): Palacete Bolonha
Fonte: https://www.ctborracha.com/colorimetria/. Acesso em: 03 mai. 2025.
ISSN 2447-746X
DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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Para resumir todos os dados colhidos e delimitar um padrão de cor, utilizou-se o
Diagrama do Espaço e Cor CIELab (Figura 24), determinando que as cores encontradas tendem
a ser mais claras, com índice de luminosidade acima de 50, e se encontram em sua maioria nas
variações de amarelo, verde e azul, tendo predominância de cores consideradas frias.
COMPARATIVO DE COR
Utilizou-se os parâmetros técnicos do Palacete Bolonha para identificar em edificações
com intervenções recentes e avaliar se se manteve o mesmo padrão ou parecido ao da época em
que foram construídos.
Como resultado, observou-se que no Hotel Atrium Quinta de Pedras não houve um
padrão de luminosidade como no Palacete Bolonha, porém ainda se mantém na média entre o
mais claro e mais escuro, o que gera um equilíbrio entre o preto e branco. E houve uma
preferência por tonalidades que variam entre vermelho e amarelo, cores mais quentes, diferente
do escolhido na construção antiga (Figura 25).
FIGURA 25 Diagrama do Espaço de Cor CIELAB (adaptado): Palacete Bolonha x Hotel
Atrium Quinta de Pedras
Fonte: https://www.ctborracha.com/colorimetria/. Acesso em: 03 mai. 2025.
Quando se trata do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, houve um padrão de
luminosidade, como no Palacete Bolonha, optando-se por cores mais claras, seguindo os dados
antigos. Assim como houve preferência por tonalidades que variam entre verdes e amarelos,
entrando no limite do parâmetro de cor do Palacete Bolonha (Figura 26).
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DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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FIGURA 26 Diagrama do Espaço de Cor CIELab (adaptado): Palacete Bolonha X Tribunal
de Justiça do Estado do Pará
Fonte: https://www.ctborracha.com/colorimetria/. Acesso em: 04 jun. 2025.
Na Estação das Docas houve um padrão de luminosidade, como no Palacete Bolonha,
optando-se por cores mais claras, seguindo os parâmetros antigos. Porém houve preferência por
tonalidades que variam entre laranjas, preferindo-se cores mais quentes, diferenciando-se do
parâmetro de cor do Palacete Bolonha (Figura 27).
FIGURA 27 Diagrama do Espaço de Cor CIELAB (adaptado): Palacete Bolonha x Estação
das Docas
Fonte: https://www.ctborracha.com/colorimetria/. Acesso em: 04 jun. 2025.
O parâmetro de cor utilizado no Palacete Bolonha não foi válido para todas as
edificações estudadas. Pode-se encontrar apenas semelhança nos porcelanatos utilizados no
Tribunal de Justiça do Pará, que manteve uma uniformidade de cores e luminosidade dentro
dos padrões antigos de construção.
ISSN 2447-746X
DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
29
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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ANÁLISE DE BRILHO DOS PISOS DO PALACETE BOLONHA COM AS PLACAS
DE PORCELANATO DAS OBRAS ESTUDADAS
O levantamento teve como objetivo determinar os parâmetros de brilho dos pisos do
Palacete Bolonha para serem comparados com os porcelanatos das edificações que o trabalho
selecionou. Foram escolhidos in loco doze pisos diferentes do primeiro pavimento, os mesmos
que passaram pela análise de cor. Encontrando os resultados demonstrados nas tabelas abaixo
para cada porcelanato escolhido do edifício.
Com base nos resultados, entre os pisos americanos em porcelana hexagonais
demonstrados na tabela 13, o brilho se manteve abaixo da média, significando que eles tendem
a serem pisos mate (fosco), com pouco brilho.
