Suas habilidades artísticas, musicais e intelectuais, bem como seu brilhantismo, eram
amplamente reconhecidos por aqueles que conviveram com ela, aspecto que também se
evidencia pela quantidade e pela diversidade de materiais por ela produzidos. Essa percepção é
reforçada pelo depoimento de João Augusto Gentilini, ex-professor, ex-coordenador e
colaborador da Escola Dom Bosco:
“... a Dona Maria era a alma da escola, como o próprio Padre dizia, essa
história é tão dignificante para nossa cidade que eu até escrevi sobre isso. O
padre tinha grande respeito e admiração por ela, todos tinham. Uma mulher
genial, muito serena, mas muito decidida. Ela fazia de tudo nos bastidores
enquanto ele ia em busca de financiamento. Era uma artista excepcional, uma
cantora afinadíssima, pianista maravilhosa. A cabeça do pessoal do nosso
tempo era outra, nós não tínhamos essa visão e esses recursos que existem
hoje. Ninguém pensava muito sobre a importância daquilo ou como fazer tudo
certo. Ia- se fazendo o que era possível. Acredito que o resgate da memória
dela foi a melhor coisa que aconteceu no memorial, as pessoas não podem
esquecer da Dona Maria, nem colocá-la como um elemento secundário da
obra, porque não foi não. Havia um grande equilíbrio entre os dois, uma
dinâmica assim. Você entra hoje no memorial e é como se ela fosse entrar lá
a qualquer momento, porque a gente nota que há um esforço de pensar nela,
no trabalho dela, de recolocar as coisas dela lá como eram. Os eventos para
relembra-la, aquela coisa de manter a memória viva. Eu que convivi muito
com eles tenho a forte lembrança do Padre no rádio amador e ela na sala a
escrever, ou fazer qualquer outra coisa. Sempre produzindo, sem descanso,
mas sempre bem disposta, amável, extremamente lúcida até o final.”
(Gentilini, 2026).
Destacam-se livros de registros, escritos, pinturas, composições artísticas, murais em
azulejos pintados à mão e outras criações vinculadas a um setor de Artes Industriais —
atualmente relacionado às práticas artesanais — que configuram, ainda hoje, um dos grandes
diferenciais da instituição no contexto escolar da cidade. Esses elementos, produzidos ou
preservados ao longo da trajetória institucional, foram cuidadosamente recuperados e
incorporados ao acervo do Memorial. Para além de sua produção artística e intelectual, sua
atuação estava frequentemente associada à dimensão humana da instituição, caracterizada pelo
acolhimento dos estudantes, pelo acompanhamento das famílias, pela construção de relações
de confiança e pela promoção de um ambiente afetivo capaz de fortalecer os objetivos
educativos da Fundação.
O depoimento de Isabel Cristina Brunório, ex-aluna da instituição, explicita essa
dimensão de sua atuação: