construindo um projeto educativo que seguia as pautas da tradição socialista e libertária da
educação integral , tendo como referências Proudhon, Bakunin, Paul Robin e Kropotkin”. O
que nos leva diretamente ao legado, nem sempre mencionado, dos congressos da I Internacional
dos Trabalhadores (AIT).
E, na contramão de certas interpretações correntes na literatura educacional, a Escola
Moderna, essa “nova e potente versão da educação antiautoritária para uma sociedade sem
classes”, fruto da iniciativa privada ( dada a impossibilidade histórica da escola estatal na época)
,“incorporava em seu projeto influências da corrente internacional da Escola Nova”: respeito
ao desenvolvimento da criança, ativismo, educação para a vida, vitalismo , lições ao ar livre ,
excursões, ausência de prêmios e castigos, intercâmbio escolar, análise crítica de notícias dos
meios de comunicação. Cita, também, a relação da Escola com a espanhola Instituição Livre de
Ensino, “a partir de grandes colaboradores do projeto, tal como o pesquisador naturalista
aragonês Odón de Buén, propugnando uma educação científica, racional, humanista e de
laicismo radical”. Além disso, Francisco Ferrer enfatizava a coeducação de sexos e de classes
sociais, “seguindo a filosofia que posteriormente se conheceria como ‘escola unificada’, ou
seja, uma escola pública que suprimia as barreiras acadêmicas que impossibilitam o acesso das
classes populares a todos os níveis educativos, favorecendo uma autêntica convivência de
classes sociais no meio escolar”.
Como observa Sola, a atuação de Ferrer foi bastante ampla, impulsionando o
sindicalismo de classe do professorado do sistema público, a promoção da educação de jovens
e adultos e da extensão universitária pela Escola Moderna, além da organização de uma
“biblioteca escolar renovada”, com o propósito de favorecer o desenvolvimento da cidadania
crítica a qual, mediante “a tomada da consciência pessoal”, pudesse avançar a “uma
transformação coletiva” que levasse à superação do capitalismo e de qualquer forma de
autoritarismo.
Outro posicionamento importante, anunciado pelo autor, consiste na necessidade de
“situar a Escola Moderna em seu contexto histórico com olhos críticos, sem atribuir-lhe mais
originalidade do que possuía e sem desmerecer os perigos que a fórmula propunha”, e cita como
exemplo o ensino exclusivamente na língua espanhola e a relegação do catalão, ou ainda a
possibilidade da existência de algum dogmatismo nos posicionamentos críticos naquela
conjuntura complexa.
Uma questão de interesse, levantada por Solà, diz respeito “às causas do êxito da escola
racionalista peninsular e especialmente mediterrânea na primeira metade do século XX”, e o “
‘fracasso’ das teorias e da prática de perspectiva libertária em educação em outras latitudes,