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MUSEUS DAS ESCOLAS BRASILEIRAS: DO ENSINO À ARTICULAÇÃO EM
REDE
Zita Rosane Possamai
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
zitapossamai@gmail.com
Alana Cioato
Museu Anchieta de Ciências Naturais, Brasil
alanacioatoo@gmail.com
Murilo Carvalho Rodrigues
Prefeitura de Belém, Brasil
muriloc.r@gmail.com
RESUMO
Analisa-se a presença dos museus nas escolas brasileiras a partir de levantamento com base no
Cadastro Nacional de Museus (IBRAM) e em estudos realizados, com ênfase em dados
quantitativos e na distribuição geográfica. Destacam-se dois movimentos precisos: os museus
de História Natural, criados no contexto da modernização pedagógica, entre o final do século
XIX e as primeiras décadas do século XX, especialmente o estudo de caso do Museu de
Ciências Naturais do Colégio Anchieta (Porto Alegre/RS) e os museus vinculados com a
memória escolar, cuja criação foi predominante a partir da segunda metade do século XX. O
texto aponta ainda a experiência singular do Ecomuseu da Amazônia, as potencialidades dos
museus escolares na atualidade e a possibilidade da articulação profissional na Rede Brasileira
de Museus e Acervos Escolares (REBMAE) para o aprimoramento desses espaços.
Palavras-chave: Rede Brasileira de Museus e Acervos Escolares (REBMAE); Museu Anchieta
de Ciências Naturais; Ecomuseu da Amazônia.
MUSEOS DE LAS ESCUELAS BRASILEÑAS: DE LA ENSEÑANZA AL TRABAJO
EN RED
Se analiza la presencia de los museos en las escuelas brasileñas, a partir de un relevamiento
basado en el Registro Nacional de Museos (IBRAM) y en estudios realizados, con énfasis en
los datos cuantitativos y en la distribución geográfica. Se destacan dos movimientos precisos:
los museos de Historia Natural, creados en el contexto de la modernización pedagógica entre
finales del siglo XIX y las primeras décadas del siglo XX especialmente el estudio de caso
del Museo de Ciencias Naturales del Colegio Anchieta (Porto Alegre/RS), y los museos
vinculados a la memoria escolar, cuya creación fue predominante a partir de la segunda mitad
del siglo XX. Se señala la experiencia singular del Ecomuseo de la Amazonia, las
potencialidades de los museos escolares en la actualidad, así como la posibilidad de articulación
profesional en la Red Brasileña de Museos y Acervos Escolares (REBMAE) para el
perfeccionamiento de estos espacios.
Palabras clave: Red Brasileña de Museos y Acervos Escolares (REBMAE); Museo Anchieta
de Ciencias Naturales; Ecomuseo de la Amazonia.
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DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.20920
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MUSEUMS IN BRAZILIAN SCHOOLS: FROM EDUCATION TO NETWORKING
ABSTRACT
This study examines the presence of museums in Brazilian schools, based on data from the
National Museum Register and previous research, with an emphasis on quantitative data and
geographical distribution. It highlights two distinct movements: the Natural History Museums,
created in the context of pedagogical modernization between the late 19th and early 20th
centuriesparticularly the case study of the Natural Sciences Museum of Colégio Anchieta
(Porto Alegre/RS)and the museums linked to school memory, whose creation became
predominant from the second half of the 20th century onwards. The paper points out the unique
experience of the Amazon Ecomuseum, the current potential of school museums, and the
possibility of professional collaboration through the Brazilian Network of School Museums and
Collections (REBMAE) to enhance these spaces.
Keywords: Brazilian Network of School Museums and Collections (REBMAE); Anchieta
Museum of Natural Sciences; Amazon Ecomuseum.
LES MUSEES DES ÉCOLES BRESILIENNES : DE L’ENSEIGNEMENT AU
RÉSEAUTAGE
Cette étude analyse la présence des musées dans les écoles brésiliennes, à partir d’un relevé
fondé sur le Registre National des Musées et sur les études alisées, en mettant l’accent sur les
données quantitatives et la répartition géographique. Deux mouvements précis sont mis en
évidence : les musées d’Histoire naturelle, créés dans le contexte de la modernisation
pédagogique entre la fin du XIX siècle et les premières décennies du XX siècle notamment
l’étude de cas du Musée des Sciences Naturelles du Collège Anchieta (Porto Alegre/RS) —, et
les musées liés à la mémoire scolaire, dont la création s’est affirmée à partir de la seconde moitié
du XX siècle. L’étude souligne l’expérience singulière de l’Écomusée de l’Amazonie, le
potentiel actuel des musées scolaires, ainsi que la possibilité d’une articulation professionnelle
au sein du Réseau Brésilien des Musées et Collections Scolaires (REBMAE) pour
l’amélioration de ces espaces.
Mots-clés: Réseau Brésilien des Musées et Collections Scolaires (REBMAE) ; Musée Anchieta
des Sciences Naturelles ; Écomusée de l’Amazonie.
INTRODUÇÃO
Os museus encontraram nas instituições escolares um terreno profícuo para desenvolver
sua missão fundamental de perenizar os rastros históricos destinados às futuras gerações.
Inicialmente, foram concebidos como instrumentos da modernização pedagógica e do ensino
pelos sentidos; ao longo do tempo, contudo, foram reconfigurados e passaram a desempenhar
funções voltadas à preservação dos múltiplos registros das memórias produzidas no âmbito
escolar. No Brasil, este universo vem sendo investigado, tanto na História da Educação, que
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analisa os denominados “museus escolares”
1
, bem como a variedade de repertórios
documentais conservados (Vidal, 1999, 2007; Poggiani, 2011; Petry, 2013; Petry, Silva, 2013;
Bocchi, 2013; Paz, 2015; Silva, 2015; Cioato; Witt, 2016; Braghini, 2017), quanto na
Museologia, que se atem principalmente aos processos de musealização, nos quais são
evidenciados os procedimentos teórico-metodológicos atinentes à conservação, documentação,
exposição de coleções e acervos com a finalidade de educar e construir conhecimentos (Ribeiro,
2015; Alves, 2016; Granato; Ribeiro; Abalada; Araújo, 2018; Santana, 2021; Cioato, 2021;
Silveira, 2022).
