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ACERVO, PATRIMÔNIO ESCOLAR E MEMÓRIA: O CENTRO DE
DOCUMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO PAULISTANA - CDEP
Eduardo de Souza
Universidade Federal de São Paulo, Brasil
edu10puntos@gmail.com
RESUMO
O presente artigo aborda o papel do Centro de Documentação da Educação Paulistana - CDEP,
vinculado à Secretaria Municipal de Educação de São Paulo - SME, como espaço de
preservação, difusão e valorização da memória escolar paulistana. Criado em 2023, o CDEP
reúne e organiza acervos documentais, iconográficos e tridimensionais que registram a
trajetória da educação pública desde a década de 1930. Composto por três núcleos a Biblioteca
Pedagógica, a Memória Documental e Memorial da Educação Municipal, o centro constitui um
importante repositório da cultura material escolar, contribuindo para a produção de
conhecimento e para a consolidação do patrimônio educativo da cidade. O artigo analisa as
práticas de guarda, conservação e acesso aos acervos, bem como suas potencialidades como
fontes de pesquisa na História da educação de São Paulo. A investigação ancora-se nos
pressupostos da História Cultural e nos estudos sobre patrimônio e memória, reconhecendo o
CDEP como um espaço de enculturação e reflexão sobre a identidade coletiva das instituições
escolares. A partir da análise de documentos, objetos e imagens, evidencia-se que o acervo do
CDEP amplia a compreensão sobre a materialidade da escola e sobre as formas de produção e
circulação de saberes no contexto educacional paulistano, reafirmando sua relevância para a
preservação e valorização da memória histórica e cultural da educação pública municipal.
Palavras-chave: Centro de Documentação da Educação Paulistana; Patrimônio educativo;
Acervos escolares.
COLECCIÓN, PATRIMONIO ESCOLAR Y MEMORIA: EL CENTRO DE
DOCUMENTACIÓN EDUCATIVA PAULISTANA - CDEP
RESUMEN
Este artículo analiza el papel del Centro de Documentación Educativa Paulistana (CDEP),
adscrito a la Secretaría Municipal de Educación de São Paulo, como espacio para la
preservación, difusión y promoción de la historia educativa de São Paulo. Creado en 2023, el
CDEP reúne y organiza colecciones documentales, iconográficas y tridimensionales que
documentan la trayectoria de la educación pública desde la década de 1930. Compuesto por tres
centros la Biblioteca Pedagógica, la Memoria Documental y el Memorial Municipal de la
Educación, el centro constituye un importante repositorio de la cultura material escolar,
contribuyendo a la producción de conocimiento y a la consolidación del patrimonio educativo
de la ciudad. Este artículo analiza las prácticas de almacenamiento, conservación y acceso a las
colecciones, así como su potencial como fuentes de investigación sobre la historia de la
educación en São Paulo. La investigación se basa en los supuestos de la Historia Cultural y los
estudios sobre patrimonio y memoria, reconociendo al CDEP como un espacio de enculturación
y reflexión sobre la identidad colectiva de las instituciones educativas. A partir del análisis de
documentos, objetos e imágenes, se evidencia que la colección del CDEP amplía la
comprensión de la materialidad de las escuelas y las formas de producción y circulación del
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conocimiento en el contexto educativo paulista, reafirmando su relevancia para la preservación
y la valorización de la memoria histórica y cultural de la educación pública municipal.
Palabras clave: Centro de Documentación Educativa Paulistana; Patrimonio educativo;
Acervos escolares.
COLLECTION, SCHOOL HERITAGE AND MEMORY: THE PAULISTANA
EDUCATION DOCUMENTATION CENTER - CDEP
ABSTRACT
This article discusses the role of the Paulistana Education Documentation Center (CDEP),
affiliated with the São Paulo Municipal Department of Education, as a space for the
preservation, dissemination, and promotion of São Paulo's educational history. Created in 2023,
the CDEP gathers and organizes documentary, iconographic, and three-dimensional collections
that document the trajectory of public education since the 1930s. Composed of three centers
the Pedagogical Library, the Documentary Memory, and the Municipal Education Memorial
the center constitutes an important repository of school material culture, contributing to the
production of knowledge and the consolidation of the city's educational heritage. This article
analyzes the practices of storage, conservation, and access to the collections, as well as their
potential as research sources on the history of education in São Paulo. The investigation is
anchored in the assumptions of Cultural History and studies on heritage and memory,
recognizing the CDEP as a space for enculturation and reflection on the collective identity of
educational institutions. Based on the analysis of documents, objects, and images, it is evident
that the CDEP collection broadens the understanding of the materiality of schools and the forms
of production and circulation of knowledge in the São Paulo educational context, reaffirming
its relevance for the preservation and appreciation of the historical and cultural memory of
municipal public education.
Keywords: Paulistana Education Documentation Center; Educational heritage; School
collections
COLLECTION, PATRIMOINE SCOLAIRE ET MEMOIRE : LE CENTRE DE
DOCUMENTATION EDUCATIVE PAULISTANAIS CDEP
RÉSUMÉ
Cet article examine le rôle du Centre de documentation éducative de Paulistana (CDEP), affilié
au Département de l'Éducation de la municipalité de São Paulo, en tant qu'espace de
préservation, de diffusion et de promotion de l'histoire de l'éducation à São Paulo. Créé en 2023,
le CDEP rassemble et organise des collections documentaires, iconographiques et
tridimensionnelles qui documentent l'évolution de l'éducation publique depuis les années 1930.
Composé de trois centres la Bibliothèque dagogique, la Mémoire documentaire et le
Mémorial municipal de l'éducation , le centre constitue un important dépositaire de la culture
matérielle scolaire, contribuant à la production de connaissances et à la consolidation du
patrimoine éducatif de la ville. Cet article analyse les pratiques de stockage, de conservation et
d'accès aux collections, ainsi que leur potentiel comme sources de recherche sur l'histoire de
l'éducation à São Paulo. L'enquête s'appuie sur les postulats de l'histoire culturelle et des études
sur le patrimoine et la mémoire, reconnaissant le CDEP comme un espace d'enculturation et de
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réflexion sur l'identité collective des institutions éducatives. L'analyse de documents, d'objets
et d'images démontre que la collection du CDEP élargit la compréhension de la matérialité des
écoles et des formes de production et de circulation des connaissances dans le contexte éducatif
de São Paulo, réaffirmant ainsi son importance pour la préservation et la valorisation de la
mémoire historique et culturelle de l'éducation publique municipale.
Mots-clés: Centre de documentation éducative paulistanais; Patrimoine scolaire Collection.
INTRODUÇÃO
A preservação da memória escolar constitui um campo essencial para compreender a
história da educação e os processos formativos de uma cidade. Nesse contexto, o Centro de
Documentação da Educação Paulistana - CDEP vinculado à Secretaria Municipal de Educação
de São Paulo - SME-SP, destaca-se como espaço dedicado à salvaguarda, valorização e difusão
de acervos que testemunham a trajetória educacional paulistana. Criado em 2023, por iniciativa
do Centro de Multimeios
1
, o CDEP nasceu com o propósito de ampliar o acesso público aos
acervos custodiados pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo - SME-SP,
promovendo sua consulta e visibilidade em uma plataforma digital lançada oficialmente em
2024. Desde então, esta plataforma que se constitui como um acervo que custodia os
documentos da história da educação do município de São Paulo tem atendido pesquisadores e
educadores interessados na história da educação municipal, contribuindo para a formação
docente e o fomento de pesquisas científicas voltadas aos temas da memória, dos museus
escolares, da cultura material escolar e do patrimônio histórico-educativo.
O CDEP estrutura-se em três núcleos fundamentais: a Biblioteca Pedagógica, a
Memória Documental e o Memorial da Educação Municipal. O primeiro reúne publicações
técnicas, pedagógicas e acadêmicas voltadas à formação e à investigação educacional. O
segundo é responsável pela conservação de documentos textuais, técnicos e administrativos
produzidos pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo desde a década de 1930. Já o
terceiro abriga acervos iconográficos, relatos orais e objetos tridimensionais relacionados à
cultura material escolar, preservando a materialidade da experiência educativa paulistana.
1
O Centro de Multimeios pertence à Coordenadoria Pedagógica COPED órgão da Secretaria Municipal de
Educação de São Paulo SME e possui cinco núcleos (Biblioteca Pedagógica, Memorial da Educação Municipal,
Memória Documental, Foto e Vídeo e Criação e Arte), esses núcleos contribuem para a produção gráfica e
audiovisual, além da preservação e do acesso aos materiais que guardam a história da Secretaria Municipal de
Educação de São Paulo. Para mais informações acessar: https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/centro-de-
multimeios/ Acesso em: 22 de out. 20025.
