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FICHAS CATALOGRÁFICAS E OS DESAFIOS NA PRESERVAÇÃO E GESTÃO
DO ACERVO DO MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL LOUIS JACQUES BRUNET
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Virgínia Pereira da Silva de Ávila
PPGE/UPE, Brasil
virginia.avila@upe.br
Maria Agrecia Cordeiro de Oliveira
PPGE/UPE, Brasil
maria.acsoliveira@upe.br
Francisca Juscizete Queiroz de Lima
SEE / Pernambuco
juscizete@gmail.com
RESUMO
Este artigo apresenta os resultados do projeto de preenchimento das fichas de catálogo da
coleção de zoologia do Museu de História Natural Louis Jacques Brunet, aprovado pelo Edital
FACEPE 25/2022. A proposta visou dar continuidade à organização da documentação do
acervo, sendo executada ao longo de um período de 12 meses. A metodologia consistiu na
análise e no registro dos objetos do acervo de zoologia e suas subdivisões, através da elaboração
sistemática de fichas de catálogo. Foram registradas informações sobre a tipologia, estado de
conservação, medidas e localização de cada item, garantindo a rastreabilidade e gestão
documental da coleção. Com a participação de especialistas, alunos monitores e estagiários,
foram concluídas 798 fichas catalográficas, que hoje constituem uma base organizada e
acessível a pesquisadores, estudantes e público em geral. Nesse sentido, conclui-se que o
projeto não só fortalece a gestão e preservação do acervo, como também reforça a importância
de políticas públicas voltadas para a conservação do patrimônio educativo, garantindo o acesso
e a valorização da história da educação em Pernambuco. A preservação, no entanto, não
depende apenas da documentação; exige investimentos estruturais, condições físicas
adequadas, capacidade técnica e aquisição de equipamentos de digitalização, que garantam a
sustentabilidade do acervo.
Palavras-chave: divulgação científica; museologia; Ginásio Pernambucano.
FICHAS CATALOGRÁFICAS Y LOS DESAFIOS EM LA PRESERVACIÓN Y
GESTIÓN DEL ACERVO DEL MUSEO DE HISTORIA NATURAL LOUIS
JACQUES BRUNET
RESUMEN
Este artículo presenta los resultados del proyecto de cumplimentación de las fichas de catálogo
de la colección de zoología del Museo de Historia Natural Louis Jacques Brunet, probado por
la Convocatoria FACEPE 25/2022. La propuesta, ejecutada a lo largo de 12 meses, tuvo como
1
Este artigo é resultado das investigações realizadas no âmbito do projeto “Utilização de Recursos de
Acessibilidade Digital na Preservação e Disseminação do Patrimônio Educativo em Instituições de Ensino em
Pernambuco”, aprovado no edital Helen Khoury: Apoio à difusão e à popularização da ciência, n.º 22/2025 e
financiado pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe).
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objetivo dar continuidad a la organización de la documentación del acervo.
Metodológicamente, el trabajo consistió en el análisis y registro de los objetos de la colección
de zoología y sus subdivisiones, a través de la elaboración sistemática de fichas de catálogo.
Se registraron datos sobre la tipología, el estado de conservación, las dimensiones y la ubicación
de cada ítem, asegurando la trazabilidad y la gestión documental de la colección. Com la
participación de especialistas, alummnos monitores y pasantes. Se completaton 798 fichas
catalográficas, que hoy constituyen uma base organizada y accesible para investigadores,
estudiantes y público em general. Em este sentido, se concluye que el proycto no solo fortalece
la gestión y preservación del acervo, sino que también refuerza la importancia de las políticas
públicas dirigidas a la conservación del pratimonio educativo, garantizando el acceso y la
valorización de la historia de la educación em Pernambuco. La preservación, sin embargo, no
depende únicamente de la documentación; requiere inversiones estructurales, condiciones
físicas adecuadas, capacidad técnica y adquisición de equipos de digitalización que garantice la
sostenibilidade del acervo.
Palabras clave: divulgación científica; museología; Ginásio Pernambucano.