Neste artigo, apresentamos os resultados do mapeamento
2
dos museus instalados em
escolas brasileiras e analisamos algumas de suas características com o objetivo de compreender
mais adequadamente essa tipologia museológica. Primeiramente, expomos alguns dados
quantitativos da pesquisa, seguidos de sua análise; posteriormente, focamos nos museus de
História Natural criados para o ensino, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do
século XX, com destaque para o estudo de caso do Museu Anchieta de Ciências Naturais (Porto
Alegre/RS); na terceira seção, analisamos os museus criados nas escolas com objetivos
vinculados à memória institucional e indicamos algumas potencialidades dos museus escolares
na atualidade. Por fim, nas considerações finais, apontamos a Rede Brasileira de Museus e
Acervos Escolares (REBMAE) e a articulação interprofissional como possibilidade para o
aperfeiçoamento desses espaços no contexto escolar.
A pesquisa baseou-se na coleta e na seleção de dados provenientes de um universo de
3951 museus registrados no Cadastro Nacional de Museus, administrado pelo Instituto
Brasileiro de Museus (IBRAM), finalizada em 2010
3
. O levantamento foi realizado por meio
dos termos de busca relacionados à denominação do espaço (museu, memorial, centro de
documentação, acervo) ou à instituição mantenedora (escola, colégio, educacional), do qual
resultaram tão somente 41 espaços identificados. Embora a base do IBRAM registre sete
espaços denominados “acervo histórico”, pressupõe-se que muitos outros não sejam
1
Museus escolares é uma expressão polissêmica que denominou as coleções didáticas produzidas desde o século
XIX pelas escolas e por indústrias, como a francesa Maison Deyrolle e a italiana Paravia, entre outras; o termo
passou a denominar também essas coleções arrumadas em caixas, armários-vitrines ou salas de aula até a
configuração formal de museus nas escolas, conforme Diana Vidal (1999, 2007), Marília Gabriela Petry (2013),
Felipe Contri Paz (2015), Cioato (2021), entre muitos outros. No âmbito deste artigo, utilizamos “museus
escolares” para denominar museus ou memoriais instalados nas escolas.
2
Projeto de pesquisa intitulado Museus escolares no Brasil em rede: articulação para a valorização do patrimônio
histórico-educativo, apoiado com bolsa produtividade do CNPq (Processo N. 302270/2022-1) para os anos entre
2023 e 2026. Fizeram parte da equipe do projeto: Letícia Julião (UFMG); Emanuela Ribeiro (UFPE) e Bruno
Araújo (UFPE).
3
O IBRAM retomou a atualização do Cadastro Nacional de Museus em 2024. Agradecemos ao órgão pelo envio
desses dados imprescindíveis para a exequibilidade da investigação.
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reconhecidos pelos gestores escolares em seu caráter museal e, por esse motivo, ainda não
estejam registrados junto ao IBRAM. Conforme Granato, Ribeiro, Abalada e Araújo (2018),
muitas vezes as escolas mantêm objetos e documentos guardados sem maior preocupação com
sua preservação ou com sua configuração formal como museu, arquivo ou memorial. Essa
característica empírica exigiu também a coleta de informações provenientes da divulgação da
Rede Brasileira de Museus e Acervos Escolares (REBMAE), implantada em agosto de 2024
4
.
Ademais, os estudos realizados no Brasil constituíram documentos importantes para a
identificação de museus não presentes na base de dados federal, especialmente o levantamento
realizado por Vânia Siqueira Alves (2016).
MUSEUS NAS ESCOLAS BRASILEIRAS: UMA MIRADA GEOGRÁFICA
Até a data de redação deste artigo, foram identificados 134 museus ou acervos
localizados nas escolas ou secretarias de educação
5
. Ao analisar a distribuição geográfica desses
espaços, percebe-se que a região Sul concentra a maioria dessas instituições (65), seguida pelas
regiões Sudeste (50), Nordeste (17), Norte (4) e Centro-Oeste (1). Museus em escolas estão
presentes na maioria dos estados brasileiros; contudo, nas duas regiões menos representadas,
encontram-se apenas em Goiás (Centro Oeste), Amazonas e Pará (Norte). Não foram
identificados museus nos seguintes estados: Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins
(Norte); Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Centro-Oeste). Essa tipologia de museu está
presente em apenas 76 municípios brasileiros
6
, sendo Espírito Santo o único estado com museus
fora da capital é; nos demais estados com museus escolares, pelo menos um está situado na
capital. Assim, conforme a região, os museus estão presentes, na região Centro Oeste em apenas
um município (Goiânia); na região Norte em três municípios; na região Nordeste em 12
municípios; na região Sudeste em 27 municípios e na região Sul em 36 municípios. Assim, a
distribuição de municípios com museus escolares acompanha a distribuição total de museus por
região, com o Sul apresentando a maior representação. Se considerarmos o universo de 265.504
4
A REBMAE implementada no escopo do mesmo projeto de pesquisa que gerou os dados aqui disponibilizados
tem por objetivo principal a articulação das pessoas à frente destes espaços nas instituições escolares e tem como
perspectiva definir e implementar estratégias e ões em prol da salvaguarda e da valorização desse importante
patrimônio histórico-educativo, em parceria com docentes dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação em
Museologia e Educação, especificamente.
5
Devido à característica da instituição mantenedora, não foram incluídos nesse levantamento os museus
universitários com acervos escolares, embora alguns deles possam ser mencionados na análise aqui proposta.
6
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2025 somaram 5.570 municípios (IBGE,
2025).
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escolas no Brasil nos três níveis de ensino (IBGE, 2024), o número de museus escolares é
bastante reduzido.
