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A TRAJETÓRIA DO CENTRO DE MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO DO SUL DE
SANTA CATARINA (CEMESSC VIRTUAL): ENTRE A SALVAGUARDA E A
PESQUISA (20142020)
1
Giani Rabelo
Universidade do Extremo Sul Catarinense, Brasil
gra@unesc.net
Cinita Gonçalves Martins
Universidade do Extremo Sul Catarinense, Brasil
cintiamartins@unesc.net
Susane da Costa Waschinewski
Secretaria Municipal de Educação de Criciúma, Brasil
sucosta@unesc.net
RESUMO
O artigo apresenta um mapeamento, realizado em 2024, das produções acadêmicas: artigos,
dissertações, teses, capítulos de livros e comunicações que tomaram o Centro de Memória da
Educação do Sul de Santa Catarina (CEMESSC) como objeto de investigação ou cus de
pesquisa no período de 2014 a 2020. A investigação recorreu a bases de dados nacionais e
internacionais, como o Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES, a Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações (BDTD), o Portal de Busca Integrada da USP, o Google Acadêmico, entre
outras. Inspirada nos estudos do tipo “estado da arte”, a pesquisa identificou, registrou e
categorizou as produções que utilizaram o acervo do CEMESSC, bem como aquelas que
fizeram menção à sua existência, observando os temas, referenciais teóricos e categorias
conceituais mobilizadas. Os resultados apontam o CEMESSC como referência consolidada no
campo da História da Educação e como espaço de preservação e difusão do patrimônio
educativo regional. A trajetória do Centro evidencia sua relevância científica, formativa e
social, ao articular ensino, pesquisa e extensão, democratizando o acesso às fontes históricas e
contribuindo para a valorização da memória e da cultura escolar no extremo sul catarinense.
Palavras-chave: Memória da Educação. Centros de Memória. Santa Catarina, Brasil.
Patrimônio Educativo; História da Educação.
LA TRAYECTORIA DEL CENTRO DE MEMORIA DE LA EDUCACIÓN EN EL
SUR DE SANTA CATARINA (CEMESSC VIRTUAL): ENTRE LA SALVAGUARDIA
Y LA INVESTIGACIÓN (2014-2020)
RESUMEN
Este artículo presenta un mapeo, realizado en 2024, de la producción académica: artículos,
disertaciones, tesis, capítulos de libros y trabajos que utilizaron el Centro de Memoria Educativa
del Sur de Santa Catarina (CEMESSC) como objeto de investigación entre 2014 y 2020. La
investigación empleó bases de datos nacionales e internacionales, como el Catálogo de Tesis y
Disertaciones de la CAPES, la Biblioteca Digital de Tesis y Disertaciones (BDTD), el Portal
1
A investigação foi desenvolvida no âmbito do projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação
do Estado de Santa Catarina (FAPESC, Edital nº 54/2022)
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Integrado de Búsqueda de la USP y Google Académico, entre otras. Inspirada en estudios de
vanguardia, la investigación identificó, registró y categorizó las producciones que utilizaron la
colección del CEMESSC, así como aquellas que mencionaron su existencia, observando los
temas, marcos teóricos y categorías conceptuales utilizados. Los resultados señalan al
CEMESSC como un referente consolidado en el campo de la Historia de la Educación y como
un espacio para la preservación y difusión del patrimonio educativo regional. La trayectoria del
Centro demuestra su relevancia científica, formativa y social al articular enseñanza,
investigación y extensión, democratizar el acceso a las fuentes históricas y contribuir a la
valorización de la memoria y de la cultura escolar en el extremo sur de Santa Catarina.
Palabras clave: Memoria de la Educación. Centros de Memoria. Santa Catarina, Brasil.
Patrimonio Educativo; Historia de la Educación.
THE TRAJECTORY OF THE CENTER FOR MEMORY OF EDUCATION IN
SOUTHERN SANTA CATARINA (CEMESSC VIRTUAL): BETWEEN
SAFEGUARDING AND RESEARCH (20142020)
ABSTRACT
This article presents a mapping, conducted in 2024, of academic productions: articles,
dissertations, theses, book chapters, and papers that used the Southern Santa Catarina Education
Memory Center (CEMESSC) as a research object or locus from 2014 to 2020. The research
used national and international databases, such as the CAPES Catalog of Theses and
Dissertations, the Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD), the USP Integrated
Search Portal, Google Scholar, among others. Inspired by "state-of-the-art" studies, the research
identified, recorded, and categorized the productions that used the CEMESSC collection, as
well as those that mentioned its existence, observing the themes, theoretical frameworks, and
conceptual categories mobilized. The results point to CEMESSC as a consolidated reference in
the field of History of Education and as a space for the preservation and dissemination of
regional educational heritage. The Center's history demonstrates its scientific, educational, and
social relevance by integrating teaching, research, and outreach, democratizing access to
historical sources, and contributing to the appreciation of memory and school culture in the far
south of Santa Catarina.
Keywords: Memory of Education. Memory Centers. Santa Catarina, Brazil. Educational
Heritage; History of Education.
LA TRAJECTOIRE DU CENTRE DE MÉMOIRE DE L'ÉDUCATION DU SUD DE
SANTA CATARINA (CEMESSC VIRTUEL): ENTRE SAUVEGARDE ET
RECHERCHE (2014-2020)
RÉSUMÉ
Cet article présente une cartographie, réalisée en 2024, des productions académiques : articles,
mémoires, thèses, chapitres de livres et articles ayant utilisé le Centre de mémoire de
l’éducation du sud de Santa Catarina (CEMESSC) comme objet ou lieu de recherche entre 2014
et 2020. La recherche a utilisé des bases de données nationales et internationales, telles que le
Catalogue des thèses et mémoires du CAPES, la Bibliothèque numérique des thèses et
mémoires (BDTD), le Portail de recherche intégré de l’USP et Google Scholar, entre autres.
Inspirée par des études de pointe, la recherche a identifié, répertorié et catégorisé les
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productions utilisant la collection du CEMESSC, ainsi que celles mentionnant son existence,
en observant les thèmes, les cadres théoriques et les catégories conceptuelles mobilisés. Les
résultats désignent le CEMESSC comme une référence consolidée dans le domaine de l’histoire
de l’éducation et comme un espace de préservation et de diffusion du patrimoine éducatif
régional. L'histoire du Centre témoigne de sa pertinence scientifique, éducative et sociale, en
intégrant l'enseignement, la recherche et la vulgarisation, en démocratisant l'accès aux sources
historiques et en contribuant à la valorisation de la mémoire et de la culture scolaire dans
l'extrême sud de Santa Catarina.
Mots-clés : Mémoire de l'Éducation. Centres de Mémoire. Santa Catarina, Brésil. Patrimoine
Éducatif ; Histoire de l'Éducation.
INTRODUÇÃO
Ao longo do tempo, o Centro de Memória da Educação do Sul de Santa Catarina
(CEMESSC Virtual)
2
, tem se consolidado como um espaço de articulação entre passado e
presente, possibilitando a construção de novas narrativas e a salvaguarda de elementos culturais
e históricos que fortalecem a identidade local e contribuem para a preservação do patrimônio
educativo. Nesse sentido, configura-se como um guardião do “Patrimônio Cultural Educativo”,
em consonância com a Carta de Natal (2024) que conceitua este termo da seguinte forma:
[...] são todos os bens salvaguardados em escolas, centros de memória,
instituições de ensino técnico e superior, universidades, no território brasileiro
que tenha passado por organização tecnocientífica ou por processos visando à
apresentação pública de um patrimônio animador da produção de pesquisas
(acadêmicas ou não), dinamizador de ações de memória e história das
instituições escolares, suas comunidades e territórios, amparo da história e da
historiografia da educação no país. (SBHE, 2024, p. 1).
O CEMESSC foi criado pelos membros do Grupo de Pesquisa História e Memória da
Educação (GRUPEHME), vinculado ao Programa de Pós Graduação em Educação (PPGE) da
Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). O CEMESSC conta com um acervo
digital composto por documentos textuais, iconográficos e objetos museológicos, encontrados
em 27 escolas públicas estaduais (mais antigas), localizadas em cidades do extremo sul de Santa
Catarina
3
.
2
O CEMESSC está disponível online no endereço: https://muesc.unesc.net/muesc/muni_07.php. No entanto, esse
mesmo acervo passou a integrar uma nova homepage, o Museu Pedagógico Virtual (MuPeVi), que apresenta
uma versão gamificada com o objetivo de alcançar outros blicos, especialmente estudantes da educação básica.
O MuPeVi pode ser acessado em: https://www.unesc.net/museu-pedagogico-virtual.
