ISSN 2447-746X
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ARQUIVAR MEMÓRIAS, LEGAR HISTÓRIAS: O ACERVO DE JORNAIS
ESCOLARES NO ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
(APESC)
Cristiani Bereta da Silva
Universidade do Estado de Santa Catarina, UDESC, Brasil
cristianibereta@gmail.com
Reginaldo Paulo Giassi
Universidade do Estado de Santa Catarina, UDESC, Brasil
reginaldo.giassi@gmail.com
RESUMO
Este artigo trata do contexto de produção de jornais escolares entre as décadas de 1930 e 1950,
destacando a importância do Arquivo Público do Estado de Santa Catarina (Apesc) para sua
salvaguarda. Em Santa Catarina, a partir da década de 1930, jornais - juntamente com outras
associações auxiliares - passaram a ser prescritos às escolas pelo Departamento de Educação.
Mais do que uma proposta de renovação pedagógica, denominada moderna e voltada ao preparo
dos estudantes para questões práticas, os jornais escolares tornaram-se, especialmente no
Estado Novo (1937-1945), instrumentos de nacionalização. A elaboração dos jornais era
normatizada e controlada por circulares, decretos e visitas de inspetores escolares. Havia, ainda,
a obrigatoriedade de que, pelo menos, um exemplar de cada jornal produzido fosse enviado ao
Departamento de Educação, para registro e arquivo. É provável que as políticas autoritárias do
período tenham contribuído para que milhares de exemplares de jornais de escolas catarinenses
pudessem sobreviver às intempéries do tempo, guardados e preservados no Apesc. Dos 1.385
jornais inventariados na pesquisa Jornais escolares como culturas de memória (1895-1975),
desenvolvida por integrantes do grupo de pesquisa Ensino de História, Memória e Culturas
(CNPq/Udesc), 1.368 títulos e cerca de 29,8 mil exemplares encontram-se no Apesc. Eles estão
organizados em 207 códices, que fazem parte do fundo Escolas/Grupos Escolares. É possível
que esse Arquivo guarde e preserve a maior quantidade de jornais escolares, no Brasil, talvez
até da América Latina, contribuindo para que parte significativa do patrimônio histórico-
educativo nacional possa ser conhecido e legado às gerações futuras.
Palavras-chave: Jornais escolares. Arquivos Públicos. Santa Catarina, Brasil. Patrimônio
histórico-educativo.
ARCHIVAR MEMORIAS, LEGAR HISTORIAS: EL ACERVO DE
PERIÓDICOS ESCOLARES EN EL ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA
CATARINA (APESC)
RESUMEN
Este artículo aborda el contexto de producción de los periódicos escolares entre las décadas de
1930 y 1950, destacando la importancia del Arquivo Público do Estado de Santa Catarina
(Apesc) para su salvaguarda. En el Estado de Santa Catarina, a partir de la década de 1930,
periódicos junto con otras asociaciones auxiliares pasaron a ser prescritos a las escuelas
por el Departamento de Educación. Más que una propuesta de renovación pedagógica
denominada moderna, orientada a preparar a los estudiantes para cuestiones prácticas, los
periódicos se convirtieron, especialmente durante el Estado Novo (1937-1945), en dispositivos
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de nacionalización. Circulares, decretos y visitas de inspectores escolares normatizaban y
controlaban su elaboración. Existía, además, la obligatoriedad de que las escuelas enviaran al
menos un ejemplar de cada periódico producido al Departamento de Educación, para su registro
y archivo. Es probable que las políticas autoritarias del período hayan contribuido a que miles
de ejemplares de periódicos de escuelas catarinenses sobrevivieran a las inclemencias del
tiempo, resguardados y preservados en el Apesc. De los 1.385 periódicos inventariados en la
investigación Jornais escolares como culturas de memória (1895-1975), desarrollada por
integrantes del grupo de investigación Ensino de História, Memória e Culturas (CNPq/Udesc),
1.368 títulos y cerca de 29.800 ejemplares se encuentran en el Apesc, organizados en 207
códices que forman parte del fondo Escolas/Grupos Escolares. Es posible que este archivo
conserve y preserve la mayor cantidad de periódicos escolares de Brasil, y tal vez incluso de
América Latina, contribuyendo a que una parte significativa del patrimonio histórico-educativo
nacional pueda ser conocido y legado a las generaciones futuras.
Palabras clave: Periódicos escolares. Archivos Públicos. Santa Catarina, Brasil. Patrimonio
histórico-educativo.
ARCHIVING MEMORIES, BEQUEATHING HISTORIES: THE SCHOOL
NEWSPAPERS AT THE ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
(APESC)
ABSTRACT
This article examines the context of the production of school newspapers from Santa Catarina
between the 1930s and 1950s, highlighting the importance of the Arquivo Público do Estado
de Santa Catarina (Apesc) in safeguarding them. In Santa Catarina, starting in the 1930s, school
newspapers - along with other auxiliary associations - were made mandatory for schools by the
Department of Education. More than a so-called modern pedagogical renewal proposal aimed
at preparing students for practical matters, school newspapers became, especially during the
Estado Novo (19371945), instruments of nationalization. Circulars, decrees, and visits by
school inspectors standardized and controlled their production. Schools were also required to
send at least one copy of each newspaper produced to the Department of Education for
registration and archiving. It is reasonable to assume that the authoritarian policies of the period
contributed to the fact that thousands of copies of Santa Catarina school newspapers survived
the ravages of time, stored and preserved at Apesc. Of the 1,385 newspapers inventoried in the
research Jornais escolares como culturas de memória (1895-1975), conducted by members of
the Ensino de História, Memória e Culturas research group (CNPq/Udesc), 1,368 titles and
approximately 29,800 copies are at Apesc, organized into 207 codices that are part of the
Escolas/Grupos Escolares fonds. This archive likely holds and preserves the largest number of
school newspapers in Brazil, perhaps even in Latin America, contributing to ensuring that a
significant part of the country's historical and educational heritage is known and passed on to
future generations.
Keywords: School newspapers. Public Archives. Santa Catarina, Brazil. Historical-educational
heritage.
ARCHIVER DES MÉMOIRES, TRANSMETTRE DES HISTOIRES: LE
FONDS DE JOURNAUX SCOLAIRES AUX ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE
SANTA CATARINA (APESC)
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RÉSUMÉ
Cet article analyse le contexte de production des journaux scolaires à Santa Catarina entre les
années 1930 et 1950, en soulignant l’importance de l’Arquivo Público do Estado de Santa
Catarina (Apesc) dans leur sauvegarde. À partir des années 1930, les journaux aux côtés
d’autres associations auxiliaires furent prescrits aux établissements par le Département de
l’Éducation. Plus qu’une proposition de rénovation pédagogique dite moderne, visant à préparer
les élèves à des questions pratiques, ces journaux devinrent, surtout durant l’Estado Novo
(1937-1945), des instruments de nationalisation. Circulaires, décrets et visites d’inspecteurs
scolaires normaient et contrôlaient leur élaboration. Les écoles étaient tenues d’envoyer au
moins un exemplaire de chaque journal produit au Département de l’Éducation, afin d’assurer
leur enregistrement et leur archivage. Il est probable que les politiques autoritaires de l’époque
aient contribué à la préservation de milliers d’exemplaires de journaux scolaires, aujourd’hui
conservés à l’Apesc. Parmi les 1 385 journaux inventoriés dans la recherche Jornais escolares
como culturas de memória (1895-1975), développée par le groupe de recherche Ensino de
História, Memória e Culturas (CNPq/Udesc), 1.368 titres et environ 29.800 exemplaires se
trouvent à l’Apesc, organisés en 207 codex intégrés au fonds Escolas/Grupos Escolares. Cet
archive constitue probablement la plus vaste collection de journaux scolaires au Brésil, voire
en Amérique latine, et contribue à ce que ce patrimoine historico-éducatif significatif puisse
être connu et transmis aux générations futures.
Mots-clés: Journaux scolaires. Archives Publiques. Santa Catarina, Brésil. Patrimoine
historique-éducatif.
INTRODUÇÃO
A imprensa estudantil - também chamada de imprensa escolar ou de jornais escolares -
constitui uma das expressões mais significativas da cultura escolar moderna. Surgida no século
XIX, ela acompanha a expansão da imprensa e da instrução pública, articulando-se a projetos
de formação cívica e à consolidação dos Estados-nação (Racine, 2020; Chiosso, 2019). No
Brasil, como observam Laís Martineli e Maria Cristina Machado (2021), seus primeiros
exemplares datam de 1845 e se tornam mais frequentes a partir da década de 1870. Entre as
experiências pioneiras destacam-se O Porvir, de Sergipe (1874) (Rodrigues, 2016), A Mocidade
Piauhyense, do Piauí (1884) (Lima, 2020), e O Estudante, de Santa Catarina (1895) (Silva et
al., 2023). São iniciativas que evidenciam a inserção dos estudantes na cultura escrita e o lugar
da escola como espaço de sociabilidade.
A partir da década de 1920, os jornais escolares passam a integrar práticas de renovação
pedagógica nas instituições de ensino brasileiras. Esse movimento se intensifica na década de
1930, período em que se observa uma aproximação com o método de Célestin Freinet (1974),
que valorizava a produção de textos livres e o uso de jornais como técnica ativa no processo
educativo. A circulação dessas ideias é evidenciada por referências ao “método Freinet”
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presentes na imprensa desde 1931, como em artigo publicado no Diário de Notícias, do Rio de
Janeiro (O Problema, 1931, p. 7), além de menção na obra Jornais Escolares, de Guerino
Casasanta (1939). Entre as décadas de 1930 e 1950, a produção desses periódicos se multiplica
em diversos Estados, especialmente nas escolas primárias, que passam a adotar princípios do
movimento Escola Nova. Essa tendência estabelece afinidades com as propostas de Freinet,
incluindo experiências em Santa Catarina (Martins; Rabelo, 2020).
No contexto catarinense, os registros mais antigos de jornais escolares remontam ao
final do século XIX, acompanhando o movimento observado nacionalmente. Em Florianópolis
encontram-se exemplares de O Estudante
1
, de 1895 (manuscrito) e de 1898 (impresso), ambos
do Ginásio Catarinense
2
. Já no Colégio Itajaí, subvencionado pelo município, tem-se o Boletim
Escolar (impresso), de 1905. Do Colégio Municipal de Joinville que, a partir de 1911, passou
a se chamar Grupo Escolar Conselheiro Mafra -, há o registro de O Escolar
3
, de 1907 (também
impresso), assinado por estudantes do ano misto. Embora essas iniciativas indiquem
circulação de práticas de escrita, a produção de jornais escolares como prática pedagógica
sistematizada só ganharia força no Estado a partir da década de 1930.
É importante notar que esse conjunto de documentos não corresponde ao que Freinet
(1974) definiu como “textos livres”. Nos jornais produzidos entre o final do século XIX e a
década de 1920, a participação estudantil era restrita a colaborações pontuais, enquanto a
concepção e a edição permaneciam sob responsabilidade do diretor ou de um professor da
escola. Ainda assim, esses impressos indicam tentativas de aproximação com princípios da
pedagogia moderna. O Escolar, do Liceu Infantil de Canoinhas, por exemplo, associava o
“ensino intuitivo” a práticas de renovação pedagógica já em 1919. A partir de 1935, quando os
jornais escolares - junto às demais associações auxiliares
4
- passaram a ser prescritos às escolas
1
Todos os jornais escolares mencionados neste artigo constam em um catálogo preliminar (Silva et al, 2023)
disponível online. Com recursos da Fapesc, está em desenvolvimento um Portal que reunirá um catálogo
interativo e outros materiais sobre os jornais inventariados, com lançamento previsto para 2026.
2
Instituição fundada pelo poder público estadual, em 1892 (sendo refundada em 1894). A iniciativa fracassou e,
em 1905, ela foi fechada. Em seu lugar, surgiu o Ginásio Santa Catarina - hoje Colégio Catarinense - fruto de
uma parceria entre o governo catarinense e o alto clero católico, que delegou o ensino secundário da capital à
Companhia de Jesus.
3
Esses jornais são do acervo da Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina. Digitalizados, em parceria com o
Instituto de Investigação e Documentação em Ciências Humanas (IDCH/Faed/Udesc), estão disponíveis para
consulta e download na Hemeroteca Digital Catarinense: http://hemeroteca.ciasc.sc.gov.br/.
4
Clubes agrícolas e jornais escolares eram mencionados na imprensa local em 1935, associados às iniciativas
da Sociedade Amigos de Alberto Torres. A Revista de Educação, voltada ao professorado catarinense e publicada
entre 1936 e 1937, traz diversas referências a clubes agrícolas e jornais escolares, então chamados de associações
periescolares, auxiliares ou complementares à escola. A partir de 1937, outras práticas passaram a integrar esse
conjunto, como Biblioteca, Clube de Leitura, Liga da Bondade, Liga Pró-Língua Nacional, Museu Escolar,
Pelotão de Saúde e Orfeão. Essas associações, prescritas às escolas primárias públicas e particulares, tinham
como objetivo envolver coletivamente os estudantes em atividades concretas, consideradas preparatórias para a
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públicas e particulares, sua função foi explicitamente vinculada ao propósito de “modernizar o
ensino catarinense”. Essa política, que também dialogava com o projeto de nacionalização em
curso desde o final do século XIX e recrudescido durante o Estado Novo (1937-1945), conferiu
aos jornais uma dupla missão: atuar como instrumento de uma educação considerada moderna
e, simultaneamente, promover a formação cívico-patriótica.
Desde 2019, a pesquisa Jornais escolares como culturas de memória
5
vem localizando
e inventariando jornais de escolas primárias e secundárias catarinenses produzidos entre o final
do século XIX e a década de 1970. Pela amplitude do material reunido, o projeto foi organizado
em duas etapas complementares. A primeira dedica-se à localização e ao inventário de jornais
escolares preservados em bibliotecas e arquivos públicos e particulares do Estado, com o
objetivo de elaborar e disponibilizar um catálogo dos tulos identificados. A segunda
concentra-se na sistematização do conjunto, privilegiando as séries mais longas - cinco anos ou
mais, sem grandes interrupções - para a construção de sequências diacrônicas e sincrônicas que
permitam análises mais aprofundadas.
Na etapa de localização, foram catalogados todos os jornais de escolas primárias e
secundárias identificados como produção de estudantes, mesmo quando elaborados sob
mediação ou controle docente. Foram excluídos do inventário os periódicos ligados a
faculdades, cursos profissionais (exceto Escolas Normais) e os de caráter exclusivamente
literário ou religioso. O levantamento inicial levou à ampliação do recorte cronológico: de
1930-1960 para 1890-1970. O recuo para 1890 ocorreu devido à identificação de exemplares
mais antigos, o que permitiu novas análises sobre a continuidade dessas práticas ao longo do
século XX. O limite superior, fixado em 1970, justifica-se pela longevidade de alguns jornais
iniciados nas décadas de 1940 ou 1950. Um caso emblemático é O Estudante Orleanense, do
Grupo Escolar Costa Carneiro, de Orleans, com exemplares de 1941 a 1973, totalizando 32
vida adulta. Cabia aos alunos assumir as tarefas necessárias ao funcionamento de cada associação dentro da
escola, sempre sob orientação de um docente.
5
Sob a coordenação da Profa. Cristiani Bereta da Silva, o projeto é desenvolvido por docentes e por estudantes da
graduação e da pós-graduação em História (PPGH) e em Ensino de História (ProfHistória) da Udesc, integrantes
do grupo de pesquisa Ensino de História, Memória e Culturas, vinculado ao Laboratório de Ensino de História
(Leh/Udesc). participaram como bolsistas de Iniciação Científica (IC) os então estudantes dos cursos de
Licenciatura e Bacharelado em História: Carlos Henrique Gesser, Eduardo Mafei Estácio Dutra, Enzo Goulart
Costa Grando, Iasmim Eger Sasso, Pedro Henrique Del Castanhel e Ryan Venera Martins. A partir de 2025,
foram integradas como bolsistas de IC as estudantes Angélica Macedo, Lívia Ferreira Correia e Maria Fernanda
do Nascimento Gomes. Participa diretamente do projeto Karla Andrezza Vieira, em estágio pós-doutoral no
ProfHistória. Compõem ainda a equipe os doutorandos do PPGH Reginaldo Paulo Giassi, Malcon Tonini e Fábio
Will; os mestrandos do ProfHistória Ariane Cristina Batista e Adalberto Schalinski; e Alessandra Kuster,
mestranda do PPGH. Colaboram também a Profa. Luciana Rossato (Udesc) e Anne Caroline Peixer Abreu Neves
(Sed/Furb). A pesquisa é financiada pelo CNPq, por meio de bolsas, e pela Fapesc, tanto em apoio à infraestrutura
dos grupos de pesquisa da Udesc quanto por meio do Edital de Chamada Pública Universal nº 21/2024.
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anos de circulação contínua e mais de 70 números disponíveis para pesquisa. também
situações posteriores que merecem destaque, como O Girafinha (19751988), da Escola Nossa
Senhora da Salete, em Maravilha, preservado na biblioteca da instituição. Embora produzido a
partir de 1975, o jornal mantém características editoriais muito próximas às prescritas pelo
Departamento de Educação décadas antes, evidenciando a persistência dessas iniciativas
mesmo após o fim das prescrições e controles estatais.
A elaboração inicial do projeto baseou-se nas referências a jornais escolares encontradas
em relatórios de inspeção e de governo catarinense das décadas de 1930 e 1940. Esses
documentos registravam cerca de 500 títulos, em sua maioria vinculados ao ensino primário,
escolas isoladas, reunidas, grupos escolares e cursos complementares. Essa predominância
reforçava a revisão bibliográfica realizada naquele momento, queapontava maior volume de
jornais do Primário em relação ao Secundário. Isso se explicava não apenas pela quantidade
superior de instituições primárias, mas também pelo fato de que as políticas voltadas às
associações auxiliares não tinham o ensino secundário como alvo principal. Apesar disso, os
jornais do Primário mostravam-se mais difíceis de localizar, pois raramente apresentavam
séries preservadas, ao contrário dos do Secundário, que tendiam a formar conjuntos mais
contínuos e acessíveis. Bastos (2015, p. 28) observou que grande parte desses impressos
primários, no Brasil, encontrava-se misturada a relatórios, em acervos onde era “difícil localizar
coleções completas, somente alguns exemplares”, o que tornava impossível “rastrear seu ciclo
de vida e de produção”.
As idas aos arquivos mostraram que, em Santa Catarina, o cenário difere ao de outros
Estados brasileiros. A começar pelos números: até 2025, foram identificados 1.385 tulos e
cerca de 29.950 exemplares. Soma-se a isso a natureza do conjunto preservado. A maioria dos
jornais pertence a escolas primárias, enquanto apenas 2% estão ligados ao ensino secundário.
Também são as escolas primárias que concentram as séries mais longas, muitas delas com mais
de cinco anos de publicação. Esse volume expressivo de documentos tornou o andamento do
projeto lento e exigente. Foram muitas horas dedicadas às visitas aos arquivos, à identificação
de novos títulos ou números, à descrição de características e à organização do acervo. Quase
todos os jornais não digitalizados, cerca de 99%, precisaram ser fotografados. Depois disso, as
informações foram sistematizadas em planilhas e distribuídas em centenas de pastas e
subpastas, agora armazenadas em computadores, HDs externos ou nuvens.
A maior parte desse material (99%) foi localizada no Arquivo Público do Estado de
Santa Catarina (Apesc), integrando o fundo “Escolas/Grupos Escolares”. Nesse conjunto, além
dos jornais, encontram-se relatórios de inspeção, atas de reuniões pedagógicas, registros das
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associações auxiliares, cartas, ofícios, programas de festas cívicas e outros documentos
produzidos por escolas públicas e particulares de diferentes regiões do Estado. A Gerência de
Recuperação Documental do Apesc
6
não possui registro formal do recebimento desse acervo,
mas é provável que ele tenha sido incorporado quando o Arquivo foi criado. A Lei nº 2.378, de
28 de junho de 1960, instituiu o Arquivo, então vinculado à Secretaria de Estado dos Negócios
do Interior e Justiça, pasta que, até 1952, acumulava também as áreas de educação e saúde. No
entanto, a história do Apesc antecede esse marco legal. Desde o final do século XIX, a
documentação pública estava sob responsabilidade da Secretaria do Interior e Justiça, órgão ao
qual o Departamento de Instrução Pública (extinto em 1935, com a criação do Departamento
de Educação) era administrativamente subordinado. em 1918, documentos considerados
relevantes à memória do Estado eram reunidos no Palácio do Governo, sede dessa Secretaria.
Esse acervo permaneceu ali até 1971, quando o Apesc mudou de endereço pela primeira vez.
Essa antiga vinculação administrativa e espacial com a instrução pública contribui para explicar
a presença, hoje, de milhares de documentos escolares sob a guarda do Arquivo.
O valor histórico desse acervo ultrapassa o plano descritivo, pois ele permite
compreender a memória sob diferentes planos que entrecruzam dimensões históricas, políticas
e simbólicas (Silva, 2025). Assume-se que a inteligibilidade desses jornais, como memórias
arquivadas (Ricoeur, 2007), é inseparável da história do Apesc. A compreensão desse processo
deve considerar que sua criação e consolidação, como instância técnica de armazenamento e
salvaguarda, passam pelas finalidades e expectativas em relação a memória catarinense que se
queria legar ao futuro. Mais do que um repositório de documentos, o Apesc representa um
espaço de disputas em torno da memória coletiva e da legitimidade de determinadas narrativas,
hegemônicas ou silenciadas, sobre o passado.
Paul Ricoeur (2007), usa o mito de Fedro
7
para refletir sobre as relações entre memória
e história na primeira parte da operação historiográfica, denominada por ele de fase documental,
ou memória arquivada. Na etapa do arquivo, ocorreria, segundo ele, uma mudança no estatuto
do testemunho, ele passaria de memória viva à escrita, sua sedimentação, e se transformaria em
memória arquivada. O poder de arquivar implica escolher sobre o que lembrar e o que esquecer.
É sobre esse processo que Ricoeur (2007, p. 178) instiga reflexões, apontando que talvez “não
6
Registra-se aqui um agradecimento público à equipe do Apesc, pela atenção dedicada às demandas apresentadas
pelo projeto. Como representante desse grupo, destacamos a Profa. Me. Juçara Nair Wolff, gerente de arquivo
permanente, cuja parceria tem sido fundamental para o andamento da pesquisa.
7
Fedro, de Platão, é um texto filosófico, em forma de diálogo, escrito por volta de 370 a. C.
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saibamos jamais, se a passagem do testemunho oral ao escrito, ao documento de arquivo, é,
quanto à sua utilidade ou inconvenientes para a memória viva, remédio ou veneno”.
Sob algumas circunstâncias, a mutação aqui tratada - práticas escolares selecionadas
para serem narradas em jornais até seu arquivo, no Apesc - poderia ser lida como “remédio
para a memória coletiva. Interpretação assentada, sobretudo, na relevância do patrimônio
histórico-educativo salvaguardado, marcado historicamente pela excepcionalidade da sua
preservação. Vestígios do passado da educação no Brasil, especialmente documentos do
cotidiano escolar, como mapas, diários, cadernos, livros, jornais etc., muitas vezes desaparecem
“destruídos pela ação do tempo e do abandono em espaços esquecidos como porões,
almoxarifados, sótãos, galpões etc. em diferentes instituições e regiões do país” (Silva, 2020,
p. 209). Em razão disso, pesquisadores brasileiros
8
vêm chamando a atenção sobre o fato de
que a preservação do patrimônio educativo no Brasil exige deslocamentos de racionalidades e
ações objetivas de entidades, agências de financiamento e políticas públicas.
Compreende-se que esses documentos possuem características específicas: são vestígios
tanto da cultura material da escola, o jornal físico, quanto imaterial, pois como culturas de
memória eles descrevem práticas e experiências de tempos passados. O uso do termo
“patrimônio histórico-educativo”, e não apenas histórico ou educativo, é uma escolha política
que busca enfatizar simultaneamente as dimensões históricas e educativas desse patrimônio,
especialmente suas especificidades como “restos” de escolas, ou seja, vestígios de
materialidades com memórias, segundo Agustin Escolano Benito (2017). Há, assim, um
compromisso em assumir que “a memória, definitivamente, é um componente estruturador de
toda a cultura da escola” (Escolano Benito, 2017, p. 185) e que deve ser preservada como
legado. Ao mesmo tempo, essa perspectiva não impede, ao contrário, exige, que tanto as
práticas que possibilitaram sua preservação quanto sua própria materialidade, objetiva e
subjetiva, sejam analisadas e interpretadas criticamente pelos historiadores.
UM ARQUIVO E SEUS JORNAIS ESCOLARES: UMA HISTÓRIA DE MEMÓRIAS
ARQUIVADAS
Temos, conforme já narrei, 157 jornais escolares, 44 clubes agrícolas, mais de
100 bibliotecas, muitos museus em perspectiva, caixas escolares em todos os
grupos escolares e algumas escolas rurais, enfim, uma porção de organizações
8
Ver, por exemplo, o documento intitulado “Carta de Natal” (2024), elaborado por pesquisadores da área de
História da Educação integrantes do Grupo de Trabalho sobre Patrimônio Educativo (SBHE, Anped, Asphe),
que estabelece princípios e objetivos para a identificação, preservação e valorização do patrimônio educativo
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escolares que vem, não só dar novas diretrizes aos trabalhos, como contribuir
para a melhor aparelhagem da nova geração. É pena que ainda não possamos
contar com o auxílio desse Ministério para maior vulto desse trabalho de tão
elevado alcance na educação de uma infância que se prepara para ser o homem
que a Pátria requer. (Areão, 1937, p. 3-4)
9
.
