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O (NÃO) LUGAR DAS MULHERES NOS ESPAÇOS DE MEMÓRIA ESCOLAR:
REFLEXÕES SOBRE POSSIBILIDADES E POTENCIALIDADES FORMATIVAS
DO CEDOM/CPII
Paloma Rezende de Oliveira
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UNIRIO, Brasil
paloma.oliveira@unirio.br
Elisabeth Monteiro da Silva
Centro de Memória, Colégio Pedro II, Brasil
bethcp2@gmail.com
Nailda Marinho da Costa
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UNIRIO, Brasil
nailda.costa@unirio.br
Fernando Rodrigo dos Santos Silva
Centro de Pesquisa, Memória e História da Educação de
Duque de Caxias e Baixada Fluminense, CEPEMHEd, Brasil
fergo_fergo@yahoo.com.br
RESUMO
O presente artigo visa refletir sobre o (não) lugar das mulheres nos espaços de memória escolar,
com base nas noções de patrimônio e sua utilização como categoria de análise na História da
Educação (Possamai, 2012), apresentando novas possibilidades e potencialidades formativas, a
partir do exemplo do Centro de Documentação e Memória do Colégio Pedro II (CEDOM/CPII),
localizado no município do Rio de Janeiro. Em parceria com projetos de pesquisa e extensão
universitária vinculados ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em História da Educação Brasileira
da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (NEPHEB/UNIRIO), os resultados
indicaram os esforços em ampliar e divulgar as memórias da educação e da escola para além
dos muros da instituição, o potencial formativo de futuros pedagogos e pesquisadores, bem
como dos estudantes de Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos do Colégio Pedro II,
Campus Centro, no sentido de sensibilizá-los sobre a historicidade da educação, da escola e das
mulheres na sociedade. Tendo como base as reflexões de Michele Perrot (2017) sobre as
mulheres e os silêncios na história buscou-se dar visibilidade às fontes e, consequentemente,
aos espaços ocupados especialmente pelas professoras do CPII nos espaços públicos. Desse
modo, a contribuição desse artigo está em explorar novas configurações e aplicações de
procedimentos no que diz respeito à salvaguarda e à extroversão do acervo do CEDOM/CPII.
Palavras-chave: Centro de Memória. Patrimônio. Memória escolar.
EL (NO) LUGAR DE LAS MUJERES EN LOS ESPACIOS DE MEMORIA
ESCOLAR: REFLEXIONES SOBRE POSIBILIDADES Y POTENCIALIDADES
FORMATIVAS DEL CEDOM/CPII
RESUMEN
El presente artículo tiene como objetivo reflexionar sobre el (no) lugar de las mujeres en los
espacios de memoria escolar, basándose en las nociones de patrimonio y su uso como categoría
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de análisis en la Historia de la Educación (Possamai, 2012), presentando nuevas posibilidades
y potencialidades formativas, a partir del ejemplo del Centro de Documentação e Memória do
Colégio Pedro II (CEDOM/CPII), ubicado en el municipio de Río de Janeiro. En colaboración
con proyectos de investigación y extensión universitaria vinculados al Núcleo de Estudos e
Pesquisas em História da Educação Brasileira de la Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro (NEPHEB/UNIRIO), los resultados indicaron los esfuerzos por ampliar y difundir las
memorias de la educación y la escuela más allá de los muros de la institución, el potencial
formativo de futuros pedagogos e investigadores, así como de los estudiantes de Educación
Secundaria y Educación de Jóvenes y Adultos del Colegio Pedro II, campus centro, con el fin
de sensibilizarlos sobre la historicidad de la educación, la escuela y las mujeres en la sociedad,
basándose en las reflexiones de Michele Perrot (2017) sobre las mujeres y los silencios en la
historia, dando visibilidad a las fuentes y, en consecuencia, a los espacios ocupados
especialmente por las profesoras del CPII en los espacios públicos. De este modo, la
contribución de este artículo radica en explorar nuevas configuraciones y aplicaciones de
procedimientos en lo que respecta a la salvaguarda y la extroversión del acervo del
CEDOM/CPII.
Palabras clave: Centro de Memoria. Patrimonio. Memoria escolar.
THE (NON) PLACE OF WOMEN IN SCHOOL MEMORY SPACES: REFLECTIONS
ON EDUCATIONAL POSSIBILITIES AND POTENTIALITIES OF THE
CEDOM/CPII
ABSTRACT
This article reflects on the role of women in school memory spaces based on the notion of
heritage as a category of analysis in the history of education (Possamai, 2012). It presents new
possibilities and educational potentialities based on the example of the Centro de
Documentação e Memória do Colégio Pedro II (CEDOM/CPII) in Rio de Janeiro. In partnership
with research and university extension projects linked to the Núcleo de Estudos e Pesquisas em
História da Educação Brasileira at the Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
(NEPHEB/UNIRIO), the results indicated efforts to expand and disseminate educational and
school memories beyond the institution's walls, as well as the educational potential of future
teachers and researchers. The results also revealed efforts to raise the awareness of high school
and adult education students at Colégio Pedro II's downtown campus about the history of
education, schools, and women in society. This is based on Michele Perrot's (2017) reflections
on women and silences in history. The results give visibility to the sources and, consequently,
to the spaces occupied by CPII teachers, especially in public spaces. Thus, this article
contributes by exploring new configurations and applications of procedures regarding the
safeguarding and dissemination of the CEDOM/CPII collection.
Keywords: Memory Center. Heritage. School memory.
LA (NON) PLACE DES FEMMES DANS LES ESPACES DE MEMOIRE SCOLAIRE:
REFLEXIONS SUR LES POSSIBILITES ET LES POTENTIALITES FORMATIVES
DU CEDOM/CPII
RESUME
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Cet article examine le rôle des femmes dans les espaces de mémoire scolaire à la lumière de la
notion de patrimoine comme catégorie d'analyse dans l'histoire de l'éducation (Possamai, 2012).