3
Sendo 11 (onze) delas localizadas nos municípios que fazem parte da Associação dos Municípios da Região
Carbonífera AMREC (Cocal do Sul, Criciúma, Forquilhinha, Içara, Lauro ller, Morro da Fumaça, Nova
Veneza, Orleans, Siderópolis, Treviso e Urussanga), 11 (onze) da Associação dos Municípios do Extremo Sul
Catarinense AMESC (Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Ermo, Jacinto Machado, Maracajá,
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As escolas que integram o CEMESSC estão distribuídas pelas três associações de
municípios da região. Na Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC) foram
contempladas as seguintes escolas de educação básica (EEB): “Costa Carneiro” (Orleans);
“Princesa Isabel” (Morro da Fumaça); “Angelo Izé” (Forquilhinha); “Professor Lapagesse”
(Criciúma); “Professor Padre Schuller” (Cocal do Sul); “Salete Scotti dos Santos” (Içara);
“Visconde de Taunay” (Lauro Müller); “Julieta Torres Gonçalves” (Nova Veneza); “José do
Patrocínio” (Siderópolis); “Udo Deeke” (Treviso) e “Barão do Rio Branco” (Urussanga). Na
Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC), as escolas selecionadas
foram:” Castro Alves” (Araranguá); “Pedro Simon” (Ermo); “Jacinto Machado” (Jacinto
Machado); “Manoel Gomes Baltazar” (Maracajá); “Meleiro” (Meleiro); Bulcão Viana” (Praia
Grande); “Professora Maria Solange Lopes de Borba” (São João do Sul); “Catulo da Paixão
Cearense” (Sombrio); “Timbé do Sul’ (Timbé do Sul); “ Jorge Schutz” (Turvo) e “Governador
Ildo Meneghetti” (Passo de Torres). na Associação de Municípios da Região de Laguna
(AMUREL), as escolas envolvidas foram: “Marechal Luz” (Jaguaruna); “Hercílio Luz”
(Tubarão); “Henrique Lage” (Imbituba); “Professora Eulina Heleodora Barreto” (Imaruí) e
“Dom Joaquim” (Braço do Norte).
Nesse contexto, o GRUPEHME, ao promover a preservação do patrimônio histórico
educativo da região do extremo sul catarinense, por meio desta e de diversas outras ações,
consolida-se como uma referência nesse campo, pois:
Seus membros entendem que os documentos acumulados pelas escolas
precisam ser socializados, a fim de possibilitar uma maior interação
entre a pesquisa e o ensino, não só de graduação e pós-graduação, mas
também com a educação básica, pois a história dos estabelecimentos
escolares deve ser objeto de conhecimento não do mundo
acadêmico, mas, sobretudo, das comunidades escolares. Além disso,
esta história deve ser construída de forma coletiva, pois os membros
das comunidades escolares o os seus principais sujeitos. (Rabelo;
Costa, 2014, p. 45).
Com a aprovação do projeto de pesquisa intitulado O Centro de Memória da Educação
do Sul de Santa Catarina (CEMESSC) como objeto e lócus de pesquisa: desvelando suas
potencialidades, no âmbito do Edital de Chamada Pública da Fundação de Amparo à Pesquisa
Meleiro, Morro Grande, Passo de Torres, Praia Grande, Santa Rosa do Sul, São João do Sul, Sombrio, Timbé do
Sul e Turvo) e 5 (cinco) da Associação de Municípios da Região de Laguna AMUREL (Armazém, Braço do
Norte, Capivari de Baixo, Grão Pará, Gravatal, Imaruí, Imbituba, Jaguaruna, Laguna, Pedras Grandes, Rio
Fortuna, Sangão, Santa Rosa de Lima, São Ludgero, São Martinho, Treze de Maio e Tubarão).
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e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) 54/2022
4
, que tem como objetivo
identificar o potencial de investigação do acervo digital do CEMESSC para a área da Educação
e da História da Educação no sul catarinense, definiu-se como uma das ações centrais a
realização de um mapeamento dos estudos publicados até o ano 2024. Portanto, busca-se
analisar as potencialidades de investigação do acervo digital, atualmente composto por 617
documentos provenientes dos arquivos de 27 escolas estaduais, totalizando 30.144 páginas
digitalizadas.
Cumpre destacar que o CEMESC foi idealizado pelos membros do GRUPEHME e
implantado em 2014, portanto, há mais de uma década. Considera-se pertinente, nesse sentido,
a realização de um balanço de seus usos, com o objetivo de refletir e problematizar aspectos
que possam oferecer subsídios tanto para o seu aprimoramento quanto para o desenvolvimento
de futuras pesquisas no campo da História da Educação. Optou-se por adotar o recorte temporal
de 2014 a 2020 por se compreender que se trata de um período suficientemente razoável para a
análise proposta.
Neste artigo, foram priorizadas duas etapas de sete previstas no projeto
5
. A primeira
consistiu no mapeamento dos estudos que apresentaram o CEMESSC ao mundo acadêmico,
que utilizaram de seus documentos e os que o citaram. A segunda etapa consistiu na análise dos
trabalhos encontrados, visando identificar os temas investigados e analisar as categorias
conceituais empregadas, metodologia e resultados alcançados. Foram mapeados dissertações,
teses, artigos, livros, capítulos de livro e anais das áreas de Educação e História da Educação.
Ao realizar o “exercício de recuperação analítica da produção” (Dayrell; Carrano, 2009,
p. 07), temos como objetivo buscar compreender e visualizar como o CEMESSC tem sido
apresentado ao mundo acadêmico e como tem contribuído para distintas pesquisas. Neste
sentido construímos uma espécie de estado da arte, a fim de realizar:
[...] levantamentos sistemáticos ou balanço sobre algum conhecimento,
produzido durante um determinado período e área de abrangência. Dessa
forma, os pesquisadores que decidem fazer um Estado da Arte ou Estado do
4
Programa de Ciência, Tecnologia e Inovação de Apoio aos Grupos de Pesquisa da Associação Catarinense das
Fundações Educacionais (ACAFE)
5
As etapas são estas: 1) Mapear e reunir os estudos já realizados a partir das fontes disponibilizadas no acervo; 2)
Conhecer os temas já investigados e as categorias conceituais utilizadas; 3) Atualizar o acervo documental do
CEMESSC com a inserção de novos itens sugeridos pelas vinte e sete (27) escolas envolvidas; 4) Classificar os
documentos abrigados em sua plataforma a partir de temas voltados à Educação e à História da Educação; 5)
Indicar linhas de investigação articulados à Linha de Pesquisa Educação Linguagem e Memória do
PPGE/UNESC; 6) Apontar possíveis temáticas e objetos de pesquisa aos/às acadêmicos/as do lato sensu e stricto
sensu ligados à Linha de Pesquisa Educação, Linguagem e Memória; 7) Tornar o CEMESSC mais conhecido no
campo acadêmico; 8) Publicar, pelo menos, dois artigos até a finalização da proposta de pesquisa em questão.
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Conhecimento têm em comum o objetivo de “olhar para trás”, rever caminhos
percorridos, portanto, possíveis de serem mais uma vez visitados por novas
pesquisas, de modo a favorecer a sistematização, a organização e o acesso às
produções científicas e à democratização do conhecimento. (Vasconcellos,
Souza e Silva, 2020, p. 3).
Sem a pretensão de realizar algo estático e com objetivo de uma produção mais
aprofundada sobre o tema, buscamos realizar “identificação, registro, categorização que levem
à reflexão e síntese sobre a produção científica de uma determinada área, em um determinado
espaço de tempo” (Morosini; Fernandes, 2014, p. 102).
Com o objetivo de identificar produções acadêmicas publicadas entre 2014 e 2020 que
tomaram o CEMESSC como objeto de investigação, utilizaram seu acervo documental ou
fizeram menção à sua existência, foram realizadas buscas em diferentes bases de dados
nacionais e internacionais. Inicialmente, consultaram-se o Catálogo de Teses e Dissertações e
o Banco de Teses da Capes
6
. Em seguida, recorremos à Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD)
7
, que integra os sistemas de informação de instituições de ensino e
pesquisa em âmbito nacional. Posteriormente, utilizou-se o Portal de Busca Integrada (PBI)
8
da
Universidade de São Paulo (USP), que reúne acervos físicos e digitais da instituição, além de
conteúdos do Portal de Periódicos da Capes e publicações de acesso aberto. Também foi
consultado o Google Acadêmico (Google Scholar)
9
, ferramenta de livre acesso voltada à
pesquisa de citações e publicações científicas, bem como a Networked Digital Library of Theses
and Dissertations (NDLTD), organização internacional dedicada à disseminação de Teses e
Dissertações Eletrônicas (ETDs). Por fim, realizaram-se consultas ao repositório Open
Dissertations (EBSCO)
10
e à base ProQuest Dissertations & Theses Global (PQDT Global)
11
,
que reúnem coleções amplas e multidisciplinares de teses e dissertações em nível internacional.
Ao todo, foram encontrados, nas referidas bases de dados, 34 trabalhos, sendo seis
dissertações, uma tese, 11 artigos, dois capítulos de livro e 13 publicações em anais de eventos,
dos quais oito são resumos expandidos e cinco trabalhos completos.
O processo de levantamento bibliográfico para diferentes destinações, como: análise do
campo de pesquisa, produção de escrita, construção de um panorama da produção acadêmica,
6
Disponível em: https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/#!/ Acesso nov. 2024.
7
Disponível em: https://bdtd.ibict.br/vufind/ Acesso nov. 2024.
8
Disponível em: https://buscaintegrada.usp.br/primo_library/libweb/action/search.do Acesso nov. 2024.
9
Disponível em: https://scholar.google.com/?hl=pt-BR. Acesso nov. 2024.
10
Disponível em: https://www.ebsco.com/products/research-databases/ebsco-open-dissertations Acesso nov.
2024.
11
Disponível em: https://about.proquest.com/en/products-services/pqdtglobal/ Acesso nov. 2024.