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Embora possuam infraestrutura própria e estejam localizados em espaços físicos
distintos, os três departamentos reúnem seus acervos de forma digitalizada em uma plataforma
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virtual de acesso público, que ao conservar e difundir o patrimônio histórico da rede municipal
de ensino, possibilita reflexões sobre a cultura material escolar e sobre a construção da
identidade coletiva das instituições educacionais do município de São Paulo.
No propósito de difundir e divulgar o CDEP para toda a comunidade acadêmica o
presente artigo propõe discutir as práticas de guarda, conservação e difusão desse acervo,
analisando suas potencialidades como instrumento de pesquisa sobre a história das instituições
escolares e do patrimônio cultural educativo do município de São Paulo. Busca-se
problematizar o papel do CDEP na constituição da memória e da identidade da escola
paulistana, reafirmando-o como espaço de integração cultural e de produção de saberes. Nesse
sentido, este acervo é compreendido como um lugar de enculturação, em que o contato com
fontes documentais seja textual, oral, audiovisual ou tridimensional, fomenta diálogos,
comparações e interpretações diversas sobre os processos de formação e difusão da educação
pública paulistana.
O corpus documental que sustenta este artigo é composto por imagens de objetos
preservados no espaço físico do acervo, bem como por documentos textuais digitalizados e
disponíveis em sua plataforma virtual. Os procedimentos metodológicos adotados baseiam-se
nos pressupostos da História Cultural, Chartier (1990), nos estudos sobre Cultura Material
Escolar, Souza (2007) e na perspectiva da Nova História, Le Goff (2003). A partir desse
referencial, a massa documental analisada é compreendida como monumento, ou seja, como
vestígios que evocam o passado e perpetuam a memória coletiva.
Considerando a amplitude do CDEP, optou-se por selecionar uma amostra
representativa dos documentos e artefatos deste acervo, com base em registros fotográficos
realizados “in loco” e em imagens extraídas de sua plataforma virtual. Para a análise das
imagens, adota-se a abordagem de Kossoy (2007), segundo a qual a fotografia é um indício
visual que guarda histórias implícitas e potencialmente reveladoras. Complementam o aporte
teórico de análise os estudos sobre memória Nora (1993), acervo e patrimônio, Possamai (2012)
e o conceito de patrimônio material escolar enquanto patrimônio cultural Escolano Benito
(2017).
2
O Centro de Documentação da Educação Paulistana - CDEP es hospedado no endereço eletrônico:
https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/cdep/ . Acesso em: 22 de out. 20025.
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O texto está estruturado em algumas seções. Na primeira, apresenta-se o CDEP e suas
funções como espaço de memória e de preservação da cultura material escolar, em seguida
discorre-se sobre os três núcleos que constituem este acervo: a Biblioteca Pedagógica, a
Memória Documental e o Memorial da Educação Municipal, analisando o papel desses espaços
bem como seus objetos e documentos que compõem o patrimônio educativo paulistano,
discutindo suas potencialidades como fontes históricas. Posteriormente, reflete-se sobre o papel
do CDEP como espaço de mediação entre memória, patrimônio e práticas educativas
discorrendo sobre o I Seminário do CDEP, evento realizado para divulgação deste acervo junto
aos professores da Rede Municipal de Ensino de São Paulo. A seguir, propõem-se uma análise
sobre a relevância do CDEP enquanto acervo para os estudos da História da Educação e do
patrimônio escolar. Nas considerações finais reafirma-se o seu empenho como instância de
preservação, pesquisa e difusão do conhecimento, comprometida com o fortalecimento do
patrimônio cultural e da memória educativa da cidade de São Paulo.
O CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO PAULISTANA - CDEP
O Centro de Documentação da Educação Paulistana - CDEP insere-se no âmbito das
políticas públicas da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo - SME-SP como um órgão
voltado à preservação dos acervos e do patrimônio escolar, configurando-se como um espaço
de salvaguarda e valorização da memória educacional paulistana. O conceito de patrimônio
escolar, amplamente debatido por estudiosos da História da Educação e da Educação
Patrimonial, compreende o conjunto de bens materiais e imateriais produzidos, utilizados e
preservados pelas instituições de ensino, os quais expressam práticas, valores, identidades e
memórias associadas à escola e à comunidade que a constitui.
O termo acervo, segundo Possamai (2012), refere-se a um conjunto de bens que
compõem o patrimônio de um indivíduo, instituição ou nação, reunindo elementos cujo valor
histórico, cultural, artístico ou afetivo justifica sua preservação para as gerações futuras. o
termo patrimônio:
liga-se à ideia de herança. Designa-se, usualmente, patrimônio como o
conjunto de bens de propriedade de uma família, de uma empresa, de uma
instituição. Pressupõe cuidado com sua manutenção, guarda, aumento e
aprimoramento com a finalidade de transmissão às futuras gerações.
(Possamai, 2012, p. 111.)
Essa noção implica reconhecer o patrimônio não apenas como um objeto de
investigação acadêmica, mas como um campo de ação cultural, sustentado pelo desejo coletivo
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de conservação e pela atribuição de valores simbólicos e históricos a determinados objetos,
espaços e documentos. Sob essa perspectiva, os acervos assumem papel duplo: como lugares
de preservação da memória e da cultura, e como instrumentos políticos e pedagógicos de
construção identitária nacional. O interesse pelos espaços em que a memória se fixa e encontra
abrigo está relacionado a um período específico da história. Trata-se de um momento de
transição, em que a percepção da ruptura com o passado se mistura à sensação de fragmentação
da memória. No entanto, é justamente essa fragmentação que ainda conserva lembranças
suficientes para suscitar a questão de como a memória pode se materializar. Assim, o
sentimento de continuidade torna-se algo residual, vinculado a esses lugares. Existem lugares
de memória precisamente porque os meios tradicionais de preservá-la não existem. De acordo
com Nora (1993):
A curiosidade pelos lugares onde a memória se cristaliza e se refugia está
ligada a este momento particular da nossa história. Momento de articulação
onde a consciência da ruptura com o passado se confunde com o sentimento
de uma memória esfacelada, mas onde o esfacelamento desperta ainda
memória suficiente para que se possa colocar o problema de sua encarnação.
O sentimento de continuidade torna-se residual aos locais. Há locais de
memória porque não há mais meios de memória. (Nora, 1993, p. 7).
É nesse contexto que se insere o Centro de Documentação da Educação Paulistana
CDEP, composto por três núcleos fundamentais: Biblioteca Pedagógica, Memória Documental
(MD) e Memorial da Educação Municipal (MEM). Sua constituição em 2023, resultou de uma
iniciativa do Centro de Multimeios, órgão da Secretaria Municipal da Educação de São Paulo
que de acordo com a Portaria da Secretaria Municipal de Educação - SME 7.849 de 1 de
dezembro de 2016 tem suas atribuições definidas no Art. 33º:
I - realizar a gestão documental e editorial na Secretaria Municipal de
Educação; II - elaborar diretrizes para a produção da comunicação visual para
a Secretaria Municipal de Educação; III - estimular a difusão cultural e o
fortalecimento de ações que imprimam espaço de permanente valorização do
processo educacional. (São Paulo, 2016).
A articulação entre esses setores deu origem a uma plataforma digital dedicada à
democratização do acesso aos acervos que retratam o percurso histórico da educação municipal
paulistana. A missão institucional do CDEP é coletar, preservar e difundir materiais que
documentam a trajetória da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, contribuindo para o
desenvolvimento científico, cultural e educacional. Seus princípios orientadores são de
preservação, acesso, educação e inovação e norteiam as ações de gestão, tratamento e
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divulgação dos acervos, que abrangem registros fotográficos, audiovisuais, textuais,
iconográficos e tridimensionais.
O acervo do CDEP compreende uma massa documental técnica e pedagógica
abrangendo o período de 1930 até a contemporaneidade. Essa massa documental representa
uma expressiva amostra da cultura material escolar, conceito que, conforme Souza (2007) pode
ser definido como:
todo um conjunto de instrumentos, artefatos e objetos que auxiliam na
concretização do funcionamento da escola, envolvendo desde mobiliários e
acessórios, infraestrutura do prédio escolar, equipamentos e utensílios
destinados ao ensino das disciplinas como livros de leitura, cartilhas, mapas,
globos, laboratórios de física e química e outros. (Souza, 2007, p. 169).
De acordo com Souza (2007), embora tomados quase sempre como um pressuposto
natural, por vezes banalizados, os artefatos materiais veiculam concepções pedagógicas,
saberes, práticas e dimensões simbólicas do universo educacional, constituindo um aspecto
relevante da cultura escolar. Nessa esteira, pelas diferentes abordagens e análises desse conjunto
de artefatos e pela diversidade de objetos que compõem a chamada cultura material escolar,
entre os quais se destacam as mobílias e sua distribuição nos ambientes e espaços destinados à
instrução, a arquitetura dos edifícios e suas funcionalidades, os acervos e distribuição de livros,
exemplares de escrita, cartilhas e todo suporte para o ensino da leitura e da escrita, como lápis,
canetas, tinteiros, entre outros recursos materiais, em seus múltiplos usos, a materialidade da
escola se transforma em um campo inesgotável de possibilidades de fazer história, inclusive de
análises mais amplas que permitem a comparação entre instituições, localidades e regiões.
