O CME é responsável pelo resgate contínuo da memória e da
consciência permanente, dispondo de papel social essencial de
captação, armazenamento e socialização do conhecimento produzido
pela Faculdade de Educação. Esse busca evitar o uso indiscriminado da
memória; categoria capaz de afastar a descontinuidade que o
conhecimento impõe, engendrando caráter instrumental na produção
intelectual. Nesse sentido, a missão dessa instituição é tornar acessível
à informação os meios institucionais de custódia e socializá-los, a fim
de atender a fluidez e o dinamismo das demandas sociais. Contudo, o
próprio estado brasileiro demonstra-se omisso em relação à preservação
documental, demonstrando a falta de capacidade no abastecimento das
instituições públicas e privadas com informações e arquivos,
selecionando-os segundo o interesse e conveniência do status quo.
Dessa forma, o aprendizado mais valioso adquirido sobre a função do
CME USP certamente fora os perigos da história única. Essa,
caracterizada como epistemicídio, consegue humanizar e desumanizar,
bem como o de colonizar o futuro pelo controle do passado, ou seja,
aquele que se apropria do passado, domina o futuro, e se este está sendo
controlado, o passado é manipulado. Nesse sentido, os sujeitos se
tornam reféns do eterno presentismo, onde adotam a ausência tanto do
futuro quanto do passado, exercendo relação paradoxal com o
retrógrado…Aprendi que a história sempre tem que ser lida com
criticidade, sem nunca esquecer que a ciência é construída por
interesses que, inclusive, podem dificultar a conservação da memória
(Azevedo, 2025).
Para outra estudante da ETEC,
O Centro de Memória da Faculdade de Educação da USP busca trazer
um tratamento mais multidisciplinar da educação, através do resgate da
memória educacional. Com isso, com o resgate de novas possibilidades
de educação que, além de emergir novas perspectivas sobre o papel da
escola na sociedade, mostra-se que é totalmente possível e dentro da
realidade pensar em um ensino com abordagens diferentes das
tradicionais. Afinal, essas propostas foram aplicadas em escolas
públicas, com investimento do Estado e reconhecimento da eficácia de
seu ensino, mas, mesmo podendo ser um potencial agregador no debate
sobre educação no Brasil, tal experiência foi esquecida ao longo da
história da educação (Fabiano, 2025).
Também destacam-se as reiteradas análises, frutos da reflexão sobre o próprio processo
de pré-IC, que demarcam o chão do Centro de Memória como um solo fértil que reúne
resistência política, aprendizagem e referência não só para a historicidade, mas para as tradições
futuras, como afirmava Galeano (1997): “assim, os centros de memória e suas restaurações é
reviver as resistências para compreender outros modos de viver; uma análise do presente para
mudar o futuro. Outrossim, o CME é a renascença das resistências que houve na educação,