Resumo
Por ocasião das comemorações dos 50 anos das relações diplomáticas entre China e Brasil, as reflexões acerca das consequências dessa parceria para o Brasil servem como um norte para entender o lugar do país em uma era marcada pela ascensão da China. Inegavelmente, o campo em que os resultados dessas relações é mais materializado, é o econômico, quando observadas as relações econômicas internacionais do Brasil, a China tem sido a grande promotora de mudanças na matriz produtiva brasileira, atando-se ao país por meio de sua enorme capacidade comercial. Nos anos 2000, a demanda chinesa auxiliou no ciclo internacional de valorização das commodities que tanto beneficiou a economia brasileira, oferecendo sucessivos saldos positivos na balança comercial ao Brasil, valorizando os ativos da economia brasileira e expandindo o papel do agronegócio no Produto Interno Bruto do país. Por outro lado, se o Brasil experimentou crescimento puxado por suas commodities vendidas à China, sua diversificação nas exportações declinou, sobretudo pela redução na complexidade dos produtos brasileiros face à competitividade industrial chinesa. Com parque industrial mais antigo que o chinês e voltado ao mercado interno, o Brasil vivencia uma queda da participação da indústria na geração de riquezas nacionais, setor que outrora marcou o acelerado crescimento do país entre 1930 - 1980. Nesse sentido, há alguns anos, o debate acerca da desindustrialização brasileira e a reprimarização de sua economia já está posto, contando com a China no centro desse problema, que é em que medida as relações econômicas do Brasil com a China contribuíram para uma desindustrialização naquele país. Entendemos que esse dilema retoma uma velha ideia nas Ciências Sociais brasileiras, quando estas se voltam aos problemas estruturais do capitalismo nacional advindos de uma dinâmica Centro x Periferia, que remete às origens coloniais do sistema econômico brasileiro. Partindo desse pressuposto, uma série de análises teóricas de matriz estruturalista foram empreendidas com o intuito de explicar o subdesenvolvimento brasileiro e latino-americano na escola CEPALINA, por outro lado, críticos dessa visão aprofundaram as reflexões da relação entre Centro x Periferia através da Teoria da Dependência e da Teoria Marxista da Dependência. A persistência do subdesenvolvimento e de uma estrutura de depreciação nas trocas geram um perfil excessivamente desigual na acumulação brasileira. No entanto, essa visão é tradicionalmente aplicada ao Brasil do século XX e sua periferização face ao capitalismo central euro-estadunidense, corroborado pela adoção do neoliberalismo como fundamento na inserção internacional do Brasil, notadamente no recorte pós-1990. Na condição de grande economia periférica e regida pelo neoliberalismo, o Brasil se insere no mundo capitalista do século XXI, que é marcado pela ascensão econômica da China. Fragilizado pelo direcionamento dado ao seu Estado, os brasileiros se veem diante de um problema repetido em suas trocas desiguais desde o tempo colonial, mas desta vez com um novo centro dinâmico de capitais, a República Popular da China. Assim, nosso objetivo é analisar se, à luz da Teoria da Dependência, é possível interpretar efetivamente as relações entre China e Brasil.

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