Embora a grande maioria dos museus esteja localizada nas instituições escolares, é
relevante destacar a presença, no Brasil, de quatro museus situados fora da escola e que
pretendem abarcar a educação no espectro geográfico estadual
7
, são eles: o Museu da Escola
de Minas Ana Maria Casassanta, o Museu da Educação do Distrito Federal, o Museu da Escola
Catarinense e o Museu da Escola Paranaense (Taunay, 2021). Uma rápida mirada na história
do mais longevo museu dessa abrangência, o Museu da Escola de Minas, é digno de nota que
este foi inaugurado em 1946 e ocupava inicialmente as dependências do Instituto de Educação
de Minas Gerais (IEMG) (Alves, 2016). Esse museu esteve situado em edifício histórico do
Centro de Referência do Professor, localizado na Praça Tiradentes, Centro Histórico de Belo
Horizonte, vindo, posteriormente, a ser deslocado para o interior das dependências da Escola
de Formação de Educadores do órgão estadual. O acervo do museu é composto por artefatos de
História Natural destinados ao ensino e provenientes dos laboratórios, bem como por arquivo,
biblioteca e outros itens da cultura material escolar. Além deste museu, o Museu da Escola
Paranaense e o Museu da Escola Catarinense também receberam como sede edificações
históricas de escolas ou grupos escolares. O Museu da Escola Catarinense foi sediado no
edifício da Escola Normal, inaugurada na cada de 1920 e projetada no âmbito da
modernização urbana da capital Florianópolis, onde permanece até o presente. A origem do
museu está vinculada ao projeto de ensino, pesquisa e extensão denominado Resgate da História
e da Cultura Material da Escola Catarinense Museu da Escola Catarinense, desenvolvido pela
docente Graça Machado Vandresen, a partir de 1992, no âmbito da Universidade do Estado de
Santa Catarina, por meio do qual foram coletados e reunidos artefatos, documentos escritos,
iconografia e registros de história oral (Silva; Eggert-Steindel, 2012). No ano 2000, a edificação
acima mencionada foi destinada ao museu e, em 2006, a instituição adquiriu legitimidade legal
ao assumir a condição de Órgão Suplementar Superior vinculado à Reitoria da UDESC (idem).
Um resultado relevante da pesquisa refere-se ao número de instituições mantenedoras
privadas (76, 57%), que ultrapassa aquele das públicas (58, 43%). Dentre as instituições
privadas que possuem museus, a diferença é considerável entre escolas laicas (15) e escolas
confessionais (61). De fato, alguns dos museus mais longevos ainda em funcionamento também
estão localizados nas instituições privadas e confessionais. Esse dado expressa não apenas a
7
É importante observar que nenhum desses museus foi identificado a partir da base de dados do IBRAM, mas por
visitas e contatos orais por meio da REBMAE.
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presença das congregações religiosas na história da educação brasileira, amplamente
investigada no país, mas também a preocupação delas na implantação e na manutenção dos
museus nos seus domínios, a exemplo do Museu da Obra Salesiana no Brasil (São Paulo) e do
Museu Anchieta de Ciências Naturais (Porto Alegre), entre tantos outros. Se, num primeiro
momento histórico, alguns desses museus foram criados para atender à legislação federal,
quando desejaram se equiparar ao Colégio Pedro II, com o passar das décadas, muitos deles
foram mantidos e ressignificados no âmbito da missão educativa da instituição
8
.
Por outro lado, a presença rarefeita de museus em escolas públicas nas três instâncias
de gestão escolar no Brasil tende a indicar a instabilidade na salvaguarda desses acervos e, por
consequência, desses museus. Embora nos projetos arquitetônicos de escolas públicas, nas
primeiras décadas do século XX, houvesse a definição de um espaço para o museu, conforme
demonstram alguns estudos (Possamai, 2009), ou mesmo que tenham sido mapeados museus
escolares em estados como Santa Catarina e São Paulo (Pogiani, 2011; Petry; Silva, 2013), o
percurso de continuidade e sua materialização sob forma museal ainda resta a ser investigado.
O Museu de História Natural Louis Jacques Brunet pode ser considerado o contra-exemplo
nesse sentido, pois se constitui em um dos museus mais antigos do Brasil, cuja coleção foi
configurada a partir de 1855, numa instituição pública, o Ginásio Pernambucano (Ribeiro,
2015; Santana, 2021). Investigações focadas nas instâncias públicas aqui mencionadas podem,
futuramente, descortinar um quadro mais completo desses museus, criados em décadas mais
recentes, a exemplo do Museu do Colégio Municipal Pelotense, localizado em Pelotas, Rio
Grande do Sul (Amaral, 2014).
Para melhor compreender esses museus, cumpre uma aproximação, embora ainda
precária, que contemple os contextos educacionais de criação e itinerário de funcionamento,
além das tipologias de acervo. Para tal, optamos por estudos de caso
9
, de modo a destacar
apenas alguns museus, inserindo-os em movimentos mais amplos.
8
Isso não pressupõe, contudo, que congregações não tenham encerrado as atividades de seus museus, às vezes,
fechados com as escolas, a exemplo dos dois museus do Colégio Americano da Rede Metodista, localizado em
Porto Alegre.
9
Foi decisão da equipe do projeto de pesquisa não abordar as pessoas à frente desses espaços com o envio de
questionário a ser respondido sobre o museu, de modo a não onerar ainda mais as gestões. Além disso, buscamos
evitar uma metodologia de investigação que poderia gerar poucos dados em razão da parca devolução de
questionários respondidos, pois o objetivo principal do projeto era uma pesquisa museológica aplicada para a
criação da Rede de Museus e Acervos Escolares (REBMAE).