À partir de l'exemple du Centro de Documentação e Memória do Colégio Pedro II
(CEDOM/CPII) situé à Rio de Janeiro, il présente de nouvelles possibilités et potentialités
éducatives. En partenariat avec des projets de recherche et d'extension universitaire liés au
Núcleo de Estudos e Pesquisas em História da Educação Brasileira de l’Universidade Federal
do Estado do Rio de Janeiro (NEPHEB/UNIRIO), les résultats ont montré les efforts déployés
pour élargir et diffuser les souvenirs éducatifs et scolaires au-delà des murs de l'institution, ainsi
que le potentiel éducatif des futurs enseignants et chercheurs. Les résultats ont également révélé
des efforts visant à sensibiliser les élèves du secondaire et de l'enseignement pour adultes du
campus du centre-ville du collège Pedro II à l'histoire de l'éducation, des écoles et des femmes
dans la société. Cette démarche s'appuie sur les réflexions de Michelle Perrot (2017) sur les
femmes et les silences dans l'histoire. Les résultats donnent de la visibilité aux sources et, par
conséquent, aux espaces occupés par les enseignants du CPII, notamment dans les espaces
publics. Cet article contribue ainsi à explorer de nouvelles configurations et applications des
procédures relatives à la sauvegarde et à la diffusion de la collection CEDOM/CPII.
Mots-clés: Centre de mémoire. Patrimoine. Mémoire scolaire.
INTRODUÇÃO
Os debates em torno da noção de patrimônio, seu uso como categoria de análise na
História da Educação e como ação cultural têm sinalizado a valorização de outras referências
espaciais e identitárias no contexto contemporâneo, corroborando a construção de narrativas
que pretendem identificar e representar a cultura nacional e extrapolando a definição de
patrimônio como um conjunto de bens culturais herdados historicamente, os quais precisam ser
preservados por instituições.
Como exemplo, podemos citar o artigo de Zita Rosane Possamai (2012, p. 110),
intitulado: “Patrimônio e História da educação: aproximações e possibilidades de pesquisa”,
em que a autora problematiza a noção de patrimônio e sua utilização como categoria de análise
na História da Educação identificando três distintos aspectos: “os patrimônios como
documentos à disposição dos historiadores da educação”, noção expressa pela preservação de
edificações, acervos e mobiliários escolares; “a história da educação em sua interface com a
história”, a partir de reflexões sobre a naturalização da noção de bens culturais como patrimônio
social sob uma abordagem histórica e multidisciplinar, ganhando novos usos e significados; e
“a história da educação em sua interface com a educação”, indicando a possibilidade de se
considerar a diversidade de leituras que os atores sociais constroem em suas relações com esses
bens culturais, não se restringindo ao olhar dos especialistas.
Esses três aspectos problematizados pela autora serviram como base para a análise do
(não) lugar das mulheres nos espaços de memória escolar, trazendo reflexões sobre
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possibilidades e potencialidades formativas, a partir do exemplo do Centro de Documentação e
Memória do Colégio Pedro II (CEDOM), que constitui um dos espaços de preservação de
memória escolar existentes em instituições escolares do Brasil.
O CEDOM está situado no Colégio Pedro II (CPII), Campus Centro
1
, no município do
Rio de Janeiro, constituindo-se como acervo e espaço dedicado à memória do CPII, preservando
edificação, mobiliários, equipamentos, laboratórios, livros, materiais didáticos, uniformes,
fotografias, documentação sobre diretores, docentes e discentes, o sendo possível elencar
aqui toda a variedade de seu acervo e, portanto, constituindo-se como modelo representativo de
salvaguarda do patrimônio como “documentos à disposição dos historiadores da educação”
(Possamai, 2012, p. 110).
A estruturação atual do CEDOM culminou com a Portaria n.4231, de 4 de agosto de
2014, passando a se vincular à Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura
do Colégio Pedro II. Antes dessa data, porém, os setores que hoje o integram existiam na
instituição, sendo criados em diferentes épocas: Biblioteca Histórica (1838); Museu
Histórico (1979); Centro de Estudos Linguísticos e Biblioteca Antenor de Veras Nascentes
(1990); Núcleo de Documentação e Memória (1995) e Laboratório de Digitalização do Acervo
Histórico (2006).
2
Além de ser um espaço de preservação da história e memória do CPII,
constitui-se ainda como um espaço institucional de pesquisa e divulgação científica,
contribuindo para a propagação de um acervo documental que possui fontes inéditas ainda
inexploradas.
De acordo com as terminologias trazidas por Vânia Maria Siqueira Alves (2016, p. 8),
em sua tese intitulada: “Museus Escolares: de recurso de ensino ao patrimônio e a museologia”
acerca de instituições museológicas, podemos considerar que o Museu histórico do CEDOM,
segundo definições trazidas pela autora, além de museu histórico”, que tem em seu acervo
coleções sobre a história da instituição escolar a que se vincula, também pode ser lido como um
1
O Colégio Pedro II foi o primeiro estabelecimento oficial de instrução secundária do Brasil, fundado em 02 de
dezembro de 1837, como Imperial Collegio de Pedro II, pelo Ministro Interino do Império, Bernardo Pereira de
Vasconcelos, servindo como modelo para as demais instituições de ensino secundário do país (Oliveira e Silva,
2024). Por meio da Lei 12.677 de 2012, foi integrado à rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica. O prédio funciona ainda hoje no município do Rio de Janeiro como sede da unidade do campus
centro. Entre 1979 e 2007, o Colégio sofreu considerável expansão com a criação de mais doze unidades.
Atualmente funcionam onze unidades no município do Rio de Janeiro, uma em Niterói e uma em Duque de
Caxias. A localização das treze unidades está disponível no site da instituição:
https://petrus.cp2.g12.br/items/0f6bef42-59d1-4d7b-b20f-7be875a6af7d. Acesso em 07 ago. 2025.
2
Estes dados são encontrados no site da instituição. Disponível em: https://www.cp2.g12.br/blog/centro/origem-
do-centro-de-documentacao-e-memoria/. Acesso em 07 ago. 2025.
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“museu de ciências e outras coleções”, acolhendo acervos de laboratórios de ensino de Física e
Química
3
, criados como recurso de ensino.
Nesse sentido, seu repertório tem permitido estudos sobre “a história da educação em
sua interface com a história”, outro aspecto delimitado por Possamai (2012, p. 110) acerca da
utilização da noção de patrimônio em história da educação, especialmente o Núcleo de
Documentação e Memória. Um exemplo representativo desta perspectiva são os artigos
intitulados: “Memória e patrimônio educacional no Rio de Janeiro”, de Nailda Marinho da
Costa Bonato (2013), e “O Núcleo de documentação e memória do Colégio Pedro II e sua
importância para a preservação do patrimônio histórico e cultural da educação brasileira”, de
Beatriz Boclin Marques dos Santos (2013).
As autoras buscam apontar uma perspectiva que transcende o entendimento de que o
arquivo é apenas um espaço onde se guarda documentos, mas é também um lugar que promove
a “produção e reflexão do pesquisador”, ao estimular o trabalho de pesquisa na comunidade
escolar e dar suporte aos pesquisadores de instituições de ensino superior nacionais e
estrangeiras (Costa Bonato, 2013, p. 34; Santos, 2013, p. 40).
Santos (2013), ao focar no trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Documentação e
Memória do Colégio Pedro II, o NUDOM, o aponta ainda como um espaço de memória
coletiva, na medida em que agrega memórias de ex-alunos e professores, depoimentos escritos
e orais e imagens, as quais contribuem para a preservação da identidade do colégio como um
lugar de representação da alta cultura e de referência nacional do saber institucionalizado.
Sobre este ponto especificamente da identidade que marca a instituição no campo
simbólico e que busca ser preservado pelo acervo é que Paloma Rezende de Oliveira e Elisabeth
Monteiro da Silva, no artigo intitulado: “A construção de um acervo iconográfico sobre as
mulheres: contribuições e análises sobre a cultura material escolar do Colégio Pedro II”, de
2024, constataram que durante o processo histórico de des/re/construção da memória
institucional e coletiva do CPII, preservada pelo CEDOM, as mulheres foram silenciadas e
invisibilizadas.
A partir dessa problematização, este trabalho visa apontar possibilidades que caminham
na direção de uma maior aproximação do CEDOM com o terceiro aspecto anunciado por
Possamai (2012, p. 110), que é o da “história da educação em sua interface com a educação”,
indicando a possibilidade de se considerar a diversidade de leituras que os atores sociais
3
De acordo com a autora, os museus históricos surgiram, em sua maioria, a partir de 1970, sendo que os museus
de ciências e outras coleções são anteriores, remontando ao século XIX.
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constroem em suas relações com esses bens culturais, e, portanto, não se limitando ao olhar dos
pesquisadores. Além disso, tenta construir outras formas e lugares de memória onde se pode
preservar, documentar e comunicar a cultura material e imaterial escolar.
OS (NÃO) LUGARES NOS ESPAÇOS DE MEMÓRIA ESCOLAR E AS POLÍTICAS
GOVERNAMENTAIS
Ao trazermos as reflexões de Possamai (2012) sobre os patrimônios vistos como
“documentos à disposição dos historiadores da educação” enveredamos pela discussão feita por
Giani Rabelo e Marli Costa (2014), em seus estudos sobre a cultura escolar do Centro de
Memória da Educação do Sul de Santa Catarina (CEMESSC), o entendimento do
“documento como monumento”, apreendida a partir de Le Goff (1990), para quem o
documento, assim como o monumento, é uma fabricação social que conforma as relações de
força e, por isso, é expressão de poder.
Nesse sentido, a preservação de edificações, acervos e mobiliários escolares com o
intuito de torná-los acessíveis aos pesquisadores, pode ser vista como expressão desse poder,
na medida em que a forma como são organizados deixam lacunas sobre a participação daqueles
que nas relações de força existentes no interior de uma instituição escolar não detinham poder.
Isso pode ser percebido, por exemplo, durante a pesquisa documental realizada no acervo do
NUDOM, que integra o CEDOM do Colégio Pedro II realizada por pesquisadores do Núcleo
de Estudos e Pesquisas sobre História da Educação Brasileira (NEPHEB), vinculado à
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), para desenvolvimento da
pesquisa sobre a identidade docente do professor secundário, a partir da análise da trajetória das
primeiras professoras que atuaram no Colégio Pedro II. Como indicam Paloma Rezende de
Oliveira e Nailda Marinho da Costa (2020), no artigo intitulado: “As mulheres no ensino
secundário: percursos das primeiras professoras do Colégio Pedro II”, as primeiras alunas e
professoras da instituição somente ingressaram definitivamente no Colégio Pedro II a partir de
1926, quase noventa anos após a inauguração deste estabelecimento de ensino secundário. E a
presença de uma professora negra foi constatada somente a partir da década de 1940, na
pesquisa de Maély F. Galdino Araújo (2025) intitulada: “Maria Rita Soares de Andrade: o
percurso de uma advogada e professora negra até a docência no Colégio Pedro II (décadas de
1920-1960)”.
Nas obras centenárias que integram o acervo, seja na edição comemorativa organizada
pelo professor Escragnolle Doria: “Commemorativa do Centenário do Collegio de Pedro
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Segundo” (1937), ou seja na organizada pela equipe do CEDOM e publicada pelo Colégio
Pedro II em 2013, intitulada: “O Colégio Pedro II: contribuição histórica aos 175 anos de sua
fundação”, notamos a ausência de menção às mulheres que trabalharam ou estudaram no
Colégio Pedro II. Também na visita ao prédio, que preserva a arquitetura original de sua
fundação em 1837, pode-se constatar no museu, laboratórios, galerias de fotos de diretores,
professores e estudantes, bem como nas cadeiras das cátedras preservadas desde o Império no
Salão Nobre do Colégio, que prevalece uma memória institucional que prioriza o período
imperial, um momento histórico em que as mulheres não faziam parte da instituição, nem como
discentes, nem como docentes ou funcionárias.
Tem sido um desafio incluir no acervo fontes sobre outros atores que no passado
ajudaram a construir a identidade do Colégio Pedro II, mas cujas trajetórias não foram narradas,
por exemplo, as mulheres. A inexistência de mulheres na galeria de professores presente no
Museu Histórico, por exemplo, ao mesmo tempo que preserva a originalidade do patrimônio
tombado, denuncia que na história contada e preservada pela instituição o espaço ocupado pelas
mulheres foi invisibilizado. As fontes ainda revelaram outro problema, que é a falta de
identificação nas fotografias do nome destas professoras, o que tem demandado um estudo de
suas redes de sociabilidade em outros acervos e fontes, a exemplo dos impressos encontrados
na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
A partir do entrelaçamento de diferentes fontes, tem sido possível identificar a efetiva
participação dessas mulheres na construção da identidade do Colégio Pedro II, demonstrando
que as mulheres também tiveram um lugar nesse processo.
Nesse sentido, foi preciso olhar para a história e memória institucional, buscando
localizar e recuperar documentos sobre as mulheres e sua atuação, a fim de oferecer uma melhor
compreensão da história da instituição por meio do resgate dessas lacunas documentais.
Oliveira e Silva (2024), em análise sobre a cultura material escolar do Colégio Pedro II,
denunciam em certa medida este aspecto e indicam os esforços empreendidos por parte do
CEDOM, nesse sentido.
