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DOI: https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v11i00.21035
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Rev. Iberoam. Patrim. Histórico-Educativo, Campinas (SP), v. 11, p. 1-6, e025037, 2025.
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DEZ ANOS DA RIDPHE_R: CELEBRAÇÃO E LUTA... O ANÁTEMA DOS NOVOS
(VELHOS) TEMPOS ÀS REALIZAÇÕES FEMININAS: A MISOGINIA
Maria Cristina Menezes
CIVILIS, Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Brasil
mcris@unicamp.br
Maria de Lourdes Pinheiro
CIVILIS, Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Brasil
pinheiro.lou@gmail.com
RESUMO
O texto apresenta o percurso da Revista Iberoamericana do Patrimônio Histórico-Educativo,
RIDPHE_R, que nesse ano de 2025 comemora 10 anos, em trajetória jubilosa, porém com
muitos obstáculos interpondo realizações. A Revista, editada por equipe de pesquisadores do
CIVILIS, Grupo de Estudos e Pesquisa em História da Educação, Cultura Escolar e Cidadania,
FE/UNICAMP, conta com a participação de docentes de universidades nacionais e
internacionais que atuam como editoras (es) associadas (os).
Palavras-chave: RIDPHE_R; Decênio; Misoginia.
INTRODUÇÃO
A RIDPHE_R, Revista Iberoamericana do Patrimonio Histórico-Educativo, foi criada a
partir de discussões advindas do IV Simpósio Iberoamericano: História, Educação, Patrimonio-
Educativo, em São Paulo, 2015.
Um desafio com perguntas e dúvidas que se haviam posto desde o início, fazer uma
Revista, por onde começar? Com quem dialogar? Por onde desbravar, quais veredas seguir? As
necessárias interlocuções vieram no Simpósio supramencionado.
ONDE TUDO COMEÇOU... A RIDPHE
A lista de discussão Ridphe_l se iniciou em 2008 no âmbito das Listas de Discussões da
UNICAMP, o mote estava na divulgação de encontros, discussões, investigações de
pesquisadores e grupos, com o propósito de difundir o Patrimônio Histórico-Educativo e
Cultural. Naquele momento, eram ainda incipientes os projetos e grupos que a ele se dedicavam.
A Ridphe_l no âmbito institucional, da Universidade Estadual de Campinas, teve desde o início
a moderação sob a coordenação do CIVILIS, Grupo de Estudos e Pesquisa em História da
Educação, Cultura Escolar e Cidadania, certificado pelo CNPq e com sede na FE/UNICAMP.
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A interlocução, em nível nacional e internacional, sobretudo com América Latina e
Península Ibérica, foi o cerne da constituição da RIDPHE_R em comunidade fértil de
representação coletiva. Investigadores, em especial da História da Educação, mas não apenas,
também de áreas afins sem fronteiras impostas, desde que se possibilitasse a interlocução e que
o compartilhamento de conhecimentos fosse aberto e profícuo.
Veredas sinalizadas e abertas, interlocuções ampliadas daqui e de lá, unindo os idiomas
português e espanhol em um quase uníssono, mas vibrando de forma harmônica e
compreendida. Eis que em 2012, via virtual, se possibilitou um primeiro encontro presencial no
Simpósio Iberoamericano: História, Educação, Patrimônio-Educativo, na FE/UNICAMP, em
Campinas/SP, Brasil. Início de tantos outros que se seguiram:
Em 2013, na cidade de Buenos Aires, Argentina; em 2014, na cidade de Cuernavaca, no
México; em 2015, na cidade de são Paulo, Brasil; em 2016, em San Sebastián, País Vasco,
Espanha, em 2017, nas escolas púbicas da cidade de Campinas, Brasil. Em 2019, na cidade de
Berlanga de Duero, na Espanha, veio a se constituir o primeiro Simpósio CEINCE/RIDPHE, o
Centro Internacional de la Cultura Escolar e a Rede Iberoamericana para a Preservação e a
Difusão do Patrimônio Histórico-Educativo.
Em julho/2025, de volta a Berlanga de Duero, Soria, Espanha, nos 10 anos da
RIDPHE_R, houve, no âmbito do II Simpósio CEINCE/RIDPHE intitulado: Patrimônio
Histórico-Educativo, Cultural, Artístico, nos jardins do CEINCE uma confraternização entre os
participantes para a celebração dos 10 anos da Revista, da qual agora se apresenta a edição
2025. Celebração no belo jardim do CEINCE, organizada por Maria Cristina Menezes, Agustín
Escolano e Purificación Lahoz, coordenadores do Simpósio.