CATALOGUE RECORDS AND THE CHALLENGES OF PRESERVING AND
MANAGING THE COLLECTION OF THE LOUIS JACQUES BRUNET
NATURAL HISTORY MUSEUM
ABSTRACT
This article presents the results of the project to complete the catalogue records for the zoology
collection of the Louis Jacques Brunet Natural History Museum, approved by FACEPE Public
Notice 25/2022. The proposal aimed to continue the organization of the collection's
documentation and was carried out over a period of 12 months. The methodology consisted of
analyzing and recording the objects in the zoology collection and its subdivisions by
systematically filling out catalogue records. Information on the type, state of conservation,
measurements, and location of each item was recorded, ensuring the traceability and document
management of the collection. With the participation of specialists, student monitors, and
interns, 798 catalog cards were completed, which today constitute an organized database
accessible to researchers, students, and the general public. Thus, it can be concluded that the
project not only strengthens the management and preservation of the collection, but also
reinforces the importance of public policies aimed at the conservation of educational heritage,
ensuring access to and appreciation of the history of education in Pernambuco. Preservation,
however, does not depend solely on documentation; it requires structural investments, adequate
physical conditions, technical capacity, and the acquisition of digitization equipment to ensure
the sustainability of the collection.
Keywords: scientific dissemination; museology; Ginásio Pernambucano.
FICHES CATALOGRAPHIQUES ET DÉFIS LIÉS À LA PRÉSERVATION ET À LA
GESTION DES COLLECTIONS DU MUSÉE D'HISTOIRE NATURELLE LOUIS
JACQUES BRUNET
RÉSUMÉ
Cet article présente les résultats du projet de remplissage des fiches catalographiques de la
collection zoologique du Musée d'histoire naturelle Louis Jacques Brunet, approuvé par l'avis
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FACEPE 25/2022. La proposition visait à poursuivre l'organisation de la documentation de la
collection et a été mise en œuvre sur une période de 12 mois. La méthodologie consistait à
analyser et à enregistrer les objets de la collection zoologique et ses subdivisions, grâce à
l'élaboration systématique de fiches de catalogue. Des informations sur la typologie, l'état de
conservation, les dimensions et l'emplacement de chaque article ont été enregistrées,
garantissant la traçabilité et la gestion documentaire de la collection. Avec la participation
d'experts, d'étudiants moniteurs et de stagiaires, 798 fiches cataloguées ont été remplies, qui
constituent aujourd'hui une base organisée et accessible aux chercheurs, aux étudiants et au
grand public. En ce sens, on peut conclure que le projet renforce non seulement la gestion et la
préservation du patrimoine, mais aussi l'importance des politiques publiques axées sur la
conservation du patrimoine éducatif, garantissant l'accès et la valorisation de l'histoire de
l'éducation à Pernambuco. La préservation ne dépend toutefois pas uniquement de la
documentation; nécessite des investissements structurels, des conditions physiques adéquates,
des compétences techniques et l'acquisition d'équipements de numérisation, qui garantissent la
pérennité du patrimoine.
Mots-clés: diffusion scientifique; muséologie; Ginásio Pernambucano.
INTRODUÇÃO
A sala-museu ou o museu são os lugares do espanto e da emoção, da
descoberta e da confirmação. Para as crianças funciona como um campo de
prática experiencial, de reconhecimento do real e de expansão do mundo
conhecido, da fantasia e da criatividade. A todos ajuda a viajar no tempo entre
o passado e o futuro, para mudarmos o presente, ou a visão que dele temos.
(Felgueiras, 2005, p. 99).
O Museu de História Natural Louis Jacques Brunet foi fundado pelo naturalista francês
Louis Jacques Brunet, que lecionou Ciências Naturais no Ginásio Pernambucano entre 1855 e
1863. É provável que o museu tenha sido estruturado logo após a chegada do naturalista ao
ginásio, em 1855. A serviço do governo provincial, Brunet reuniu uma coleção de exemplares
recolhidos em expedições pelo interior de Pernambuco, para compor o acervo do museu do
ginásio, instituição fundada em 1825 sob a designação de Liceu Provincial (Gonzales, 2020).
A constituição do museu ocorreu concomitantemente à criação dos primeiros museus no
Brasil, no século XIX (Gonzales, 2016), fundamentados no saber científico e na concepção de
que o mundo poderia ser compreendido por meio da observação direta e da experiência concreta
(Meloni; Wiara, 2019). Segundo Possamai (2015), na segunda metade do século XIX, um
intenso movimento de circulação internacional favoreceu a criação de museus vinculados ao
espaço escolar, assim como de museus nacionais de educação, visando reunir uma ampla
diversidade de materiais processo que, mais recentemente, tem sido reconhecido sob a noção
de patrimônio educativo.