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entre outras, consiste em uma atividade laboriosa, ao mesmo tempo que possibilita perceber a
trajetória dos estudos, os usos de autores/as e perspectivas epistemológicas, aqui em específico
relacionados à História da Educação e Patrimônio Educativo, permitindo observar a
constituição do campo de pesquisa e o balanço da produção em um cenário nacional e local, ao
mesmo tempo em que percebemos as conexões e relações que as pesquisas recentes
estabelecem com as anteriores. Para este fim foi utilizado o seguinte descritor: Centro de
Memória da Educação do Sul de Santa Catarina (CEMESSC) da UNESC.
Assim, como o ato de cartografar, apresentamos uma seleção intencional, estabelecendo
uma classificação tomando como base os seguintes conjuntos de produção: dissertações, teses,
artigos, trabalhos publicados em anais de eventos e capítulos de livros. Como em toda seleção,
alguns trabalhos ficaram de fora neste primeiro momento, pois observamos que alguns estudos
foram produzidos e entregues em seus cursos e bibliotecas apenas em meio físico, não
constando nas bases de dados escolhidas para este mapeamento.
É importante destacar que alguns artigos sobre o CEMESSC não foram localizados nas
bases de dados utilizadas na pesquisa. Esse fato levanta a hipótese de que o problema esteja
relacionado a uma possível indexação inadequada das publicações. As palavras-chave
empregadas na busca podem não corresponder exatamente aos termos utilizados pelos/as
autores/as em seus textos, ou podem ter sido atribuídas de forma imprecisa no processo de
indexação. A ausência de uma indexação eficiente compromete a visibilidade de artigos
relevantes e dificulta sua recuperação por meio dos instrumentos de pesquisa disponíveis. Tal
constatação evidencia a necessidade de um processo mais rigoroso e sensível à diversidade
terminológica das diferentes áreas do conhecimento, assegurando uma busca mais abrangente
e eficaz.
Com o intuito de dar continuidade aos propósitos deste artigo, a exposição está
organizada em três seções principais. A primeira, O CEMESSC no cenário acadêmico, analisa
o conteúdo das publicações que tomaram o Centro como objeto de investigação. A segunda, Os
usos do acervo do CEMESSC em pesquisas na História da Educação, discute as produções que
se valeram de seus documentos como fontes. A terceira, Referências ao CEMESSC em
produções acadêmicas, examina os trabalhos que mencionam o CEMESSC de forma indireta
ou contextual. Por fim, apresentam-se as considerações finais, nas quais são retomadas as
principais reflexões desenvolvidas ao longo do texto.
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O CEMESSC NO CENÁRIO ACADÊMICO
O CEMESSC tem sido apresentado à comunidade acadêmica, de forma mais detalhada,
por meio de duas frentes principais: revistas especializadas e anais de eventos voltados à
Educação e à História da Educação. Nesse percurso, identificam-se quatro produções: dois
artigos publicados em periódicos (2014 e 2018) e dois trabalhos em anais de eventos da área,
sendo um trabalho completo (2015) e um resumo expandido (2016).
O CEMESSC tem sua primeira “aparição” no campo acadêmico em 2014, quando Giani
Rabelo e Marli de Oliveira Costa, à época líderes do GRUPEHME, publicaram o artigo Centro
de Memória da Educação do Sul de Santa Catarina (CEMESSC) e os Estudos sobre a Cultura
Escolar na Revista Educação Unisinos. No texto, as autoras apresentam a criação e os objetivos
do CEMESSC, concebido como um centro digital voltado à preservação da memória das
instituições educacionais da região sul de Santa Catarina, com o propósito de fomentar uma
cultura de valorização do patrimônio escolar e incentivar pesquisas acadêmicas em História da
Educação. As discussões articulam-se à noção de patrimônio educativo (Vidal; Silva, 2011),
entendendo-o como conjunto de bens materiais e imateriais que expressam práticas, saberes e
representações do fazer escolar. As autoras destacam ainda o papel das tecnologias digitais no
processo de construção do centro, aproximando-se das reflexões de vy (1999) e Lemos
(2002) sobre o potencial das mídias digitais na criação de novos espaços de produção e
circulação do conhecimento. O CEMESSC, nesse sentido, é apresentado como um espaço de
pesquisa, preservação e socialização da memória escolar, alinhado à concepção de arquivo
escolar como lugar de memória e fonte para a escrita da História da Educação (Nóvoa, 1992;
Magalhães, 2004). O artigo estrutura-se em torno de categorias analíticas inter-relacionadas
como memória, arquivo escolar, patrimônio escolar, cultura material, cultura escolar,
digitalização, tecnologia e historiografia, mobilizando referenciais vinculados ao campo da
História Cultural, notadamente as contribuições de Chartier (1990, 2002), Julia (2001) e
Certeau (1982), que permitem problematizar as práticas de preservação e os modos de
apropriação e uso dos acervos escolares como parte das culturas educativas. Ao final, as autoras
concluem que o CEMESSC contribui significativamente para a preservação e socialização da
memória escolar, o fortalecimento da cultura de preservação do patrimônio educativo e a
integração entre ensino, pesquisa e extensão, reafirmando o valor das instituições escolares
como produtoras e depositárias de cultura e história.
Em 2015, as autoras supracitadas participam do XVIII Coloquio de Historia de la
Educación, promovido pela Universitat de Vic-Universitat Central de Catalunya, realizado na
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cidade de Vic na Espanha e apresentam uma comunicação oral sobre o CEMESSC que resulta
no trabalho completo intitulado El Centro de la Memoria de la Educación del Sur de Santa
Catarina (CEMESSC): Aportes a una Nueva Forma de Hacer Historia de la Educación. Em
consonância com o artigo publicado na Revista Unisinos, as autoras discutem o conceito de
arquivo escolar como lugar de memória, destacando a relevância do patrimônio educativo
(documental, material e imaterial) para a compreensão da cultura escolar. Ressaltam, ainda, o
papel das tecnologias digitais como estratégia para salvaguardar acervos em risco de
deterioração e ampliar o acesso às fontes. Os resultados apontam, de modo semelhante ao
referido artigo, que o CEMESSC contribui para a valorização da memória escolar pelas
comunidades educativas, para a criação de espaços de memória e de iniciativas locais de
preservação, além do fortalecimento do vínculo entre ensino, pesquisa e extensão universitária.
Evidenciam, igualmente, a ampliação das possibilidades investigativas acerca das práticas
escolares, do cotidiano e da cultura material da escola. Concluem, por fim, que o CEMESSC
se afirma como espaço de preservação do patrimônio educativo regional e de produção
historiográfica, fomentando uma cultura de preservação da memória escolar e reforçando a
necessidade de políticas públicas voltadas ao patrimônio educacional.
Em 2016, Cintia Gonçalves Martins, Filipe Ricardo da Cruz, Selma Tereza Leepkaln
DassiI e Taise Machado Figueiredo comunicam no II Congresso Ibero-Americano de
Humanidades, Ciências e Educação, que ocorreu na Universidade do Extremo Sul Catarinense,
o trabalho intitulado O Acervo Documental das Escolas que compõem o Centro de Memória da
Educação do Sul de Santa Catarina (CEMESSC) Diagnóstico e Orientações para
Conservação e Preservação. A comunicação foi publicada em forma de resumo expandido nos
Anais do evento, na Edição Especial da Revista Criar Educação (2016). Os/as autores/as
apresentam um diagnóstico da situação dos acervos escolares, realizado no contexto da
implantação e devolutiva do CEMESSC às instituições escolares, e discute também as
orientações oferecidas quanto às práticas de conservação e preservação, bem como as ações de
sensibilização da comunidade escolar acerca da importância do patrimônio educativo. Entre os
aspectos destacados, ressalta-se o risco de descarte de documentos, os processos de construção
da memória escolar e os desafios da digitalização, que não deve substituir o contato com os
documentos originais. Explicam que a metodologia de trabalho compreendeu cinco etapas,
incluindo: preparação de bolsistas, diagnóstico das escolas das regiões da AMREC, AMESC e
AMUREL, entrega de CDs com documentos digitalizados, orientação de práticas de
preservação em parceria com o Centro de Memória e Documentação da Universidade do
Extremo Sul Catarinense - CEDOC/UNESC e devolutiva do CEMESSC às 27 escolas. Os
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resultados evidenciam que grande parte dos acervos se encontram em más condições de
conservação, marcados por descarte e desorganização, ainda que algumas instituições
apresentem iniciativas mais estruturadas de preservação. Observou-se, de modo geral, o
desconhecimento da maioria dos/as profissionais acerca da relevância desses documentos para
a História da Educação, embora tenham sido identificadas experiências pontuais de valorização
e preservação. Os/as autores/as concluem que o trabalho do CEMESSC é fundamental para
evitar a perda de fontes documentais, sensibilizar escolas e comunidades e fomentar a
preservação da memória educativa regional, reforçando a urgência de políticas públicas
voltadas à conservação do patrimônio escolar.
Em 2018, Taise Machado Figueiredo e Marli de Oliveira Costa publicaram, na Revista
Criar Educação, o artigo O CEMESSC como guardião das memórias da educação do sul de
Santa Catarina. O estudo apresenta o processo de implantação do CEMESSC, conduzido pelo
GRUPEHME, e tem como objetivo compreender a importância do Centro para a preservação e
salvaguarda da cultura material escolar das escolas estaduais mais antigas da região sul
catarinense. A pesquisa adotou a metodologia documental, contemplando a análise de relatórios
e artigos sobre o CEMESSC, além de documentos que integram o acervo do Centro. Somou-se
a isso a revisão de uma ampla bibliografia acerca da cultura material escolar, conceito que
constitui a principal referência teórica do trabalho. As autoras destacam o CEMESSC como um
espaço de preservação, guarda e socialização de documentos iconográficos e textuais,
fundamentais para as investigações no campo da História da Educação. Ressaltam, ainda, que
o formato virtual do Centro amplia o acesso democrático a esses acervos. O artigo resulta do
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado por Taise Machado Figueiredo ao Curso
de História da UNESC, em 2013.
