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DOCUMENTO
MEMÓRIA, POLÍTICA E EDUCAÇÃO: FLUXOS ENTRE TEMPOS E ENCONTRO
ENTRE GERAÇÕES MEDIADOS PELOS ACERVOS DO CENTRO DE MEMÓRIA
DA EDUCAÇÃO DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA USP
Carmen Sylvia Vidigal Moraes
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Brasil
moraescs@usp.br
João Francisco Migliari Branco
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Brasil
joaobranco@usp.br
Ana Luiza Jesus da Costa
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Brasil
anajcosta@usp.br
Monique Rufino Silva
Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, Brasil
moniquepessoa@usp.br
RESUMO
O presente artigo parte da apresentação do Centro de Memória da Educação da Faculdade de
Educação da USP como laboratório de humanidades, desde a importância de seus acervos
histórico educacionais até sua longa tradição em ensino, pesquisa e extensão universitária para
o registro analítico da experiência formativa realizada entre os anos de 2024 e 2025 com
estudantes bolsistas do Programa Unificado de Bolsas da Reitoria da USP e de Pré-Iniciação
Científica do CNPq. Nosso objetivo fundamental foi compreender os impactos dessa
experiência com acervos na formação dos estudantes de Graduação e Ensino Médio. Para tanto,
nossas fontes fundamentais foram os relatórios elaborados por esses (as) estudantes nos quais
eles/elas relatam e refletem sobre as atividades teóricas e práticas desenvolvidas. Suas falas,
inscritas como autoria compartilhada nesse artigo, revelam a relevância atribuída à memória
educacional, sua preservação como legado e mobilização como instrumento de transformação
política nos trânsitos entre passado, presente e futuro.
Palavras-chave: Centro de Memória; Faculdade de Educação da USP; Educação patrimonial.
“Os mortos estão ao redor dos vivos. Os vivos
são o centro dos mortos. Nesse centro estão as
dimensões de tempo e espaço. O que circunda o
centro é atemporal”.
John Berger
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NOTAS INTRODUTÓRIAS. O CENTRO DE MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO DA FEUSP:
LUGAR DE MEMÓRIA E HISTÓRIA
Este texto enquadra-se na tradição dos estudos e trabalhos envolvendo arquivos ligados
à História da Educação sob a salvaguarda Centro de Memória da Faculdade de Educação - USP
(CME). Tematiza, particularmente, a dimensão formativa desses estudos e trabalhos
desenvolvidos com bolsistas de graduação e ensino médio que estagiaram ao longo dos anos de
2024/2025 no CME.
Criado em 13 de junho de 1992, de coordenação interdepartamental, tem por objetivo
realizar estudos e pesquisas no âmbito da história e da sociologia da educação, construir e
organizar acervos documentais, arquivísticos e museológicos, promover atividades de ensino e
prestação de serviços, cuja marca significativa é articular pesquisa e documentação produzida
na pesquisa. Destaca-se pelo importante trabalho que vem realizando na preservação da
memória institucional da FEUSP e sua Escola de Aplicação e de escolas públicas paulistas, na
conservação e guarda de seus acervos como significativos para a memória educacional e
cultural do país, e na promoção e desenvolvimento de projetos que capacitam professores,
alunos e funcionários na organização de seus arquivos permanentes e históricos,
disponibilizando-os para a consulta pública - da população escolar e de pesquisadores
interessados. É constituído por grupos de pesquisas, inscritos no Diretório dos Grupos de
Pesquisa no Brasil (CNPq), integrados por professores e alunos bolsistas de Iniciação
Científica, Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado. Por diversas vezes, o CME tem recebido
alunos bolsistas do ensino médio entre seus estagiários. O desenvolvimento dessas atividades
caracteriza o CME como laboratório de humanidades, promotor de ensino, pesquisa, cultura e
extensão universitária.
O CME tem a tradição de promover importantes projetos de pesquisa na FEUSP, os
quais expressam tanto parcerias institucionais nacionais e internacionais, como o número
significativo de graduados e pós-graduados formados a partir de pesquisas em seus arquivos. O
processo de institucionalização do CME foi iniciado, em 1994, com o desenvolvimento da
pesquisa Impressos, Leituras e Instituições Escolares no Brasil, financiado pela FINEP,
integrada por 7 sub-projetos, entre os quais : Escolas de “Instrução Popular”: Materiais
Escolares e Documentos Institucionais, que resultaram na organização da Biblioteca de Livros
Escolares, atualmente com 25 mil títulos sob guarda da Biblioteca da FEUSP, e na constituição
de Centros de Memória em 7 das escolas técnicas mais antigas do Estado de São Paulo, projeto
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que se expandiu contando, hoje, com mais de 30 instituições de ensino que possuem acervos
escolares organizados por seus alunos e professores.
A partir de 1998, o CME começou a organizar sua massa documental com base nos
princípios arquivísticos para conservação e guarda, e seu acervo é constituído, hoje, por
aproximadamente 250 mil documentos. Podemos classificar essa documentação acumulada
como Arquivos Pessoais, Arquivos Institucionais, Coleções provenientes de pesquisas e
Coleções tipológicas. Entre os acervos mais relevantes, fruto de pesquisas realizadas pelo CME,
doações e parcerias entre o CME e instituições de ensino, encontram-se os arquivos do: Centro
Regional de Pesquisas Educacionais /CRPE SP, criado por Anísio Teixeira ( 1956 1975) (
cerca de 3000 documentos) ; Acervo João Penteado e da Escola Moderna n. 1 de São Paulo (
1912-1919) e demais escolas geridas por esse educador anarquista, reunindo 38 mil
documentos; Arquivo Pessoal de Maria Nilde Mascellani, coordenadora do Serviço de Ensino
Vocacional e organizadora dos Ginásios Vocacionais, protagonistas do ensino médio integrado
no Brasil.
