Resumo
A curricularização da extensão, determinada pela Meta 12 do Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014) e regulamentada pela Resolução CNE/CES nº 7/2018 e, no âmbito paulista, pela Deliberação CEE-SP nº 216/2023, tornou obrigatório destinar, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação a atividades de extensão. Este relato de prática descreve como esse processo se materializou na disciplina Construção de Mídias para o Ensino de Ciências e Biologia (sigla BL583), obrigatória para o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Eu recupero a trajetória da disciplina, de eletiva voltada ao desenvolvimento de softwares, no fim dos anos 1990, até sua revisão como disciplina obrigatória que, em 2023, passou a destinar 105 das suas 120 horas semestrais a vetores de extensão. A caracterização apoiou-se no cruzamento das listas oficiais de matrícula das seis turmas de 2023 a 2025 (252 estudantes) com a autoria dos materiais publicados na Biblioteca Digital de Ciências (BDC) e com as estatísticas do canal da disciplina no YouTube. Os dados mostram que 202 dos 252 estudantes (80,2%) publicaram ao menos um material de acesso aberto no período. Os 391 materiais atribuídos a esses estudantes somam mais de 85 mil visitas e 115 mil downloads, sendo que o canal da disciplina no YouTube acumula 145 mil visualizações, 4,5 mil horas assistidas e 1.129 inscritos. Conclui-se que, neste caso, a curricularização formalizou e potencializou uma prática extensionista que já constituía a identidade da disciplina, convertendo cada estudante em autor de conhecimento público.
Referências
BIBLIOTECA DIGITAL DE CIÊNCIAS (BDC). Estatísticas de acesso e registros de autoria. Campinas: IB/Unicamp, 2026. Disponível em: https://www.bdc.ib.unicamp.br/. Acesso em: 11 jul. 2026.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 11 jul. 2026.
BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 jun. 2014. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13005.htm. Acesso em: 11 jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 dez. 2018. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/resolucoes/resolucoes-cne-ces-2018. Acesso em: 11 jul. 2026.
BUENO, W. C. Comunicação científica e divulgação científica: aproximações e rupturas conceituais. Informação & Informação, v. 15, n. esp., p. 1-12, 2010. https://doi.org/10.5433/1981-8920.2010v15n1espp1
CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO (CEE-SP). Deliberação CEE nº 216/2023. Dispõe sobre a curricularização da extensão nos cursos de graduação das Instituições de Ensino Superior vinculadas ao sistema estadual de ensino de São Paulo. São Paulo: CEE-SP, 2023. Disponível em: https://www.ceesp.sp.gov.br/ato-do-conselho/numero-2023-216-processo-2023-274/. Acesso em: 11 jul. 2026.
FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRAS (FORPROEX). Política Nacional de Extensão Universitária. Manaus: FORPROEX, 2012. Disponível em: https://proex.ufsc.br/files/2016/04/Pol%C3%ADtica-Nacional-de-Extens%C3%A3o-Universit%C3%A1ria-e-book.pdf. Acesso em: 11 jul. 2026.
FREIRE, P. Extensão ou comunicação? 8. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
GADOTTI, M. Extensão universitária: para quê? São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2017.
GALEMBECK, E. Desenvolvimento de softwares para o ensino de bioquímica. 1999. Tese (Doutorado em Biologia Funcional e Molecular) – Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1999. Disponível em: https://repositorio.unicamp.br/Busca/Download?codigoArquivo=488222&tipoMidia=0. Acesso em: 11 jul. 2026.
JENKINS, H. Cultura da convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009.
MASSARANI, L.; MOREIRA, I. de C.; BRITO, F. (org.). Ciência e público: caminhos da divulgação científica no Brasil. Rio de Janeiro: Casa da Ciência/UFRJ, 2002.
RODRIGUES, P. V.; CARVALHO, D. S. A curricularização da extensão no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do Instituto Federal de Rondônia – Campus Colorado do Oeste. Revista Conexão UEPG, v. 19, n. 1, p. 1-17, 2023. https://doi.org/10.5212/Rev.Conexao.v.19.21838.033
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Deliberação CEPE-A-022/2021. Dispõe sobre a curricularização da extensão nos cursos de graduação da Unicamp. Campinas: Unicamp, 2021. Disponível em: https://www.pg.unicamp.br/norma/28193/0. Acesso em: 11 jul. 2026.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Diretoria Acadêmica (DAC). Catálogo dos Cursos de Graduação – 2022 e 2023: disciplina BL583 – Construção de Mídias para o Ensino de Ciências e Biologia. Campinas: DAC/Unicamp, 2022-2023. Disponível em: https://www.dac.unicamp.br/portal/graduacao/catalogos-de-cursos. Acesso em: 11 jul. 2026.
VÍDEOS PRODUZIDOS NA DISCIPLINA BL583 (IB UNICAMP). Canal @BL583 no YouTube; estatísticas do YouTube Studio. [S. l.]: YouTube, 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/channel/UCKXU7unSlsEdh6oBySjHK5Q. Acesso em: 11 jul. 2026.
WOCIECHOSKI, D. P.; CATANI, A. M. Resolução CNE n. 7/2018 e a burocratização da educação superior: apontamentos sobre a diretriz relativa apenas à extensão universitária. Regae: Revista de Gestão e Avaliação Educacional, v. 11, n. 20, e71374, p. 1-15, 2022. https://doi.org/10.5902/2318133871374.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 BioEns@ios
