ISSN 2447-746X
DOI: ..........
1
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: GESTÃO DO MEMORIAL DA ESCOLA ESPECIAL
CONCÓRDIA E OS DESAFIOS PARA A HISTORICIDADE DA EDUCAÇÃO DE
SURDOS (1966-2020)
Luciane Bresciani Lopes
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
lbresciani@gmail.com
Weliton Barbosa Kuster
Universidade Federal de Pelotas
welitonkuster@hotmail.com
RESUMO
O presente artigo apresenta como objetivo geral a análise dos desafios para a produção da
historicidade da Escola Especial Concórdia e da educação de surdos, a partir da articulação
entre memória, patrimônio e invisibilidade. Para tanto, optou-se, metodologicamente, pelo
desenvolvimento de um estudo de caso para o debate sobre o estado de conservação,
organização e acesso aos documentos históricos disponíveis no Memorial da Escola Especial
Concórdia na Universidade Luterana do Brasil. No que tange aos aspectos teóricos, a presente
pesquisa inscreve-se na articulação entre História da Educação e Museologia. A partir da
análise, conclui-se que as constantes trocas de gestão e a ausência de políticas de preservação
documental não apenas comprometem o acesso às fontes, mas também promovem a
invisibilização de experiências educativas. Evidencia-se, ainda, como a negligência documental
e a musealização improvisada fragilizam a salvaguarda da memória, convertendo-a em símbolo
estático e desarticulado dos sujeitos que a produziram. A falta de cuidado com os objetos que
fazem parte do acervo, assim como o não diálogo com a comunidade, ao qual eles se referem,
apresenta-se como um entrave à construção de uma historiografia alargada sobre essa
instituição específica, assim como se impõe como um desafio para a historicidade da educação
de surdos no Brasil.
Palavras-chave: Escola Especial Concórdia; História da Educação Especial; Educação de
Surdos.
MEMORIA Y PATRIMONIO: GESTIÓN DEL MEMORIAL DE LA ESCUELA
ESPECIAL CONCÓRDIA Y LOS DESAFÍOS PARA LA HISTORICIDAD DE LA
EDUCACIÓN DE SORDOS (1966-2020)
RESUMEN
El presente artículo tiene como objetivo general analizar los desafíos para la producción de la
historicidad de la Escuela Especial Concórdia y la educación de sordos, a partir de la
articulación entre memoria, patrimonio e invisibilidad. Metodológicamente, se optó por el
desarrollo de un estudio de caso para el debate sobre el estado de conservación, organización y
acceso a los documentos históricos disponibles en el Memorial de la Escuela Especial
Concórdia en la Universidad Luterana de Brasil. En cuanto a los aspectos teóricos, la presente
investigación se inscribe en la articulación entre Historia de la Educación y Museología. A
partir del análisis, se concluye que los constantes cambios en la gestión y la ausencia de políticas
de preservación documental no solo comprometen el acceso a las fuentes, sino que también
promueven la invisibilización de experiencias educativas. Además, se evidencia cómo la
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
2
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
negligencia documental y la musealización improvisada debilitan la salvaguardia de la
memoria, convirtiéndola en un símbolo estático y desarticulado de los sujetos que la produjeron.
La falta de cuidado con los objetos que forman parte del acervo, así como el no diálogo con la
comunidad a la que se refieren, se presenta como un obstáculo para la construcción de una
historiografía ampliada sobre esta institución específica, así como se impone como un desafío
para la historicidad de la educación de sordos en Brasil.
Palabras clave: Escuela Especial Concórdia; Historia de la Educación Especial; Educación de
Sordos
MEMORY AND HERITAGE: MANAGEMENT OF THE MEMORIAL OF THE
ESCOLA ESPECIAL CONCÓRDIA AND THE CHALLENGES FOR THE
HISTORICITY OF DEAF EDUCATION (1966-2020)
ABSTRACT
The present article aims to analyze the challenges in producing the historicity of the Escola
Especial Concórdia and the education of the deaf, based on the articulation between memory,
heritage, and invisibility. Methodologically, a case study was developed to discuss the state of
conservation, organization, and access to historical documents available at the Memorial da
Escola Especial Concórdia at the Universidade Luterana do Brasil. Theoretically, this research
is situated at the intersection of History of Education and Museology. The analysis concludes
that constant changes in management and the lack of documentary preservation policies not
only compromise access to sources but also promote the invisibilization of educational
experiences. It is also evident that documentary negligence and improvised musealization
weaken the safeguarding of memory, turning it into a static and disarticulated symbol of the
subjects who produced it. The lack of care for the objects that are part of the collection, as well
as the lack of dialogue with the community to which they refer, presents an obstacle to the
construction of an expanded historiography about this specific institution, as well as a challenge
for the historicity of deaf education in Brazil.