Como guardião desse patrimônio, o CDEP dedica-se ao tratamento técnico,
conservação, valorização e difusão de documentos e objetos que revelam a pluralidade da
experiência educativa paulistana. Seu acervo contempla desde relatórios técnicos, programas
de ensino, manuais e compêndios até objetos físicos como abecedários, mapas, microscópios,
máquinas fotográficas e mobiliários escolares, evidenciando a riqueza simbólica dos artefatos
pedagógicos que fizeram parte da História da Educação municipal de São Paulo. A figura 1
apresenta a interface do tio eletrônico em que esses materiais podem ser encontrados de forma
digitalizada.
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Figura 1: Interface do site do CDEP
Fonte: Centro de Documentação da Educação Paulistana CDEP 2025.
O portal digital
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é acessível ao público mediante cadastro prévio, realizado por meio do
registro funcional ou do CPF do usuário. Após a criação da conta, o visitante obtém acesso
integral ao acervo disponível, que se organiza de forma intuitiva a partir de uma página inicial
(“home”), oferecendo também acesso à Biblioteca Digital, às exposições virtuais e à
programação completa dos eventos realizados.
No ambiente virtual do CDEP é possível consultar a biografia dos patronos das
unidades educacionais da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, documentos relacionados
aos antigos Parques Infantis, Projetos sobre História Oral desde a década de 1990, depoimentos
de atores que participaram ativamente de diferentes momentos históricos da educação do
Município de São Paulo. O portal apresenta ainda uma seção de “Destaques”, que reúne
conteúdos diversos, como a Linha do Tempo da Educação Municipal Paulistana, registros sobre
Brincadeiras Infantis, esculturas pertencentes à exposição virtual do Memorial da Educação.
Outro destaque é a exposição virtual “Arquitetura escolar e suas identidades” que apresenta
imagens das fachadas, do entorno e do paisagismo de diversas Unidades Educacionais da Rede
Municipal de Ensino de São Paulo retratando as edificações e o contexto histórico-arquitetônico
no período de 1940 a 2010. O site também disponibiliza uma exposição fotográfica, com
imagens, objetos e depoimentos dos pioneiros da educação municipal, compondo um panorama
representativo da história e da memória educacional paulistana.
Ao empreender-se na análise e na recuperação dos artefatos, objetos e documentos
textuais salvaguardados no CDEP, busca-se compreender que a materialidade escolar se
configura como expressão de uma herança patrimonial, inserindo-se, portanto, no campo da
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O portal do CDEP pode ser acessado via cadastro prévio no endereço eletrônico:
https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/cdep/ Acesso em: 22 de out. de 2025.
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memória educativa. Tal materialidade evoca a escola enquanto lócus privilegiado de memória,
em que o tangível e o simbólico se entrelaçam na constituição de um patrimônio histórico-
cultural da educação. Nesse horizonte, o Centro de Documentação da Educação Paulistana -
CDEP, ao conservar e salvaguardar objetos, registros e práticas pedagógicas, desempenha uma
função essencial na valorização da história e da memória do ensino em São Paulo. Trata-se de
um exercício de rememoração e de reinterpretação do passado educativo paulistano, em que a
investigação e a preservação documental se tornam atos de conhecimento e reconhecimento,
uma forma de reinscrever o passado na consciência histórica do presente.
A massa documental custodiada por este acervo não apenas resgata fragmentos de um
tempo pretérito, mas também possibilita a ressignificação de experiências educativas,
conferindo novos sentidos históricos e culturais a objetos outrora utilitários e agora investidos
de valor memorial. Assim, a salvaguarda desses testemunhos materiais e simbólicos legitima o
CDEP como um autêntico lugar de memória na medida em que a memória se constitui como
produto das relações sociais e das interações do sujeito com seu meio histórico e cultural que
conforme assevera Nora (1993): O que nós chamamos de memória é, de fato, a constituição
gigantesca e vertiginosa do estoque material daquilo que nos é impossível lembrar, repertório
insondável daquilo que poderíamos ter necessidade de nos lembrar (Nora, 1993, p. 15).
Dessa forma, o acervo do CDEP transcende sua dimensão arquivística, configurando-se
como um espaço de evocação e reconstrução das experiências coletivas. Ele opera como
mediador de um processo dinâmico de rememoração, em que as lembranças partilhadas
emergem como expressão da experiência humana e educativa, uma reconstrução ativa em que
o sujeito reelabora impressões, fatos e vivências, reinscrevendo-os no tecido da memória social
e no patrimônio educativo da cidade. A seguir, serão apresentados os três núcleos que compõem
o Centro de Documentação da Educação Paulistana, o CDEP.
A BIBLIOTECA PEDAGÓGICA PROFª ALAÍDE BUENO RODRIGUES:
PATRIMÔNIO EDUCATIVO, LITERÁRIO E FORMADOR DE LEITORES
A biblioteca, mais do que um repositório de livros, constitui-se como um espaço
privilegiado de interação, mediação cultural e formação humana. Trata-se de um ambiente em
que o conhecimento é compartilhado e a leitura é compreendida como prática social e
instrumento de emancipação. Nesse sentido, a biblioteca é reconhecida como um patrimônio
educativo e literário, na medida em que preserva e difunde bens simbólicos, promove o acesso
à cultura escrita e estimula a construção de identidades leitoras. Ao favorecer o diálogo entre
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diferentes saberes e experiências, a biblioteca se afirma como espaço de memória, de formação
intelectual e de exercício da cidadania.
Criada pelo Decreto 16.705, de 6 de junho de 1980, a Biblioteca Pedagógica Profª
Alaíde Bueno Rodrigues surgiu com o propósito de dotar a Secretaria Municipal de Educação
de São Paulo de uma coleção de obras especializadas que subsidiasse as práticas de estudo,
pesquisa e formação continuada dos profissionais da educação. Desde sua origem a biblioteca
tem se configurado como um centro de referência pedagógica, servindo não apenas aos
educadores da rede municipal, mas também a pesquisadores, estudantes universitários e demais
interessados nas áreas da educação, literatura e cultura.
De acordo com a Portaria da Secretaria Municipal de Educação - SME nº 7.849 de 1
de dezembro de 2016 a Biblioteca Pedagógica Prof.ª Alaíde Bueno Rodrigues tem suas
atribuições definidas no Art. 34:
I - gerir acervo especializado, direcionado aos profissionais de educação da
Rede Municipal de Ensino e pesquisadores da área, inclusive visando
atendimento ao que concerne à bibliografia dos concursos da Rede Municipal
de Ensino; II - disseminar e garantir o acesso à informação, fomentar os estudo
e a atualização profissional, assessorando pesquisas e apoiando a formação
profissional e acadêmica, por meio de mecanismos de acesso a diferentes tipos
de acervos e suportes; III - divulgar e disponibilizar as publicações, teses e
dissertações dos profissionais da Rede Municipal de Ensino; IV - apoiar a
elaboração de publicações institucionais oferecendo assessoria técnica e
bibliográfica, por meio de transcrições, catalogações e orientações acerca de
direitos autorais. (São Paulo, 2016).
O acervo da biblioteca é composto por aproximadamente 15.500 livros, distribuídos em
diversas categorias: obras de referência e dicionários (9%), literatura geral (21%), literatura
infantil (12%), obras técnicas e de metodologia (43%), livros didáticos (8%), legislação
educacional (9%) e teses (2%). A figura 2 representa a sala principal deste espaço.
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Figura 2 Espaço da Biblioteca Pedagógica Prof.ª Alaíde Bueno Rodrigues
Fonte: Centro de Documentação da Educação Paulistana CDEP 2025.
Além das obras citadas, o acervo audiovisual conta com 1.225 fitas de vídeos,
abrangendo temas didáticos, documentários pedagógicos, palestras, fóruns e vídeos de
sensibilização voltados às relações humanas. A biblioteca também mantém uma hemeroteca
com 3.500 periódicos, entre os quais se destacam revistas especializadas como Cadernos de
Pesquisa da Fundação Carlos Chagas, Ideias da Escola de Formação e Desenvolvimento,
Cadernos FUNDAP e o Boletim cnico do SENAC. Também integra o acervo uma coleção
de revistas de assinatura, como Veja, Nova Escola, Revista Pátio e Revista Presença
Pedagógica.