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MUSEUS DE CIÊNCIAS VOLTADOS AO ENSINO
Dos espaços identificados, 18 museus incorporam “Ciências” ou “História Natural” em
seus nomes. É conhecido que História Natural agrupou sob uma única nomenclatura e disciplina
os saberes que, mais tarde, se especializaram em áreas como Zoologia, Botânica, Mineralogia,
Etnologia e Arqueologia (Ribeiro, 2015). Na medida em que mais investigações se aprofundam
nessas instituições sob uma perspectiva da microhistória, será possível entender as
particularidades de cada um desses museus. Alguns deles possuem coleções de inestimável
valor para a Museologia e para a História da Educação. Exemplos incluem a análise
empreendida por Felipe Contri Paz (2015) dos bustos raciais presentes no Museu Lassalista
(Canoas, RS), no museu do Colégio Americano (Porto Alegre, RS) e no Museu de História
Natural do ISERJ (Rio de Janeiro, RJ). Há também a coleção de museus escolares investigada
por Cioato (2021) ou, ainda, as coleções de artefatos de ciência e tecnologia estudadas por Katia
Braghini (2017), Marcus Granato, Emanuela Ribeiro Sousa, Bruno Melo de Araújo (2018) e
outros pesquisadores.
Dentre esses museus, merecem destaque aqueles com maior longevidade, estabelecidos
no século XIX ou na primeira metade do século XX, no contexto de uma pedagogia dos
sentidos, que enfatizava o contato direto dos estudantes com as coisas do mundo (Buisson,
1911; Valdemarin, 1998; Possamai 1, 2012). Dessa tipologia, podemos citar novamente o
Museu Louis Jacques Brunet do Ginásio Pernambucano (Recife, PE), o Museu da Obra
Salesiana no Brasil (São Paulo) e o Museu Anchieta de Ciências Naturais (Porto Alegre, RS),
entre outros. Deter-me-ei aqui sobre este último caso como um exemplo singular dessa
tipologia, a partir das investigações realizadas até o momento (Witt, 2016; Possamai; Witt,
2016; Cioato, 2021; Cioato; Possamai, 2022; Silveira, 2022).
O Museu Anchieta foi fundado em 1908 por iniciativa do Padre suíço Pio Buck
10
(Cioato, 2021). Este naturalista jesuíta dedicou-se à coleta de espécimes da flora e da fauna,
10
Pio Buck nasceu em Hockdorf, Cantão de Lucerna, na Suíça, no dia 22 de julho de 1883 (Spohr, 2011). Entrou
na Companhia de Jesus em Feldkirch, na Áustria, em 1902, e continuou seus estudos em Exaten, na Holanda. Em
setembro de 1908, Pio aportou no Brasil como escolástico (Spohr, 2011). Cursou magistério em parte no Colégio
Anchieta e outra parte no Colégio Conceição em São Leopoldo. Lecionava história natural, alemão, desenho,
inglês, religião, história e taquigrafia (Spohr, 2011). Em 1913, retornou a Holanda, a fim de estudar Teologia,
porém, com o início da 1ª guerra mundial, Pe. Pio adiou seus estudos (Spohr, 2011). Em 1917, quando terminou a
guerra, retornou aos seus estudos eclesiásticos, sendo ordenado sacerdote no dia 1 de julho de 1917. Retornou ao
Brasil, onde passou o resto de sua vida dedicando-se inteiramente a esse apostolado científico. Mantinha
correspondência com cientistas de várias partes do mundo, além de não medir forças para requisitar melhorias para
o Museu, principalmente quando se tratava do acondicionamento das coleções. Pe. Pio atuou também como
capelão do Presídio Central de Porto Alegre, sediado ao lado do Gasômetro, na ponta da península. Faleceu no dia
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trabalho que resultou na configuração de 13 coleções. Entre elas estão Entomologia (com 130
mil espécimes), Ictiologia (com 12 mil espécimes), Aracnologia (com 118 espécimes),
Ornitologia (com 471 espécimes), Mastozoologia (com 230 espécimes), Herpetologia (com 596
espécimes), Malacologia (com 260 espécimes), Botânica (com 716 exsicatas), Paleontologia
(com 1245 lotes), Mineralogia e Petrologia (com 4 mil exemplares), Arqueologia (com 1003
exemplares), Etnografia (com 1568 lotes) e uma coleção didática. A partir de 1932, este
naturalista passou a receber a colaboração do Padre Balduíno Rambo,
11
que se dedicou à
pesquisa em Botânica, tendo suas coletas ultrapassado 65 mil exemplares da flora brasileira,
além de mais de 1600 páginas de material científico publicado.
O Museu Anchieta foi criado no contexto de equiparação ao Ginásio Nacional, momento
também em que lições de coisas eram adotadas como metodologia pedagógica do ensino pelos
sentidos, conforme mencionado anteriormente. Em suas primeiras décadas de funcionamento,
o Colégio Anchieta enfatizou o método intuitivo e adquiriu significativa coleção de museus
escolares provenientes da Alemanha, França, Áustria e do Brasil, além do Museu Escolar
Brasileiro, série organizada por Joaquim José Menezes Vieira, então diretor do Pedagogium
(Vidal, 2007), no início da década de 1890 e editada no Brasil pela F. Briguiet & Comp.
Atualmente, no museu, permanecem devidamente conservados um total de 298 quadros
parietais que abordam as disciplinas de História Natural, especificamente de Zoologia,
Botânica, Anatomia/Fisiologia Humana, Geografia, História, Artes, entre muitas outras
matérias (Cioato, 2021). Após o modismo de lição de coisas, o museu seguiu utilizando suas
20 de agosto de 1972 aos 89 anos, sendo 69 vividos na Companhia de Jesus, 55 de sacerdócio, e uma vida inteira
ao museu.
