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Perfil dos usuários do ambulatório de saúde mental do adolescente do Cecom
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Palavras-chave

Adolescência
Saúde mental
Atenção psicossocial

Como Citar

BATISTA, Karen; LOPES, Vivian de Lima Buosi; LEITE, Carlos Eduardo Paula; DOMINGOS JÚNIOR, Nilton Manoel. Perfil dos usuários do ambulatório de saúde mental do adolescente do Cecom. Resumo dos trabalhos do SIMTEC Simpósio dos Profissionais da UNICAMP, Campinas, SP, v. 8, n. 8.Eixo 3, p. e02200766, 2023. DOI: 10.20396/simtec.vi8.Eixo 3.9512. Disponível em: https://econtents.sbu.unicamp.br/eventos/index.php/simtec/article/view/9512. Acesso em: 10 mar. 2026.

Resumo

Introdução/Objetivo: A adolescência é um período de intensas mudanças físicas e psicossociais que podem apresentar impactos importantes na estruturação da personalidade e saúde mental dos indivíduos. Portanto, é fundamental a oferta de uma rede de proteção a essa população, de modo que os serviços de saúde se comprometam com o fortalecimento de fatores de proteção para uma adolescência saudável e em facilitar o acesso ao tratamento e intervenção precoce de agravos em saúde mental. Assim, em 2019 o CECOM criou o Ambulatório de Saúde Mental do Adolescente (ASMA) visando oferecer assistência multiprofissional - composta pelos serviços de Psiquiatria, Psicologia e Serviço Social - para os adolescentes do COTUCA, COTIL, estagiários, menores-aprendiz e patrulheiros da comununidade UNICAMP. Metodologia: Sistematizamos os dados dos adolescentes que buscaram assistência em saúde mental no ASMA/CECOM de março de 2019 até agosto de 2022 a fim de mapear o perfil dos usuários assistidos até o momento. Tais dados foram levantados e analisados pela equipe multiprofissional do ambulatório. Resultados: De 2019 a 2022 foram contemplados 93 adolescentes no ASMA. Destes, 71% são do sexo feminino e 29% masculino. Sobre a idade: 38,7% com 17 anos; 22,6% com 16 anos; 20,4% com 18 anos; 12,9% com 15 anos; 4,3% com 19 anos e 1,1% com 21 anos. Sobre o vínculo institucional: 76,3% são alunos do COTUCA, 19,4% são do Programa Menor-Aprendiz ou Patrulheiros e apenas 4,3% são alunos do COTIL. Analisando a natureza das queixas, observamos que 38,7% apresentavam sintomas de depressão/ansiedade e/ou instabilidade emocional; 11,8% se queixavam de pressão escolar; 7,5% apresentavam queixas relacionadas a relacionamentos afetivo-sexuais, 6,5% queixas típicas da Síndrome da Adolescência Normal; 6,5% queixas sobre ensino online e isolamento social; 6,5% sofriam violência parental; 5,4% sofreram violência sexual; 4,3% queixas de dificuldades cognitivas; 3,2% queixas relacionadas à intolerância/discriminação racial, religiosa ou sexual; 3,2% ideação e/ou tentativa de suicídio; 3,2% vivenciavam processos de luto e luto provocado pela pandemia e 3,2% queixas associadas à vulnerabilidade socioeconômica. Sobre a conduta, 40,1% foram encaminhados para Psiquiatria; 37,6% à Psicologia e 22,3% ao Grupo de Apoio. Dos encaminhados para Psiquiatria (63 adolescentes), 58,7% (37 adolescentes) foram medicados. Conclusão: O fato da maioria dos adolescentes serem do sexo feminino sugere que as meninas estão mais expostas a fatores estressantes e faz-se necessário investigar se a baixa adesão dos meninos é produto dos aspectos histórico-culturais que determinam a construção de gênero e dos papéis sociais. Queixas de intolerância racial, religiosa e de orientação sexual, vulnerabilidades sócioeconomicas e exposição a diferentes tipos de violência denotam a necessidade dos serviços da rede considerarem tais evidências para a adoção de medidas que favoreçam um ambiente seguro e saudável aos adolescentes.

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Referências

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SCHENKER, M.; CAVALCANTE, F. G., 2015. Vulnerabilidade, família, abuso, dependência de drogas e violência. In: SILVA, E. A., MOURA, Y. G. e ZUGMAN, D. K. Vulnerabilidades, resiliência, redes: Uso , abuso e dependência de drogas. São Paulo: Red Publicações, 2015.

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