Também Rabelo e Costa (2014) indicam outras dificuldades enfrentadas pelos arquivos
escolares, como a cultura do descarte presente na maioria das escolas e a prioridade dada à
preservação de documentos produzidos pela administração em detrimento das produções
escolares de docentes e discentes. Soma-se a isso a salvaguarda em locais sem condições de
preservação, atribuída pelas autoras ao desconhecimento por parte dos gestores e à ausência de
políticas voltadas à preservação dos acervos escolares.
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No caso do CEDOM, embora haja toda essa organização de setores e a iniciativa de
digitalização das fontes, a equipe formada por pessoas com formação para a curadoria e gestão
do acervo se depara com outras dificuldades que são preservar a documentação recebida de
todos os quatorze campi. A quantidade de documentação do acervo é de aproximadamente
80.000 (oitenta mil) itens, sendo composto por material bibliográfico, iconográfico, arquivístico
e museológico, para um número reduzido de funcionários que compõem a equipe
4
.
Atualmente, tem se buscado digitalizar esse conjunto documental constituído por
diferentes tipologias, dentre as quais inclui-se uma ampla variedade de registros escritos,
objetos e fotografias, presentes no acervo. Como ação de preservação e acesso, o critério de
seleção utilizado para a digitalização leva em consideração a raridade da obra, a unicidade, visto
que muitas vezes são exemplares únicos produzidos exclusivamente para o ensino no Colégio
(a exemplo do livro didático: “Fabulas de Esopo em grego, para uso do Imperial Collegio de
Pedro II Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1840”), o estado físico que prioriza as
condições de avançada deterioração, indicando a perda completa da obra, marcas de
propriedade (assinatura, ex libris, carimbo), a materialidade que permite indicar traços e
evidências de produção (tipo de papel, marcas de impressão) e a publicação de determinada
época.
A medida em que são digitalizadas, o que está sendo feito com recursos limitados e equipe
reduzida de pessoal, as obras são disponibilizadas no Repositório Institucional Petrus
5
do
Colégio Pedro II. A digitalização além de se tratar de uma ação de preservação, que evita o
manuseio constante da obra original, dá acesso e promove a democratização do conhecimento,
pois qualquer pessoa, em qualquer lugar, com acesso à tecnologia tem condição de obter a
informação sobre o documento.
Apesar da ausência de políticas públicas governamentais voltadas para a preservação
de acervos escolares, o CEDOM conta com o apoio da gestão da Reitoria e Direção geral do
Campus Centro, que reconhece o valor histórico do setor para a instituição e para a história da
educação brasileira, diferente do que acontece em muitos casos de acervos institucionais dessa
natureza, em que o que se observa é o descaso, desconhecimento e a falta de ações de
salvaguarda, ocasionando a perda incontornável para a produção do conhecimento acadêmico
sobre a memória/história da educação.
4
Além disso, haverá a realização de uma obra no prédio do Campus Centro, onde está localizado, já que trata-se
de uma estrutura original construída no século XVII (1766, quando ainda era o Seminário dos Órfãos de São
Joaquim), e que envolverá a restauração do telhado, além de reforma e atualização das instalações hidráulicas e
elétricas que irá acarretar na transferência de todo o acervo para outro prédio.
5
O site está disponível em: https://petrus.cp2.g12.br/home. Acesso em: 09 out. 2025.
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Um outro exemplo das implicações da falta de incentivo em políticas públicas de
salvaguarda do patrimônio educativo é o recente episódio ocorrido com o Centro de Pesquisa,
Memória e História da Educação da Cidade de Duque de Caxias e Baixada Fluminense
(CEPEMHEd), uma experiência popular de educação patrimonial com finalidade de formação
patrimonial e guarda do acervo sobre práticas educativas (desenvolvidas no município de
Duque de Caxias - RJ) e pesquisa, que arbitrariamente teve sua gestão transferida da Secretaria
Municipal de Educação para a Secretaria Municipal de Cultura, interrompendo um projeto de
20 anos de salvaguarda, formação e pesquisa.
O CEPEMHEd surgiu no seio da categoria docente da referida cidade no início dos anos
2000, como um movimento de classe, capitaneado pelo Sindicato dos Profissionais da
Educação/Núcleo Duque de Caxias (SEPE/Duaque de Caxias). Naquele tempo, os profissionais
da educação do município estavam preocupados com o acervo da centenária Escola Regional
do Meriti, atual Creche-Escola Municipal Dr. Álvaro Alberto
6
.
Nos últimos 20 anos, a equipe do CEPEMHEd apresentou diversas configurações, que
em razão das próprias dinâmicas de mobilidade de seus pesquisadores foi sendo alterada, tendo
a última conformação no âmbito da Secretaria Municipal de Educação, a seguinte: uma equipe
pequena e majoritariamente feminina, constituída por 5 diretoras executivas, 1 diretor
executivo, servidores públicos, e dois funcionários em regime de CLT. Estes diretores
dividiam-se em projetos que foram responsáveis pela captação do seu acervo. O curso “Escola:
lugar de memória, pesquisa e experiência” oferecido para a rede municipal e estadual desde
seus primeiros anos de atividade permitiu uma primeira inserção nas pesquisas sobre a história
das unidades escolares deste território, da história de professores e profissionais da educação,
além da implementação de projetos educativos ao longo do tempo, além de ter funcionado como
estopim para o interesse em se investigar a história das unidades escolares onde atua o professor
cursista.
O Núcleo de Memória: “História das instituições educativas” do CEPEMHEd consistiu
no incentivo e assessoramento da comunidade escolar na pesquisa da história da escola e na
organização do seu espaço de guarda de documentos e de exposição. Seu objetivo era o de
valorizar as memórias dos sujeitos, da unidade escolar e da comunidade ao seu entorno. O
6
Na data-base de 2005, o SEPE/Núcleo Duque de Caxias apresentou a reivindicação da categoria à Secretaria
Municipal de Educação (SME/Duque de Caxias), que institucionalizou a criação do Centro de Memória por meio
do Decreto nº 4.805 de 23 de dezembro de 2005. Os trabalhos se iniciaram no início do ano letivo seguinte e em
07 de novembro de 2008, foi promulgada a lei municipal, Lei nº 2.223/2008 que deu força de lei ao projeto de
cuidado do patrimônio educativo da municipalidade.