TABELA 13 Resultados do levantamento de brilho do Palacete Bolonha- Pisos em
porcelana americanos hexagonais
Dados do medidor de Brilho Digital Portátil- HP-300- TIME
ANGLE
Hexagonal 01
Hexagonal 02
Hexagonal 03
Hexagonal 04
Hexagonal 05
GROSS
GROSS
GROSS
GROSS
GROSS
20°
0,31
1,07
0,44
0,74
1,17
60°
4,61
5,33
4,13
7,19
10,18
85°
17,01
12,98
12,12
20,91
32,99
Fonte: Autores (2023).
Com relação aos pisos de madeira, constata-se que os parâmetros de brilho se mantêm
em nível próximo da média que é 50, porém no ângulo de incidência 60° houve um pequeno
aumento. O piso, em sua maior parte, pode ser considerado semibrilho, pois está bem próximo
de 50 (tabela 14).
TABELA 14 Resultados do levantamento de brilho do Palacete Bolonha- Pisos em
madeira.
Dados do medidor de Brilho Digital Portátil- HP-300- TIME
ANGLE
Piso Madeira Acapu
Piso Madeira Pau-amarelo
GROSS
GROSS
20°
39,31
39,20
60°
64,57
65,04
85°
41,70
39,87
Fonte: Autores (2023).
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Para os pisos de mármore encontrados na edificação, constata-se que também possuem
valores abaixo da média, sendo considerados mate (tabela 15).
TABELA 15 Resultados do levantamento de brilho do Palacete Bolonha- Pisos em
Mármore
Dados do medidor de Brilho Digital Portátil- HP-300- TIME
ANGLE
Piso Mármore Preto
Piso Mármore Branco
GROSS
GROSS
20°
2,30
0,72
60°
16,91
5,47
85°
41,39
14,58
Fonte: Autores (2023).
Para os pisos em leque encontrados na edificação, constata-se também que são mate,
por estarem muito abaixo da média (tabela 16).
TABELA 16 Resultados do levantamento de brilho do Palacete Bolonha- Pisos em Leque
Dados do medidor de Brilho Digital Portátil- HP-300- TIME
ANGLE
Piso Leque com Flores
Piso Leque sem Flores
GROSS
GROSS
20°
0,43
0,63
60°
4,18
4,46
85°
11,27
15,16
Fonte: Autores (2023).
Com relação ao piso de vidro da edificação, mesmo sendo vidro, seus pontos não são
brilhosos, seus valores ficaram muito abaixo da média, sendo considerado mate (tabela 17).
TABELA 17 Resultados do levantamento de brilho do Palacete Bolonha- Pisos em vidro
Dados do medidor de Brilho Digital Portátil- HP-300- TIME
ANGLE
Piso em Vidro
GROSS
20°
0,34
60°
5,96
85°
7,51
Fonte: Autores (2023).
Pode-se resumir todos os dados colhidos na edificação, constatando-se que os pisos, em
geral, não possuem um alto índice de brilho, sendo considerados mate. Essa situação facilita a
harmonia, já que o piso pega uma grande porção do espaço e colocá-lo com muito brilho pode
prejudicar o destaque de outros elementos.
ISSN 2447-746X
DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
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Com os dados encontrados no Palacete Bolonha, fez-se uma seleção de valores entre
cada ângulo de incidência, selecionando entre as medias dos pisos, seu valor mais baixo e seu
valor mais alto (tabela 18) para definir um intervalo padrão de brilho da edificação e poder
compará-lo com a média final de brilho dos outros objetos de estudo (tabela 19).
