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EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E INTERPRETAÇÃO DO PATRIMÔNIO:
ESTRATÉGIAS EM INSTITUIÇÕES DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Inês El-Jaick Andrade
1
Maria Luisa Gambôa Carcereri
2
Patrícia Miguez Lattavo
3
Éric Alves Gallo
4
RESUMO
O presente artigo analisa estratégias de interpretação do patrimônio no Brasil, com enfoque em
iniciativas desenvolvidas por instituições de ciência e tecnologia na cidade do Rio de Janeiro.
A relação entre Educação e Patrimônio Cultural remonta ao início da política patrimonial
brasileira, embora a expressão Educação Patrimonial tenha se consolidado no país a partir da
década de 1980. Desde então, o conceito vem sendo revisitado e ressignificado à luz de
abordagens críticas que compreendem o patrimônio cultural como uma construção social.
Nessa perspectiva, as ações educativas devem contribuir para que diferentes grupos sociais se
apropriem de seu patrimônio cultural e atuem como protagonistas nos processos de produção,
valorização e preservação desse patrimônio. A interpretação do patrimônio constitui um
processo comunicativo e educativo voltado à mediação entre os bens culturais e seus públicos,
promovendo a compreensão dos significados a eles atribuídos e possibilitando sua
ressignificação. Sua eficácia está associada à capacidade de estimular a participação ativa dos
públicos, favorecer a construção de sentidos e promover reflexões sobre questões históricas,
culturais, sociais e identitárias. A investigação fundamenta-se em metodologia qualitativa,
baseada na revisão de literatura e na análise de estudos de caso, com o objetivo de discutir os
desafios e as potencialidades de diferentes recursos interpretativos para a construção dialógica
da comunicação patrimonial.
Palavras-chave: Valorização do Patrimônio Cultural; Educação Patrimonial; Interpretação do
Patrimônio.
EDUCACIÓN PATRIMONIAL E INTERPRETACIÓN DEL PATRIMONIO:
ESTRATEGIAS EN INSTITUCIONES DE CIENCIA Y TECNOLOGÍA
RESUMEN
El presente artículo analiza las estrategias de interpretación del patrimonio en Brasil,
centrándose en las iniciativas desarrolladas por instituciones científicas y tecnológicas en la
ciudad de Río de Janeiro. La relación entre la educación y el patrimonio cultural se remonta a
los inicios de la política patrimonial brasileña, aunque el término Educación Patrimonial no se
consolidó en el país hasta la década de 1980. Desde entonces, el concepto ha sido revisado y
1
Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz, Brasil, ines.andrade@fiocruz.br.
2
Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz, Brasil, maria.carcereri@fiocruz.br.
3
Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz, Brasil, patricia.lattavo@fiocruz.br.
4
Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz, Brasil, eric.gallo@fiocruz.br.
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redefinido a la luz de enfoques críticos que conciben el patrimonio cultural como una
construcción social. Desde esta perspectiva, las acciones educativas deben contribuir a que los
diferentes grupos sociales se apropien de su patrimonio cultural y actúen como protagonistas
en los procesos de producción, valorización y preservación de dicho patrimonio. La
interpretación del patrimonio constituye un proceso comunicativo y educativo orientado a la
mediación entre los bienes culturales y sus públicos, promoviendo la comprensión de los
significados que se les atribuyen y permitiendo su reinterpretación. Su eficacia está asociada a
la capacidad de estimular la participación activa de los públicos, favorecer la construcción de
significados y promover reflexiones sobre cuestiones históricas, culturales, sociales y de
identidad. La investigación se fundamenta en una metodología cualitativa, basada en la revisión
bibliográfica y el análisis de estudios de caso, con el objetivo de debatir los retos y las
potencialidades de los diferentes recursos interpretativos para la construcción dialógica de la
comunicación patrimonial.
Palabras clave: Valorización del patrimonio cultural; Educación patrimonial; Interpretación
del patrimonio.
HERITAGE EDUCATION AND HERITAGE INTERPRETATION: STRATEGIES IN
SCIENCE AND TECHNOLOGY INSTITUTIONS
ABSTRACT
This article examines heritage interpretation strategies in Brazil, focusing on initiatives
developed by science and technology institutions in the city of Rio de Janeiro. The relationship
between Education and Cultural Heritage dates back to the early stages of Brazilian heritage
policies, although the term Heritage Education became established in the country during the
1980s. Since then, the concept has been revisited and redefined through critical approaches that
understand cultural heritage as a social construct. From this perspective, educational actions
should contribute to enabling different social groups to appropriate their cultural heritage and
to act as protagonists in its production, appreciation, and preservation processes. Heritage
interpretation is understood as a communicative and educational process aimed at mediating
the relationship between cultural assets and their audiences, fostering the understanding of the
meanings attributed to heritage while also enabling the reinterpretation of these values. Its
effectiveness is associated with its ability to encourage active public participation, support
meaning-making processes, and promote reflection on historical, cultural, social, and identity-
related issues. The study is based on a qualitative methodology, combining a literature review
and case study analysis, in order to discuss the challenges and potential of different interpretive
resources for the dialogical construction of heritage communication.
Keywords: Enhancement of Cultural Heritage; Heritage Education; Heritage Interpretation.
ÉDUCATION AU PATRIMOINE ET INTERPRÉTATION DU PATRIMOINE:
STRATÉGIES DANS LES INSTITUTIONS DE SCIENCE ET TECHNOLOGIE
RÉSUMÉ
Le présent article analyse les stratégies d’interprétation du patrimoine au Brésil, en mettant
l’accent sur les initiatives mises en œuvre par des institutions de science et technologie situées
à Rio de Janeiro. Le lien entre éducation et patrimoine culturel remonte aux débuts de la
politique patrimoniale brésilienne, bien que l’expression Éducation au Patrimoine ne se soit
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imposée dans le pays qu’à partir des années 1980. Depuis lors, ce concept n’a cessé d’être
réexaminé et redéfini à la lumière d’approches critiques qui considèrent le patrimoine culturel
comme une construction sociale. Dans cette perspective, les actions éducatives doivent
contribuer à ce que différents groupes sociaux s’approprient leur patrimoine culturel et jouent
un rôle actif dans les processus de production, de valorisation et de préservation de ce
patrimoine. L’interprétation du patrimoine constitue un processus communicatif et éducatif
visant à assurer la médiation entre les biens culturels et leurs publics, en favorisant la
compréhension des significations qui leur sont attribuées et en permettant leur redéfinition. Son
efficacité est liée à sa capacité à stimuler la participation active des publics, à favoriser la
construction de sens et à susciter des réflexions sur des questions historiques, culturelles,
sociales et identitaires. La recherche s’appuie sur une méthodologie qualitative, fondée sur une
revue de la littérature et l’analyse d’études de cas, dans le but d’examiner les défis et les
potentialités des différentes ressources interprétatives pour la construction dialogique de la
communication patrimoniale.