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projeto “Roda de Memórias: história oral da educação” foi uma importante estratégia para a
fabricação de fontes para o acervo da unidade de pesquisa, sobretudo, porque não uma
cultura consolidada de preservação de documentação, em especial da documentação privada.
Uma vez vindo a falecer um profissional da educação, seus documentos ficam sob a
responsabilidade de pessoas não especializadas na sua salvaguarda e sem reconhecerem a
importância daqueles documentos, descartam-nos destruindo uma possibilidade de se recontar
a história educativa da cidade. Nesse sentido, esse projeto se caracterizou pela coleta de
depoimentos de diferentes educadores que foram sendo registrados em vídeo. O objetivo central
girava em torno da investigação acerca da história das instituições educativas, da luta pelo
direito público a um projeto popular de escola na região e da coleta de documentos orais, que
constituam um banco de história oral da educação local.
Embora o interesse pela coleta de depoimentos orais seja extensivo à comunidade
escolar, foi destacado a importância das professoras na composição, organização e doação de
seus acervos particulares para o CEPEMHEd, grande parte dessa doação foi cedida por
empréstimo para digitalização ou em definitivo como arquivo físico por estas profissionais após
seus depoimentos para o projeto Roda de Memórias, ao compreender que este espaço público
municipal poderia ser o destino de guarda de suas produções profissionais.
A natureza histórica do trabalho docente como uma experiência majoritariamente
feminina nos impele a colocar a categoria gênero, como assevera Joan Scott (1995), como uma
categoria útil à escrita da história da educação e romper com o silenciamento das mulheres na
vida social. Assim, ao recompor as estratégias de um espaço público municipal de guarda da
memória da educação e patrimônio educativo da cidade de Duque de Caxias e da Baixada
Fluminense, buscou-se uma abordagem que privilegiasse a descrição da aquisição de coleções
de professoras e profissionais da educação caxiense, doadas ou cedidas por empréstimo ao
CEPEMHEd para sua digitalização, relatar algumas práticas de captação de arquivos de
mulheres ligadas ao campo da educação, majoritariamente feminino, contribuindo assim com a
guarda, pesquisa do patrimônio educacional da região e com a formação de professores para a
construção de núcleos de memória nas unidades escolares desta rede. Contudo, com a
transferência de secretarias municipais, o trabalho está sob risco de se perder, colocando sob
risco o trabalho com o patrimônio educativo duque caxiense.
Diante dos problemas enfrentados pelos Centros de Memória, deve ser reconhecida a
contribuição do CEDOM ao longo dos anos para a promoção do desenvolvimento da pesquisa
acadêmica em diversos campos de saberes, servindo como referência de instituição em termos
de salvaguarda de documentação escolar e demonstrando como o investimento público faz
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diferença no sentido de garantir uma gestão adequada, formação necessária para curadoria e
conservação da documentação, bem como uma infraestrutura adequada para a preservação de
documentos e demais bens patrimoniais para as futuras gerações
7
.
Cabe ainda problematizar a naturalização da noção de bens culturais como patrimônio
social, que sob uma abordagem histórica e multidisciplinar ganham novos usos e significados,
como sugere Possamai (2012). No sentido tradicional, a definição de bens culturais se identifica
com a de patrimônio histórico cultural quando estes possuem relevância histórica para a
formação identitária de uma sociedade e para a manutenção de sua cultura. Além disso, o
convívio com estes bens culturais é fator decisivo para a formação da identidade cultural. Nesse
sentido, é preciso então considerar em que medida os bens culturais preservados pelos Centros
de Memória têm se guiado por esta perspectiva.
O prédio do Colégio Pedro II, onde está situado o CEDOM é considerado um patrimônio
histórico nacional, tombado pelo IPHAN, em 1983. Além disso, o Rio de Janeiro, município
onde está localizado, é uma das cidades brasileiras que pelo seu conjunto paisagístico foi
tombada como patrimônio cultural da humanidade reconhecido pela Unesco
8
.
Podemos constatar que até o momento as preocupações e ações são voltadas para a
preservação do patrimônio histórico material das instituições, ou seja, de tudo aquilo que existe
materialmente e possui algum valor histórico e cultural, que viabilize e justifique sua
preservação.
Logo, a proposta que se materializa é a de um Centro de Memória que tem buscado se
ressignificar, promovendo além da salvaguarda e preservação de documentos, ações educativas
em parceria com a Unirio, ampliando a divulgação de memórias da educação e da escola para
além dos muros da instituição e para outros públicos não especializados. Uma ação educativa
que tem dado resultados positivos e muito promissores é a parceria entre a Coordenadoria de
7
Recentemente o Colégio Pedro II tem enfrentando problemas com a redução dos recursos, como demonstrou a
reportagem publicada pelo jornal O Globo, em 02/05/2024, e citada em nota da reitoria dirigida à comunidade
escolar, que foi a público prestar esclarecimentos em decorrência de uma reportagem publicada pelo jornal O
Globo, em 02 de maio de 2024, sobre a infraestrutura do Campus Centro do Colégio Pedro II e a necessidade de
investimentos urgentes para reforma e modernização de sua infraestrutura. Segundo a nota, como o prédio foi
tombado pelo IPHAN, em 1983, sua conservação traz especificidades inerentes a um imóvel de valor histórico,
diante da redução que o orçamento tem sofrido ao longo dos últimos anos, foi necessária a captação de recursos
extraordinários, por meio de emendas parlamentares e do MEC. Entre as prioridades está a obra de restauro da
cobertura e de reforma das instalações elétricas e já estava em andamento a execução do projeto de prevenção e
combate a incêndio e pânico, aprovado pelo Corpo de Bombeiros. Disponível em:
https://www.cp2.g12.br/images/comunicacao/2024/Maio/NOTA%20DA%20REITORIA%20DE%2002%20D
E%20MAIO%20DE%202024.pdf. Acesso em 15 ago. 2025.
8
Conforme declarado em notícia do site das Nações Unidas Brasil, em 2016. Disponível em:
https://brasil.un.org/pt-br/75172-rio-de-janeiro-%C3%A9-1%C2%AA-paisagem-cultural-urbana-declarada-
patrim%C3%B4nio-mundial-da-unesco. Acesso em 15 ago. 2025.