A partir das informações levantadas, observa-se que o CEMESSC foi inserido no espaço
acadêmico por meio da atuação de suas coordenadoras e da participação ativa dos/as bolsistas,
que apresentaram o Centro e seu acervo em eventos científicos. Embora reduzidas em número,
as produções iniciais (artigos de 2014 e 2018, trabalhos completos e resumos expandidos em
eventos de 2015 e 2016) desempenharam papel estratégico ao dar visibilidade ao CEMESSC
junto à comunidade científica, consolidando sua importância como espaço de preservação e
pesquisa em História da Educação.
Desde os primeiros anos, houve preocupação não apenas em organizar e disponibilizar
o acervo, mas também em afirmar o CEMESSC como referência científica, garantindo sua
inserção em diferentes instâncias de circulação do conhecimento. Assim, o período de 2014 a
2018 representa uma fase de afirmação institucional, na qual o Centro passou a ser reconhecido
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por sua proposta e relevância para a pesquisa. Além disso, consolidou-se como guardião de
fontes fundamentais para investigações em História da Educação, cujo acervo vem sendo
amplamente explorado por pesquisadores/as, como será demonstrado na seção seguinte.
OS USOS DO ACERVO DO CEMESSC EM PESQUISAS NA HISTÓRIA DA
EDUCAÇÃO
O CEMESSC dispõe de uma quantidade significativa de documentos para as pesquisas
acadêmicas, dentre eles, podemos citar, fotografias do cotidiano escolar, de festividades cívicas,
da arquitetura das instituições educativas, de professores e professoras, como também
documentos de produção estudantil como os jornais escolares, cadernos, bem como os
documentos administrativos, como fichas de matrículas, livros de notas, atas de reuniões
pedagógicas e das Associações Auxiliares da escola dentre outros. Alguns desses documentos
foram utilizados como fontes de pesquisa nas produções científicas no campo da História da
Educação, resultando em artigos, dissertações, teses e capítulos de livros e comunicações orais
(resumos expandidos e trabalhos completos) em eventos da área.
Antes de proceder à análise das produções que têm o CEMESSC como lócus de
pesquisa, antecipamos que o levantamento totalizou 22 produções acadêmicas, distribuídas da
seguinte forma: quatro dissertações (2014, 2015, 2015 e 2017); oito artigos (2014, 2016, 2017,
2018, 2019, 2019, 2019 e 2020); um capítulo de livro (2018); e nove publicações em anais de
eventos, das quais seis são resumos expandidos (2015, 2015, 2016, 2016, 2017 e 2019) e três,
trabalhos completos (2015, 2016 e 2017).
Entre as produções identificadas, destaca-se a dissertação de mestrado de Mariane
Rocha Niehues, orientada pela profa. Giani Rabelo, no PPGE/UNESC e defendida em 2014
12
,
intitulada Cultura Escolar e a Liga da Bondade nas Escolas Públicas Estaduais do Sul de Santa
Catarina (1953-1970). A pesquisa utilizou como fontes os relatórios das Ligas da Bondade,
produzidos entre os anos de 1953 a 1970, de três escolas do CEMESSC: EEB Meleiro, EEB
Professor Lapagesse e EEB Manoel Gomes Baltazar, além de entrevistas com professoras e
alunos/as citados nos relatórios. Adotando a análise documental e a história oral como
metodologia, a autora buscou compreender a implantação e o funcionamento das Ligas da
12
A apresentação das produções acadêmicas seguirá uma ordem cronológica. Ressalta-se que, na lista de
referências ao final do artigo, serão incluídos apenas esses trabalhos, ficando excluídas autores/as referenciados
nos diferentes produtos.
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Bondade, seus objetivos, atribuições e membros. O principal conceito teórico foi o de cultura
escolar de Viñao Frago (2006). Os resultados indicam que a Campanha do Natal dos zaros
foi a atividade mais recorrente, revelando a intenção das escolas de formar sujeitos bondosos e
caridosos, úteis à escola, à sociedade e à Igreja Católica. A pesquisa também mostra a forte
presença do catolicismo nos documentos e nas falas das entrevistadas, apontando que a Liga da
Bondade funcionava como instrumento de formação moral e de fidelização religiosa.
No mesmo ano, as autoras supracitadas publicaram em 2014, na Revista Científica
Eccos, o artigo: As regras de civilidade prescritas pelas Ligas da Bondade nas escolas públicas
estaduais do sul de Santa Catarina. O estudo, baseado em relatórios das Ligas da Bondade de
três escolas, teve como objetivo identificar as regras de civilidade prescritas aos alunos e alunas
entre 1953 e 1970. As autoras realizaram uma análise de conteúdo fundamentada nos conceitos
de processo civilizador e regras de civilidade propostos por Elias (1993). Os resultados
evidenciam que as ações das Ligas difundiam valores do catolicismo e da moral cristã,
revelando a forte influência da Igreja Católica nas escolas e o uso das crianças como meio de
aproximação entre a instituição religiosa e as famílias.
Em 2015, Gilmara Duarte Plácido, mestranda do PPGE/UNESC sob orientação da prof.ª
Giani Rabelo, apresentou a dissertação Civismo e Religião Católica na Cultura Escolar da EEB
Prof.ª Julieta Torres Gonçalves Nova Veneza/SC (1971-1985). O estudo teve como objetivo
compreender a articulação entre civismo e Igreja Católica nas práticas educativas desenvolvidas
por meio do Centro Cívico Escolar e das Horas Cívicas durante a ditadura civil-militar
13
,
relacionando-as ao Guia de Civismo (1969). À época, a escola era administrada pela
Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora (IENS). A pesquisa utilizou como fontes
o Guia de Civismo (1969), o Livro de Atas das Horas Cívicas (1971-1985) e o Livro de Atas
do Centro Cívico Escolar (1979-1986). A metodologia adotada foi a análise de conteúdo,
fundamentada nos referenciais de Julia (2001) sobre cultura escolar, Chartier (1999) sobre
circulação e apropriação do texto impresso, e Certeau (1985, 1994) sobre estratégias e táticas
nas práticas cotidianas. Como resultado, a autora identificou que o regime militar implementou
mecanismos de valorização do patriotismo e da unidade nacional, reforçando o culto aos heróis
e o combate ao comunismo. Na escola pesquisada, tais estratégias foram incorporadas e
ampliadas pela Congregação, evidenciando a adesão às diretrizes do governo e a difusão da
moral cristã, sem indícios de resistência.
13
Utiliza-se aqui o termo “ditadura civil-militar” por compreender que setores da sociedade civil brasileira tiveram
participação ativa tanto na implantação quanto na manutenção do regime instaurado em 1964.
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Em 2015, a mestranda Ana Paula de Souza Kinchescki, vinculada ao PPGE/UDESC e
orientada pela prof.ª Vera Lucia Gaspar da Silva, apresentou a dissertação É Preciso Fazer por
Merecer: Representações docentes sobre o ‘Ser Aluno’ (Santa Catarina, 1940-1970). O estudo
teve como objetivo compreender as ideias sobre o que significa ser aluno, a partir das
representações de professores aposentados das escolas públicas catarinenses, no período de
1940 a 1970. As fontes incluíram questionários com professores e documentos escolares, livros
de avisos, correspondências e circulares, provenientes de acervos públicos e do CEMESSC.
Dentre os materiais do CEMESSC, destacam-se livros de atas, correspondência, registros
escolares, relatórios, visitas de inspetores, normas e jornais escolares de diversas escolas
estaduais, como a EEB Professor Lapagesse, EEB Dom Joaquim, EEB Ângelo Izé, Grupo
Escolar Castro Alves, EEB Salete Scott dos Santos, EEB Costa Carneiro e EEB Manoel Gomes
Baltazar. A análise fundamentou-se nos conceitos de representação, cultura material escolar e
habitus, em diálogo com Chartier (2002), Souza (2007/2008), Escolano Benito (2012) e
Bourdieu (2008), respectivamente. A autora conclui que, nas representações docentes, “ser um
bom aluno” implicava “fazer por merecer”, evidenciando uma valorização de comportamentos
em detrimento das dimensões cognitivas dos estudantes.
No mesmo ano (2015), a mestranda Cintia Gonçalves Martins apresentou o trabalho em
forma de resumo expandido, Um olhar sobre os Jornais Escolares: Capturando os Estereótipos
Femininos que Reforçam a Desigualdade de Gênero (1964-1985) no Seminário de Educação,
Conhecimento e Processos Educativos promovido pelo PPGE/UNESC, analisando como os
jornais escolares funcionam como veículos de produção e reprodução de discursos sobre os
papéis sociais femininos durante o período da ditadura civil-militar
14
no Brasil. O estudo
amparou-se na relação entre os conceitos e educação, gênero e cultura escolar, evidenciando a
permanência de estereótipos que contribuíram para a manutenção da desigualdade de gênero.