Mots-clés: Valorisation du patrimoine culturel; Éducation au patrimoine; Interprétation du
patrimoine.
INTRODUÇÃO
A interseção entre os campos da Educação e do Patrimônio Cultural remonta ao início
da política patrimonial nacional, embora a expressão Educação Patrimonial tenha começado a
ser adotada no Brasil na década de 1980. Desde então, esse conceito vem sendo revisitado,
discutido a partir de reflexões críticas e ressignificado.
Considerado por muitos como um marco da educação patrimonial no Brasil, o “Guia
básico de educação patrimonial” (Horta et al., 1999) traz em sua metodologia o ensino centrado
no patrimônio cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e
coletivo, a fim de estabelecer junto ao público um processo ativo de apropriação de
conhecimentos e valorização de sua herança cultural. Com isso, a intenção é capacitar adultos
e crianças para uma melhor utilização destes bens e proporcionar a geração e produção de novos
conhecimentos, em um processo contínuo de criação cultural. Nesse contexto, a educação
patrimonial é considerada uma ferramenta de “[...] ‘alfabetização cultural’ que possibilita ao
indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo
sociocultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido” (Horta et al., 1999, p. 4),
que fomenta nos educandos uma apropriação ativa de seu próprio conhecimento e de sua
trajetória histórica. Nessa proposta metodológica, a educação patrimonial acontece em quatro
etapas, conforme apresentado na tabela abaixo.
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TABELA 1 – Etapas da metodologia de educação patrimonial detalhada no “Guia básico de
educação patrimonial”
Etapas
Recursos/ Atividades
Objetivos
1) Observação
Exercícios de percepção visual/sensorial,
por meio de: manipulação,
experimentação, medição, jogos de
detetive, entre outros.
Identificar o objeto, sua função e
significado;
Desenvolver a percepção visual e
simbólica.
2) Registro
Desenhos, descrição verbal ou escrita,
gráficos, fotografias, maquetes, mapas,
entre outros.
Fixar o conhecimento percebido,
aprofundar a observação e análise
crítica;
Desenvolver a memória, o
pensamento lógico, intuitivo e
operacional.
3) Exploração
Análise do problema, elaboração de
hipóteses, discussão, questionamento,
avaliação, pesquisa em outras fontes
primárias e secundárias.
Desenvolver a capacidade de
análise e crítica;
Interpretar evidências e
significados.
4) Apropriação
Releitura, dramatização, interpretação em
diferentes meios de expressão (artístico,
audiovisual, entre outros).
Desenvolver a capacidade de
autoexpressão, apropriação,
participação criativa, valorização do
bem cultural.
Fonte: Adaptado de Horta et al. (1999).
Maria de Lourdes Parreiras Horta apresentou essa metodologia durante o 1º Seminário
sobre o Uso Educativo de Museus e Monumentos, realizado em Petrópolis, em 1983. A
proposta pedagógica foi construída com a equipe do Museu Imperial em que Horta era diretora,
após esta participar de um seminário na Inglaterra, no qual se discutia o uso de fontes primárias
no ensino de História. Assim, Horta trouxe para o Brasil os conceitos e a metodologia ali
desenvolvidos (Demarchi, 2018).
A proposição resultou da convergência de influências da museologia educativa, da
pedagogia ativa, da educação patrimonial inglesa (Heritage Education) e das discussões sobre
patrimônio cultural que ganharam força a partir das décadas de 1970 e 1980. Definido como
“um processo permanente e sistemático, centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária
de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo” (Horta, et al, 1999, p.6), o termo
Educação Patrimonial é introduzido no país em 1980 e tem ampla difusão do Guia Básico de
Educação Patrimonial publicado por iniciativa do Museu Imperial em conjunto com o Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1999.
Até 2006 o Guia de Educação Patrimonial permaneceu sendo publicado pelo Iphan. Essa
publicação representou um marco paradigmático (Demarchi, 2018) para a fixação do termo e,
desde então, a Educação Patrimonial passou a designar as atividades educativas voltadas para
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a preservação do patrimônio. Contudo, autores contemporâneos
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reivindicam que as diretrizes
políticas da Educação Patrimonial são sistematizadas a partir da criação da Gerência de
Educação Patrimonial e Projetos do Iphan em 2004, na publicação “Educação Patrimonial:
históricos, conceitos e processos” em 2014 e pela Portaria Iphan nº137, de 28/04/2016
(Tolentino, 2018).
As mais recentes diretrizes e concepções estabelecidas pelo Iphan no que tange às ações
de Educação Patrimonial, estão alinhadas a mudanças na política cultural brasileira e a
ampliação da concepção patrimonial para abarcar os elementos intangíveis da cultura. A
publicação “Educação patrimonial: histórico, conceitos e processos” (Florêncio et al., 2014),
reflete essa renovação da postura institucional em torno dos temas educação e patrimônio, em
princípios democráticos, reflexivos, participativos e dialógicos, além de fundamentados na
diversidade cultural. Assim, partindo do entendimento de patrimônio cultural como uma
construção social, as atividades de educação devem contribuir para que a sociedade se aproprie
de seu patrimônio cultural e seja protagonista no seu processo de produção e de preservação.
Conforme a definição adotada pela Coordenação de Educação Patrimonial do Iphan e difundida
por essa publicação:
a Educação Patrimonial constitui-se de todos os processos educativos formais
e não formais que têm como foco o Patrimônio Cultural, apropriado
socialmente como recurso para a compreensão sócio-histórica das referências
culturais em todas as suas manifestações, a fim de colaborar para seu
reconhecimento, sua valorização e preservação. Considera ainda que os
processos educativos devem primar pela construção coletiva e democrática do
conhecimento, por meio do diálogo permanente entre os agentes culturais e
sociais e pela participação efetiva das comunidades detentoras e produtoras
das referências culturais, onde convivem diversas noções de Patrimônio
Cultural (Florêncio et al., 2014, p. 19).