No que se refere à imprensa periódica, a biblioteca conserva exemplares de jornais
institucionais e acadêmicos como os da Universidade de São Paulo - USP, Pontíficia
Universidade Católica de São Paulo - PUC e de alguns sindicatos educacionais, além de diários
oficiais encadernados do Município (19822000), do Estado (19902000) e da União (1982
1993). Esse conjunto documental constitui um importante patrimônio histórico e pedagógico,
permitindo o acesso a fontes primárias e à evolução das políticas públicas educacionais ao longo
do tempo.
O público atendido pela Biblioteca Pedagógica é diversificado, abrangendo professores
da rede municipal e particular, coordenadores pedagógicos, supervisores de ensino,
orientadores educacionais, além de estudantes universitários e da rede básica, funcionários de
outras secretarias e a comunidade em geral. Tal abrangência reforça o caráter democrático e
social da instituição, que se compromete em garantir o acesso à informação e à cultura como
direito fundamental.
Conforme o Regimento Interno instituído pela Portaria 234/1995, compete à
biblioteca a disseminação e a recuperação de informações, a manutenção técnica do acervo e a
difusão de materiais bibliográficos atualizados, com vistas ao fortalecimento das práticas
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educativas e ao desenvolvimento profissional dos educadores. Ao longo de sua trajetória, a
Biblioteca Profª Alaíde Bueno Rodrigues tem promovido ações de incentivo à leitura e
valorização da literatura. Em 2005, por ocasião de seu 25º aniversário, foram realizadas oficinas
literárias voltadas a educadores da rede municipal, com a participação de escritores convidados
por diferentes editoras. O objetivo foi apoiar os professores na formação de leitores, divulgar
os serviços da biblioteca e promover o intercâmbio de experiências pedagógicas. A figura 3
apresenta o modelo de convite elaborado para a comemoração dos 25 anos do espaço.
Figura 3: Convite de Comemoração dos 25 anos da Biblioteca
Fonte: Biblioteca Pedagógica Prof.ª Alaíde Bueno Rodrigues 2005.
Entre as atividades realizadas destacaram-se palestras como: Construindo o leitor
competente, com Regina Braga; Memórias de uma infância em cena infantil, com a artista
plástica Sandra Guinle; O prazer da leitura, com o escritor Fernando Carraro; e A função social
da literatura infanto-juvenil, com Giselda Nicolelis. Também se produziu a palestra: Fazendo
peraltagens com as palavras: a importância de contar e ouvir histórias na escola, ministrada por
Ilan Brenman.
Entre os anos de 2006 e 2007, a biblioteca desenvolveu o projeto “Clipping”, que
consistiu na seleção e publicação de artigos de jornais e revistas pela hemeroteca. Essa iniciativa
teve como finalidade a disseminação de informações recentes e plurais, complementando o
acervo bibliográfico com conteúdo atuais e promovendo uma visão crítica e integrada da
realidade. As edições do Clipping eram encaminhadas semanalmente às equipes pedagógicas
das Diretorias Regionais de Educação, contribuindo para o aprimoramento do trabalho docente
e para a ampliação do repertório cultural dos educadores.
Em 2010, celebrando 30 anos de existência, a biblioteca realizou uma série de ações
comemorativas voltadas à formação docente e à valorização da leitura. A programação incluiu
palestras com autores, sorteio de livros, exposição fotográfica sobre a história da instituição,
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abertura do projeto Entre Rodas: Parceria, Fala, Espaço de Leitura, bem como a implantação
da Estante de Troca de Livros. As celebrações também contaram com a criação de um destaque
especial na página da biblioteca no Portal da Educação e a distribuição de brindes
comemorativos aos usuários. Ao longo de sua trajetória, a Biblioteca Pedagógica Profª Alaíde
Bueno Rodrigues tem reafirmado seu papel como espaço de preservação da memória educativa
e de promoção do patrimônio literário. Seu acervo, suas ações e seus projetos educativos
evidenciam a relevância das bibliotecas públicas e pedagógicas como ambientes de formação
integral, onde o conhecimento é construído de forma colaborativa e o livro se torna instrumento
de transformação social.
Assim, a biblioteca consolida-se como um patrimônio cultural e educativo vivo, cuja
missão transcende o armazenamento de obras: ela forma leitores críticos, sustenta o fazer
pedagógico e perpetua a herança intelectual e literária da educação paulistana.
A MEMÓRIA DOCUMENTAL DA SME-SP: ENTRE A GESTÃO ARQUIVÍSTICA E
O PATRIMÔNIO EDUCATIVO DA CIDADE DE SÃO PAULO
A Memória Documental (MD) constitui-se como um setor integrante do Centro de
Documentação da Educação Paulistana CDEP. Criada com a missão de captar, organizar,
preservar e difundir os acervos documentais produzidos no âmbito da SME, a MD distingue-se
por seu papel estratégico na preservação da memória e da história pedagógica da educação
paulistana.
Sua origem remonta a 1978, quando foi instituída como Memória Técnica Documental
(MTD), passando a funcionar efetivamente em 1981. Desde então, o setor tem reunido, tratado
e sistematizado um extenso acervo de produções pedagógicas, técnicas e arquivos
institucionais, cuja cronologia abrange desde a década de 1930 até os dias atuais.
A partir de 2010, a Memória Documental passou por um processo de reestruturação
substancial, marcado pela introdução de novas tecnologias e metodologias arquivísticas, como
a digitalização de mais de 3.900 obras e a adoção do Sistema de Gestão de Acervos MSTECH.
Com a reorganização administrativa da SME, em 2016, o setor passou a denominar-se
oficialmente Memória Documental (MD). Em 2023, iniciou-se o desenvolvimento de um
sistema informatizado específico para o conjunto dos acervos, com vistas a aprimorar o
tratamento técnico, arranjo, descrição e acesso e consolidar a interoperabilidade entre os
acervos.
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Atualmente, a MD abriga aproximadamente cinco mil documentos textuais, impressos
e digitais. Tal acervo, de reconhecido valor histórico, institucional e educacional, constitui fonte
indispensável para a pesquisa sobre as transformações da educação paulistana desde o início do
século XX. Além de sua função de salvaguarda, a MD tem se dedicado à difusão e
democratização do acesso ao conhecimento, promovendo ações voltadas à pesquisa e à
formação acadêmica, ao mesmo tempo em que fomenta práticas de valorização da memória
institucional da Secretaria Municipal de Educação SME.
A missão da Memória Documental é captar, organizar, preservar, disponibilizar e
divulgar o acervo documental de natureza técnica e pedagógica que compõe a trajetória da
Secretaria Municipal de Educação de São Paulo - SME. Entre suas principais atribuições
destacam-se: a gestão documental com base em critérios normativos e de valoração arquivística;
a preservação e conservação de documentos que integram o patrimônio histórico e educacional
da cidade; a disseminação e garantia de acesso à informação a profissionais da SME,
pesquisadores e comunidade e a divulgação dos serviços prestados.
Seus princípios norteadores orientam-se pela observância da legislação arquivística
nacional, em especial a Lei 8.159/1991, que reconhece os arquivos públicos como
instrumentos de apoio à administração, à cultura e ao desenvolvimento científico. Conforme
estabelece o Art. 7º desta lei:
Art. - Os arquivos públicos são os conjuntos de documentos produzidos e
recebidos, no exercício de suas atividades, por órgãos públicos de âmbito
federal, estadual, do Distrito Federal e municipal em decorrência de suas
funções administrativas, legislativas e judiciárias. (Brasil, 1991, p. x).
Assim, a MD pauta-se na gestão documental e na proteção especial dos arquivos,
compreendidos como patrimônio público de interesse coletivo. Assegura-se, dessa forma, o
tratamento cnico-profissional de todo o acervo, a promoção da preservação da memória
educacional e a difusão de boas práticas em pesquisa e gestão documental.
Entre suas diretrizes estratégicas estão a modernização dos processos arquivísticos, a
ampliação do acesso e das ferramentas de pesquisa, o incentivo à produção de conhecimento e
a articulação de parcerias institucionais que consolidem uma rede colaborativa em torno da
memória e do patrimônio educativo paulistano. Tais valores são sustentados pela
responsabilidade institucional, excelência técnica, gestão democrática, ética em pesquisa e
compromisso com o acesso público à informação.
O acervo da Memória Documental é composto por documentos textuais permanentes de
caráter cnico e pedagógico, produzidos pela Secretaria Municipal de Educação - SME-SP,
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seja de forma independente ou em cooperação com outras instituições. Os documentos textuais,
em formato impresso e digital, compreendem materiais administrativos, técnicos e pedagógicos
que testemunham as práticas e políticas educacionais desenvolvidas ao longo de décadas. À
guisa de exemplos, entre os documentos mais antigos preservados no acervo da Memória
Documental, destacam-se registros que remontam às primeiras décadas do século XX,
revelando aspectos históricos, pedagógicos e sociais da educação paulistana. Compõem esse
conjunto o Regulamento da Divisão de Educação, Assistência e Recreio (1930); a Lição de
Educação Física do Ciclo Elementar (1930); O Valor Social dos Parques Infantis (1936); e a
Legislação dos Parques Infantis (1936). Somam-se a esses as Reuniões Pedagógicas de Janeiro
(1937); Vícios e Defeitos na Fala das Crianças dos Parques Infantis de São Paulo (1938); o
Relatório Anual (1938); O Significado de um Parque Infantil em Santo Amaro (1938); e o
documento Parques Infantis (1939).