Entre as décadas de 1930 e 1940, com reverberações nos anos 1950, a cultura escolar
catarinense foi marcada por práticas pedagógicas voltadas à modernização e à nacionalização,
reforçadas pelo projeto de Estado Novo. Ideais de “novo” e “moderno”, mobilizados em
discursos políticos e intelectuais, estruturaram intervenções diretas na escola e nos sujeitos da
educação. As associações auxiliares desempenhavam papel central nesse processo (Otto, 2012).
Funcionavam como pequenas organizações dentro das escolas, destinadas a promover
experiências concretas de vida adulta, oportunizando que as crianças exercitassem cooperação
enquanto aprendiam formas de servir à Nação.
Pode-se afirmar que Santa Catarina foi um solo fértil para a implementação de tais
práticas, não apenas pelas ideias de renovação pedagógica que lhes eram inerentes, mas porque
poderiam operar como dispositivos da nacionalização. Por meio das escolas se alcançavam
também as famílias e, a dos descendentes de imigrantes alemães e italianos, eram o principal
alvo. Nas primeiras cadas do século XX, discursos de políticos e intelectuais punham em
dúvida a brasilidade do Estado, em meio a acusações de que convivia com o “perigo alemão”
(Campos, 2004; Falcão, 2004). A presença significativa de descendentes de europeus, aliada à
persistência de línguas estrangeiras nas zonas coloniais até a década de 1930, exigiam um
aparato mais eficaz de intervenção e controle por parte do governo (Silva, 2014).
Era preciso ensinar as crianças catarinenses “a serem brasileiras” e construir uma
“cultura de brasilidade” no Estado. Esse contexto contribuiu para que as referências às
associações auxiliares e, principalmente aos jornais escolares - se tornassem constantes e
progressivas nos documentos oficiais do Departamento de Educação, como circulares e
decretos, emitidos entre 1937 e 1945. Inspetores de ensino recebiam instruções para observar a
existência e o bom funcionamento dessas associações, enquanto diretores e professores eram
estimulados a criá-las e promovê-las nas escolas.
O relatório de João dos Santos Areão, inspetor federal das escolas subvencionadas no
Estado, datado de 10 de abril, de 1937, cujo excerto está no início desta discussão, é um exemplo
disso. Fiscalizava-se sua existência, apontava-se sobre seu funcionamento e finalidade: cumprir
9
Com o objetivo de facilitar a leitura e garantir a acessibilidade dos textos históricos, todos os documentos citados
tiveram sua grafia adaptada às normas ortográficas vigentes da Língua Portuguesa. Essa atualização foi realizada
sem qualquer alteração no conteúdo ou no sentido original dos documentos.
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a missão de educar para o futuro da Pátria. No relatório citado, Areão (1937, p. 2) chama a
atenção para o desafio, em particular, que se apresentava naquele momento: “Sobre os ombros
do seu dirigente está uma das mais difíceis tarefas - nacionalizar. Tudo que os governos
empregassem para esse fim não será demasiado, pois temos diante dos olhos um campo
vastíssimo de combate”. Educar, nacionalizar, civilizar são termos que aparecem quase como
correlatos da “escola ativa”, moderna, que se pretendia implantar entre o professorado
catarinense.
Da descrição sobre as conquistas pedagógicas, destaca-se a quantidade de títulos de
jornais existentes nas escolas catarinenses: 157. Em 1941, o relatório de Nereu Ramos (1942),
apresentado à Presidência da República, informa que esse conjunto alcançava 432 títulos,
número que continuaria a crescer nos anos seguintes. Os jornais ganharam destaque como
instrumento de nacionalização, pois eram espaços de textos escritos em língua vernácula e de
descrições de variadas práticas de culto à pátria e aos seus dirigentes. Cabia-lhes também
divulgar as atividades das demais associações auxiliares que funcionavam nas escolas (Figura
1 e 2):
Figura 1: A Abelha, Escola Isolada de
Lagoa do Sul, Canoinhas.
Figura 2: Nosso Jornal, Grupo Escolar
Pedro II, Blumenau.
Fonte: A ABELHA (abr. 1941). Fotografia da
Equipe do Projeto, 22 de maio 2023. Acervo:
Apesc.
Fonte: NOSSO JORNAL (ago. 1949).
Fotografia da Equipe do Projeto, 13 de maio
2024. Acervo: Apesc.
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Documentos como circulares, atas e relatórios informam que, quando manuscritos, cada
escola deveria elaborar ao menos três cópias de cada edição: duas para a própria instituição -
uma destinada ao arquivo, outra à circulação entre os estudantes e a comunidade - e uma terceira
para envio, junto da correspondência oficial, ao Departamento de Educação. No caso dos
impressos, não havia indicação de tiragem mínima
10
, mas as orientações eram idênticas quanto
à necessidade de circulação, de preservação de um exemplar na escola e de remessa ao
Departamento. Na capital, cada jornal recebia um carimbo na capa ou em uma de suas páginas,
indicando a data da conferência, além de um “visto”, representado por um “C” ou um L” em
cores vermelha ou azul. As Figuras 1 e 2 exemplificam os principais formatos dos jornais
preservados no Apesc: manuscritos em folhas de papel almaço (os mais comuns) e impressos
em formato tabloide, com carimbo e vistos.
A força do aparato administrativo estatal conseguiu estabelecer uma eficaz rede de
controle sobre a escola, deixando marcas duradouras sobre seu funcionamento e suas práticas.
Indicativo disso é que algumas associações ultrapassaram a década de 1950, mesmo após o final
das fiscalizações e obrigatoriedades impostos pelo Estado. Os jornais figuram entre aquelas
com a vida mais longeva. exemplares deles, redigidos no mesmo modelo prescrito nas
décadas de 1930 e 1940, até a década de 1970 (Cunha; Silva, 2020, Silva; Vieira, 2024).
Documentos mostram que eles eram percebidos naquele passado como uma memória a ser
legada ao futuro, talvez resida a chave para sua existência e, principalmente, sua preservação:
O jornal representa uma coleção de trabalhos que se concentra em um todo,
e assim, para, no futuro, poderem os novos alunos conhecer as realizações do
passado [...]. Servirá ainda para gravar certos pormenores íntimos da vida
local que, mais tarde, servirão como elemento valioso de consulta, quando
tivermos de escrever a história da região. (Santa Catarina, 1945, p. 130).
Esses impressos configuravam, portanto, uma memória a serviço de uma identidade e
de uma ideia de nação. Eram uma forma de controlar o passado orientado ao futuro. Paul
Ricoeur (2007, p. 455) reflete sobre a manipulação da memória coletiva e do esquecimento por
“detentores de poder” e aponta que a problemática da memória cruza a da identidade, “a ponto
de com ela se confundir”. A fragilidade da identidade constitui a da memória. Seria a difícil
relação da identidade “proclamada e reclamada” com o tempo que justificaria o recurso à
memória, como componente temporal, “juntamente com a avaliação do presente e a projeção
10
Meu Torrão (Jaraguá do Sul) e A Criança Brasileira (Florianópolis), por exemplo, chegaram a ter tiragens
superiores a 500 exemplares. Esses jornais eram vendidos à comunidade e também distribuídos para outras escolas
e órgãos públicos.
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do futuro” (Ricoeur, 2007, p. 94). Isso porque não existiria “nação”, “comunidade”, sem a
construção de identidades coletivas; são elas que estruturam os vínculos de pertencimento. Por
outro lado, sua construção como “coletiva”, impõe recursos à memória como imposições,
seleções e esquecimentos.
Essa dimensão do controle do passado orientado ao futuro, certamente está entre as
razões que levaram à reunião de milhares de exemplares de jornais escolares pela administração
pública estadual. Décadas mais tarde, esse gesto burocrático, originalmente voltado ao controle
e à fiscalização, mostrou-se decisivo para que parte significativa desses documentos fosse
preservada. No Apesc estão 207 códices que reúnem 1.368 tulos de jornais escolares, cerca de
29.800 exemplares, elaborados entre 1941 e 1953. Esses códices foram organizados em
volumes encadernados em capa dura, numerados e divididos por escolas, municípios ou anos,
o que preservou não apenas a materialidade dos jornais, mas também parte de sua ordem
administrativa original. Tal característica confere ao conjunto um valor documental raro, que
conjuga simultaneamente dimensões pedagógicas, políticas e arquivísticas (Figura 3 e 4):
Figura 3: Estante de códices de jornais,
APESC
Fonte: Fotografia de Juçara Nair Wolff, 10
out. 2025.
Figura 4: Códice de jornais, APESC
Fonte: Fotografia de Juçara Nair Wolff, 10 out. 2025.
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Figura 5: Códice, com exemplo de jornal
manuscrito em folha pautada, A5, APESC
Fonte: Fotografia de Juçara Nair Wolff, 10
out. 2025.
Figura 6: Códice, com exemplo de jornal
manuscrito em folha de papel almaço, A4, APESC
Fonte: Fotografia de Juçara Nair Wolff, 10 out.
2025.
Os exemplares apresentam grande diversidade em suas características materiais: há
jornais manuscritos, datilografados e impressos, com apenas duas páginas ou com dezenas
delas. Quando manuscritos, seus suportes mais comuns são folhas de papel almaço, seguidas
das de ofício e, em menor medida, das de cadernos pequenos. Em geral, seus tamanhos
acompanham as dimensões desses suportes: papel almaço, A4 e A5. Quando impressos,
utilizam papel jornal, com pequenas variações de tamanho, mas ainda dentro do formato
considerado tabloide. Essa heterogeneidade indica a pluralidade de experiências escolares e
condições de produção - desde pequenas escolas isoladas de zonas coloniais, rurais, distantes
dos centros urbanos, até grupos escolares da capital. Alguns títulos, como A Criança Brasileira
(Florianópolis, 1942-1962), O Estudante Orleanense (Orleans, 1941-1973), Meu Torrão
(Jaraguá do Sul, 1939-1951), pela regularidade e longevidade demonstram o impacto das
políticas educacionais estado-novistas na cultura escolar.
O arquivo “constitui uma ruptura em um trajeto de continuidade”, afirma Ricoeur (2007,
176). O testemunho é uma sequência narrativa, em que o tempo ocupa função de sentido, e a
memória e esquecimento, níveis intermediários. Rastros afetivos, cognitivos do passado, essas
histórias narradas são coletadas, organizadas e classificadas pelo arquivo, passando então a
rastros documentais. O arquivo, é, assim, definido como “um lugar físico que abriga o destino
dessa espécie de rastro [...] o rastro documental” (Ricoeur, 2007, p. 177). No caso catarinense,
a atenção do governo aos rastros documentais remonta ao início do regime republicano, quando
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se buscava constituir um repositório capaz de reunir e dar forma à memória administrativa e
política do Estado.
A trajetória institucional do Apesc foi marcada por descontinuidades e disputas até sua
consolidação administrativa e política, nas décadas de 1960 e 1970. As primeiras iniciativas de
organização e gestão documental no Estado aparecem no final do século XIX, com a Lei n.º
328, de 23 de setembro de 1898, assinada pelo governador Hercílio Pedro da Luz. Essa
legislação, que estabeleceu as bases para a estruturação da administração pública estadual, criou
a Secretaria de Obras Públicas e Finanças e a Secretaria do Interior e Justiça (Santa Catarina,
1899). A esta última subordinava-se a Diretoria de Instrução Pública, que ficou responsável
pela gestão de arquivos, bibliotecas e museus. Juçara Nair Wolff e Luciano Von Frühauf (2022,
p. 79) analisam que “embora tal lei não tenha, em si, instituído o Arquivo Público, ela é um
indício de uma preocupação republicana com a preservação da memória histórica da
administração pública catarinense”. Tal orientação refletia as demandas de um projeto de nação
em formação, que buscava organizar e salvaguardar documentos de relevância histórica e
jurídica, capazes de preservar a memória estatal para a posteridade.
José Arthur Boiteux, Secretário do Interior e Justiça entre 1918 a 1922, destacou-se pelo
empenho em concretizar a criação de um Arquivo Público em Santa Catarina. Walter Piazza
(1990, p. 5), observa que, em seu “afã de desvendar a História Catarinense, numa peregrinação
incessante, dentro e fora do Estado Natal, o mediu esforços para realizar o seu intento”.
Boiteux foi um intelectual e político influente na vida pública catarinense, republicano desde
antes da Proclamação da República e fundador do Instituto Histórico e Geográfico Catarinense,
em 1896. Integrava, assim, um grupo seleto de homens letrados que viveram e atuaram na
Primeira República, cujas fronteiras entre os campos intelectual e político eram pouco nítidas.
Ângela de Castro Gomes (2010) argumenta que faltaria consistência teórica e empírica
para fazer a distinção entre essas esferas no período. Esses homens letrados, “proeminentes” e
detentores de capital cultural, também produziam bens simbólicos e interpretações da vida
social, ao mesmo tempo em que ocupavam posições na administração pública. Em Santa
Catarina, esse grupo, ligado ao Instituto Histórico e ativo na política estadual, assumiu a tarefa
de construir uma “identidade catarinense”. A história e a memória do Estado precisavam ser
elaboradas e integradas ao novo projeto de nação. A criação de um arquivo público fazia parte
desse processo da institucionalização da memória e de afirmação de uma identidade comum.
Walter Piazza (1990, p. 6-7) lembra que, em 1908, do Rio de Janeiro, José Arthur
Boiteux, decidiu “mostrar o seu amor à terra natal” e lançou a revista Archivo Catharinense que
pretendia promover e divulgar a “Terra e a Gente Catarinense”. Entretanto, ainda segundo este
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historiador, sua “grande meta era a preservação documental em Santa Catarina, através da
criação de um arquivo público”. Esse projeto o levou a atuar em duas frentes: uma política, ao
promover a criação do Arquivo junto às lideranças do Partido Republicano, do qual fazia parte;
e outra voltada ao reconhecimento do valor do documento e da arquivística, como se observa,
por exemplo, em sua atuação como emissário do governo catarinense na busca, em arquivos
portugueses, de documentos que comprovassem os direitos do Estado na questão dos limites
com o Paraná
11
(Piazza, 1990).
Os esforços produziram resultados e, em 1918, o governador Felipe Schmidt sancionou
a Lei n. 1.196, que criou o Arquivo Público do Estado, diretamente subordinado ao Secretário
do Interior e Justiça (Santa Catarina, 1918). José Arthur Boiteux concretizava aquilo que
Ricoeur (2007) denomina institucionalização da memória: a transformação de lembranças e
registros dispersos em memória arquivada. No caso do Arquivo idealizado, tratava-se de uma
operação voltada à construção de uma memória pública catarinense. Na prática, porém, o que
ocorreu foi “tão somente o acumular de papeis no vetusto Palácio do Governo (à Praça Quinze
de Novembro), em sua ala direita, onde funcionava aquela Secretaria de Estado” (Piazza, 1990,
p. 6). Sem infraestrutura adequada para organização documental, sua finalidade principal não
se realizou. Por isso o Arquivo Público foi, aos poucos, deixando de corresponder ao projeto
originalmente imaginado por José Boiteux.
Outra iniciativa tomou forma em 28 de dezembro de 1931, quando o Interventor Federal
Ptolomeu de Assis Brasil instituiu o Arquivo Público de Santa Catarina por meio do Decreto
n.º 186 (Santa Catarina, 1932). Pouco mais de um ano após essa recomposição, contudo, o
Arquivo foi extinto pelo Decreto n.º 349, de 10 de maio de 1933, na gestão do interventor
Federal Aristiliano Ramos. A justificativa da decisão era de que as atividades do órgão eram de
menor relevância e geravam um ônus para sua viabilidade econômica (Santa Catarina, 1933).
O principal problema residia no impacto financeiro sobre os servidores públicos envolvidos.
Ao extinguir o Apesc, buscava evitar possíveis conflitos com os Oficiais de Justiça, que
poderiam ter seus salários afetados pela manutenção das atividades do Arquivo. Essa escolha
revela um contexto de restrições orçamentárias e de necessidade de acomodar diferentes
interesses políticos. Embora fundamentada em razões financeiras e operacionais, a medida
evidencia que o projeto de preservação documental em Santa Catarina enfrentava resistências
que não eram apenas administrativas, mas também políticas.
11
Uma das razões da Guerra do Contestado (19121916) estava relacionada à definição dos limites territoriais,
questão na qual atuaram não apenas José Arthur Boiteux, mas também seu irmão, o Almirante Lucas Alexandre
Boiteux.