Foram analisadas atas das reuniões da Associação do Jornal Escolar e os jornais escolares das
seguintes escolas: EEB. Jacinto Machado, da EEB Costa Carneiro, da EEB Manoel Gomes
Baltazar, da EEB Salete Scott dos Santos, da EEB. Prof. Lapagesse, da EEB Padre Schuler e
da EEB José do Patrocínio. Um dos principais conceitos mobilizados na análise foi o de cultura
escolar em diálogo com Viñao Frago (2002). A análise revela que os jornais escolares retratam
as mulheres em papéis domésticos ou comportamentos considerados “apropriados” à
feminilidade, limitando suas possibilidades de atuação e reforçando hierarquias de gênero. O
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Utiliza-se aqui o termo “ditadura civil-militar” por compreender que setores da sociedade civil brasileira tiveram
participação ativa tanto na implantação quanto na manutenção do regime instaurado em 1964.
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estudo evidencia que, mesmo em contextos educativos, a produção escolar podia funcionar
como instrumento de manutenção de desigualdades sociais, destacando a importância de
problematizar materiais pedagógicos para a promoção de uma educação mais crítica e
igualitária.
Nesta mesma edição do Seminário de Educação, Conhecimento e Processos Educativos,
foi apresentado o trabalho As Associações Auxiliares da Escola em Santa Catarina: entre a
Escola Nova e a Pedagogia Tradicional, de Vanessa Massiroli e Giani Rabelo, em formato de
resumo expandido. O trabalho analisa o papel das Associações Auxiliares da Escola como
Clubes de Leitura, Ligas de Bondade, Cooperativas e Grêmios Estudantis, na formação cidadã
e moral de crianças e jovens. Essas práticas são compreendidas como espaços de socialização
que expressam a tensão entre a Escola Nova, centrada na participação ativa do aluno, e a
pedagogia tradicional, marcada pelo disciplinamento e pela autoridade docente. As autoras
apontam que tais associações funcionavam como estratégias educativas complementares,
promovendo valores como civismo, solidariedade, disciplina e cooperação, ao mesmo tempo
em que regulavam condutas de acordo com o projeto político e social das primeiras décadas
republicanas. O estudo, fundamentado na História Cultural, utiliza análise documental de
legislações e registros escolares, apoiando-se em autores como Azevedo (2010), Lourenço
Filho (1978) e Otto (2012) para discutir as relações entre Escola Nova, pedagogia tradicional,
controle e disciplina escolar.
Ainda em 2015, o tema jornais escolares ganhou visibilidade com a apresentação do
trabalho O Jornal O Estudante Orleanense: Civismo na Cultura do Grupo Escolar Costa
Carneiro (SC, Orleans, 1949-1973), no 21º Encontro da Associação Sul Riograndense de
Pesquisadores em História da Educação (ASPHE), na Universidade de Caxias do Sul (UCS),
apresentado por Vanessa Massiroli e orientado pela prof.ª Giani Rabelo. O trabalho, publicado
nos anais do evento, investigou como o jornal escolar O Estudante Orleanense difundiu valores
cívicos na EEB Costa Carneiro, antigo Grupo Escolar, entre 1949 e 1973, analisando
continuidades e transformações antes e durante a ditadura civil-militar
15
. A pesquisa buscou
compreender como o periódico refletia políticas educacionais e culturais e contribuía para a
formação moral e patriótica dos/as alunos/as. A metodologia insere-se no diálogo entre a
História da Educação e Cultura Escolar, com abordagem documental. As análises abarcaram
57 exemplares do referido jornal, um livro de atas da Associação do Jornal Escolar, legislação
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Utiliza-se aqui o termo “ditadura civil-militar” por compreender que setores da sociedade civil brasileira tiveram
participação ativa tanto na implantação quanto na manutenção do regime instaurado em 1964.
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estadual e federal sobre Associações Auxiliares da Escola (AAEs) e materiais do CEMESSC e
do GRUPEHME/UNESC. A análise combinou aspectos quantitativos e qualitativos,
identificando 81 notas cívicas, majoritariamente sobre comemorações nacionais, figuras
históricas e símbolos da pátria. Entre os conceitos teóricos, destacam-se: Cultura Escolar (Viñao
Frago, 2002); Tradição Inventada (Hobsbawm, 2008). Os resultados indicam que o jornal
funcionou como instrumento de inculcação de valores cívicos, reforçando o ideal de aluno/a
disciplinado/a, e que durante o regime militar houve mudanças no tom e na frequência das
publicações, sugerindo censura e autocontrole. O estudo conclui que o jornal atuou como
espaço de reprodução e resistência simbólica, refletindo tensões entre educação, política e
cultura escolar.
Em 2016, Marli de Oliveira Costa publica o artigo nomeado Educação e Cultura
Popular: Resultado de Investigações nas Escolas do Cemessc, na Revista Criar e Educação do
PPE/UNESC. A pesquisa realizada em 2014 foi do tipo documental, agrupando em tabelas, o
nome da escola, o tipo de documento como atas, fotografias, jornais escolares ou outros que
registra a manifestação cultural e a identificação dessa manifestação. O recorte temporal
compreendeu os anos de 1930 a 1979, os conceitos utilizados o de cultura escolar na
percepção teórica de Viñao Frago (2000) e patrimônio cultural com base em Lemos (1987),
dentre outros. A metodologia utilizada foi de análise de conteúdo, sendo possível observar
diferentes atividades pedagógicas em torno da cultura popular, como a incorporação de
elementos nas danças típicas e brincadeiras visíveis nas fotografias, assim como o
entrelaçamento da cultura de massa com a cultura popular, o que é percebido nas danças e nos
chamados “shows” de valores. A autora destaca que em alguns documentos das escolas não foi
possível identificar as manifestações culturais, porém isso não significa que elas não existiram,
problematizando assim questões etnocêntricas de não valorização da cultura popular.
No mesmo ano (2016), a mestranda Cintia Gonçalves Martins, orientada pela prof.ª
Giani Rabelo, participou do XI Seminário de Pesquisa em Ciências Humanas, na Universidade
Estadual de Londrina (PR), apresentando sua pesquisa O Jornal Escolar “O Estudante
Orleanense”: Um olhar sobre as Mulheres e a maternidade a partir das contribuições de
Simone de Beauvoir (19491973). O estudo teve como objeto 57 exemplares do jornal escolar
O Estudante Orleanense e um livro de atas das Associações Auxiliares da Escola (AAEs),
produzidos no antigo Grupo Escolar Costa Carneiro. A investigação segue abordagem
qualitativa e documental, com análise de conteúdo voltada às representações de mulheres e da
maternidade nos textos e imagens do periódico. O jornal escolar é compreendido como artefato
pedagógico e produto da cultura escolar, expressando valores, normas e práticas de seu tempo.
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O referencial teórico inclui Viñao Frago (2002) sobre cultura escolar, Scott (1995) sobre gênero
como elemento constitutivo das relações sociais e Simone de Beauvoir (1949) em O Segundo
Sexo, cuja reflexão crítica a naturalização da maternidade e evidencia o caráter social e histórico
da construção do feminino. A pesquisa problematiza desigualdades de gênero e examina como
a escola contribui para reproduzi-las ou tencioná-las, combinando História da Educação,
estudos de gênero e análise documental, propõe uma leitura crítica dos jornais como espaços
de construção simbólica e política das identidades femininas no contexto catarinense do século
XX.
O trabalho Entre pistas e sinais: a presença das atividades carboníferas nos documentos
das escolas do Centro de Memória da Educação do Sul de Santa Catarina (CEMESSC) (região
Associação dos Municípios da Região Carbonífera AMREC), de Renata Souza do
Nascimento Cesário, bolsista de iniciação científica e orientada pela prof.ª Marli de Oliveira
Costa, apresentado no Colóquio de História da Educação em 2016, promovido pelo
GRUPEHME, analisa como as empresas mineradoras influenciaram a educação nas escolas da
região entre as décadas de 1920 e 1970. A autora usa metodologia documental, trabalha com os
conceitos de cultura escolar (Silva 2006) memória e identidade (Alves, 2010) e patrimônio
educativo (Souza, 2007) e neste tema dialoga também com Rabelo e Costa (2014). Os
resultados parciais mostram forte presença das mineradoras de carvão no cotidiano escolar, seja
via financiamento direto ou pela presença de símbolos culturais ligados à mineração, e
evidenciam o papel do CEMESSC na preservação da memória educativa e na reflexão sobre
trabalho, educação e patrimônio cultural na região carbonífera.
O artigo Mulher e maternidade no jornal escolar “O Estudante Orleanense”: um olhar
a partir da contribuição de Simone de Beauvoir (Santa Catarina, 19491973), de Cíntia
Gonçalves Martins, publicado na Revista Criar Educação na Edição Especial II Congresso
Ibero-Americano de Humanidades, Ciências e Educação analisa as representações de gênero
nos textos e imagens do jornal escolar O Estudante Orleanense, produzido por alunos/as do
antigo Grupo Escolar Costa Carneiro, entre as cadas de 1950 e 1970. O estudo busca
compreender como o periódico construiu e reforçou representações femininas associadas à
maternidade, evidenciando estereótipos e prescrições de gênero no contexto escolar. A
pesquisa, de caráter documental e qualitativo, examina 57 exemplares do jornal e atas da
Associação do Jornal Escolar (19491986), além de legislações educacionais do período.
