Resumo
O trabalho visa analisar a presença estratégica da China na América Latina, levando em conta a presença dos investimentos em energia renovável do país na região. A abordagem pragmática da China em suas relações internacionais se reflete na adaptação aos acordos econômicos e de cooperação existentes, embora a expansão dos investimentos possa desafiar o princípio da ""não interferência"" (Vadell et al., 2020, p. 461-462). Entre 2010 e 2014, a China destinou aproximadamente 89,34 bilhões de yuans (US$ 14,41 bilhões) em assistência externa, focada em melhorar as condições de vida e infraestrutura dos países em desenvolvimento, incluindo muitos na América Latina (CHINA-SCPRC, 2014). As políticas de assistência vindas da República Popular da China (RPC) buscam explorar o potencial de cooperação econômica e comercial para benefício mútuo e desenvolvimento comum (Vadell et al., 2020, p. 19). A Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), lançada em 2013, é um exemplo significativo dos investimentos chineses em infraestrutura global, destacando a mobilização de recursos e a participação de bancos multilaterais de desenvolvimento (Mendonça, 2021, p. 9). O setor energético é uma área chave nessa cooperação, com a China investindo em países ricos em recursos para garantir um fornecimento energético sustentável e fortalecer sua segurança energética. O mercado global de energia, caracterizado pela volatilidade dos preços, obriga as empresas chinesas a investir internacionalmente para mitigar riscos (Tan, Chang, Guo, 2021, p. 4). A América Latina, em particular, se destaca como o maior receptor de investimentos chineses em energia hidrelétrica e outras formas de energia renovável (Ma, 2020, p. 5-6). Vale ressaltar que atualmente a China é atualmente um dos países líderes em emissões de gases poluentes e o alinhamento com a América Latina tem de cooperação na promoção de fontes de energia renováveis. O Brasil, por exemplo, é um dos principais receptores de investimentos chineses em energia renovável, refletindo a preocupação da China com questões ambientais e a busca por fontes energéticas mais sustentáveis (Ma, 2020, p. 6). Desde 2003, a China tem intensificado seus investimentos em projetos energéticos internacionais, com um crescimento significativo nos últimos anos. Esses investimentos estão concentrados em mercados emergentes e países em desenvolvimento, especialmente na América Latina, reforçando a importância estratégica da região para a China (Li, Zhongshu, Gallagher, Mauzerall, 2018). Portanto, ressalta-se a importância estratégica da região para a RPC na promoção de uma forma de investimento que esteja ligada a ideias mais sustentáveis.

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