Outros registros igualmente relevantes são Alguns Casos de Tuberculino, Reação de
Pirquet e Mantoux nos Parques Infantis (1939); Sugestões para uma Classificação Decimal de
Educação Física e Esporte (1940); Peso, Estatura e Capacidade Vital das Crianças dos Parques
Infantis de São Paulo separata da Revista do Arquivo Municipal nº 79 (1940); Ascendência
das Cirandas Registradas nos Parques Infantis de São Paulo (décadas de 1930/1940); Seis
Lendas Amazônicas (1941); Origem e Propagação dos Parques Infantis e Parques de Jogos
(1941) e um relatório de 1938 da Divisão de Educação e Recreio de São Paulo assinado pelo
diretor Nicanor Miranda que apresenta considerações gerais sobre os trabalhos da Divisão de
Educação e Recreio. Nesse período, destacaram-se os avanços na construção e inauguração de
novos espaços de lazer e educação infantil em São Paulo. Foram projetados diversos parques,
priorizando-se bairros de maior concentração operária. Com a inauguração dos novos parques,
o total de equipamentos voltados à recreação infantil chegou a sete, consolidando um marco na
organização das atividades recreativas na cidade e representando o cumprimento de parte
significativa do programa da Divisão. O relatório também ressalta o expressivo número de
frequentadores, que atingiu cerca de meio milhão de entradas ao longo do ano.
Outro documento custodiado pela Memória Documental é o livro Vícios e defeitos na
fala das crianças dos Parques infantis de São Paulo também de 1938, de autoria do Dr. Nicanor
Miranda e do Dr. João de Deus Bueno dos Reis apresentado na figura 4.
Figura 4: Vícios e defeitos na fala das crianças dos Parques infantis de São Paulo - 1938
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Fonte: Memória Documental - MD. 2025.
O livro destaca a importância da voz humana como um patrimônio médico e social
essencial, ressaltando sua função primordial na comunicação e na expressão das ideias.
Diferentemente dos demais sentidos, que apenas recebem impressões do mundo exterior, a voz
é apresentada como um instrumento generoso, capaz de compartilhar e difundir pensamentos.
Os autores observam ainda que, graças aos avanços tecnológicos na transmissão e gravação
sonora, a voz ultrapassou os limites do tempo e do espaço, permitindo que milhões de pessoas
se conectem por meio das ideias, seja de forma momentânea ou duradoura.
O documento “Acidentes nos Parques Infantis de São Paulo” (1941), de autoria do Dr.
João de Deus Bueno dos Reis, apresenta um estudo técnico e estatístico sobre os incidentes
ocorridos nos parques infantis administrados pela Divisão de Educação e Recreio do
Departamento de Cultura da cidade de São Paulo, sua capa é exposta na figura 5.
Figura 5: Acidentes nos Parques Infantis de São Paulo - 1941
Fonte: Memória Documental MD. 2025.
Nesse livro o autor analisa a natureza e a frequência dos acidentes, suas causas e as
medidas preventivas adotadas pela administração pública para garantir a segurança das
crianças. O texto evidencia a preocupação com a higiene, vigilância médica e organização
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pedagógica desses espaços, ressaltando o papel educativo e social dos parques na formação
infantil e na promoção do bem-estar coletivo.
Esses são apenas alguns dos documentos que constitui uma valiosa fonte para a
compreensão da gênese das políticas educacionais e culturais voltadas à infância na cidade de
São Paulo, oferecendo testemunhos sobre práticas pedagógicas, concepções de infância e
experiências de educação integral que marcaram o período e estão preservados na Memória
Documental. Na MD é possível encontrar documentos técnicos, que conforme os princípios
arquivísticos, constituem registros de informações especializadas, análises, projetos e
resultados vinculados a atividades específicas, possuindo valor probatório, informativo e
histórico. também a preservação de documentos pedagógicos que compreendem registros
de processos de ensino-aprendizagem, planejamento e avaliação, incluindo planos de aula,
programas curriculares, materiais didáticos, projetos político-pedagógicos e registros
administrativos, com relevância tanto administrativa e legal quanto histórica.
A codificação documental desempenha papel central na organização e valorização das
produções da Secretaria Municipal de Educação - SME, assegurando sua rastreabilidade e
autenticidade. O sistema de codificação adotado pela MD segue uma sequência numérica
associada ao ano de produção, precedida pela sigla SME (por exemplo: (SME1/2024). Ao longo
do tempo, o setor passou por diferentes padrões de codificação alfanuméricos e numéricos,
refletindo a evolução das práticas arquivísticas e o aprimoramento contínuo de seus processos.
A Memória Documental MD oferece também um serviço de assessoria à pesquisa
destinado a pesquisadores, estudantes e demais interessados no acervo. Esse atendimento
envolve orientação especializada na busca e seleção de documentos, triagem técnica dos
materiais disponíveis e encaminhamento adequado aos setores ou acervos correlatos. Todo o
processo é conduzido com rigor metodológico, assegurando acolhimento e suporte técnico aos
pesquisadores. Ressalta-se que, em casos de documentos que contenham mídias externas como
vídeos ou imagens vinculadas por links ou QR codes, é necessário observar a obtenção de
autorizações de direitos autorais, uma vez que a preservação integral do conteúdo é
responsabilidade da equipe da MD.
As atividades da Memória Documental fundamentam-se na legislação vigente, em
especial no artigo 216, §2º, da Constituição Federal de 1988, que atribui à administração pública
o dever de gerir a documentação governamental e garantir sua consulta pública. Nesse mesmo
sentido, a Lei 8.159/1991, citada, estabelece que é dever do Poder Público assegurar a
gestão documental e a proteção especial de arquivos, reconhecendo-os como instrumentos de
prova, cultura e desenvolvimento científico. Assim, a MD reafirma seu compromisso com a
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transparência, a democratização da informação e a preservação da memória pública,
consolidando-se como instância de referência para o estudo e a valorização da história
educacional paulistana.
O MEMORIAL DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL MEM: ESPAÇO DE
PRESERVAÇÃO E REFLEXÃO SOBRE A CULTURA MATERIAL ESCOLAR
PAULISTANA
Instituído pelo Decreto 35.087, de 5 de maio de 1995, o Memorial da Educação
Municipal MEM configura-se como um espaço de salvaguarda dos testemunhos materiais e
simbólicos da educação pública paulistana. Vinculado à Secretaria Municipal de Educação de
São Paulo, o MEM tem como finalidade primordial preservar, conservar e difundir o patrimônio
educativo do município, reconhecendo o valor estético, histórico e pedagógico das obras e
artefatos que compõem seus acervos. Nesse sentido, o Memorial constitui-se não apenas como
repositório de memórias, mas como um lugar de produção de sentidos, de partilha de saberes e
de construção identitária em torno da história da Rede Municipal de Ensino - RME. As
atribuições do Memorial da Educação Municipal MEM são assim definidas na Portaria da
Secretaria Municipal de Educação - SME nº 7.849 de 1 de dezembro de 2016 em ser Art. 35º:
I - realizar a gestão dos acervos audiovisuais, fotográficos, tridimensionais e
de produtos gráficos; II - recuperar, selecionar, restaurar, classificar, organizar
e preservar os acervos para disponibilizá-los à pesquisa e ao conhecimento, a
fim de retratar a história da Secretaria Municipal de Educação; III - manter
atualizados dados biográficos dos Secretários de Educação do Município de
São Paulo e patronos das Unidades Educacionais, além de perpetuar, expandir
e divulgar registros da história de protagonistas da Rede Municipal de Ensino;
IV - promover visitas orientadas ao espaço de exposições e acesso aos demais
acervos. (São Paulo, 2016).
No interior do MEM, a trajetória da educação paulistana é narrada por meio de
documentos e objetos organizados em acervos diversificados, que abrangem as áreas de artes
gráficas, fotografia, audiovisual e tridimensionalidade. Ao conservar e expor esses bens
culturais, o Memorial promove relações dialógicas e intergeracionais, convertendo a lembrança
individual em memória coletiva e a materialidade em discurso histórico. Assim, o espaço se
consolida como um centro permanente e sistemático de sensibilização patrimonial,
comprometido com a valorização da herança cultural e educativa da cidade.
