Resumo
Entre 1978 e 2010, a China ascendeu para se tornar a segunda maior economia mundial, neste período passou por uma transformação econômica, consolidando-se como uma potência industrial exportadora de bens, tecnologia e capital (Lima, 2018). O setor energético assumiu uma função crucial no financiamento dessa modernização, integrando-se ao planejamento político-econômico das estratégias chinesas de desenvolvimento e inserção internacional desde então (Yergin, 2014). Entretanto, este modelo de desenvolvimento, gerou desafios às estruturas socioeconômicas da China. Incluindo o aumento da capacidade produtiva ociosa, a dependência externa para exportação de excedentes e importação de bens essenciais, desigualdades sociais e regionais, além da posição de maior consumidora de energia primária e principal emissor de CO2 do planeta (Mendonça et al, 2021; Energy Institute, 2023). Neste contexto, Pequim passou a buscar soluções para esses desafios. Uma dessas medidas foi a política de internacionalização Going Global. A estratégia, iniciada em 2000, tinha o intuito de atingir novos mercados, acessar novas fontes de recursos e construir novas parcerias e estruturas de cooperação. A estratégia surtiu frutos, entretanto, não o suficiente para aliviar as contradições socioeconômicas (Barbosa, 2020). Além disso, um desafio energético duplo surge na China. Por um lado, o país precisa atender à demanda energética para sustentar o desenvolvimento e manter sua posição na economia global. Por outro lado, é imperativo reduzir as emissões de CO2 para mitigar os impactos socioambientais negativos associados ao seu modelo econômico
de alta intensidade energética (Wu e Nakano, 2016). Paralelamente, a comunidade internacional iniciou discussões sobre alternativas à crise climática, traduzidas na adoção da Agenda 2030 e do Acordo de Paris (2015) (ONU Brasil, 2023; CEBDS, 2019); e o Ocidente passou a empregar medidas de contenção aos avanços da China no tabuleiro internacional (Reis, 2022). Uma mudança de paradigma político-econômico se tornou inevitável para a China. Portanto, diante da problemática exposta até aqui, o objetivo desta pesquisa é descrever a transição energética como componente central da reorientação econômica da China para um modelo de desenvolvimento sustentável e de projeção global. Para isto, um estudo histórico e qualitativo é feito a partir da análise do cenário socioeconômico e do processo de transição energética da China (2000-2023) à luz da geoeconomia (Luttwak, 1990; Blackwill e Harris, 2016; Beeson, 2018; Dunford, 2021). Por fim, acredita-se que a conjuntura dos anos 2010 impulsiona mudanças nas políticas econômicas e externa chinesa, reorientando-as para uma economia de baixo carbono e uma atuação assertiva no cenário internacional. Desta forma, entende-se que através de uma estratégia geoeconômica como a Nova Rota da Seda, a China possa transformar seu poderio econômico acumulado em influência política e benefícios geopolíticos que reflitam o lugar do país nas dinâmicas internacionais e a ajudem a se manter nesta posição de destaque (Haffner e Reis, 2023).

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Copyright (c) 2025 Seminário Pesquisar China Contemporânea