cemitrio de ruínas, os homens modernos questionaram-se acerca da fuso entre natureza e
história, s vezes discordantes, que nutriram a imaginao contemporânea” (Gallo, 2015, p.
117). De fato, como adverte Alain de Botton:
Os edifícios que admiramos são, em última instância, aqueles que, de várias
formas, exaltam valores que consideramos apreciáveis – que se referem, seja
através de seus materiais, formas e cores, a qualidades lendariamente positivas
como afabilidade, gentileza, sutileza, força e inteligência. O nosso sentido de
beleza e a nossa compreensão da natureza, de boa vida estão entrelaçados [...]
Se a busca da felicidade é a questão subjacente de nossas vidas, parece natural
que ela seja, ao mesmo tempo, o tema essencial ao qual a beleza alude (Botton,
2006, p. 157).
O princípio descrito por Alain de Botton é, para nós, pertinente e pode ser resumido pela
conclusão proposta por Diogo Pires Aurélio, ao contrapor o pensamento de Benedito de
Espinosa (1632-1677) à obra De la Recerche de la Vérité (1674) de Nicolas Malebranche (1638-
1715): “o princípio que orienta o menor gesto, ou pensamento, do homem o da sobrevivência”
(Aurélio, 2014, p. 230). De fato, para Baruch Spinoza, a transitoriedade dos affectus estaria
sujeita à variação correlativa ativa e passiva, pelo que recorreria ao conceito de conatus para
estabelecer um critério classificatório imanente à vida afetiva (Spinoza, 1830, p. 364-365).
Deste princípio auferimos que no processo de aprendizagem, no qual prevalece o
estímulo emocional/motivacional, o subconsciente humano se empenha por se ater àquilo que
potencia a vida, tanto em benefício próprio como do coletivo (Esperidião-Antonio et al., 2008,
p. 58-64). Igualmente, quando a narrativa desestimula uma interação profícua, automaticamente
nos esforçamos por conduzir a nossa atenção para outros aspectos interiores ou exteriores que
nos cativem e, simultaneamente, apaguem a mensagem que nos coibiu (Eisenberger, 2015, p.
614-616). Devemos, porém, ter em atenção a finalidade das emoções, como demonstra António
Damsio: “ importante notar que o sinal emocional no um substituto do raciocínio. O sinal
emocional tem um papel auxiliar. Aumenta a eficiência do raciocínio e aumenta também a sua
rapidez” (Damsio, 2017, p. 163-164).
No que concerne à conservação do construído arqueológico, a observação deste
princípio é fundamental, uma vez que, ao potencializarmos, na narrativa arqueológica,
determinados elementos que despoletem emoções relativamente ao contexto sob apreciação,
prontamente, catalisaremos a sensibilização individual, etapa indispensável à própria
concepção identitária das cidades de ruínas vesuvianas. Pertinente a este respeito é o exame dos
processos emotivos/motivacionais, realizado pela investigadora Alison J. McIntosh, em 1200
indivíduos, que visitaram três museus em céu-aberto no Reino Unido: o Blists Hill Open Air