Keywords: Special School Concórdia; History of Special Education; Deaf Education.
MÉMOIRE ET PATRIMOINE : GESTION DU MÉMORIAL DE L'ÉCOLE
SPÉCIALE CONCÓRDIA ET LES DÉFIS POUR L'HISTORICITÉ DE
L'ÉDUCATION DES SOURDS (1966-2020)
RÉSUMÉ
Le présent article vise à analyser les défis de la production de l'historicité de l'École Spéciale
Concórdia et de l'éducation des sourds, à partir de l'articulation entre mémoire, patrimoine et
invisibilité. Méthodologiquement, une étude de cas a été développée pour débattre de l'état de
conservation, d'organisation et d'accès aux documents historiques disponibles au Mémorial de
l'École Spéciale Concórdia à l'Université Luthérienne du Brésil. Sur le plan théorique, cette
recherche s'inscrit à l'intersection de l'Histoire de l'Éducation et de la Muséologie. L'analyse
conclut que les changements constants de gestion et l'absence de politiques de préservation
documentaire ne compromettent pas seulement l'accès aux sources, mais promeuvent également
l'invisibilisation des expériences éducatives. Il est également évident que la négligence
documentaire et la muséalisation improvisée affaiblissent la sauvegarde de la mémoire, la
transformant en un symbole statique et désarticulé des sujets qui l'ont produite. Le manque de
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
3
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
soin pour les objets faisant partie du patrimoine, ainsi que le manque de dialogue avec la
communauté à laquelle ils se réfèrent, constitue un obstacle à la construction d'une
historiographie élargie sur cette institution spécifique, ainsi qu'un défi pour l'historicité de
l'éducation des sourds au Brésil.
Mots-clés: École Spéciale Concórdia ; Histoire de l'Éducation Spéciale ; Éducation des Sourds.
INTRODUÇÃO
Caixas, troféus, placas, uniformes, fotografias e um pequeno caderno com o texto de
Elizete Linden, do ano de 1962, no qual ela narra o desejo de que as irmãs surdas possam
aprender a falar que, segundo relatos, marca o início das atividades da Escola Especial
Concórdia, na cidade de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil , encontram-
se armazenados em uma sala de aula de uma universidade. Tais materialidades históricas não
passaram por nenhum processo de curadoria, ordenamento e identificação, foram espalhadas
em algumas mesas e outras permanecem em pastas e caixas sem identificação. Esse foi o
contexto de encontro e espanto vivenciado pelos autores deste texto. Tal reação se justifica pela
fundamentação teórica que orienta a prática assumida nesta produção, na qual salvaguardar se
constitui como verbo e, portanto, exige ação.
O cenário encontrado em 2021, que, segundo a Associação Educacional Luterana do
Brasil (Aelbra), abriga o Memorial da Escola Especial Concórdia na Universidade Luterana do
Brasil, tem possibilitado discussões e produções sobre o Memorial e a Escola. Tais produções
respeitam os princípios éticos para o desenvolvimento de estudos no país a partir do
compromisso assumido pelos pesquisadores e a submissão da pesquisa Cultura Escolar e
Educação de Surdos: a atuação docente na Escola Especial Concórdia para a produção dos
dados. Destacamos que nossa análise tem como centralidade a reflexão sobre a preservação de
arquivos de memória e o somente a crítica à gestão do Memorial da Escola Especial
Concórdia. A experiência produzida, por intermédio do acesso ao Memorial e o encontro dos
pesquisadores, mobilizou, para este texto, o seguinte objetivo geral: analisar os desafios para a
produção da historicidade da Escola Especial Concórdia e da educação de surdos, por meio da
articulação entre memória, patrimônio e invisibilidade.
Para o desenvolvimento do objetivo do texto, utiliza-se da metodologia de estudo de
caso, considerando que essa escolha possibilita a análise de um contexto específico sobre uma
determinada situação ou problema. Segundo Yin (2001), essa metodologia pode auxiliar na
produção de respostas de questões de investigação do tipo “como” e “por que”. Ainda, na
construção de respostas a questionamentos desse tipo, o estudo de caso “facilita a compreensão
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
4
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
dos fenómenos sociais, pela análise particularizada do contexto situacional” (Coimbra; Martins,
2013, p. 33). Nesse sentido, o estudo de caso não apenas descreve a materialidade do acervo,
colabora na análise das práticas e significados, mas, neste estudo especificamente, tensiona as
questões relacionadas à memória, patrimônio e invisibilidade e as dificuldades impostas por
essas questões na escrita da história da Escola Especial Concórdia.