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Situado nas dependências do primeiro piso da Escola de Referência em Ensino Médio
Ginásio Pernambucano (EREM Ginásio Pernambucano), às margens do rio Capibaribe, no
Recife, o Museu de História Natural Louis Jacques Brunet abriga aproximadamente 7.000 itens.
O acervo inclui coleções de zoologia, geologia, botânica, arqueologia, numismática e corpo
humano. Entre as tipologias, encontram-se modelos didáticos de plantas, quadros parietais,
esqueletos, animais taxidermizados, artefatos arqueológicos, fósseis, espécimes in vitro e
moedas. Trata-se de uma coleção bastante diversificada e valiosa.
Em 2025, o Museu completa 170 anos de história. Apesar dos desafios contínuos de
manutenção e de recursos humanos, o museu continua a ser referência para pesquisadores
nacionais e estrangeiros, bem como para estudantes e a comunidade.
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É o único museu de
história natural em funcionamento no estado desde o século XIX, evidenciando a importância
de políticas públicas para preservação e conservação desse importante patrimônio cultural
educativo.
O patrimônio cultural educativo pode ser compreendido como o conjunto de bens
preservados em escolas, centros de memória e instituições de ensino no Brasil, cuja organização
se orienta por critérios tecnocientíficos. Esses bens cumprem múltiplas finalidades: permitem
a apresentação pública, subsidiam pesquisas, valorizam a memória institucional e comunitária
e, de forma particular, favorecem o estudo da história e da historiografia da educação (Carta de
Natal, 2024).
3
Na Espanha, Zamora e Romero (2024) mostram como o interesse pelos objetos escolares,
vistos como testemunhos de memória, deu impulso à formação de uma cultura museológica
nacional, culminando no surgimento de inúmeros museus de educação. No Brasil, as práticas
de preservação, organização e disponibilização pública de acervos escolares são relativamente
recentes, consolidando-se apenas a partir do final do século XX (Oliveira; Chaloba, 2023). Em
Pernambuco, esse processo passa pela construção de uma cultura de valorização e preservação
dos espaços históricos. Entre eles, destaca-se o Museu de História Natural Louis Jacques
2
O museu serviu de cenário, em julho de 2024, para o premiado filme “O agente secreto”, de Kleber Mendonça.
3
A Carta de Natal é um documento em defesa do Patrimônio Educativo, produzido coletivamente por
pesquisadores da área de História da Educação, organizados no Grupo de Trabalho (GT do Patrimônio Educativo),
durante o XII Congresso Brasileiro de História da Educação, realizado em Natal, em 2024, promovido pela
Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE). O GT contou com a participação de membros da
Associação Sul-Rio-Grandense de Pesquisadores em História da Educação (Asphe) e o GT-2, da Associação
Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), com apoio da Associação Nacional de História
(ANPUH-Brasil). Por meio desse manifesto, profissionais, professores e representantes de instituições atestam a
relevância do patrimônio educativo, defendendo sua proteção, reconhecimento, valorização e prestígio. O
documento apresenta o patrimônio identificado, mapeado e descrito em todo o território nacional, consolidando-o
como “patrimônio cultural educativo”, e será encaminhado ao IPHAN. https://sbhe.org.br/2024/12/23/carta-de-
natal-rn-sobre-o-patrimonio-educativo/
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Brunet, não apenas por sua relevância científica e educativa, mas também por constituir um
patrimônio cultural que testemunhou as transformações e a modernização do ensino no estado
na transição do século XIX para o XX.
Quando visitamos um museu escolar,
4
geralmente não fazemos ideia do trabalho que é
realizado. Um museu dentro da escola não é apenas um acervo estático; representa um sistema
complexo de gestão, preservação e comunicação. De acordo com Witt e Possamai (2016), ele
cumpre duas funções simultâneas. Por um lado, atua como depositário de documentos e objetos
que registram a memória da educação; por outro, é um espaço de pesquisa e interação com a
comunidade escolar.
No Museu de História Natural Louis Jacques Brunet, a organização da documentação
deveria constituir um dos eixos centrais da gestão do acervo. No entanto, esse trabalho enfrenta
sérias limitações, como a escassez de recursos, a ausência de equipamentos adequados para a
conservação e exposição dos objetos, além da carência de uma equipe técnica especializada.
Atualmente, o museu conta apenas com uma museóloga, a quem cabe a coordenação de todas
as atividades.
