compreendendo as transformações e permanências que moldaram sua identidade. A escola, ao
longo do tempo, acumula não apenas documentos formais, mas também uma vasta gama de
registros que, embora não sejam tradicionalmente considerados “arquivísticos” pela lógica
burocrática e administrativa, são ricos em informações sobre o cotidiano e as experiências
vividas. Fotografias, cadernos de estudantes, trabalhos discentes e docentes, registros de
eventos e festividades, programas de ensino, entrevistas, avaliações, discursos de formatura,
gravações audiovisuais, jogos, materiais de ensino, mobiliários, diferentes objetos da cultura
material escolar são elementos que compõem a memória da instituição. Esses materiais, quando
organizados e disponibilizados, permitem que a escola se torne um espaço aberto a muitas
leituras do passado. Isso porque “os usos e sentidos de restos e vestígios materiais e imateriais
do passado diferem, como diferem seus significados, em função de quem, de onde, como e com
que finalidade se olha” (Viñao Frago, 2010, p. 32, tradução nossa). Nessa perspectiva, torna-se
importante considerar a textura porosa e multifacetada dos acervos, pois ao abrigar experiências
dos diferentes sujeitos e das múltiplas ideias que fazem parte da história da escola, os arquivos
permitem evidenciar processos que se concretizam em meio a disputas e embates culturais
travados no âmbito das relações de poder. Aqui é pertinente explicitar uma antiga pergunta,
sempre aberta a muitas respostas: “qual ou quais as vontades de memórias, arquivos,
instituições e pessoas, nas múltiplas temporalidades da vida e da história, forjam quando
fabricam acervos?” (Vidal, Paulilio, 2020, p. 13)
O arquivo escolar, então, se configura como um conjunto orgânico de registros
produzidos e acumulados pela instituição no decorrer de sua existência, evidenciando culturas,
organizações curriculares, normatizações, práticas, atividades, decisões, interações,
festividades, vida ordinária e cotidiana. A compreensão do arquivo escolar como patrimônio
educativo é fundamental. Patrimônio educativo refere-se ao conjunto de documentos, bens,
artefatos e práticas, em suas dimensões materiais e imateriais, tangíveis e intangíveis, que
possuem valor histórico, cultural e pedagógico, e que são relevantes para a memória e a
identidade de uma comunidade educacional. Incluir o arquivo escolar nessa categoria significa
reconhecer seu potencial não apenas como fonte para a pesquisa histórica, mas também como
um recurso pedagógico ativo, capaz de promover a reflexão sobre o passado e a construção de
identidades no presente.
Outra função dos arquivos, razão pela qual defendemos sua organização, é sua
capacidade para servir como fonte para estudos em História da Educação e em outros campos
das ciências humanas. Os arquivos escolares são espaços de pesquisa por excelência.
Historiadores da educação, sociólogos, pedagogos, antropólogos e outros pesquisadores