Souza (2013, p. 205) afirma que o estado de conservação (ou não) experienciado, no
Memorial da Escola Especial Concórdia, é comum a vários arquivos que estão “distribuídos ao
acaso em armários e caixas, descuidados e sem interesse”. Sobre a inexistência de um arquivo
organizado e a precariedade das condições de conservação, Magalhães (2004) argumenta que
essas são questões que desafiam o trabalho do historiador, pois limitam o acesso às fontes, em
especial às escritas e iconográficas. Além disso, esse descaso evidencia a urgência de políticas
públicas voltadas à preservação documental, que não apenas garantam a integridade dos
acervos, mas também promovam sua acessibilidade, essencial para o avanço da historiografia
e a salvaguarda da memória histórica.
Apresentadas as questões iniciais de contextualização do artigo, na continuidade da
escrita, este texto será organizado em duas partes. Na primeira parte, adensamos as discussões
teóricas acerca do conceito de memória e patrimônio e os impactos da invisibilização no caso
da Escola Especial Concórdia. Na segunda parte, abordaremos a história da Escola Especial
Concórdia, com ênfase nas mudanças de território e gestão escolar e, por consequência, os
desafios no processo de escrita da história da instituição.
MEMÓRIA, PATRIMÔNIO E INVISIBILIDADE
Reconhecer um espaço como um legítimo lugar de memória revela uma relação
profunda dentro da dinâmica entre memória, patrimônio e esquecimento. Historicamente,
reconhecer o protagonismo surdo em diferentes esferas tem revelado processos ativos e inativos
de exclusão, negligência e invisibilidade. Memória e esquecimento não o apenas opostos, o
esquecimento é uma condição do próprio processo de lembrar. Segundo Ricoeur (2007, p. 48),
a “[...] busca da lembrança comprova uma das finalidades principais do ato de memória, a saber,
lutar contra o esquecimento, arrancar alguns fragmentos de lembrança”. A relação entre a
memória e o esquecimento é um paradoxo que pode ser compreendido como um enigma, pois
a memória é constituída na relação entre lembrança-esquecimento, não lembrar-querer
esquecer.
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
5
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
O conceito de Lieux de Mémoire (no português, ‘lugares de memória’) tem sua
formulação vinculada aos estudos do historiador francês Pierre Nora e surge de um movimento
que buscava refletir sobre a crise de memória em contextos de modernidade acelerados. Por
definição, o “lugar de memória” é o ponto onde a memória, ameaçada pelo desaparecimento da
sua forma, cristaliza-se e se materializa. Esses locais, em teoria, não representam manifestações
espontâneas do passado, mas sim mediações que são intencionalmente criadas para preservar
aquilo que já não se pode mais recordar de maneira orgânica (Nora, 1984).
A gênese desse conceito se liga de maneira intrínseca à crise da temporalidade que o
final do século XX apresenta. O tempo contemporâneo, em que a mundialização, a
democratização, a massificação e a mediatização acabam por impor uma espécie de aceleração
da própria história (Hoffman, 2020), levam o tempo vivido a tornar-se efêmero. Essa complexa
rede pressiona para o esquecimento, o que desloca as sociedades a externalizarem suas
lembranças em suportes físicos e simbólicos, representados por monumentos, bibliotecas,
arquivos, museus e outros. Assim surgem os lugares de memória.
Faz-se importante perceber que o desenvolvimento do conceito de lugar de memória foi
pensado por Pierre Nora em meio a uma significativa crise identitária na França, onde o
patriotismo tradicional, que teve forte influência na vitória na Primeira Guerra Mundial,
encontrava-se ferido. Ao contemplar uma noção de que a história da França teria parado, Nora
analisa a cristalização da memória de uma nação que estava constituída em sua quase que
majoritária hegemonia (Enders, 1993).
No Brasil, o conceito ganha novos contornos, invertendo a premissa dessa primeira
função, carregada de ideologia. Na contrapartida de afirmar uma memória hegemônica alinhada
ao Estado, os lugares de memória no Brasil são corriqueiramente utilizados como formas de
dar protagonismo a identidades silenciadas e por uma tentativa de promover a reparação. Nesses
cenários específicos, os lugares de memória frequentemente se concentram nas memórias dos
grupos minoritários e oprimidos, transformando esses lugares em espaços de luta contra o
esquecimento e, inclusive, como enfrentamento às narrativas oficiais. Para grupos que o
possuem uma memória institucionalizada, a emergência dos lugares de memória projeta um
processo de fazer da memória um domínio que também seja cultural. Nesse sentido, a memória
se constrói simbolicamente por meio de suportes externos que afirmam a identidade e a
reparação histórica e social.
