Abstract
Este trabalho analisa, sob a perspectiva da Teoria Ator-Rede (TAR), a presença sistemática de agrotóxicos na água da chuva no estado de São Paulo, fenômeno revelado pelo estudo de Dias et al. (2025). O objetivo é mapear as redes sociotécnicas que tornam possível e persistente esse fenômeno, reconhecendo a agência de atores humanos e não humanos — como compostos químicos, políticas públicas, práticas agrícolas, normas regulatórias, instituições científicas e populações afetadas — na produção e estabilização dessa problemática ambiental.
A abordagem parte do entendimento de que os agrotóxicos ultrapassam seu papel técnico na agricultura e se tornam “atores políticos”, capazes de moldar ecossistemas, legislações, práticas produtivas e modos de vida. A TAR, nesse contexto, permite desvendar como as "verdades, riscos e controvérsias são produzidas, estabilizadas ou contestadas em redes complexas". Para aprofundar essa análise, serão exploradas as fases do processo de tradução de Callon (1986), que descrevem a construção e manutenção da rede através da problematização, interessamento, inscrição, e mobilização.
A dispersão atmosférica desses compostos, evidenciada na contaminação da chuva, demonstra falhas na governança ambiental e desigualdade na distribuição dos riscos, atingindo inclusive populações urbanas, distantes das áreas de aplicação direta. Essa realidade ressalta a importância de considerar os agrotóxicos não apenas como produtos agrícolas, mas como entidades com agência própria que interagem e reconfiguram o sistema sociotécnico, limitando, capacitando ou apoiando ações humanas e sociais.

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Copyright (c) 2025 Matheus Peredo Lisboa, Azuli Santos Martins, Lucas Gabriel Ivale, Gabriel Luppi Serafini, Ingrid Bardini Francisco