Este texto apresenta os resultados do projeto “Preenchimento das Fichas Catalográficas
da Coleção de Zoologia do Museu Louis Jacques Brunet”, aprovado pelo Edital FACEPE
25/2022, que teve como objetivo organizar a documentação e preencher as fichas catalográficas
da coleção de zoologia e de suas subdivisões. O projeto foi coordenado pela museóloga
responsável pelo museu.
Além de apoiar a gestão e a organização do museu, as fichas constituem fonte de
informação para pesquisadores e profissionais de centros de memória, museus, arquivos e
outras instituições voltadas à salvaguarda do patrimônio cultural educativo. Deve-se sublinhar
que as práticas de catalogação variam conforme o campo técnico. Na museologia, envolvem a
descrição detalhada do item, o registro de seu percurso de aquisição e de suas características
físicas, com o objetivo de apoiar a pesquisa e facilitar a localização do objeto no acervo
(Palhares; Silva; Oliveira, 2019). Em outras áreas, porém, utilizam-se descrições mais simples,
frequentemente acompanhadas de outros tipos de informação.
O texto está estruturado em três seções. A primeira apresenta uma discussão mais geral
sobre o museu, a segunda contextualiza o projeto e o processo de catalogação, a terceira
4
Segundo Ruiz Berrio (2013), a diferença entre um museu escolar e um museu pedagógico é que o primeiro está
voltado para as atividades dentro da escola e o segundo é espaço de reflexão e formação para professores e alunos,
a partir de uma visão crítica do patrimônio e das práticas educativas.
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apresenta um breve histórico da criação da coleção de zoologia e a quarta trata dos
procedimentos de higienização dos objetos, que antecedem o preenchimento das fichas. Por
fim, as considerações finais, em que são apontadas as fragilidades na gestão do acervo devido
à ausência de políticas de financiamento para o seu pleno funcionamento e de equipe técnica
especializada.
SOBRE O PROCESSO DE CATALOGAÇÃO
A primeira catalogação do acervo do Museu de História Natural Louis Jacques Brunet de
que se tem registro foi realizada pelo museólogo Albino Oliveira, em 2004. Na ocasião, foi
organizado um inventário com 3.900 fichas catalográficas, cada uma contendo 16 campos,
constituindo as primeiras fichas do museu. Essa catalogação envolveu as coleções de zoologia,
geologia, arqueologia e botânica, contabilizando 81 pastas poliondas plásticas em cores
diferenciadas, com informações registradas manualmente em lápis e caneta.
Em 2019, com o apoio do curso de Bacharelado em Museologia da Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE), a coordenação do museu realizou um diagnóstico de conservação
ambiental, sob a orientação do professor Rômulo José Benito de Freitas Gonzales, com a
participação dos estagiários voluntários Antônio Felipe da Silva Júnior e Gabriela Marília da
Silva. O trabalho foi conduzido ao longo de 12 reuniões, distribuídas por seis meses.
Tomando como referência o Roteiro de Avaliação e Diagnóstico de Conservação
Preventiva, de Souza e Froner (2008), o trabalho foi dividido em três etapas: a primeira
consistiu na observação do museu e de seus ambientes; a segunda, na coleta das informações
que fundamentaram o diagnóstico; e, a terceira, na análise conjunta dos dados e na proposição
de estratégias. Como resultado, o Diagnóstico Ambiental identificou riscos às coleções e
problemas estruturais, como goteiras, extintores vencidos, falhas no sistema de climatização e
instabilidade do piso. Parte dessas questões foi solucionada com reparos em 2022 e com a
recuperação do telhado da escola em 2023.
5
O museu ainda não possui uma política formal de aquisição e descarte de objetos, porém
recebe doações, desde que o acervo doado seja acompanhado da documentação necessária e
que o museu disponha de condições adequadas de conservação. Um exemplo é a “Cátedra do
Ginásio Pernambucano”, mobiliário em madeira maciça utilizado nas aulas do século XIX,
5
O documento foi apresentado em formato de resumo expandido, na categoria de Comunicação Oral no V
Seminário Internacional Cultura Material e Patrimônio de C&T, em 2022, no Rio de Janeiro.
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originalmente pertencente ao Ginásio Pernambucano, que havia sido doado ao Instituto
Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano e que retornou ao museu em 2019,
mediante solicitação do gestor da escola e da coordenação do museu.
Nesse período, profissionais de diversas áreas, como museologia, biologia e arqueologia,
manifestaram interesse em auxiliar na organização do catálogo, porém a colaboração não se
concretizou. Diante de outras necessidades consideradas básicas para o funcionamento
institucional, como uma sala de reserva técnica adequada e um sistema de climatização
compatível com as exigências de conservação, a organização do catálogo acabou ficando em
segundo plano.
