O conceito de cultura estava ligado, primordialmente, aos bens móveis ou
imóveis. A proteção do chamado patrimônio cultural resumia-se a
tombamentos e inscrições de obras que, ou eram belas, sob o conceito de
beleza de um grupo de tecnocratas, ou traduziram fatos marcantes da história
do Brasil, sob o critério meramente empírico, sem qualquer fundamento
científico e, juntando-se a isto, a ausência de mecanismos para a proteção do
patrimônio cultural do povo, da massa, dos grupos marginalizados.
(Rodrigues, 2006, p. 8).
As diferentes modificações desse conceito estabelecem uma ruptura com a ideia de instrução.
Agora, a cultura é vista como algo maior, mais amplo, que de fato representa não só um grupo
privilegiado, mas a forja de todos os sujeitos como parte de uma cidadania.
Para François Hartog (2006, p. 266), o patrimônio, por sua vez, é posto como a história
e a memória que reverbera a identidade, sendo um símbolo ou evidência, tal como as conexões
entre o passado e o tempo recente, o que, para o autor, significa uma forma de emergência de
historicidade. Isso aponta que “[...] o patrimônio define menos o que se possui, o que se tem e
se circunscreve mais ao que somos, sem sabê-lo, ou mesmo sem ter podido saber” (Hartog,
2006, p. 266). De certa forma, faz-se necessário olhar para dentro dessas fronteiras que são
rompidas e se misturam, se transfiguram. É neste contexto que autores em terras brasileiras se
apoiam naquilo que temos, indo além de um projeto nacional para patrimonializar a cultura.
Sobre isso, as palavras de Carlos Alberto Serqueira Lemos (2013) esclarecem que
[...] é imprescindível ordenar ou classificar todos os bens que compõem um
Patrimônio Cultural e, portanto, estabelecer regras de como e onde preservá-
los em sua totalidade ou selecionando elementos realmente representativos.
[...]. Vemos constantemente particulares cuidando de bens de seus interesses
de classe e o surgimento de Patrimônios Culturais Setoriais às vezes
preservados até com certo rigor científico. Mas o que nos interessa é o mal
definido Patrimônio Histórico e Artístico que as entidades governamentais,
desde o SPHAN de 1937, estão a gerir e tentando preservar apesar dos
entraves políticos e financeiros acrescidos do desinteresse popular e da falta
de pessoal habilitado. (Lemos, 2013, p. 66).
Conforme Sandra Pelegrini (2006, p. 65), o papel desempenhado pelos intelectuais, na
década de 1930, se apoiaram em uma racionalidade modernista – lembrando que naquele
contexto havia uma ideia que reforçava a catalogação e o reconhecimento de bens. Esses
movimentos visavam a identificação e a configuração de uma identidade nacional,
estabelecendo critérios de brasilidade. Ainda citando Pelegrini (2006), podemos elencar que o
papel dos modernistas, naquele período, enunciavam a materialidade, ou seja, elementos da
ordem do visível; para a educação, como parte singular da formação do sujeito, é possível
enxergar reflexos desse aspecto da modernidade até os dias de hoje.