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O acervo do MEM reúne documentos que transitam entre o técnico, o pedagógico e o
simbólico: relatórios de instrução, programas de ensino, livros didáticos, cartilhas, manuais,
compêndios e uma expressiva coleção de objetos físicos, contadores, abecedários, mapas,
quadros de história, microscópios, máquinas fotográficas, utensílios de uso pessoal (como
pratos e talheres), além de mobiliário escolar histórico. Preservam-se também registros em fitas
VHS, nos quais se documentam projetos de História Oral, biografias de professores, secretários
de educação e patronos de Unidades Educacionais (UEs), bem como produções audiovisuais
que testemunham eventos, inaugurações e práticas pedagógicas ao longo do tempo.
A constituição desse acervo resulta de um esforço coletivo: as peças são provenientes
de doações realizadas por Unidades Educacionais, Diretorias Regionais de Educação, pela
própria Secretaria Municipal de Educação e por cidadãos ex-alunos, professores e familiares
que reconhecem o valor histórico da educação municipal. Esses acervos são agrupados em
quatro categorias fundamentais:
A. Artes gráficas: reúne cartazes, folders e demais produtos visuais, majoritariamente
criados pelo Núcleo de Criação e Arte (NUCA/SME), destinados à comunicação institucional
e à divulgação de projetos educacionais.
B. Audiovisual: compreende fitas VHS, cassetes e DVDs que documentam entrevistas,
depoimentos, eventos formativos e cerimônias oficiais, frequentemente produzidos em parceria
com o Núcleo de Foto e Vídeo Educação (FOVI).
C. Fotográfico: com registros desde a década de 1940, especialmente sobre os Parques
Infantis, até a contemporaneidade, documenta arquiteturas escolares, gestores, patronos e cenas
do cotidiano pedagógico.
D. Tridimensional: reúne objetos, mobiliário, utensílios, vestimentas e materiais
escolares oriundos de escolas e educadores.
O acervo encontra-se organizado em exposição permanente, resguardado em ambiente
climatizado e equipado com instrumentos técnicos de preservação entre os quais se destacam
esterilizadores de ar (STERMIX), desumidificadores (ARSEC) e termo-higrômetros que
asseguram as condições adequadas de conservação preventiva. A figura 6 apresenta parte do
acervo permanente do Memorial da Educação Municipal MEM.
Figura 6: Parte do acervo permanente do Memorial da Educação Municipal MEM
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Fonte:
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Memorial da Educação Municipal MEM. 2025.
A imagem acima apresenta parte do mobiliário e alguns objetos que integram o acervo
permanente do Memorial da Educação Municipal, constituindo um importante conjunto de
peças que testemunham a história e a cultura material das escolas públicas paulistanas. Esses
itens, cuidadosamente preservados e guardados em espaço próprio, representam diferentes
períodos e práticas educativas, sendo os móveis escolares os elementos de maior relevância
histórica e simbólica.
Entre os destaques, encontra-se o conjunto de carteiras escolares conjugadas, composto
por mesa e assento confeccionados em madeira de imbuia e compensado, com dimensões de
48,00 cm de largura, 78,00 cm de altura e 77,00 cm de profundidade. Outro exemplar de
destaque é a mesa para professor com duas gavetas, feita em madeira e metal, que conserva a
chapa patrimonial da Prefeitura do Município de São Paulo, com o brasão da cidade, medindo
110,00 cm de largura, 78,00 cm de altura e 60,00 cm de profundidade.
O acervo inclui ainda outro conjunto de carteiras escolares conjugadas, doado pela
EMEF Linneu Prestes, caracterizado por mesa de madeira inteiriça na parte posterior, encosto
e assento retrátil de madeira ripada, e pés de ferro com espaço para fixação no chão (60,00 cm
de largura, 70,00 cm de altura e 60,00 cm de profundidade).
Complementa esse conjunto o armário com duas portas deslizantes modelo DASP A3,
confeccionado em madeira tipo imbuia envernizada e portas de vidro. A peça possui três
prateleiras removíveis e suporte interno regulável, além da chapa patrimonial metálica, datada
de 20 de março de 1968, originalmente adquirida para o Parque Infantil de Itaberaba e
posteriormente transferida pela EMEI Olavo Bilac, responsável pela doação ao Memorial.
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Créditos da imagem: Secretaria Municipal da Educação - SME/Centro de Multimeios CM cleo Foto e
Vídeo (FOVI) Fotógrafo: Renan Joele.
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Entre os objetos didáticos, destaca-se a maquete em miniatura de uma sala de aula das
décadas de 1950/60, confeccionada em madeira, papel, plástico e metal, em escala 1:12, doada
pelas artistas plásticas Nanci Leka Roveri e Regina Passy Yip, que integrou uma exposição
temporária realizada em 2004 (55,00 cm de largura, 30,00 cm de altura e 38,00 cm de
profundidade).
O acervo também abriga um globo terrestre político, com meridianos, países, capitais e
nomes dos oceanos, confeccionado com suporte de plástico, impressão colorida em papelão e
base metálica (32,00 cm de altura e 25,00 cm de diâmetro), doado pela EMEF Antônio Sampaio
Dória. Esses objetos, preservados pelo Memorial da Educação Municipal, compõem um valioso
patrimônio histórico, material e educativo, permitindo compreender e valorizar a memória das
práticas escolares e do mobiliário pedagógico utilizados ao longo do tempo nas escolas da Rede
Municipal de Ensino de São Paulo. O exame de alguns documentos custodiados no Memorial
da Educação Municipal MEM suscita uma questão central: de que maneira a salvaguarda
desses materiais contribui para a construção de uma história do patrimônio educativo?
Buscando responder esse questionamento, foram analisados alguns artefatos fotografados nesse
espaço e que fizeram parte do universo escolar primário do município de São Paulo.
Mais do que simples objetos, esses artefatos, compreendidos como uma cultura material
escolar, constituem fontes primárias de investigação histórica, permitindo compreender a escola
enquanto espaço de formação cultural e social. Quando problematizados, revelam as práticas
educativas, os valores institucionais e os modos de organização do cotidiano escolar, tornando-
se dispositivos de legitimação de saberes e comportamentos. Conforme aponta Bencostta
(2013):
A cultura material escolar é um construto histórico produto da experiência
humana com usos que se modificam de acordo com os sentidos e significados
que os diferentes contextos educacionais produzem. Por isso, também, sua
investigação deve se preocupar com as ressignificações e resementizações que
não restrinja suas análises apenas a história do objeto material para fins
escolares. Junto à objetividade deste objeto estão presentes componentes
subjetivos originários dos contextos de sua produção e consumo, o que nos
aproxima definitivamente da noção de Jacques Le Goff de que estes também
podem ser compreendidos enquanto documento monumento. (Bencostta,
2013, p. 31).
Assim, a análise da cultura material escolar amplia a compreensão da memória
educacional paulistana, ao evidenciar a dimensão simbólica do fazer pedagógico e as marcas
deixadas por gerações de alunos e professores. Entre os inúmeros exemplos da materialidade
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preservadas no MEM destaca-se a Grande Fanfarra do Ensino Municipal, figura 7
representativa das décadas de 1970 e 1980.
Figura 7: Materiais da Grande Fanfarra do Ensino Municipal décadas de 70/80.
Fonte: Memorial da Educação Municipal - MEM. 2025.
Os itens apresentados compõem o kit da Grande Fanfarra, conjunto emblemático
utilizado nas escolas públicas paulistas e que expressa o espírito cívico, o patriotismo e o
nacionalismo que marcaram uma época da educação brasileira. As fanfarras escolares eram
parte integrante das comemorações cívicas e desfiles oficiais, representando o orgulho
institucional e a disciplina coletiva cultivada nas práticas pedagógicas do período.
Entre os elementos que integram esse conjunto, destacam-se as túnicas e chapéus
confeccionados em tecido branco e vermelho, com componentes em metal e plástico, peças que
pertencem ao uniforme infantil da fanfarra. Também integra o acervo uma túnica acompanhada
de calça e chapéu em tecido azul-marinho e vermelho, com detalhes metálicos e plásticos,
compondo o uniforme adulto utilizado nas apresentações oficiais.
O conjunto inclui ainda uma tuba, instrumento musical de sopro confeccionado em
metal, essencial na composição sonora das fanfarras e símbolo da expressividade e imponência
dos desfiles escolares. Suas dimensões são de 95,00 cm de largura, 40,00 cm de altura e 35,00
cm de profundidade. Complementando o kit, encontram-se as luvas brancas em tecido alpaca
(tamanho M), que compunham o uniforme e reforçavam a estética formal e cerimonial das
apresentações. Esses objetos, preservados no acervo do Memorial da Educação Municipal,
testemunham as práticas educativas e cívicas que moldaram a cultura escolar paulistana,
evidenciando o valor simbólico e histórico das fanfarras como manifestações da formação
moral e patriótica nas escolas públicas do passado. Remetem às festividades e aos rituais cívicos
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que permeavam o cotidiano escolar, como os desfiles patrióticos, as comemorações de
encerramento do ano letivo e as cerimônias de formatura. Tais práticas, impregnadas de
simbolismo, contribuíam para a construção de um sentimento de pertencimento e identidade
nacional, configurando-se como manifestações materiais de um projeto educacional voltado à
formação da cidadania e à promoção dos valores cívicos.