Em 2022, o processo de catalogação foi retomado com a aprovação do projeto
“Preenchimento da Ficha Catalográfica da Coleção de Zoologia do Museu Louis Jacques
Brunet”, no Edital FACEPE 25/2022. Com duração de 12 meses, o projeto foi realizado três
dias por semana, com carga horária semanal de 12 horas, e estruturado em três etapas: a primeira
foi denominada “Familiarização com a Escola: o Museu e o Acervo”; a segunda,
“Conhecimento Bibliográfico”, envolvendo a análise de artigos sobre o museu e suas coleções,
além de um curso sobre documentação museológica; e a terceira etapa foi dedicada à prática do
preenchimento das fichas catalográficas.
A atualização da ficha catalográfica (FC)
6
do museu levou em consideração outras fichas
existentes, de forma que cada uma, e de acordo com os campos que traziam, contribuísse
para uma ficha única e mais completa.
Figura 1 Ficha Catalográfica, frente, 2004.
Fonte: Acervo do Museu de História Natural Louis Jacques Brunet, ficha preenchida por Galileu.
Fotografia: Tales Araújo (2025).
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A Ficha Catalográfica será referida pela sigla FC (ou FCs), simplificando a citação ao longo deste texto.
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Figura 2 Ficha Catalográfica, verso, 2004.
Fonte: Acervo do Museu de História Natural Louis Jacques Brunet, ficha preenchida por Galileu.
Fotografia: Tales Araújo (2025).
Desse modo, foram colocadas em análise as primeiras FCs do período de 2004 (figuras
1 e 2): uma ficha de um mamífero (boto vermelho), de 2019, e uma outra, elaborada durante o
estágio obrigatório curricular no curso de Bacharelado em Museologia, da Universidade
Federal de Pernambuco UFPE, em 2021. Essa FC, em específico, foi espelhada na Ficha
Catalográfica do livro Documentação museológica e Gestão de Acervo”, de Renata Cardozo
Padilha, e elaborada pela própria autora.
No preenchimento das FCs, foram utilizadas as informações disponíveis no banco de
dados em tabela Excel, que contém a documentação museológica do Museu inventariada em
2004. Esse período corresponde à fase de revitalização do acervo e à realização de um conjunto
de atividades museológicas, tais como arrolamento, higienização, identificação do acervo por
profissionais de áreas específicas, catalogação e acondicionamento dos objetos.
As informações contidas nos 16 campos das primeiras fichas (fig. 1 e 2) levaram a uma
nova ficha catalográfica, que foi ampliada para 31 campos com outras informações sobre os
objetos a serem catalogados. No campo intrínseco (fig. 3), há a descrição detalhada do objeto,
cor, tamanho, falhas e inscrições nele encontradas. É possível informar, também, o estado de
conservação.
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Figura 3 Ficha catalográfica, descrição intrínseca, 2023.
Fonte: Acervo do Museu de História Natural Louis Jacques Brunet.
Fotografia: Tales Araújo (2025).
a descrição extrínseca (fig. 4) leva em consideração toda gama de informações
históricas, simbólicas e culturais do objeto (Padilha, 2014). No campo 20, foram utilizadas as
informações disponíveis no inventário de 2004. Assim, o campo N corresponde à descrição, o
campo T corresponde às observações, o campo G se refere à cronologicidade e os campos J, K
e L correspondem às medições dos objetos.
Figura 4 Ficha catalográfica, descrição extrínseca, 2023.
Fonte: Acervo do Museu de História Natural Louis Jacques Brunet.
Fotografia: Tales Araújo (2025).
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Esses dois campos (intrínseco e extrínseco) são importantes na ficha catalográfica e se
complementam, pois, em caso de perda do objeto, é possível identificá-lo através desses dados.
Na terceira e última parte da ficha (fig. 5), encontram-se os dados do projeto relativos
ao período, cronograma, referências bibliográficas, nome do autor dos registros, data,
publicações, observações, autorização de uso e responsável. As FC’s foram impressas em papel
sulfite A4 branco.
Figura 5 Ficha catalográfica, cronologia, observações, 2023.
Fonte: Acervo do Museu de História Natural Louis Jacques Brunet.
Fotografia: Tales Araújo (2025).
O projeto contou com a colaboração do professor Galileu Coelho, do Departamento de
Zoologia da UFPE, responsável pela elaboração das fichas e da tabela em Excel em 2004.