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Cultura e o CEDOM através do PIAC Programa de Iniciação Artística e Cultural, na
modalidade Residência em Equipamentos Culturais. O objetivo é apoiar o desenvolvimento do
Programa de Iniciação Artística e Cultural e institucionalizar atividades artísticas e culturais,
propiciando instrumento de formulação de política cultural no Colégio Pedro II
9
. O PIAC -
Residência em Equipamentos Culturais CEDOM teve início no ano de 2023 e vem se
consolidando como um dos melhores resultados nessa modalidade, com um número crescente
a cada ano de estudantes interessados em participar, sendo que o CEDOM anualmente é o que
recebe maior número de inscritos. O programa contempla estudantes a partir do ano do
Ensino Fundamental até o 3ªano do Ensino Médio (Regular, Integrado e PROEJA), que passam
por um processo seletivo por meio de edital, onde podem ser selecionados como bolsistas ou
voluntários. Os estudantes selecionados participam de rias atividades de educação
patrimonial, ações culturais. Por uma ação formativa educacional, aprendem sobre a história do
Colégio fortalecendo dessa forma os laços de pertencimento e identidade institucional.
É preciso destacar ainda as ações que buscam dar visibilidade ao patrimônio histórico
imaterial, que abrange: idiomas, festas, rituais, entre outros elementos, que no caso das escolas,
muitas das vezes, também ganham materialidade por meio dos registros fotográficos e
documentais feitas não apenas pelos veículos oficiais e instituições, como também por
estudantes, responsáveis e comunidade em geral.
Por meio do levantamento das fontes no acervo do NUDOM foi possível localizar
registros fotográficos dos rituais de formaturas, festas, concursos de beleza, comemorações de
datas oficiais, eventos com a presença de figuras políticas ilustres, campeonatos esportivos,
dentre outras práticas desenvolvidas ao longo dos anos pelo Colégio Pedro II, sejam internas
ou externas à instituição, especialmente nos livros organizados por funcionários e ex-
funcionários.
Ainda assim, participando dos eventos promovidos pelo Colégio e navegando pelas
páginas das redes sociais e sites institucionais vinculados aos vários campi do Colégio Pedro II
foi possível constatar que a memória institucional e coletiva tem transcendido o trabalho de
salvaguarda nos arquivos desenvolvido pelo CEDOM. Existem também várias páginas criadas
nas redes sociais por estudantes, que acabam por constituir novos espaços de salvaguarda de
memória em meios digitais, ressignificando a noção de patrimônio histórico na medida em que
9
EDITAL 23/2025 PROPGPEC - PROGRAMA DE INICIAÇÃO ATÍSTICA E CULTURAL
(RESIDÊNCIA EM EQUIPAMENTOS CULTURAIS). Disponível em:
https://www.cp2.g12.br/images/comunicacao/2025/maio/editais_propgpec/23.pdf. Acesso em: 07 out. 2025.
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são incluídos novos atores nesse processo de construção de memória, nem sempre de caráter
institucional.
O desafio está em como a instituição pode agregar todas essas fontes de informação
produzidas por e sobre o Colégio, uma vez que muitas vezes não são divulgadas em espaços
oficiais, mas têm muito a dizer sobre o cotidiano escolar, complexificando o olhar sobre o
patrimônio escolar, frente à diversidade de leituras que esses atores constroem em suas relações
com esses bens culturais.
A (IN)VISIBILIDADE DAS MULHERES
A preservação da memória institucional pelo Museu Histórico do CEDOM está
fortemente atrelada ao período imperial, momento histórico em que o estabelecimento oficial
de ensino secundário tinha grande prestígio social e um quadro docente constituído
exclusivamente por homens da elite sob indicação dos Ministros do Império, o que levou à
reflexão sobre os motivos que levaram à manutenção de uma memória atrelada aos professores
que ocuparam cargos de poder tanto nos espaços públicos quanto no interior da instituição.
Como afirma Possamai (2025, p. 4):
Os museus estão entre as instituições criadas pela humanidade para tentar reter
o turbilhão do tempo e manter a memória e, nesse sentido, têm um papel
fundamental na criação e disseminação de valores democráticos,
especialmente, de respeito da diversidade cultural e de defesa dos direitos
humanos. Os museus contêm os restos e rastros do vivido e produzido, matéria-
prima que o presente dispõe para refletir sobre o passado e suas experiências e
construir horizontes de expectativas de mundos melhores. Nesse sentido, os
museus têm o inexorável dever de memória (Ricoeur, 2000) para as futuras
gerações; cápsula do tempo que permite vislumbrar os erros cometidos para
que não sejam repetidos.
Diante de tal preocupação em construir espaços de memória e horizontes mais justos e
igualitários, refletindo não apenas sobre o direito à memória, mas ao direito a uma memória
coletiva que inclua também as mulheres, em especial as que trabalharam como professoras e
ajudaram a construir esse espaço institucional, foi trazida à tona a necessidade de discutir sobre
as relações de poder existentes tanto na sociedade quanto neste estabelecimento de ensino, que
impediram que as mulheres conseguissem ter acesso ou mesmo se manter neste espaço
privilegiado
10
.
10
Sobre o protagonismo da juventude feminina no Imperial Colégio de Pedro Segundo no século XIX, ver o artigo:
“O Protagonismo feminino no Colégio Pedro II: a inserção e atuação de estudantes mulheres no ensino
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Essas relações de poder levam ainda a problematizar as representações sociais acerca
do papel das mulheres na sociedade, as quais tiveram impacto sobre a configuração do
magistério, demarcando as diferenças existentes em relação à constituição da identidade do
professor dos cursos primários, majoritariamente constituído por mulheres, e dos cursos
secundários, exclusivamente ocupado por homens. Essa comparação amplia o olhar sobre a
história da escola e do processo de escolarização (Vidal, 2017).
Foi no período republicano, que reformas de ensino marcaram mudanças na
configuração do corpo docente do Colégio Pedro II e acabaram por democratizar o acesso à
instituição, a exemplo da reforma Francisco Campos, que ampliou o número de estudantes
gratuitos e de mulheres tanto no quadro docente quanto discente. Essas mudanças, foram
associadas por pesquisadores como Soares e Silva (2018) ao declínio e perda de prestígio da
instituição, o que nos dá indícios dos motivos pelos quais não se tenha dado a mesma ênfase à
preservação da memória referente a esse período histórico, se comparado ao anterior.