A Portaria/Iphan n° 137, de 28 de abril de 2016 (Iphan, 2016), que estabelece as
diretrizes de educação patrimonial no âmbito do Iphan e das Casas do Patrimônio,
institucionaliza o entendimento e as orientações acerca da educação patrimonial contidas na
publicação referida acima. Conforme enunciado em seu artigo 1º, a portaria visa “instituir um
conjunto de marcos referenciais para a Educação Patrimonial - EP enquanto prática transversal
aos processos de preservação e valorização do patrimônio cultural no âmbito do Iphan” (Iphan,
5
Segundo crítica de Tolentino (2018, p. 46) a abordagem de Horta “pauta-se numa acepção instrutivista de
educação, seguindo uma veia colonizadora em relação ao patrimônio cultural, na medida em que o concebe como
anterior ao indivıduo e não como resultado de uma apropriação carregada de conflitos, embates, consensos e
dissensos entre os sujeitos sociais”.
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2016). A normativa destaca a valorização do território como espaço educativo, passível de
leituras e interpretações por meio de múltiplas estratégias educacionais (Art.3). Essa menção é
importante para estabelecer o processo de interpretação do patrimônio no campo da Educação
Patrimonial. Contudo, foi com a Política Nacional do Patrimônio Cultural Material (PPCM),
instituída pela Portaria nº 375, de 19 de setembro de 2018, que o termo interpretação passou a
ser reconhecido como forma de interação com o patrimônio cultural, estando relacionado com
a sua preservação (Artigo 6º, § 4º). Esta é a primeira referência direta à interpretação do
patrimônio em instrumento de política cultural nacional.
No Brasil, o marco do estudo da interpretação do patrimônio cultural é o livro
Interpretação do Patrimônio para o Turismo Sustentado - Um Guia (Murta e Brian, 1995),
baseado na dissertação de mestrado de Murta. A autora teve contato com a interpretação do
patrimônio na ocasião que fazia o mestrado na Inglaterra com o Prof. Brian Goodey, que era na
ocasião presidente da Sociedade de Interpretação do Patrimônio da Grã-Bretanha. Algumas
experiências de projetos interpretativos voltados para o turismo cultural são realizadas em
destinos turísticos em Minas Gerais (Goodey e Murta, 2002), tais como, as cidades de São João
del Rei, em 1999, e Tiradentes, em 2001.
É comum que os termos 'educação patrimonial' e 'interpretação do patrimônio' sejam
utilizados como sinônimos ou mesmo considerados conceitos indissociáveis, especialmente
quando se referem a instrumentos de valorização do patrimônio cultural. Essa aproximação é
compreensível, uma vez que ambas as práticas podem recorrem a estratégias semelhantes
(como mídias impressas, painéis informativos, visitas guiadas etc.) desenvolvidas por meio de
ações contínuas, que podem ou não estar associadas à educação formal. No entanto, ressalta-se
que as atividades são diferentes e correspondem a duas etapas distintas do processo de
preservação do patrimônio.
A PPCM esclarece que a Educação Patrimonial possui um caráter transversal, que deve
contribuir para a construção participativa dos demais processos de preservação do patrimônio
cultural material (Art. 6; § 1º), com o objetivo de estimular o reconhecimento e a valorização
das identidades culturais das comunidades. Ela utiliza o patrimônio cultural socialmente
apropriado como recurso para a compreensão das referências culturais e estabelece o diálogo
entre a sociedade e as instituições responsáveis pela preservação. Dessa forma, busca envolver
ativamente a comunidade em todas as etapas do processo, fortalecendo sua participação e
pertencimento, a fim de colaborar para a própria preservação do patrimônio cultural.
A Interpretação, identificada junto a ‘Promoção e Difusão’ pela PPCM, corresponde a
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formas de interação com o patrimônio cultural material. Seu enfoque está em tornar o
patrimônio e seus significados acessíveis ao público em geral. Isso é, compartilhar amplamente
as informações e os significados dos bens culturais que estão sob responsabilidade do Estado,
tornando esses conteúdos acessíveis aos variados públicos. Contudo, discorda-se que a
Interpretação do Patrimônio se limita a um papel de difusão. Diversos autores (Tilden, 1954;
Morales, 1998; Murta, Albano, 2002) ressaltam o seu papel crucial na mediação do patrimônio,
uma vez que o objetivo é envolver e provocar reflexões por meio de uma comunicação
interpretativa dos usuários e visitantes de determinado bem patrimonial. Para essa mediação os
painéis interpretativos são um dos recursos disponíveis.
De fato, a Interpretação do Patrimônio não pretende desempenhar o mesmo papel de
articulação social e institucional que a educação patrimonial, pois parte do princípio de que
esses vínculos já foram estabelecidos durante as ações educativas iniciais. Sua pretensão é
explorar, provocar e estabelecer conexões das informações relacionadas a um patrimônio
cultural. Assim, constrói-se uma narrativa de maneira a aumentar a atenção e o envolvimento
dos visitantes, pois “trata-se de comunicar mensagens, emoções e práticas a alguém, realçando
a singularidade, os significados e as principais características culturais, ambientais e/ou
históricas do sítio, atração ou objeto” (Köhler, 2020, p.45).
RECURSOS INTERPRETATIVOS E SUAS POTENCIALIDADES
Segundo Murta e Goodey (1995), os meios de comunicação utilizados como veículos
para expressar uma mensagem podem ser categorizados em três tipos principais. O primeiro
corresponde às publicações, que incluem materiais como mapas ilustrados, folders e cartões-
postais, entre outros recursos impressos destinados à divulgação e orientação do público. O
segundo tipo refere-se às interpretações ao vivo, caracterizadas pelo uso de técnicas
interpretativas aplicadas em circuitos e visitas monitoradas, pontos de observação panorâmicos,
atividades de história viva ou ambientações de base histórica, além de palestras e
demonstrações. Por fim, o terceiro tipo compreende a interpretação com base no design, que
envolve o uso de placas e painéis informativos, modelos e reconstruções, audioguias portáteis
e diferentes aparatos tecnológicos, todos planejados para facilitar a compreensão e enriquecer
a experiência do público. Contudo, a utilização de mais de um meio de comunicação é usual,
pois devem ser compreendidos como complementares. No quadro elaborado por Morales
(2001) é possível comparar o recurso interpretativo de diferentes naturezas (tabela 1).
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No processo da comunicação interpretativa, é fundamental reconhecer que os indivíduos
tendem a buscar estímulos e situações que acionem suas memórias, atribuindo-lhes significado
(Costa, 2009). Nesse sentido, o comunicador, como já mencionado brevemente, pode lançar
mão de diferentes estratégias para favorecer essa conexão entre a mensagem e as experiências
prévias do público. Entre elas, destacam-se a exemplificação por meio de ilustrações, o uso de
analogias e comparações, a construção de metáforas, a ampliação ou o exagero da escala de
tempo para gerar impacto, a inserção de anedotas e citações, além do uso de humor e de
repetições estratégicas. Esses recursos contribuem para tornar a comunicação mais
significativa, facilitando a compreensão e fortalecendo o vínculo entre a mensagem transmitida
e o repertório individual de quem a recebe.