Fundamenta-se nos conceitos de gênero (Scott, 1995; Louro, 1997; Pedro, 2005), história das
mulheres e representações sociais, articulados à teoria existencialista de Simone de Beauvoir
(2009). Os resultados revelam desigualdades de nero expressas na composição das diretorias
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e nos conteúdos publicados, com ênfase na figura da mãe amorosa e devotada, especialmente
nas edições do mês de Maio. A maternidade é apresentada como vocação natural e destino
social da mulher, reforçando valores patriarcais. Conclui-se que o jornal atuou como
instrumento de socialização de normas de gênero e fonte de memória escolar, permitindo
compreender as relações entre educação, gênero e cultura na história da educação catarinense.
Publicado em 2017 na Revista Roteiro, o artigo Indícios do civismo na cultura do Grupo
Escolar Costa Carneiro: o jornal O Estudante Orleanense (1949-1973), de Giani Rabelo e
Vanessa Massiroli, apresenta a investigação sobre os ideais de civismo disseminados no jornal
escolar O Estudante Orleanense e suas relações com a cultura do antigo Grupo Escolar Costa
Carneiro. O estudo busca compreender como o civismo foi difundido por meio do jornal
escolar, especialmente antes e durante a ditadura civil-militar
16
, analisando o papel dessa
publicação na formação de cidadãos patriotas e na construção da cultura escolar do educandário.
A pesquisa foi desenvolvida no campo da História da Educação, com base em análise
documental. As fontes principais foram: Legislações federal e estadual da década de 1940 que
instituíram as Associações Auxiliares da Escola (AAEs); 57 exemplares do jornal O Estudante
Orleanense (19511973); O livro de atas da associação responsável pelo jornal (19491972).
O conceito central é o de cultura escolar conforme Viñao Frago (2002). O artigo também
dialoga com Hobsbawm (2008) e sua noção de “tradição inventada”, utilizada para
compreender o civismo como prática simbólica e ideológica reiterada na escola. Como
resultado as autoras concluem que o jornal escolar foi simultaneamente um instrumento e uma
prática educativa, integrando-se à cultura do Grupo Escolar Costa Carneiro e revelando como
o civismo, entre 1949 e 1973, serviu como mecanismo de formação de sujeitos conforme os
ideais políticos e morais de cada período histórico.
Em 2017, Cíntia Gonçalves Martins apresentou sua dissertação de mestrado ao
PPGE/UNESC, orientada pela prof.ª Giani Rabelo, intitulada As representações de Mulher,
Mãe e Maternidade à Luz de Simone de Beauvoir no Jornal Escolar O Estudante Orleanense
(19491973). O estudo buscou compreender as relações de gênero no espaço escolar a partir
das representações de mãe, mulher e maternidade nos textos comemorativos ao “Dia das Mães”
publicados no jornal. Foram analisados 57 exemplares do periódico e o livro de atas de reuniões
da Associação do Jornal Escolar O Estudante Orleanense, além da legislação sobre as
Associações Auxiliares da Escola, especialmente o Decreto-Lei 3.735/1946 de Santa
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Catarina. Utilizando a análise de conteúdo, a pesquisa dialogou com autores/as como Scott,
Pedro, Louro e Viñao Frago. A reflexão sobre maternidade baseou-se em Beauvoir (1949).
Constatou-se que os textos e imagens do jornal reforçam concepções naturalistas da mulher e
da maternidade, legitimando um imaginário social que reduz o feminino ao papel biológico e à
“vocação maternal”, contribuindo para a construção de uma “ditadura da maternidade” que
aprisiona as mulheres aos papéis de mãe e esposa.
No mesmo ano (2017), em forma de resumo expandido, Marli de Oliveira Costa publica
nos anais do II Seminário Educação, Conhecimento e Processos Educativos o trabalho
intitulado A Cultura Popular nas Escolas do CEMESSC: Educação, Linguagem e Memória, de
Marli de Oliveira Costa, analisou documentos do acervo do CEMESSC para identificar como
as escolas registraram e trabalharam expressões da cultura popular, observando suas
transformações e permanências. A pesquisa, de caráter documental e qualitativo, examinou
registros de 27 escolas das regiões da AMREC, AMESC e AMUREL, incluindo atas,
fotografias, jornais escolares e planos de ensino, seguindo a metodologia de Certeau (2002). A
fundamentação teórica baseia-se em conceitos como patrimônio histórico (Lemos, 1987);
cultura popular (Brandão, 2008), culturas híbridas (Canclini, 2000) e memória (Mignot, 2003).
Os resultados apontam que práticas como festas juninas, danças, boi-de-mamão, pau-de-fita e
cantigas populares estavam amplamente presentes nas escolas, embora muitas vezes registradas
de forma superficial, sem reflexão pedagógica. A ausência de documentação em alguns casos
revela perdas ligadas à cultura do descarte. O estudo conclui que as escolas atuaram como
guardiãs da cultura popular, transmitindo tradições e saberes às novas gerações, e destaca o
papel do CEMESSC na preservação da memória educativa e na compreensão das relações entre
educação, cultura e identidade no sul catarinense.
Em 2017, o trabalho completo intitulado Uma análise das representações e
invisibilidades do feminino no jornal escolar O Estudante Orleanense (Santa Catarina 1949
a 1973), publicado nos anais do 13º Mundo de Mulheres e 11 Fazendo Gènero, de Cíntia
Gonçalves Martins e Giani Rabelo, analisa as representações e invisibilidades de gênero
presentes nas ginas do jornal escolar O Estudante Orleanense produzido por alunos/as do
antigo Grupo Escolar Costa Carneiro, entre 1949 e 1973. O estudo, de natureza documental e
qualitativa, examinou 57 exemplares do jornal e atas da Associação do Jornal Escolar, além de
legislações e documentos institucionais. Os conceitos centrais são gênero, representação e
cultura escofalar, apoiados em autoras como Scott (1995), Louro (1997) e Pedro (2005), entre
outros. Os resultados mostram que o jornal refletia hierarquias e desigualdades de gênero,
retratando as mulheres de forma estereotipada, ligadas à bondade, beleza, cuidado e
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maternidade e invisibilizando mulheres negras e populares, sob uma ótica eurocêntrica e
patriarcal. Conclui-se que O Estudante Orleanense atuou como veículo de difusão de valores
normativos, reforçando padrões de gênero e, simultaneamente, constituindo uma fonte
relevante para compreender a cultura escolar e a construção histórica do feminino na educação
catarinense do século XX.
No ano de 2018, Vera Lucia Gaspar da Silva, Ana Paula de Souza Kinchesck e Gustavo
Rugoni de Sousa, publicaram o artigo na Revista Interfaces Científicas Educação, intitulado
Objetos de Distinção: Cultura material escolar e práticas meritocráticas. A pesquisa tem por
objetivo refletir sobre um conjunto de práticas de distinção desenvolvidas em escolas públicas
primárias de Santa Catarina, entre os anos de 1950 e 1960 e materialidades que as representam
ou a elas se conectam. A discussão da pesquisa está inserida na noção de cultura material
escolar, tendo como fonte o Livro de Honra do antigo Grupo Escolar Manoel Gomes Baltazar.
Dentre os teóricos e conceitos utilizados para a análise encontram-se o de meritocracia com
base teórica em Ruschel e Valle (2010), bem como para o estudo da cultura material escolar
Nóvoa e Schriewer (2000), dentre outros. Os autores/as concluem que os artefatos estão
intimamente ligados às representações sobre as práticas escolares, sendo que as fontes materiais
desempenham um papel relevante no projeto educativo, ao auxiliar a escola a cumprir seu
objetivo de instruir, educar, moralizar e civilizar.
No mesmo ano (2018), Paulo Sérgio Osório e Suzane da Costa Waschnewski,
participam com o capítulo intitulado A Educação e a Mineração: pistas do passado e das
permanências no livro organizado pelo autor do capítulo e por Marli de Oliveira Costa:
Memórias e Identidades: As Estruturas Carboníferas como Patrimônio Cultural de Santa
Catarina, no qual se utilizam de uma fonte do CEMESSC. Em um dos trechos do capítulo é
citada a Ata de Inauguração do Grupo Escolar Henrique Lage (1936), a fim de reconstruir
aspectos da história educacional vinculada às comunidades operárias carboníferas. O excerto
mostra como o acervo digital do CEMESSC, fornece acesso a registros originais que
documentam rituais, práticas e valores presentes nas inaugurações escolares, revelando o
caráter cívico e simbólico das instituições educacionais no contexto das companhias de
mineração.
Em 2019, Giani Rabelo, Janine Moreira e Vanessa Massiroli publicam o artigo Pelotão
de Saúde “Saúde-Força-Alegria”: Vestígios do Movimento Higienista na Cultura Escolar do
Sul de Santa Catarina (1962 a 1985), no periódico Plures Humanidades. A pesquisa de cunho
documental, analisa os documentos da EEB Professora Eulina Heleodora Barreto, localizada
no município de Imar (SC). Os documentos fontes para a pesquisa foram: um pequeno
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caderno escolar utilizado como livro para os registros das Atas das reuniões e relatórios do
Pelotão de Saúde “Oswaldo Cruz”, produzido entre os anos 1966 a 1985, todos pertencentes ao
acervo do CEMESSC. O artigo dialoga com conceitos de cultura escolar (Vinão Frago, 2000)
e concepção higienista (Lomônaco, 2004). O artigo, sugere reflexões sobre as práticas
higienistas do passado que refletem no presente das escolas. Dessa forma, segundo as
pesquisadoras, é importante analisar criticamente o que se entende por saudável e normal, tanto
no âmbito da saúde física quanto nas normas de comportamento, bem como refletir sobre a
função da educação na construção desse padrão normativo.