Foi sobre parte desse rico acervo documental ao qual se juntam peças museológicas,
testemunhas da cultura material de diferentes escolas de São Paulo em fins do século XIX e
início do século XX, que se realizou a experiência formativa com jovens estudantes registrada
e analisada nas seções seguintes do presente texto.
O "FASCÍNIO DOS ARQUIVOS" E A FORMAÇÃO DAS NOVAS GERAÇÕES
Ao longo do segundo semestre de 2024 e primeiro semestre de 2025, o Centro de
Memória da Educação da FEUSP, em continuidade com a sua longa tradição de articulação
entre a preservação do patrimônio histórico educacional e a formação de pesquisadores e
estudantes em diferentes níveis de ensino, desenvolveu dois projetos associados voltados a
alunos de ensino médio e graduação cujos resultados apresentaremos e analisaremos na próxima
seção deste artigo.
Para além da importância desses projetos no processo de organização do CME
considerando o trabalho desenvolvido com os acervos, nos interessa refletir sobre seus impactos
na formação dos e das jovens estudantes envolvidos.
No prefácio ao livro Acervos, fontes e histórias da educação. Experiências e
possibilidades para o ensino, a pesquisa e a extensão, Rosa Fátima de Souza-Chaloba assinala
que a maioria das experiências de constituição de acervos para salvaguarda do patrimônio
histórico educativo relatadas na obra coletiva está diretamente vinculada às universidades. A
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autora lança como hipótese explicativa para a ampliação das iniciativas de preservação da
cultura material escolar nas últimas décadas a sensibilização derivada da renovação do campo
da História e da História da Educação iniciada em meados dos anos 1980. A chamada
‘revolução documental’ aliada à crítica à empiria em uso e a valorização do trabalho no arquivo,
puseram em relevo as condições dos acervos e a necessidade de preservá-los” (Souza-Chaloba,
2024, p. 11).
A história do próprio CME, apresentada acima, e suas iniciativas inscrevem-se em um
movimento mais amplo de preservação, ensino, pesquisa e extensão promovido por arquivos,
centros de memória, museus, entre outros “lugares de memória” presentes em Universidades,
mas também em escolas de educação básica, técnicas e profissionais.
No Brasil, a consideração da relevância do patrimônio histórico educacional levou à
criação de um Grupo de Trabalho (GT) que, atualmente, pleiteia seu tombamento pelo Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o define como:
[...] todos os bens salvaguardados em escolas, centros de memória,
instituições de ensino técnico e superior, universidades, no território
brasileiro que tenha passado por organização tecnocientífica ou por
processos visando à apresentação pública de um patrimônio animador
da produção de pesquisas (acadêmicas ou não), dinamizador de ações
de memória e história das instituições escolares, suas comunidades e
territórios, amparo da história e da historiografia da educação no país
1
(Carta de Natal, 2024, p.4).
Além das fronteiras nacionais, os debates sobre o patrimônio educativo se desenvolvem
décadas impulsionados pela mencionada renovação historiográfica, particularmente
tributários de trabalhos como os de Dominique Julia e sua consideração da cultura escolar como
objeto histórico. Em seu balanço crítico sobre a historiografia do patrimônio educativo na
Espanha, Pedro Martinez assinala:
[...] um notável e crescente interesse acadêmico e social pelo patrimônio
educativo, especialmente perceptível nos últimos quinze anos, como se
constata, entre outros elementos, na proliferação de exposições
pedagógicas, na recuperação e no desenvolvimento experimentado pelo
museísmo pedagógico; no impulso alcançado no âmbito acadêmico
com a formação de grupos de pesquisa nas universidades espanholas,
no desenvolvimento de projetos de pesquisa e publicações; na
1
A Carta de Natal foi apresentada durante o Congresso Brasileiro de História da Educação (CBHE) realizado na
capital do Rio Grande do Norte em 2024. Ela pode ser acessada em https://anped.org.br/wp-
content/uploads/2025/01/CARTA-NATAL_PATRIMONIO-EDUCATIVO.pdf. Acesso em: 10 out. 2025.
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constituição de sociedades científicas ou redes nacionais e
internacionais, ou na promoção de encontros, seminários, reuniões
técnicas e congressos científicos nacionais e internacionais (Martinez,
2015, p. 89).
As experiências desenvolvidas pelo CME-FEUSP também situam a memória
educacional na confluência entre a escola pública e a universidade. Sua equipe é constituída,
atualmente, por um funcionário técnico administrativo com graduação em história, professoras
(es) universitárias (os) e professoras da educação básica, inseridas na Pós-Graduação e em
programa pós-doutoral na FEUSP. Monique Pessoa, doutoranda do PPGE da FEUSP e
professora da Escola Técnica (ETEC) Guaracy Silveira foi quem materializou a “ponte” entre
o CME e as/os estudantes de ensino médio. Não é demais mencionar novamente a longa
experiência desenvolvida pelo CME com as memórias das Escolas Técnicas do Centro Paula
Souza, rede estadual de ensino de São Paulo.
Antes mesmo de formalizarmos a submissão dos pedidos de bolsas de Pré-Iniciação
Científica ao Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), a sala do CME, no início do segundo
semestre de 2024, se viu povoada por um grupo entusiasmado de jovens impactados pela
atmosfera que os envolvia. Estudantes de escola pública, filhos e filhas da classe trabalhadora,
passaram a habitar, alguns pela primeira vez, o espaço da universidade pública, experiência que
carrega seu peso simbólico.
Ao contato com os objetos museológicos, parte do acervo do Centro, como carteiras
antigas, material de laboratório do início do século XX, tinteiros de pena, ou as temíveis
palmatórias que ainda habitam o imaginário social, embora poucos de nós tenhamos visto
uma de perto, acrescentou-se o manuseio da documentação em papel, retirada das caixas após
o ritual de paramentação com luvas e máscaras. Era possível perceber o fascínio que essa
materialidade despertava no grupo.