Outro objeto emblemático preservado é a Balança pediátrica representada na figura 8.
Figura 8: Balança pediátrica Record modelo D01050
Fonte: Memorial da Educação Municipal - MEM. 2025.
Esse objeto evidencia a intersecção entre os campos da educação e da saúde, revelando
o papel da escola como lócus de intervenção social e médica, voltada à promoção do bem-estar
infantil. A dimensão e especificidade do instrumento sugerem sua utilização em instituições de
educação infantil, configurando um retrato das políticas públicas voltadas à infância em
determinados períodos históricos. a figura 9 apresenta um Laboratório Manual Científico,
cuja presença no acervo do Memorial da Educação Municipal -MEM de São Paulo demanda
uma análise que ultrapasse o mero reconhecimento material do objeto, compreendendo-o como
produto da experiência humana e parte de um patrimônio educativo.
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Figura 9 - Laboratório didático móvel kit científico Marca Auto Labor 1996/97.
Fonte: Memorial da Educação Municipal - MEM. 2025.
Os itens deste kit integram o conjunto de materiais utilizados no ensino de Ciências em
escolas da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, como as EMEFs Presidente Kennedy,
Arthur Azevedo, Gal. Othelo Franco e Rivadávia Marques Júnior. Esses instrumentos faziam
parte dos kits didáticos que possibilitavam aos alunos o contato direto com objetos e
experimentos, valorizando uma concepção pedagógica centrada na aprendizagem pela
experiência e pela investigação científica.
O kit é composto por 4 pinças de madeira, 1 medidor plástico azul, 2 balanças com peso,
6 filtros Polaroid, 1 pinça metálica, 2 lupas, 1 régua, 1 suporte universal, 9 vidros redondos, 11
espelhos planos côncavos, 3 espelhos retangulares, 37 vasilhames, 26 pipetas, tubos de ensaio
e bastão de vidro, 5 vidros de relógio, 13 itens de cerâmica, 1 conta-gotas plástico, 1 vara de
vidro, 1 suporte de madeira, 1 colher com espátula de inox, 1 béquer, 1 erlenmeyer, 1 funil, 1
plástico, 1 pistilo de vidro e 1 tela de amianto, em tamanhos variados. A doação desse conjunto
foi realizada pelo professor Alexandre Januário Paggion, ex-diretor da EMEI Dutra.
O acervo inclui ainda um microscópio marca Dimex, modelo MEB 215, confeccionado
em metal, vidro e plástico, utilizado como recurso didático nas aulas de Ciências e Biologia das
unidades escolares. Suas dimensões são de 13,00 cm de largura, 35,00 cm de altura e 18,00 cm
de profundidade. Esses materiais, preservados pelo Memorial da Educação Municipal,
representam um importante testemunho das práticas pedagógicas voltadas à experimentação
científica nas escolas blicas. O uso desses instrumentos buscava estimular a observação, a
curiosidade e o pensamento investigativo, promovendo uma aprendizagem ativa em que as
crianças aprendiam experimentando, por meio da manipulação de objetos e da vivência
concreta dos fenômenos naturais, princípios que antecipam o ensino por investigação como
prática formativa e emancipadora.
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A preservação deste artefato impõe uma leitura ampliada, que considere não apenas sua
dimensão física e utilitária, mas também as camadas simbólicas e subjetivas que se
consolidaram ao longo de sua trajetória institucional. Dessa forma, a análise do lugar ocupado
por esse artefato na memória educacional paulistana deve ultrapassar uma perspectiva
meramente descritiva ou museográfica, incorporando os processos de ressignificação histórica
e pedagógica que o atravessam. O Laboratório Manual Científico, amplamente utilizado nas
escolas municipais de São Paulo, constituía-se, em seu contexto de aplicação, como um
emblema de excelência e de modernização das práticas pedagógicas. Sua presença nas
instituições escolares conferia legitimidade e prestígio à proposta educativa, ao associar o
ensino público à difusão do saber científico. Esse conhecimento, sustentado na manipulação de
objetos e na experimentação empírica, introduzia no cotidiano escolar paulistano uma forma
singular de relação com o mundo físico mediada pelo fazer manual, pela observação sistemática
e pela compreensão funcional dos fenômenos naturais. Nesse sentido, as relações
intersubjetivas e cognitivas imbricadas no uso desse material evidenciam a centralidade da
cultura material escolar na constituição dos processos formativos.
Tomando como base esses pressupostos, os instrumentos científicos, enquanto artefatos
pedagógicos, ultrapassavam a função meramente didática, configurando-se como mediadores
entre o pensamento abstrato e o conhecimento sensível. A manipulação desses objetos
mobilizava dimensões intelectuais e perceptivas fundamentais como a curiosidade, a
observação sistemática, a experimentação e a percepção concreta, contribuindo para a
construção de uma pedagogia da experiência. Assim, o objeto material assumia papel
estruturante na formação da criança e na consolidação de uma cultura escolar pautada pelo valor
epistêmico das coisas e pela materialidade do saber.
Sob ótica aqui apresentada, o Memorial da Educação Paulistana - MEM desempenha
um papel fundamental na preservação, valorização e difusão do patrimônio educativo da cidade
de São Paulo. Como espaço de memória e reflexão, o MEM atua na guarda e interpretação de
documentos, objetos e narrativas que constituem a história da Rede Municipal de Ensino,
possibilitando compreender os modos de educar, os valores e as práticas que marcaram
diferentes períodos da educação paulistana.
Mais do que um acervo, o Memorial se configura como um dispositivo de mediação
cultural e pedagógica, que convida educadores, estudantes e pesquisadores a se aproximarem
das múltiplas dimensões do fazer escolar. Ao reunir e expor objetos da cultura material da
escola como carteiras, quadros, livros, cadernos, instrumentos didáticos, o MEM permite que
se estabeleça um diálogo entre o passado e o presente da educação. Nesse sentido, tais
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questionamentos nos convidam a olhar os objetos da escola como dispositivos que, conforme
assevera Escolano Benito (2017, p. 22), tecem na vida escolar ‘práticas empíricas nas quais se
consubstanciava um modo bem definido de educação, que se cristalizou, se decantou em
experiência e se transmitiu, de forma relativamente estável, de geração em geração’.”
Assim, o MEM preserva o patrimônio material e imaterial da educação paulistana e
promove processos formativos e de consciência histórica que fortalecem o pertencimento, a
identidade e a valorização da escola pública como espaço de produção de saberes, memórias e
experiências educativas.
DOCUMENTOS E MATERIALIDADES: O CDEP COMO ESPAÇO DE MEDIAÇÃO
ENTRE MEMÓRIA, PATRIMÔNIO E PRÁTICAS EDUCATIVAS
Considerar artefatos, instrumentos e documentos escolares como fontes investigativas
na escrita da história da educação fundamenta-se nos pressupostos da “História Nova” que ao
ampliar o campo documental da pesquisa histórica, recorre a uma multiplicidade de objetos
como fonte primária de investigação. A esse propósito Le Goff, (2003, p. 28) nos lembra que:
documentos figurados, produtos de escavações arqueológicas, documentos
orais etc. Uma estatística, uma curva de preços, uma fotografia, um filme, ou,
para um passado mais distante, um pólen fóssil, uma ferramenta, um ex-voto
são, para a história nova, documentos de primeira ordem. (Le Goff, 1990, 28).
Compreende-se que os documentos, isoladamente, não falam por si, tampouco possuem
valor intrínseco. Seu significado emerge do ineditismo das informações que contêm e,
sobretudo, das perguntas que lhes são dirigidas. A relevância documental, portanto, reside nas
indagações que orientam sua leitura: quem os produziu? Com quais propósitos? De que modo
foram preservados ao longo do tempo? É nessa perspectiva investigativa que se consolida a
missão do Centro de Documentação da Educação Paulistana - CDEP.
A consideração dos documentos custodiados por esse acervo como fontes de pesquisa
fundamenta-se nos pressupostos da História Cultural que conforme Chartier (1990), tem por
objetivo “identificar o modo como em diferentes lugares e momentos uma realidade social é
construída, pensada, dada a ler” (Chartier, 1990, p. 16). Tal abordagem permite compreender
como os sujeitos, imersos em seus contextos temporais, culturais e sociais, produzem
representações e atribuem sentidos às práticas e objetos. Sob essa perspectiva, o campo
documental da pesquisa histórica é ampliado, incorporando múltiplas materialidades como
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fontes primárias. Assim, os objetos, artefatos e os documentos técnicos e pedagógicos que
integram o CDEP constituem vestígios concretos de uma cultura material escolar, revelando
lugares de saber e práticas pedagógicas instituídas ao longo do tempo.