11
Pe. Rambo nasceu na cidade de Tupandi, então distrito de Montenegro, Rio Grande do Sul, no dia 11 de agosto
de 1905 (Spohr, 2011). Desde jovem, demonstrou interesse em Botânica e aprofundou seus estudos nessa área ao
dar continuidade ao Herbarium do Colégio Anchieta em 1932, projeto iniciado pelo Pe. Pio Buck. A partir desse
material, foi criado o Herbário Didático, atualmente guardado no Museu Anchieta. Os outros exemplares da
coleção botânica do Pe. Balduíno Rambo agora fazem parte do o acervo do Instituto Anchietano de
Pesquisas/UNISINOS, localizado em São Leopoldo. Sua obra mais célebre é A Fisionomia do Rio Grande do Sul
(1942), que continua sendo uma das mais importantes referências sobre a flora do estado. Também lançou livros
didáticos para uso nas aulas que ministrava no Colégio. Os livros foram empregados nas décadas de 1930 e 1940,
sendo reconhecidos como referência na matéria de História Natural (Paz, 2015). Na Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, foi fundador da cátedra de Antropologia e Etnologia, em 1941 (Spohr, 2011). Recebeu a declaração
oficial de criação, do que atualmente é um dos maiores atrativos naturais do estado do Rio Grande do Sul, o Parque
Nacional dos Aparados da Serra (Spohr, 2011). Pe. Rambo assumiu a direção do Departamento de História Natural,
pertencente à Divisão de Cultura da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul. Nesse órgão, em 1955, apoiado
pelos pesquisadores Thales de Lema e Ludwig Buckup, fundou o Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais a
partir do desmembramento das coleções de história natural do Museu Júlio de Castilhos, provenientes de várias
partes do Rio Grande do Sul e tombadas como patrimônio nacional pelo SPHAN, em 1938 (Possamai, 2012;
Possamai; Silva, 2023). Além disso, ainda fundou o Instituto Anchietano de Pesquisas, situado em São Leopoldo.
Em setembro de 1959, iniciou a publicação da revista Iheringia, com uma série de Botânica e outra de Zoologia.
Dirigiu tanto o museu como a revista até a sua morte, ocorrida em 1961.
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coleções para o ensino em sintonia com outras ideias pedagógicas, a exemplo da Escola Nova
e do ensino científico.
FIGURA 1 Pe. Rambo e Pe. Pio (ao fundo) trabalhando no Museu Anchieta de Ciências
Naturais, na antiga sede do Colégio Anchieta, na Av. Duque de Caxias, no centro histórico da
capital, em 1942
Fonte: Museu Anchieta de Ciências Naturais.
FIGURA 2 Quadro parietal da empresa alemã Hagemann, adquirido pelo Colégio Anchieta
em 1926 (Cioato, 2021)
Fonte: Museu Anchieta de Ciências Naturais.
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Durante a atuação dos padres jesuítas, o Museu Anchieta se constituiu, sobretudo, como
uma instituição científica, voltada à pesquisa e à formação de coleções. Inseriu-se no
movimento dos museus de História Natural e na rede de sociabilidade entre os naturalistas dos
museus desta tipologia de várias partes do globo (Lopes, 1997). As correspondências trocadas
entre Pio Buck e seus colegas dos museus National Museum of Natural History, Instituto Real
Belga de Ciências Naturais, Museu Paraense Emílio Goeldi, entre outros, e países como
Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Espanha, Estados Unidos,
França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Irã, Itália, Japão, México, Polônia, Suíça, Ucrânia,
Uruguai e Venezuela (Silveira, 2022), demonstram a relevância do museu e de suas coleções
como local de consulta de pesquisadores internacionais
12
.
FIGURA 3 Professor Fernando Rodrigues Meyer durante oficina de ciências oferecida no
museu na década de 1980
Fonte: Museu Anchieta de Ciências Naturais.
Com o passar do tempo, o museu agregou às suas funções de pesquisa e de ensino a
função memorialística, seja da escola, seja da Ordem Jesuítica à qual pertence. Um exemplo
12
Atualmente, as coleções do museu continuam sendo consultadas, a exemplo dos seguintes cientistas: Carla Penz,
ex-estagiária do Museu Anchieta de Ciências Naturais, agora pesquisadora de lepidópteras (borboletas) na
University of New Orleans; Charles e Lois O’Brien, pesquisadores de coleópteros (besouros) na Arizona State
University; David Allen, paleontólogo da Nothern Illinois University e Roland Sookias, pesquisador da Oxford
University, ambos tendo o Cerritosaurus binsfeldi como objeto de estudo, entre outros.
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desse aspecto foi a incorporação de uma coleção procedente da atuação dos padres, na década
de 1940, no Mato Grosso do Sul e denominada Missão Anchieta, composta por artefatos
produzidos pelos povos Rikbaktsá, Nambikwara, Paresí, Irantxe Manoki, Kayabi, Karajá,
Ticuna, Xavante, Tapayuna e Apinayée, e por imagens fotográficas de suas atividades na escola
e na missão de Utiariti (Melo, 2022).
O Museu, a partir do desaparecimento de seu idealizador, na década de 1970, passou a
ser coordenado pelo auxiliar e ex-aluno, que durante muitos anos vinha trabalhando ao seu lado
e auxiliando-o na coleta, classificação e organização da Coleção Entomológica (insetos), o
então professor Fernando Rodrigues Meyer (Schneider, 2015). Sob sua coordenação, houve um
redirecionamento dos objetivos do museu, com a preponderância das atividades pedagógicas,
sobretudo devido ao constante contato mantido entre ele e os alunos. As coleções didáticas
tiveram um acréscimo significativo, assim como a visita de turmas e as oficinas oferecidas pela
equipe do museu.
FIGURA 4 Registro de atividade do Curso Profissionalizante em Museologia no ano de
1976 oferecido pelo Museu Anchieta
Fonte: Museu Anchieta de Ciências Naturais.
É digno de nota que o museu se constituiu também em referência na formação em
Museologia. A formulação do Curso Profissionalizante de Auxiliar Técnico de Museu -
modalidade Ciências Naturais, aconteceu no ensejo das mudanças nas políticas da educação
secundarista e universitária do período de 1970 até 1985, sendo seu primeiro ano de
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funcionamento em 1976, permanecendo em atividade até 1984 (Bittencourt, 2025). Singular na
história do ensino de Museologia no país (Bittencourt, 2025), o curso, sob instrução do
professor Fernando Meyer, contou com a participação de 567 alunos e formou muitos
professores e pesquisadores, além de muitos estagiários e monitores que trabalharam pelo
museu desde sua criação. Alguns professores e pesquisadores renomados passaram por essa
experiência, como Ricardo Reis (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Paulo
Andreas Buckup (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Carla Penz (University of New
Orleans), Emílio Jeckel Neto (Ex-diretor do MCT-PUCRS), entre tantos outros.