Em 2019, na Revista Saberes Pedagógicos, Paula Possamai Bez Birolo e Marli de
Oliveira Costa, publicam o artigo Cultura Escolar e Concepções de Infâncias: Registros e
Depoimentos sobre o trabalho da Professora de Educação Física Iva Damiani (E.E.B. Barão
do Rio Branco, Urussanga 1955-1964). Dentre os documentos analisados para a pesquisa, foi
utilizado os relatórios da Educação Física elaborados pela professora Iva Damiani. A pesquisa
teve como objetivo identificar as concepções de infância que eram adotadas pela professora na
sua prática pedagógica. Como metodologia foi utilizada a pesquisa de cunho documental e as
categorias de análises foram infância, criança (Ariès, 1981) e o conceito de cultura escolar
(Vidal, 2009). As autoras concluem que o trabalho da professora Iva Damiani, compreendeu as
crianças como futuros adultos, assim a educadora preparava as crianças nessa perspectiva.
No mesmo ano (2019), a doutoranda Cíntia Gonçalves Martins publica o artigo Cultura
Material Escolar em Jornais: O Estudante Orleanense (Orleans, SC, 19491973), na Revista
Plures Humanidades, cujo objetivo é analisar o jornal escolar O Estudante Orleanense,
produzido por alunos/as do antigo Grupo Escolar Costa Carneiro, para compreender como esse
impresso expressa aspectos da cultura material e da cultura escolar no contexto da educação
catarinense do século XX. A pesquisa, de caráter documental e histórico-interpretativo, analisa
57 exemplares do jornal, atas da Associação do Jornal Escolar e a legislação estadual sobre as
Associações Auxiliares da Escola, especialmente o Decreto-Lei n.º 3.735/1946. Os exemplares
dos jornais foram examinados quanto ao suporte material, estrutura, linguagem e conteúdo
simbólico. A autora fundamenta-se em Julia (2001), Viñao Frago (1995, 2002), Chervel (1990),
para discutir a cultura escolar e em Chartier (1998, 2001), Mogarro (2006) e Vidal (2005), para
abordar a cultura material escolar. Outros/as autores/as, como Amaral (2002), Werle (2013) e
Petry (2013), contribuem à análise dos jornais escolares como instrumentos de socialização e
moralização. Os resultados apontam que O Estudante Orleanense funcionou como artefato
pedagógico regulado pelas políticas educacionais e pela cultura cívico-nacionalista, refletindo
valores de moralidade, civismo e religiosidade e articulando Estado, Igreja e escola. Com textos
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sobre personagens históricos, datas cívicas e vida local, o jornal evidenciava o diálogo entre
escola e comunidade. A autora conclui que o periódico atuou como instrumento de difusão de
valores políticos e morais e como documento da cultura material e simbólica escolar, revelando
práticas educativas e identidades formadas no sul de Santa Catarina.
Também em 2019, é publicado em forma de resumo expandido nos Anais do Seminário
de Educação, Conhecimento e Processos Educativos o trabalho intitulado O Dia das Mães no
Jornal Escolar O Estudante Orleanense: Representações de Mulher e Maternidade, de Cíntia
Gonçalves Martins e Giani Rabelo. Nele, elas analisam as representações de mulher e
maternidade nas edições comemorativas ao Dia das Mães do jornal O Estudante Orleanense,
produzido no antigo Grupo Escolar Costa Carneiro. O estudo busca compreender as relações
de gênero no espaço escolar a partir dessas representações, especialmente nas décadas de 1950
a 1970, marcadas por valores tradicionais e patriarcais. De caráter qualitativo e documental, a
pesquisa utiliza como fontes 57 exemplares do jornal, o livro de atas da Associação Jornal
Escolar e a legislação sobre as Associações Auxiliares da Escola (AAE), como o Decreto-Lei
3.735/1946. Fundamenta-se em Beauvoir (2009), sobre a construção social do feminino,
Scott (1995), com a categoria gênero como instrumento de análise histórica; e Viñao Frago
(2002), com o conceito de cultura escolar. A análise identificou 15 textos alusivos ao Dia das
Mães em 9 edições do jornal. Os conteúdos refletem uma visão tradicional da mulher, associada
à maternidade, ao lar e ao papel de esposa, reforçando o determinismo biológico e o modelo de
“mulher-mãe-esposa”. Tais discursos contribuíram para a consolidação de um imaginário social
que legitima a vocação materna como destino natural das mulheres, o que as autoras chamam
de “ditadura da maternidade”. O estudo demonstra que o jornal escolar, como expressão da
cultura escolar do Grupo Escolar Costa Carneiro, foi um veículo de transmissão de valores
morais e de gênero, reproduzindo ideais patriarcais e revelando o potencial dessas fontes
históricas para compreender as relações entre educação, memória e gênero nas práticas
escolares catarinenses do século XX.
No ano de 2020, Giani Rabelo e Shirlei Serafim de Oliveira, publicam na Revista
Saberes Pedagógicos, a pesquisa Grupo Escolar Professor Tibúrcio de Freitas: Entre Vestígios
e Memórias - Urussanga (1928 - 1941), que tem por objetivo compreender vestígios da
trajetória e memória da instituição escolar, que no início das suas atividades educativas em 1928
era denominado de Grupo Escolar Tibúrcio de Freitas. A metodologia utilizada para essa
pesquisa foi de abordagem qualitativa com análise de documentos e realização de entrevistas
semiestruturadas, com três ex-alunos/as que estudaram na instituição nos anos de 1928 a 1941.
Os documentos tomados como fonte foram: livro de matrícula de alunas (1928 - 1928); livro
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de matrícula de alunos (1928 - 1928); livro ponto dos funcionários (1939 - 1940); livro ata de
exames finais (1939 - 1940); livro termo de compromisso dos funcionários (1928 - 1941); livro
de lançamento de notas de honra (1928 - 1941); programa festa encerramento (1935); livro de
atas de programação de exames de alunos da Escola Complementar de Urussanga (1934 -
1941); livro registro de notas sabatinas dos alunos da Escola Complementar de Urussanga (1934
- 1941). As autoras evidenciam que a análise dos documentos e depoimentos revela uma
transição da pedagogia tradicional para a moderna marcada por avanços e retrocessos,
permanências e descontinuidades, e não por um processo linear e progressivo.
A totalização de 22 produções que recorrem às fontes do CEMESSC, entre 2014 e 2020,
evidenciam a importância do Centro como lócus de pesquisa e como espaço de preservação da
memória educacional do sul catarinense. As dissertações (2014, 2014, 2015 e 2017)
representam um conjunto importante, pois demonstram a apropriação do acervo em
investigações de maior profundidade acadêmica. os artigos, que somam oito publicações e
aparecem de forma recorrente entre 2014 e 2020, indicam a consolidação do CEMESSC como
referência em estudos de circulação importante, com destaque para o ano de 2019, quando
houve três produções. Um capítulo do livro Memórias e identidades: as estruturas carboníferas
como patrimônio cultural de Santa Catarina, publicado em 2018, amplia o alcance dos
resultados para além do meio acadêmico mais restrito. As publicações em anais de eventos
(nove no total, entre resumos expandidos e trabalhos completos) revelam o papel do CEMESSC
também na socialização preliminar das pesquisas. Esses registros em encontros científicos
permitiram não apenas divulgar resultados parciais, mas também promover trocas e debates,
fortalecendo a circulação das memórias educacionais preservadas no acervo.
As informações colhidas por meio do mapeamento proposto e realizado no ano de 2024,
demonstram que o CEMESSC se firmou lugar de pesquisa relevante para diferentes níveis de
produção acadêmica e aponta tanto para a diversidade de formatos quanto para a constância
temporal de sua utilização, consolidando-o como lócus importante de investigação em História
da Educação.
Além da utilização do acervo documental do CEMESSC, o mesmo foi citado por
pesquisadores/as na área da História da Educação e outras áreas de conhecimento, como
veremos na sequência deste artigo.
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REFERÊNCIAS AO CEMESSC NAS PRODUÇÕES ACADÊMICAS
O levantamento realizado identificou um total de oito produções acadêmicas que fazem
referência ao CEMESSC. Essas produções estão distribuídas em diferentes modalidades e anos,
evidenciando a inserção do Centro em diversas frentes de divulgação científica. Foram
encontradas duas dissertações (2014 e 2017), dois artigos publicados em periódicos (2015 e
2018), uma tese (2017) e um capítulo de livro (2018). Além disso, registram-se duas
publicações em anais de eventos: um resumo expandido (2016) e um trabalho completo (2018).
No ano de 2014, o CEMESSC foi referenciado na dissertação A Pedagogia
Antropocêntrica em Livros Didáticos de Ciências (1960-1970), de autoria de Cátia Elaine Alves
Constante, apresentada ao PPGE/UNESC. A autora o faz ao chamar a atenção para uma prática
recorrente em nosso tempo, ou seja, o descarte de livros antigos. No caso específico do
município de Criciúma (SC), ela observa que a maioria das escolas públicas eliminou de suas
bibliotecas os livros didáticos considerados ultrapassados, com poucas exceções. Nesse
contexto, a autora aponta que a universidade assume papel fundamental como espaço de
preservação do patrimônio escolar, como é o caso do CEMESSC.