Segundo o relato do professor, as condições de conservação do acervo do museu antes da
restauração do prédio da escola, nos anos 2000, eram precárias. O acervo estava armazenado
em um galpão localizado no bairro Jiquiá, na Zona Oeste do Recife PE. No entanto, devido
às fortes chuvas de inverno, muitos objetos foram perdidos ou danificados.
O professor Galileu forneceu informações sobre as medições registradas na tabela Excel,
realizadas diretamente nos animais ou objetos. No campo biológico/zoológico, essas medidas
são feitas parte a parte e depois somadas. Essa metodologia difere da prática museológica, em
que as medições consideram o espaço destinado ao acondicionamento dos objetos, e não apenas
suas dimensões físicas. De todo modo, todas as informações obtidas foram utilizadas nas fichas.
Quanto à terminologia utilizada na elaboração da FC, foi utilizada a mais adequada para o
tipo de coleções trabalhadas. Segundo Padilha (2014), as fichas devem ser padronizadas, de
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modo que os metadados incluídos utilizem termos adequados e consistentes com a área a que
se referem, garantindo a interoperabilidade entre instituições. Com base nessas recomendações,
utilizamos terminologias pertinentes ao campo das Ciências Biológicas, à área da Zoologia e
ao contexto museológico.
O projeto resultou no preenchimento de 798 FCs da coleção de zoologia e suas subdivisões
Aves, Mamíferos e Malacologia,
7
sendo essa última a mais numerosa, com 388 objetos
catalogados. Algumas subdivisões da coleção de zoologia (coleção de anfíbios, répteis, peixes
e a coleção de animais conservados em via úmida) ainda não constam no inventário, devido à
falta de identificação das espécies e à ausência de uma catalogação correspondente. Não foram
preenchidas as FCs da coleção de peixes, com 32 objetos taxidermizados, da coleção
conservada em via úmida, com 25 objetos, da coleção de répteis, com 12 objetos, e da coleção
de anfíbios, com 2 objetos, totalizando 71 itens que ainda necessitam do reconhecimento por
profissionais especializados.
DAS EXPEDIÇÕES À COLEÇÃO DE ZOOLOGIA
Contratado pelo governo da província em 1855 para lecionar na segunda cadeira de
Ciências Naturais do Ginásio Pernambucano, Louis Jacques Brunet também assumiu a tarefa
de organizar as coleções do Museu. O pequeno museu do ginásio, também conhecido como
Gabinete de História Natural, termo utilizado no século XIX (Gonzalez, 2017) para se referir a
espaços destinados ao estudo, à conservação e à exposição de exemplares da natureza como
minerais, fósseis, plantas e animais , serviria para as aulas práticas de Ciências Naturais.
No Brasil, a criação do primeiro Gabinete de História Natural, também considerado o
primeiro das Américas a “Casa dos Pássaros” remonta ao século XVIII. Sua fundação
ocorreu em 1784, por determinação do 12º vice-rei do Brasil, Luís de Vasconcelos e Sousa, e
serviu como precursor do Museu Nacional. Em 1813, a “Casa dos Pássaros” foi extinta, e o
material remanescente foi enviado para compor o acervo do Museu Nacional
8
(Absolon;
Figueiredo; Gallo, 2018).
7
Ramo da zoologia que estuda os moluscos, um grupo de animais invertebrados que inclui caracóis, lesmas, ostras,
mexilhões, lulas e polvos.
8
O Museu Nacional, instalado no edifício histórico do Palácio de São Cristóvão, sofreu um grave incêndio em 2
de setembro de 2018, que destruiu a maior parte de seu acervo, estimado em cerca de 20 milhões de peças, além
de comprometer grande parte da estrutura do edifício. O museu foi reaberto parcialmente em julho de 2025.
Informações disponíveis em: https://www.museunacional.ufrj.br/see/o_incendio_de_2018.html. Acesso
em 27 set. 2025.
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A criação dos gabinetes de história natural nas instituições de ensino atendia a duas
finalidades: promover o desenvolvimento de uma cultura científica e oferecer apoio às aulas
práticas das cadeiras de Ciências Naturais. Era comum as instituições instalarem gabinetes e
pequenos museus e adquirirem materiais de ensino específicos para cada área instrumentos,
modelos, reagentes, vidrarias, entre outros , quase sempre importados da Europa (Gonzales;
Faulhaber, 2020; Meloni; Alcântara, 2019). Segundo Braghini (2017), essa estratégia refletia
as concepções de modernidade da época, que atribuíam à educação o papel de formar sujeitos
dotados da capacidade de observar, analisar e interpretar criticamente o mundo natural.