Durante os 117 anos de existência do museu, sua equipe foi composta por jesuítas,
servidores, professores, estagiários e monitores. O professor Fernando Meyer, juntamente com
as professoras biólogas Dorinha Müller e Silvia Roberta Cramer, permaneceu até 2016 no
museu, sendo substituído pelo professor de Física José Francisco Flores. A partir de 2022, a
instituição passou a ser gerida por uma museóloga, Alana Cioato. A aproximação com as
docentes do curso de bacharelado em Museologia e do Programa de Pós-Graduação em
Museologia e Patrimônio, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por meio de
visitas técnicas acadêmicas, possibilitou que o museu, até então apenas sob o holofote das
ciências naturais, da Pedagogia e da História da Educação, viesse a se constituir como
laboratório de pesquisa também da Museologia. Atualmente, além da museóloga, o museu
conta com a coordenação da professora Tatiane Waldow Ayala, a monitoria da museóloga
Gabriela Leindecker e estagiários dos cursos de Museologia, Ciências Biológicas e História.
Apesar de sua natureza privada, o museu é gratuito e aberto a pesquisadores, estudantes e
visitantes em geral.
O Museu Anchieta de Ciências Naturais exemplifica aqui uma tipologia de museu
escolar brasileiro cuja criação inicial esteve estreitamente vinculada ao ensino e à pesquisa e
que, no decorrer das décadas, reconfigurou-se e incorporou as funções memorialísticas da
instituição mantenedora. Cumpre afirmar que, por sua longevidade, esses museus se constituem
em importantes documentos da História da Educação e da Museologia pelo potencial de
conhecimento que agregam, não apenas de suas coleções, mas também dos modos de conservar
e expor seus acervos.
MUSEUS DE HISTÓRIA DA ESCOLA E OS VENTOS DA SOCIOMUSEOLOGIA
A grande maioria dos museus mapeados não apresenta uma definição disciplinar ou
temática em seus nomes, aspecto que poderia contribuir para identificar a tipologia de suas
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coleções. Em geral, são chamados de “Museu da escola x” ou “Memorial do Colégio Y”; em
algumas situações, também foram denominados por “Centro de Memória”, “Centro de
Documentação” ou “Núcleo de Estudos”. São raros os espaços que levam a tipologia, a
disciplina ou a temática na sua designação, como o Museu de Etnologia Indígena e de História
Natural da Academia Colégio Cristo Redentor (Juiz de Fora, MG) ou o Museu de História da
Tecnologia Harald Alberto Bauer (Taquara, RS).
Contudo, muitos desses museus tiveram seu aparecimento vinculado à memória da
instituição escolar (Possamai e Witt, 2016; Alves, 2016) e suas coleções se configuraram no
amplo espectro do que se convencionou chamar patrimônio histórico-educativo (Viñao Frago,
2010; Felgueiras, 2011; Meda, 2013; Menezes, 2016; Domínguez, 2018). São museus criados
principalmente nas últimas décadas do século XX ou no início do século XXI, que acompanham
o movimento em prol da preservação dos patrimônios em nível nacional e internacional (Poulot,
1997; Choay, 2001; Chuva, 2009).
As iniciativas de determinados agentes da escola constituem a base dos procedimentos
de reunião, guarda e conservação da cultura material, da iconografia e dos registros escritos da
instituição. Imbuídos de um dever de memória (Ricoeur, 2001), essas pessoas zelam e fazem
crescer esses acervos paulatinamente, configurando-os formalmente como museus, memoriais
ou centros de documentação, a exemplo do Museu do Colégio Municipal Pelotense (Amaral,
2014), anteriormente mencionado. Nesse processo, importantes coleções são formadas e se
tornam objetos de investigações acadêmicas, especialmente no campo da História da Educação,
que vislumbra o potencial de conhecimento aportado pela cultura escolar (Faria Filho;
Gonçalves; Vidal; Paulilo, 2004), composta, por sua vez, pela cultura material (Silva; Souza;
Castro, 2018; Escolano Benito, 2020) e pela cultura visual (Knauss, 2006). Pode-se afirmar que
a pesquisa em História da Educação, além de investigar os repertórios documentais reunidos,
também estimula e apoia a preservação deles por meio dos museus, dos arquivos e de outras
configurações no contexto das instituições escolares.
Ultrapassando a contribuição das coleções preservadas para a história da educação, é
importante ressaltar o papel desses espaços para o conhecimento da história local, pois muitas
dessas escolas e seus museus se localizam em edificações históricas, muitas vezes tombadas
como patrimônio nas instâncias municipais, estaduais ou mesmo nacional. Dar a ver as
transformações urbanas pelas quais passou o espaço onde está inserida a escola e sua edificação
passa a ser também um importante papel para esses museus, seja na aplicação dos conteúdos
curriculares das séries iniciais, seja na variedade de projetos de educação patrimonial (Horta,
2000; Gil; Possamai, 2014; Derreti, 2020). A título de exemplo, pode ser citado o estudo do
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Museu Anchieta para demonstrar que a documentação fotográfica e escrita preservada no local
tem contribuído para a construção da história da ocupação do Quilombo Silva, primeiro a ser
reconhecido no Brasil pela Fundação Palmares, localizado a algumas quadras da escola, em
Porto Alegre (Valentim, 2024).
