e artefatos no âmbito de uma empreitada colonizadora. Nessa perspectiva, os museus eram
lugares de guarda, preservação, pesquisa e difusão de determinados bens culturais, exprimindo
relações de poder e de representatividade social consubstanciadas em cada artefato exposto,
uma concepção museológica que persistiu, de algum modo, até algumas décadas (Chuva, 2020).
Entretanto, considerando o Estatuto dos Museus, alinhado com as concepções
museológicas em voga atualmente, o espaço museal é considerado em suas várias facetas, que
incluem desde a perspectiva do entretenimento e turismo, ao foco educativo, passando pela
preservação de identidades e o desenvolvimento social. Outra dimensão relevante do museu é
a investigativa, tendo em vista que ele se constitui como o resultado de uma construção narrativa
específica, fruto da gestão curatorial. Esse aspecto será abordado mais adiante neste trabalho.
Nessa perspectiva, o projeto museológico inclui os princípios subjacentes de seleção do
acervo, que se consubstancia em um sistema cognitivo de classificação dos objetos. Ou seja,
um museu seria sempre tributário de uma determinada concepção epistemológica, visão de
sociedade, do conhecimento e da linguagem. Assim, os gestores do museu estabelecem o que é
exposto e o que é guardado, o que faz parte da reserva técnica e o que é disponibilizado ao
público, em que momento e através de quais dispositivos e estratégias.
Essas são escolhas complexas que se desdobram também nas negociações que
transcorrem tanto no âmbito corporativo quanto no relacionamento dos museus com outras
instituições, inclusive as mídias e o poder público.
Para compreender o caso específico dos museus pedagógicos, é importante destacar a
dimensão educacional da experiência museológica, que pode vir a ensejar um processo de
aprendizagem, por parte de seus frequentadores, dependendo da forma como as coleções são
organizadas, se estabelecem uma mediação entre o visitante e a exposição (Meneses, 1994).
Esse papel educacional dos museus sempre existiu, mas só foi reconhecido no século
XX, em razão da emergência das teorias modernas do desenvolvimento humano e do avanço
das ciências sociais como disciplinas acadêmicas, que passaram a embasar o campo da
museologia numa perspectiva interdisciplinar (Matos, 2014).
Nessa perspectiva, insere-se a problemática dos museus pedagógicos, que são voltados
especificamente para a preparação de docentes, com o foco na apresentação de objetos da
cultura material da escola, próprios do seu cotidiano, tais como carteiras, material didático,
fardamento escolar e livros didáticos, com o objetivo de ensinar e desenvolver novos métodos
de ensino e avaliação (Silva, 2022; Petry; Silva, 2013).
Numa concepção museológica contemporânea, que norteou a criação do Espaço de
Memória Educacional do CEP/FDC, os museus pedagógicos podem levar gestores de ensino e