são secretários escolares, que muitas vezes por não (re)conhecerem o potencial dos arquivos,
utilizam a expressão que conhecemos como arquivo morto. Ora se é morto, por que
preservamos? Este é o primeiro pensamento que surge quando uma pessoa que não tem
conhecimento da área lida com a documentação escolar. Talvez, por isso, a realidade encontrada
nas escolas seja tão bem descrita por Rosa Fátima de Souza (2013, p. 205), ao debater em artigo
a situação da preservação do patrimônio histórico escolar no Brasil.
Amontoados em porões, debaixo de escadas, em salas apertadas, distribuídos
ao acaso em armários e caixas, descuidados e sem interesse, documentos,
quase sempre administrativos, além de coleções de instrumentos científicos,
livros didáticos, móveis antigos, troféus, medalhas, entre outros objetos,
sobrevivem a intempéries, goteiras, condições de insalubridade, falta de
identificação, organização e armazenamento adequado na maioria das escolas.
Há que fazer um trabalho cuidadoso no sentido de enfatizar que arquivos são
mananciais riquíssimos de informações, dotados de “vitalidade informacional”, e incentivar o
desenvolvimento de mecanismos de preservação e acesso às informações que contêm,
conforme destacam Pereira e Gomes (2023, p. 351):
[...] vítimas constantes do descaso, tais acervos, ainda hoje, são
recorrentemente chamadas de ‘arquivo morto’. A falta de um plano de
organização [...] bem como a ausência de políticas públicas, são os exemplos
de relatos mais comuns no que diz respeito às condições desses acervos.
Ainda sobre este assunto, Vidal (2005b) reitera a importância de falarmos sobre
arquivos na educação, em especial, sobre políticas de preservação e descarte nos arquivos
escolares, pois, infelizmente, a visão que temos de arquivo escolar ainda está muito voltada
para questões jurídico-administrativas. Porém, o arquivo escolar está além de suas atividades-
meio e deve prezar também pela custódia de atividades-fim. Isso quer dizer que devemos
preservar documentos/objetos oriundos das práticas escolares, como: avaliações, cadernos,
fichas de professores, diários, mobiliários, entre outros produzidos no cotidiano escolar, e que
nos remetem a culturas escolares distintas, fornecendo muitas vezes pistas para compreensão
da história da educação e, também, de processos de escolarização como reforça Vidal (2005b,
p. 16-17).
Tomados em sua materialidade, esses objetos permitem não apenas a
percepção dos conteúdos ensinados, a partir de uma análise dos enunciados e
das respostas; mas o entendimento do conjunto de fazeres ativados no interior
da escola. Assume destaque, por exemplo, a maneira como o espaço gráfico