Além desses aspectos, é importante ressaltar que determinados contextos ambientais,
culturais, urbanos ou rurais proporcionam que a Sociomuseologia (Primo; Moutinho, 2020)
inspire os museus implantados nas escolas, a exemplo do Ecomuseu da Amazônia, localizado
no estado do Pará, região Norte do Brasil. Fundado em 2007, pela Prefeitura de Belém no Liceu
de Artes e Ofícios Mestre Raimundo Cardoso, no distrito de Icoaroci, após um ano de
existência, foi transferido para a Fundação e Centro de Referência em Educação Ambiental
Escola Bosque Professor Eidorfe Moreira
13
, criada pela Lei nº 7.747 de 02 de janeiro de 1995,
localizada na ilha de Caratateua. Este ecomuseu escolar
14
(Rivière, 1985; Varine, 2000; Brulon,
2023), surgiu atendendo as ilhas de Caratateua
15
e Cotijuba, nas baías de Marajó e de Santo
Antônio, bem como a ilha de Mosqueiro, em determinado momento. Tem como principal
objetivo a preservação da floresta e do território, assim como a valorização dos mestres e
mestras e seus saberes e fazeres ancestrais, configurados de forma material, a exemplo da
tradição ceramista, ou imaterial, a exemplo das práticas folclóricas, como o carimbó, Cordões
de Pássaro
16
e outras danças regionais. O ecomuseu potencializa o reconhecimento da riqueza
ambiental e cultural do território e estimula o sentimento de pertencimento da população
ribeirinha ao contexto insular e florestal em que vive. Um desses meios é o desenvolvimento
do turismo sustentável de base comunitária (TBC) e em articulação a outros Pontos de
Memória
17
do lugar, como terreiros de umbanda, meliponicultora e apicultura, artesania de
produção de biojoias e biomateriais (açaí e látex), de produtos medicinais (andiroba),
cosméticos (priprioca) e alimentícios (açaí, cumaru) derivados das plantas da Amazônia.
13
Geógrafo e pesquisador da região amazônica.
14
Primeiro implantado no mundo, o Ecomuseu du Creusot-Montceau (França), uma das antenas do território é um
museu escolar, além das minas, canal, usinas, e a sede central, localizada no Museu do Homem e da Indústria.
Contudo, o ecomuseu da Amazônia diferencia-se deste por ter sido fundado em uma instituição escolar, ao
contrário do ecomuseu francês, cujo museu escolar é apenas um dos espaços no território compartilhado por várias
comunidades e reunida na Comunidade Urbana Creusot Montceau.
15
Também denominada por Outeiro, nome português negado pela população local, que valoriza o nome indígena
que remete ao cará, tubérculo cultivado na região.
16
Manifestação cultural tradicional do Pará da Belle Époque que vincula teatro e ópera e tem como referência os
pássaros da região.
17
Pontos de Memória é uma política pública do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM/MINC) que reconhece
determinados espaços culturais com características históricas ancestrais, como terreiros, museus comunitários,
quilombos, aldeias indígenas, entre muitos outros.
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Iniciativas como a do Ecomuseu da Amazônia podem indicar o potencial que apresenta
a Sociomuseologia, para além das práticas em educação museal com as escolas e seu entorno,
historicamente presentes nos museus brasileiros (Santos, sd) para a implantação e a valorização
de museus escolares. Nessa perspectiva, o museu pode ultrapassar os muros da instituição
mantenedora de modo a criar vínculos e diálogos com as populações do entorno, do bairro ou
mesmo do município onde está localizado. Dessa forma, o museu transcende a sua preocupação
com a memória institucional e passa a atentar para as práticas culturais e para os patrimônios
locais do lugar onde está inserido, criando laços de pertencimento e também possibilidades de
desenvolvimento em contextos urbanos sensíveis, a exemplo de favelas e zonas sob risco
decorrentes das emergências climáticas.
MUSEUS DAS ESCOLAS EM REDE: CONSIDERAÇÕES
Num universo de mais de quatro mil museus brasileiros, conforme o Cadastro Nacional
do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), a porção de museus escolares pode parecer
diminuta, conforme mostramos. Contudo, as coleções preservadas por essa centena de
instituições espraiadas pelas regiões do Brasil demonstram a relevância, a riqueza e o potencial
que apresentam esses espaços para o conhecimento científico e para a diversidade do
patrimônio histórico educativo brasileiro.
A exemplo de iniciativas internacionais
18
e mesmo de projetos que visam criar redes
locais
19
de articulação entre esses espaços, a Rede Brasileira de Museus e Acervos Escolares
(REBMAE) foi criada em 2024 com o propósito de se constituir em espaço de reunião e
interlocução entre os agentes à frente desses museus nas escolas. Como projeto situado no
campo da Museologia, seus objetivos ultrapassam a pesquisa acadêmica sobre o patrimônio
histórico-educativo e coloca-se na perspectiva aplicada de aperfeiçoar os processos
museológicos no interior dos espaços existentes e fomentar a criação deles nas escolas. No
primeiro aspecto ficaram evidentes, nas conversas e diálogos entre as pessoas do grupo
20
, as
18
Associações, grupos, projetos e redes têm sido criados com o intuito de articular pesquisadores e gestores dos
patrimônios histórico-educativos, como Huellas de la Scuela (Argentina); Sociedade Espanhola para o Estudo do
Patrimônio Histórico-Educativo SEPHE (Espanha); Sociedade Italiana para o Estudo do Patrimônio Histórico-
Educativo SIPSE (Itália); Rede Ibero-americana para o Estudo do Patrimônio Histórico-Educativo RIDPHE
(Brasil, Espanha e Portugal); entre outros.
19
É exemplo o Grupo de Pesquisa História e Memória da Educação GRUPHME, sob coordenação da Professora
Giani Rabelo (UNESC), que engloba 27 escolas da rede estadual, cujos acervos estão reunidos de modo virtual no
Centro de Memória da Educação do Sul de Santa Catarina (CEMESSC).
20
Citamos alguns dos responsáveis pelos museus que sistematicamente estiveram presentes nas reuniões mensais
da REBMAE, embora vários outros tenham participado uma única vez: Elisabeth Monteiro da Silva (Museu
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problemáticas e situações comuns enfrentadas pelas instituições, tais como: falta de
compreensão do papel do museu pelas direções da escola; falta de recursos humanos e
materiais; falta de autonomia administrativa; falta de visibilidade interna e externa, entre outras.