Nesse sentido, o artigo apresenta, a seguir, algumas estratégias de interpretação do
patrimônio desenvolvidas por duas instituições cuja missão original não contemplava o
atendimento e visitação aberta à sociedade em geral. No entanto, ao longo de suas trajetórias,
essa atividade foi incorporada às suas atribuições, levando à criação de setores responsáveis
pela formulação, pelo planejamento e pela execução de ações voltadas à mediação e ao
atendimento de visitantes. Constituem objeto de análise as iniciativas desenvolvidas o Instituto
de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IPJBRJ) e a Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz), instituições de ciência e tecnologia da cidade do Rio de Janeiro.
TABELA 2 – Aspectos positivos e negativos de diversos recursos interpretativos
Recursos interpretativos
Aspectos positivos
Aspectos negativos
Sinais e marcas
. Fornecerem informação
concisa e clara
. Fáceis de construir
. Baixo custo de manutenção
. Ajudam o visitante a
orientar-se no terreno
. São estáticas
. Pouco detalhadas
. Não se adaptam aos
diferentes tipos de público
. Alvo de vandalismo
. Podem causar impacto
visual negativo
Meios de comunicação de
massa (Rádio, TV, revistas e
diários)
. Atingem uma vasta e
variada audiência
. Estimulam a visita ao local
. Ótimos para divulgação de
atividades especiais
. Elevados custos de
produção
. Podem ter custos para
visitantes
Meios informativos
interativos
. Convidam à participação
. Estimulam a atenção do
visitante
. Permitem combinar texto,
imagem e som com
criatividade
. Muito cara a programação,
a instalação e a manutenção
. Rápida desatualização
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Painéis
. Dispensam supervisão
. Interessantes em lugares
muito frequentados
. Podem ser usadas por vários
visitantes
. Mensagens em diferentes
idiomas
. Baixa manutenção
. Fáceis de usar
. Combinam texto com
imagem
. Ajudam os visitantes a
orientar-se
. O seu uso exagerado pode
provocar o desinteresse
. Podem causar impacto
visual negativo
. Sujeitos a atos de
vandalismo
Publicações (folhetos, guias e
mapas)
. Podem ser transportados
pelo visitante
. Podem ser lidos quando o
visitante quiser
. Fornecem informações mais
detalhada que os painéis
. Ajudam o visitante orientar-
se e a organizar a sua visita
. Não implicam um contato
direto com as pessoas
. Não respondem a dúvidas
específicas
. Podem converter-se em lixo
que se acumula no local
. Não se adaptam às
modificações do recurso
Audiovisuais não assistidos
por pessoal especializado
(Filmes, diapositivos, vídeos
profissionais etc.)
. Podem fornecer informação
de alta qualidade
. Podem criar uma atmosfera
especial
. Permitem facultar
informação complementar
. Incentivam a visita ao local
. Geralmente muito caros
. Requerem consumo de
energia
. Não respondem a dúvidas
específicas
. Requerem um controle e
manutenção permanente
Exposições (objetos,
coleções, fotos etc.)
. Podem apresentar objetos
originais
. Respeitam o ritmo do
visitante
. Podem ser itinerantes
. Estáticos
. Uso limitado dos sentidos
. Não respondem a dúvidas
específicas
. Geralmente não permitem
um contato com os objetos
Simulações (Representações
e reconstruções virtuais
2D/3D)
. Respeitam o ritmo do
visitante
. Custos de manutenção
relativamente baixos
. Boa resposta para quem não
dispõe de tempo para visitar
todo o local
. Podem estimular a
participação ativa do público
. Podem conter partes móveis
. Não respondem a dúvidas
específicas
. Se estiverem localizados no
exterior dependem das
condições atmosféricas
. Necessitam de uma fonte de
energia e iluminação especial
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Percursos autónomos (sem
guia)
. Facultam uma visita
adaptada ao ritmo de cada
visitante
. Restringem ou concentram
o uso do espaço
. Apelam à participação
. Ideais para famílias e
pequenos grupos
. Não respondem a dúvidas
específicas
São de uso estritamente
pessoal
. Não permitem uma
interação entre os
participantes
. Sujeitos a atos de
vandalismo
. Difíceis de controlar e
preservar
Fonte: Adaptado de Pacheco, Brilha, 2014 apud Morales, 2001.
COMUNICAÇÃO INTERPRETATIVA NO JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE
JANEIRO
O Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IPJBRJ), localizado na
Zona Sul dessa cidade, é um órgão federal vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. O
IPJBRJ atua como um dos mais importantes centros de pesquisa mundiais nas áreas de botânica
e conservação da biodiversidade (IPJBRJ, 2014). Os jardins botânicos configuram-se como
museus vivos, cujas funções abrangem a investigação científica, a salvaguarda da
biodiversidade vegetal e de monumentos, e o fomento a ações pedagógicas, recreativas e
turísticas, segundo as definições do ICOM em agosto de 2007, e do documento da Convenção
sobre a Diversidade Biológica (CDB), sancionada em 1998 (Rocha, 2009).
O Jardim Botânico do Rio de Janeiro tem sua origem com a criação do Real Horto, em
13 de junho de 1808, por Dom João. O Real Horto foi idealizado como um centro de
aclimatação para espécimes de plantas de diferentes continentes. A área em que foi implantado
o horto, aos pés do Maciço da Tijuca e nos arredores da Lagoa de Sacopã (atual Lagoa Rodrigo
de Freitas), abrigava inicialmente um engenho - o antigo Engenho de Nossa Senhora da
Conceição da Lagoa - e, posteriormente, uma fábrica de pólvora.
A abertura ao público geral ocorreu apenas em 1822, por ordem de Dom Pedro I, época
em que a instituição foi rebatizada como Real Jardim Botânico. Contudo, as visitas dependiam
da autorização do diretor e exigiam o acompanhamento da Guarda Municipal Permanente,
responsável pela segurança do parque (IPJBRJ, 2008). Dez anos depois, em 1832, sob o
governo de Dom Pedro II, o local estava consolidado como polo de atração para a comunidade
intelectual, sendo frequentado por botânicos, naturalistas, artistas e cientistas de diversas
nacionalidades. A autorização para livre acesso da população, sem a necessidade de guias ou
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guardas, passou a vigorar em 1890, o que gerou um crescimento expressivo de público e marcou
a adoção do nome definitivo: Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IPJBRJ, 2014).