No que se refere ao conceito de patrimônio, torna-se importante demarcar que sua
categoria não é neutra, mas sim reflete critérios que estão situados historicamente. No Brasil,
os parâmetros adotados nos processos de patrimonialização trouxeram consigo um
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
6
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
favorecimento às narrativas que descreviam esse país como herdeiro de uma cultura com fortes
inspirações na Europa, influenciado pelos regimes de verdade do catolicismo e ainda branco
(Souza; Crippa, 2011). Diante disso, outros patrimônios acabaram sendo negligenciados. A não
implementação de projetos de memória, como é o caso do acervo da Escola Especial Concórdia,
é uma das manifestações desse processo de negligência e, por consequência, invisibilização da
história da instituição, que pode ser considerado, a partir de um olhar mais amplo, como
programado.
Projetos de memória que não foram implementados de maneira assertiva ou, em
cenários mais delicados, que sequer foram implementados, como é o caso da instituição trazida
neste artigo, revelam que, na contramão de construir uma memória histórica, apenas promovem
a ideia de uma celebração nostálgica do passado. Ao focar apenas em uma idealização do
passado, não conseguem movimentar o presente e, consequentemente, mobilizar o próprio
futuro (Ferreira; Godinho, 2022).
Não envolver os sujeitos que pertenciam ao espaço, que origem ao dito lugar de
memória, tensiona a consolidação do espaço como tal. O olhar unicamente técnico torna-se
também superficial, o que bloqueia a criação de um sentimento de pertença. O projeto de um
memorial da Escola Especial Concórdia, que não se preocupou com a catalogação e a
organização do material oriundo da instituição, destaca esse olhar superficial que não alcança a
dimensão do que a escola pode ter significado para os sujeitos que com ela se envolveram,
levando essa memória preservada ao caráter de somente ser um emblema.
Esse dito lugar de memória, montado sem apresentar qualquer cuidado, pode ser
associado à chamada musealização improvisada, que subordina o conhecimento especializado
(Michel, 2010). Ao não se configurar em um espaço de negociação e partilha com aqueles que
busca representar, fecha-se na ideia de um monumento estático que oculta aquilo que a
instituição e seus sujeitos verdadeiramente vivenciaram e o que essas vivências de fato
representam. Além disso, outro efeito do processo de negligência na organização da
documentação da instituição, impõe ao pesquisador a produção de movimentos, conhecidos no
fazer historiográfico, que alertam sobre os desafios de produção de pesquisa, sem o que
denominamos redes de contato, para acessar determinadas fontes que poderiam, de alguma
forma, serem de responsabilidade da mantenedora educacional. Essa dependência das
articulações pessoais para o acesso a determinadas fontes promove um processo, mesmo que
indireto, de privatização do patrimônio documental. As histórias das instituições acabam
perdendo seu caráter público e passam a ser tuteladas pelas relações de favor e de proximidade
com aqueles que informalmente “guardam a memória”. Essa é uma dinâmica que, além de
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
7
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
fragilizar a produção científica, também estabelece uma estrutura hierárquica que define quem
possui autoridade para acessar e, consequentemente, narrar o passado.
Diante disso, a articulação entre memória, patrimônio e invisibilidade permite
compreender que a ausência de políticas consistentes de preservação e de participação dos
sujeitos constitui-se como um conjunto de escolhas que produzem silenciamentos e
apagamentos. No caso da Escola Especial Concórdia, os limites observados na construção de
um lugar de memória revelam como a patrimonialização, quando desvinculada dos sujeitos e
de suas experiências, conforme abordamos ao longo deste texto, tende a esvaziar o sentido
histórico e simbólico do acervo, convertendo-o em um emblema estático. Assim, compreende-
se que a invisibilidade se produz e se perpetua nos processos de construção da memória,
reafirmando a necessidade de entender o patrimônio como campo de disputas, negociações e
reconhecimento histórico.
Considerando as disputas que atravessam a escrita da história das instituições escolares,
também imbricadas nos processos de produção da memória e do esquecimento, a próxima seção
dedica-se à apresentação da Escola Especial Concórdia, desde seu processo de fundação até a
descontinuidade de suas atividades. Optamos por uma narrativa histórica que articula a História
da Educação Especial e a História da Educação de Surdos no Brasil, compreendendo a
instituição como parte de um campo marcado por tensões, silenciamentos e disputas de
reconhecimento. Assim como observado nas dificuldades de acesso ao Memorial da escola, a
própria trajetória institucional encontra-se atravessada por processos de invisibilização,
exigindo o acionamento de redes de relações para a localização e o acesso à documentação, o
que evidencia, novamente, os limites e as condições de produção da memória institucional.
ESCOLA ESPECIAL CONCÓRDIA (PORTO ALEGRE, 1966-2020)
No processo de escrita da história das instituições escolares, deve-se tecer conexões
como uma teia entre significados e significações. No caso da escrita deste trabalho e
desenvolvimento da pesquisa anteriormente citada, a rede de relações de outros pesquisadores
com a Igreja Luterana também foi crucial no processo. Partindo da ideia de que é necessário
tecer nexos, como afirma Justino Magalhães (2004), a escola é entendida como um espaço de
produção e circulação de saberes, inscrito em determinadas espacialidades e temporalidades.