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Entre os apoiadores da decisão de extinguir o Apesc estava o semanário Camponês, de
Urussanga. Em sua edição de 21 de maio de 1933, o periódico elogiou o “espírito reto e a
vontade de bem servir o povo” de Aristiliano Ramos. Alinhado à narrativa oficial daquele
momento, que justificava as reformas pela necessidade de austeridade financeira, eficiência
administrativa e fortalecimento institucional, o jornal endossava a extinção do Arquivo Público,
apresentado como “repartição completamente supérflua e que vinha onerando o Estado com
uma despesa anual de perto de cem contos de réis! Continue o Exmo. Coronel Interventor a
cortar das tabelas orçamentarias as excrescências parasitárias” (Medidas Sábias, 1933, p. 1).
Pouco mais de duas décadas depois, a existência do Arquivo voltou a ser pautada e, mais
uma vez, recebeu duras críticas. Em 7 de dezembro de 1959, em sessão da Assembleia, o
deputado Dib Cherem, do Partido Social Democrático (PSD), apresentou parecer detalhado
sobre o Projeto de Lei n.º 396/59, que propunha a (re)criação do Arquivo Público. O parecer
foi publicado em 11 de dezembro de 1959 no jornal O Estado. Nele, o deputado elencava sete
razões para considerar a proposta ilegal, inoportuna, inviável e prejudicial à sociedade
catarinense, recomendando enfaticamente sua rejeição (Cherem, 1959).
Os debates sobre a criação do Apesc, envolveram argumentos favoráveis e contrários
de jornalistas e políticos, o que indica que sua história é marcada por um paradoxo constitutivo:
desejo de organizar a memória pública do Estado, representado por José Arthur Boiteux, e
resistência em instituí-lo de modo permanente devido a disputas políticas. Reflete-se que o
poder arquivístico é também um poder dependente de projetos políticos e de contextos
históricos específicos. Observa-se que a proposta de (re)criação de um espaço arquivístico
suscitava debates que repercutiam as opiniões da bancada de oposição ao governo. Decorreriam
seis meses até que o projeto de lei fosse revisado e submetido à votação na Câmara. O deputado
João Estivalet Pires (PSD) declarou ao jornal O Estado que a proposta “agora vinha
completamente modificada conforme se batera a oposição na sua discussão” (Oposição, 1960,
p. 8). Uma vez aprovado, suas diretrizes foram fixadas pela Lei n.º 2.378, de 28 de junho de
1960, sancionada pelo governador Heriberto Hülse. Chama a atenção que a legislação manteve
a missão do Apesc, enunciada no decreto de 1931: preservar, organizar e disponibilizar
documentos históricos. Suas funções foram ampliadas para incluir o recebimento, a
classificação e a conservação de registros legislativos, administrativos e socioeconômicos.
Entre suas atribuições, destacavam-se a organização, catalogação e restauração de
documentos, bem como a encadernação de publicações oficiais, assegurando a integridade do
acervo. Embora formalmente acessível ao público, a consulta exigia autorização do Secretário
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de Interior e Justiça e o pagamento de taxas previstas no Regimento de Custos
12
estadual. Essa
cobrança que visava assegurar sustentabilidade administrativa restringia o acesso de
pesquisadores e instituições com recursos limitados. A legislação, contudo, previa isenção dos
emolumentos para serventuários da Justiça, evidenciando hierarquias de acesso ao patrimônio
documental do Estado (Santa Catarina, 1960).
A implementação deste dispositivo legal representaria um avanço significativo na
cooperação entre os órgãos públicos, incentivando a colaboração entre os servidores da Justiça
e o Arquivo Público na preservação e divulgação de documentos administrativos. Além de
beneficiar essa categoria profissional, a medida proposta pela lei também fortaleceria suas
relações institucionais, ao promover a integração e a eficiência na gestão documental. Ao
permitir uma assistência mútua, o dispositivo também evitaria repetir conflitos que, no passado,
levaram à extinção do Arquivo em 1933, garantindo a continuidade e a segurança na
preservação da memória institucional do Estado.
Contudo, se a criação do Arquivo Público não sofreu novos questionamentos públicos,
permaneciam em aberto os desafios relacionados à infraestrutura necessária para garantir seu
funcionamento efetivo. Janice Gonçalves (2006, p. 165), ao investigar a trajetória dos arquivos
e da historiografia em Santa Catarina no século XX, observa que as instalações do Apesc, na
década de 1960, eram tão precárias que faltavam-lhe ainda as condições para abrigar
adequadamente os documentos de seu acervo e tratá-los corretamente do ponto de vista técnico,
fornecendo aos usuários sala de consulta apropriada, atendimento qualificado e instrumentos
de pesquisa”. Mesmo assim, o arquivo era procurado com frequência, como demonstram as
trocas de correspondências entre diferentes pesquisadores e o Arquivo (Wolff; Frühauf, 2022).
Esse cenário exigia iniciativas concretas para enfrentar - ou ao menos atenuar - os problemas
estruturais. Entre as soluções possíveis estavam políticas públicas voltadas à ampliação da
infraestrutura e à capacitação de profissionais em arquivística, mas elas seriam
implementadas a partir da década de 1980, “quando o Arquivo deixa de ser abrigado em prédios
cedidos temporariamente” (Wolff; Frühauf, 2022, p. 79). Antes disso, reivindicações por um
novo espaço e denúncias sobre mudanças de endereço marcaram sua história.
Em 1973, o jornal O Estado, na nota intitulada “Blasi quer o arquivo num bom lugar”,
registrou que o Secretário da Administração, Paulo Blasi, estava empenhado em assegurar uma
localização apropriada e definitiva ao Arquivo. A reportagem descrevia o Apesc como um
12
Lei nº 1.634 de 20 de dezembro de 1956. Essa lei dispõe sobre a atualiza das custas e dos emolumentos devidos
aos Serventuários da Justiça e aos servidores subordinados a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Santa
Catarina, 1956)
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“amontoado de livros e documentos antigos, depositados no andar térreo do Edifício das
Diretorias. A sede é provisória e conta com espaço reduzido para começar a atender a
população” (Blasi, 1973, p. 8). Três anos depois uma nova mudança de endereço do Apesc foi
acompanhada de perto pela imprensa local, que destacou os principais problemas relacionados
à falta de instalações adequadas. O Estado chamou a atenção para os “16 anos de penúria”
enfrentados pela instituição e noticiou que, mais uma vez, o Arquivo seria transferido, desta
vez para um imóvel próprio na Rua Almirante Alvim, n.º 16. Apesar de reconhecido como
valioso, o monumental acervo foi descrito como um amontoado de documentos velhos,
estragados, desencapados, consequência dos anos de abandono e de penúria” (Criado, 1976, p.
15). A transferência, supervisionada pela Polícia Militar e realizada com o uso de mão de obra
carcerária, embora tenha possibilitado a mudança, aumentou a vulnerabilidade do acervo ao
expô-lo a riscos de manuseio inadequado e transporte impróprio. Além disso, o edifício para
onde os documentos foram levados não oferecia condições adequadas de conservação,
agravando sua vulnerabilidade. Segundo O Estado, “o prédio para onde foram transferidos os
numerosos volumes, com ajuda de caminhões (da Polícia Militar) e do trabalho de presidiários,
não se adapta para essa função” (A Pobreza, 1976, p. 16).
Esse episódio evidencia as condições precárias de armazenamento que se
acumulavam anos, marcadas pela ausência de controle de umidade, ventilação insuficiente
e falta de proteção contra agentes biológicos. Somados ao estado prévio de deterioração, esses
fatores fizeram da mudança um marco de descaso institucional. Para além da questão da sede
própria, outro problema recorrente, apontado por Wilmar Pacheco, ex-diretor do Apesc, era a
ausência de critérios técnicos para o envio de documentos ao Arquivo. Um “vício de longos
anos”, como classificou em entrevista ao O Estado. Na ocasião, defendeu a criação de uma
comissão responsável por avaliar e selecionar os documentos que realmente mereciam ser
preservados, alertando que “às vezes documentos são destruídos e depois se revelam históricos,
daí a necessidade de critério para decidir o que guardar” (O Arquivo, 1976, p. 16).
“Cada duas mudanças equivalem a um incêndio”, concluiu Santos Verani (1985, p. 10),
que dirigiu o Arquivo blico entre 1971 e 1976. Para ele, essa falha institucional inviabilizava
a preservação de registros históricos, muitos deles à beira da deterioração irreversível. A
ausência de sede própria, somada à insuficiência de recursos técnicos e financeiros e à
sobrecarga da equipe, resultou em lacunas de catalogação, problemas de microfilmagem e
métodos inadequados de conservação, comprometendo o acesso às informações de inventário.