Em 2015, Maria Cristina de Senzi Zancul, publica na Revista Eletrônica do Programa
de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio, o artigo intitulado Patrimônio Educativo e
Patrimônio Histórico-Científico no Brasil: Alguns Apontamentos. A pesquisa objetiva discutir
dimensões ligadas ao patrimônio educativo, enfatizando, no contexto brasileiro, as associações,
projetos, instituições e grupos de pesquisa dedicados à preservação e à investigação desse
patrimônio. O suporte teórico do estudo dialoga com o conceito de patrimônio educativo na
perspectiva de Vinão Frago (2011) e Mogarro (2012/2013), dentre outros. No decorrer do
estudo, a pesquisadora aponta os centros de documentação mantidos por instituições e
universidades públicas e privadas em vários locais do Brasil, dentre eles o CEMESSC. A autora
argumenta, em sua pesquisa, sobre a importância de definir uma agenda voltada à salvaguarda
do patrimônio educativo, defendendo também a participação de múltiplos atores nas iniciativas
de preservação.
Em 2016, Juliana Geraldi Yamaguti, Giani Rabelo e Simone das Graças Nogueira
mencionam o CEMESSC, ao apresentarem o trabalho A Escola como Lugar de Salvaguarda:
Implantação do Centro de Memória da E.E.B. Barão do Rio Branco Urussanga/SC, no
Seminário de Educação, Conhecimento e Processos Educativos, publicado em forma de resumo
expandido. Nesse estudo, o CEMESSC é citado em diversos momentos como referência para a
criação do Centro de Memória da EEB Barão do Rio Branco, sendo destacado como uma
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experiência consolidada que inspira a iniciativa em Urussanga. O centro aparece tanto no que
diz respeito à organização e preservação do acervo escolar quanto no reconhecimento da
memória educativa como patrimônio cultural. Dessa forma, o CEMESSC é apresentado como
modelo e suporte conceitual para compreender a escola como lugar de salvaguarda e para
fortalecer as práticas de preservação da História da Educação local.
Em 2017, o CEMESSC também foi citado na dissertação de Susane da Costa
Waschinewski, apresentada ao PPGE/UNESC, sob orientação da profGiani Rabelo, nomeada
Biblioteca de Orientação da Professora Primária: As Regras de Civilidade no Conteúdo de
Estudos Sociais do Programa de Assistência Brasileiro-Americana ao Ensino Elementar -
Pabaee (1956-1964). O estudo busca analisar os preceitos de civilidade presentes no manual
Habilidades de Estudos Sociais e no filme A escola agora é outra, que faz parte da coleção
Biblioteca de Orientação da Professora Primária, produzido no âmbito do PABAEE, nos anos
de e 1956 a 1964. A pesquisa tem por finalidade compreender os preceitos de civilidade que se
pretende ensinar por meio do conteúdo de Estudos Sociais. A pesquisadora ao expor o local de
guarda de suas fontes de pesquisa, a coleção Biblioteca de Orientação da Professora Primária,
relata que essa documentação está no acervo documental do CEMESSC.
Na tese, intitulada Arquitetura Escolar e Patrimônio Histórico-Educativo: Os Edifícios
para a Escola Primária Pública no Rio Grande do Sul (1907-1928) de Tatiane de Freitas Ermel,
defendida no Programa de Pós Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul (PUCRS) no ano de 2017, o CEMESSC é apresentado como um espaço de
preservação e valorização da memória da educação, constituindo-se em um importante lócus
de pesquisa para a História da Educação. A autora ressalta que seu acervo vem sendo explorado
por diferentes pesquisadores/as, o que evidencia sua relevância acadêmica. Além disso, destaca
a atuação das coordenadoras, bolsistas e estudantes na divulgação do Centro em eventos
científicos, bem como a produção de trabalhos que resultaram dessa experiência. Dessa forma,
o CEMESSC é apresentado no texto não apenas como guardião de fontes documentais, mas
também como um espaço de formação e produção de conhecimentos em História da Educação,
ao contribuir, no meio digital, para a preservação do patrimônio educativo
No ano de 2018, Nathália Pereira Cabral e Michele Gonçalves Cardoso, publicam o
artigo A História e a Prática Arquivística: Reflexões sobre o trabalho com os documentos do
acervo Empresa Bortulozzi” do Cedoc/Unesc, na Revista Outras Fronteiras. A pesquisa
apresenta os resultados obtidos a partir do projeto “Fundo empresa Bortoluzzi: da catalogação
às relações trabalhistas” finalizado em 2017, que além do trabalho técnico realizado no acervo
como as questões de higienização, conservação e restauro, também foram apontados os
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possíveis desdobramentos da documentação analisada e do potencial de pesquisa acerca da
história local e regional do sul de Santa Catarina. No decorrer da pesquisa ao apresentar o
CEDOC/UNESC e os fundos documentais, as pesquisadoras apresentaram o CEMESSC, que à
época fazia parte do CEDOC.
Em 2018, no texto Ação Educativa em Espaços não Formal: A Indústria Carbonífera
por meio do Acervo do CEDOC/UNESC publicado no livro Patrimônio Cultural, direito e meio
ambiente: Educação Contextualizada Arqueologia e Diversidade (volume III), Michele
Gonçalves Cardoso, Tiago da Silva Coelho, Krislaine da Cruz de Campos, Liziane Acordi
Rocha e Nathália Pereira Cabral citam o CEMESSC como sendo um dos fundos do
CEDOC/UNESC, como mencionado anteriormente.
Ainda em 2018, a doutoranda Susane da Costa Waschinewski comunica o trabalho
intitulado Papéis Guardados: O Arquivo Pessoal da Professora Catarinense Jessy Cherem, na
II Jornada Nacional de Desenvolvimento e Políticas Públicas, sendo publicado como trabalho
completo. Nele, a autora faz menção a sua participação no GRUPEHME e o período que
acompanhou a implantação do CEMESSC, tendo contato com vários documentos importante
para a sua pesquisa de doutoramento.
O conjunto de produções que referenciam o CEMESSC, embora em menor número
quando comparado às produções que utilizaram diretamente as fontes do acervo, indica a
presença do Centro como referência conceitual e institucional no campo da pesquisa em
História da Educação. As dissertações (2014 e 2017) reforçam seu papel como base de
sustentação teórica e metodológica para investigações aprofundadas. A tese de doutorado
(2017) é um marco relevante, pois evidencia a ampliação do reconhecimento acadêmico do
CEMESSC para além do nível de mestrado. Os artigos (2015 e 2018) e o capítulo de livro
(2018) evidenciam que a referência ao Centro também se expande para produções de maior
circulação e visibilidade, fortalecendo sua inserção nos debates da área. as publicações em
anais de eventos (2016 e 2018) apontam para a socialização preliminar das pesquisas, seja em
formato de resumo expandido, seja como trabalho completo, demonstrando a pluralidade de
espaços em que o CEMESSC foi citado.
APONTAMENTOS FINAIS
O mapeamento das produções acadêmicas que tiveram o CEMESSC como objeto ou
lócus de pesquisa evidencia a densidade e a diversidade dos estudos desenvolvidos a partir de
seu acervo. Entre 2014 e 2020, dissertações, teses, artigos, capítulos e comunicações em eventos
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confirmam seu papel formativo, científico e social. As pesquisas abordam temas como cultura
escolar, gênero, civismo, patrimônio educativo, cultura material e religiosidade, demonstrando
a amplitude das possibilidades investigativas oferecidas por seus documentos e reafirmando o
CEMESSC como referência na História da Educação.
Essas produções revelam a consolidação de um campo de estudos robusto no sul
catarinense e uma agenda comprometida com a valorização da memória e do patrimônio
educativo regional. Ancoradas em referenciais como cultura escolar, gênero, representações e
memória, as investigações conferem densidade interpretativa às práticas e objetos escolares,
recuperando vozes docentes, sobretudo femininas, e articulando teoria, empiria, história e
memória.
Mais que um repositório de documentos, o CEMESSC constitui-se como espaço de
resistência, identidade e preservação da experiência educativa. Sua dimensão virtual, ao reunir
e disponibilizar acervos digitalizados, amplia o acesso, democratiza o conhecimento e estimula
a produção de novas narrativas históricas.
A trajetória do Centro reflete o protagonismo do GRUPEHME e do PPGE/UNESC na
consolidação de um espaço de referência regional em História da Educação, sustentado pelo
compromisso com a pesquisa, a formação e a preservação de documentos escolares. Assim, o
CEMESSC ultrapassa a função de arquivo digital, tornando-se um espaço simbólico de
pertencimento e de valorização da cultura educativa.
Concluímos que o CEMESSC contribui não apenas para a preservação da história das
instituições escolares do extremo sul catarinense, mas também para a consolidação de uma
cultura de pesquisa comprometida com a memória e os sujeitos da educação. Ao integrar ensino,
pesquisa e extensão, reafirma sua função social e acadêmica, projetando-se como iniciativa
exemplar na salvaguarda e difusão do patrimônio educativo no Brasil.
REFERÊNCIAS
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Recebido em: 25 de outubro de 2025.
Aceito em: 07 de novembro de 2025.