A trajetória de preservação do Jardim Botânico ganhou força em 1937 com o
tombamento pelo Iphan, que reconheceu o local como um centro de vital importância para a
pesquisa botânica. Décadas depois, na esteira dos debates globais sobre clima e educação
ambiental dos anos 1980, a instituição viu a necessidade de racionalizar e normatizar a
visitação. Com isso, em 30 de abril de 1985, foi publicada no Diário Oficial da União a primeira
regulamentação de uso público do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
O Plano de Uso Público trouxe ordenação para a dinâmica relação entre o
público e o Jardim. Essa nova política de atendimento ao público consolidou-
se com o Programa de Interpretação Ambiental que, em Jardins Botânicos,
proporciona ao visitante uma maior interatividade entre Homem e Natureza,
porque é fundamental conhecer para preservar e conservar o Meio Ambiente.
O Plano de Uso Público focou ações voltadas, primordialmente, para as áreas
Conservacionista, de Educação, Turismo e Lazer (Faraco; Souza, 2008, p.
135).
O parque foi definido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura (Unesco) como Reserva da Biosfera, em 1991, e como Reserva da Biosfera da Mata
Atlântica, em 1999. Começa nesta década o desenvolvimento de um plano para comunicação
interpretativa
6
. As primeiras placas de sinalização educativa, pensadas dentro de um conceito
moderno de interação com o público e com o ambiente, têm formato de folha (Figura 1), mais
precisamente do folíolo da folha de Pau Brasil, árvore símbolo do Brasil. A estrutura de suporte
foi inspirada no caule da planta Bastão do Imperador. As placas foram concebidas e
desenvolvidas para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, a ECO-92.
Essas placas, em formato orgânico, se fundem com a paisagem, e têm diferentes cores
e funções: as azuis são placas de nomenclatura, com os nomes das aleias; as placas verdes são
de identificação e sinalização de caminhos; as placas marrons são de interpretação; e as
pequenas placas quadradas (Figura 2), posicionadas junto às árvores são de identificação de
espécies, e trazem família, nome científico, nome popular, origem e número de registro da
árvore. Essa nomenclatura científica torna acessível ao público o saber botânico acumulado
pelos pesquisadores, e dá a ele um valioso recurso de pesquisa sobre as aplicações e utilidades,
6
Anteriormente a comunicação era restrita a placas de aparência mais rústicas, que não atendiam às necessidades
de um público amplo e diverso.
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aspectos ecológicos e distribuição geográfica das espécies. No entanto, a comunicação não se
resume somente a aspectos científicos, como explica Luisa Maria Rocha:
[...] o que a ciência tem a oferecer ao público em relação a esta coleção reside
não somente nas práticas e nos conhecimentos científicos, que evidenciam
suas relações simbólicas e de sentidos, mas as interações com outros saberes
e práticas culturais. transformando assim o laboratório do arboreto, de
domínio exclusivo da ciência, em um “lugar” de domínio público que trabalha
a articulação das relações culturais estabelecidas pelos sujeitos em um mundo
que compartilhamos (Rocha, 2009, p. 113 e 114).
FIGURA 1 – Placas de comunicação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Fonte: Autores (2026).
FIGURA 2 – Placas de identificação de espécie botânica no Jardim Botânico do Rio de
Janeiro
Fonte: Autores (2026).
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A sinalização dos 54 hectares do parque passa por constante atualização devido às
mudanças na nomenclatura e taxonomia das plantas (IPJBRJ, 2020). Vinculadas a projetos de
pesquisa e educação ambiental, essas placas aproximam a ciência do público e apoiam
atividades escolares. O recurso visual ajuda os visitantes a compreenderem a importância
ecológica das coleções vivas ali preservadas. Isso se aplica também à fauna. São disponibilizas
placas que mostram aos visitantes os animais que habitam o Jardim, tornando-o também um
local de observação das espécies. A variedade de aves presente no parque é reconhecida e
motivo de visita para o público em geral e pesquisadores (Figura 3).
FIGURA 3 – Conjunto de placas de identificação de aves no Jardim Botânico do Rio de
Janeiro
Fonte: Autores (2026).
Diante desses exemplos e considerando que as visitas, em sua maioria, são realizadas
de forma espontânea, observa-se como o programa de comunicação interpretativa busca fechar
um ciclo: as pesquisas e estudos realizados no Instituto por pesquisadores e alunos da pós-
graduação, com o estudo e identificação das espécies, são repassados ao público, criando um
círculo virtuoso de produção, divulgação e compartilhamento de saberes. E o conhecimento
chega ao público justamente por meio das placas e de toda uma série de recursos tecnológicos
que hoje são utilizados pelo IPJBRJ.
A partir dos anos 2000, o parque reformulou suas estratégias de comunicação interna e
externa para potencializar suas funções educativas e científicas, além de otimizar a experiência
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do visitante. A atual abordagem interpretativa integra mídias físicas e digitais. Esse avanço
tecnológico reflete-se na instalação de placas modernas (Figura 4), com destaque para a Coleção
de Plantas Medicinais. O setor reúne cerca de 185 espécies nativas, exóticas e naturalizadas,
cultivadas em 34 canteiros ao ar livre. Aliando pesquisa e educação ambiental, o espaço
disponibiliza QR Codes que guiam os visitantes por dados botânicos e pelas propriedades
terapêuticas de plantas conhecidas do público e usadas no cotidiano (Figura 5).
FIGURA 4 – Novo modelo de placa de informativa no Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Fonte: Autores (2026).
FIGURA 5 – Placas da coleção de ervas medicinais com informações histórico-culturais e
medicinais sobre o guaraná, de acordo com o canteiro temático onde estão localizadas:
Ciência e Cultura ou Sistemas do Corpo Humano
Fonte: Autores (2026).
O novo programa disponibilizou também Trilhas Interpretativas, roteiros estruturados
sob perspectivas históricas, culturais e científicas que transformam o parque em uma
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experiência de exploração voltada à preservação da Mata Atlântica. Esses trajetos imersivos
contam com o suporte de sinalização física, mediação guiada e ferramentas digitais (PDF
interativo). O portfólio de trilhas principais inclui a das Árvores Gigantes (Figura 6), Mata
Atlântica (biodiversidade e conservação), Indígena (etnobotânica e saberes ancestrais),
Caminho das Águas (sistema hídrico estrutural) e Patrimônio. Esta última aborda as evoluções
científica e arquitetônica do espaço desde o período colonial, exemplificadas pelo sítio
arqueológico Museu Casa dos Pilões (Figura 7) e pela antiga Real Fábrica de Pólvora, hoje
Centro de Visitantes.
FIGURA 6 – Placa informativa da Trilha das Árvores Gigantes no IPJBRJ. A parte superior
da placa mimetiza a paisagem de fundo
Fonte: Autores (2026).
FIGURA 7 – Placa informativa da Trilha do Patrimônio no IPJBRJ, com o Museu Casa dos
Pilões ao fundo
Fonte: Autores (2026).
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Instalado em uma das construções mais antigas da Zona Sul do Rio de Janeiro, datada
de 1576, o Centro de Visitantes atua como o núcleo de atendimento e orientação do parque,
com a função essencial de oferecer suporte ao público e evidenciar a relevância dos recursos
culturais e ecológicos do arboreto (Figuras 8, 9 e 10). O centro disponibiliza informações gerais
para otimizar a experiência de visitação e fortalecer o vínculo com a comunidade (IPJBRJ,
2008, p. 174). O espaço também oferece exposições de longa duração, interativas, que mostram
os bastidores das pesquisas científicas no instituto; além de exposições artísticas e científicas
temporárias.
FIGURA 8 – Centro de visitantes do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Fonte: Autores (2026).
FIGURA 9 – Interior do Centro de visitantes do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Fonte: Autores (2026).
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FIGURA 10 – Interior do Centro de visitantes do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Fonte: Autores (2026).
As diferentes camadas de informação oferecidas pelo programa de comunicação
interpretativa do parque abarcam um público amplo, de pesquisadores da área a estudantes e
turistas, sem comprometer a qualidade das informações e despertando interesse em grupos
diversificados. Seja por meio das placas espalhadas pelo arboreto, ou pelas ferramentas digitais
oferecidas, o programa consegue atender às demandas educacionais, recreativas e turísticas de
todo tipo de visitante. Os recursos vão de ferramentas como o Projeto Flora Brasil 2020, que
catalogou e reuniu 46.975 espécies de plantas no mais completo banco de dados da vegetação
nativa do país, a aplicativos voltados para o público leigo, como o “Jardim Digital”, focado na
identificação colaborativa da biodiversidade no arboreto. Ao tirar fotos das plantas com o
aplicativo, o visitante recebe sugestões de identificação botânica e contribui com a pesquisa. O
“Jardim Virtual”, aplicativo de turismo virtual e presencial do IPJBRJ, oferece uma
enciclopédia interativa georreferenciada (com história, arte e monumentos), rotas guiadas e
visualização 360°. E o “Nosso Jardim” é um terceiro aplicativo, com jogos e desafios de
memória focados na diversidade da flora e voltado para crianças e estudantes.
Com relação aos recursos de acessibilidade, o IPJBRJ também oferece algumas opções,
como o “Jardim Sensorial”, dedicado a estímulos sensoriais e que tem cerca de 70 espécies
aromáticas e de texturas variadas, permitindo a vivência autônoma e o estímulo através do tato
e do olfato. O parque possui também maquetes e mapas táteis, que possibilitam a exploração
espacial e arquitetônica para pessoas com deficiência. Além disso, são oferecidas visitas
orientadas com materiais sonoros, objetos de exploração tátil, tradução em Libras e placas em
Braile (Figuras 11 e 12).
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FIGURA 11 – Canteiro no Jardim Sensorial do IPJBRJ com placa em Braile
Fonte: Autores (2026).
FIGURA 12 – Placa em Braile em canteiro no Jardim Sensorial do IPJBRJ
Fonte: Autores (2026).
A forte inserção do parque na comunidade é reflexo direto de suas ações educativas e
culturais. Nesse cenário, a instituição conta com o apoio da Associação de Amigos do Jardim
Botânico (AAJB), uma entidade civil sem fins lucrativos criada em 1986. A associação atua na
preservação, modernização e divulgação do patrimônio científico, histórico, paisagístico e
cultural do espaço. Além de promover cursos e eventos integrados à comunidade, o grupo
gerencia os estudantes de turismo que realizam o serviço de visitação guiada (IPJBRJ, 2008).
Para uma permanência eficaz dos programas de interpretação, é necessário que os
conteúdos estejam sempre atualizados e que ações de divulgação e engajamento sejam
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continuamente desenvolvidas. Neste ano, em ocasião do 218º aniversário do parque, o IPJBRJ
lançou o Passaporte do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Figuras 13 e 14), que pode ser
adquirido na loja localizada no Centro de Visitantes. Com o passaporte em mãos, o público
percorre roteiros temáticos que levam a pontos de visita previamente mapeados. A cada ponto
visitado, o passaporte é carimbado, e ao completar o percurso escolhido com todos os carimbos
coletados, o visitante tem acesso a brindes que incluem, entre outros produtos, broches
colecionáveis de símbolos icônicos do parque, como a vitória-régia, o pau-brasil e as palmeiras
imperiais. A iniciativa, lúdica e educativa, transforma a visita em uma expedição interativa pela
biodiversidade, valorizando o programa de comunicação interpretativa já disponibilizado, e
oferecendo mais possibilidades e novas camadas de abordagem dos conteúdos. O Passaporte
torna-se assim um meio de potencializar a visitação a partir de uma ferramenta simples utilizada
para enriquecer o programa implementado.
FIGURA 13 – Passaporte do IPJBRJ lançado em junho de 2026
Fonte: Autores (2026).
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FIGURA 14 – Parte interna do passaporte o IPJBRJ lançado em junho de 2026
Fonte: Autores (2026).
VALORIZAÇÃO DE BENS CIENTÍFICOS E CULTURAIS: PROGRAMA DE
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL DA FIOCRUZ
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é uma instituição criada em 1900, constituindo-se
como uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Saúde. É considerada uma das mais
destacadas instituições de Ciência e Tecnologia em Saúde da América Latina. Tem como
missão produzir, disseminar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados para o
fortalecimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para a
promoção da saúde e da qualidade de vida da população brasileira e tendo a defesa do direito à
saúde e da cidadania ampla como valores centrais.
Localizado no bairro de Manguinhos, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, o campus
Fiocruz Manguinhos-Maré possui diferentes tipologias de acervos reconhecidos por seus
atributos históricos, culturais, artísticos e/ou científicos, por órgãos de preservação em
diferentes níveis. Com o objetivo de garantir a preservação dos acervos arquitetônico,
urbanístico, arqueológico, arquivístico, bibliográfico e museológico, constituídos
historicamente pela instituição, foi criada em 1985 a Casa de Oswaldo Cruz (COC), unidade
técnico-científica da Fiocruz que tem como parte de sua missão a preservação do patrimônio
cultural da saúde e a valorização da memória institucional.
Nesse período de criação da unidade, a Fiocruz estava sob a gestão do médico sanitarista
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Sérgio Arouca (1985 – 1989). Sua gestão foi marcada por uma mudança no posicionamento
institucional, com uma abertura da instituição para a sociedade. Ele acreditava que os cientistas
deviam participar da vida social e divulgar para os meios de comunicação suas atividades,
fazendo com que a população tivesse acesso às informações científicas. Em decorrência disso,
novos perfis de profissionais foram incorporados ao quadro, tais como museólogos, jornalistas,
historiadores e arquitetos restauradores (Andrade et al, 2021).
No que diz respeito às ações no campo da conservação de bens culturais, a COC conta
em sua estrutura organizacional com o Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), que é
responsável pelas atividades de pesquisa, conservação, restauração, educação patrimonial e
valorização do acervo arquitetônico histórico da Fiocruz. O departamento tem atuado, desde
sua institucionalização, com iniciativas de sensibilização e capacitação dos diferentes públicos
para a valorização do patrimônio cultural (Andrade et al, 2021; Costa, Andrade, 2019), contudo,
foi a partir de 2026, com a estruturação de uma área específica dentro do departamento,o
Serviço de Educação Patrimonial
7
, que as iniciativas se ampliaram e se diversificaram.
Assim, o DPH/COC tem construído nos últimos 13 anos um programa de Educação
Patrimonial para o campus Manguinhos que utiliza recursos interpretativos voltados para a
valorização dos acervos culturais da Fiocruz e de ações de educação patrimonial. As ações
incluem recursos já consagrados como o uso de vídeos, cartilhas, guias de visitação, folders e
visitas guiadas mediadas pela equipe. Contudo, novos suportes e espaços, até então não
experienciados, são ressignificados para a promoção de processos educativos que vêm sendo
desenvolvidos, tais como: o uso de tapumes das obras para a comunicação; visitas guiadas em
canteiros de obras de restauração; e um projeto de painéis interpretativos aplicados às
edificações de interesse histórico e seu entorno imediato.
Os tapumes em obras se configuram como barreiras físicas para isolamento das áreas
relacionadas às intervenções, buscando garantir a segurança pública, limitação de acesso para
pessoas não autorizadas, retenção de poeiras e proteção contra invasões e furtos. Comumente
são adotados materiais monocromáticos (chapas de compensado naval ou metálicas) para tal
isolamento, gerando espaços urbanos hostis e pouco convidativos. Na contramão desta prática,
a iniciativa dos “Tapumes Ilustrados” acaba por convertê-los em painéis artísticos e
informativos, integrados à obra e em locais que possibilitam boa visualização dos transeuntes
7
Em 2006 é criado o Núcleo de Educação Patrimonial, e em 2016 a estrutura de núcleo é alterada para serviço,
recebendo a nova denominação e ampliação do escopo de atuação em educação patrimonial para abarcar os acervos
sob a responsabilidade da COC: arquitetônico, urbanístico, arqueológico, arquivístico, bibliográfico e
museológico.
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(Figura 15). Assim, transformam a barreira física obrigatória em um atrativo visual,
apresentando informações e imagens que ilustram aspectos históricos, arquitetônicos e técnicos
das edificações, tal como principais diretrizes do projeto e procedimentos a serem realizados na
intervenção.
FIGURA 15 – Arte gráfica utilizada em tapume ilustrado de obra de restauração.
Fonte: DPH/COC/Fiocruz (2025).
A ação alcança o público que circula pelas imediações da obra e também é utilizada
como introdução para a ação “Canteiro Aberto”. Assim, busca-se atingir públicos com perfis
diversificados, desde aqueles com interesse nos procedimentos técnicos da intervenção quanto
os interessados na história das ciências e da saúde, junto à comunidade Fiocruz e à sociedade
em geral.
A ação denominada de “Canteiros abertos” se constituiu em mais uma opção de
visitação guiada para que a comunidade Fiocruz, a sociedade em geral e profissionais do campo
da preservação possam vivenciar o edifício durante o processo de intervenção. Além da história
detalhada do prédio, o visitante pode conhecer as técnicas de restauração e conservação
praticadas na intervenção, o que contribui para ampliar a conscientização sobre a importância
da obra e da preservação do patrimônio cultural da Fiocruz. As visitas são guiadas pelos
arquitetos do DPH/COC, autores do projeto e fiscais da obra de restauração, além de
profissionais das equipes responsáveis pela intervenção. Em cada etapa da obra é possível ao
visitante conhecer práticas e ofícios variados, uma vez que os serviços realizados vão se
alterando conforme o andamento da intervenção.
O programa é divulgado tanto interna quanto externamente à instituição, em especial
junto a cursos de técnicos e de graduação das áreas afins; instituições de pesquisa e preservação
do patrimônio cultural. As visitas devem ser pré-agendadas pelos interessados e realizadas para
grupos de até 20 pessoas. Para possibilitar avaliações internas e a colaborar para o
aprimoramento das ações, é desejável que, após a visita, os participantes preencham um
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questionário de avaliação. A periodicidade das visitas é definida a partir da demanda do público
interessado e do cronograma dos serviços da obra. Durante as visitas à obra de restauração, os
tapumes ilustrados (acima referidos) são utilizados como exposição introdutória da mediação,
para iniciar a apresentação da história da edificação e ilustrar suas características arquitetônicas,
assim como apresentar o escopo da intervenção (Figura 16).
FIGURA 16 – Atividade de mediação em Canteiro Aberto durante obra de restauração
Fonte: Autores (2025).
No histórico das ações de Canteiro Aberto, vêm sendo empreendidos esforços contínuos
para ampliar a acessibilidade e a inclusão dos diferentes públicos nos processos de preservação
do patrimônio cultural. A experiência realizada durante as últimas restaurações de edificações
de interesse histórico, que incluíram visitas mediadas voltadas a pessoas com deficiência visual
e recursos de acessibilidade comunicacional, representou um marco nesse percurso. A partir
dos aprendizados obtidos, pretende-se incorporar e aperfeiçoar estratégias de acessibilidade em
futuras ações de Canteiro Aberto, de modo a garantir que a participação social e o acesso ao
conhecimento sobre conservação e restauração sejam cada vez mais amplos, democráticos e
compatíveis com a diversidade dos públicos atendidos pela instituição.
A aplicação de painéis interpretativos pode também ilustrar contextos de edificações de
interesse histórico, contribuindo para ativar camadas de significado a espaços que podem não
ter mais a sua função original marcada. Iniciativas dessa natureza vêm sendo desenvolvidas no
campus de Manguinhos ao longo das últimas décadas. Placas informativas implantadas em
frente aos edifícios de interesse histórico já tinham sido produzidas em meados de 2005 pelo
DPH, contudo, a iniciativa estava voltada exclusivamente a trazer informações gerais sobre a
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arquitetura.