Entre 1857 e 1861, Brunet realizou duas importantes expedições, a primeira pelo Sertão
pernambucano e outra pela Região Norte do país. Na segunda expedição, enviou um exemplar
de um peixe de grande porte ao museu (Rosado e Silva, 1973). É possível inferir que se trata
do pirarucu atualmente em exposição, o único peixe de grande porte (fig. 6) remanescente da
coleção.
Figura 6 Sala de exposição; Pirarucu ao centro.
Fonte: Acervo do Museu de História Natural Louis Jacques Brunet.
Fotografia: Maria Agrecia Oliveira (2025).
A ausência de registros sobre os bens incorporados ao Museu de História Natural Louis
Jacques Brunet ao longo do tempo impede identificar com precisão quais objetos foram
recolhidos pelo próprio Louis Jacques Brunet e quais resultaram de doações ou descartes, assim
como os motivos pelos quais eles já não se encontram no museu. Contudo, Brunet encarregou-
se de iniciar a catalogação das primeiras coleções do acervo material.
A coleção, composta por 31 livros, está localizada na biblioteca Professor Olívio
Montenegro, da EREM Ginásio Pernambucano. Reúne desenhos e gravuras recortadas de
obras, que retratam, em sua maioria, animais, sobretudo peixes e moluscos em estudos
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taxonômicos, além de algumas representações de plantas. Brunet refere-se à “Colletion Musée
d’ Historie Naturalle” e “Colletion Louis Jacques Brunet”.
No livro “Memórias do Ginásio Pernambucano (1979)”, o escritor Olívio Montenegro
(1896-1962), que foi professor catedrático e diretor do Ginásio Pernambucano na década de
1930, destaca o trabalho incansável do taxidermista à frente do museu. Segundo Montenegro,
a precariedade das condições do museu levou Brunet
9
a renunciar ao cargo em 1863, mudando-
se para a Bahia, após ser contratado para criar a Escola Agrícola no Recôncavo Baiano.
A coleção de zoologia do museu resulta de três processos de conservação: a conservação
em via seca, que corresponde à taxidermia; a conservação em via úmida, em que os animais são
preservados em formol recentemente, alguns passaram a ser conservados em álcool 70%
devido às atividades periódicas de conservação preventiva; e a conservação osteotécnica,
referente à montagem óssea dos animais. A coleção é composta por 869 objetos, distribuídos
entre a Sala de Exposição e a Reserva Técnica do Museu.
Figura 7 Sala de exposição de animais taxidermizados
Fonte: Museu de História Natural Louis Jacques Brunet.
Fotografia: Virgínia Ávila (2025).
A remoção dos objetos para o preenchimento das fichas FCs evidenciou a necessidade
adicional do acervo, ou seja, a conservação preventiva mecânica. Esta prática envolve a
higienização dos objetos com pincéis de cerdas macias para a remoção da sujidade, além do
uso de um aspirador de pó manual para a remoção de resíduos superficiais. Esse procedimento
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No Arquivo blico Estadual Jordão Emerenciano, em Recife, encontra-se um importante acervo de Louis
Jacques Brunet, constituído por correspondências, produção intelectual, desenhos e outros documentos,
constituindo uma fonte privilegiada para a compreensão de sua trajetória pessoal e de sua contribuição científica
e cultural na Província de Pernambuco.
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foi realizado no âmbito do estágio obrigatório de Marcílio Lisboa, estudante do curso de
Museologia da UFPE. Durante o estágio, procedeu-se à higienização da coleção de aves e à
separação e ao acondicionamento dos exemplares em mau estado de conservação e, por fim, ao
replanejamento da localização desses objetos na Reserva Técnica.
A higienização preventiva da coleção é realizada periodicamente, seguindo as orientações
de conservação de acervos museológicos (Acam, 2010). Na Sala de Exposições, a higienização
realiza-se duas vezes por ano, em janeiro e julho, devido à maior incidência de sujidade. Já na
Reserva Técnica, a higienização acontece uma vez ao ano. O piso de ambos os espaços é de
madeira, e a remoção do pó é feita semanalmente com aspirador de pó.