TABELA 18 Média dos pisos encontrados no Palacete Bolonha com demarcação dos
valores mais baixos e mais altos para cada ângulo de incidência
Dados do medidor de Brilho Digital Portátil- HP-300- TIME
TIPO DE
PISO
Hexagonal 01
Hexagonal 02
Hexagonal 03
Hexagonal 04
Hexagonal 05
ANGLE
GROSS
GROSS
GROSS
GROSS
GROSS
20°
0,31
1,07
0,44
0,74
1,17
60°
4,61
5,33
4,13
7,19
10,18
85°
17,01
12,98
12,12
20,91
32,99
TIPO DE
PISO
Piso Madeira
Acapu
Piso Madeira Pau-
Amarelo
Piso Mármore
Preto
Piso Mármore
Branco
Piso Leque com
Flores
ANGLE
GROSS
GROSS
GROSS
GROSS
GROSS
20°
39,31
39,20
2,30
0,72
0,43
60°
64,57
65,04
16,91
5,47
4,18
85°
41,70
39,87
41,39
14,58
11,27
TIPO DE
PISO
Piso Leque sem
Flores
Piso em Vidro
ANGLE
GROSS
GROSS
20°
0,63
0,34
60°
4,46
5,96
85°
15,16
7,51
Fonte: Autores (2023).
TABELA 19 Intervalo entre brilhos encontrado no Palacete Bolonha
Dados do medidor de Brilho Digital Portátil- HP-300- TIME
ANGLE
Valor Baixo
Valor Alto
20°
0,31
39,31
60°
4,13
65,04
85°
7,51
41,70
Fonte: Autores (2023).
COMPARATIVO DE BRILHO
Os resultados encontrados no Hotel Atrium Quinta de Pedras se encaixam dentro do
limite estabelecido pelos dados do Palacete Bolonha, também sendo considerado mate. (tabela
20).
ISSN 2447-746X
DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-35, e025024, 2025.
Ridphe_R
TABELA 20 Intervalo entre brilhos encontrados no Palacete Bolonha x Hotel Atrium
Quinta de Pedras
Dados do medidor de Brilho Digital Portátil- HP-300- TIME
Limite de brilho- Palacete Bolonha
Brilho Hotel Atrium Quinta de Pedras por tipo de
porcelanato
ANGLE
Valor Baixo
Valor Alto
Porcelanato
claro 01
Porcelanato
claro 02
Porcelanato
escuro 01
Porcelanato
escuro 02
20°
0,31
39,31
1,81
1,59
1,72
1,40
60°
4,13
65,04
14,31
13,17
13,77
12,40
85°
7,51
41,70
30,13
33,03
35,51
30,48
Fonte: Autores (2023).
Os resultados encontrados no Tribunal de Justiça foram, em sua maioria, dentro do
intervalo de brilho dos pisos encontrados na edificação antiga. Apenas o porcelanato polido 01
trouxe um valor muito acima do limite, possuindo um brilho que pode interferir na
harmonização do porcelanato com o espaço. Vale destacar que o porcelanato polido 02
apresenta baixo nível de brilho em decorrência de que houve desgaste do polimento (tabela
21).
TABELA 21 Intervalo entre brilhos encontrado no Palacete Bolonha x TJPA
Dados do medidor de Brilho Digital Portátil- HP-300- TIME
Limite de brilho- Palacete Bolonha
Brilho- Tribunal de Justiça do Pará por tipo de porcelanato
ANGLE
Valor Baixo
Valor Alto
Porcelanato
Polido 01
Porcelanato
Polido 02
Porcelanato
Natural 01
Porcelanato
Natural 02
20°
0,31
39,31
24,34
2,27
3,21
1,81
60°
4,61
65,04
46,42
10,51
19,11
11,16
85°
7,51
41,70
82,27
36,56
32,53
19,90
Fonte: Autores (2023).
Na edificação da Estação das Docas, o resultado dentro do limite determinado pela
edificação antiga, sendo considerado mate (tabela 22).
TABELA 22 Intervalo entre brilhos encontrado no Palacete Bolonha x Estação das Docas
Dados do medidor de Brilho Digital Portátil- HP-300- TIME
Limite de brilho- Palacete Bolonha
Brilho Estação das Docas
ANGLE
Valor Baixo
Valor Alto
Porcelanato 01
20°
0,31
39,31
3,27
60°
4,61
65,04
15,58
85°
7,51
41,70
40,03
Fonte: Autores (2023).