E em 2021 com a implantação de “placas de ponto de memória”, vinculado a exposição
virtual “Manguinhos de Muitas Memórias: histórias dos trabalhadores técnicos da Fiocruz ”,
idealizada pelo Laboratório do Trabalho e da Educação Profissional em Saúde da Escola
Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz, o potencial integrador desse tipo de placas
foi experienciado no campus. Esse projeto, coordenado pela historiadora Renata Reis,
selecionou seis pontos de memória no campus com o objetivo de “integrar passado e presente,
revelando outras histórias que compõem a memória da Fiocruz, da Ciência e da Saúde Pública
no Brasil” (FIOCRUZ, 2021). Um conjunto de placas foi confeccionado e instalado em espaços
livres do campus, contendo textos interpretativos que relacionam o determinado local com a
história dos personagens da exposição (trabalhadores) e com um QR Code que, quando
acionado com a câmera do celular, transporta o visitante para o site da exposição virtual
(https://www.expomemorias.epsjv.fiocruz.br/#menu). Nesse momento, então, os expositores
falavam de pessoas que foram importantes para a história da instituição.
Paralelamente a essa iniciativa, a COC inicia o Projeto Painéis Interpretativos voltado
para a valorização, preservação e difusão do patrimônio cultural das ciências e da saúde, por
meio da instalação de sinalizações interpretativas em edifícios de interesse histórico. O projeto,
em andamento, busca contribuir para a interpretação ambiental e patrimonial desses espaços,
aproximando trabalhadores, visitantes e comunidades de suas histórias e significados. Os
painéis foram concebidos como estratégias de mediação cultural, capazes de apresentar, de
forma acessível e envolvente, os processos históricos, os usos e os acontecimentos marcantes
relacionados a cada edificação.
Considerando as experiências anteriores no desenvolvimento de conteúdo
interpretativo, nesse projeto buscou-se conjugar, em um mesmo suporte, informações sobre
arquitetura, pessoas e acervos móveis relacionados aos edifícios. Dessa forma, a iniciativa
convida à reflexão, fortalece a identidade institucional da Fiocruz e incentiva a apropriação
social do patrimônio.
Um exemplo que ilustra essa ação em desenvolvimento é o projeto das placas que serão
instaladas no interior do Pavilhão Figueiredo Vasconcellos. O Pavilhão da Química ou Pavilhão
do Quinino, como é mais conhecido, foi construído em 1919 pelo arquiteto Luiz Moraes Jr.
para abrigar o Pavilhão de Medicamentos Oficiais. O edifício recebeu mais dois andares em
1943, com projeto de autoria de Nabor Foster, da Divisão de Obras, do Ministério da Educação
e Saúde, supervisionado pelo próprio Luiz Moraes Jr. O prédio de interesse histórico abrigou
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os laboratórios de produção de quinina (um medicamento antimalárico) no início do século XX,
dando nome ao edifício. Ao longo dos anos, seus ocupantes e funções mudaram. O projeto
intitulado “Painéis Interpretativos” elaborou um conjunto de placas que estão associadas a
aspectos estéticos do prédio, a acervos móveis e ele relacionados, histórias de seus ocupantes –
desde o pessoal técnico à cientistas - e a curiosidades relacionadas às funções (Figura 17).
FIGURA 17 – Aplicação do painel, correlacionando o conteúdo ao espaço que abriga a placa
Fonte: DPH/COC/FIOCRUZ (2025).
CONSIDERAÇÕES
A interpretação do patrimônio, em sua melhor versão, cumpre uma dupla
função de valorização. De um lado, valoriza a experiência do visitante,
levando-o a uma melhor compreensão e apreciação do lugar visitado; do outro,
valoriza o próprio patrimônio, incorporando-o como atração turística (Murta;
Goodey, 2002, p. 13).
Como vimos, a interpretação do patrimônio é um recurso educacional e integra ações
de educação patrimonial que buscam adotar estratégias de maior aproximação com a sociedade.
Os processos de interpretação, promoção e difusão correspondem a formas de interação com o
patrimônio cultural e estão relacionados com a sua preservação (Portaria IPHAN n.375/2018).
Esses processos se articulam com a Educação Patrimonial, uma vez em que constam da
valorização do território como espaço educativo, passível de leituras e interpretações por meio
de múltiplas estratégias educacionais (Portaria IPHAN n.137/2016).
No âmbito das atividades de visitação à monumentos e lugares, é importante que o
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espírito da comunicação interpretativa - de tornar as experiências significativas - não seja
abandonado em prol de um cartão de visitas sem contradições e desigualdades. Para tanto, a
estratégia educativa deve estar articulada ao desenvolvimento do setor turístico,
compreendendo o patrimônio cultural como um elemento fundamental para a valorização da
identidade local e para a promoção de experiências significativas aos visitantes e à comunidade.
A interpretação do patrimônio cultural precisa ser entendida por todos os atores sociais
– público, técnicos e gestores – como um processo ativo de conhecimento, apropriação e
valorização cultural. Mais do que comunicar informações sobre os bens culturais – sejam esses
materiais ou imateriais -, deve-se buscar traduzir os seus significados de forma acessível e
envolvente. Logo, a participação e o envolvimento da comunidade constituem elementos
centrais da interpretação.
Os exemplos demonstram que se a comunicação interpretativa tiver como fundamento
a apresentação e a explicação de informações sobre o bem patrimonial de maneira que façam
sentido para o público, então a educação patrimonial estará efetivamente acontecendo (Costa,
2009, p.101). Ao discutirmos estratégias de difusão de acervos culturais, a interpretação do
patrimônio emerge como uma ferramenta que possibilita o estabelecimento de associações que
poderiam passar despercebidas. Contudo, são essas associações que têm a potência para
conectar intelectual e emocionalmente o visitante ao sítio visitado e aos acervos do patrimônio
cultural.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Inês El-Jaick; NOGUEIRA, Sônia Aparecida; ZOUAIN, Rosana Soares.
Preservação do patrimônio arquitetônico histórico na missão institucional da Fundação
Oswaldo Cruz. Revista de Arquitectura, v. 26, n. 40, p.60-68, 2021.
BARBOSA, Mariane. Cais do Valongo recebe sinalização para valorizar legado e memória do
povo negro. Alma Preta. Cotidiano. 1 de dez. de 2023. Disponível em:
https://almapreta.com.br/sessao/cotidiano/cais-do-valongo-recebe-sinalizacao-para-valorizar-
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