Em O sabor do arquivo, Arlete Farge nos remete para além das questões teóricas e
técnicas que interpelam os e as trabalhadores (as) da história ao expressar de forma poética suas
sensações e sentimentos emergentes na relação com esses lugares de memória. É exatamente
entre a euforia, um pouco ingênua, mas mobilizadora da descoberta, e o cansaço, um pouco
físico, da construção de sentido que a autora situa a experiência com o arquivo.
Ele produz no leitor a sensação de, finalmente, captar o real e não mais
de examiná-lo através do relato sobre, do discurso de. [...] Nasce assim
o sentimento ingênuo, porém profundo, de romper o véu, atravessar a
opacidade do saber e chegar, como depois de uma longa viagem incerta,
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ao essencial dos seres e das coisas. [...] Como se, ao folhear o arquivo,
se tivesse conquistado o privilégio de tocar o real. (Farge, 2009, p. 18).
O mencionado entusiasmo visível nos jovens em contato com o CME inspirou o título
do projeto apresentado ao edital de bolsas de pré-iniciação científica do CNPq, 2024-2025. O
fascínio do arquivo: juventude e valorização da memória educacional em contato com o acervo
do Centro de Memória da Educação (CME) FEUSP por meio do qual conseguimos sete bolsas
de Pré-IC para alunas e alunos do ensino médio da ETEC Guaracy Silveira sob supervisão dos
docentes da FEUSP e da docente da ETEC.
O projeto tinha como objetivo introduzir os estudantes do ensino médio aos princípios
básicos da Arquivística e aos procedimentos iniciais do arquivamento, levando-os ao mesmo
tempo a refletir sobre a importância dos Arquivos Escolares na produção de saberes da e sobre
a escola. Naquele momento, o grupo deveria tratar os acervos documentais de professoras e
professores do chamado ensino renovado como Olga Bechara, Luiz Contier e Maria Nilde
Mascelani, visando torná-los públicos, por meio de sua organização e abertura de dados para
consulta. Com o andamento dos trabalhos a esses acrescentaram-se outros como o acervo do
professor Celso de Rui Beisiegel e do Centro Regional de Pesquisas Educacionais (CRPE).
De acordo com o projeto, estava previsto aos/às estudantes entrar em contato com a
bibliografia pertinente ao seu escopo temático, em especial as seguintes: obras da área de
História da Educação, especialmente as que dizem respeito aos processos de institucionalização
e democratização do ensino a partir dos anos 1930, com ênfase na história do ensino secundário
e profissional, dado ser este o universo da documentação com a qual iriam lidar; obras
introdutórias à arquivística e questões do patrimônio histórico, particularmente sobre arquivos
escolares e memória educacional. Em seguida, mas também de modo concomitante, se
dedicariam ao trabalho direto com o acervo cumprindo as seguintes etapas: estabilização do
acervo, com protocolo de conservação preventiva, envolvendo ações de higienização mecânica,
desmetalização e planificação de itens documentais; Elaboração de Quadro de Arranjo;
Classificação documental; Descrição documental nível item, para fins de elaboração de Guias,
Inventários e Catálogos; Abertura de dados para consulta pública, por meio da divulgação dos
trabalhos de organização de acervo realizados. É importante destacar que a elaboração do
projeto base tanto do trabalho dos bolsistas de Pré-Iniciação Científica da ETEC Guaracy
Silveira, como dos bolsistas de extensão, alunas e aluno da Graduação selecionados para o
Programa Unificado de Bolsas (PUB) da Reitoria da USP foi feita em parceria e com
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fundamental apoio da arquivista Elisabete M. Ribas, funcionária do Serviço de Arquivo IEB-
USP.
Ao longo do ano de trabalho com as e os bolsistas, tal como previa o projeto, nos
organizamos em momentos de formação mais teórica e metodológica, geralmente reunindo toda
a equipe em atividades como reuniões com colaboradores (as), uma delas Ina Hergert, do Museu
do Ipiranga, especialista em pesquisa e preservação de patrimônio museológico que
compartilhou com o grupo diversas orientações fundamentais para a organização do Centro de
Memória, com foco na conservação, climatização, catalogação e divulgação do acervo visando
não apenas proteger os materiais históricos, mas também tornar o espaço funcional, acessível e
com potencial de integração cultural. Em outros momentos recebemos pesquisadoras
especialistas em temáticas relacionadas aos acervos a serem tratados pelas (os) estudantes,
como Ângela Tamberlini, professora da Universidade Federal Fluminense, que falou ao grupo
sobre os Ginásios Vocacionais e Tatiana Calsavara, Pós-doutoranda na FEUSP que abordou a
trajetória do educador anarquista João Penteado. Como parte das atividades formativas gerais
discutimos bibliografia pertinente ao projeto como o livro Centros de Memória: uma proposta
de definição, de Ana Maria Camargo e Silvana Goulart, e realizamos visitas técnicas a
Instituições de guarda do patrimônio histórico, como o setor de arquivos do Instituto de Estudos
Brasileiros (IEB) USP.
A atuação das e dos bolsistas junto aos acervos do CME aconteceu desde sua chegada
ao espaço, desenvolvendo-se de forma concomitante às atividades formativas anteriormente
mencionadas e sempre sob a supervisão e orientação das e dos docentes e do funcionário técnico
do Centro. Ao longo dos primeiros meses, o grupo realizou um pequeno mutirão para o
reconhecimento das localizações das caixas distribuídas nas estantes, uma vez que, com a
recente reforma do prédio onde estamos instalados, todo esse material havia sido deslocado, o
que desorganizou, em parte, seu posicionamento original. O desafio era então iniciar a
montagem do chamado Mapa Topográfico do Centro.
Reconhecidas e registradas as localizações, a equipe se dividiu em grupos menores por
dia da semana e deu início à descrição item a item dos fundos designados para o trabalho. O
trabalho se desenvolveu tendo como descritores para cada caixa: nome do acervo; número da
caixa; data dos documentos; formato dos documentos; tulos e conteúdos; quantidade; estado
de conservação.