O exame dessa massa documental suscita questões fundamentais: por que esses
materiais foram preservados? Qual sua relevância institucional e simbólica? Em que medida
esses documentos constituem um patrimônio cultural paulistano e expressam a identidade da
escola pública? Tais indagações conduzem à compreensão dessa massa documental preservada
como dispositivos de mediação entre práticas, valores e saberes, conforme argumenta Escolano
Benito (2017, p. 22), ao destacar que a materialidade escolar condensa modos de educação
transmitidos e reconfigurados entre gerações. Para este autor, esse conjunto de objetos,
denominados “equipamento instrumental” ou “material ergológico”, “foram utilizados por
crianças e professores da época clássica, na execução das ações necessárias para guiar o fazer
cotidiano da aprendizagem e do ensino”. Analisar essa materialidade em seus diferentes tempos
e espaços é um processo complexo, pois esses objetos “[...] não são autônomos e atemporais,
mas, sim, produções culturais que falam de nossas tradições e de nossos modos de pensar e de
sentir e de nossa memória individual e coletiva” (Escolano Benito, 2018, p. 114).
Os materiais preservados no CDEP constituem, portanto, relíquias documentais que,
quando interrogadas, revelam a existência de uma cultura material escolar que se manifestou
tanto na concretude dos utensílios quanto nas práticas pedagógicas a eles associadas. Do mesmo
modo, a análise iconográfica dos objetos que são preservados neste acervo, conforme propõe
Kossoy (2007), revela-se instrumento essencial, uma vez que as imagens não são neutras: elas
guardam indícios e narrativas ocultas que exigem uma “alfabetização do olhar”.
A leitura crítica das fotografias requer, portanto, uma abordagem externa voltada às
condições de produção e tecnologia empregada e uma análise interna, que problematize os
conteúdos simbólicos e sociais representados. As imagens do acervo, enquanto registros
históricos, não apenas informam, mas também emocionam, transformam e, em certos casos,
manipulam sentidos e representações. Em conformidade com Kossoy (2007), toda fotografia
constitui-se como um vestígio material do passado. Enquanto artefato, ela encerra em sua
materialidade indícios acerca dos elementos que presidiram sua gênese, o tema representado, o
agente produtor da imagem e os dispositivos técnicos empregados em sua elaboração.
Concomitantemente, o registro visual que a compõe conforma um complexo inventário de
informações referentes ao específico recorte espaço-temporal capturado no ato fotográfico.
Essas premissas apontam que a preservação dos objetos custodiados pelo CDEP como
documentos históricos possibilita reconstituir as materialidades do cotidiano educativo
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paulistano. Cadeiras, mesas, lousas, cadernos, lápis, manuais e demais utensílios conservados
pelo acervo evidenciam vestígios das práticas pedagógicas e das dinâmicas escolares,
constituindo fontes privilegiadas para compreender a história da educação e a formação cultural
do município. Esses artefatos, quando analisados em seus contextos de produção e uso,
revelam-se testemunhos históricos que articulam práticas, discursos e valores pedagógicos de
distintas épocas.
Para além da função arquivística, o CDEP consolida-se como uma instância de
mediação entre o patrimônio educativo e a comunidade escolar, promovendo ações que
favorecem a apropriação crítica da memória e da cultura material escolar. Como forma de
divulgação, em outubro de 2025 foi realizado o I Seminário do Centro de Documentação da
Educação Paulistana - CDEP cujo propósito central foi fomentar a valorização da memória e
do patrimônio educativo paulistano, articulando a história da educação à prática pedagógica e
à formação continuada dos profissionais da Rede Municipal de Ensino - RME. O evento,
intitulado “Os acervos contam histórias”
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, foi concebido como espaço de reflexão, partilha de
experiências e formação técnica sobre a gestão, preservação e uso pedagógico dos acervos
escolares. Foi realizada a oficina Como organizar um acervo da história da escola? que teve por
finalidade introduzir noções básicas de preservação, arquivística e museologia aplicadas ao
contexto escolar. Os participantes foram sensibilizados para a importância da documentação
histórica como expressão da identidade institucional e instrumento de formação cidadã,
analisaram objetos simbólicos, elaboraram fichas descritivas e refletiram sobre estratégias de
organização, preservação e uso pedagógico dos acervos. Ao final, socializaram as propostas
para a constituição de Centros de Memória nas unidades escolares, destacando sua relevância
como espaços vivos de educação patrimonial.
A segunda oficina Memórias Itinerantes: uma viagem na história, apresentou o protótipo
do projeto “Memórias Itinerantes”. O material pedagógico, composto por jogos, quebra-
cabeças, imagens históricas e documentos textuais, abordou temas como alimentação, saúde,
educação inclusiva, parques infantis e tecnologia. Os participantes exploraram os recursos
didáticos, discutindo sua aplicabilidade em projetos interdisciplinares e seu potencial para
fomentar o pensamento crítico e a valorização da memória escolar.
As oficinas e atividades formativas desenvolvidas evidenciam esse duplo papel: ao
mesmo tempo em que valorizam o acervo como fonte de conhecimento histórico e pedagógico,
5
A live transmitida via canal do youtube pode ser vista no link: https://www.youtube.com/watch?v=8xWhyZg-
6z8 Acesso em: 22 de out. de 2025.
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também o mobilizam como instrumento de reflexão sobre as práticas contemporâneas de ensino
e sobre os sentidos da escola pública na cidade. Dessa forma, o CDEP afirma-se como espaço
de preservação e de produção de saberes, articulando memória, pesquisa e prática educativa na
construção de uma política de valorização do patrimônio escolar paulistano.
CONSIDERAÇÕES FINAIS/CONCLUSÕES
O Centro de Documentação da Educação Paulistana - CDEP constitui-se como um
marco paradigmático na consolidação das políticas públicas voltadas à preservação e à difusão
da memória educacional da cidade de São Paulo. Desde sua concepção, em 2023, até sua efetiva
abertura ao público, em 2024, o CDEP vem se afirmando como uma instância fundamental para
o fortalecimento do campo da história da educação, configurando-se como um espaço de
produção de saberes, de investigação científica e de promoção da cultura material escolar.
Por meio de ações sistemáticas de preservação, tratamento técnico-documental e
disseminação de acervos, a partir de seus três núcleos: a Biblioteca Pedagógica, A Memória
Documental MD e o Memorial da Educação Municipal MEM, o CDEP não apenas assegura
o acesso qualificado a documentos e objetos históricos, mas também promove uma reflexão
crítica sobre a constituição do patrimônio educativo municipal. Sua estrutura institucional e seu
projeto epistemológico refletem o compromisso com a valorização das práticas pedagógicas,
com a salvaguarda da memória coletiva e com o fortalecimento da identidade educacional
paulistana.
A análise das materialidades preservadas no âmbito do CDEP revela um campo fértil
para a compreensão das dinâmicas de produção, circulação e ressignificação dos objetos
escolares, que, ao transcenderem sua dimensão física, adquirem densidade simbólica, social e
pedagógica. Nesse sentido, a cultura material da escola salvaguardada neste espaço emerge
como uma chave interpretativa privilegiada para o estudo das formas de escolarização, das
representações do ensino e das práticas educativas que conformaram o imaginário e as políticas
públicas de educação na cidade de São Paulo.
Os documentos, registros e artefatos preservados quando tomados como fontes
historiográficas oferecem novas possibilidades de leitura acerca da historicidade das
instituições escolares, da constituição das identidades docentes e discentes e da própria
compreensão do patrimônio cultural educativo enquanto expressão tangível da memória e das
práticas formativas da educação paulistana.
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A materialidade que conforma o acervo do CDEP ultrapassa a simples noção de
preservação espacial e museológica: ela traduz modos de produção, reprodução e circulação de
valores e significados que entrelaçam saberes, fazeres e experiências formativas. Trata-se,
portanto, de um acervo que atua como mediador cultural e cognitivo, servindo de suporte para
práticas educativas, investigações científicas e políticas de valorização da história da escola
pública paulistana.
Em síntese, o CDEP consolida-se como mais do que um centro de documentação é um
lócus de formação, pesquisa e inovação, comprometido com a preservação da memória e com
a difusão do conhecimento histórico-educacional. Seus princípios de preservação, acesso,
transparência, educação e inovação o posicionam como referência incontornável no cenário das
instituições dedicadas ao patrimônio educativo no Brasil, mais especificamente, na cidade de
São Paulo. Ao perpetuar e ressignificar a história da educação paulistana, o CDEP assegura que
as experiências pedagógicas e as memórias coletivas que o compõem continuem a inspirar e a
formar novas gerações de pesquisadores, educadores e cidadãos.
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Aceito em: