Abstract
Este trabalho discute os desafios e oportunidades associados à adoção de tecnologias digitais na agroindústria brasileira, com vistas às desigualdades estruturais na agricultura familiar. A partir da análise do Programa Rural+Conectado, inserido na Missão 1 da Nova Indústria Brasil (NIB), argumenta-se que a conectividade, é uma infraestrutura essencial para viabilizar a agricultura digital e promover o desenvolvimento socioeconômico no campo, facilitando o acesso à informação qualificada, capacitações, empreendedorismo e promovendo a fixação de jovens no meio rural. Sendo assim, sua ausência ou precariedade pode aprofundar exclusões e desigualdades históricas no campo, tornando a implementação de políticas públicas um desafio. A pesquisa aponta que a simples disponibilização tecnológica não é suficiente, é necessário um conjunto articulado de políticas públicas que envolvam infraestrutura, capacitação, assistência técnica e adaptação das soluções às realidades locais. A agricultura digital, se conduzida sem critérios de justiça social, pode reforçar a concentração de renda e poder, invisibilizando os pequenos produtores e comprometendo a soberania tecnológica nacional. Dessa forma, o trabalho mobiliza a bibliografia da política científica e tecnológica, da agricultura digital e realiza uma análise de conteúdo dos documentos do estudo de caso: o Nova Indústria Brasil (NIB) e o Programa Rural+Conectado. O artigo conclui que a digitalização do campo deve ser guiada por princípios de equidade territorial, participação social e planejamento estratégico de longo prazo, com o Estado atuando como indutor de inovação inclusiva.

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