Circunscrever as dimensões espacial e temporal é, portanto, central para o exercício
historiográfico. Nesse sentido, como mencionado, nossa escrita trata da Escola Especial
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
8
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
Concórdia, uma instituição escolar que desempenhou as atividades educativas entre os anos de
1966 a 2020 na cidade de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul Brasil.
Considerando as informações, ainda apresentadas na introdução do artigo, afirmamos
que a falta de conservação das fontes históricas da instituição escolar, bem como as trocas de
gestão, que abordaremos ao longo do texto, constituem-se como um desafio para essa
empreitada. Contudo, mobilizamos as seguintes fontes para a produção do trabalho: 1) Revista
Mensageiro Luterano e Crônicas da Igreja, disponíveis no acervo do Instituto Histórico da
Igreja Luterana do Brasil; 2) referências à instituição em teses e dissertações; e 3) documentos
legais da/sobre a Escola disponibilizados pelo Arquivo Histórico da Secretaria de Educação do
Estado do Rio Grande do Sul (Seduc).
De acordo com Raymann (2001), o texto de Elizete Linden, citado no início deste artigo,
comoveu Naomi Warth, que decidiu, junto à Igreja Luterana, organizar um grupo de instrução
religiosa para surdos. Na redação, destacamos o trecho: “Eu tenho duas irmãs mudas. Mas eu
mostro-lhes a imagem de Jesus e mostro-lhes que Jesus gosta delas e que elas amam Jesus. Um
dia elas vão falar [...]”. Essa motivação, bem como a associação inicial da escola a uma cultura
assistencialista, remete a um contexto histórico específico, que precisa ser considerado. Nesse
contexto, o uso do termo “surdo-mudo”, que não se utiliza mais por uma série de questões, aqui
é evocado segundo a posição política das comunidades surdas e a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, que garantia que “[...] Art. 89. Tôda iniciativa privada considerada eficiente
pelos conselhos estaduais de educação, e relativa à educação de excepcionais, receberá dos
poderes públicos tratamento especial mediante lsas de estudo, empréstimos e subvenções”
(Brasil, 1961).
Os primeiros registros das ações da Escola Especial Concórdia datam da década de
1960, vinculados à Comunidade Evangélica Luterana Concórdia, filiada à Igreja Evangélica
Luterana do Brasil (IELB), na Av. Cel. Lucas de Oliveira, 894, bairro Mont’Serrat, Porto
Alegre/RS. A Comunidade Concórdia permanece em atividade no mesmo local; a escola,
porém, em seus últimos anos, não se situava ali. Próximo à Comunidade, o Centro
Administrativo da IELB mantém o Instituto Histórico (IH/IELB), cujo acervo reúne “atas,
manuscritos, biografias, livros, periódicos, mídias em geral, objetos, máquinas, equipamentos
e muito mais” (IELB, 2022, online).
O interesse em educar surdos aparece documentado em Crônicas da Igreja fatos
históricos da Igreja Luterana do Brasil: 19001974, organizado pelo Rev. Martim Carlos
Warth (1979), esposo de Naomi Warth, no item “3.5 ‘Escola Especial Concórdia’ para surdos”.
Segundo Warth, quando a Convenção da Igreja, em 1962,
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
9
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
[…] resolveu fazer a Campanha ‘Apascenta os meus Cordeiros’, a IELB
contribuiu indiretamente para a criação de uma escola para deficientes
auditivos. A menina Elizete Linden, na época no 3º ano primário do Colégio
Concórdia de Porto Alegre, escreveu uma redação para sua professora de
religião, Da. Naomi Hoerlle Warth, sobre o tema Sou Cordeiro de Jesus’.
(Warth, 1979, p. 233).
No mesmo documento, Warth narra a bolsa recebida no ano de 1964 para os Estados
Unidos, com atividades no edifício-sede da Igreja Luterana em St. Louis. Ali tomou
conhecimento de um serviço especializado de missão entre surdos e do ensino de língua de
sinais no Seminário. Em pouco tempo, Naomi, o esposo e a filha Beatriz passaram a frequentar
aulas semanais de língua de sinais. Na sequência, o Departamento de Missão liberou mãe e filha
para estudarem no Central Institute for the Deaf, onde aprenderam metodologias de ensino da
fala para surdos (Warth, 1979).
Segundo Kuster (2022, p. 64), após visitas a instituições norte-americanas, Naomi e
Beatriz visualizaram o porão da capela do Seminário Concórdia usualmente destinado a
atividades culturais da comunidade luterana como espaço inicial para a escola. Na revista
Mensageiro Luterano, no ano de 1982, em uma reportagem especial sobre a Escola, menciona-
se o dia 5 de setembro de 1966 como data da criação da escola. Segundo Kuster (2022, p. 64),
a data mencionada refere-se à realização da aula inaugural, início das atividades. Ainda, tal data
de início das atividades da escola, no ano de 1966, está registrada na ata de fundação do Centro
de Atendimento ao Deficiente Auditivo (CEDA).
O CEDA passou a ser a entidade mantenedora da Escola Especial Concórdia no ano de
1970. No documento Crônicas da Igreja fatos históricos da Igreja Luterana do Brasil: 1900
1974, do ano de 1979, o Reverendo Warth conta sobre o apoio do Prof. Melvin Luebke,
administrador de uma escola de surdos em Nova York, a Mill Neck Manor, para que fosse
criada uma nova organização jurídica e administrativa, na figura do CEDA. No sistema de
ensino estadual do Rio Grande do Sul, a escola recebeu o reconhecimento, naquele momento
constituído dos cursos pré-primário e primário, a partir da Portaria SEC 22.810 de 24 de
agosto de 1972. Contudo, somente no ano de 1974 foi emitido o Parecer CEEd nº 432 de 30 de
maio de 1974, que considerava a Escola Especial Concórdia eficiente para ministrar o que
denominavam ensino especializado.
A expansão do alunado, nos anos que seguiram, resultado tanto da procura em Porto
Alegre quanto de outras regiões do estado e do país, impulsionaram as ampliações estruturais,
incluindo a mudança de espaço físico. Quanto à ampliação das etapas de ensino da criação
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
10
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
à consolidação do Grau em 1985 , retomamos à documentação legal junto ao sistema
estadual para enquadrar sua cronologia:
QUADRO 1 Documentos legais da Escola Especial Concórdia (1972-1985)
Documento/Órgão emissor/Ano
Natureza do ato legal
Portaria SEC nº 22.810 de 24 de agosto
de 1972
Reconhecimento da Escola Evangélica Luterana Concórdia,
constituída pelos cursos Primário e Pré-Primário.
Parecer CEEd 432 de 30 de maio de
1974
Considera eficiente para ministrar ensino especializado.
Parecer CEEd 422 de 11 de julho de
1972
Indica a regularização da escola.
Portaria SE 20.662 de 13 de
novembro de 1978
Regularização da situação da Escola, bem como de
autorização para funcionamento e designação.
Parecer CEEd 863 de 28 de dezembro
de 1979
Análise de funcionamento, em 1980, da 5ª série.
Portaria SE 9.824 de 11 de fevereiro
de 1980
Autorização de funcionamento da 5ª série.
Parecer CEEd 12 de 8 de janeiro de
1982
Apresenta a viabilidade de ampliação de 6ª, 7ª e séries a
partir dos anos de 1982, 1984 e 1986.
Portaria SE 7.252 de 02 de abril de
1982
Autorização de funcionamento da 6ª série.
Portaria SEC nº 22.916 de 15 de maio
de 1984
Autorização de funcionamento da e séries, mantendo
também Maternal e Classes de Jardim de Infância níveis A e
B.
Parecer CEEd 275 de 3 de maio de
1985
Apresenta a viabilidade de implementação do 2º Grau.
Portaria SEC nº 8.663 de 11 de julho de
1985
Autorização de funcionamento do 2º Grau.
Fonte: Organizado a partir de Lopes (2025).
No documento Crônicas da Igreja fatos históricos da Igreja Luterana do Brasil:
19001974 (Warth, 1979), o Rev. Martim Carlos Warth registra a aquisição, pelo Centro
Educacional para Deficientes Auditivos, de um terreno no bairro Cristo Redentor (Porto
Alegre), onde se edificaria a nova sede, inaugurada em 1984, após intensas campanhas de
arrecadação de recursos entre elas, materiais de divulgação produzidos pelo CEDA. Da data
de inauguração das novas instalações até o fim das suas atividades, no ano de 2020, a Escola
Especial Concórdia ficou localizada na Avenida Dr. João Simplício Alves de Carvalho, 600 -
Jardim Ipiranga Porto Alegre/RS.
Antes do encerramento das atividades, por razões financeiras, em reunião realizada em
25 de janeiro de 1996, nas dependências da Escola Especial Concórdia, foi lavrada a ata de
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
11
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
transferência do patrimônio da Escola para a Comunidade Evangélica Luterana São Paulo
(CELSP). A transferência foi efetivada pelo Parecer CEEd nº 1.070, de 3 de dezembro de 1997,
e, no ano de 2016, pela Designação CEEd 421, de 17 de agosto, alterou-se a designação da
Unidade de Ensino Especial Concórdia para Escola Especial ULBRA Concórdia. Contudo, no
ano de 2020, também por questões financeiras, a escola teve suas atividades descontinuadas.
Por deliberação do Conselho Estadual de Educação 138/2021, de 17 de junho de 2021, a
Escola Especial ULBRA Concórdia, em Porto Alegre, que oferecia Educação Infantil, Ensino
Fundamental e Ensino Médio, deixou de integrar o Sistema Estadual de Ensino.
As trocas de gestão escolar, ao longo da história da instituição, do espaço físico no ano
de 1985, de troca de direção e mantenedora em 1996, as trocas de direção até o fechamento e o
estado de conservação dos documentos e objetos históricos da escola provocam a reflexão sobre
como as mudanças de gestão podem se constituir em momentos críticos do registro. Nesses
momentos, redefinem-se o que se registra, o que se celebra e o que se silencia, ordenando
arquivos, práticas e símbolos. Assim, o encerramento das atividades da escola pode ser um
ponto de reflexão sobre as políticas de salvaguarda, memória da instituição, patrimônio
educativo e descontinuidades.
Nesse sentido, é pertinente refletir sobre como cada nova administração possui a
autoridade de redefinir o passado a partir das suas imposições e negligências e como isso
também demonstra, como consequência, a fragilidade do próprio patrimônio educativo.
Diferentes gestões, ao assumirem suas próprias prioridades, promovem o descarte e a
marginalização daquilo que não se considera relevante de acordo com determinada visão. Esse
imperativo, infelizmente bastante comum, demonstra a falta das políticas de salvaguarda que
torna a memória institucional cativa das continuidades administrativas e daquilo que cada uma
delas entende por legado.
A decisão tomada em descontinuar definitivamente as atividades da Escola Especial
Concórdia centraliza a discussão sobre a responsabilidade histórica e social a respeito das
memórias produzidas pela educação. Momentos como esses são oportunidades para o
fortalecimento do debate sobre políticas de arquivamento, transferência de material a ser
preservado como patrimônio educativo e as potencialidades que o legado da instituição, a
comunidade que com ela se envolveu e a escrita da história podem alcançar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
12
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
Do ponto de vista da museologia social, a prática museológica deve assumir que o
espaço do museu é um espaço de negociação e de partilha. Em oposição ao enquadramento do
passado dentro de caixas fechadas, a museologia social aponta para esses espaços como espaços
de inclusão e de respeito. No que tange à memória surda, a gestão dos acervos e as narrativas
devem estar postas em um processo dialógico que acolha a complexidade dessas relações e as
formas pelas quais elas se estabeleceram, além dos sujeitos sociais que diretamente com elas se
envolveram de maneira específica e também ampla, inserindo essas construções na própria
história da educação dos surdos.
A memória histórica da surdez no Brasil ainda se encontra marcada por significativas
lacunas. Se, por um lado, as pesquisas a respeito da história da educação desses sujeitos têm
crescido no interior do campo da História da Educação, por outro, permanecem ainda os
enfrentamentos entre a história dita oficial, inscrita, em grande maioria, na noção de
normalidade posta por uma maioria ouvinte e, nesse sentido, ainda clínico-centradas. É
importante rememorar que o modelo educativo que se direcionou aos sujeitos surdos esteve,
desde seus primórdios e durante longos anos de seu desenvolvimento, ligado ao sentido clínico
e aquilo que a medicina definia como padrão de normalidade e anormalidade. Da mesma forma,
a Igreja operou a partir desses mesmos preceitos, reservando aos surdos um espaço marginal
dentro do corpo social.
Ao deslocar o olhar para uma ideia macro e de um cenário melhor destacado, percebe-
se a impossibilidade de desassociar a educação de surdos do Brasil do Instituto Nacional de
Educação de Surdos (INES). A posição central que essa instituição ocupou e ainda ocupa em
território nacional possibilitou-lhe a estruturação de um campo pedagógico, mas ainda não
garantiu a permanência da memória sobre o que está construído. A existência do acervo parte
do trabalho individual desenvolvido a partir do desejo de um único sujeito, mas ainda enfrenta
questões de gestão e falta de pessoal especificamente qualificados, como historiadores e
arquivistas.
Na esteira da ideia micro, tratando-se do acervo da Escola Especial Concórdia, o que
emerge como ponto de destaque, dentro da dinâmica entre memória e esquecimento, é a
memória institucional, representada pelos objetos que o compõem, e a falta de uma memória
comunitária, representada pela não presença dos sujeitos que se envolveram com a operação
educativa que a Escola Especial Concórdia conduziu. Se a instituição possui os documentos
oficiais que projetam uma narrativa mais linear, a memória comunitária percebe a experiência
vivida como uma forma de afirmação da identidade surda a partir da valorização da sua cultura
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
13
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
e da sua língua. Construir um lugar de memória, onde essas memórias encontrem espaço de
diálogo, é um dos desafios do fazer museológico.
Ao finalizarmos este artigo, retomamos o objetivo geral: analisar os desafios para a
produção da historicidade da Escola Especial Concórdia e da educação de surdos, a partir da
articulação entre memória, patrimônio e invisibilidade. Para tanto, defendemos que a
constituição de lugares de memória dentro do cenário brasileiro é um processo que deve levar
em consideração a disputa entre memória e esquecimento que marca esse país. Quem deseja
lembrar e o que se deseja ser lembrado? Na mesma esteira: o que se busca esquecer? Produzir
uma memória que permaneça não significa somente guardar o passado, mas sobretudo
oportunizar que a comunidade que dele fez parte possa também reescrevê-lo. Nesse sentido, a
manutenção de um arquivo, acervo ou museu, que intente se constituir como um lugar de
memória, um espaço acessível e, no caso do acervo da Escola Especial Concórdia, também
como um espaço legitimado pela comunidade e, a partir disso, permanentemente reconhecido
como parte da história da educação dos surdos do Brasil, deve ser reconhecida como uma ação
direta e necessária.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. LDB 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional. Fixa as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial
da União, Brasília, 1961.
COIMBRA, Maria de Nazaré Castro Trigo; MARTINS, Alcina Manuela de Oliveira. O estudo
de caso como abordagem metodológica no ensino superior. Nuances: Estudos sobre
Educação, Presidente Prudente, v. 24, n. 3, p. 31-46, 2013.
ENDERS, Armelle. Les lieux de mémoire: dez anos depois. Estudos Históricos, Rio de
Janeiro, v. 6, n. 11, 1993.
FERREIRA, Maria Leticia Mazzucchi; GODINHO, Paula. Patrimônios difíceis e políticas
públicas de memória: descolonialidades, redemocratização e democracias em risco. Revista
Lusotopie, Aix-en-Provence, v. 21, n. 1, 2022.
HOFFMAN, Felipe Eleutério. Museus e memórias da repressão e da resistência no Brasil
[recurso eletrônico]: um estudo sobre documentos, justiça e transição e os espaços de
rememoração. 2020. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) Universidade Federal de
Minas Gerais, Escola de Ciência da Informação, Belo Horizonte, 2020.
IELB. Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Instituto Histórico. On-line, 2022. Disponível
em: https://www.ielb.org.br/institucional/instituto-historico. Acesso em: 11 jun. 2022.
ISSN 2447-746X
DOI: ..........
14
Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. , p. ....., e..........., 20.....
Ridphe_R
KUSTER, Weliton Barbosa. “Dia por dia, milagre por milagre” Luteranismo e Educação
de Surdos na Escola Especial Concórdia (1966-1996). 2022. 142 f. Dissertação (Mestrado
em Educação) Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2022.
LOPES, Luciane Bresciani. Escola Especial Concórdia: cultura escolar e práticas
cotidianas na educação de surdos - Porto Alegre (1966-2020). 2025. 199f. Tese (Doutorado)
Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São
Leopoldo, 2025.
MAGALHÃES, Justino Pereira de. Tecendo Nexos: história das instituições educativas.
Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2004.
MICHEL, Johann. Podemos falar de uma política do esquecimento? Revista Memória em
Rede, Pelotas, v. 2, n. 3, p. 14-26, 2010.
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. In: NORA, Pierre. Les
liux de mémoire. I La République, Paris: Gallimard, 1984. Tradução autorizada pelo Editor.
RAYMANN, Beatriz Carmem Warth. History of Concordia School for the Deaf. Family
Factors As Predictors For Academic Development And Progress: A Self Report By Hearing
Parents of Deaf University Students And By Deaf University Students. 2001. Tese (Doutorado
em Educational Administration) Wauwatosa, Wisconsin, 2001.
RICOEUR, Paul. A memória, a história e o esquecimento. Campinas: Ed. UNICAMP, 2007.
SOUZA, Rosa Fátima de. Preservação do patrimônio escolar no Brasil: notas para um debate.
Revista Linhas, Florianópolis, v. 14, n. 26, p. 199-221, jan./jul. 2013.
SOUZA, Willian Eduardo Righini de; CRIPPA, Giulia. O patrimônio como processo: uma ideia
que supra a oposição material-imaterial. Em Questão, Porto Alegre, v. 17, n. 2, p. 237-251,
2011.
WARTH, Martin Carlos. Crônicas da Igreja fatos históricos da Igreja Luterana do Brasil:
1900 1974. Porto Alegre: Departamento de Comunicação da IELB, 1979.
YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
Recebido em: 10 de outubro de 2025.
Aceito em: