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GESTÃO MUSEOLÓGICA DOS OBJETOS DO ACERVO DO CENTRO DE
MEMÓRIAS DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL
DO RIO GRANDE DO SUL (CEME FACED/UFRGS)
Danielle Brum Ginar Telles
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
daniellebgt@gmail.com
Ana Celina Figueira da Silva
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
ana.celina@ufrgs.br
RESUMO
Este artigo é um recorte de uma pesquisa de mestrado
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em construção no Programa de Pós-
Graduação em Museologia e Patrimônio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(PPGMusPa-UFRGS) e tem como objetivo apresentar o acervo do Centro de Memórias da
Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEME Faced/UFRGS)
analisando o seu processo de formação e aquisição. Busca também, identificar como se constitui
a gestão dos objetos museais contidos neste acervo. Apresenta processo de institucionalização
do Centro de Memórias, desde a formação do Arquivo Histórico, mais conhecido como
Memória Faced, até as mudanças ocorridas em 2024, quando este espaço é reconhecido
enquanto Centro de Memórias. O acervo, a partir de 2023, muda de uma tipologia
exclusivamente arquivística, em suporte papel, para um acervo contendo tipologias e
materialidades que não mais pertenciam apenas à Arquivística, abarcando livros e objetos,
exigindo a utilização de procedimentos técnicos e de gestão, também da Biblioteconomia e da
Museologia. Destaca-se que a forma de aquisição preponderante é a doação e dentre as
tipologias de acervo encontra-se, por exemplo, mobiliário escolar; indumentária (uniformes);
livros, documentos, flâmulas, fotografias, palmatória e sineta. Conclui-se que o Centro de
Memórias entende a importância de uma gestão qualificada procurando aplicar as práticas
museológicas relativas à gestão de objetos tridimensionais, ainda que de maneira embrionária.
Palavras-chave: Centro de Memórias Faced/UFRGS; Objetos museais; Gestão de acervos.
GESTIÓN MUSEOLÓGICA DE LOS OBJETOS DEL PATRIMONIO DEL CENTRO
DE MEMORIAS DE LA FACULTAD DE EDUCACIÓN DE LA UNIVERSIDAD
FEDERAL DE RÍO GRANDE DO SUL (CEME FACED/UFRGS)
RESUMEN
Este artículo es un recorte de una investigación de maestría en construcíon en el Programa de
Posgrado en Museología y Patrimonio de la Universidad Federal de Rio Grande do Sul
(PPGMusPa-UFRGS) y tiene como objetivo presentar el acervo del Centro de Memorias de la
Facultad de Educación de la Universidad Federal de Rio Grande do Sul (CEME
Faced/UFRGS), analizando su proceso de formación y adquisición. También busca identificar
cómo se constituye la gestión de los objetos museísticos contenidos en ese acervo. Presenta el
proceso de institucionalización del Centro de Memorias, desde la formación del Archivo
Histórico, conocido como Memória Faced, hasta los cambios ocurridos en 2024, cuando este
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A defesa final desta pesquisa de mestrado está prevista para o segundo semestre de 2026.
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espacio es reconocido como Centro de Memorias. A partir de 2023, el acervo cambia de una
tipología exclusivamente archivística, en soporte papel, a un acervo que comprende tipologías
y materialidades que ya no pertenecen únicamente a la Archivística, abarcando libros y objetos,
lo que exige la utilización de procedimientos técnicos y de gestión también de la
Biblioteconomía y la Museología. Se destaca que la forma de adquisición preponderante es la
donación, y entre las tipologías de acervo se encuentran, por ejemplo, mobiliario escolar;
indumentaria (uniformes); libros, documentos, estandartes, fotografías, regla de madera
(palmatória) y campana (sineta). Se concluye que el Centro de Memorias entiende la
importancia de una gestión cualificada, buscando aplicar las prácticas museológicas relativas a
la gestión de objetos tridimensionales, aunque de manera embrionaria.
Palabras clave: Centro de Memorias Faced/UFRGS; Objetos museísticos; Gestión de acervos.