No processo de catalogação, foi possível modificar a identificação de um dos maiores
objetos do Museu, a mandíbula de uma baleia (fig. 8). O reconhecimento foi feito pelo professor
Pedro Cordeiro Estrela, da Universidade Federal da Paraíba UFPB, em 2023. Trata-se de um
osso gigante de mamífero, medindo em torno de 5 metros, registrado no inventário do museu
como uma “costela de baleia” da ordem cetácea e cadastrado por D Guerra em 2005. O objeto
foi devidamente identificado e atualizado no inventário com a participação de estudantes
monitores do museu.
Figura 8 Mandíbula direita de uma baleia fin; sala de exposição.
Fonte: Museu de História Natural Louis Jacques Brunet.
Fotografia: Tales Araújo (2025).
Outra atividade resultante do preenchimento das fichas catalográficas é o registro
fotográfico da coleção de aves por Tales Araújo, do curso de Bacharelado em Cinema e
Audiovisual na UFPE, que realizou estágio voluntário entre agosto de 2023 e fevereiro de 2024.
Foram fotografadas 123 aves, utilizando fita métrica com escala em centímetros.
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Figura 9 Medição de Ave (Ema)
Fonte: Museu de História Natural Louis Jacques Brunet.
Fotografia: Tales Araújo (2025).
A figura 9 mostra um registro fotográfico de uma ema (Rhea americana), ave em mau
estado de conservação, que está acondicionada na Reserva Técnica. As fotografias estão
disponíveis no e-mail institucional da coordenação do museu, uma vez que o museu não tem e-
mail institucional próprio. também uma cópia das fotografias e das fichas catalográficas
salvas em disco rígido externo (HD).
Esses objetos constituem um inestimável patrimônio cultural e científico, o que evidencia
a importância de sua valorização e preservação, bem como a necessidade de políticas que visem
a sua salvaguarda. Ruiz Berrio (2013) destaca o papel dos museus de educação no contexto das
transformações da Nova Museologia nos anos 1980, na Europa e na América. Em causa estava
a necessidade de criar instituições museológicas modernas, bem como novas abordagens de
investigação em História da Educação, baseadas na renovação de métodos, objetos e fontes.
Como assinala Felgueiras (2005, 2012), é fundamental reconhecer o papel da museologia
na conservação e na comunicação do patrimônio educativo, uma vez que ela não se limita à
preservação física dos objetos, mas envolve também a interpretação, a mediação e a transmissão
de conhecimentos, contribuindo para a construção de experiências educativas significativas e
permitindo que alunos, professores e a comunidade compreendam os processos históricos,
culturais e científicos representados pelos bens educativos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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O preenchimento de 798 fichas catalográficas mostrou-se uma importante iniciativa na
gestão da documentação da coleção de Zoologia do Museu de História Natural Louis Jacques
Brunet. As fichas fornecem uma base estruturada que facilita as consultas por parte de
investigadores, estudantes e do público em geral. Por outro lado, as fragilidades operacionais
identificadas durante a execução do projeto, derivadas da escassez de recursos, da falta de
manutenção do edifício, da insuficiência de equipamentos modernos e da ausência de equipe
técnica especializada, sinalizam a necessidade de ações integradas de curto, médio e longo
prazo.
A preservação do museu não depende apenas de sua documentação ou de iniciativas
individuais, exige investimentos estruturais e de serviços técnicos especializados. Garantir
condições físicas adequadas (controle ambiental, conservação de suportes, infraestrutura do
edifício) e ampliar a capacidade técnica (equipes treinadas, parcerias com universidades e redes
de museus, aquisição de equipamentos de digitalização e preservação) são questões
fundamentais para a sustentabilidade do acervo.
Em termos de políticas públicas, os resultados do projeto reforçam a relevância de ações
governamentais voltadas à conservação do patrimônio cultural educativo em Pernambuco.
Indicadores de gestão apresentados pelo projeto podem subsidiar propostas de financiamento,
programas de preservação, capacitação de servidores e criação de incentivos à pesquisa e ao
intercâmbio institucional.
O Museu de História Natural Louis Jacques Brunet constitui um importante patrimônio
cultural educativo tanto para a memória regional como para a geração de conhecimento, além
de representar um polo de atratividade de turismo local, nacional e internacional. O
fortalecimento da gestão do acervo, aliado à preservação física e digital, não ampliará o
impacto educativo e científico, mas aumentará a visibilidade do acervo, tornando-o acessível a
todos os tipos de público.
REFERÊNCIAS
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Gabinete de História Natural do Brasil (“Casa dos Pássaros”) e a contribuição de Francisco
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