Tal catalogação, de fundamental importância para organização do arquivo do CME foi,
talvez, a mais laboriosa e a que ocupou mais tempo das e dos bolsistas. Aqui foi possível
experimentar uma sensação diferente da euforia das primeiras descobertas, como também nos
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lembra Farge (2009, p. 19), “passada a surpresa, a monotonia dos fatos coletados prevalece
sobre a descoberta”.
Junto a esse paciente trabalho de, cuidadosamente, abrir cada caixa, registrar as
referências e descrever os documentos, procuramos estimular o exercício de atribuição de
sentido ao material com que cada uma e cada um se deparava. Ao fim e ao cabo, a relação com
o passado que desejamos não é aquela que acredita poder tocá-lo onde supostamente está,
estático, relicário, mas como algo dinâmico, ressignificado em cada presente, como forma de
compreender melhor o nosso próprio tempo. É novamente Arlete Farge quem nos alerta ao
referir-se à relação entre pesquisadora e arquivo:
Embora o real pareça estar ali, visível, palpável, na verdade fala de
si mesmo. [...] O ‘retorno dos arquivos’ às vezes é penoso: depois do
prazer físico da descoberta, vem a dúvida mesclada à impotência de não
saber o que fazer dele. É verdade que a carta de pano é emocionalmente
tocante e, sem dúvida, muitos museus ficariam felizes em expô-la, mas
não é isso que importa. A questão reside na difícil interpretação da sua
presença, na busca de seu significado. [...] Sua história existe apenas no
momento em que são confrontados com certo tipo de indagações…
(Farge, 2009, p. 19).
Com o intuito de estimular os primeiros movimentos de um processo de investigação
por parte das alunas e alunos, pedimos para que escolhessem um ou um conjunto de documentos
que mais lhes tivesse despertado a curiosidade de “saber mais” para que pudéssemos, ao menos,
começar a ensaiar recortes de objetos de pesquisa. Os relatórios analisados a seguir revelam,
além de um aprendizado de uma escrita específica que é o gênero de escrita acadêmica, também
os esforços para narrar e atribuir sentido a essa experiência. Revelam, ainda, em um tempo de
aceleração e volatilidade das ideias, da comunicação, da própria produção do conhecimento em
uma cultura mediada pelas telas, o aprofundamento da consciência do direito à memória como
dimensão fundamental da cidadania e da história como chão de enraizamento (Paoli, 1992).
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FIGURA 1 Bolsistas de Ensino Médio e Graduação do Centro de Memória da Educação
atuando na conservação de documentos
Fonte: Acervo institucional do Centro de Memória da Educação FEUSP.
FIGURA 2 Atividade de Formação com o Professor Márcio Kurossu e a Professora
Carmen Moraes
Fonte: Acervo institucional Centro de Memória da Educação FEUSP.
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FIGURA 3 Grupo de Bolsista de Pré-Iniciação Científica da ETEC Guaracy Silveira e a
Professora Coordenadora Monique Pessoa
Fonte: Acervo institucional do Centro de Memória da Educação FEUSP.
FIGURA 4 Piquenique de encerramento das atividades do ano de 2024, no gramado da
Faculdade de Educação com o Professor João Branco e a Professora Monique Pessoa
Fonte: Acervo Institucional do Centro de Memória da Educação FEUSP.
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O CME E SEUS/SUAS JOVENS PESQUISADORES (AS): ALGUMAS REFLEXÕES
FINAIS
Os textos produzidos pelos estudantes que atuaram como bolsistas de Pré-Iniciação
Científica e do Programa Unificado de Bolsas, na vertente cultura e extensão, consolidam o
Centro de Memória da Educação como um lugar que vai além do que está inscrito na superfície:
é um lugar que permite tocar as várias dimensões da formação, seja humana, pedagógica,
técnica, promovendo a ampliação de repertórios. É exatamente o que emerge dos trabalhos
realizados ao longo de 2024 e 2025 e que se materializa nos relatos dos estudantes, a partir das
suas próprias expectativas:
Por outro lado, destacam-se alguns objetivos particulares da estudante,
enquanto bolsista, tais como: oportunidade de estar em contato com
documentações educacionais de grande relevância histórica, podendo
observar diversas das temáticas abordadas atualmente em seus
primeiros estudos e aprofundamentos; conhecer o Centro de Memória
da Educação, sua história, formação, importância e relevância na
prática, por meio do contato direto com as suas ricas fontes
documentais; estar inserida em um cotidiano de trabalho para a
manutenção e preservação da memória; ser introduzida nos conceitos,
ideias e procedimentos da arquivística, bem como compreender sua
essencialidade no trabalho de proteção das documentos e compreender
a importância da atuação dos Centros para a organização,
armazenamento e conservação dos acervos e a necessidade de
valorização, reconhecimento, permanência e sobrevivência desses
projetos, bem como a possibilidade de aprofundar o olhar na formação
de professores, temática de grande interesse por parte da bolsista
(Souza, 2025).
Sim, reúnem atividades técnicas como encontros formativos sobre arquivologia e
relacionados à formação e aprendizagem de técnicas de conservação, acomodação,
higienização, e catalogação de documentos históricos; bem como para trabalho catalográfico
no acervo voltados à identificação, higienização e catalogação do material. Essa é uma das
essências do Centro de Memória, sem dúvida alguma. Mas é uma essência envolvida por outra
essência que orienta nosso trabalho, pois “o que circunda o centro é atemporal” (BERGER,
1994, parágrafo 1). Nas palavras do estudante que esteve conosco nestes tempos, essa essência
pode ser definida assim: “Encontros formativos críticos, contextualização teórica, leitura de
bibliografia de referência, aulas e rodas de conversa sobre eventos relacionados à história da
educação, ao Centro de Memória e a relação de seus acervos com eventos históricos
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educacionais como as classes experimentais, os ginásios vocacionais, a escola moderna, entre
outros.” (BRAGA, 2025). Na rosa dos ventos e para todas as direções que o CME aponta, sua
essência é política, questiona e investiga o tempo atual e muitos outros tempos por meio das
práticas que entesoura e o tesouro que realmente importa, todos sabemos, é o que se guarda
coletivamente.