MUSEOLOGICAL MANAGEMENT OF THE OBJECTS IN THE COLLECTION OF
THE CENTER FOR MEMORIES OH THE FACULTY EDUCATION - FEDERAL
UNIVERSITY OF RIOGRANDE DO SUL (CEME FACED/UFRGS)
ABSTRACT
This article is a fragment of a master’s research on progress in the Graduate Program in
Museology and Heritage at the Federal University of Rio Grande do Sul (PPGMusPa-UFRGS)
and aims to present the collection of the Center for Memories of the Faculty of Education at the
Federal University of Rio Grande do Sul (CEME Faced/UFRGS), analyzing its formation and
acquisition process. It also seeks to identify how the museological objects in this collection are
managed. It presents the institutionalization process of the Center for Memories, from the
formation of the Historical Archive, better known as Memória Faced, to the changes that
occurred in 2024, when this space was recognized as a Center for Memories. From 2023, the
collection shifts from an exclusively archival typology, in paper format, to a collection that
encompasses typologies and materials that no longer belonged solely to Archival Studies,
including books and objects, requiring the use of technical and management procedures also
from Library Science and Museology. It is noteworthy that the predominant form of acquisition
is donation, and among the collection typologies are, for example, school furniture; clothing
(uniforms); books, documents, banners, photographs, wooden ruler (palmatória), and bell
(sineta). It is concluded that the Center for Memories understands the importance of qualified
management, aiming to apply museological practices related to the management of three-
dimensional objects, even if in embryonic stage.
Keywords: Center for Memories Faced/UFRGS; Museological objects; Collection
management.
GESTION MUSÉOLOGIQUE DES OBJETS DU PATRIMOINE DU CENTRE DES
MÉMORIES DE LA FACULTÉ D’ÉDUCATION DE L’UNIVERSITÉ FÉDÉRALE
DE RIO GRANDE DO SUL (CEME FACED/UFRGS)
RÉSUMÉ
Cet article est un extrait d’une recherche de master en cours dans le Programme de Master en
Museologie et Patrimoine de l’Université fédérale du Rio Grande do Sul (PPGMusPa-UFRGS)
et a pour objectif de présenter le fonds du Centre des Mémoires de la Faculté d’Éducation de
l’Université fédérale du Rio Grande do Sul (CEME Faced/UFRGS), en analysant son processus
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de formation et d’acquisition. Il cherche également à identifier comment se constitue la gestion
des objets muséaux contenus dans ce fonds. Il présente le processus d’institutionnalisation du
Centre des Mémoires, depuis la formation des Archives Historiques, mieux connues sous le
nom de Memória Faced, jusqu’aux changements intervenus en 2024, lorsque cet espace est
reconnu comme Centre des Mémoires. À partir de 2023, le fonds passe d’une typologie
exclusivement archivistique, sur support papier, à un fonds comprenant des typologies et des
matérialités qui n’appartenaient plus uniquement à l’Archivistique, englobant livres et objets,
nécessitant l’utilisation de procédures techniques et de gestion, également issues de la
Bibliothéconomie et de la Museologie. Il convient de noter que la forme d’acquisition
prédominante est la donation; parmi les typologies du fonds figurent, par exemple, du mobilier
scolaire ; des vêtements (uniformes) ; des livres, documents, bannières, photographies, règle en
bois (palmatória) et cloche (sineta). On conclut que le Centre des Mémoires comprend
l’importance d’une gestion qualifiée, cherchant à appliquer les pratiques museologiques
relatives à la gestion d’objets tridimensionnels, même si cela reste embryonnaire.
Mots-clés: Centre des Mémoires Faced/UFRGS; Objets muséaux; Gestion de fonds.
INTRODUÇÃO
Antonio Cícero
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dizia que os papéis deveriam ser guardados, mas não esquecidos, não
encarcerados em cofres. Deveriam ser guardados para serem cuidados, preservados, admirados.
Enxergamos nas atividades desempenhadas pelo Centro de Memórias da Educação da
Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEME Faced/UFRGS),
localizado no Campus Central da Universidade - na sala 610, na cidade de Porto Alegre/RS,
este ato de salvaguardar, este cuidado com as memórias que lhes foi confiada. Ao longo deste
artigo analisaremos o acervo deste espaço e a gestão sobre ele aplicada ou sua ausência, dando
ênfase às técnicas museológicas. Contudo é necessário que se construa anteriormente uma
historicidade de fatos que nos façam entender o processo de constituição deste lugar, bem como
de seu conjunto documental.
A origem do Centro de Memórias vem, provavelmente, do acúmulo orgânico de
documentos produzidos pela Faced/UFRGS ao longo de mais de 40 anos. Um conjunto
documental arquivístico, quase em sua totalidade, de documentos administrativos dos
departamentos da Faculdade e outros tantos da antiga Faculdade de Filosofia e do Colégio de
Aplicação da UFRGS que, segundo relatos, seriam enviados para o lixo sem uma devida
avaliação do seu conteúdo. Pouco antes de 2010, essa eliminação foi barrada por um servidor
técnico que conseguiu acomodar todas caixas dentro de uma sala do prédio da Faculdade de
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Ver poema “Guardar para mirar” de Antonio Cícero
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Educação. Embora não tenham sido organizadas neste momento, estas documentações estavam,
ao menos, seguras.
Paul Ricoeur (2007), nos instiga a pensar no movimento de preservar memórias a partir
das datas comemorativas, uma vez que estes marcos nos incitam a pensar no que desejamos
preservar e nas memórias que não queremos que sejam esquecidas. Com as comemorações dos
40 anos da Faced se aproximando no ano de 2010, algumas docentes foram convidadas a
produzirem uma “apresentação” Memória Faced, com exposição de documentos e fotografias
destas décadas de existência. Posteriormente aos eventos festivos, constituiu-se um Projeto de
Extensão, em 2011, que teve dois anos de duração, onde pretendia-se entrevistar sujeitos da
comunidade universitária ligados à Faculdade de Educação. Que anos mais tarde, viraria Projeto
de Pesquisa e desde 2019 um setor institucionalizado e reconhecido como pertencente à
Faculdade, diretamente ligado à Direção. Cabe destacar que o Arquivo Memória Faced, a partir
de 2024, passa a ser reconhecido como Centro de Memórias da Faculdade de Educação.
Os centros de memória, muitas vezes entendidos como centros de documentação, são
vistos como um espaço multidisciplinar. Conforme Renata Castro e Carla Gastaud (2017, p.
268), “um mesmo centro de documentação pode apresentar acervos de Arquivologia,
Biblioteconomia e Museologia, pois esses espaços têm como uma de suas características o fato
de abrangerem tipologias de acervo diversificadas referentes à mesma temática”. Esta
característica faz com que cada Centro estabeleça suas práticas e tratamentos quanto ao acervo
visto as particularidades do mesmo, resultando em metodologias específicas. Oliveira e
Chaloba (2023, p 15), entendem que estes centros “enveredam por outras searas do patrimônio
educativo, explorando tanto o viés da pesquisa acadêmica, como também abrindo as portas para
estudantes”, complementam que há também promoção de exposições, trabalhos com docentes,
atividades com a comunidade.
O CEME Faced entende-se como espaço de salvaguarda do patrimônio histórico-
educativo relacionado com a Educação do estado do Rio Grande do Sul, e respalda-se no
entendimento de Cristiani B. da Silva (2020, p. 187) quando ao significado de patrimônio
histórico-educativo, sendo “um conjunto complexo de bens/artefatos materiais e/ou imateriais
resultantes e/ou produzidos em contextos educacionais formais e/ou não formais situados
temporal e espacialmente”. Uma vez que, este adjetivo - educativo - amplia e possibilita a
inserção de materialidades ligadas aos espaços o formais que ofereçam questões educativas
sem serem propriamente ditas nas escolas, tal como ao acervo do Centro de Memórias. O
CEME hoje conta com ações de extensão, ensino e pesquisa, recebendo doações relacionadas
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com a Educação no Rio Grande do Sul, além das documentações produzidas pela Faced que
não estejam destinadas ao Arquivo Central da Universidade.
BEM-VINDOS AO CENTRO DE MEMÓRIAS DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO
O CEME FACED-UFRGS encontra-se no prédio da Faculdade de Educação, no campus
central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente encontra-se em um espaço
não adequado à guarda de documentos, pois ocupa uma sala no andar, próximo aos banheiros.
Este espaço abriga tanto a parte administrativa quanto grande parte do acervo, acondicionado
em um arquivo deslizante e mais 4 prateleiras de aço dispostas dentro da sala. Neste local
também são recebidos os visitantes que desejam neste conjunto pesquisar. Na sala o existe
circulação de ar expressiva, apenas janelas basculantes, sendo que uma delas acesso ao
banheiro feminino e localiza-se atrás da cortina que aparece na figura 1, ao fundo. Em dias
quentes, no verão, é possível sentir os odores emitidos por este espaço, nos fazendo acreditar
que também passagem do ar do banheiro e possivelmente infestação por coliformes fecais.
Há uma placa de metal instalada que teoricamente veda os dois pedaços desta janela.
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Figura 1 Sala 610 do CEME/Faced em 2024
Fonte: Acervo autor
É possível observar na figura 1 que o espaço além de ser limitado acaba sendo utilizado
para mais de uma funcionalidade, a mesa ao fundo da imagem serve como espaço de
higienização dos documentos e objetos, mas em outra ocasião também pode virar espaço para
consulta dos pesquisadores que frequentam este local, ou então ponto central para as reuniões
da equipe de trabalho. Analisando as informações disponíveis na fotografia, é possível notar as
condições de uso das prateleiras, os materiais nem sempre ideais para acondicionamento do
acervo. Nas paredes do setor existem registros, a iluminação é precária sem previsão de
reforma, ainda que seja um setor da Universidade, não possui orçamento próprio e qualquer
benfeitoria realizada acaba sendo paga a partir de verbas disponíveis para aqueles fins em
Projetos de Pesquisas das docentes vinculadas ao setor. Pertencem ao setor os depósitos 601 e
607, no mesmo andar da sala administrativa, além da sala 408 dentro do mesmo prédio.
Cabe destaque ainda, dentro desta historicidade institucional - que o setor, desde 2019 -
faz parte da Rede de Museus e Acervos Museológicos da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (REMAM). A REMAM foi criada através de portaria em 2011, e tem por objetivo
consolidar a política de gestão dos acervos científico/culturais dos espaços de memória da
Universidade. É através da consultoria da rede que o Centro de Memórias está constituindo sua
documentação museológica. O trabalho no CEME Faced consiste em organizar a memória
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institucional e também a memória educativa do Rio Grande do Sul. Dentro da sala 610 do
Prédio da Faced e do depósito 601 o Centro possui, higienizados e previamente identificados,
objetos tridimensionais, livros, e mais de 521 caixas de arquivos com documentos
organizados. Este depósito constitui-se em “mini sala” sem iluminação natural, ao lado do
elevador, onde utilizam prateleiras para guarda do material que o setor julgar necessário.
O CEME ainda abriga, em regime de comodato, aproximadamente 20 mil itens do
acervo pessoal do professor e poeta Oliveira Silveira, referência no movimento negro e um dos
responsáveis pelo dia da consciência negra, que ainda necessitam ser avaliados e catalogados.
Bem como, um volume documental expressivo ainda não identificado, que está armazenado em
um outro depósito também pertencente ao setor, a sala 607 (Figura 2). É possível observar na
imagem que esta massa documental além de não ter recebido tratamento arquivístico tampouco
foi acumulada com devido cuidado de acondicionamento. Faz parte das metas do próximo ano
do setor organizar este espaço para que os documentos estejam ao menos organizados
corretamente nas prateleiras e não mais amontoados no chão. A situação possibilita danos à
estrutura do documento pelo modo incorreto de guarda, além de estarem sujeitos às sujidades
naturais do tempo, como poeira, e também a possíveis ataques de pragas como fungos, baratas,
aranhas, traças. Este depósito não apresenta uma metragem extensa, tampouco iluminação e
ventilação correta, cabe destacar que também faz divisa com o banheiro, mas neste caso com o
masculino.
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Figura 2 Acervo do CEME na sala 607 da FACED em 2024
Fonte: Acervo autor
A constituição, como mencionado anteriormente, deste acervo parte do acúmulo, de
maneira “orgânica”, de documentos produzidos através das atividades realizadas pelos demais
setores da Faculdade a partir do olhar da Arquivologia. É necessário destacar a existência de
tabela de temporalidade arquivística para a classificação e arranjo desses documentos, bem
como, de orientação disponível por parte do Arquivo Central da Universidade em caso de
dúvidas. Ainda que o processo de identificação, higienização e catalogação destes documentos
esteja em andamento, a existência de uma gestão já estabelecida oportuniza mais segurança na
prática destas atividades.
Dentre as atividades de ensino e extensão, atualmente, oferecidas pelo CEME,
destacam-se: a formação de professores em parceria com as Secretarias de Educação; a
promoção de caminhadas da educação pela cidade de Porto Alegre destacando as escolas
consagradas e as esquecidas através de seus edifícios, instigando a discussão sobre o
entendimento de patrimônio e sua preservação; e a participação nas aulas da disciplina de
História da Educação para turmas de graduação através de palestras sobre as atividades e
pesquisas produzidas no Centro.
NOVAS TIPOLOGIAS DE ACERVO: NOVOS PROCEDIMENTOS DE GESTÃO NO
CEME
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A configuração de um setor relacionado à memória da FACED como Arquivo Histórico
se mantém até meados de 2023, quando o setor recebe, conforme antes mencionado, em regime
de comodato, o acervo pessoal de Oliveira Silveira contendo em torno de 20 mil itens entre
documentos, mobiliário, instrumentos musicais, discos de vinil, medalhas, troféus, fotografias,
vestimentas, desenhos, máquina de escrever, livros e jornais (Figura 3). Cabe ressaltar que este
acervo não pertence ao CEME, ou seja, o CEME não possui a propriedade desta coleção,
recebida em forma de comodato. Assim, ao discorrer sobre o conteúdo do acervo do CEME, a
coleção Oliveira Silveira sempre aparece em separado, pois o Centro oferece apenas o local de
acondicionamento e salvaguarda dos itens que pertencem de fato ao Instituto Oliveira Silveira.