Foi a partir dessa reforma de ensino, que a formação do magistério de ensino secundário
foi alvo de “políticas de profissionalização”, como aponta Amália Dias (2008, p. 219), em seu
artigo: ““Acatá-las” ou “atacá-las”: a Congregação do Colégio Pedro II e as instruções para
concursos (1931-1946)”. Segundo a autora, a partir da criação da Faculdade de Educação,
Ciências e Letras, em 1931, os professores deveriam ser diplomados nesta instituição para
poderem atuar no ensino secundário. Essa exigência gerou uma mudança no perfil do corpo
docente do Colégio Pedro II, pois até então era constituído por: “autodidatas, profissionais
liberais, bacharéis em Engenharia, Direito, Medicina e de ex-alunos bacharéis pelo próprio
Colégio
11
, apesar de Oliveira e Costa (2020) terem indicado a presença de professoras
mulheres antes mesmo dessa reforma, entre os anos de 1926 e 1927.
A partir da Reforma de 1931, a formação para atuar no ensino primário e secundário,
que se dava em Escolas Normais e em estabelecimentos oficiais de ensino secundário, como o
CPII, passou a ser exigida em instituição de ensino superior. Essa medida ampliou as
possibilidades de acesso das mulheres à docência, pois a titulação lhes garantiria a possibilidade
secundário”, de Oliveira (2023) que apresenta a relação de alunas matriculadas entre 1883 e 1884, que foram
obrigadas a se transferirem para uma das três instituições sugeridas pelo diretor: Escola Normal da Corte, Liceu
de Artes e Ofícios ou o Curso Noturno Secundário, que funcionava no próprio Colégio.
11
Dois decretos importantes demarcaram as mudanças citadas em relação à formação do corpo docente de ensino
secundário entre 1930 e 1940: BRASIL. Decreto n. 19.890, de 18 de abril de 1931. “Dispõe sobre a organização
do Ensino Secundário”. Disponível em: www.senado.gov.br/sicon. Acesso em: 10 jul. 2007. e BRASIL.
Decreto-lei n. 21.241, de 4 de abril de 1932. “Última Lei do Ensino Secundário. Novos Programas organizados
pelo Departamento Nacional do Ensino para admissão à 1a série do curso secundário. Consolida as disposições
sobre a organização do ensino secundário e dá outras providências”. Disponível em: www.senado.gov.br/sicon.
Acesso em: 08 out. 2007.
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de concorrer tanto às vagas como professoras nos cursos primários quanto secundários, o que
em certa medida minimizou as hierarquias existentes até então.
Diante do apagamento da história das mulheres que ajudaram na construção desta
materialidade, o projeto de pesquisa: “O magistério como uma profissão feminina? Identidade
docente e percursos profissionais das primeiras professoras do Colégio Pedro II”, vinculado ao
NEPHEB/UNIRIO, vem colaborando com o CEDOM/CPII no sentido de criar um acervo
iconográfico sobre a presença feminina na instituição, buscando dar protagonismo às mulheres
e suas ações no âmbito da história da educação (Perrot, 2017), mudando assim a forma como
têm sido retratadas na e pela memória institucional. Desse modo, a interface entre História da
Educação e Educação mostra-se oportuna e estratégica para enfrentar esse grande desafio,
aproximando pesquisadores, estudantes da educação básica e do ensino superior e profissionais
responsáveis pela gestão do CEDOM.
Ao viabilizar a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, os projetos de pesquisa e
extensão da UNIRIO têm demonstrado a potencialidade do CEDOM para a formação de futuros
pedagogos e dos estudantes de Ensino Médio regular e da Educação de Jovens e Adultos do
Colégio Pedro II, Campus Centro, no sentido de sensibilizar tanto a comunidade escolar quanto
a acadêmica sobre a historicidade da educação, da escola e das mulheres na sociedade. Tendo
como base as reflexões de Michelle Perrot (2017) sobre a história das mulheres e os silêncios
na história, tem-se buscado dar visibilidade às mulheres e às fontes que as retratam,
especialmente às professoras que atuaram na instituição a partir da década de 1930 e,
consequentemente, aos espaços ocupados por elas não apenas no Colégio como também nos
demais espaços públicos.
Desse modo, a contribuição desse artigo para o dossiê: “Museus e Acervos na (da)
Escola: Memória, Patrimônio e Educação” está em explorar novas configurações e aplicações
de procedimentos, no que diz respeito à salvaguarda e abertura do acervo do CEDOM para o
público mais amplo, trazendo reflexões sobre novas possibilidades e potencialidades formativas
que, como sugere a abordagem histórica de Perrot (2017), precisam ir além de reparar as lacunas
deixadas pela dominação ou pela invisibilidade, fazendo emergir um relato histórico de
protagonismo das mulheres como agentes de sua própria história.
AS POSSIBILIDADES E POTENCIALIDADES FORMATIVAS DO CEDOM/CPII
Desde 2022, o Projeto de Extensão: “Memoriando Histórias de professores e
professoras do Colégio Pedro II”, em articulação com o projeto de pesquisa mencionado, tem
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buscado desenvolver ações que articulem ensino, pesquisa e extensão, no campo da História da
educação, em parceria com a gestão do Centro de Documentação e Memória do Colégio Pedro
II e com alguns professores e estudantes do Ensino médio do campus centro.
Além do trabalho de pesquisa documental, que agrega pesquisadores de diferentes
instituições de ensino ao projeto, estudantes do Ensino médio do próprio Colégio, que atuam
na pesquisa como bolsistas de Iniciação científica júnior, e estudantes de Graduação em
Pedagogia da UNIRIO que participam como bolsistas de extensão e pesquisa das atividades
desenvolvidas desde então, foi possível dar voz às professoras e estudantes, o apenas
levantando novas fontes e dialogando sobre elas, como também construindo novas fontes de
pesquisa.
Inicialmente, o acervo do Núcleo de Documentação e Memória do Colégio Pedro II que
seria apenas utilizado como espaço para levantamento de fontes documentais sobre a trajetória
das professoras de ensino secundário, tornou-se também um lugar de formação, uma vez que
ao terem contato com os espaços de preservação do acervo, com as fontes documentais e os
materiais do Museu Histórico, laboratórios e anfiteatro, os bolsistas se depararam com uma
infinidade de materiais que serviriam tanto como fonte quanto como objeto de pesquisa.
Por ser o prédio um patrimônio histórico, que preserva sua estrutura o mais intacta
possível ao longo de todos esses anos, foi possível perceber que nos quadros de formatura
pendurados pelos corredores do Colégio Pedro II, campus centro, que datam da década de 1930
a 1940, por exemplo, a presença de algumas poucas alunas; no Salão Nobre, ainda se pode ver
os nomes dos primeiros professores que ocuparam as cadeiras das matérias lecionados no curso
secundário; na estrutura do prédio, nota-se os resquícios das salas onde funcionavam os
dormitórios do internato, antes de ser transferido em 1857 para outro prédio, e das saídas
distintas de homens e mulheres, indicando que mesmo depois da entrada de mulheres na
instituição, houve ainda por um tempo segregação entre os sexos em seu interior.
