Resumo
Desde várias décadas, o governo chinês tem investido significativamente na criação de veículos de comunicação internacionais para melhorar sua imagem no mundo. Contudo, a eficácia limitada dessa estratégia levou a China a alterar sua abordagem comunicacional de duas maneiras. Por um lado, a mídia chinesa tem buscado estabelecer parcerias com veículos de comunicação latino-americanos. Por outro lado, jornalistas latino-americanos têm sido convidados a participar de cursos de formação na China para conhecer melhor o país. De fato, em 2016, o presidente chinês Xi Jinping anunciou a criação do 'Centro de Intercâmbio de Informações China-América Latina e Caribe' e o treinamento de 500 profissionais de mídia na região em cinco anos. Este artigo examina o fenômeno dos cursos de formação para jornalistas como parte de uma estratégia de diplomacia pública chinesa que visa mudar a imagem da China em uma região onde a maioria dos meios de comunicação carece de recursos para enviar correspondentes ao outro lado do mundo. Este estudo tem como objetivo contribuir para a crescente literatura sobre diplomacia pública e soft power da China na América Latina. A primeira parte examina a mudança da estratégia comunicacional da China nas últimas décadas, especialmente em relação às dinâmicas de parcerias entre veículos de comunicação da China e da América Latina. A segunda parte foca nos cursos de formação para jornalistas como uma abordagem 'radical', ou seja, que busca remodelar a imagem da China desde a raiz. Os jornalistas são profissionais da palavra e sua função é a construção discursiva da realidade social. Neste sentido, a imagem do mundo apresentada às audiências, em grande medida, é produto de seu trabalho, pois os jornalistas criam uma visão de mundo. Se os jornalistas conhecerem de perto a China verdadeira, então poderão se tornar uma janela através da qual será possível enxergar uma imagem mais equilibrada da China. No entanto, a cultura jornalística nos países latino-americanos difere substancialmente da cultura jornalística na China, onde a mídia desempenha um papel construtivo no acompanhamento das políticas governamentais. Será que os jornalistas latino-americanos são capazes de mergulhar em uma cultura jornalística tão diferente? Este artigo explora como essa estratégia tem crescido nos últimos anos, especialmente com o convite de profissionais da comunicação de países da América Central que estabeleceram relações diplomáticas com a República Popular Chinesa recentemente, como Panamá (2017), El Salvador (2018) e Honduras (2023). Por fim, este estudo discute alguns dos desafios dessa abordagem na diplomacia pública chinesa.

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