Não é demais resgatar aqui, portanto, as palavras de Ecléa Bosi (1979) sobre a
importância da memória, esta que vai na contramão do esquecimento político. O trabalho
desenvolvido com estudantes é exatamente esse: aprender e valorizar, por meio da pesquisa do
material preservado pelo CME, as diversas práticas de escolas, educadoras e educadores,
pesquisadores e experiências de educação que torna nosso passado muito mais plural e cheio
de realizações do que o futuro colonizado pelo frenesi da inovação esvaziada de sentido
coletivo; de sentido social, portanto. Também Berger afirmava:
Como os vivos convivem com os mortos? Até a desumanização da
sociedade pelo capitalismo, todos os vivos esperavam poder vivenciar
os mortos. Em última análise, esse era o futuro deles. Por si só, os vivos
eram incompletos. Portanto, os vivos e os mortos eram
interdependentes. Sempre. Somente uma forma tão peculiar e moderna
de egoísmo rompeu essa interdependência. Com resultados desastrosos
para os vivos, que agora pensam nos mortos como os eliminados
(Berger, 1994, parágrafo 12).
Para Berger, “a diferença entre os mortos e os não nascidos é que os mortos têm essas
lembranças. À medida que o número de mortos aumenta, a memória aumenta” (Berger, 1994,
parágrafo 8). Espaços como o Centro de Memória são também formativos exatamente nesse
fio: os mortos não estão eliminados como no capitalismo; pelo contrário, nos colocam em
movimento. Como escreveu Bosi, a memória social se inscreve no tempo dos elementos que
transformam a sociedade; e assim, completando esse arco, é exatamente a partir deste
significado profundo que o trabalho dos estudantes bolsistas do CME se posiciona, pois também
por meio da sua atuação comprometida “a memória aumenta”. Isso é corroborado quando em
relatório das bolsistas encontramos o entendimento de que
Rememorar, portanto, é um ato político que deve reabrir a história e
trazer à luz os fragmentos ocultos pela narrativa hegemônica. Benjamin
alerta: “até os mortos correm perigo”, pois o esquecimento é um
instrumento de poder que busca eternizar a versão dos vencedores.
Assim, a função de um centro de memória ultrapassa o simples acúmulo
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de documentos trata-se de garantir espaço para falas que
historicamente foram silenciadas (Oliveira, 2025).
E qual seria a função do CME? Para essa estudante, “a missão do nosso Centro de
Memória é marcada por sua natureza temática: a educação em suas formas formal, informal,
técnica e profissional. Nosso desafio é transformar os documentos que chegam até nós em
acervos com sentido, revelando suas intenções, contextos e usos históricos” (Lylian). Em seu
processo de formação e aprendizagem dentro do nosso espaço, destacamos assim duas
dimensões fundamentais indicadas pela estudante: a necessidade de uma política contínua de
tratamento documental alinhada a um projeto institucional de longo prazo; e este projeto deve
ter um princípio político muito bem definido, de resistência e alargamento da História. Assim,
A resistência passa, então, pelo reconhecimento da diversidade de
experiências e pela preservação de memórias plurais, capazes de nos
reconectar com outras formas de existência e organização social. Nesse
sentido, é urgente problematizar a construção das memórias
institucionais. Mesmo os centros de memória, sobretudo os mantidos
por entidades do terceiro setor, podem ser usados para construir
imagens institucionais idealizadas e interessadas. Por isso, é
fundamental nos perguntarmos: qual é o nosso lado? Estamos criando
memória para legitimar ou para questionar? Para celebrar ou para
compreender criticamente? (Oliveira, 2025).
Para tanto, o aprendizado ao longo deste ano envolveu o aprendizado sobre a História e
também o aprendizado sobre fontes históricas, sobre a noção de documento histórico e inclusive
ampliando sua compreensão. “Cadernos de alunos e professores, livros didáticos, fotografias,
objetos escolares, materiais audiovisuais e a própria arquitetura dos prédios escolares passaram
a ser compreendidos como reveladores de visões de mundo e práticas pedagógicas” (Oliveira,
2025). O contato direto com o material disponível no CME colabora com o desenvolvimento
dessa sensibilidade para lidar com os diversos tipos de documentos, ao mesmo tempo que abre
espaço para exercitar a identificação de fontes primárias e secundárias. E também, porque nunca
é demais reiterar, com o tecido da memória política conduzindo o trabalho e seguindo os
caminhos de
experiências educacionais transformadoras, como os ginásios
vocacionais e os projetos de educação popular liderados por figuras
como Paulo Freire, Maria Nilde Mascellani e Anísio Teixeira. Essas
experiências, que floresceram entre os anos 1950 e 1970, buscavam
uma educação integral, democrática e emancipadora, centrada na
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formação do sujeito crítico e na articulação entre escola e comunidade.
Com o golpe de 1964 e a instauração da ditadura militar, muitas dessas
iniciativas foram desmobilizadas, seus idealizadores perseguidos, e
suas propostas substituídas por um modelo técnico e autoritário de
ensino, marcado pela profissionalização precária e pela repressão ao
pensamento crítico (Oliveira, 2025).
Este ponto destaca que o trabalho de pesquisa dos bolsistas é conduzido pela produção
da Memória Coletiva e como esta não se separa das relações entre educação, história e
sociedade. O relato a seguir corrobora a importância desta dimensão:
Essa vivência permitiu não apenas a ampliação de conhecimentos sobre
os processos de organização e conservação de acervos, mas também a
valorização da memória como parte essencial da construção identitária
de uma instituição educacional. Do ponto de vista educacional, o
projeto proporcionou o fortalecimento da minha formação como
estudante de Letras, ao integrar teoria e prática em um espaço
interdisciplinar de pesquisa e ão. O trabalho com documentos
históricos e a participação em discussões sobre a memória da educação
no Brasil contribuíram para uma visão mais crítica e sensível do papel
da escola e da universidade na produção do saber. Além disso,
colaborou para o desenvolvimento de habilidades como análise
documental, arquivística, sistematização de informações, organização
textual e trabalho em equipe (Oliveira, 2025).
Em outra análise produzida por bolsista estudante de graduação da Faculdade de
Educação, as reflexões sobre o Centro de Memória e sobre o trabalho realizado convergem para
o mesmo caminho:
Os centros de memória cumprem uma função estratégica ao articular
preservação, pesquisa e difusão de acervos híbridos - seja documentos
textuais, audiovisuais e outros diversos objetos tridimensionais -
transformando fragmentos do passado em conhecimento vivo e
acessível. Os centros de memória usam a pesquisa para articular
passado e presente, em processos que investigam as relações entre os
documentos, reconstroem narrativas institucionais e produzem
conteúdos para múltiplos usos, trazendo a memória para o presente e a
embebendo de dinamicidade.
Tais contribuições nos auxiliam a imaginar um futuro em que o passado
se insere no presente enquanto referência, com seus êxitos e fracassos,
discursos e silêncios, nos permitindo continuar o trabalho da História.
Considerar o histórico de ditaduras (Estado Novo, Ditadura
Empresarial Militar de 1964) ocorridas no Brasil explicita como aquilo
que se transforma em memória é fruto de escolhas políticas, que
relegam certos grupos, atuações e conhecimentos ao esquecimento
(Braga, 2025).
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Salta aos olhos, também, a compreensão do papel que o CME pode desempenhar na
orientação para a gestão e políticas de fôlegos voltadas para a preservação de acervos, tendo a
democratização e a educação pública de qualidade como horizonte maior:
As atividades realizadas destacaram a necessidade de políticas públicas
permanentes para a preservação documental e a democratização do
acesso à memória, considerando a utilidade pública que os documentos
possuem, revelando aspectos históricos e sociais fundamentais sobre o
funcionamento da sociedade, dos agentes inseridos, dos paradigmas da
época, etc. Além disso, explicitou a necessidade de abordagens
interdisciplinares (arquivologia, museologia, antropologia, sociologia,
ciência da computação, comunicação para estratégias de difusão para o
público interno e externo, história oral…) com diferentes profissionais
para fazer emergir de forma sólida o Centro de Memória de Educação
da FEUSP enquanto locus do ensino de História da Educação com
potencial pedagógico único, ao estabelecer pontes entre pesquisa,
preservação e ação educativa, englobando aspectos históricos, sociais,
pedagógicos e institucionais, isto é, enquanto um espaço de educação
crítica. (Braga, 2025).
Esse espaço de educação crítica permitiu aos bolsistas PUB, enquanto estudantes,
universitários, considerarem a formação continuada dos professores como temática de
observação durante a realização das catalogações:
Um dos principais temas que puderam ser observados ao longo das
leituras dos materiais, viabilizadas pelo processo de catalogação das
documentações do acervo do CRPE, foi a formação continuada dos
professores, a qual acontecia em algumas instituições de ensino muito
antes de possuir esta nomenclatura e da criação de legislações
específicas para orientar, assegurar e garantir o desenvolvimento dessas
práticas. Os documentos referentes a essa temática foram de grande
interesse para a bolsista, tendo em vista que a mesma se trata de um
assunto fundamental na área da educação, sendo abordado com grande
recorrência durante todo o curso de Pedagogia. De forma geral, a oferta
da formação continuada tem o intuito de garantir a melhoria da
qualidade de ensino, bem como capacitar, orientar e atualizar os
educadores que estão em atuação nas escolas (Souza, 2025).
Estudantes bolsistas de Pré Iniciação Científica também destacaram, em seus relatórios
de atividades, a contribuição que a atuação no Centro de Memória ofereceu a seu percurso como
estudantes de ETEC. Para esta estudante da ETEC Guaracy Silveira,
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O CME é responsável pelo resgate contínuo da memória e da
consciência permanente, dispondo de papel social essencial de
captação, armazenamento e socialização do conhecimento produzido
pela Faculdade de Educação. Esse busca evitar o uso indiscriminado da
memória; categoria capaz de afastar a descontinuidade que o
conhecimento impõe, engendrando caráter instrumental na produção
intelectual. Nesse sentido, a missão dessa instituição é tornar acessível
à informação os meios institucionais de custódia e sociali-los, a fim
de atender a fluidez e o dinamismo das demandas sociais. Contudo, o
próprio estado brasileiro demonstra-se omisso em relação à preservação
documental, demonstrando a falta de capacidade no abastecimento das
instituições públicas e privadas com informações e arquivos,
selecionando-os segundo o interesse e conveniência do status quo.
Dessa forma, o aprendizado mais valioso adquirido sobre a função do
CME USP certamente fora os perigos da história única. Essa,
caracterizada como epistemicídio, consegue humanizar e desumanizar,
bem como o de colonizar o futuro pelo controle do passado, ou seja,
aquele que se apropria do passado, domina o futuro, e se este está sendo
controlado, o passado é manipulado. Nesse sentido, os sujeitos se
tornam reféns do eterno presentismo, onde adotam a ausência tanto do
futuro quanto do passado, exercendo relação paradoxal com o
retrógrado…Aprendi que a história sempre tem que ser lida com
criticidade, sem nunca esquecer que a ciência é construída por
interesses que, inclusive, podem dificultar a conservação da memória
(Azevedo, 2025).
Para outra estudante da ETEC,
O Centro de Memória da Faculdade de Educação da USP busca trazer
um tratamento mais multidisciplinar da educação, através do resgate da
memória educacional. Com isso, com o resgate de novas possibilidades
de educação que, além de emergir novas perspectivas sobre o papel da
escola na sociedade, mostra-se que é totalmente possível e dentro da
realidade pensar em um ensino com abordagens diferentes das
tradicionais. Afinal, essas propostas foram aplicadas em escolas
públicas, com investimento do Estado e reconhecimento da eficácia de
seu ensino, mas, mesmo podendo ser um potencial agregador no debate
sobre educação no Brasil, tal experiência foi esquecida ao longo da
história da educação (Fabiano, 2025).
Também destacam-se as reiteradas análises, frutos da reflexão sobre o próprio processo
de pré-IC, que demarcam o chão do Centro de Memória como um solo fértil que reúne
resistência política, aprendizagem e referência não para a historicidade, mas para as tradições
futuras, como afirmava Galeano (1997): “assim, os centros de memória e suas restaurações é
reviver as resistências para compreender outros modos de viver; uma análise do presente para
mudar o futuro. Outrossim, o CME é a renascença das resistências que houve na educação,
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importantíssimos para compreender o que na educação hoje e como promover mudanças”
(Santos, 2025).
Ainda que não seja dito literalmente, as análises produzidas pelas estudantes de Pré-IC
desvelam esse trânsito fluido entre passado e presente, e isso permite reconhecer a importância
de todas as etapas que envolvem a vivência no CME, inclusive a catalogação e limpeza:
Ao olhar cada página e ver o quanto de história cada documento
carrega, seja da vida de outras pessoas ou de algo que envolva o próprio
dono do acervo, foi inevitável não enxergar o quão essencial é preservar
a memória, para que muitas figuras e acontecimentos relevantes na
história brasileira, mencionadas nos dias atuais ou não, sejam
lembrados.
[…]
Nesse sentido, assim como os outros estudantes, pude me interessar por
alguns documentos de uma das caixas do acervo Celso Beisiegel, os
quais falam sobre Economia Solidária, que trata-se de uma forma de
economia no Brasil surgida na década de 1980, final da ditadura civil-
empresarial-militar e após esse período. Dessa maneira, pode-se
dizer que o projeto de Pré-Iniciação Científica na Universidade de São
Paulo está sendo capaz de proporcionar aos alunos não apenas o acesso
ao conhecimento acerca da arquivística, mas também a documentos que
permitem conhecimento de momentos da história do Brasil pouco
citados e igualmente importantes. Os Ginásios Vocacionais são um
exemplo de tema super interessante para pesquisa, pois se tratam de
escolas criadas com o intuito de formar o indivíduo não apenas no
conteúdo teórico, mas fornecer uma formação prática, permitindo ao
aluno ter os instrumentos necessários para conhecer, lidar e questionar
a própria realidade.
[…] Ou seja, foi dado aos bolsistas e voluntários o conhecimento
necessário para que entendessem os motivos pelos quais os centros de
memória possuem pouca visibilidade, que derivam do fato de que no
Brasil predomina-se uma sociedade utilitarista, em que preservar a
memória não é importante pois representa uma ameaça ao poder da
classe dominante denominada como burguesia; de forma que o mesmo
ocorre com todos os demais temas discutidos ao longo do projeto, como
no caso dos Ginásios Vocacionais. Tais escolas foram desmontadas
pois não serviam para formar apenas mão de obra, mas pensadores de
sua própria realidade, o que também não era interessante para a
sociedade capitalista brasileira da época (Hannes, 2025).
Afirmamos, assim, que o projeto possibilita a estudantes ainda em formação no Brasil
o reconhecimento das estruturas de poder que tantas violências impõem a esse país; e mesmo
na contracorrente, a educação não é um lugar de inatividade ou de mera relação de comando-
obediência. No Brasil, o passado em educação pode ser tudo menos descartável; é importante
considerar, portanto, que este projeto contribuiu para alargar a compreensão e conhecimento
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sobre práticas pedagógicas que mesmo quando desmanteladas pelo autoritarismo, renascem
sem cessar.
Para desenvolver melhor e facilitar o entendimento, vale dizer que o
projeto esclareceu que a sociedade brasileira é comandada por uma
burguesia que tem os seus interesses aliados ao capital internacional, de
forma que fomentar o desenvolvimento educacional do Brasil não é
vantajoso, principalmente se o feito às classes mais pobres. Isto pois,
ter mais conhecimento acerca da realidade daria a ferramenta necessária
aos trabalhadores para que pudessem questionar o sistema de poder e a
estrutura socioeconômica hierárquica da sociedade sustentada por um
Estado que sempre se apoiou nos interesses de uma burguesia. A partir
disso, o questionamento passaria a ser uma ameaça ao poder dessas
elites, tanto político quanto econômico que se mantém a séculos, tendo
em vista o passado colonial e de formação periférica do capital que
marca a história brasileira. Nesse sentido, fica evidente o porquê de
espaços como os centros de memória não terem tanta visibilidade e
investimento, que eles são responsáveis por armazenar o
conhecimento histórico e sociológico que o Estado brasileiro não
gostaria que as pessoas tivessem contato, pois isso significaria relevar
documentos que evidenciam as contradições sociais que marcaram e
definiram a trajetória do Brasil até os dias de hoje (Hannes, 2025).
A reflexão acima é compartilhada por outras estudantes. A análise a seguir demonstra
como o trabalho de catalogação e conhecimento do acervo possibilita, por meio da pesquisa,
formar uma conceituação que de fato estabelece a dimensão de qualidade para a educação
pública:
A partir da catalogação de algumas caixas do acervo da Edneth e da
Maria Nilde nesse segundo semestre, obtive conhecimentos grandiosos.
Os dois acervos falavam sobre os ginásios vocacionais e seus últimos
momentos até sua destruição física pelo autoritarismo. Mas é de suma
importância esclarecer que, embora os ginásios vocacionais tenham
durado somente de 1962 até 1969, seus legados se mantiveram vivos,
tudo graças a preservação da memória feita por pessoas que
reconhecem a importância e necessidade de escolas públicas que
forneçam uma educação libertária e de qualidade para a classe
trabalhadora (Pereira, 2025).
Também destacamos que, ao refletir sobre sua própria experiência no desastre
empresarial da educação, as estudantes estabeleceram comparações entre o acervo do CME e a
Pedagogia do Capital, especialmente no que se refere ao monopólio da inovação: uma ladainha
a ser repetida por gestores, especialistas empresariais que buscam na verdade interditar e
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subalternizar alternativas. Os espaços do Centro de Memória podem abrir fendas, inúmeras
fendas para nos movermos nos escombros que tais pedagogias capitalistas estão criando
atualmente.
Hoje, em um contexto de avanço do neoliberalismo na educação, com
práticas e currículos homogeneizantes que ignoram tanto a autonomia
pedagógica docente, quanto escolar e promovem uma hierarquização
dos conhecimentos que banaliza o contexto geográfico e social das
populações, muito se fala sobre metodologias ativas, mas de forma
descontextualizada, como se fossem novidades. Nesse sentido, o
trabalho relacionado à memória das classes experimentais relembra o
modo como surgem essas formas de ensino-aprendizagem, inseridas em
um contexto de luta tanto pela qualidade da educação pública, quanto
pela redução das desigualdades entre diferentes classes sociais (Braga,
2025).
Nas palavras de outra estudante,
O centro de memória, nesse contexto, não pode ignorar os apagamentos
e distorções provocados por esse período. Ele deve resgatar não apenas
documentos, mas também práticas, ideias e experiências pedagógicas
que resistiram ou foram interrompidas. A educação, como apontado, é
alvo constante de disputas entre um projeto voltado à formação
cidadã e outro à instrumentalização para o mercado. Discutiu-se
também o impacto das políticas neoliberais na educação pública, como
a tentativa de privatização do sistema, o avanço dos think tanks, a
metrificação do ensino e a segmentação por itinerários formativos, que
reeditam desigualdades históricas entre ensino profissionalizante para
os pobres e ensino acadêmico para as elites. Encerrando a reunião,
retomou-se a importância de fazer do Centro de Memória não apenas
um repositório, mas um espaço ativo de produção de conhecimento. É
preciso pensar estratégias de divulgação do acervo, como: levando-o ao
público, promovendo ações educativas, e estimulando a apropriação
crítica da memória. Afinal, a memória tem valor social se for
compartilhada, interpretada e vivida. Ela não é neutra, nem passiva: é
território de disputa e ferramenta de transformação (Oliveira, 2025).
E por isso, frente ao vendaval que a profusão de experiências gera, em especial uma
onda de incertezas, controle e retirada da autonomia dos trabalhadores da educação, ganha
maior relevo a leitura política que estudantes da Pré-Iniciação puderam realizar a partir do
trabalho de documentação:
Portanto, cabe dizer, que as mudanças que ocorreram na educação
devem ser documentadas e os documentos preservados mantendo uma
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memória escolar, para que possamos entender como foi o processo de
construção da educação que temos hoje. A partir disso, vemos como a
educação passou por momentos complicados, como a ditadura militar
que oprimiu muitas experiências que ocorriam como o CRPE e os
Colégios Vocacionais, que acabaram durante esse período, além de
terem passado por muitas mudanças internas, como alteração de
diretores, nesse sentido, vemos a resistência de muitos educadores entre
eles se destaca a educadora Maria Nilde Mascellani (Andrade, 2025).
Finalizamos com dois últimos relatos que sintetizam, de forma direta e extremamente
simbólica, o reconhecimento de que o trabalho de formação e pesquisa do CME e seus jovens
pesquisadores é um método que, ousamos afirmar, mais se adequa aos tempos difíceis que
estamos a lidar:
Nesse contexto, a metodologia adotada combinou, por um lado, a leitura
crítica e interpretativa dos documentos, orientada pelas lentes da
história da educação e da pedagogia crítica, por outro, o trabalho técnico
de catalogação, higienização e descrição arquivística, que garantiu a
preservação e a organização lógica dos acervos. Essa articulação entre
reflexão teórica e prática arquivística mostrou-se essencial, uma vez
que permitiu compreender os documentos não apenas como objetos
materiais a serem preservados, mas como fragmentos vivos de
memórias e experiências educacionais que debatem sobre o papel social
da escola e a urgência da preservação da memória institucional
(Rodrigues, 2025).
E, assim, conforme conclui estudante vinculada ao PUB,
Tendo em vista as ideias e objetivos mencionados, a abordagem e
metodologia de trabalho escolhidas e aplicadas cotidianamente (tanto
pelos bolsistas, quanto pelos professores coordenadores e demais
profissionais que atuam em conjunto), as vivências e experiências
oferecidas e proporcionadas pelo CMEUSP, é válido resgatar uma
importante frase mencionada no projeto: “O desenvolvimento dessas
atividades caracteriza o CME como laboratório de humanidades,
promotor de ensino, pesquisa, cultura e extensão universitária” (Souza,
2025).
Processo que traz em si mesmo uma ampla formação humana, o envolvimento de
bolsistas no CME assegura que se aprenda a partir da própria atividade e, principalmente, por
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meio de propostas e princípios. Esperamos com isso seguir movendo esse trânsito fluido entre
memória e prática pedagógica, inquietação e crítica, indignação, afeto e modo de viver que
repousa principalmente na solidariedade que vai dos documentos que estão à forma como
pensamos a vida em comum. E assim seguimos dando tração à memória e ao cuidado com o
lugar onde estamos, pois “o coletivo não se acumularia apenas no espaço, mas também no
tempo. Ele incluiria todos que estiveram vivos. Assim, também poderíamos estar pensando
nos mortos. Os vivos reduzem os mortos àqueles que viveram, enquanto os mortos incluem
os vivos em seu grande coletivo” (Berger, 1994, parágrafo 4).
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