E ainda o Museu Histórico, mencionado anteriormente, que ao expor objetos,
periódicos estudantis, uniformes e materiais didáticos, assume também um caráter pedagógico.
Apesar de toda essa riqueza material, as fontes o se demonstraram suficientes para o
desenvolvimento do atual projeto, que abarcou também a pesquisa digital nos impressos da
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional e no Sistema de Informações do Arquivo Nacional
(SIAN).
Para além de descrever o processo de desenvolvimento da pesquisa documental, o que
se quer identificar é a experiência formativa proporcionada aos estudantes, que foram traçando
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estratégias e caminhos próprios para superar a ausência de fontes ou de informações que
permitissem identificar as mulheres encontradas nas fotos e demais fontes documentais.
Os estudantes também puderam reconstruir trajetórias de professoras, a partir das fontes,
e construir verbetes para publicação nas redes sociais, que se tornou um novo espaço de
preservação de memória bem como de divulgação das pesquisas produzidas pelos mesmos.
Como a própria instituição encontra dificuldades em catalogar, cuidar e digitalizar
um acervo que conta com poucos recursos humanos para milhares de fontes disponíveis, foi
proposto então a criação de um acervo iconográfico das professoras, com o apoio dos bolsistas,
não apenas para ficar disponível para os pesquisadores, como para toda a comunidade, nas redes
sociais.
A participação dos estudantes ocorreu também no sentido de difundir entre os próprios
colegas as atividades que vêm desenvolvendo, seja por meio de eventos acadêmicos como a
Semana de Educação e a Semana de Integração Acadêmica, que ocorrem anualmente na Unirio,
seja nas rodas de conversa, que ocorrem anualmente no Colégio Pedro II campus centro, ao
longo do segundo semestre, em três a quatro encontros mensais, contemplando estudantes do
Ensino Médio e do Proeja.
Na primeira edição, em 2023, os encontros abordaram diversas temáticas, tais como: a
presença feminina no Colégio Pedro II no século XIX; as primeiras alunas e professoras e as
reformas de ensino; a ampliação do número de mulheres no quadro de professores e estudantes
no ensino secundário; as mulheres na ciência; as produções das professoras e estudantes do
Colégio Pedro II em periódicos estudantis, revistas, imprensa, livros didáticos, teses, etc, e sua
participação em eventos científicos e pesquisas; as representações das mulheres na imprensa
carioca; acervos iconográficos sobre a presença feminina no Colégio Pedro II; a presença das
mulheres nas obras memorialísticas do Colégio Pedro II; as mulheres negras; as mulheres nas
fotos de turmas de formatura e no acervo do NUDOM; os uniformes escolares; a atuação de
movimentos feministas na ampliação do acesso à educação; a abertura para novas identidades
de gênero; as experiências e vivências nas dependências da escola na atualidade; apresentação
de núcleos, coletivos e laboratórios existentes no Colégio Pedro II
12
.
As trocas de experiência e diálogos estabelecidos durante as rodas de conversa entre os
pesquisadores, bolsistas, professores e demais alunos, embora restrita ao Campus Centro, foram
12
A organização da atividade desenvolvida junto aos estudantes do Ensino Médio regular do campus centro pode
ser vista no site do Colégio Pedro II. Disponível em: https://blog.cp2.g12.br/centro/2023/04/27/projeto-
memoriando-historia-de-professores-e-professoras-do-colegio-pedro-ii-realiza-4-encontros-no-campus-centro/.
Acesso em: 04 out. 2025. Bem como os verbetes produzidos pelos bolsistas podem ser acompanhados na página:
https://www.instagram.com/memoriandohistorias/. Acesso em 04. out. 2025.
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ajudando no processo de (re)construção das trajetórias de pesquisa, na medida em que os
estudantes ao exporem seus interesses e necessidades, foram dando novas configurações à
memória institucional, e própria roda de conversa foi se constituindo como espaço intrínseco
de construção de uma memória coletiva e também ajudou a delimitar os temas das ações
seguintes, que ocorrem em 2024 e 2025
13
.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Buscando romper com a visão de patrimônio como “documentos à disposição dos
historiadores da educação”, buscou-se com a experiência relatada demonstrar que por meio da
articulação entre ensino, pesquisa e extensão, e entre educação básica e ensino superior, os
espaços para construção de uma memória coletiva não precisam se deter à materialidade dos
prédios e documentos, embora tenha sido demonstrada ao longo destas páginas a importância
dos Centros de memória, museus e arquivos escolares na construção e preservação do
patrimônio para as gerações futuras.
Ainda assim, é preciso levar em consideração que esses espaços institucionais não o
os únicos em que se pode construir uma memória institucional coletiva. Atualmente, despontam
meios digitais como as redes sociais e espaços não institucionais que também podem se
constituir como espaço de construção e preservação desse patrimônio cultural material ou
imaterial que se busca preservar.
Além disso, é preciso ter em vista que no nosso país pouco incentivo público às
políticas voltadas para a preservação dos acervos escolares, como demonstrado nos exemplos
trazidos neste texto, do CEPEMHED e CEDOM, localizados no Estado do Rio de Janeiro, que
embora tenham enfrentado problemas de causas distintas, convergem no sentido de que apesar
de todos os esforços dos profissionais que neles atuam, ambos têm suas ações limitadas por
falta de espaço físico e/ou de recursos humanos suficientes para desenvolverem suas atividades.
Ainda que se considere a importância de propor novos espaços não institucionais de
construção de memória, como por exemplo, as redes sociais, estes não são tidos aqui como
substitutos dos Centros de Memória, Museus e Arquivos escolares. Pelo contrário, a intenção
foi apresentar meios de ampliar as possibilidades e potencialidades formativas desses espaços
institucionais, viabilizadas por meio do estabelecimento de parcerias entre as instituições de
13
Nas duas últimas edições, as rodas foram voltadas para os estudantes do Proeja, abarcando também temáticas
que envolvem a relação entre gênero, trabalho e precarização.
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gestão, escolas e Universidades, de modo a garantir a interface entre a história da educação e a
educação.
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Recebido em: 17 de outubro de 2025.
Aceito em: 08 de dezembro de 2025.