Diante de tantas demandas e precariedades mencionadas, a definição de metas para a REBMAE
em sua constituição como rede de pessoas era imprescindível, pois os nossos limites de atuação
eram evidentes. Nesse sentido, o Plano Estratégico definido coletivamente para a REBMAE
indicou justamente como prioritárias as áreas concernentes à cadeia operatória museológica:
conservação e documentação, tendo em vista que muitos destes espaços ainda não alcançaram
o padrão nimo desejado como instituição museal. Por outro lado, as carências relacionadas
aos recursos humanos e materiais indicaram a necessidade de alcançar maior visibilidade dessa
tipologia museal específica no âmbito das políticas culturais públicas e de preparar seus
gestores e suas gestoras para buscar esses recursos nas instâncias disponíveis (Editais, Leis de
Incentivo, agências, etc), especialmente por meio de parcerias com as universidades. Cumpre
mencionar, ainda, que muitos desses espaços existentes com característica arquivística ou
denominados “centros de memória” podem alargar seu escopo abarcando os repertórios áudio-
visuais e materiais, aspecto contemplado na especificidade da instituição museológica. Esse
deslizamento dos escritos para uma concepção ampla de cultura escolar permite a preservação
de documentos inestimáveis sobre a história da educação que, de outro modo, desapareceriam.
Além de seu papel relevante no aprimoramento dos espaços existentes, a REBMAE
coloca-se como fomentadora de processos museológicos com a finalidade de valorizar os
repertórios documentais, imagéticos e materiais no âmbito da escola e que ainda não foram
musealizados ou patrimonializados. Nessa perspectiva, os resultados alcançados são muito
interessantes, pois, a presença dos representantes da REBMAE em eventos principalmente tem
alertado educadores e educadoras para a potencialidade desta tipologia museal, muitas vezes
ainda inexistente nas suas instituições
21
. Esse movimento é imprescindível especialmente
Histórico do Colégio Pedro II)/RJ; Francisca Lima (Museu Louis Jacques Brunet/PE); Marcos Lima (Museu da
Obra Salesiana/SP); Murilo Carvalho Rodrigues (Ecomuseu da Amazônia); Alana Cioato e Gabriela Leindecker
(Museu Anchieta de Ciências Naturais); Angelita da Rosa (IFSUL). Também participaram das reuniões com
assiduidade mestrandos e mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul vinculados ao projeto de pesquisa: Morgana Silveira Barth, Javiera
Martinez Orellana, Sergio Luiz Valentim, Lucas Wendt, e a bolsista de científica, acadêmica do Curso de
Museologia Bianca Legunes. Ressaltamos que os diálogos e as comunicações se efetivam, muitas vezes, por meio
das mensagens eletrônicas, aspecto que multiplica a participação dos membros da Rede.
21
Como exemplo, três museus desta tipologia foram criados na cidade do Rio Grande, estado do Rio Grande do
Sul, a partir do contato da professora coordenadora do PET História da Universidade Federal do Rio Grande com
a coordenação da REBMAE, além do interesse na criação de museus escolares nos estados do Espírito Santo e
Tocantis.
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naqueles estados e naquelas regiões do extenso território brasileiro que ainda não possuem
museus escolares.
A adesão de aproximadamente 50% dos espaços mapeados à REBMAE e a presença
constante de um determinado grupo nas reuniões mensais demonstram a importância desse
espaço de troca de ideias e de práticas e do rompimento com o isolamento que muitos desses
profissionais vinham sentindo. Na maioria das vezes, essas pessoas são professores e
professoras da própria escola, aos quais foi dada ou conquistada a tarefa de zelar pelo
patrimônio histórico institucional. Raras vezes são profissionais dos campos específicos
vinculados à gestão de instituições culturais, museológicas ou arquivísticas e, quase nunca,
podem contar com esses profissionais nesses locais, embora alguns estejam inseridos em
cidades e estados com formações em Museologia em universidades federais próximas.
Nessa direção, os investimentos ultrapassaram o escopo do previsto no projeto de
pesquisa e abarcaram, entre outras atividades: a elaboração da publicação de um Guia de
Museus Escolares Brasileiros com o apoio do IBRAM, composto pelo arrolamento dos museus
levantados na pesquisa e com o destaque de informações sobre um museu selecionado por
região do Brasil; a definição de um planejamento estratégico com a definição de estratégias,
ações e metas para orientar a atuação da Rede nos aspectos considerados frágeis, que colocam
as coleções em risco
22
; a articulação de políticas públicas de valorização da tipologia
museológica em questão
23
.
Para concluir, o cenário que se descortina demonstra que a preservação do patrimônio
histórico-educativo pelas instituições escolares brasileiras, por meio especialmente dos museus
implantados, se constituiu em fruto de iniciativas de pessoas e de instituições e, graças a esses
guardiões, foram perenizados acervos e coleções, cujas investigações permitem aprofundar o
conhecimento sobre diferentes aspectos da História da Educação e da Museologia no Brasil.
Cumpre, no âmbito das políticas públicas e das articulações entre agentes, proporcionar que
esses museus sejam valorizados e que a conservação, a documentação e a exposição de suas
coleções estejam asseguradas a públicos mais amplos que aquele vinculado exclusivamente à
escola. Finalmente, dar visibilidade aos museus e aos acervos das escolas também proporciona
22
Nesse aspecto, podem ser citadas: em 2024, a divulgação das formações on line disponibilizadas pelo IBRAM
sobre conservação e documentação museológica e, em 2025, a realização de uma capacitação ministrada por
reconhecidos profissionais da área, sobre Captação de Recursos no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc, que
visou instrumentalizar as pessoas gestoras para submissão de projetos nos editais estaduais e municipais.
23
Os museus escolares foram incorporados no Eixo 2 da Política Nacional Setorial de Museus (2025-2035),
aprovada pelo IBRAM em 2024, em Fortaleza (Brasil, 2025).
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conhecer raros patrimônios brasileiros construídos, em razão da escolarização obrigatória, por
cada uma das pessoas que passou pela escola ao longo de sua vida.
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Recebido em: 25 de outubro de 2025.
Aceito em: 20 de dezembro de 2025.