Figura 3 Acervo Oliveira Silveira na sala 408 da FACED em 2024
Fonte: Acervo autor
Na imagem é possível observar dois espaços da sala e seu acervo, são itens pessoais do
intelectual, livros acumulados durante sua vida de diversos assuntos e que receberam uma
prévia organização enquanto ainda se encontravam na casa de sua curadora. Os discos vinil que
eram ouvidos por ele em seus momentos de lazer, fotografias pessoais de momentos
importantes de sua vida e família, a coleção de rádios à pilha. Ao mesmo tempo em que nos
deparamos com objetos musicais, suas guias e seus troféus e prêmios recebidos ao longo de sua
trajetória de luta e ensino. É a primeira coleção que foge da tipologia de documento que o
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Centro estava acostumado a trabalhar, e é também por razão da visibilidade que esta coleção
causa, que outros professores possam passar a procurar este local para doar objetos
tridimensionais relacionados à cultura material escolar. Ainda sobre o acervo de Oliveira
Silveira cabe ressaltar que em virtude de sua coleção apresentar numerosa quantidade de itens,
foi cedida uma sala exclusivamente para guardar e organizar todos esses objetos de Oliveira
Silveira. Os documentos desta coleção estão recebendo tratamento adequado, e este processo
está sendo realizado em parceria com a Faculdade de Arquivologia, pelos discentes, desta
mesma Universidade, sob responsabilidade de seus docentes. Acreditamos que a mesma
parceria se buscada junto ao curso de Museologia relativo ao tratamento dos objetos
tridimensionais, bem como à Biblioteconomia quanto aos livros desta coleção. Ao analisar em
números as tipologias encontradas no acervo do CEME, excluindo a sala 408 descrita acima,
identifica-se que mais de 90% deste volume são de documentos arquivístico, em suporte papel,
possuindo em torno de 260 livros didáticos. Na imagem é possível observar que além do espaço
disponível dentro do arquivo deslizante que aparece no meio da figura neste setor algumas
prateleiras de aço com inúmeras caixas arquivo, o que nos possibilita perceber o volume extenso
frente à limitação de espaço físico. Consegue-se identificar também que os livros se encontram
organizados e identificados por temática e cor facilitando a procura pelos tulos de modo rápido
e independente por parte do pesquisador. Diferente da Figura 1 - anteriormente apresentada
nesta escrita, nesta captura, os livros receberam tratamento a partir das técnicas e premissas
da Biblioteconomia (Figura 4), visto que, a única servidora técnica do setor é bibliotecária
documentalista de formação, possibilitando assim uma ação rápida de organização, e 40 objetos
tridimensionais pertencentes ao acervo museológico. É sobre este nicho do acervo que o
presente artigo propõe uma análise a partir de agora.
Figura 4 Acervo arquivístico e bibliográfico do CEME Faced em 2024
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Fonte: Acervo autor
O Centro de Memórias entende que dentro de seu acervo existam 40 objetos com caráter
museal e para que possam ser valorados como tal precisam ser geridos seguindo as premissas
da Museologia. Estão entre estes objetos, palmatória, estojos de madeira, caneta tinteiro, mata-
borrão, caneta pena, ardósias, carteiras escolares, armário escolar, globo, bandeira do Brasil,
livro de admissão, giz, estojo de pedras semipreciosas do Brasil, uniformes, flâmulas, sineta,
lápis objetos da cultura material escolar. (Figura 5).
Figura 5 Acervo museológico do CEME Faced em 2024
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Fonte: Acervo autor
Na figura acima é possível identificar dois momentos distintos, no canto esquerdo da
imagem tempos a Exposição montada no andar térreo do prédio onde o Centro de Memórias
habita, o saguão da Faculdade de Educação da UFRGS. Em especial neste dia, a atividade
desenvolvida era o Evento Portas Abertas, onde a Universidade abre suas portas e apresenta
seus cursos, suas pesquisas, atividades, convidando tanto a sociedade quanto os jovens a
conhecerem melhor os cursos que buscarão como carreira.
Pensando na promoção do setor, bem como, na sensibilização e na conscientização para
a importância da preservação do patrimônio histórico-educativo o setor decidiu expor seus
objetos com legendas e placas indicando ano ou século de uso com a intenção de questionar
quais seriam os nomes e a funcionalidade de cada item ali exposto. no canto direito da figura
é possível observar alguns dos objetos que foram expostos na atividade descrita anteriormente,
dentre eles encontra-se palmatória, ardósia, mata-borrão, estojo escolar de madeira, sineta e um
estojo contendo pedras semipreciosas que era utilizado em aulas de geografia outrora.