As reportagens publicadas pela imprensa local e os relatos dos ex-diretores do Apesc
evidenciam que a precariedade estrutural da instituição era um problema persistente desde
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1918. Esse cenário mostra um padrão recorrente de soluções temporárias, promessas não
concretizadas e sucessivos adiamentos, que colocaram em risco tanto a conservação dos
documentos quanto a garantia de acesso à informação e à transparência administrativa. Tal
contexto sugere duas reflexões principais. Em primeiro lugar, o ato de arquivar envolve
necessariamente decisões sobre o que será lembrado, pois depende do valor atribuído a cada
documento, como ressaltou Wilmar Pacheco, em entrevista ao jornal O Estado em 1976. Em
segundo lugar, essas decisões são influenciadas por aspectos externos ao próprio processo de
arquivamento, como as circunstâncias nas quais ocorreram as mudanças de endereço do
Arquivo. Entre esses fatores, destacam-se questões climáticas, exemplificadas pelo episódio de
uma forte tempestade, em dezembro de 2018, que causou sérios danos ao acervo histórico do
Apesc (Dalcin, 2018).
A partir de 1986, a preservação documental avançou com a promulgação da Lei Estadual
n.º 6.823, de 3 de julho, que criou os cargos de técnico e auxiliar técnico em restauração e
preservação de documentos no Apesc, consolidando uma estrutura institucional voltada à
salvaguarda do patrimônio arquivístico. A implementação desses cargos incluiu capacitação
técnica e a criação de laboratórios equipados, culminando, em 1990, na inauguração do primeiro
Centro de Conservação e Restauração de Documentos do Estado, referência na recuperação de
acervos, definição de diretrizes técnicas para órgãos públicos e privados e fomento de parcerias
acadêmicas para metodologias inovadoras de restauração.
O avanço prosseguiu em 1994, com a Lei Estadual nº 9.747 (Santa Catarina, 1994), que
estabeleceu a proteção obrigatória aos documentos públicos como fontes de prova e
instrumentos de pesquisa. Iniciativa que fortaleceu práticas de gestão documental, incluindo
prazos de guarda, critérios de avaliação e destinação adequada. A implementação gradual
dessas diretrizes exigiu uniformização de procedimentos, capacitação contínua dos servidores
e investimentos em infraestrutura, tecnologia e recursos humanos especializados. Como
resultado, a primeira Tabela de Temporalidade de Documentos teve sua Portaria 1.141
promulgada em 23 de dezembro de 2002, consolidando um marco da gestão documental
estadual.
As iniciativas de José Arthur Boiteux e de outros intelectuais republicanos, no início do
século XX, sinalizavam o desejo de fundar uma memória pública ilustrada, articulando o
conhecimento histórico à administração do Estado. Um ideal que encontrou um ambiente
político e institucional frágil. A consolidação do Apesc resultou menos de um projeto contínuo
do que de um acúmulo de esforços descontínuos, resistências burocráticas e jogos de poder. O
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tempo longo de sua institucionalização permite compreender que o Apesc nasce tardiamente
como herança de um projeto de memória interrompido e reconfigurado.
Desde sua criação, o Apesc mudou de endereço nove vezes. A transferência mais
recente ocorreu em 2022, para o bairro Kobrasol, em São José, município vizinho a
Florianópolis. Considerando 1898 como a primeira iniciativa de constituição de um arquivo
público, são 127 anos de existência sem uma sede própria, com instalações plenamente
adequadas às suas demandas institucionais e técnicas. Em 2023, o governo estadual anunciou a
cessão de um imóvel pertencente ao Estado, localizado no centro de Florianópolis, destinado a
abrigar permanentemente todo o acervo do Arquivo. Atualmente, o Estado mantém o
pagamento de aluguel por um imóvel em Morro da Fumaça, destinado à guarda de documentos,
além da locação da sede administrativa do Apesc, em São José (Sede, 2023).
No tempo presente, a instituição encontra-se vinculada à Secretaria de Estado e
Administração (SEA), órgão responsável pela administração, coordenação e supervisão de sete
Diretorias, cada uma delas composta por diversas gerências especializadas que atuam de
maneira integrada para garantir a eficiência e a operacionalização dos processos internos. O
Apesc está sob a responsabilidade da Diretoria de Arquivo Público (Diap), que integra uma
estrutura organizacional composta por quatro gerências, cada uma com funções estratégicas: a
Gerência do Arquivo Permanente (Gearp), a Gerência de Gestão Documental (Gedoc), a
Gerência do Diário Oficial (Gedof) e a Gerência de Recuperação Documental (Gered).
O acervo do Apesc é composto por documentos em diversos formatos, totalizando cerca
de 2.700 metros lineares. Esse volume corresponde a “aproximadamente, 130 mil códices ou 6
milhões de folhas de registros, que estão organizados em mais de 200 conjuntos documentais”
(Santa Catarina, 2023). A estruturação desse patrimônio segue rigorosos padrões arquivísticos,
baseados na Norma Brasileira de Descrição Arquivística (Nobrade), o que garante
acessibilidade, conservação e recuperação eficiente das informações (Santa Catarina, 2022, p.
2). O processo inclui a classificação dos documentos por tipologia, temporalidade e relevância
histórica, facilitando a consulta ao acervo. O Arquivo disponibiliza gratuitamente seu acervo a
qualquer interessado, mediante cumprimento das normas de acesso presencial. Parte dos
documentos também pode ser consultada digitalmente por meio do projeto AtoM
13
, uma
plataforma internacional reconhecida por sua funcionalidade como repositório arquivístico e
por oferecer uma ferramenta de busca on-line eficiente, intuitiva e de alto desempenho.
13
O Sistema de Consulta ao Acervo utiliza o software livre AtoM, que significa Access to Memory (Acesso à
Memória) - Disponível em: https://acervo.arquivopublico.sc.gov.br/index.php/
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A tecnologia, ao viabilizar a digitalização, a catalogação e a disponibilização on-line de
acervos, redefine a interação entre pesquisadores e documentos. Assim, o arquivo digitalizado
continua a exigir mediação crítica: como afirmou Ricoeur (2007, p. 188), “se um papel de prova
pode ser atribuído aos documentos consultados, é porque o historiador chega aos arquivos com
perguntas”. O arquivo é lugar físico e social, portanto, não se restringe a um repositório de
informações estáticas, mas constitui um espaço dinâmico de diálogo entre passado e presente,
no qual as interrogações do pesquisador encontram respostas nos rastros documentais
conservados.
No caso do Apesc, essa interação entre pesquisadores e documentos é facilitada pelo
Guia de Fundos (Santa Catarina, 2024), ferramenta que oferece uma visão geral dos acervos
sob sua guarda. Disponível on-line, o guia reúne informações sobre a instituição responsável
pela produção e acumulação dos documentos, datas-limite dos conjuntos, quantidade de livros,
caixas ou pastas, além das séries ou tipos de dossiês que compõem cada inventário. Inclui
também um índice de abreviaturas utilizadas na catalogação dos órgãos produtores, o que
auxilia na compreensão das siglas e na identificação do material a ser consultado.
A maior parte dos documentos que compõem o Fundo “Escolas/Grupos Escolares”
possui um Índice Geográfico disponível on-line, que orienta a seleção do material a ser
pesquisado. Atas e relatórios das associações auxiliares, por exemplo, estão organizados em
índices que permitem busca por cidade, escola e tipo de associação. Os jornais escolares, porém,
ainda não dispõem desse recurso. O único instrumento existente reúne os volumes por ano, sem
permitir busca por cidade, escola ou título. Nessas condições, a equipe do projeto selecionava
um volume aleatoriamente (por ano), registrando seu número de identificação para evitar
repetições e otimizar futuras consultas. A pesquisa iniciava mediante solicitação formal, via e-
mail
14
, ao setor responsável para agendar visita e requisitar a seleção prévia dos volumes.
Durante o exame, utilizaram-se suportes adequados para minimizar a pressão sobre as lombadas
dos códices, e o uso de luvas, associado à ausência de canetas e lápis, visava evitar manchas e
danos aos documentos. Foram fotografados todos os 207 códices de jornais, agrupados por data,
cidade, escola e edição. Para garantir precisão na identificação, registro e quantificação desses
periódicos, o acervo foi sistematizado em planilhas Excel, vinculando cada título ao ano da
edição mais antiga preservada. Essa metodologia permitiu produzir dados estruturados - séries,
frequências e regularidades - que subsidiaram a elaboração do catálogo preliminar disponível
on-line (Silva et al., 2023).
14
O agendamento e a separação de materiais devem ser solicitados pelo e-mail: arqpesquisa@sea.sc.gov.br
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Mesmo que preliminar esse catálogo deu à equipe a dimensão da singularidade do
acervo sob a guarda do Apesc. Importante informar que ele foi integrado a um dossiê nacional
que mapeou acervos da memória da educação em todas as regiões do país, entre 2024 e 2025.
O levantamento foi realizado pelo Grupo de Trabalho sobre Patrimônio Educativo (SBHE,
Anped, Asphe), sob coordenação das professoras Rosa Fátima de Souza Chaloba (Unesp) e
Katya Braghini (PUC-SP), e apresentado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan), com o objetivo de reconhecer esses acervos como parte do patrimônio
cultural brasileiro. Recursos do Edital Universal Fapesc n.º 21/2024 vêm sendo utilizados para
a construção de um Portal interativo, que reunirá informações detalhadas sobre todos os títulos
localizados no projeto. O Portal disponibilizará um guia prático para facilitar a busca por
escolas ou jornais de interesse e indicará os arquivos, bibliotecas, museus ou demais instituições
que detêm acervos de jornais escolares. Quando houver digitalização pelas próprias instituições,
serão fornecidos links diretos para cada periódico.
O projeto busca ampliar o acesso e estimular pesquisas que utilizem os jornais escolares
como fonte ou objeto de investigação sobre a história da Educação, mas não se limita a essa
abordagem. Os jornais preservados permitem analisar as relações entre escola, Estado e
sociedade, especialmente no contexto do Estado Novo. A concentração de títulos entre 1941 e
1945 evidencia o impacto da intensificação das ações estatais sobre a Educação em geral e sobre
as práticas escolares em particular. No âmbito estadual, reconhece-se que esses materiais podem
instigar o interesse de professores e estudantes que desejem conhecer aspectos do passado de
suas escolas. Além disso, têm disso estabelecidos diálogos entre o Instituto de Documentação
e Investigação em Ciências Humanas (IDCH/Faed/Udesc) e o Apesc com o propósito de
elaborar um projeto que viabilize recursos para o tratamento técnico desse acervo. A expectativa
é garantir financiamento suficiente para organizar e digitalizar integralmente esse conjunto
documental, assegurando sua ampla disponibilização ao público.
A sistematização do acervo, articulada ao Portal, poderá facilitar o acesso a esses
documentos históricos, reforçando o papel do Apesc na preservação da memória coletiva do
Estado. Ao dar visibilidade a esses rastros documentais, reafirma-se a necessidade de políticas
públicas de valorização dos arquivos escolares e de fortalecimento dos arquivos públicos como
instituições de memória, garantindo diversidade e acesso à informação. Considera-se, aqui, a
importância desses documentos como vestígios das culturas escolar, histórica e política das
escolas do passado. São memórias arquivadas de práticas vinculadas ao tempo e ao espaço de
sua elaboração e que, certamente, podem contribuir para dotar as escolas e as práticas escolares
de outros tempos e espaços de inteligibilidade.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Produzidos sob a lógica da disciplina, da moral cívica e da nacionalização, os jornais
escolares catarinenses, nas décadas de 1930 e 1940, serviram como instrumentos de formação
e de controle da cultura escolar. Mas, ao sobreviverem ao tempo, converteram-se em
testemunhos de experiências variadas dos sujeitos das escolas do passado. Por meio de
mediações simbólicas, essas culturas de escola tornaram-se legados, heranças. No Apesc,
configuram-se tanto como memórias arquivadas quanto como materialidades que carregam
memórias das escolas e de seus sujeitos. São vestígios de passados projetados e de futuros
desejados, nos quais a escola se destaca como espaço de construção de identidades coletivas e
de formação cidadã.
Como parte do patrimônio histórico-educativo, esses documentos deslocam o Arquivo
do domínio da simples conservação para o da reinterpretação. Ao tornarem possível a
inteligibilidade de práticas pedagógicas, discursos cívico-patrióticos e modos de narrar o
cotidiano escolar, o acervo dos jornais do Apesc amplia a compreensão da escola como
instituição histórica, cultural e política. A permanência desses periódicos inscreve-se também
em um movimento mais amplo, pelo qual práticas cotidianas das escolas do passado
entrecruzam culturas escolar, política e históricas em diferentes planos. Assim, ao conservar
milhares de jornais, o Apesc traz até o presente a materialidade de “restos de escolas” (Escolano
Benito, 2017) e os reinscreve como campo de significação e mediação simbólica entre
diferentes tempos: da escola, da memória e da história.
Esse conjunto de documentos demonstra que mesmo as práticas escolares mais
ordinárias são capazes de gerar registros de valor histórico e afetivo, convertendo-se em fontes
privilegiadas para a história da Educação, para a história de projetos políticos e para a análise
de acontecimentos que atravessaram as escolas e seus sujeitos. Arquivar essas memórias é mais
do que preservar o passado: é reinscrevê-lo no presente como patrimônio histórico-educativo
de Santa Catarina. A própria seleção documental envolve dimensões de esquecimento
estratégico, indicando, como lembra Ricoeur (2007), que o controle da memória atua não
apenas pelo que se recorda, mas também pelo que se omite. O arquivo é, ao mesmo tempo, um
lugar de lembrança e de esquecimento, um dispositivo de poder e de legado.
A trajetória institucional do Apesc indica esse entrelaçamento entre poder e fragilidade
da memória pública. Desde a promulgação da Lei n.º 328, de 1898, que estabeleceu as bases da
gestão documental no Estado, a criação efetiva do Arquivo enfrentou resistências e adiamentos,
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concretizando-se apenas na década de 1960. Esse processo mostra o contraste entre o projeto
de modernização administrativa e educativa e a precariedade material e política da preservação
documental. Mudanças de sede, carências de infraestrutura e danos ambientais marcaram a
história do órgão, evidenciando a distância entre o discurso oficial de valorização da memória
e a efetiva destinação de recursos para garanti-la. Ainda assim, a própria existência do Apesc
e, especialmente, o acervo de jornais escolares, comprova a persistência de um desejo de
memória, de pertencimentos, mesmo em meio a esquecimentos institucionais.
O Apesc emerge, assim, como espaço social de negociação de significados e de
construção de narrativas históricas, onde se inscrevem tanto as potencialidades quanto as
fragilidades das políticas de memória. Os jornais escolares preservados exemplificam essa
dupla dimensão. De um lado, indicam o papel do Estado na preservação de documentos que
permitem pesquisas sobre práticas educativas, culturais e políticas do passado; de outro,
expõem a vulnerabilidade das instituições encarregadas de gerir a memória pública. A
sistematização desses periódicos em catálogos e bases digitais reforça a importância de
investimentos contínuos em infraestrutura, tecnologia e formação técnica, de modo que o
arquivo ultrapasse as funções burocráticas e se consolide como espaço social, que possa ser
“remédio” para a memória coletiva. Um lugar em que o poder de arquivar, o desejo de preservar
e a necessidade de narrar o passado se entrecruzam, reafirmando que a história, como a
memória, é sempre um campo de disputas e de reinterpretações.
“Antes do arquivo consultado, constituído, há o arquivamento”, lembra Ricoeur (2007,
p. 176). Estudantes e professores do passado envolveram-se na produção de jornais em suas
respetivas escolas, nas diferentes regiões do Estado. Escreveram notas sobre seu cotidiano,
sobre as festas cívicas, heróis nacionais etc. Descreveram suas aulas, professores, salas e
passeios. Os destinatários eram eles mesmos, seus pais, sua comunidade, mas, principalmente
inspetores e dirigentes do Departamento de Educação. Essas narrativas, que condensam
processos de ouvir, de dizer e de tornar a contar foram reunidas em jornais manuscritos em
folhas de papel almaço, folhas de caderno, folhas de ofício ou então datilografadas ou
impressas. Enviados ao Departamento de Educação, ingressaram na memória pública. Alguém
certamente com o apoio de um grupo - os revestiu de importância, se apossou daquele
passado. Talvez tenham considerado ali “seu passado”, dada a forte relação entre o Arquivo e
a Educação estabelecida desde 1898. Desse gesto emerge a ideia de legado coletivo, pois apenas
o “meu passado” é importante o suficiente para ser preservado, chamou a atenção David
Lowenthal (2015), sobre os fardos e benefícios do passado. Percebidos como legado, um
passado integrante do senso de identidade catarinense, os jornais foram selecionados,
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guardados, depositados em algumas das salas do Palácio do Governo e, partir de 1960,
delegados ao Apesc. Neste Arquivo foram preservados. Possivelmente, muitos também se
perderam, seja por escolhas institucionais, seja por danos acumulados em mudanças de
endereço, intempéries ou acidentes. Enfim, sanhas do tempo.
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