Abstract
100 lugares para dançar é uma cartografia dançada de uma cidade, composta
por 200 mini vídeos-dança disponíveis no sítio na internet
www.100lugaresparadancar.org e também como vídeo instalação itinerante.
Trata-se de um estudo de improvisação, no qual a superfície do corpo – feita
das roupas, das cores e dos cabelos – contornam a dança que é concebida no
instante da sua execução. Inspirada pelo livro “Vertigem das Listas” de
Umberto Ecco e o conceito de “Não-lugar” do antropólogo Marc Augè, a obra
se faz com o mosaico do encontro com as pessoas, prédios, muros, barcos,
containers, bares, escadas, águas, ruínas e sonhos. Apresenta em cada
fotografia-dançada uma dança que desvenda a cidade. São detalhes,
informações, experiências, memórias e civilidades que comunicam a
sensação de morar/dançar em Santos, São Paulo ou Rio de Janeiro, em seus
não-lugares, cheios de danças instantâneas e efêmeras. Lugares onde o
corpo (des)especula, vira um espectro, sorve, sucumbe e se dissolve entre a
memória do futuro e o risco do passado. Como artistas encontramos a
possibilidade de dar visibilidade a contradição da falta de espaços e
possibilidades culturais da cidade, em oposição à pujança econômica e especulativa do mercado. Talvez porque somos estrangeiros, talvez porqueainda há muito que conhecer, talvez porque a dança tem espaços impensáveis. Fomos atrás deles, com a câmera e o corpo na mão.
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