Ao pensarmos no processo de musealização para transformá-los em objetos museais,
nos encontramos diretamente com o pensamento de Zbynek Stránsky. Segundo Stánsky (2008),
a Museologia deveria ser entendida como uma ciência contendo objeto específico de estudo;
apresentando metodologias próprias; detentora de uma terminologia específica embasada em
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um sistema teórico seu. Entendemos a partir deste autor que os procedimentos de gestão das
coleções, incluindo a aquisição, a preservação e a pesquisa, são indispensáveis para a
constituição do processo de musealização.
Conforme Stransky (2008), a musealização compreende os processos de seleção,
aquisição, catalogação, preservação, conservação e exposição. O autor explicita que são
importantes a seleção, tesaurização e apresentação da museália para fazer dele não mais um
objeto comum e transformá-lo em um objeto museal. Objeto de museu, objeto museal ou
mesmo, museália, é aquele objeto que passou por um processo de musealização recebendo uma
atribuição de sentidos nova daquele de sua origem e funcionalidade na sociedade. Este objeto
passa a ter um sentido e representar algo a partir do momento em que é colocado dentro de um
contexto no espaço de memória ao qual pertence. Complementando a discussão destacamos
Cícero Almeida (2001, p. 123), “na intenção de construir uma coleção o colecionismo vai
entender os mecanismos de “ressignificação” dos objetos”.
Entende-se que o colecionismo seja a prática de analisar não só o que se coleciona, mas
o porquê de se colecionar aquele ou outro objeto, mas principalmente, o sentido e significado
que este objeto passa a possuir estando em conjunto com os demais para uma finalidade em
específico que não seja a sua de origem de produção. De acordo com Krzysztof Pomian (1984),
o objeto ao ser retirado de seu espaço original e de sua função utilitária ao ser agrupado a partir
de uma escolha específica e “exposto ao olhar do público”, torna-se um objeto de museu. Este
processo ocorre a partir do momento em que se retira a utilidade destes objetos, modificando
seu valor de uso e inserindo-o em uma coleção.
Cabe destacar ainda, que para Pomian (1984), o olhar do outro é o combustível
necessário para diferenciar uma coleção de um conjunto de objetos sem exposição, sem contato
com o exterior. Finalizamos trazendo Paul Valéry (2005) que corrobora e vai ao encontro do
entendimento de Pomian sobre o sentido a partir do olhar do público. De acordo com o autor,
o olhar sentido e perspectiva para aqueles objetos dentro de um museu silencioso. Se
estabelece uma relação de poder do museu com um objeto e seu significado dentro de um
conjunto que faz sentido aquele espaço, aquela finalidade.
Ao pensarmos na aquisição e seleção dos objetos deste Centro de Memórias é de suma
necessidade elucidar que os objetos foram doados, quase em toda sua totalidade, sendo apenas
dois deles comprados como necessidade de compor o cenário pensado da mini exposição
permanente que se encontra no saguão da Faculdade de Educação: o globo e o quadro com
cavalete. Estes objetos foram comprados, pois uma das atividades realizadas pelo CEME Faced
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constitui a representação da Escola do Passado onde oportuniza aos participantes tirar uma foto
na “Escolinha”, tal qual se fazia em décadas passadas (Figura 6).
Figura 6 Recordação da escola do passado
Fonte: Servidora do CEME Faced Sibila Binotto. Acervo autor (2024)
A figura 6 acima é uma demonstração de uma das atividades realizadas pelo setor, o
espaço utilizado para a exposição deste mobiliário localiza-se conforme mencionado dentro da
Faculdade de Educação, ao lado da escada, próximo da porta de entrada principal do prédio e
ao lado de uma parede de janelas altas. Nesta figura podemos observar a representação de como
muitos estudantes posicionaram-se para tiraram suas fotografias, ainda que sorrindo, o que não
era muito repetido pelos alunos em outras épocas, a servidora coloca-se em postura mais ereta,
com os pés posicionados para frente, havia, por certo, uma ordem a ser seguida de como portar-
se. A inexistência de local adequado para seu acondicionamento, ou até mesmo exposição, faz
com que este mobiliário enfrente condições impróprias para sua locação e conservação. No dia-
a-dia das atividades da Faculdade, bem como, do CEME Faced, ficam expostos no saguão
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apenas o quadro, as carteiras escolares e o armário, os outros objetos são acondicionados no
acervo na sala 610. Evita-se assim, o desgaste natural do objeto, o furto, a depredação ou
qualquer outra intempérie que possa surgir.
Quando propostas de doações chegam para avaliação, faz parte do protocolo a
assinatura do documento de avaliação onde também consta a informação de que após análise,
não havendo interesse por parte do setor, os objetos serão devolvidos para seu antigo dono, caso
haja interesse pelo recebimento do objeto o termo de doação é fornecido para que seja assinado
pelo doador. Segundo Renata Padilha (2014, p. 54), termo de doação “é o termo criado para
comprovar e assegurar ao museu de que o doador está passando a propriedade do objeto/da
coleção para os seus cuidados”. Relativo aos critérios para o aceite de doações, são considerados
objetos e documentos onde visivelmente existe uma relação direta com a Educação. A Educação
do Estado do Rio Grande do Sul é o tema de interesse deste espaço de guarda e tudo que deste
tema se desmembra.
Os objetos selecionados começarão a receber a numeração e preenchimento da sua ficha
de catalogação para melhor controle deste conjunto. A seleção parte do entendimento e da
valoração que aquele objeto traz consigo dentro do tema central do acervo: Educação. Não
houve, até o momento, oferecimento e seleção de objetos relacionados às áreas de Engenharia,
Medicina, a relação estabelecida precisa estar diretamente ligada com Educação, por exemplo,
que tenha pertencido ao professor-poeta; por ser um desenho construído em uma disciplina de
pós-graduação; que tenha sido adquirido inicialmente em um sebo datado de 1940 ou ser um
armário original igual aos que se utilizavam nas salas de aula.
Quanto à numeração, o setor escolheu o uso de numeração alfanumérica, contudo os
objetos ainda os receberam. a ficha de catalogação, que segundo Padilha (2014), é vista como
um instrumento que auxilia a documentação dos objetos, é uma ferramenta que proporciona
uma padronização das informações. A ficha de catalogação do CEME Faced (Figura 7) foi
pensada - e está em processo de aperfeiçoamento - para que seja única, e englobe todas as
categorias que o setor possui, acompanhada de um Manual, com orientações para
preenchimento correto desta ficha. A catalogação prevê a classificação dos objetos e, para tal,
o CEME utilizará o Tesauro de Objetos do Patrimônio Cultural nos Museus Brasileiros (Ferrez,
2016). Ao pensar nesta ferramenta essencial que é o vocabulário controlado, é possível
identificar uma preocupação com a recuperação da informação através da utilização dos termos
autorizados para a indexação.
Figura 7 Parte da Ficha de catalogação provisória do CEME Faced/UFRGS
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Fonte: Acervo do CEME Faced (2025)
Na figura é possível observar o logo do setor no topo centralizado, seguido do nome do
documento e também de espaço para que desde o início seja identificado a qual grupo o
objeto pertence dentro das especificidades do acervo. Na sequência é possível obervar que
alguns itens de preenchimento aparecem com um asterisco (*) ao lado, identificando que o
preenchimento deste campo é obrigatório. O estabelecimento de procedimentos padrões para
reger as formas de documentar o acervo museológico, desde sua entrada no CEME, até sua
catalogação com utilização de classificação e controle terminológico, garante que este espaço
de guarda se mantenha independente do conhecimento individual dos profissionais que nele
trabalham, possibilitando que outras pessoas que se agreguem à equipe do CEME possam
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continuar desenvolvendo o trabalho de registro do acervo de acordo com os protocolos
estabelecidos e registrados em manuais de procedimentos.
CONCLUSÕES
Ao observarmos o processo de constituição do acervo do CEME Faced, bem como de
seu espaço de guarda, é possível identificar uma vontade em salvaguardar, em difundir, em
preservar este acervo tão único. A trajetória singular desse conjunto documental e seu ato em
“resistir” às intempéries impostas pelo tempo torna-o um exemplo de lugar de salvaguarda que
existe a partir do trabalho e querer de poucas pessoas para depois ser visto e reconhecido por
um coletivo. Com sua formação inicial, a documentação em papel acumulada, este Centro de
Memórias percebeu-se com uma demanda, em maior parte, que carecia de conhecimentos da
Arquivologia e da Biblioteconomia. Durante a análise deste processo possível inferir - através
dos dados disponibilizados - durante esta escrita, que a gestão documental se deu de modo
simples e rudimentar, sem recursos. A própria atuação das direções da Faculdade de Educação
que já cumpriram mandato deste o início desta história até os dias atuais, torna-se questionável
quando analisamos pontualmente o interesse e investimento orçamentário para que este espaço
possuísse um local de acordo com o necessário, com recursos e abertura para existir e atuar em
sua plenitude.
Em verdade, notou-se que os interesses pelas memórias contidas naquelas caixas
oscilavam para mais e para menos conforme quem assumia a direção da Faculdade, contudo
esta atividade nunca foi de fato prioridade tampouco para a Universidade que ainda não possui
uma política pública de gestão de acervos ou política pública de memória e patrimônio. Nota-
se que o sentimento tanto deste Centro de Memórias quanto de tantos outros espaços de
salvaguarda do patrimônio é de abandono, de solitude. Autorizar que um lugar de salvaguarda
das memórias de uma instituição educativa tão significativa exerça suas atividades em uma sala
com registrs hidráulicos, sem ventilação e dividindo janela com um banheiro é a prova de que
a memória e o patrimônio ainda não são prioridade.
A entrada de objetos tridimensionais, de caráter museológico, exigiu do Setor o desafio
de gerir essa nova tipologia de acervo. Percebemos essas mudanças quando a equipe passa a
demonstrar entender a necessidade de produção de documentação específica a partir das
técnicas e orientações museológicas que conversem com suas ações. Há uma intencionalidade
em constituir um processo de gestão coerente e conciso, onde as três áreas da Ciência da
Informação - Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia - se complementem e andem juntas,
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mas cada qual dentro das especificidades técnicas de sua área, passíveis de recuperarem uma
informação dentro do Centro. Ao aceitar a doação em comodato de um acervo tão significativo,
potente quanto do intelectual Oliveira Silveira, é colocar-se enquanto setor como um espaço
aberto para ouvir e dialogar sobre práticas antirracistas, é entender a importância em difundir
este acervo para o maior número de pesquisadores. É colocar-se, inclusive como ouvinte e
colaborador na busca por uma educação museal e patrimonial acolhedora, em prol do
patrimônio histórico-educativo negro. Por fim, é perceber as inúmeras facetas que o patrimônio
ali contido pode oferecer e a partir delas todas as discussões que a partir delas podem ser
produzidas.
Foi possível identificar, a partir da análise dos dados elencados, as fraquezas do
Centro de Memórias: espaço físico reduzido ou não suficiente para o tamanho do acervo; falta
de uma reserva técnica adequada à guarda do acervo tridimensional que, por falta de espaço,
permanece em exposição no saguão da Faculdade de Educação; falta de um laboratório para as
atividades de higienização e conservação dos objetos. A localização atual da “Escolinha”, como
é internamente descrita, coloca em risco a conservação do mobiliário, uma vez que, na posição
onde se encontram, estão sujeitos a infestações, oscilação brusca de temperatura diariamente,
incidência direta de luminosidade solar, além de risco de molharem com a chuva, que em
grandes quantidades entram pela porta do prédio localizada próximo da exposição.
Outro ponto fraco seria a necessidade de mudança, que clama por urgência, o espaço
físico que hoje é composto por um único local dividido entre reserva técnica, laboratório de
procedimentos, setor administrativo, local de pesquisa e ensino. Todas essas atividades
acontecendo no mesmo ambiente, por vezes concomitantemente. É imprescindível que haja um
aumento deste setor para que as atividades possam ser executadas adequadamente. Quanto ao
processo de gestão percebemos que estão amadurecendo, ainda acreditamos que a presença de
um profissional da museologia e um da arquivologia faria toda a diferença no processo de
conservação e preservação deste patrimônio-educativo. Como indicado, anteriormente, é
perceptível a intencionalidade da equipe em profissionalizar as práticas de gestão do acervo
como um todo. Há a intencionalidade em trazer cada vez mais público para dentro do setor.
a necessidade em se fazer reconhecido como um espaço de salvaguarda. Outro ponto que ainda
carece de atenção é o banco de dados, o software ou nuvem em que essas informações serão
tabeladas e disponibilizadas para pesquisa. O setor ainda não possui um sistema de recuperação
de informação, durante o momento da pesquisa para a construção deste texto estava-se
conversando sobre a utilização de um software livre, como o Tainacan, mas não se chegou em
um consenso.
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O Centro de Memórias é um local de salvaguarda que se preocupa não só com pesquisa,
extensão e ensino. Suas ações nos mostram a preocupação com o acondicionamento, a
conservação e a preservação de seu acervo, há um entendimento de que o que está ali guardado
seja patrimônio material da cultura escolar, portanto, patrimônio histórico-educativo. Foi
possível identificar o reconhecimento por parte da coordenação do espaço nos saberes
específicos que a Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia oferecem para um trabalho cada
vez mais profissionalizante, coerente e completo.
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Recebido em: 23 de outubro de 2025.
Aceito em: