centradas na educação libertária e levanta novas questões chegando a conclusões também
diferentes.
Prado da Silva aborda a posição anticlerical da escola moderna de Barcelona e a forma
como ela faz a crítica da organização da sociedade capitalista-liberal, propondo, como
alternativa, uma escola com fortes princípios libertários, como o antiautoritarismo, a
autogestão, a educação integral e a aposta no poder transformador da educação.
Prado da Silva também aborda documentos e publicações de época que apontam para
novos olhares sobre as escolas libertárias fundadas entre finais no século XIX e início do século
XX, demarcando que a Escola Moderna de Barcelona não foi a única experiência libertária a
ganhar notoriedade neste período. Ele destaca que muito antes da sua fundação, iniciativas
escolares anarquistas acabaram por ganhar visibilidade entre intelectuais dedicados a pensar a
escola e a educação. Apresenta uma obra publicada na última década do século XIX na França,
com o título Éducation et Hérédité: étude sociologique (1890), de Jean Marie-Guyau. Sua
análise sociológica tem como contexto o panorama educacional na Europa, nos anos finais do
século XIX, esclarecendo algumas das realidades educacionais que estavam sendo
desenvolvidas. Conceitos como educação integral (física, intelectual e moral), método intuitivo,
educação para o trabalho, preocupações com o corpo quanto à higiene e à saúde, esgotamento
físico e necessidade de regulação das atividades pedagógicas, seriação, educação feminina,
educação moral e da vontade, educação pela/para liberdade, entre outros assuntos são abordados
e, com frequência, associados a experiências escolares libertárias. Prado da Silva destaca que
Guyau se preocupa em analisar as experiências anarquistas na educação, ao passo de expor uma
análise crítica sobre Yasnaia Polyana, a escola de Leon Tolstoi (1828–1910), questionando o
uso extensivo da prática da liberdade, criando assim um “modelo de barbárie”.
Em relação à formação dos corpos, Prado da Silva nos mostra que é possível verificar a
defesa da prática dos jogos como uma boa estratégia de desenvolvimento integral da criança e
do despertar da alegria e liberdade, assim como a prática dos passeios pedagógicos, das
caminhadas junto ao professor, dos exercícios de observação, onde as crianças demonstram
alegria, prazer por aprender e motivação para fazer questionamentos e demonstrar sua
curiosidade pelas coisas que ocorrem ao seu redor.
As festividades escolares, a música, a poesia associam o prazer ao uso da imaginação e
desperta ainda mais a curiosidade e a autonomia das crianças. O autor apresenta fotografias
de passeios pedagógicos realizados pela Escola onde é possível observar como estavam
vestidas, como foram organizadas para a fotografia, a pose que fizeram para compor esse
registro, bem como suas fisionomias e reações para a foto que são bastante reveladoras. Aponta