A REVISTA, PRIMEIROS PASSOS
Entretanto, foi no IV Simpósio Iberoamericano Patrimônio Educativo, em São Paulo,
2015, que se discutiu a importância de uma Revista, em nível ibero-americano, aberta, em
especial, aos historiadores da educação e áreas afins, com vistas a publicar textos de interesse
sobre o patrimônio histórico-cultural, artístico e fontes de importância ao conhecimento da
comunidade específica e afins.
As dificuldades e os caminhos possíveis a serem percorridos foram então desenhados e
reuniões realizadas durante e após o Simpósio com indicações de que era viável e de interesse
da comunidade já existente. Naquele momento, se enunciava um campo fértil às pesquisas
sobre o patrimônio-educativo, que então se consolidava ao lado da existente e consolidada
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área sobre o patrimônio cultural e científico, ao qual então se afirmava também a preocupação
com a preservação, a investigação e a difusão das fontes no âmbito educacional, fontes
escolares, institucionais, pessoais, nos mais variados suportes e procedências diversas. Para
além da tão proclamada legislação. Fontes materiais e imateriais da educação e do seu entorno.
Vozes ecoaram próximas e longínquas, os Comitês, nacional e internacional, de
reconhecimento à iniciativa, a busca por instituições de apoio: IBICT, Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia; ABEC, Associação Brasileira de editores Científicos,
agregação ao Fórum de Editores de Periódicos da Área de Educação, FEPAE/ANPED.
COMO FAZER E QUEM PODERIA FAZER?
Uniram-se duas pesquisadoras com a vontade de aprender a fazer e com a possibilidade
de suas contribuições. Do encontro de conhecimento técnico e científico, com muitas perguntas
iniciais que ao logo se foram expandindo, mas com direcionamentos mais certeiros, as
Edições se iniciaram, virtuais, desde o início, artesanais desde então. Assim prosseguindo até o
presente, nos 10 anos de existência, 2025.
A Revista vingou à revelia, afinal, duas mulheres editando sozinhas uma revista, não
podia, não pode?
Quando em primeira avaliação no ano seguinte à criação da Revista, 2016, Qualis B1,
nenhum elogio ou reconhecimento, a pergunta: Como conseguiram? para os homens
sempre os elogios, o reconhecimento, para além de se considerar toda a ajuda a eles oferecida.
Ainda estamos no mundo masculino, de glória aos homens. A universidade não foge,
infelizmente, à misoginia reinante. Chegamos? Nos afirmamos? O alerta sempre sinalizado: se
comportem, não queiram ir além, fazer o que não é para vocês.
Fomos em frente sem a ajuda “deles”. Os empecilhos postos em algo que anda e se
expande:
Não pode ter uma seção Documento!
Como? Você é da área?
Pois é, ainda isso, mas não paramos a despeito dos impedimentos e do ódio, pois a
misoginia é ódio! Arraigado!
Duas mulheres que foram à luta, com a ajuda, em especial de outras mulheres, em
coletivo de Editoras (es) associadas (os). Somos mulheres e Editoras, muitas mais, que se
afirmam dia após dia, tal como o tem demonstrado espaços como o FEPAE.
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À Edição, ao processo interno, agregou-se, a partir de 2019, o então doutorando do
CIVILIS/FE/UNICAMP, Joel Martins Luz. E, a partir de 2021, André Araujo de Oliveira, então
mestrando do CIVILIS/FE/UNICAMP. Ambos continuam na Edição Técnica, no momento
como Docente Universitário e Doutorando.
A Revista continua a ser editada sob a coordenação de Maria Cristina Menezes e Maria
de Lourdes Pinheiro. Chegamos aos 10 anos de Edição, com muito trabalho, como em toda
edição. Em alguns momentos da vida, algumas batalhas acabam sendo priorizadas e outras
adiadas, sob o risco de perdermos o que se constitui como prioridade. As mulheres continuam,
em luta constante, afinal a misoginia não foi extinta, a despeito de projetos de apoio às mulheres
começarem a se afirmar em nível nacional, com a projeção de leis necessárias. Não podemos
parar o trabalho! Não podemos parar a luta.
UMA DÉCADA: DECÊNIO DA RIDPHE_R
Em celebração ao Decênio da Revista, uma Edição Comemorativa com Dossiê
representativo da importância que vem assumindo as investigações, em especial, em nível
nacional, sobre o patrimônio histórico-educativo, foi organizada pelas pesquisadoras brasileiras
Giani Rabelo e Zita Rosane Possamai.
O Dossiê “Museus e Acervos na/da Escola: Memória, Patrimônio e Educação” projeta-
se com 22 textos, distribuídos nas seções Dossiê e Documento/Dossiê, e apresentação das
Professoras Giani Rabelo e Zita Possamai.
Os textos do Dossiê são resultados de Pesquisas, apresentados por pesquisadores dos
estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e
Pernambuco, que trazem, sobretudo, intervenções de práticas preservacionistas de pesquisa e
extensão em espaços de educação e memória, em museus e centros de memória de Escolas,
Universidades e outros espaços, como Museu de Ciências, Centro de Memória do Exército,
Centros de Documentação Municipal e Regional. Dentre os artigos do Dossiê, que trazem
discussão teórica sobre a temática principal da Revista, podemos destacar dois textos: um com
a preocupação de uma articulação de museus escolares em rede e outro que traz discussão sobre
a interdependência entre acervos, museus e a produção de conhecimento. Para além, temáticas
relevantes como cadernos de registros contidos em um museu escolar, álbuns de recordações
femininas, acervo de jornais escolares, que se insinuam dentre tantos outros temas de igual
importância.
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Ao chegarmos em Artigo, seção que vem a seguir, iniciamos com um artigo do Chile
que traz discussão pautada por documentação primaria e secundária, fontes preservadas, muitas
digitalizadas e importantes às pesquisas educacionais naquele país. Artigos do Brasil
abrangem estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Pará, com
pesquisadores de Universidades e Museus. Estudos sobre livros didáticos italianos em conjunto
documental mais amplo, com pesquisas realizadas em arquivos físicos. A educação patrimonial
e a musealização de acervos também se apresenta. Por outra via, a literatura é abordada como
uma via para a educação patrimonial e a valorização da memória coletiva.
Em seções que se seguem, temos em Documento a discussão de documentos
importantes para a compreensão da educação em determinado período; estudo de caso que
analisa corpus documental em outros suportes, tais como as plataformas digitais e uma análise
sobre intervenção em arquitetura patrimonial, textos, cujo registro em seção específica,
Documento, possibilitam e se disponibilizam a discussões fronteiriças ao estudo de novos
suportes e formas como algumas intervenções no patrimônio construído, da educação e demais
instâncias se nos apresentam.
A seção Resenha, com as resenhas de dois importantes livros publicados no Brasil, um
deles, de Pedro Henrique da Silva, trata da educação dos corpos na Escola Moderna fundada
em Barcelona pelo educador anarquista Francisco Ferrer; por outra parte apresenta-se a resenha
do livro de Nima Spigolon que trata da atuação educacional e vida de Elza e Paulo Freire em
rica fotobiografia. Eis, mais uma vez, o patrimônio educativo e cultural sendo apresentado em
seus mais ricos e diversos suportes.
Esses 10 (dez) anos necessitam ser celebrados e muitas companheiras e companheiros
dessa jornada merecem aqui ser lembrados com agradecimento e estima.
Iniciamos pela nossa Equipe “feliz”, que dez anos trabalha cada qual em sua casa,
sem o merecido descanso prolongado ente Natal e Ano Novo. O descanso só vem para a virada,
em passagem que mesmo esgotadas e esgotados muito a celebrar. Uma nova edição é sempre
uma nova celebração. Momento de regozijo sem fim. O descanso após o êxtase, a alegria
acompanhada da fadiga.
Os mais sinceros e renovados agradecimentos àqueles que conosco se voluntariam, ano
após ano. Sim, trabalho voluntário, artesanal e de equipe.
Ao André Araujo de Oliveira e ao Joel Martins Luz, nosso eterno agradecimento.
À Cristiana Maria Panhan, Gisele Morgão e Eleonora Menezes Del Bianchi pelas capas
elaboradas e a paciência em mudar aqui e acolá cada detalhe.
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À equipe de editoras (es) associadas (os), em especial às Professoras Maria Teresa
Santos Cunha, Maria Lucia Mendes de Carvalho, Carmen Sylvia Vidigal Moraes, Lucia
Martinez Moctezuma, e aos Professores Pablo Álvarez Dominguez, Valeriano Durán Manso,
Ricardo Gaiotto de Moraes. O nosso especial agradecimento ao Professor Agustín Escolano e
à Professora Purificación Lahoz pela acolhida no CEINCE e a abertura do belo jardim à
celebração em prol da RIDPHE_R.
Desejamos a todas e todos leitura prazerosa!
Celebremos juntas (os)!
FIGURA 1 Capa comemorativa aos 10 anos da RIDPHE_R
Concepção e Arte final: Cristiana M. Panhan.