Os comparativos, em sua maioria, obtiveram resultados positivos dentro do limite de
brilho traçado pelo Palacete Bolonha. Percebe-se que devemos tomar cuidado com o uso de
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porcelanatos polidos, pois podem obter valores de brilho muito alto e interferirem no resultado
harmônico da edificação, é o caso do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Outro fato que se
deve ficar atento é que, dependendo do porcelanato polido, a perda do polimento em ambientes
com grande fluxo de pessoas e objetos geram a redução do brilho rápido, perdendo, assim, suas
características fabris.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Houve o levantamento dos edifícios históricos identificados com o uso do porcelanato
em Belém, e que se inserem dentro ou próximos do centro histórico e na área de expansão da
capital. Com esse levantamento, pôde-se analisar o estado de conservação e flexibilidade de
uso do porcelanato nas edificações, se foram intervenções de forma racional e se buscaram a
preservação do significado e valores do monumento, promovendo um diálogo harmonioso entre
o novo e o antigo para não gerar conflitos, resultando em um falso histórico.
O foco deste estudo foi apresentar o porcelanato como sugestão de material para
revestimentos de pisos a serem utilizados em novas intervenções nas edificações históricas.
Analisando sua durabilidade, versatilidade e, principalmente, sua composição com os
elementos arquitetônicos antigos, verificando se houve ou não uma harmonia. O estudo de caso
demonstrou que os danos no material são poucos e quase invisíveis a olho nu, e os porcelanatos
possuem diversos usos e composições por terem características estéticas e funcionais variadas,
quando especificados tecnicamente corretos. Porém, mesmo com a versatilidade do
porcelanato, é importante que se faça o estudo de harmonização ao longo do processo de
projeto, para não ocorrer o que houve no Tribunal de Justiça do Estado, em que a uniformidade
do espaço ficou comprometida pela aplicação inadequada do porcelanato polido, reduzindo
vida útil das peças pela aplicação em uma área com fluxo alto de pessoas e equipamentos,
comprometendo a camada vítrea. Vale ressaltar que a aplicação correta de cada tipo de
porcelanato pode estar sujeita à orientação de destinação do fabricante pelo fluxo: baixo, médio
ou alto.
Em termos de análise técnica de cor, houve uma pequena divergência entre as
edificações de intervenções recentes e o Palacete Bolonha, os dados analisados mostram que
não alteram significativamente a composição geral com a utilização do porcelanato, em que
apenas uma edificação seguiu seus padrões delimitados nos dados da pesquisa, por conter tons
claros-neutros (Porcelanatos TJPA). Com relação ao estudo de brilho, obtiveram-se resultados
positivos nos porcelanatos estudados (uso em sua maioria de peças com acabamentos acetinado
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DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20661
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e natural) e um sinal de alerta para o controle de brilho ao escolher suas peças (caso do TJPA).
Este trabalho demonstra a necessidade de estudos técnicos sobre o porcelanato, não basta
fazer análise a olho nu ao escolhê-lo, pois a margem de erro é grande, que as pessoas
enxergam cores e brilhos de formas diferentes.
É importante trazer também ao conhecimento a relação que ocorre nos minerais na
composição do porcelanato aplicados em pisos, pois isso significa, muitas vezes, entender a sua
escolha e o papel principal desempenhado de suas funções no processo de criação da
formulação desse tipo revestimento, para assim, obter-se informações das qualidades que
atendam às especificações técnicas da sua função e durabilidade. Os porcelanatos aplicados nas
intervenções, apesar do tempo decorrido, continuam apresentando sua integridade material boa
e ainda satisfatória ao seu uso, confirmando sua resistência mecânica e abrasão.
É necessário que os projetistas saibam ler as especificações e entendam o seu significado
na hora de indicar os porcelanatos para seus projetos e, se possível, fazer estudos mais
aprofundados sobre o tema. Nas intervenções históricas, não se trata de estudo de legislações
e teorias restaurativas, mas também de conhecer muito bem o material que vai ser aplicado.
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Recebido em: 30 de julho de 2025.
Aceito em: 14 de dezembro de 2025.